{"id":25229,"date":"2026-06-23T12:41:10","date_gmt":"2026-06-23T15:41:10","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=25229"},"modified":"2026-06-18T11:46:39","modified_gmt":"2026-06-18T14:46:39","slug":"o-crime-organizado-nao-e-uma-anomalia-do-capitalismo-e-parte-constitutiva-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2026\/06\/23\/o-crime-organizado-nao-e-uma-anomalia-do-capitalismo-e-parte-constitutiva-dele\/","title":{"rendered":"\u201cO crime organizado n\u00e3o \u00e9 uma anomalia do capitalismo; \u00e9 parte constitutiva dele\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Guillem Pujol &#8211; <\/strong>H\u00e1 livros que incomodam porque dizem em alto e bom som o que todos intuem, mas ningu\u00e9m quer admitir. Homo criminalis: C\u00f3mo el crimen organiza el mundo\u00a0(Capit\u00e1n Swing), do historiador e analista de seguran\u00e7a\u00a0Mark Galeotti, \u00e9 um deles. Sua tese \u00e9 t\u00e3o simples quanto perturbadora: o\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/666523-brasil-e-eua-intensificam-combate-ao-trafico-internacional-de-pcc-e-comando-vermelho\" rel=\"noopener noreferrer\">crime organizado<\/a>\u00a0n\u00e3o \u00e9 um parasita que se alimenta da sociedade a partir das margens, mas um de seus motores fundacionais. Das rep\u00fablicas mercantis do\u00a0Renascimento\u00a0italiano aos cart\u00e9is que financiam igrejas na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/644280-o-crime-organizado-esta-causando-metastases-e-a-america-latina-esta-pagando-o-preco-entrevista-com-robert-muggah\" rel=\"noopener noreferrer\">Am\u00e9rica Latina<\/a>, passando pelos piratas que tra\u00e7aram as rotas do com\u00e9rcio atl\u00e2ntico,\u00a0Galeotti argumenta que sempre que a sociedade humana d\u00e1 um salto de complexidade, o crime organizado d\u00e1 outro ao seu lado.<\/p>\n<p>Galeotti\u00a0\u00e9 doutor em Filosofia pela\u00a0Universidade de Oxford, assessorou governos e organismos internacionais em temas sobre crime transnacional e amea\u00e7as h\u00edbridas, e h\u00e1 d\u00e9cadas estuda o crime organizado russo, campo no qual \u00e9 uma refer\u00eancia mundial. Sua trajet\u00f3ria come\u00e7ou, como ele explica, de forma quase acidental, durante seu doutorado sobre veteranos sovi\u00e9ticos da guerra do\u00a0Afeganist\u00e3o. Foi ent\u00e3o que alguns de seus entrevistados lhe explicaram como acabaram entrando nas redes mafiosas que proliferaram no caos p\u00f3s-sovi\u00e9tico. Aquela pista acidental se tornou voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pesquisador fala da impossibilidade de separar hist\u00f3ria leg\u00edtima e hist\u00f3ria criminal, da guerra \u00e0s drogas como um fracasso programado, da\u00a0lavagem de dinheiro\u00a0como coluna vertebral da economia global, da arte como moeda do submundo e do porqu\u00ea o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/654386-a-cronologia-dos-lacos-entre-o-trumpismo-e-o-bolsonarismo\" rel=\"noopener noreferrer\">trumpismo<\/a>, as\u00a0Guerras do \u00d3pio\u00a0brit\u00e2nicas e os\u00a0yakuza\u00a0japoneses\u00a0respondem a uma mesma l\u00f3gica: a do poder que n\u00e3o precisa mais disfar\u00e7ar.<\/p>\n<h2>Eis a entrevista.<\/h2>\n<p><strong>O t\u00edtulo do livro, \u2018<em>Homo criminalis<\/em>\u2019, sugere uma esp\u00e9cie de ontologia do crime: que transgredir \u00e9 algo intr\u00ednseco \u00e0 natureza humana ou, ao menos, a qualquer forma de organiza\u00e7\u00e3o social. Voc\u00ea concebe o crime organizado como um subproduto inevit\u00e1vel de qualquer estrutura social ou, melhor, como um de seus motores ativos?<\/strong><\/p>\n<p>Em sentido t\u00e9cnico estrito, o crime \u00e9 aquilo que a lei define como tal. Por isso, \u00e9 revelador que em tantas l\u00ednguas exista uma distin\u00e7\u00e3o: o crime, que delimita o Estado, e o mal, que delimita a sociedade. Um dos argumentos centrais do livro \u00e9 precisamente que sempre haver\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre o que o Estado criminaliza e o que a sociedade considera reprov\u00e1vel. E o<strong>\u00a0crime organizado<\/strong>\u00a0floresce nessa brecha. Em uma democracia que funciona bem, essa dist\u00e2ncia deveria ser estreita. Mas, em muitas sociedades, \u00e9 enorme.<\/p>\n<p><strong>E quando o crime organizado emerge historicamente como tal?<\/strong><\/p>\n<p>Os grandes momentos de emerg\u00eancia do crime organizado coincidem com os grandes momentos de organiza\u00e7\u00e3o social. Ap\u00f3s a queda do Imp\u00e9rio Romano, n\u00e3o houve crime organizado propriamente dito, apenas banditismo, porque tamb\u00e9m n\u00e3o havia uma sociedade organizada para al\u00e9m do n\u00edvel local. O crime organizado reaparece no Renascimento, na\u00a0<strong>It\u00e1lia<\/strong>\u00a0e nos\u00a0<strong>Pa\u00edses<\/strong>\u00a0<strong>Baixos<\/strong>: os ber\u00e7os de novos modelos de sociedade, de banco e de com\u00e9rcio. Hoje, a sociedade est\u00e1 mais organizada do que nunca e, portanto, \u00e9 um momento extraordin\u00e1rio para ser do crime organizado. A globaliza\u00e7\u00e3o lhes oferece as mesmas vantagens que a qualquer empresa transnacional.<\/p>\n<p><strong>Por que a historiografia tradicional tende a tratar o crime como uma anomalia, uma patologia social, em vez de como um dos pilares estruturantes das sociedades humanas?<\/strong><\/p>\n<p>Em parte, por uma raz\u00e3o muito humana: \u00e9 confort\u00e1vel pensar que o crime acontece em outro lugar, em pa\u00edses desordenados onde as drogas s\u00e3o fabricadas, ou entre indiv\u00edduos de apar\u00eancia amea\u00e7adora em bares aos quais nunca ir\u00edamos. Sempre \u00e9 externalizado. Mas h\u00e1 uma raz\u00e3o mais estrutural: a erudi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica se constr\u00f3i sobre os documentos e registros do Estado. E o crime deixa poucos registros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, at\u00e9 relativamente pouco tempo atr\u00e1s, a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica esteve muito ligada aos interesses estatais. A ideia do intelectual independente tem, no m\u00e1ximo, 200 anos. Tudo isso conspirou para que ignoremos at\u00e9 que ponto o crime organizado n\u00e3o apenas \u00e9 uma ferramenta \u00fatil para entender como as sociedades funcionam, mas tamb\u00e9m uma for\u00e7a muito mais poderosa do que estamos dispostos a reconhecer.<\/p>\n<p><strong>Costuma-se dizer que a hist\u00f3ria \u00e9 escrita pelos vencedores, e voc\u00ea escreve a transi\u00e7\u00e3o do bandido ao fundador de na\u00e7\u00f5es como um fato quase estrutural. Pode nos dar algum exemplo hist\u00f3rico em que essa transi\u00e7\u00e3o tenha sido t\u00e3o fluida que hoje celebremos esses fundadores como her\u00f3is leg\u00edtimos?<\/strong><\/p>\n<p>Todos os Estados foram fundados por senhores da guerra. Os mais eficazes n\u00e3o foram apenas aqueles que tinham mais espadas, mas os que entenderam a import\u00e2ncia de construir legitimidade. A espada mais poderosa \u00e9 a que est\u00e1 na alma dos s\u00faditos: convenc\u00ea-los de que voc\u00ea tem o direito de governar porque Deus quis assim ou porque retirou a espada de uma pedra.<\/p>\n<p>Toda a hist\u00f3ria brit\u00e2nica est\u00e1 moldada pela conquista normanda, ou seja, pela invas\u00e3o de uma pot\u00eancia estrangeira, sem nenhum fundamento real. Contudo, se voc\u00ea permanece tempo suficiente, torna-se o monarca leg\u00edtimo. \u00c9 exatamente o mesmo princ\u00edpio que um mafioso inteligente aplica quando convence sua comunidade de que est\u00e1 do seu lado.<\/p>\n<p><strong>A pirataria \u00e9 muito romantizada na cultura popular, mas qual foi seu papel real na forma\u00e7\u00e3o do capitalismo mercantil? E, a prop\u00f3sito disso: Trump chegou recentemente a se referir \u00e0 pirataria como \u201cum bom neg\u00f3cio\u201d ao justificar a apreens\u00e3o de petr\u00f3leo venezuelano. Estamos voltando a um paradigma em que a legitimidade n\u00e3o se constr\u00f3i mais discursivamente, mas se imp\u00f5e pela mera demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Os piratas n\u00e3o criaram as estruturas do\u00a0<strong>capitalismo mercantil moderno<\/strong>. Foram um produto delas e um fator dentro delas. Sem essas grandes rotas comerciais e as frotas de ouro provenientes da\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>, n\u00e3o teria havido incentivo para o surgimento dessa subcultura econ\u00f4mica pirata.<\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo, a pirataria gerou rotas alternativas, cidades inteiras que viviam da venda de saques. Tornou-se instrumento de guerra entre Estados por meio do corso e um mecanismo pelo qual elites mais amplas conseguiam participar dos lucros do\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/661843-colonialismo-3-0-a-eclosao-do-ovo-da-serpente-fascista-dos-eua\" rel=\"noopener noreferrer\">colonialismo<\/a>. \u00c9, mais uma vez, um sinal de que o crime faz parte do\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/sobre-o-ihu\/78-noticias\/647784-um-mundo-a-venda-um-mundo-colapsando\" rel=\"noopener noreferrer\">mundo capitalista<\/a>: investe-se nele, tomam-se decis\u00f5es empresariais, ganha-se ou perde-se.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 quest\u00e3o da legitimidade, penso que h\u00e1 uma crescente<strong>\u00a0legitima\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica<\/strong>\u00a0que diz: \u201cn\u00e3o segui as regras, mas fa\u00e7o os trens chegarem a tempo\u201d. H\u00e1 uma palavra russa magn\u00edfica,\u00a0<em>vranyo<\/em>, que significa uma mentira que a pessoa sabe que \u00e9 mentira, mas n\u00e3o pode fazer nada a seu respeito.<\/p>\n<p>Antes, os\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/espiritualidade\/78-noticias\/663196-trump-inaugurou-seu-escudo-das-americas-com-doze-chefes-de-estado\" rel=\"noopener noreferrer\">Estados Unidos<\/a>\u00a0ao menos mantinham a cortesia de fingir que constru\u00edam alguma justificativa. Com\u00a0<strong>Trump<\/strong>, vemos que n\u00e3o h\u00e1 sequer esta pretens\u00e3o. N\u00e3o vejo isto como um fen\u00f4meno Trump, mas como um sintoma do\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/666075-wallerstein-e-o-declinio-dos-estados-unidos-artigo-de-raul-zibechi\" rel=\"noopener noreferrer\">decl\u00ednio estadunidense<\/a>. Assim como as\u00a0<strong>Guerras do \u00d3pio<\/strong>\u00a0marcaram o decl\u00ednio do<strong>\u00a0Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico<\/strong>, quando um poder precisa se esfor\u00e7ar mais para parecer forte, \u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o forte assim.<\/p>\n<p><strong>Que balan\u00e7o voc\u00ea faz da chamada guerra \u00e0s drogas, iniciada no s\u00e9culo XX? Voc\u00ea apoiaria a descriminaliza\u00e7\u00e3o total como estrat\u00e9gia para desarticular o mercado ilegal?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o apoiaria a legaliza\u00e7\u00e3o de todas as drogas, porque, quando uma subst\u00e2ncia tem potencial de depend\u00eancia qu\u00edmica, distorce a livre vontade do consumidor. H\u00e1 subst\u00e2ncias com efeitos genuinamente devastadores.<\/p>\n<p>Dito isso, no caso da\u00a0<strong><em>cannabis<\/em><\/strong>, por exemplo, \u00e9 preciso perguntar se \u00e9 social ou sanitariamente pior do que o tabaco. E uma das raz\u00f5es pelas quais, hoje, circulam vers\u00f5es extremamente potentes da\u00a0<em>cannabis<\/em>\u00a0\u00e9 justamente sua criminaliza\u00e7\u00e3o: perdemos a capacidade de regul\u00e1-la e criamos incentivos para que criminosos ofere\u00e7am vers\u00f5es cada vez mais viciantes.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de fundo, novamente, \u00e9 a dist\u00e2ncia entre Estado e sociedade. Quando uma parte importante da sociedade n\u00e3o acredita que certas drogas brandas sejam prejudiciais, o traficante se torna aliado e o Estado inimigo. Isto deslegitima o Estado e as for\u00e7as da ordem.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/663977-relancamento-da-guerra-contra-as-drogas-um-risco-para-a-democracia-na-america-latina\" rel=\"noopener noreferrer\">guerra \u00e0s drogas<\/a>\u00a0foi catastr\u00f3fica porque gerou expectativas irreais: as guerras se vencem. Isto n\u00e3o \u00e9 uma guerra, \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica. E ela se concentrou obsessivamente na oferta \u2013 queimar cultivos, interceptar mensagens -, sem abordar a s\u00e9rio a demanda, que \u00e9 mais dif\u00edcil e politicamente mais inc\u00f4moda.<\/p>\n<p><strong>O fentanil \u00e9 uma epidemia nos Estados Unidos, mas n\u00e3o na Espanha. Isto n\u00e3o diz algo sobre fatores sociais mais profundos do que a mera disponibilidade da subst\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>Absolutamente. O\u00a0<strong>fentanil<\/strong>\u00a0\u00e9, em grande medida, produto de um sistema de sa\u00fade completamente mercantilizado. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/627883-voracidade-dos-lucros-e-a-epidemia-%20dos-opioides-nas-americas\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>epidemia de<\/strong>\u00a0<strong>opioides<\/strong><\/a>\u00a0come\u00e7a nas salas de espera dos m\u00e9dicos, n\u00e3o nas esquinas. A ind\u00fastria farmac\u00eautica prescreveu opioides em massa e criou uma depend\u00eancia que depois encontrou seu curso no mercado ilegal. \u00c9 um exemplo perfeito de como a distin\u00e7\u00e3o entre medicamento e droga \u00e9, no fundo, artificial e pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>E falando de pol\u00edtica e artif\u00edcios\u2026, voc\u00ea avalia que seria poss\u00edvel sustentar a economia global atual, se pud\u00e9ssemos eliminar todo o dinheiro de origem criminosa?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. A\u00a0<strong>economia global<\/strong>\u00a0entraria em colapso. O dinheiro sujo penetrou em cada canto do sistema. E agora que o dinheiro \u00e9 essencialmente uma fantasia consensuada que circula entre computadores, rastrear sua origem se tornou praticamente imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>O mecanismo \u00e9 conhecido: o dinheiro entra no sistema banc\u00e1rio por meio de jurisdi\u00e7\u00f5es muito obscuras e, a partir da\u00ed, vai sendo transferido, lentamente, para lugares cada vez menos suspeitos, at\u00e9 chegar a\u00a0<strong>Londres<\/strong>,\u00a0<strong>Nova York<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>Frankfurt<\/strong>. Todo mundo sabe que isto acontece. O problema \u00e9 que quando a responsabilidade \u00e9 de todos, acaba n\u00e3o sendo de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Londres \u00e9 apontada como um dos principais centros de lavagem de dinheiro do mundo. Com sua experi\u00eancia, pode explicar um pouco seu funcionamento interno?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de fazer o doutorado, trabalhei um ano na\u00a0<strong>Cidade de Londres<\/strong>. Odiei, mas foi a melhor decis\u00e3o que pude tomar, porque, ao voltar \u00e0 academia, tive certeza do que queria. O que ouvi naquele ano foi revelador: todos eram conscientes da necessidade de cumprir\u00a0<strong>normas<\/strong>\u00a0<strong>de\u00a0<em>compliance<\/em><\/strong>, mas a pergunta nunca era \u201ccomo fazemos as coisas de maneira certa\u201d, mas, sim, \u201ccomo garantimos que n\u00e3o sejamos pegos fazendo as coisas de maneira errada\u201d. Uma amiga que trabalhou sete anos nesse setor foi muito clara, antes de sair: seu trabalho consistia em garantir que ningu\u00e9m fosse perseguido. O sistema n\u00e3o \u00e9 desenhado para ser \u00e9tico, mas para parecer que \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Em \u2018<em>A Escuta<\/em>\u2019, o ponto culminante da carreira criminosa n\u00e3o \u00e9 o dinheiro, nem o poder nas ruas, mas o acesso ao mundo dos advogados, pol\u00edticos e homens de neg\u00f3cios. Essa imagem\u00a0\u2013 do crime que busca se juntar ao que \u00e9 leg\u00edtimo \u2013 \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o fiel de como, de fato, funciona a ascens\u00e3o no crime organizado?<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos criminosos nunca chegar\u00e1 perto disso. A maior parte fracassa, acaba morta, presa ou simplesmente abandonar\u00e1 o crime porque n\u00e3o compensa. Mas, sim, o sonho \u00e9 exatamente esse: o momento em que se d\u00e1 o salto. E melhor ainda quando esse processo se institucionaliza.<\/p>\n<p>Pense no\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>, onde os\u00a0<em><strong>yakuza<\/strong><\/em>\u00a0foram, por muito tempo, legais. Voc\u00ea tinha o poder e o dinheiro oferecidos pelo crime e a seguran\u00e7a e a respeitabilidade de estar do lado leg\u00edtimo das coisas. Isto \u00e9 o ideal. Nos pa\u00edses ocidentais modernos, \u00e9 mais dif\u00edcil de conseguir, mas continua sendo o horizonte.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o que obtemos, muitas vezes, \u00e9 uma divis\u00e3o do trabalho: de um lado, o criminoso; de outro, a figura leg\u00edtima\u00a0<strong>\u2013<\/strong>\u00a0o pol\u00edtico, o empres\u00e1rio\u00a0<strong>\u2013<\/strong>\u00a0que mant\u00e9m uma alian\u00e7a discreta com ele. Pode ser que voc\u00ea n\u00e3o consiga unir as duas identidades em uma \u00fanica pessoa, mas consegue uma associa\u00e7\u00e3o muito conveniente.<\/p>\n<p><strong>Por fim, minha pergunta \u00e9 sobre os chamados crimes de \u201ccolarinho branco\u201d. O tr\u00e1fico de arte e antiguidades costuma ser visto como um crime \u201celegante\u201d, quase menor. No entanto, o mercado da arte tem uma caracter\u00edstica singular: a obscuridade na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os o transforma em um meio ideal para a lavagem de dinheiro. Qual \u00e9, de fato, o papel da arte nas economias do crime?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 realmente deprimente perceber at\u00e9 que ponto os tesouros culturais se tornaram meros instrumentos de transa\u00e7\u00e3o financeira. No cinema e na televis\u00e3o, tendemos a imaginar o colecionador que rouba uma obra para guard\u00e1-la em seu cofre e contempl\u00e1-la em privado. N\u00e3o digo que isto nunca aconte\u00e7a, mas \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o. Na maioria dos casos, a arte se tornou simplesmente uma unidade de capital muito concentrada.<\/p>\n<p>As obras s\u00e3o usadas como garantia de d\u00edvidas no\u00a0<strong>mundo do crime<\/strong>, como mecanismo de lavagem e como reserva de valor mantida em dep\u00f3sitos especiais com controle clim\u00e1tico, sem que ningu\u00e9m as veja. O propriet\u00e1rio sabe que ela est\u00e1 ali e se precisa de um milh\u00e3o de d\u00f3lares extra, a tem.<\/p>\n<p>\u00c9 usada tamb\u00e9m como meio de troca internacional entre criminosos: uma pequena escultura que, mesmo que seja vista por um agente aduaneiro, \u00e9 improv\u00e1vel que seja identificada como uma pe\u00e7a babil\u00f4nica original. Serve para saldar a \u00faltima remessa de drogas ou armas.<\/p>\n<p>No livro, menciono o caso de um quadro que tinha sido literalmente embutido em uma parede como fundo de reserva: n\u00e3o est\u00e1 exposto, nem sequer \u00e9 vis\u00edvel. Pode ser perfeitamente um lingote de ouro ou uma bolsa de diamantes de sangue. A arte se tornou isso: dinheiro com boa reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: \u201cO crime organizado n\u00e3o \u00e9 uma anomalia do capitalismo; \u00e9 parte constitutiva dele\u201d. Entrevista com Mark Galeotti &#8211; Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU &#8211; Link da mat\u00e9ria: https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/666751-o-crime-organizado-nao-e-uma-anomalia-do-capitalismo-e-parte-constitutiva-dele-entrevista-com-mark-galeotti<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guillem Pujol &#8211; H\u00e1 livros que incomodam porque dizem em alto e bom som o que todos intuem, mas ningu\u00e9m quer admitir. Homo criminalis: C\u00f3mo el crimen organiza el mundo\u00a0(Capit\u00e1n Swing), do historiador e analista de seguran\u00e7a\u00a0Mark Galeotti, \u00e9 um deles. 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