{"id":25199,"date":"2026-05-31T12:36:49","date_gmt":"2026-05-31T15:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=25199"},"modified":"2026-05-31T12:36:49","modified_gmt":"2026-05-31T15:36:49","slug":"milton-santos-ajudou-a-transformar-a-geografia-em-uma-ciencia-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2026\/05\/31\/milton-santos-ajudou-a-transformar-a-geografia-em-uma-ciencia-social\/","title":{"rendered":"\u2018Milton Santos ajudou a transformar a geografia em uma ci\u00eancia social\u2019"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Tadeu Arantes<\/strong> \u2013 O ge\u00f3grafo Jaime Tadeu Oliva foi aluno e colaborador de Milton Santos. Atualmente, \u00e9 professor e pesquisador no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEB-USP), onde coordena e orienta trabalhos no Arquivo Milton Santos. Nesta entrevista, ele apresenta uma vis\u00e3o panor\u00e2mica da obra do mestre, destacando seu projeto intelectual, suas principais contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e sua postura cr\u00edtica no meio acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Qual \u00e9 a sua impress\u00e3o mais forte acerca da trajet\u00f3ria intelectual de Milton Santos? Jaime Tadeu Oliva \u2013 Meu primeiro coment\u00e1rio \u00e9 o seguinte: desde muito cedo, desde jovem professor de geografia no curso secund\u00e1rio, Milton Santos mostrou-se uma pessoa que tinha na vida um projeto intelectual. Isso \u00e9 uma coisa rar\u00edssima. Em geral, as pessoas que se envolvem com ensino e pesquisa v\u00e3o, mais ou menos, sendo levadas, para l\u00e1 e para c\u00e1, conforme as circunst\u00e2ncias. N\u00e3o foi o caso dele. Embora sua vida tenha sido atribulada, desde cedo ele definiu um projeto intelectual, que conseguiu manter em meio \u00e0s turbul\u00eancias. Observando em retrospectiva a obra dele, o conjunto da sua obra, d\u00e1 para perceber que esse projeto, que ele mais ou menos instituiu na juventude, se manteve e se desenvolveu.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Qual era, em grandes tra\u00e7os, esse projeto? Oliva \u2013 No meu entendimento, o projeto intelectual dele foi estruturado por tr\u00eas linhas de for\u00e7a. Em primeiro lugar, por uma tentativa de responder o que era, afinal, sua \u00e1rea de interesse, a geografia. Isso n\u00e3o estava claramente estabelecido, de forma consensual, quando ele come\u00e7ou. Ent\u00e3o, desde os anos 1950, em v\u00e1rios documentos, nos primeiros livros que publicou, ele questionou as bases te\u00f3ricas da geografia. Mas n\u00e3o era um questionamento que interessava apenas a uma disciplina. Era um questionamento sobre como a geografia devia ser praticada enquanto ci\u00eancia social e como, mais amplamente, as pr\u00f3prias ci\u00eancias sociais deviam ser praticadas. J\u00e1 na \u00e9poca, ele criticou a influ\u00eancia das metodologias das ci\u00eancias da natureza no interior das ci\u00eancias sociais. Muito precocemente, ele participou do entendimento de que a geografia n\u00e3o podia ser uma disciplina que apenas descrevia os espa\u00e7os. Tal como era praticada, ela descrevia espa\u00e7os regionais, o quadro natural, o quadro social, as obras humanas, mas n\u00e3o avaliava como aquelas condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas participavam da din\u00e2mica social. O que ele estava dizendo, desde ent\u00e3o, \u00e9 que, quando o ser humano faz uma estrada, ele a faz com determinadas inten\u00e7\u00f5es, de aumentar as conex\u00f5es, de estabelecer certas rela\u00e7\u00f5es sociais, e que isso muda a sociedade. O espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 meramente um palco onde o drama se desenvolve, o drama \u00e9 influenciado pelo palco, pelo modo como n\u00f3s fazemos os nossos espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Esse movimento de renova\u00e7\u00e3o tinha car\u00e1ter internacional, n\u00e3o? Oliva \u2013 Sim, esse movimento tinha car\u00e1ter internacional. Uma boa parte dessa discuss\u00e3o j\u00e1 estava ocorrendo na Europa. E, mais tarde, no ex\u00edlio, ele interagiu muito com a geografia francesa e com a geografia norte-americana. Mas n\u00e3o era algu\u00e9m que apenas aderiu a algo que j\u00e1 existia. Ele foi um dos iniciadores dessa ocorr\u00eancia, uma figura de proa nesse movimento. Ao mesmo tempo, nunca abandonou essa dimens\u00e3o te\u00f3rica. Ele questionava a pr\u00f3pria arquitetura da ci\u00eancia o tempo todo, vigiava, controlava, renovava o seu pr\u00f3prio pensamento. Ele tinha uma frase muito boa: \u2018O verdadeiro intelectual \u00e9 o primeiro a trair as suas pr\u00f3prias ideias\u2019. E dizia tamb\u00e9m: \u2018Eu n\u00e3o tenho compromisso nenhum com o que eu penso\u2019. N\u00e3o porque fosse irrespons\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio pensamento, mas porque n\u00e3o se apegava \u00e0s formula\u00e7\u00f5es alcan\u00e7adas. Seu \u00faltimo grande trabalho nesse campo foi A natureza do espa\u00e7o [1996], que \u00e9 um balan\u00e7o de tudo que ele pensou sobre a estrutura te\u00f3rica da disciplina e sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, mas um balan\u00e7o em que ainda aparecem inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Como o senhor sintetiza essa primeira linha de for\u00e7a da trajet\u00f3ria intelectual dele? Oliva \u2013 Eu diria que ele ajudou a transformar a geografia em uma ci\u00eancia social. Ele dizia assim: \u2018A geografia n\u00e3o estuda o espa\u00e7o, a geografia estuda a sociedade, mas olha a sociedade a partir da janela do espa\u00e7o. A partir do espa\u00e7o, eu tento entender a sociedade na sua integralidade\u2019. Isso influenciou outras disciplinas tamb\u00e9m, porque o espa\u00e7o \u00e9 um grande ausente na sociologia, na hist\u00f3ria. \u00c9 como se a vida se desenrolasse no ar. Ele contribuiu para que essas disciplinas passassem a ter mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o espacial.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Qual foi a segunda linha de for\u00e7a? Oliva \u2013 Uma segunda vertente, muito importante, foi o estudo do mundo urbano. Esse interesse apareceu desde cedo, quando ele lia sobre cidades africanas, cidades do Oriente M\u00e9dio, cidades latino-americanas. No ex\u00edlio, ele circulou por muitos pa\u00edses, foi professor visitante, atuou na Venezuela, participou da funda\u00e7\u00e3o da Universidade de Dar es Salaam, na Tanz\u00e2nia, trabalhou na Guin\u00e9-Bissau. Isso fez com que ele conhecesse uma grande diversidade de cidades. O que o intrigava era o seguinte: como cidades enormes existiam em pa\u00edses sem uma economia industrial forte? Como \u00e9 que existe uma cidade como Kinshasa [capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, com aproximadamente 15 milh\u00f5es de habitantes], sem que haja uma base econ\u00f4mica vis\u00edvel que sustente aquilo? Ele percebeu que essas cidades t\u00eam um conjunto de atividades internas, dependentes do pr\u00f3prio crescimento urbano. A cidade cresce e precisa de pedreiros, de empregadas dom\u00e9sticas, de jardineiros, de vendedores ambulantes, de pequenos comerciantes, de artes\u00e3os, tudo isso vai se compondo e sustentando uma grande economia urbana. Milton chamou isso de \u2018circuito inferior da economia urbana\u2019. Ao mesmo tempo, existe um \u2018circuito superior, com mais capital e tecnologia. Isso deu origem ao livro O espa\u00e7o dividido [1978], sobre os dois circuitos da economia urbana.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 E a terceira linha de for\u00e7a? Oliva \u2013 Uma terceira vertente, muito importante, \u00e9 a da centralidade da t\u00e9cnica. N\u00e3o podemos pensar os espa\u00e7os nem as rela\u00e7\u00f5es sociais sem considerar que tudo isso \u00e9 intermediado por uma quantidade enorme de objetos t\u00e9cnicos. Esses objetos est\u00e3o incorporados ao espa\u00e7o. Ele dizia que \u2018os espa\u00e7os s\u00e3o espa\u00e7os inteligentes e tamb\u00e9m dep\u00f3sitos de conhecimento\u2019. Neste particular, a grande contribui\u00e7\u00e3o dele foi trazer a discuss\u00e3o da t\u00e9cnica e dar uma espacialidade para isso. Nesse campo, ele teve uma grande interlocu\u00e7\u00e3o com Milton Vargas [1914-2011, professor doutor em\u00e9rito da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo], um nome referencial na reflex\u00e3o sobre a engenharia e a tecnologia. Milton dialogava com \u00e1reas como a f\u00edsica, desde Newton at\u00e9 Einstein. Teve conex\u00f5es intelectuais e pessoais muito amplas, especialmente com quem discutia t\u00e9cnica, espa\u00e7o e sociedade. Foi um vision\u00e1rio, porque, j\u00e1 nos anos 1990, dizia que a globaliza\u00e7\u00e3o dependia do controle das t\u00e9cnicas e que esse controle subordinava os pa\u00edses pobres. Ele formulou a ideia de meio t\u00e9cnico-cient\u00edfico-informacional, mostrando que o espa\u00e7o \u00e9 constitu\u00eddo por sistemas t\u00e9cnicos e fluxos de informa\u00e7\u00e3o. E dizia que, nesse contexto, os objetos t\u00e9cnicos n\u00e3o nos obedecem mais; eles mandam em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Como era a postura intelectual de Milton Santos? Oliva \u2013 Ele sempre defendeu que quem entra na universidade tem de ter pensamento pr\u00f3prio. Dizia que existem dois tipos de professores universit\u00e1rios: os letrados e os que pensam. Ele sempre procurava enxergar o que ningu\u00e9m estava vendo e tinha uma postura cr\u00edtica constante. Era muito cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao modo como a universidade funciona. Dizia que esse sistema transforma os docentes em burocratas, desestimula o pensamento e a reflex\u00e3o mais lenta.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Lembra de algum epis\u00f3dio que sintetize essa postura? Oliva \u2013 Na cerim\u00f4nia em que ele recebeu o t\u00edtulo de Professor Em\u00e9rito na USP, o esperado era um discurso de agradecimento. Ele fez o contr\u00e1rio: criticou a universidade. Disse que a universidade queria transformar os professores em uma linha de produ\u00e7\u00e3o de artigos, que as pessoas repetiam textos, fragmentavam ideias, escolhiam temas por financiamento e n\u00e3o por interesse intelectual. Tamb\u00e9m criticou a aus\u00eancia de negros na universidade. Foi um discurso totalmente inesperado. Ele continuava sendo o Milton mesmo nesse momento.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>\u00a0\u2013 O ge\u00f3grafo Jaime Tadeu Oliva foi aluno e colaborador de Milton Santos. Atualmente, \u00e9 professor e pesquisador no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEB-USP), onde coordena e orienta trabalhos no Arquivo Milton Santos. Nesta entrevista, ele apresenta uma vis\u00e3o panor\u00e2mica da obra do mestre, destacando seu projeto intelectual, suas principais contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e sua postura cr\u00edtica no meio acad\u00eamico.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013<\/strong>\u00a0Qual \u00e9 a sua impress\u00e3o mais forte acerca da trajet\u00f3ria intelectual de Milton Santos?<\/em>\u00a0<strong>Jaime Tadeu Oliva \u2013\u00a0<\/strong>Meu primeiro coment\u00e1rio \u00e9 o seguinte: desde muito cedo, desde jovem professor de geografia no curso secund\u00e1rio, Milton Santos mostrou-se uma pessoa que tinha na vida um projeto intelectual. Isso \u00e9 uma coisa rar\u00edssima. Em geral, as pessoas que se envolvem com ensino e pesquisa v\u00e3o, mais ou menos, sendo levadas, para l\u00e1 e para c\u00e1, conforme as circunst\u00e2ncias. N\u00e3o foi o caso dele. Embora sua vida tenha sido atribulada, desde cedo ele definiu um projeto intelectual, que conseguiu manter em meio \u00e0s turbul\u00eancias. Observando em retrospectiva a obra dele, o conjunto da sua obra, d\u00e1 para perceber que esse projeto, que ele mais ou menos instituiu na juventude, se manteve e se desenvolveu.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013<\/strong>\u00a0Qual era, em grandes tra\u00e7os, esse projeto?<\/em>\u00a0<strong>Oliva \u2013<\/strong>\u00a0No meu entendimento, o projeto intelectual dele foi estruturado por tr\u00eas linhas de for\u00e7a. Em primeiro lugar, por uma tentativa de responder o que era, afinal, sua \u00e1rea de interesse, a geografia. Isso n\u00e3o estava claramente estabelecido, de forma consensual, quando ele come\u00e7ou. Ent\u00e3o, desde os anos 1950, em v\u00e1rios documentos, nos primeiros livros que publicou, ele questionou as bases te\u00f3ricas da geografia. Mas n\u00e3o era um questionamento que interessava apenas a uma disciplina. Era um questionamento sobre como a geografia devia ser praticada enquanto ci\u00eancia social e como, mais amplamente, as pr\u00f3prias ci\u00eancias sociais deviam ser praticadas. J\u00e1 na \u00e9poca, ele criticou a influ\u00eancia das metodologias das ci\u00eancias da natureza no interior das ci\u00eancias sociais. Muito precocemente, ele participou do entendimento de que a geografia n\u00e3o podia ser uma disciplina que apenas descrevia os espa\u00e7os. Tal como era praticada, ela descrevia espa\u00e7os regionais, o quadro natural, o quadro social, as obras humanas, mas n\u00e3o avaliava como aquelas condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas participavam da din\u00e2mica social. O que ele estava dizendo, desde ent\u00e3o, \u00e9 que, quando o ser humano faz uma estrada, ele a faz com determinadas inten\u00e7\u00f5es, de aumentar as conex\u00f5es, de estabelecer certas rela\u00e7\u00f5es sociais, e que isso muda a sociedade. O espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 meramente um palco onde o drama se desenvolve, o drama \u00e9 influenciado pelo palco, pelo modo como n\u00f3s fazemos os nossos espa\u00e7os.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013<\/strong>\u00a0Esse movimento de renova\u00e7\u00e3o tinha car\u00e1ter internacional, n\u00e3o?<\/em>\u00a0<strong>Oliva \u2013<\/strong>\u00a0Sim, esse movimento tinha car\u00e1ter internacional. Uma boa parte dessa discuss\u00e3o j\u00e1 estava ocorrendo na Europa. E, mais tarde, no ex\u00edlio, ele interagiu muito com a geografia francesa e com a geografia norte-americana. Mas n\u00e3o era algu\u00e9m que apenas aderiu a algo que j\u00e1 existia. Ele foi um dos iniciadores dessa ocorr\u00eancia, uma figura de proa nesse movimento. Ao mesmo tempo, nunca abandonou essa dimens\u00e3o te\u00f3rica. Ele questionava a pr\u00f3pria arquitetura da ci\u00eancia o tempo todo, vigiava, controlava, renovava o seu pr\u00f3prio pensamento. Ele tinha uma frase muito boa: \u2018O verdadeiro intelectual \u00e9 o primeiro a trair as suas pr\u00f3prias ideias\u2019. E dizia tamb\u00e9m: \u2018Eu n\u00e3o tenho compromisso nenhum com o que eu penso\u2019. N\u00e3o porque fosse irrespons\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio pensamento, mas porque n\u00e3o se apegava \u00e0s formula\u00e7\u00f5es alcan\u00e7adas. Seu \u00faltimo grande trabalho nesse campo foi\u00a0<em>A natureza do espa\u00e7o<\/em>\u00a0[1996], que \u00e9 um balan\u00e7o de tudo que ele pensou sobre a estrutura te\u00f3rica da disciplina e sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, mas um balan\u00e7o em que ainda aparecem inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013<\/strong>\u00a0Como o senhor sintetiza essa primeira linha de for\u00e7a da trajet\u00f3ria intelectual dele?<\/em>\u00a0<strong>Oliva \u2013<\/strong>\u00a0Eu diria que ele ajudou a transformar a geografia em uma ci\u00eancia social. Ele dizia assim: \u2018A geografia n\u00e3o estuda o espa\u00e7o, a geografia estuda a sociedade, mas olha a sociedade a partir da janela do espa\u00e7o. A partir do espa\u00e7o, eu tento entender a sociedade na sua integralidade\u2019. Isso influenciou outras disciplinas tamb\u00e9m, porque o espa\u00e7o \u00e9 um grande ausente na sociologia, na hist\u00f3ria. \u00c9 como se a vida se desenrolasse no ar. Ele contribuiu para que essas disciplinas passassem a ter mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o espacial.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013\u00a0<\/strong>Qual foi a segunda linha de for\u00e7a?<\/em>\u00a0<strong>Oliva \u2013<\/strong>\u00a0Uma segunda vertente, muito importante, foi o estudo do mundo urbano. Esse interesse apareceu desde cedo, quando ele lia sobre cidades africanas, cidades do Oriente M\u00e9dio, cidades latino-americanas. No ex\u00edlio, ele circulou por muitos pa\u00edses, foi professor visitante, atuou na Venezuela, participou da funda\u00e7\u00e3o da Universidade de Dar es Salaam, na Tanz\u00e2nia, trabalhou na Guin\u00e9-Bissau. Isso fez com que ele conhecesse uma grande diversidade de cidades. O que o intrigava era o seguinte: como cidades enormes existiam em pa\u00edses sem uma economia industrial forte? Como \u00e9 que existe uma cidade como Kinshasa [capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, com aproximadamente 15 milh\u00f5es de habitantes], sem que haja uma base econ\u00f4mica vis\u00edvel que sustente aquilo? Ele percebeu que essas cidades t\u00eam um conjunto de atividades internas, dependentes do pr\u00f3prio crescimento urbano. A cidade cresce e precisa de pedreiros, de empregadas dom\u00e9sticas, de jardineiros, de vendedores ambulantes, de pequenos comerciantes, de artes\u00e3os, tudo isso vai se compondo e sustentando uma grande economia urbana. Milton chamou isso de \u2018circuito inferior da economia urbana\u2019. Ao mesmo tempo, existe um \u2018circuito superior, com mais capital e tecnologia. Isso deu origem ao livro\u00a0<em>O espa\u00e7o dividido<\/em>\u00a0[1978], sobre os dois circuitos da economia urbana.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013<\/strong>\u00a0E a terceira linha de for\u00e7a?<\/em>\u00a0<strong>Oliva \u2013<\/strong>\u00a0Uma terceira vertente, muito importante, \u00e9 a da centralidade da t\u00e9cnica. N\u00e3o podemos pensar os espa\u00e7os nem as rela\u00e7\u00f5es sociais sem considerar que tudo isso \u00e9 intermediado por uma quantidade enorme de objetos t\u00e9cnicos. Esses objetos est\u00e3o incorporados ao espa\u00e7o. Ele dizia que \u2018os espa\u00e7os s\u00e3o espa\u00e7os inteligentes e tamb\u00e9m dep\u00f3sitos de conhecimento\u2019. Neste particular, a grande contribui\u00e7\u00e3o dele foi trazer a discuss\u00e3o da t\u00e9cnica e dar uma espacialidade para isso. Nesse campo, ele teve uma grande interlocu\u00e7\u00e3o com Milton Vargas [1914-2011, professor doutor em\u00e9rito da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo], um nome referencial na reflex\u00e3o sobre a engenharia e a tecnologia. Milton dialogava com \u00e1reas como a f\u00edsica, desde Newton at\u00e9 Einstein. Teve conex\u00f5es intelectuais e pessoais muito amplas, especialmente com quem discutia t\u00e9cnica, espa\u00e7o e sociedade. Foi um vision\u00e1rio, porque, j\u00e1 nos anos 1990, dizia que a globaliza\u00e7\u00e3o dependia do controle das t\u00e9cnicas e que esse controle subordinava os pa\u00edses pobres. Ele formulou a ideia de meio t\u00e9cnico-cient\u00edfico-informacional, mostrando que o espa\u00e7o \u00e9 constitu\u00eddo por sistemas t\u00e9cnicos e fluxos de informa\u00e7\u00e3o. E dizia que, nesse contexto, os objetos t\u00e9cnicos n\u00e3o nos obedecem mais; eles mandam em n\u00f3s.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013<\/strong>\u00a0Como era a postura intelectual de Milton Santos?<\/em>\u00a0<strong>Oliva \u2013<\/strong>\u00a0Ele sempre defendeu que quem entra na universidade tem de ter pensamento pr\u00f3prio. Dizia que existem dois tipos de professores universit\u00e1rios: os letrados e os que pensam. Ele sempre procurava enxergar o que ningu\u00e9m estava vendo e tinha uma postura cr\u00edtica constante. Era muito cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao modo como a universidade funciona. Dizia que esse sistema transforma os docentes em burocratas, desestimula o pensamento e a reflex\u00e3o mais lenta.<\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013<\/strong>\u00a0Lembra de algum epis\u00f3dio que sintetize essa postura?<\/em>\u00a0<strong>Oliva \u2013<\/strong>\u00a0Na cerim\u00f4nia em que ele recebeu o t\u00edtulo de Professor Em\u00e9rito na USP, o esperado era um discurso de agradecimento. Ele fez o contr\u00e1rio: criticou a universidade. Disse que a universidade queria transformar os professores em uma linha de produ\u00e7\u00e3o de artigos, que as pessoas repetiam textos, fragmentavam ideias, escolhiam temas por financiamento e n\u00e3o por interesse intelectual. Tamb\u00e9m criticou a aus\u00eancia de negros na universidade. Foi um discurso totalmente inesperado. Ele continuava sendo o Milton mesmo nesse momento.<\/p>\n<div id=\"__reading__mode__content_end_mark_container_id\">Fonte: \u2018Milton Santos ajudou a transformar a geografia em uma ci\u00eancia social\u2019 &#8211; Link da mat\u00e9ria: https:\/\/agencia.fapesp.br\/milton-santos-ajudou-a-transformar-a-geografia-em-uma-ciencia-social\/58003<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes \u2013 O ge\u00f3grafo Jaime Tadeu Oliva foi aluno e colaborador de Milton Santos. Atualmente, \u00e9 professor e pesquisador no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEB-USP), onde coordena e orienta trabalhos no Arquivo Milton Santos. 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