{"id":25161,"date":"2026-04-26T18:29:33","date_gmt":"2026-04-26T21:29:33","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=25161"},"modified":"2026-04-26T18:31:29","modified_gmt":"2026-04-26T21:31:29","slug":"legado-indigena-contra-o-mito-colonial-arqueologia-confirma-amazonia-manejada-ha-milenios-e-grandes-cidades-integradas-a-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2026\/04\/26\/legado-indigena-contra-o-mito-colonial-arqueologia-confirma-amazonia-manejada-ha-milenios-e-grandes-cidades-integradas-a-natureza\/","title":{"rendered":"Legado ind\u00edgena contra o mito colonial: arqueologia confirma Amaz\u00f4nia manejada h\u00e1 mil\u00eanios e grandes cidades integradas \u00e0 natureza"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rodrigo Chagas<\/strong> &#8211; Terra preta, manejo de plantas e redes urbanas mostram a Amaz\u00f4nia como obra ind\u00edgena e guia para cidades resilientes.<\/p>\n<p>A ideia de que a Amaz\u00f4nia teria sido um vazio verde, isolado e in\u00f3spito, est\u00e1 ruindo. A imposi\u00e7\u00e3o de uma <a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/podcast\/bem-viver\/2025\/12\/08\/precisamos-de-uma-tradicao-radical-em-que-a-questao-negra-seja-nuclear-diz-muryatan-barbosa\/\">tradi\u00e7\u00e3o colonial e eurocentrada<\/a> consolidou por s\u00e9culos a imagem da maior floresta tropical do mundo como terra de escassez, habitada apenas por popula\u00e7\u00f5es consideradas \u201cprimitivas\u201d. Mas descobertas recentes da arqueologia brasileira v\u00eam desmontando esse mito e provando que a hist\u00f3ria de abund\u00e2ncia, tecnologia e bem viver n\u00e3o p\u00f4de ser contada pelos povos ind\u00edgenas dizimados ao longo dos \u00faltimos s\u00e9culos.<\/p>\n<div class=\"elementor-shortcode\">\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, escava\u00e7\u00f5es e estudos em diferentes pontos da regi\u00e3o revelaram evid\u00eancias de sociedades ind\u00edgenas altamente complexas, que manejavam o territ\u00f3rio com engenhosidade e sofistica\u00e7\u00e3o. Estima-se que, antes da invas\u00e3o europeia, cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas viviam na Amaz\u00f4nia, falantes de ao menos 170 l\u00ednguas diferentes, em uma diversidade de modos de vida e formas de organiza\u00e7\u00e3o social. Cidades planejadas, redes de estradas, t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de cultivo e a produ\u00e7\u00e3o da terra preta \u2013 um solo f\u00e9rtil criado por povos origin\u00e1rios h\u00e1 mil\u00eanios \u2013 revelam uma floresta constru\u00edda, mais do que apenas preservada.<\/p>\n<p>Essa mem\u00f3ria redescoberta tem implica\u00e7\u00f5es profundas n\u00e3o apenas sobre o passado da regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m sobre seu futuro. Em um cen\u00e1rio de crise clim\u00e1tica global e colapso urbano, pesquisadores apontam que os modos de vida e as tecnologias ancestrais da Amaz\u00f4nia podem inspirar solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis para as cidades atuais, especialmente aquelas mais expostas aos extremos do clima, como\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/04\/28\/obra-da-cop30-vai-de-levar-esgoto-de-area-nobre-em-belem-para-comunidade-de-palafitas\/\">Bel\u00e9m (PA), capital amaz\u00f4nica que sediou a 30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP30)<\/a>\u00a0e j\u00e1 \u00e9 apontada como uma das cidades mais quentes do mundo at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>Nesta reportagem, o\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong> ouviu dois importantes nomes da arqueologia amaz\u00f4nica: o professor Eduardo G\u00f3es Neves, refer\u00eancia internacional nos estudos sobre as civiliza\u00e7\u00f5es da floresta, e a arque\u00f3loga paraense Mayara Mariano, que investiga como esses saberes podem alimentar pol\u00edticas p\u00fablicas e formas de viver mais justas e resilientes.<\/p>\n<p>A partir de suas descobertas e reflex\u00f5es, este texto prop\u00f5e um mergulho em uma floresta viva do passado, onde abund\u00e2ncia, diversidade e bem viver eram parte de um projeto coletivo de longo prazo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-904672 not-transparent c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/30_Julho_Teotonio-2.jpg?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/30_Julho_Teotonio-2.jpg 1800w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/30_Julho_Teotonio-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/30_Julho_Teotonio-2-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/30_Julho_Teotonio-2-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/30_Julho_Teotonio-2-1536x1021.jpg 1536w, \" alt=\"Eduardo G\u00f3es Neves durante escava\u00e7\u00e3o no alto rio Madeira, em 2016, em pesquisa sobre a forma\u00e7\u00e3o da terra preta de \u00edndio. (Foto: Fernando Almeida\/Universidade Federal de Sergipe)\" \/><br \/>\n<em>Eduardo G\u00f3es Neves durante escava\u00e7\u00e3o no alto rio Madeira, em 2016, em pesquisa sobre a forma\u00e7\u00e3o da terra preta de \u00edndio\u00a0<span class=\"credit-separator\">|<\/span>\u00a0<span class=\"image-credit\">Cr\u00e9dito: Fernando Almeida\/Universidade Federal de Sergipe<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>A floresta que foi constru\u00edda: desmentindo o mito da escassez<\/strong><\/p>\n<p>Por muito tempo, a Amaz\u00f4nia foi tratada como uma regi\u00e3o \u201csem hist\u00f3ria, sem hist\u00f3ria humana, sem hist\u00f3ria ind\u00edgena e um ambiente pristino\u201d, afirma o arque\u00f3logo Eduardo Neves, professor titular do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos principais nomes da arqueologia amaz\u00f4nica no Brasil. Essa leitura, segundo ele, dominou o pensamento acad\u00eamico e pol\u00edtico sobre a floresta ao longo de boa parte do s\u00e9culo 20. \u201cEssa vis\u00e3o serviu de justificativa para v\u00e1rios projetos de desenvolvimento econ\u00f4mico catastr\u00f3ficos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Mayara Mariano, arque\u00f3loga e pesquisadora Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi, \u00e9 respons\u00e1vel pelo estudo\u00a0<em>Tecnologias ancestrais para o bem viver em cidades da Amaz\u00f4nia,\u00a0<\/em>do\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/laboratoriodacidade.org\/#\">LabCidade<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o sediada em Bel\u00e9m (PA) que visa promover cidades amaz\u00f4nicas mais justas, resilientes e adaptadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ela refor\u00e7a que essa imagem da Amaz\u00f4nia como espa\u00e7o vazio e atrasado foi constru\u00edda a partir de um discurso eurocentrado. \u201cA nossa miss\u00e3o \u00e9 desmanchar e mudar essa ideia vendida pelo eurocentrismo de que a Amaz\u00f4nia era um lugar in\u00f3spito, um lugar de escassez, um lugar dif\u00edcil.\u201d<\/p>\n<p>Para ela, esse imagin\u00e1rio foi ativamente instrumentalizado pelo Estado brasileiro: \u201cEsse discurso ideol\u00f3gico determinista de escassez foi muito utilizado no \u00e2mbito da ditadura militar mesmo, para ocupa\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio, para a propaga\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas.\u201d<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio campo cient\u00edfico colaborou com essa distor\u00e7\u00e3o. Neves lembra que, no s\u00e9culo 19, os primeiros cientistas naturalistas que percorreram a regi\u00e3o interpretaram a diversidade cultural como um tra\u00e7o negativo. \u201cEles achavam que essa diversidade era reflexo de um processo de degenera\u00e7\u00e3o. Associavam isso \u00e0 condi\u00e7\u00e3o tropical\u201d, explica o arque\u00f3logo. \u201cIsso alimentou um colonialismo interno muito forte at\u00e9 hoje no nosso pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Mas essa narrativa come\u00e7a a ruir \u00e0 medida que novas evid\u00eancias v\u00eam \u00e0 tona. Escava\u00e7\u00f5es realizadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas ajudam a remontar o cen\u00e1rio Grande Amaz\u00f4nia antes da invas\u00e3o europeia. Essas popula\u00e7\u00f5es que somavam milh\u00f5es de pessoas e falavam centenas de l\u00ednguas diferentes, domesticavam esp\u00e9cies vegetais, produziam alimentos e modificavam o ambiente em larga escala.<\/p>\n<p>Uma das provas mais concretas desse manejo est\u00e1 no pr\u00f3prio ch\u00e3o. A chamada terra preta de \u00edndio \u00e9 um solo escuro e muito f\u00e9rtil, encontrado em diversos pontos da Amaz\u00f4nia, associado a antigas \u00e1reas de ocupa\u00e7\u00e3o humana. Em geral, aparece junto a vest\u00edgios como carv\u00f5es e fragmentos de cer\u00e2mica e, ainda hoje, \u00e9 valorizada por popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e ribeirinhas por manter produtividade por longos per\u00edodos.<\/p>\n<p>Em campo, Neves conta que aprendeu na pr\u00e1tica como esse manejo do solo tem t\u00e9cnica e observa\u00e7\u00e3o fina. Ao lembrar uma escava\u00e7\u00e3o feita em 1999, na comunidade Lago do Lim\u00e3o, no Amazonas, ele relata que um morador pediu para a equipe parar de cavar porque \u201cvoc\u00eas est\u00e3o remexendo muito a minha terra preta\u201d. O motivo, diz o arque\u00f3logo, n\u00e3o era s\u00f3 o buraco, mas o retorno do solo \u201csem o caco de cer\u00e2mica\u201d. Segundo o morador, os fragmentos ajudam a reter a umidade, evitando que a terra encharque na chuva e rache na seca, uma explica\u00e7\u00e3o que Neves diz ter virado li\u00e7\u00e3o sobre por que a terra preta se mant\u00e9m est\u00e1vel por s\u00e9culos.<\/p>\n<p>A\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/10\/11\/castanha-do-para-um-bem-precioso-da-sociobiodiversidade-amazonica\/\">castanheira<\/a>\u00a0\u00e9 outro exemplo de como a floresta carrega escolhas humanas antigas. Neves chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, no que a ci\u00eancia conhece, h\u00e1 dois grandes dispersores da castanha, a cutia e a nossa esp\u00e9cie. Para ele, a presen\u00e7a de castanhais em v\u00e1rios pontos da Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode ser lida apenas como acaso natural, mas como ind\u00edcio de circula\u00e7\u00e3o e manejo ao longo de gera\u00e7\u00f5es, numa paisagem em que plantas alimentares e \u00e1rvores \u00fateis foram sendo incentivadas e multiplicadas.<\/p>\n<p>A\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/11\/22\/alimento-e-saude-or-mandioca-a-cultura-do-seculo-21\/\">mandioca<\/a>, esp\u00e9cie crucial para alimenta\u00e7\u00e3o brasileira at\u00e9 os dias de hoje, foi domesticada na Amaz\u00f4nia entre 8 mil e 10 mil anos atr\u00e1s, e se espalhou pela regi\u00e3o gra\u00e7as a uma complexa rede de comunica\u00e7\u00e3o e trocas. Foi assim com outros frutos de alto valor nutritivo, como a castanha-do-Brasil, a goiaba e diversos tipos de palmeiras frut\u00edferas. O feij\u00e3o e a ab\u00f3bora, domesticados inicialmente nas partes baixas da Cordilheira dos Andes e nas Am\u00e9rica Central, viajaram milhares de quil\u00f4metros at\u00e9 serem cultivados na Amaz\u00f4nia, h\u00e1 mais de 5 mil anos.<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria ind\u00edgena na Amaz\u00f4nia \u00e9 muito profunda\u201d, afirma Neves. \u201cA floresta amaz\u00f4nica \u00e9, em larga medida, o resultado de milhares de anos de uso humano.\u201d<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-904668 not-transparent c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/AFP__20230413__33CF644__v1__MidRes__BoliviaAmazonAgricultureBrazilNut.jpg?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/AFP__20230413__33CF644__v1__MidRes__BoliviaAmazonAgricultureBrazilNut.jpg 1600w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/AFP__20230413__33CF644__v1__MidRes__BoliviaAmazonAgricultureBrazilNut-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/AFP__20230413__33CF644__v1__MidRes__BoliviaAmazonAgricultureBrazilNut-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/AFP__20230413__33CF644__v1__MidRes__BoliviaAmazonAgricultureBrazilNut-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/AFP__20230413__33CF644__v1__MidRes__BoliviaAmazonAgricultureBrazilNut-1536x1152.jpg 1536w, \" alt=\"Castanheiras, comuns em \u00e1reas pr\u00f3ximas a s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, s\u00e3o apontadas por pesquisadores como parte do manejo ind\u00edgena milenar da floresta amaz\u00f4nica. (Foto: Mart\u00edn SILVA \/ AFP)\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p><em>Castanheiras, comuns em \u00e1reas pr\u00f3ximas a s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, s\u00e3o apontadas por pesquisadores como parte do manejo ind\u00edgena milenar da floresta amaz\u00f4nica\u00a0<span class=\"credit-separator\">|<\/span>\u00a0<span class=\"image-credit\">Cr\u00e9dito: Mart\u00edn Silva\/AFP<\/span><\/em><\/p>\n<p>Para Mayara, essas descobertas demonstram que o modelo amaz\u00f4nico n\u00e3o apenas existia, como tamb\u00e9m era altamente sofisticado. \u201cCada vez mais a gente tem evid\u00eancias do contr\u00e1rio daquele modelo imposto. A gente consegue conceber que esses modos de vida ind\u00edgenas estavam conectados com o territ\u00f3rio e com a floresta de uma forma que rompe com essa caixinha determinista do que poderia ser Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n<p>Ao falar de\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/editoria\/bem-viver\/\">bem viver como pr\u00e1tica<\/a>, Neves afirma que hoje existe \u201cum conflito muito forte\u201d entre \u201cessa ontologia da abertura\u201d e uma l\u00f3gica contempor\u00e2nea \u201cbaseada no controle absoluto\u201d, descreve, ao contrapor a diversidade dos sistemas agroecol\u00f3gicos \u00e0 monocultura. Para o arque\u00f3logo, o bem viver passa pela conviv\u00eancia com a vida em m\u00faltiplas formas, n\u00e3o s\u00f3 pelas plantas cultivadas, mas pelos outros seres que compartilham o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Cidades antigas e redes complexas na floresta<\/strong><\/p>\n<p>As evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas mostram que a Amaz\u00f4nia pr\u00e9-colonial n\u00e3o era formada apenas por pequenas aldeias isoladas. A floresta abrigou redes de ocupa\u00e7\u00e3o densa, cidades organizadas, conex\u00f5es entre territ\u00f3rios distantes e infraestrutura planejada em escala regional.<\/p>\n<p>\u201cCidades n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimo de pedra, de cimento, de ferro. Cidades s\u00e3o agrupamentos humanos com planejamento, com uso do espa\u00e7o, com engenharia, com pol\u00edtica\u201d, afirma Eduardo Neves. Ele aponta que muitos desses tra\u00e7os urbanos estavam presentes em sociedades ind\u00edgenas amaz\u00f4nicas muito antes da chegada dos europeus, ainda que suas materialidades tenham sido produzidas com outros elementos, como barro, madeira, palha, e a pr\u00f3pria floresta. \u201cElas s\u00e3o diferentes das cidades ocidentais, mas cumprem fun\u00e7\u00f5es semelhantes.\u201d<\/p>\n<p>Mayara Mariano refor\u00e7a que \u00e9 preciso romper com a ideia de que s\u00f3 h\u00e1 urbanismo onde h\u00e1 verticaliza\u00e7\u00e3o ou monumentalidade. \u201cA gente enfrenta um grande desafio quando fala de cidades antigas, porque esse conceito costuma ser imediatamente associado ao modelo urbano ocidental. No contexto amaz\u00f4nico, por\u00e9m, as formas de urbanismo se expressam por auto-gest\u00e3o do territ\u00f3rio, com infraestruturas que integram a floresta e as demais aldeias por estradas, tecnologias pr\u00f3prias e modos de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\u201d Ela aponta que h\u00e1 registros de aldeias interligadas por estradas, com circula\u00e7\u00e3o de pessoas e bens, e que isso n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o: \u201cEsses vest\u00edgios est\u00e3o por toda a Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA gente precisa lembrar que a Amaz\u00f4nia \u00e9 muito grande, ent\u00e3o existiram diferentes formas de urbanismo, de ocupa\u00e7\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio\u201d, explica Mayara. Ela destaca que essas formas n\u00e3o eram nem homog\u00eaneas nem improvisadas. \u201cTem muita diversidade de projeto. E isso \u00e9 justamente o que quebra esse mito da floresta sem civiliza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Eduardo Neves, o que se v\u00ea hoje na floresta \u00e9 apenas uma fra\u00e7\u00e3o do que existiu. \u201cMuito se perdeu com a viol\u00eancia da coloniza\u00e7\u00e3o. As estruturas org\u00e2nicas desaparecem, mas os solos, os padr\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o, as tecnologias deixaram marcas que a arqueologia est\u00e1 conseguindo recuperar.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Redes conectadas e gest\u00e3o compartilhada<\/strong><\/p>\n<p>Ao falar de\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/reforma-urbana-e-direito-a-cidade-nas-metropoles\/2022\/06\/10\/aspectos-do-urbano-na-amazonia\/\">urbanismo amaz\u00f4nico<\/a>, Neves recorre ao conceito de \u201ccidades-jardim\u201d, desenvolvido por pesquisadores que atuam em parceria com povos do Alto Xingu. A ideia, explica, \u00e9 que esses arranjos urbanos n\u00e3o separavam a dimens\u00e3o urbana da floresta ao redor, como se houvesse um \u201cdentro\u201d e um \u201cfora\u201d desconectados. Nessa l\u00f3gica, a vegeta\u00e7\u00e3o e os sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimento n\u00e3o eram expulsos da cidade, mas faziam parte dela, em uma organiza\u00e7\u00e3o territorial que mant\u00e9m a floresta por perto e, ao mesmo tempo, garante sustento e circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos mil anos, os xinguanos conseguiram se organizar dentro de um territ\u00f3rio. Eram grandes aldeias, com uma organicidade pr\u00f3pria, malocas organizadas em torno de uma pra\u00e7a central, \u00e1reas para manejo, para lixeiras,\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/consciencia-pachamama\/2024\/07\/25\/agrofloresta-sintropica-o-potencial-latino-americano-para-sustentabilidade-global\/\">para agroflorestas<\/a>\u201d, descreve Mayara Mariano. \u201cEssas aldeias estavam conectadas por grandes estradas. Ao contr\u00e1rio do que muita gente pensa, esses povos n\u00e3o estavam isolados. Existia conex\u00e3o, e isso garantia uma forma de autogest\u00e3o desse territ\u00f3rio.\u201d<\/p>\n<p>Eduardo Neves lembra que, no sul da Amaz\u00f4nia, j\u00e1 foram encontradas cerca de 50 dessas aldeias, muitas delas formando redes interligadas, com padr\u00f5es que revelam planejamento territorial e intera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre grupos distintos. \u201cH\u00e1 um princ\u00edpio comum na forma como essas cidades s\u00e3o constru\u00eddas\u201d, afirma. \u201cElas seguem eixos cardeais, t\u00eam vias de circula\u00e7\u00e3o, \u00e1reas residenciais e zonas comuns. Isso \u00e9 organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Isso \u00e9 pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n<p>Essas cidades n\u00e3o se impunham sobre a floresta, eram parte dela. A vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o era um obst\u00e1culo \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, mas sim componente essencial do modo de viver. \u201cEsse urbanismo amaz\u00f4nico \u00e9 pensado a partir da floresta. N\u00e3o \u00e9 um urbanismo que elimina o que est\u00e1 ao redor\u201d, diz Mayara. Para ela, \u00e9 importante romper com o mito de que s\u00f3 h\u00e1 cidade onde h\u00e1 verticaliza\u00e7\u00e3o. \u201cCidade pode ser dispersa, pode ser baixa, pode ser integrada ao ambiente. \u00c9 cidade do mesmo jeito.\u201d<\/p>\n<p>As popula\u00e7\u00f5es da v\u00e1rzea amaz\u00f4nica tamb\u00e9m desenvolveram formas de habitar que dialogam com os ritmos do rio e com os ciclos da \u00e1gua. \u201cNa regi\u00e3o do Maraj\u00f3, voc\u00ea tem um modo de vida anf\u00edbio\u201d, explica a pesquisadora. \u201cAs pessoas passam seis meses na terra firme e seis meses sobre as \u00e1guas. Isso \u00e9 uma l\u00f3gica urbana baseada no ambiente, n\u00e3o contra ele.\u201d<\/p>\n<p>Essa conviv\u00eancia sofisticada com os extremos naturais est\u00e1 presente tamb\u00e9m nos sistemas hidr\u00e1ulicos antigos. Mayara destaca o exemplo dos tesos marajoaras, mont\u00edculos de terra constru\u00eddos em \u00e1reas alag\u00e1veis como estrat\u00e9gia de controle h\u00eddrico. \u201cMuitas comunidades ainda usam pr\u00e1ticas semelhantes para barrar igarap\u00e9s e controlar o fluxo da \u00e1gua. Quando a gente mostra que isso j\u00e1 era feito h\u00e1 mais de mil anos, essas popula\u00e7\u00f5es se reconhecem nesse saber.\u201d<\/p>\n<p>Ela destaca que esses territ\u00f3rios n\u00e3o eram \u201cselvagens\u201d, como a ideologia colonial tentou impor. \u201cQuando a gente olha para essas paisagens do passado, v\u00ea um planejamento sofisticado, mas que n\u00e3o est\u00e1 baseado na destrui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o formas de viver que articulam diversidade, floresta e autonomia.\u201d<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"961\" width=\"640\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-905783 not-transparent\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-14.17.251-682x1024.jpeg?resize=640%2C961&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-14.17.251-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-14.17.251-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-14.17.251-768x1153.jpeg 768w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-14.17.251-1023x1536.jpeg 1023w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-14.17.251.jpeg 1066w, \" alt=\"\" \/><br \/>\n<em>A arque\u00f3loga Mayara Mariano coletando amostras de micromorfologia de solos no Sambaqui Porto da Mina, no litoral do Par\u00e1 (Foto: Arquivo pessoal\/Mayara Mariano)<\/em><\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Crise clim\u00e1tica e caminhos de \u201cbem viver\u201d para as cidades do presente<\/strong><\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia de hoje vive uma contradi\u00e7\u00e3o: ao mesmo tempo em que \u00e9 apresentada como reserva estrat\u00e9gica para o planeta, tamb\u00e9m \u00e9 um dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/11\/13\/cop30-quando-a-amazonia-se-torna-espelho-das-contradicoes-do-mundo\/\">territ\u00f3rios mais afetados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>. As cidades da regi\u00e3o enfrentam aumento de temperaturas, estiagens prolongadas, chuvas intensas, inunda\u00e7\u00f5es frequentes e desigualdades acentuadas por d\u00e9cadas de aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas. Nesse contexto, as descobertas arqueol\u00f3gicas ganham ainda mais relev\u00e2ncia, n\u00e3o apenas para recontar a hist\u00f3ria da floresta, mas para repensar o futuro.<\/p>\n<p>\u201cEssas cidades ind\u00edgenas n\u00e3o eram antag\u00f4nicas \u00e0 floresta. Elas s\u00e3o um modelo de como \u00e9 poss\u00edvel viver com o ambiente e n\u00e3o contra ele\u201d, afirma Eduardo Neves. Para o arque\u00f3logo, a principal contribui\u00e7\u00e3o da arqueologia da Amaz\u00f4nia est\u00e1 em revelar alternativas reais ao modelo urbano dominante, que frequentemente ignora os ciclos naturais e imp\u00f5e l\u00f3gicas de destrui\u00e7\u00e3o. \u201cEssas experi\u00eancias do passado mostram que d\u00e1 para pensar em outros futuros.\u201d<\/p>\n<p>Bel\u00e9m, que sediou a COP30 em 2025, \u00e9 hoje uma das capitais mais vulner\u00e1veis da Am\u00e9rica Latina \u00e0 crise do clima. Estudo divulgado por pesquisadores do jornal\u00a0<em>The Washington Post<\/em>\u00a0em parceria com a ONG CarbonPlan aponta que a cidade deve se tornar o segundo centro urbano mais quente do mundo at\u00e9 2050, com proje\u00e7\u00e3o de at\u00e9 222 dias de calor extremo por ano. A popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, com menos acesso a \u00e1reas verdes, \u00e1gua tratada e saneamento, j\u00e1 sente os efeitos: secas mais longas, escassez de alimentos, sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica insuport\u00e1vel e alagamentos recorrentes.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Mayara Mariano, natural de Bel\u00e9m e moradora da cidade, esses impactos clim\u00e1ticos n\u00e3o podem ser separados da maneira como o territ\u00f3rio foi historicamente ocupado. \u201cA gente precisa enfrentar esse modelo de cidade que foi implantado aqui, que n\u00e3o dialoga com o ambiente e que reproduz desigualdades. As cidades ind\u00edgenas mostraram que \u00e9 poss\u00edvel viver com diversidade, respeitando os ciclos da \u00e1gua, do tempo, da floresta\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ela destaca que as\u00a0<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/11\/10\/cop30-em-belem-solucoes-dentro-do-capitalismo-nao-iludem-mais-o-povo\/\">solu\u00e7\u00f5es para o futuro podem e devem partir de quem vive nesses territ\u00f3rios<\/a>. \u201cN\u00e3o \u00e9 sobre voltar ao passado. \u00c9 sobre reconhecer que os saberes que est\u00e3o aqui h\u00e1 mil\u00eanios ainda t\u00eam pot\u00eancia. O que a arqueologia est\u00e1 mostrando \u00e9 que outras formas de vida sempre foram poss\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p>Para Neves, pensar o bem viver hoje tamb\u00e9m implica traduzir essa l\u00f3gica para o urbano, o que ele chama de \u201cflorestar as cidades\u201d. Ao comentar exemplos de urbanismo amaz\u00f4nico antigo, ele afirma que a floresta \u201cvivia dentro\u201d dos arranjos urbanos, em vez de ser empurrada para fora. \u00c9 a partir da\u00ed que defende um redesenho das capitais amaz\u00f4nicas que leve a s\u00e9rio rios, igarap\u00e9s e mar\u00e9s, num exerc\u00edcio de \u201cletramento paisag\u00edstico\u201d. \u201cEu n\u00e3o consigo pensar num futuro para Bel\u00e9m que n\u00e3o contemple essa dimens\u00e3o de ser uma cidade aqu\u00e1tica\u201d, diz. \u201cA cidade tem que encontrar um jeito de dialogar\u2026 com essa voca\u00e7\u00e3o de ser uma cidade de esponja\u201d, acrescenta, defendendo que ela precisa \u201cse associar \u00e0 \u00e1gua e n\u00e3o tentar lutar incessantemente contra a \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Mayara Mariano puxa essa mesma discuss\u00e3o para a pol\u00edtica p\u00fablica e insiste que, se o bem viver \u00e9 um horizonte, ele precisa ser planejado: \u201ctalvez a modernidade \u00e9 ancestral\u201d, afirma, ao defender que essas tecnologias e modos de vida n\u00e3o podem ficar s\u00f3 no passado, mas virar a\u00e7\u00e3o concreta de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Legado ind\u00edgena contra o mito colonial: arqueologia confirma Amaz\u00f4nia manejada h\u00e1 mil\u00eanios e grandes cidades integradas \u00e0 natureza | Brasil de Fato &#8211; Link da mat\u00e9ria: https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/12\/18\/legado-indigena-contra-o-mito-colonial-arqueologia-confirma-amazonia-manejada-ha-milenios-grandes-cidades-integradas-a-natureza\/?utm_source=ig&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=link_in_bio&amp;fbclid=PAdGRzdgRKi-BleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA81NjcwNjczNDMzNTI0MjcAAaeZ8KQOqcKr75bCil2bPQdPJlHuihg_YvlC3EgtZzqQgcK4xg6xBPpzrVkeMg_aem_ziGGb5gRXPaZBAqFYsQyIQ<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Chagas &#8211; Terra preta, manejo de plantas e redes urbanas mostram a Amaz\u00f4nia como obra ind\u00edgena e guia para cidades resilientes. 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