{"id":25156,"date":"2026-04-18T13:10:19","date_gmt":"2026-04-18T16:10:19","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=25156"},"modified":"2026-04-18T13:10:19","modified_gmt":"2026-04-18T16:10:19","slug":"agricultura-urbana-e-a-luta-pelo-direito-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2026\/04\/18\/agricultura-urbana-e-a-luta-pelo-direito-a-vida\/","title":{"rendered":"Agricultura urbana e a luta pelo direito \u00e0 vida"},"content":{"rendered":"<p><strong>Andr\u00e9 R. Biazoti<\/strong> &#8211; Apontada como estrat\u00e9gia de combate \u00e0 fome e adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica das cidades, a agricultura urbana enfrenta invisibilidade e desafios para se estabelecer enquanto uma diretriz de desenvolvimento urbano.<\/p>\n<p>Desde 1999, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO\/ONU) estuda a agricultura urbana e periurbana como parte integrante de sistemas alimentares urbano-regionais sustent\u00e1veis, fundamentais para o combate \u00e0 pobreza extrema, \u00e0 fome e, mais recentemente, aos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em ecossistemas urbanos. Com o crescimento populacional e aumento da press\u00e3o por cidades mais resilientes, passou-se a ser internacionalmente reconhecido o papel que a agricultura urbana possui em estimular as economias regionais e reduzir a depend\u00eancia do mercado global de alimentos. Durante a pandemia do Covid-19, hortas urbanas foram essenciais para o abastecimento de alimentos frescos em diversas regi\u00f5es perif\u00e9ricas consideradas desertos alimentares, evitando aglomera\u00e7\u00f5es, e possibilitam a rela\u00e7\u00e3o direta entre o produtor e o mercado consumidor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, dentre os benef\u00edcios da agricultura urbana tamb\u00e9m se pode citar a reciclagem de res\u00edduos urbanos, uma vez que quase a totalidade das hortas possuem espa\u00e7os de compostagem de res\u00edduos org\u00e2nicos e reutilizam res\u00edduos secos e de constru\u00e7\u00e3o civil para organiza\u00e7\u00e3o de canteiros. As hortas urbanas tamb\u00e9m s\u00e3o importantes espa\u00e7os de drenagem e prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, na medida em que servem para o escoamento de \u00e1guas pluviais, mantendo o solo perme\u00e1vel, e operando como ref\u00fagio para a fauna e flora em meio \u00e0 aridez do concreto urbano. As \u00e1reas com horta s\u00e3o reguladoras t\u00e9rmicas das ilhas de calor urbanas, que tendem a ficar mais extremas com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o que as posiciona como uma das estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o para se construir cidades mais resilientes. Essas caracter\u00edsticas fazem a agricultura urbana se enquadrar no que se tem definido como Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza (SBN), pois auxiliam a resolver in\u00fameros desafios urbanos.<\/p>\n<p>Apesar do reconhecimento internacional e da sua exist\u00eancia onipresente nas cidades em todo o mundo, a pr\u00e1tica sofre continuamente com a invisibilidade e apoio intermitente de governos locais. Em pesquisa recente realizada pelo Instituto P\u00f3lis (no prelo), foi evidenciado o fluxo intermitente de proposi\u00e7\u00f5es de normativas de apoio \u00e0 agricultura urbana no Estado de S\u00e3o Paulo, que varia de acordo com crises sociais (como a pauperiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, aumento da inseguran\u00e7a alimentar e nutricional e outras restri\u00e7\u00f5es) e contexto pol\u00edtico nacional e internacional. Esse apoio descont\u00ednuo enfraquece as iniciativas e impede os in\u00fameros benef\u00edcios potenciais \u2013 citados acima \u2013 que a pr\u00e1tica poderia gerar no \u00e2mbito do desenvolvimento urbano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o car\u00e1ter prec\u00e1rio ou ilegal das hortas, associado \u00e0 aus\u00eancia de regulariza\u00e7\u00e3o, de cadastro ou at\u00e9 mesmo de identifica\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas, refor\u00e7a a invisibilidade que a agricultura tem nos territ\u00f3rios urbanos. A cidade capitalista, pregada como\u00a0<em>locus<\/em>\u00a0da modernidade e da civiliza\u00e7\u00e3o, insiste em expropriar de seu interior qualquer pr\u00e1tica que n\u00e3o condiga com a l\u00f3gica de mercantiliza\u00e7\u00e3o dos corpos, dos territ\u00f3rios e da natureza. No entanto, a agricultura urbana resiste firmemente desde o in\u00edcio da urbaniza\u00e7\u00e3o e a justificativa para isso \u00e9 simples: ela est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 defesa de direitos.<\/p>\n<p><strong>Plantando na metr\u00f3pole<\/strong><\/p>\n<p>O munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo possui agricultura em seu interior desde sua funda\u00e7\u00e3o, que resistiu firmemente ao processo de urbaniza\u00e7\u00e3o desenfreada a partir de 1950. Hoje, a cidade floresce em, pelo menos, 2.700 unidades produtivas reconhecidas e identificadas por meio do cadastro no Programa Sampa+Rural, pol\u00edtica p\u00fablica coordenada pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo desde 2022. Destas experi\u00eancias, h\u00e1 agricultoras urbanas resistindo nos seus territ\u00f3rios h\u00e1 mais de 50 anos, acompanhando ciclos de pol\u00edticas p\u00fablicas e estabelecendo rela\u00e7\u00f5es diretas com a comunidade onde est\u00e3o localizadas, buscando garantir a seguran\u00e7a alimentar e nutricional da popula\u00e7\u00e3o pobre, preta e perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>Um dos legados do processo de luta da sociedade civil pelo direito de plantar seu alimento e por uma pol\u00edtica p\u00fablica que corresponda aos desafios da pr\u00e1tica foi a consolida\u00e7\u00e3o de uma rede de agricultoras urbanas. A\u00a0<a href=\"https:\/\/sampamaisrural.prefeitura.sp.gov.br\/lugar\/rede-de-agricultoras-paulistanas-perifericas-rappa\">Rede de Agricultoras Paulistas, Perif\u00e9ricas e Agroecol\u00f3gicas (RAPPA)<\/a>\u00a0surge a partir de um grupo de trabalho sobre g\u00eanero do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Solid\u00e1rio e Sustent\u00e1vel (CMDRSS), institu\u00eddo pelo Plano Diretor. Com encontros peri\u00f3dicos nas unidades produtivas, a RAPPA \u00e9 uma for\u00e7a motriz das mulheres agricultoras da cidade de S\u00e3o Paulo, fortalecendo a atua\u00e7\u00e3o coletiva e nutrindo uma rede de afeto e resist\u00eancia para a continuidade e a qualifica\u00e7\u00e3o da agricultura em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, apesar dos avan\u00e7os recentes, como o retorno da Zona Rural no Plano Diretor Estrat\u00e9gico e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/artigo\/lei-da-alimentacao-escolar-organica-patina-em-sao-paulo-municipio-referencia-em-politica-agroecologica\/\">destina\u00e7\u00e3o de aproximadamente R$ 7 milh\u00f5es para a\u00e7\u00f5es de agricultura urbana<\/a>, as hortas ainda enfrentam inseguran\u00e7as jur\u00eddicas, fragilidades no acesso a mercados e resist\u00eancia \u00e0s tentativas de expropria\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios em nome de projetos de\u00a0<strong>infraestrutura<\/strong>\u00a0e moradia. O reconhecimento e a destina\u00e7\u00e3o de or\u00e7amento s\u00e3o conquistas fundamentais de uma luta hist\u00f3rica desses sujeitos presentes em seus territ\u00f3rios, mas podem ser ainda insuficientes para garantir um futuro para a agricultura na cidade.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas exigem a\u00e7\u00f5es ousadas das cidades, e a agricultura urbana se mostra como uma ferramenta de constru\u00e7\u00e3o de caminhos para as crises humanit\u00e1rias que vivemos. A pergunta que se imp\u00f5e \u00e9: apesar de uma pol\u00edtica robusta, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a agricultura urbana est\u00e1 consolidada nos projetos de desenvolvimento urbano em S\u00e3o Paulo, ou segue \u00e0 merc\u00ea dos interesses pol\u00edticos em jogo?<\/p>\n<p><strong>Direito ao ch\u00e3o que se pisa<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPlantar o pr\u00f3prio alimento \u00e9 como imprimir seu pr\u00f3prio dinheiro\u201d, j\u00e1 disse Ron Finley, ativista e agricultor urbano estadunidense que propunha, em 2010, a transforma\u00e7\u00e3o de quintais com gramados em hortas produtivas pela popula\u00e7\u00e3o. Essa perspectiva de autonomia da reprodu\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 central: s\u00e3o quintais produtivos, hortas comunit\u00e1rias, hortas em escolas e tantos outros arranjos, cuidados principalmente por mulheres negras em periferias urbanas e regi\u00f5es de alta vulnerabilidade social, com foco no autoconsumo e no cuidado comunit\u00e1rio e do territ\u00f3rio. O acesso \u00e0 terra \u00e9 justamente o ponto nevr\u00e1lgico dessas experi\u00eancias, comumente localizadas em \u00e1reas de risco, terrenos ociosos na mira da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e pr\u00f3ximos aos locais de moradia, espa\u00e7os em que a gest\u00e3o comunit\u00e1ria se estabelece sem o reconhecimento do Estado e \u00e0 revelia dos poderes institu\u00eddos.<\/p>\n<p>As hortas comunit\u00e1rias s\u00e3o consideradas uma das primeiras a\u00e7\u00f5es coletivas a serem concebidas sob a perspectiva dos comuns urbanos, em que cidad\u00e3os se organizam no territ\u00f3rio das cidades para produzir seu alimento e gerir os recursos naturais de forma aut\u00f4noma. Organizadas pela popula\u00e7\u00e3o para seu pr\u00f3prio sustento ou para comercializa\u00e7\u00e3o local, as hortas representam a luta pelo valor de uso coletivo da terra, tendo como princ\u00edpio a promo\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos voltados ao encontro e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de comunidades. Para al\u00e9m do abastecimento alimentar, \u00e9 a intensidade e a qualidade das rela\u00e7\u00f5es sociais constru\u00eddas e sua capacidade de gerar intera\u00e7\u00e3o entre grupos distintos que possibilitam que hortas comunit\u00e1rias sejam espa\u00e7os que constroem alternativas \u00e0 eros\u00e3o social causada pelo sistema capitalista e pelo neoliberalismo.<\/p>\n<p>A cidade que \u00e9 constru\u00edda de forma que a terra urbana seja uma mercadoria cujo valor \u00e9 medido pelo interesse mercadol\u00f3gico da constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 contraposta pela cidade cuidada e cultivada pelas m\u00e3os habilidosas de agricultoras e agricultores que a veem como casa comum onde a vida, humana e al\u00e9m-de-humana, se reproduz. Defender uma horta, o ch\u00e3o onde se pisa e se faz morada, \u00e9 lutar pela terra em conson\u00e2ncia com o direito \u00e0 cidade, garantido pela fun\u00e7\u00e3o social da propriedade e pelo direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Como afirmam as agricultoras da Rede Carioca de Agricultura Urbana (Rede CAU): \u00e9 o direito de morar e o direito de plantar aliados em uma s\u00f3 luta.<\/p>\n<p><strong>Direito ao alimento<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2010, garantir alimenta\u00e7\u00e3o adequada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o \u00e9 um dever do Estado. O direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada (DHAA) foi inserido na Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira depois de anos de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, impulsionando a constru\u00e7\u00e3o do Sistema Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (SISAN). Desde o in\u00edcio da Estrat\u00e9gia Fome Zero, em meados dos anos 2000, a agricultura urbana \u00e9 considerada uma ferramenta direta para combater a fome e a inseguran\u00e7a alimentar e nutricional. H\u00e1 duas etapas dessa constru\u00e7\u00e3o, onde, na primeira, foram implantados projetos diretamente com Prefeituras para implanta\u00e7\u00e3o de hortas comunit\u00e1rias e, na segunda, a partir de 2008, foram desenvolvidos programas e destinado or\u00e7amento para o desenvolvimento de Centros de Apoio \u00e0 Agricultura Urbana e Periurbana (CAAUPs), totalizando 12 centros implantados por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A agricultura urbana surge como proposta de a\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria pela primeira vez na 2\u00aa e 3\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, realizadas em 2004 e 2007 respectivamente, com foco no abastecimento alimentar para o combate \u00e0 fome. Em 2004, j\u00e1 era considerada a cria\u00e7\u00e3o de uma Pol\u00edtica Nacional de Agricultura Urbana, identificando iniciativas, sugerindo levantamentos georreferenciados, a n\u00edvel municipal, de \u00e1reas a serem implantados programas articulados a outras pol\u00edticas de forma intersetorial. Em 2007, al\u00e9m de considerar a regulamenta\u00e7\u00e3o do uso de \u00e1reas ociosas, a proposi\u00e7\u00e3o avan\u00e7a de forma a implementar uma Pol\u00edtica Nacional, realizar um Encontro Nacional e incorporar a pr\u00e1tica \u00e0 gest\u00e3o ambiental e territorial.<\/p>\n<figure id=\"attachment_319746\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-319746\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-319746 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/C1413T01.jpg?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/C1413T01.jpg 1280w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/C1413T01-300x169.jpg 300w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/C1413T01-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/C1413T01-768x432.jpg 768w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/C1413T01-600x338.jpg 600w, \" alt=\"\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-319746\" class=\"wp-caption-text c007\"><em>Mulheres do GAU: Agricultoras urbanas que atuam no bairro de S\u00e3o Miguel Paulista, na periferia de S\u00e3o Paulo.<\/em><br \/>\n<em>Cr\u00e9dito: Andr\u00e9 Biazoti<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>No \u00e2mbito do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (CONSEA), foram feitas in\u00fameras discuss\u00f5es acerca da import\u00e2ncia da agricultura urbana no combate \u00e0 fome que culminaram na cria\u00e7\u00e3o de um Grupo de Trabalho espec\u00edfico ao tema que elaborou um documento denominado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/acoes-e-programas\/acesso-a-alimentos-e-a-agua\/programa-nacional-de-agricultura-urbana-e-periurbana\"><em>Subs\u00eddio para uma Pol\u00edtica Nacional de Agricultura Urbana Periurbana (PNAUP)<\/em><\/a>\u00a0em 2014, que trouxe contribui\u00e7\u00f5es para o debate a n\u00edvel nacional. \u00c9 neste per\u00edodo que \u00e9 criado o Coletivo Nacional de Agricultura Urbana (CNAU), uma rede vinculada \u00e0 Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia (ANA), e composto por organiza\u00e7\u00f5es, coletivos e movimentos sociais que promovem a agricultura urbana em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a pauta da agricultura urbana tem se fortalecido nacionalmente, com o estabelecimento de normativas que instituem a Pol\u00edtica e o Programa Nacional de Agricultura Urbana. Essa trajet\u00f3ria consolidou o tema no \u00e2mbito da luta pelo direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada, reafirmando que a defesa da agroecologia tamb\u00e9m se d\u00e1 em territ\u00f3rios urbanos. Apesar disso, a associa\u00e7\u00e3o da agricultura urbana \u00e0 uma mera ferramenta de abastecimento alimentar em momentos de crise \u00e9 simplista e contribui para a invisibilidade e inconst\u00e2ncia da pauta no cen\u00e1rio p\u00fablico. Seu papel n\u00e3o pode ser reduzido \u00e0 momentos de pauperiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, dada a amplitude de seus benef\u00edcios e a urg\u00eancia que os tempos imp\u00f5em.<\/p>\n<p><strong>Direito al\u00e9m de humanos<\/strong><\/p>\n<p>Na dif\u00edcil tarefa de nos orientar no Antropoceno, esse per\u00edodo reconhecido por diversos intelectuais como aquele em que for\u00e7as antr\u00f3picas t\u00eam gerado impactos no mundo em dimens\u00f5es geol\u00f3gicas, Bruno Latour refor\u00e7a a necessidade de \u201caterrar\u201d, na medida que os conflitos sociais e geopol\u00edticos da modernidade precisam considerar a natureza enquanto um ator pol\u00edtico com ag\u00eancia. O mundo em que vivemos \u00e9 resultado da a\u00e7\u00e3o de seres vivos e n\u00e3o apenas um pano de fundo onde fluxos, processos e acontecimentos ocorrem, como se pensou durante muitos anos.<\/p>\n<p>Neste sentido, \u00e9 preciso reconhecer que h\u00e1 in\u00fameras sobreposi\u00e7\u00f5es sobre a ag\u00eancia dos seres vivos sobre o que ocorre no mundo, como \u00e9 o caso da interfer\u00eancia da montanha Ausangate nos processos de reforma agr\u00e1ria do Peru, evidenciada na pesquisa de Marisol de la Cadena. No livro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bazardotempo.com.br\/products\/seres-terra-cosmopoliticas-em-mundos-andinos\"><em>Seres-Terra: Cosmopol\u00edtica<\/em>\u00a0<em>em mundos andinos<\/em><\/a>, publicado em 2024 pela Editora Bazar do Tempo, a pesquisadora descreve a luta pela reforma agr\u00e1ria a partir de Mariano Turpo, lideran\u00e7a do vilarejo de Pachanta, e a participa\u00e7\u00e3o da montanha Ausangate neste processo enquanto integrante da comunidade cosmopol\u00edtica dessa regi\u00e3o andina, demonstrando como diversos mundos e modos de ser coexistem e se interferem. Uma hist\u00f3ria descrita a partir da perspectiva do Estado, de lideran\u00e7as sociais ou de pesquisadores de universidades, pode ser radicalmente distinta daquela contada por integrantes de comunidades locais e outros seres n\u00e3o necessariamente humanos presentes no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, a agricultura urbana pode ser reconhecida como uma ferramenta que possibilita esse exerc\u00edcio de aterramento, na medida em que mobiliza a forma\u00e7\u00e3o de coletivos interesp\u00e9cies na defesa do territ\u00f3rio. Uma horta n\u00e3o pode ser entendida como resultado somente do trabalho da pessoa agricultora, mas antes fruto da a\u00e7\u00e3o humana em profunda colabora\u00e7\u00e3o com as ag\u00eancias espec\u00edficas de cada vegetal, animal, micr\u00f3bio e fungo que coabitam e circulam pelo espa\u00e7o. S\u00e3o vidas que se nutrem e se acolhem na inter-rela\u00e7\u00e3o que produz, em seu fazer conjugado, uma paisagem prop\u00edcia para a manuten\u00e7\u00e3o dos ciclos naturais e conserva\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua. Em outras palavras: a rela\u00e7\u00e3o interespec\u00edfica produz territ\u00f3rios saud\u00e1veis e adaptados \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de condi\u00e7\u00f5es de vida que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas imp\u00f5em.<\/p>\n<p>Reconhecendo a ag\u00eancia dos seres al\u00e9m-de-humanos e a forma\u00e7\u00e3o desses coletivos interespec\u00edficos na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola urbana, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade higienista que busca expropriar a natureza em prol da mercantiliza\u00e7\u00e3o da terra, \u00e9 poss\u00edvel enxergar que, para al\u00e9m dos direitos humanos \u00e0 terra e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada, a agricultura urbana pressup\u00f5e, em igual medida, a luta pelos direitos al\u00e9m-de-humanos. Uma r\u00e3 que habita as agroflorestas do Largo da Batata, em S\u00e3o Paulo, tem tanto direito \u00e0quele territ\u00f3rio quanto nossos conglomerados urbanos, como vocalizou a ativista Mariana Marchesi, em publica\u00e7\u00e3o nas redes sociais ap\u00f3s confrontos com o projeto urban\u00edstico do espa\u00e7o promovido pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_319748\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-319748\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-319748 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-scaled.jpg?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-scaled.jpg 2560w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-300x225.jpg 300w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-768x576.jpg 768w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/20240720_125257-600x450.jpg 600w, \" alt=\"\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-319748\" class=\"wp-caption-text c007\"><em>Agricultores urbanos visitando a horta Sabor da Vit\u00f3ria, da agricultora urbana Terezinha dos Santos, no bairro de S\u00e3o Mateus, S\u00e3o Paulo<\/em><br \/>\n<em>Cr\u00e9dito: Andr\u00e9 Biazoti<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Uma luta pela vida<\/strong><\/p>\n<p>Em meio \u00e0s in\u00fameras viola\u00e7\u00f5es de direitos e viol\u00eancias promovidas tanto pelo Estado quanto por agentes privados em defesa do lucro e da mercantiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 nas margens e frestas que os povos e comunidades resistem e defendem seus modos de vida. Nas cidades, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e a expans\u00e3o urbana desenfreada, assim como a falta de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos e o racismo ambiental relegado a popula\u00e7\u00f5es pretas e perif\u00e9ricas, s\u00e3o express\u00f5es expl\u00edcitas de como o sistema capitalista neoliberal funciona para beneficiar diretamente certos grupos econ\u00f4micos em detrimento da vasta maioria dos cidad\u00e3os e cidad\u00e3s.<\/p>\n<p>Defender a vida, principalmente no territ\u00f3rio urbano marcado pelo concreto, pelo higienismo e pelo processo civilizat\u00f3rio, \u00e9 imperativo. N\u00e3o h\u00e1 cabimento, no pa\u00eds que sediou a COP 30 em 2025, o desmatamento de extensas \u00e1reas verdes urbanas para constru\u00e7\u00e3o de t\u00faneis, incineradores e moradias nada populares, como tem sido feito em S\u00e3o Paulo nos \u00faltimos meses. \u00c9 imperativo que qualquer espa\u00e7o verde ainda existente nas cidades seja n\u00e3o apenas preservado, mas objeto de gest\u00e3o comum compartilhada com a popula\u00e7\u00e3o e inclu\u00eddo de forma priorit\u00e1ria nos instrumentos de zoneamento e desenvolvimento urbano. N\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, mas constru\u00eddas com e pela natureza, da qual fazemos parte de forma intr\u00ednseca e imbricada.<\/p>\n<p>A agricultura urbana, sob bases e princ\u00edpios da agroecologia, \u00e9 uma express\u00e3o dos modos de vida de povos e comunidades humanas, assim como um instrumento potente de transforma\u00e7\u00e3o dos sistemas alimentares, dos sistemas urbanos e de constru\u00e7\u00e3o de futuros poss\u00edveis. Ela representa a defesa por in\u00fameros direitos sociais, humanos e ambientais, de forma expressa e expl\u00edcita no territ\u00f3rio, fomentando redes colaborativas entre humanos e entre diversas esp\u00e9cies que, continuamente, insistem em resistir e sobreviver ao colapso. Em tempos de c\u00f3lera e pol\u00edticas de guerra, a defesa da vida, em todas suas dimens\u00f5es, \u00e9 o grande princ\u00edpio que orienta a luta por direitos.<\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 R. Biazoti<\/strong>\u00a0\u00e9 bacharel em Gest\u00e3o Ambiental e mestre em Agricultura Urbana no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Interunidades em Ecologia Aplicada da Universidade de S\u00e3o Paulo (PPGI-EA\/USP). Conselheiro do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Solid\u00e1rio e Sustent\u00e1vel de S\u00e3o Paulo (CDRSS) e integrante do Coletivo Nacional de Agricultura Urbana (CNAU). Atualmente \u00e9 assessor t\u00e9cnico e associado do Instituto P\u00f3lis e integrante da Secretaria Executiva da plataforma Agroecologia em Rede (AeR), vinculada \u00e0 Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia (ANA) e \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA).<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Soares, Lorena Portela (Org.). Agriculturas urbanas agroecol\u00f3gicas e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade: fortalecendo di\u00e1logos, mem\u00f3rias e redes. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz, Fiocruz\/Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia, 2023.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO\/ONU). Growing greener cities in Latin America and the Caribbean. Rome: FAO, 2014.<\/p>\n<p>Casadevante Kois, J. L. F.; Mor\u00e1n, N. Ra\u00edces em el asfalto: Pasado, presente y futuro de la agricultura urbana. Libros en Acci\u00f3n, 2016.<\/p>\n<p>Consea. Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional. Subs\u00eddios para uma Pol\u00edtica Nacional de Agricultura Urbana Periurbana (PNAUP). CONSEA, 2014.<\/p>\n<p>Ferrareto L C, Pinheiro M C, Pol\u00edtica nacional de agricultura urbana: estrat\u00e9gia para o combate \u00e0 fome e promo\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar. In Aranha A V (org.) Fome Zero: Uma Hist\u00f3ria Brasileira. Bras\u00edlia, DF: Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome, Assessoria Fome Zero, 2, 2010.<\/p>\n<p>Latour, Bruno. Onde aterrar? \u2013 Como se orientar politicamente no Antropoceno. Tradu\u00e7\u00e3o de Marcela Vieira. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.<\/p>\n<p>De la Cadena, Marisol. Seres-terra: cosmopol\u00edticas em mundos andinos. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2024.<\/p>\n<p>T\u00edtulo: Agricultura urbana e a luta pelo direito \u00e0 vida &#8211; Le Monde Diplomatique &#8211; Fonte: https:\/\/diplomatique.org.br\/agricultura-urbana-e-a-luta-pelo-direito-a-vida\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 R. Biazoti &#8211; Apontada como estrat\u00e9gia de combate \u00e0 fome e adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica das cidades, a agricultura urbana enfrenta invisibilidade e desafios para se estabelecer enquanto uma diretriz de desenvolvimento urbano. 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Biazoti &#8211; Apontada como estrat\u00e9gia de combate \u00e0 fome e adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica das cidades, a agricultura urbana enfrenta invisibilidade e desafios para se estabelecer enquanto uma diretriz de desenvolvimento urbano. 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