{"id":24948,"date":"2025-11-02T12:32:57","date_gmt":"2025-11-02T15:32:57","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24948"},"modified":"2025-11-02T09:36:28","modified_gmt":"2025-11-02T12:36:28","slug":"a-injusta-guerra-de-narrativa-sobre-a-chacina-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2025\/11\/02\/a-injusta-guerra-de-narrativa-sobre-a-chacina-no-rio\/","title":{"rendered":"\ufeffA injusta guerra de narrativa sobre a chacina no Rio"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ol\u00edvia Bandeira e J\u00falia Lanz<\/strong> &#8211; An\u00e1lise de cobertura do grupo Globo revela um alinhamento com o discurso oficial e ignora moradores que presenciaram a chacina mais letal da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Na \u00faltima ter\u00e7a-feira (28), o Brasil parou diante das not\u00edcias que chegavam sobre uma opera\u00e7\u00e3o policial nos Complexos do Alem\u00e3o e da Penha, no Rio de Janeiro. As primeiras informa\u00e7\u00f5es, que circulavam nas redes sociais a partir dos pr\u00f3prios moradores que estavam sob o fogo cruzado, logo alcan\u00e7ou todo o pa\u00eds, atrav\u00e9s da cobertura midi\u00e1tica que trazia a dimens\u00e3o da a\u00e7\u00e3o policial, a mais letal de sua hist\u00f3ria: ao menos 121 pessoas foram mortas.<\/p>\n<p>No entanto, como essa hist\u00f3ria foi contada variou de acordo com cada ve\u00edculo. Iniciava uma guerra de narrativa que revelava a disparidade de \u201carmas\u201d e os discursos dos grupos midi\u00e1ticos que faziam a cobertura. Enquanto as redes sociais de m\u00eddias comunit\u00e1rias e dos moradores das comunidades denunciavam a chacina, questionavam a opera\u00e7\u00e3o e mostravam o trabalho dos moradores de recolher os corpos assassinados pelo Estado, outras vers\u00f5es eram exibidas pela m\u00eddia comercial.<\/p>\n<p><strong>Portal G1<\/strong><\/p>\n<p>No portal G1, a cobertura se focou em legitimar a opera\u00e7\u00e3o e o governo do estado, construindo um discurso que transformava os moradores das favelas em bandidos e os policiais em her\u00f3is, justificando as mortes dos primeiros, e defendendo o governo estadual diante da falta de recursos.<\/p>\n<p>Na parte da manh\u00e3, quando ocorreu a entrevista coletiva com o governador Cl\u00e1udio Castro, as manchetes do G1 destacavam: \u201cMoradores encontram corpos ap\u00f3s dia de confronto no Rio; Castro diz que megaopera\u00e7\u00e3o foi um sucesso\u201d; \u201c\u2018De v\u00edtimas, s\u00f3 tivemos os 4 policiais\u2019, diz governador do RJ\u201d; \u201cMoradores mostram as casas metralhadas: \u2018Cachorra t\u00e1 morta\u2019\u201d; \u201cC\u00fapula do Comando Vermelho \u00e9 levada para cadeia de seguran\u00e7a m\u00e1xima\u201d.<\/p>\n<p>Na parte da tarde, ap\u00f3s entrevista coletiva com a c\u00fapula da seguran\u00e7a do Rio, os destaques foram: \u201cGoverno do RJ diz que opera\u00e7\u00e3o deixou 121 mortos; moradores retiram corpos de mata\u201d; \u201cPlano da PM foi empurrar traficantes para \u2018muro do Bope\u2019 em mata\u201d; \u201cPol\u00edcia aponta adultera\u00e7\u00e3o de corpos com retirada de corpos e armas\u201d; \u201cCastro diz que opera\u00e7\u00e3o foi \u2018sucesso: de v\u00edtimas, s\u00f3 tivemos os policiais\u201d. Trouxe tamb\u00e9m, em manchete na primeira p\u00e1gina, destaque de outros ve\u00edculos do grupo, como a\u00a0<em>Globonews<\/em>: \u201cOCTAVIO: T\u00e1tica da pol\u00edcia de empurrar bandidos para a mata foi bem-sucedida\u201d.<\/p>\n<p>No\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/globonews\/estudio-i\/video\/octavio-guedes-tatica-da-policia-de-empurrar-bandidos-para-a-mata-foi-bem-sucedida-14053633.ghtml\">recorte do v\u00eddeo publicado em destaque no G1<\/a>, o jornalista e comentarista Oct\u00e1vio Guedes chama a t\u00e1tica de inteligente, bem-sucedida e in\u00e9dita, dizendo que \u201cna mata n\u00e3o circulam moradores\u201d. Logo, em sua vis\u00e3o, \u201ca possibilidade de confronto ter se dado entre bandidos e policiais \u00e9 muito grande\u201d. A fala em destaque compra o discurso oficial que foi transmitido aos jornalistas e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o durante a entrevista coletiva da c\u00fapula de seguran\u00e7a, transmitida ao vivo pela\u00a0<em>Rede Globo<\/em>.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>G1 Rio de Janeiro<\/em>\u00a0transmitiu a programa\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Rede Globo<\/em>, que foi em parte suspensa para uma edi\u00e7\u00e3o especial do RJ TV (RJ TV 1 e RJ TV 2), que foi ao ar da parte da manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0s 17h, sendo interrompida somente para a transmiss\u00e3o no\u00a0<em>Jornal Hoje<\/em>, em cadeia nacional.<\/p>\n<p><strong>RJ TV<\/strong><\/p>\n<p>O RJ TV, durante todo o dia, deu voz quase exclusiva \u00e0s fontes oficiais do governo do estado, destacando a \u201clegitimidade\u201d e o \u201csucesso\u201d da \u201copera\u00e7\u00e3o\u201d e destacando que ela seria fruto de um trabalho de intelig\u00eancia que estava sendo desenvolvido h\u00e1 um ano e de planejamento feito nos \u00faltimos 60 dias, como resposta \u00e0s cr\u00edticas que apontavam falta de planejamento da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O telejornal local tamb\u00e9m replicou a vers\u00e3o de Cl\u00e1udio Castro de que, segundo ele, o governo n\u00e3o teria obtido uma suposta ajuda solicitada ao governo federal e de que seria imposs\u00edvel combater o crime organizado \u201csozinho\u201d, diante da falta de recursos financeiros. O G1 tamb\u00e9m acompanhou a narrativa de que todos os mortos eram bandidos e que morreram porque preferiram o confronto ao se entregar \u00e0 pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Num dos raros momentos em que apresentou um especialista questionando a efic\u00e1cia da opera\u00e7\u00e3o, afirmando que o n\u00famero de mortos n\u00e3o representa o sucesso de uma opera\u00e7\u00e3o, os \u00e2ncoras retomaram a fala para dizer que \u00e9 preciso pensar qual o projeto para a retomada dos territ\u00f3rios e endossaram a tese de que o estado n\u00e3o poderia se responsabilizar sozinho, diante de sua fragilidade econ\u00f4mica \u2013 o que aponta para jogar a responsabilidade para o governo federal, narrativa usada por Cl\u00e1udio Castro em suas primeiras declara\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo em que o Grupo Globo no Rio de Janeiro defendia as a\u00e7\u00f5es do governo do estado e culpabilizava o governo federal,\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/10\/29\/apos-megaoperacao-governadores-de-direita-planejam-comitiva-para-o-rio-em-apoio-a-castro.ghtml\">destacava o apoio que o governador Cl\u00e1udio Castro teria recebido de outros governadores<\/a>.<\/p>\n<p>Durante todo o dia, o RJTV refor\u00e7ou a narrativa oficial de que todos os mortos eram suspeitos e bandidos, exceto os quatro policiais, considerados as \u00fanicas \u201cv\u00edtimas\u201d. O apresentador do telejornal chegou a afirmar que haviam quatro feridos \u2013 mas ponderando que o n\u00famero de policiais feridos foi maior, chegando a dez. Os moradores feridos durante o tiroteio foram classificados como: um homem em situa\u00e7\u00e3o de rua, um que estava em um ferro velho, uma mulher dentro de uma academia e um mototaxista.<\/p>\n<p><strong>Direito \u00e0 fala<\/strong><\/p>\n<p>Durante toda a sua cobertura, o RJTV reverberou o discurso oficial e as narrativas policiais. Foram raros os momentos em que vozes dissonantes de especialistas foram ouvidas e, menos ainda, a fala dos que foram afetados diretamente e presenciaram, em tempo real, a opera\u00e7\u00e3o: os moradores.<\/p>\n<p>Em um dos raros momentos em que moradores tiverem suas falas citadas pelo telejornal, o rep\u00f3rter, no entorno do Instituto M\u00e9dico Legal (IML), afirmou que conversou com uma m\u00e3e e que ela admitiu que o filho teria envolvimento com o tr\u00e1fico, mas que estava tentando que ele sa\u00edsse do crime. Os mortos foram, a todo o tempo, tratados como \u201ccorpos\u201d de \u201csuspeitos\u201d e em nenhum momento como \u201cpessoas assassinadas\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo sem a publica\u00e7\u00e3o de laudos oficiais, as rep\u00f3rteres de plant\u00e3o replicaram a vers\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a de que as mortes teriam se dado em confrontos, pela escolha dos indiv\u00edduos em n\u00e3o se entregar. Para corroborar essa tese, eles afirmaram que \u201cos corpos\u201d apresentavam de um a dois furos de bala, o que, segundo legistas, indicaria confronto.<\/p>\n<p>No entanto, moradores e m\u00eddias comunit\u00e1rias apresentam outras vers\u00f5es \u2013 omitidas pelo RJTV. H\u00e1 depoimentos de uma m\u00e3e que, ao ver o filho rendido, teria implorado aos policiais para que ele fosse preso. No entanto, segundo ela, o jovem foi arrastado para um beco e executado. Outro morador tamb\u00e9m relata execu\u00e7\u00f5es em becos, vistos de sua janela e, ao gritar para que parassem \u201cpois isso era uma covardia\u201d, teve sua casa invadida e documentos fotografados. No mesmo dia, esse morador alega que teve o seu carro totalmente destru\u00eddo por um policial com as mesmas caracter\u00edsticas do que teria invadido sua casa.<\/p>\n<p>Outros moradores, que ajudaram na remo\u00e7\u00e3o das pessoas assassinadas na mata, afirmaram haver corpos decapitados, outros com v\u00e1rias perfura\u00e7\u00f5es de tiro e totalmente desfigurados, al\u00e9m de corpos com ind\u00edcios de perfura\u00e7\u00e3o por faca. O deputado federal e pastor Otoni de Paula, que comp\u00f5e a \u201cbancada da b\u00edblia\u201d e a \u201cbancada da bala\u201d, chegou a afirmar, em plen\u00e1rio, que quatro jovens, filhos de frequentadoras de sua igreja, foram mortos na opera\u00e7\u00e3o, mesmo sem nenhum envolvimento com o crime: \u201cMeninos que nunca portaram fuzis, mas que est\u00e3o sendo contados no pacote como se fossem bandidos. E sabe quem vai saber se eram bandidos ou se n\u00e3o s\u00e3o? Nunca! Ningu\u00e9m vai atr\u00e1s. Sabe por que n\u00e3o? Preto, correndo em dia de opera\u00e7\u00e3o, na favela, \u2018\u00e9 bandido\u2019. Preto, com chinelo Havaiana, sem camisa \u2013 pode ser trabalhador \u2013 correu, \u2018\u00e9 bandido\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Tais den\u00fancias n\u00e3o foram exibidas pelo RJTV, que sustentou a tese de confronto. No entanto, em alguns momentos, as pr\u00f3prias rep\u00f3rteres entraram em contradi\u00e7\u00e3o ao afirmar que muitos corpos poderiam demorar a ser identificados porque teriam chegado totalmente desfigurados. Em nenhum momento a cobertura questionou como pode, em um suposto confronto, um lado ter quatro mortos e, do outro, 120. O programa omitiu as vers\u00f5es dos moradores e at\u00e9 mesmo de outros ve\u00edculos da m\u00eddia tradicional,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cyv8nrlll0yo\">a exemplo da BBC<\/a>, que narrou a vers\u00e3o de um fot\u00f3grafo que cobriu a opera\u00e7\u00e3o e relata ind\u00edcios de execu\u00e7\u00f5es. J\u00e1 os policiais foram amplamente ouvidos pela emissora, tratados como her\u00f3is.<\/p>\n<figure id=\"attachment_310395\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-310395\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-310395 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Reproducao-Intervozes.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" srcset=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Reproducao-Intervozes.jpg 1600w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Reproducao-Intervozes-300x200.jpg 300w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Reproducao-Intervozes-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Reproducao-Intervozes-768x512.jpg 768w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Reproducao-Intervozes-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Reproducao-Intervozes-600x400.jpg 600w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-310395\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ilustra: Intervozes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Jornal Hoje\u00a0<\/strong><strong>e\u00a0Jornal Nacional<\/strong><\/p>\n<p>O discurso em rela\u00e7\u00e3o ao suposto \u201csucesso da opera\u00e7\u00e3o\u201d apresentado pelo\u00a0<em>Jornal Hoje<\/em>\u00a0(Grupo Globo) foi um pouco diferente. O\u00a0<em>JH<\/em>, al\u00e9m da vers\u00e3o oficial do governo do estado do Rio de Janeiro, apresentou as falas de alguns especialistas que contestaram a efic\u00e1cia desse tipo de opera\u00e7\u00e3o e por n\u00e3o enfrentar o poder econ\u00f4mico do crime. Os entrevistados tamb\u00e9m citaram outras formas de combate ao crime organizado, como a ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios, o combate ao tr\u00e1fico de dentro dos pres\u00eddios e investiga\u00e7\u00f5es para rastrear o dinheiro do crime.<\/p>\n<p>O presidente da ONG Rio de Paz tamb\u00e9m foi ouvido e afirmou que \u201cn\u00e3o podemos, em nome da paz, causar derramamento de sangue\u201d. O\u00a0<em>JH<\/em>\u00a0tamb\u00e9m apresentou a fala do ministro da Justi\u00e7a, Ricardo Lewandowski, defendendo a PEC da Seguran\u00e7a P\u00fablica, que prev\u00ea a integra\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a e a prioriza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia no combate ao crime. O programa tamb\u00e9m trouxe falas do ministro da Fazenda, Fernanda Haddad, cobrando a\u00e7\u00f5es do governo estadual contra a economia do tr\u00e1fico, como o contrabando de combust\u00edvel, al\u00e9m de declara\u00e7\u00f5es do secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, criticando o resultado da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e0 noite, durante o\u00a0<em>Jornal Nacional<\/em>, foi retomada a narrativa de \u201cbatalha entre policiais e bandidos\u201d, legitimando a opera\u00e7\u00e3o e corroborando a ideia de que, com exce\u00e7\u00e3o dos quatro policiais mortos, as demais v\u00edtimas eram todas traficantes e que as mortes foram decorrentes de confronto. O JN destacou a pris\u00e3o de \u201cbandidos\u201d, apreens\u00e3o de \u201carsenais\u201d de armas e drogas e a retalia\u00e7\u00e3o dos \u201ccriminosos\u201d, que teriam sequestrado \u00f4nibus e feito pessoas ref\u00e9ns.<\/p>\n<p>O telejornal ainda afirmou que essas a\u00e7\u00f5es prejudicaram o tr\u00e2nsito e o funcionamento de escolas, postos de sa\u00fade e universidades. Tamb\u00e9m destacou que o Hospital Get\u00falio Vargas teria recebido, durante todo o dia, \u201cas v\u00edtimas dos dois lados dessa guerra\u201d. Ao refor\u00e7ar a tese do \u201cbem contra o mal\u201d, o Jornal Nacional tamb\u00e9m ignorou a possibilidade de haver v\u00edtimas sem envolvimento com o crime organizado. E, ao naturalizar as mortes e omitir depoimentos de moradores que contestavam as vers\u00f5es oficiais, corroborou com a tese de confronto, desconsiderando os ind\u00edcios e den\u00fancias de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De uma maneira geral, o Grupo Globo seguiu a narrativa do governador do Rio de Janeiro e das for\u00e7as de seguran\u00e7a envolvidas no massacre. Com ampla cobertura, durante todo o dia, o grupo optou por corroborar teses oficiais, abrindo m\u00e3o da premissa jornal\u00edstica de investigar as informa\u00e7\u00f5es recebidas e ouvir diferentes lados, vers\u00f5es e pontos de vista. Para quem sequer teve direito a um julgamento e ampla defesa, o posicionamento da m\u00eddia pesa como uma segunda senten\u00e7a, t\u00e3o arbitr\u00e1ria quanto a dos agentes de seguran\u00e7a envolvidos nessa chacina que manchou o Brasil de sangue.<\/p>\n<p><strong>Ol\u00edvia Bandeira<\/strong>\u00a0\u00e9 P\u00f3s-doutoranda no Departamento de Antropologia do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Unicamp. Integra a linha de pesquisa G\u00eanero, Religi\u00e3o e Pol\u00edtica (GREPO) do Laborat\u00f3rio de Antropologia da Religi\u00e3o (LAR), da Unicamp. Integrante do Intervozes \u2013 Coletivo Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n<p><strong>J\u00falia Lanz<\/strong>\u00a0\u00e9 jornalista e integrante do Intervozes \u2013 Coletivo Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n<p>A injusta guerra de narrativa sobre a chacina no Rio &#8211; Le Monde Diplomatique Publicado em: https:\/\/diplomatique.org.br\/a-injusta-guerra-de-narrativa-sobre-a-chacina-no-rio\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00edvia Bandeira e J\u00falia Lanz &#8211; An\u00e1lise de cobertura do grupo Globo revela um alinhamento com o discurso oficial e ignora moradores que presenciaram a chacina mais letal da hist\u00f3ria do Brasil. 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