{"id":24808,"date":"2025-08-07T12:21:46","date_gmt":"2025-08-07T15:21:46","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24808"},"modified":"2025-08-01T16:24:12","modified_gmt":"2025-08-01T19:24:12","slug":"destruicao-e-agressividade-do-capitalismo-crescem-com-novas-tecnologias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2025\/08\/07\/destruicao-e-agressividade-do-capitalismo-crescem-com-novas-tecnologias\/","title":{"rendered":"\u201cDestrui\u00e7\u00e3o e agressividade do capitalismo crescem com novas tecnologias\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Andr\u00e9 Lob\u00e3o<\/strong> &#8211;\u00a0Professor da Unicamp e fil\u00f3sofo do trabalho renomado, ele deu uma entrevista ao colunista da F\u00f3rum Andr\u00e9 Lob\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cHoje, a esquerda perdeu esse princ\u00edpio da esperan\u00e7a, majoritariamente, no mundo. A esquerda hoje ganha as elei\u00e7\u00f5es para consertar o estrago que a direita e a extrema direita fazem para consertar o capitalismo. A esquerda desaprendeu a ter a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas anticapitalistas, e isso afeta tamb\u00e9m os sindicatos\u201d. A fala feita pelo soci\u00f3logo e pesquisador do mundo do trabalho, Ricardo Antunes sintetiza a crise pela qual passa a esquerda de forma global. Em tempos em que o capitalismo apresenta uma de suas eras mais perversas, com o advento do S\u00e9culo XXI, prevalece o ide\u00e1rio neoliberal, a ideologia que promove o individualismo e a destrui\u00e7\u00e3o de direitos sociais e da natureza.<\/p>\n<p>O fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em 1991, e o surgimento da internet para as massas potencializaram ao extremo a ideologia liberal, propiciando uma crise nas estruturas do mundo do trabalho, partidos pol\u00edticos de esquerda e nos sindicatos. O que se v\u00ea hoje \u00e9 uma realidade de ascens\u00e3o de ideologias que absurdamente ressurgiram para eliminar os direitos civis e trabalhistas, como acontece agora com a extrema-direita, na nova ascens\u00e3o de Trump ao poder nos EUA.<\/p>\n<p>Neste contexto, o capitalismo vive uma t\u00e3o propalada crise administrada para que as burguesias possam continuar a garantir seus ganhos, em um mundo gerido nas Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o. A foto dos \u201csenhores do apocalipse digital\u201d, Elon Musk (X), Mark Zuckerberg Meta), Jeff Bezos (Amazon), Sundar Pichai (Google), Tim Cook (Apple), Sam Altman (Open AI) e Shou Zi Chew (TikTok), os donos e chef\u00f5es das bigtechs mostra bem a nova ordem que assume \u00e0s r\u00e9deas do imperialismo que gere um capitalismo destrutivo.<\/p>\n<p>Ricardo Antunes \u00e9 professor titular no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sendo pesquisador da Sociologia do Trabalho. Ele tem 13 obras publicadas sobre a rela\u00e7\u00e3o Capital x Trabalho e Sindicalismo.<\/p>\n<p>Nesta entrevista fizemos uma \u201cprovoca\u00e7\u00e3o\u201d a Ricardo Antunes, buscando a partir de suas reflex\u00f5es entender essa realidade de um presente j\u00e1 incerto, em que direitos e natureza s\u00e3o literalmente \u201cqueimados\u201d, para garantir ganhos cada vez maiores das elites globais.<\/p>\n<p><strong>As novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o potencializam o neoliberalismo, podemos estar vivendo uma nova etapa e que isso est\u00e1 sendo determinante para a forma\u00e7\u00e3o de uma cultura que n\u00e3o considere mais os direitos sociais e trabalhistas?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a resposta \u00e9 direta. As novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, o mundo dos algoritmos, a intelig\u00eancia artificial, tudo isso hoje \u00e9 plasmado, tecido, comandado e estruturado pelo capitalismo na sua fase destrutiva. Portanto, mais do que potencializar o neoliberalismo, as novas tecnologias potencializam o sentido destrutivo e agressivo do capitalismo.<\/p>\n<p>Eu vou dar um exemplo que todo mundo entende, a intelig\u00eancia artificial, se fosse voltada, por exemplo, para sa\u00fade, para os hospitais, visando o aux\u00edlio no combate \u00e0s doen\u00e7as, \u00e0s pesquisas, e n\u00e3o para eliminar m\u00e9dicos, m\u00e9dicas, cientistas da sa\u00fade e bi\u00f3logos etc. Deveriam sim servir para auxiliar no aprofundamento das pesquisas sobre a sa\u00fade humana, assim seriam vitais.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 a tecnologia, uma inven\u00e7\u00e3o que nasceu com a humanidade nos prim\u00f3rdios da vida humana, em que a popula\u00e7\u00e3o sempre procurou criar instrumentos e formas para facilitar o seu trabalho, de modo a humanizar a nossa vida. Isto \u00e9, uma tecnologia com sentido social, genuinamente humana. Outra coisa \u00e9 a tecnologia para substituir o trabalho humano, destruir o trabalho humano, expulsar o trabalho humano para acrescentar, incrementar, o trabalho morto com mais m\u00e1quinas, com mais equipamentos para o enriquecimento privado de grandes grupos, que hoje det\u00e9m as big techs. Isto \u00e9, um processo destrutivo que significa uma nova etapa do capitalismo destrutivo, do sistema de reprodu\u00e7\u00e3o s\u00f3cio metab\u00f3lico do capital, que tem embutido em si a ideia de que n\u00e3o existem mais direitos sociais.<\/p>\n<p><strong>O trabalho nas chamadas plataformas digitais cresce aumentando ainda mais a explora\u00e7\u00e3o sobre o trabalhador?<\/strong><\/p>\n<p>Basta olhar o trabalho \u201cuberizado\u201d, o trabalho nas plataformas que se expandem no mundo inteiro, do Brasil \u00e0 China, da \u00cdndia \u00e0 Inglaterra, dos Estados Unidos \u00e0 \u00c1frica do Sul, entre outros pa\u00edses. Basta ver que nestas empresas, das grandes plataformas digitais, que o trabalhador \u00e9 violentamente explorado, em que ele n\u00e3o tem nenhum direito.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 importante que se saiba que o trabalho humano que municia, que d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es \u00e0 intelig\u00eancia artificial, se expande de modo ampliado pelo mundo, em condi\u00e7\u00f5es na qual os trabalhadores e as trabalhadoras recebem \u00e0s vezes centavos de d\u00f3lar por hora. Ou seja, um trabalho sem nenhum direito, brutalmente pautado na explora\u00e7\u00e3o, na expropria\u00e7\u00e3o e na espolia\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Por tudo isto, essa l\u00f3gica que comanda a Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o, do nosso tempo, \u00e9 a da destrui\u00e7\u00e3o. \u00daltimo exemplo, n\u00e3o \u00e9 algo descabido, at\u00e9 porque j\u00e1 existe, s\u00e3o as t\u00e9cnicas da intelig\u00eancia artificial que hoje s\u00e3o capazes de criar instrumentos de guerra. S\u00e3o capazes de criar um ex\u00e9rcito e, no limite, podem at\u00e9 vir a destruir a humanidade. \u00c9 disso que estamos tratando.<\/p>\n<p>Vale acrescentar que as Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o, hoje, t\u00eam sido um instrumento decisivo para a expans\u00e3o do neofascismo e do neonazismo, que convivem muito bem com valores do neoliberalismo. Porque esses valores, na verdade, s\u00e3o valores que nascem da fase mais destrutiva do sistema do capital, em que a destrui\u00e7\u00e3o da natureza chegou ao limite, em que a destrui\u00e7\u00e3o do trabalho humano \u00e9 ilimitada, e a destrui\u00e7\u00e3o da igualdade e luta pelos direitos de g\u00eanero, ra\u00e7a, etnia e gera\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo jogados no lixo, porque o que vale \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o do sistema destrutivo do capital. E vale dizer ainda, que dentro desse sistema de destrui\u00e7\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o tratamos de outro fen\u00f4meno grave, que \u00e9 o risco at\u00e9 mesmo iminente, de uma guerra mundial que n\u00e3o teria vencedores e nem perdedores.<\/p>\n<p><strong>Podemos dizer que vivemos um tempo parecido, nas suas devidas propor\u00e7\u00f5es, com a 2\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, do s\u00e9culo XIX?<\/strong><\/p>\n<p>Eu penso que \u00e9 preciso fazer uma distin\u00e7\u00e3o importante. A segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial se deu no contexto do capitalismo, ainda na sua fase de expans\u00e3o. \u00c9 aquilo que se poderia chamar de modernidade burguesa, fundada na explora\u00e7\u00e3o e na expans\u00e3o das fronteiras abertas que levaram o capitalismo a se tornar um fen\u00f4meno mundial, levando-o da Europa \u00e0s Am\u00e9ricas, \u00c1frica e \u00c1sia, expandindo e ampliando o mercado de trabalho. Essa for\u00e7a de trabalho foi criada para expandir o mundo industrial daquele tempo.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s estamos vendo hoje \u00e9 outra coisa, o capitalismo chegou ao limite da sua destrui\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o tem como se expandir mais, sem destruir. A destrui\u00e7\u00e3o da natureza \u00e9 um exemplo disso, e n\u00f3s estamos vendo essa dimens\u00e3o na forma mais tr\u00e1gica. Nos \u00faltimos dias, por exemplo, o Brasil sofreu chuvas torrenciais, completamente explic\u00e1veis pelas queimadas, pelo aquecimento global, e por tantas outras trag\u00e9dias que marcam a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. Isso para n\u00e3o citar o desastre ambiental de imensas propor\u00e7\u00f5es que acabamos de ver em Los Angeles, no estado da Calif\u00f3rnia (EUA), destruindo todo seu entorno.<\/p>\n<p>Hoje, o capitalismo se firma nas seguintes a\u00e7\u00f5es: no expansionismo, na l\u00f3gica do incontrol\u00e1vel e no fator de destrui\u00e7\u00e3o, sem qualquer limite. Ele chegou no limite do espa\u00e7o do Capital. Atualmente, o mundo em sua totalidade espacial, \u00e9 dominado pela fase mais destrutiva capital, adentrando na era da acumula\u00e7\u00e3o, da acumula\u00e7\u00e3o espacial, no sentido literal. Elon Musk e assemelhados n\u00e3o fazem outra coisa sen\u00e3o adentrar e estudar, maquinar, preparar e implementar formas de expans\u00e3o capitalista no espa\u00e7o, esparramando sat\u00e9lites, criando j\u00e1 o turismo intergal\u00e1ctico, chegando em um limite inimagin\u00e1vel. Depois de terem destru\u00eddo a natureza terrestre, agora est\u00e3o iniciando uma era de destrui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o sideral.<\/p>\n<p>\u00c9 mais grave e mais brutal, de tal modo que a fase atual do capitalismo s\u00f3 pode se expandir destruindo a humanidade e a natureza e, obviamente, para poder superar essa trag\u00e9dia, incentivar guerras, confrontos b\u00e9licos brutais entre interpa\u00edses, de modo a manter um sistema, criando vias de escape para a sua acumula\u00e7\u00e3o em \u00e9pocas de recess\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que a esquerda e o movimento sindical n\u00e3o est\u00e3o sabendo lidar com essa realidade?<\/strong><\/p>\n<p>Quando o capitalismo deu um grande salto para a ind\u00fastria, entre os anos de 1850 e 1870, houve a passagem do S\u00e9culo XIX para o S\u00e9culo XX, saindo das ind\u00fastrias de pequeno e m\u00e9dio porte, de ind\u00fastrias ainda bastante limitadas na sua expans\u00e3o, lembra-se que, no S\u00e9culo XVIII, a grande for\u00e7a motriz da revolu\u00e7\u00e3o industrial foi a ind\u00fastria t\u00eaxtil inglesa.<\/p>\n<p>Quando adentramos no S\u00e9culo XX, a ind\u00fastria, aquela que se expandiu no s\u00e9culo anterior se tornou dominante, assim nasce a chamada ind\u00fastria.\u00a0 Em meados do S\u00e9culo XIX, Karl Marx mostrou isso nos seus cap\u00edtulos mais magistrais, presentes, especialmente, no volume I do \u201cCapital\u201d, no cap\u00edtulo 13 \u201cMaquinaria e Grande Ind\u00fastria\u201d. Pois bem, esse texto do Marx \u00e9 de 1867.\u00a0 Quando entramos no S\u00e9culo XX, temos como marco a expans\u00e3o da companhia de autom\u00f3veis Ford, \u00e9 o nascimento do Taylorismo e do Fordismo, sendo neste momento que o mundo se tornou moldado pela f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Gramsci tem um texto excepcional, \u201cAmericanismo e Fordismo\u201d, em que ele denomina o fordismo como sendo a express\u00e3o microc\u00f3smica de uma f\u00e1brica, que vai moldar e modelar a sociedade, de tal modo que o mundo fordista transcende a f\u00e1brica, ele nasce na f\u00e1brica com uma sociedade cujo ide\u00e1rio, ideologia dominante, passa a ser de base taylorista e fordista.<\/p>\n<p>Mas hoje o que n\u00f3s estamos vendo hoje \u00e9 uma mudan\u00e7a muito profunda, porque o capitalismo n\u00e3o vive mais uma fase de expans\u00e3o, tendo todo o espa\u00e7o para que isto ocorra, mas ele s\u00f3 pode se expandir, s\u00f3 pode se valorizar destruindo ilimitadamente.<\/p>\n<p>O M\u00e9sz\u00e1ros chamou isso de lei de tend\u00eancia decrescente do valor de uso das mercadorias. Hoje voc\u00ea compra um micro-ondas sabendo que ele vai durar muito menos tempo do que o mesmo equipamento que voc\u00ea quebrou depois de t\u00ea-lo usado por 10 anos, pois esse \u00e9 o tempo de vida \u00fatil desse eletrodom\u00e9stico.\u00a0 Voc\u00ea compra um autom\u00f3vel, que, diferentemente do autom\u00f3vel do s\u00e9culo passado, que durava 10, 20 anos, hoje tem uma vida \u00fatil reduzid\u00edssima. Assim como o telefone celular que apaga depois de um certo tempo de vida, porque \u201cele tem que morrer\u201d, para ser descartado para que o telefone celular novo, o Apple, o Samsung, entre outros, sejam produzidos. Isso s\u00f3 pode ser feito com mais explora\u00e7\u00e3o mineral, l\u00edtio, min\u00e9rios, com mais explora\u00e7\u00e3o humana do trabalho, com mais concorr\u00eancia entre as grandes empresas e com mais dom\u00ednio espacial. Temos atualmente um sistema de sat\u00e9lites, onde voc\u00ea tem que organizar, digamos assim, todas as informa\u00e7\u00f5es, seja no mundo terrestre, nos armaz\u00e9ns da Google, seja no mundo espacial que vai enfeixando, e sendo dominado pelo sistema do capital.<\/p>\n<p>Essa realidade, e contexto, fez com que o movimento sindical se encontrasse numa dimens\u00e3o, em uma crise profunda. Houve uma crise na passagem do S\u00e9culo XIX para o S\u00e9culo XX, em que o sindicalismo era inicialmente composto por trabalhadores cujo sindicato era formado com uma base de oper\u00e1rios que atuavam em manufaturas e pequenas e m\u00e9dias empresas. O sindicalismo do s\u00e9culo XX adentrou no sindicalismo da grande ind\u00fastria, como mencionei anteriormente, na era industrial taylorista e fordista. Demorou anos para que o sindicato pudesse criar o que n\u00f3s chamamos de &#8221; sindicato massa\u201d, o sindicato da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>O ABC Paulista, por exemplo, no final dos anos 1970, tinha na sua unidade de S\u00e3o Bernardo tinha f\u00e1bricas imensas, a Ford, General Motors, Scania e tantas outras. Essas f\u00e1bricas reduziram brutalmente o seu tamanho, e algumas, como a Ford, desapareceram.<\/p>\n<p>A Ford foi a primeira f\u00e1brica automotiva fundada no Brasil, perdurando por mais de um s\u00e9culo, e hoje, ela n\u00e3o existe mais, n\u00e3o produz mais autom\u00f3veis aqui. Ent\u00e3o, esse \u00e9 um exemplo, de como \u00e9 que o sindicato sai de uma empresa concentrada, baseada no oper\u00e1rio massa, para um mundo onde a explos\u00e3o prolet\u00e1ria que se expande hoje n\u00e3o \u00e9 concentrada no proletariado da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. O proletariado que se expande hoje, que cresce em escala global, \u00e9 o proletariado de servi\u00e7os da era digital.<\/p>\n<p>O trabalho em empresas de plataformas digitais, concentrado nos armaz\u00e9ns da Amazon, nos motoristas &#8211; entregadores e trabalhadores em geral, da Uber, os trabalhadores de todos os tipos, de todas as atividades da Amazon Mechanical Truck, os trabalhadores que se expandem, limpam, arrumam os im\u00f3veis alugados, fazendo a gest\u00e3o na entrega de chaves da Airbnb. S\u00e3o empresas globais que passaram a dominar o mundo do capital, atrav\u00e9s do processo de industrializa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>Vivemos a era da ind\u00fastria de servi\u00e7os e qual o perfil desse trabalhador?<\/strong><\/p>\n<p>Eu nunca falei em sociedade p\u00f3s-industrial, esse \u00e9 mais um erro euroc\u00eantrico, sempre falei em expans\u00e3o da ind\u00fastria de servi\u00e7os. O que mais se expande hoje \u00e9 a ind\u00fastria de servi\u00e7os, as plataformas digitais, o que \u00e9 o Amazon, sen\u00e3o uma monumental ind\u00fastria de log\u00edstica e de venda de mercadorias de todas as proced\u00eancias. A Amazon iniciou-se, nos anos 1990, vendeu livros, e hoje ela vende tudo.<\/p>\n<p>O Mercado Livre, de origem latino-americana, n\u00e3o para sua expans\u00e3o, vendendo tudo. Cada uma dessas grandes empresas tem unidades de armaz\u00e9m, que s\u00e3o a ind\u00fastria de armaz\u00e9m (log\u00edstica). Elas t\u00eam um sistema de transporte de entregas que \u00e9 capilar, nacional e mundial. Encontramos frequentemente nas esquinas carros, peruas, furgonetas que s\u00e3o ou prestam servi\u00e7o para o Mercado Livre que entregam produtos por toda parte.<\/p>\n<p>Mas quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de trabalho desse novo proletariado, eles t\u00eam direitos? Essa massa de entregadores, por exemplo, sustenta o Uber, iFood, Glovo, Deliveroo, entre outras, citando empresas que atuam em outros pa\u00edses, se expandindo na Am\u00e9rica Latina, nos Estados Unidos etc.<\/p>\n<p>Esse novo proletariado de servi\u00e7os, ele n\u00e3o tem a concentra\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica, como \u00e9 que os sindicatos representam isto? Como \u00e9 que os sindicatos articulam uma classe trabalhadora onde predomina n\u00e3o mais o trabalho com direitos, mas um trabalho sem direitos, como \u00e9 que o sindicato tem articulado a representa\u00e7\u00e3o crucial entre classe trabalhadora, g\u00eanero, LGBTs, ra\u00e7a, etnias ind\u00edgenas e imigrantes? Ent\u00e3o, hoje voc\u00ea tem que articular uma classe trabalhadora muito mais heterog\u00eanea do que no passado, heterog\u00eanea no que diz respeito a sua qualifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a seu g\u00eanero, sua dimens\u00e3o racial, na sua dimens\u00e3o \u00e9tnica e na sua dimens\u00e3o geracional, e isso \u00e9 muito mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A esquerda anticapitalista tinha o princ\u00edpio da esperan\u00e7a no S\u00e9culo XX, o princ\u00edpio da esperan\u00e7a no mundo n\u00e3o era o fascismo ou nazismo. O fascismo italiano e o nazismo hitleriano eram aberra\u00e7\u00f5es indigentes para controlar o processo revolucion\u00e1rio, uma vez que o princ\u00edpio da esperan\u00e7a da humanidade estava na classe trabalhadora e os seus projetos de mudan\u00e7as radicais anticapitalistas.<\/p>\n<p>Hoje, a esquerda perdeu esse princ\u00edpio da esperan\u00e7a, majoritariamente, no mundo. A esquerda hoje ganha as elei\u00e7\u00f5es para consertar o estrago que a direita e a extrema direita fazem para consertar o capitalismo. A esquerda desaprendeu a ter a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas anticapitalistas, e isto afeta tamb\u00e9m os sindicatos.<\/p>\n<p><strong>O homem capitalista burgu\u00eas pode perder o controle desse processo, tamanho \u00e9 o desenvolvimento da IA, a revolu\u00e7\u00e3o e a revolta das m\u00e1quinas est\u00e1 pr\u00f3xima, como nos filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/strong><\/p>\n<p>Pode. N\u00f3s tivemos outro dia, em agosto\/24, noticiado na imprensa, que aconteceu pela primeira vez uma greve de rob\u00f4s comandados por Intelig\u00eancia Artificial (IA) na China. Imagine se as grandes pot\u00eancias imperialistas come\u00e7am a municiar seus ex\u00e9rcitos e comand\u00e1-los por IA, isso pode nos levar a um mundo sem limites. Podemos ter um cen\u00e1rio de fic\u00e7\u00e3o ao modo de Blade Runner? Claro que podemos, mas penso que esta possibilidade s\u00f3 pode ser decisivamente confrontada a partir das lutas sociais da classe trabalhadora no sentido amplo, com a classe oper\u00e1ria industrial que se expande na \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul, junto com o proletariado de servi\u00e7os que se expande no mundo inteiro, tamb\u00e9m com os trabalhadores da agroind\u00fastria que se expande em v\u00e1rias partes.<\/p>\n<p>Eu criei uma denomina\u00e7\u00e3o dois livros meus \u201cAdeus ao Trabalho?\u201d e \u201cOs Sentidos do Trabalho\u201d, de \u201cclasse-que-vive-do-trabalho\u201d. Com isso, eu quis dizer que a classe trabalhadora \u00e9 aquela que vive da venda de sua for\u00e7a de trabalho, baseado na defini\u00e7\u00e3o de Marx e Engels, at\u00e9 a\u00ed n\u00e3o tem nenhuma novidade. Mas eu quis, da\u00ed o h\u00edfen, dizer que a classe trabalhadora \u00e9 cada vez mais complexa, heterog\u00eanea e fragmentada, o que demanda um esfor\u00e7o muito profundo de recupera\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es vitais do nosso tempo. A esquerda sabia qual era a quest\u00e3o vital, por exemplo, na \u00e9poca da Comuna de Paris, em 1871, cujo lema era \u201cEstamos aqui pela Humanidade\u201d. Na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, em 1917, o lema n\u00e3o era sobre os sovietes, mas sim \u201cP\u00e3o, Paz e Terra\u201d, \u00e9 claro que os sovietes foram vitais, mas o lema, o mote \u201cP\u00e3o\u201d, porque a popula\u00e7\u00e3o tinha fome; \u201cPaz\u201d porque os filhos dos oper\u00e1rios morriam nas linhas de frente da 1\u00aa Guerra Mundial; e \u201cTerra\u201d era porque R\u00fassia tinha terras, mas n\u00e3o provia alimenta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o esse trip\u00e9 \u201cP\u00e3o, Paz e Terra\u201d colocou a popula\u00e7\u00e3o russa, a classe trabalhadora em movimento.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as quest\u00f5es cruciais do nosso tempo, que nos colocam em movimento contra o risco de uma 3\u00aa Guerra Mundial, em que tudo \u00e9 imprevis\u00edvel, seja para um desenvolvimento maqu\u00ednico control\u00e1vel, claro, no plano da abstra\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 muito importante tamb\u00e9m lembrar que o capitalismo desde suas primeiras revolu\u00e7\u00f5es, inglesa e francesa, aprende cada vez mais administrar as crises.<\/p>\n<p>Quanto mais destrutivo \u00e9 o capitalismo, mas ele se torna perverso para administrar e preservar os interesses da grande burguesia internacional, mundializada e financeirizada que domina o mundo.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos que enfrentar essa grande burguesia e o ponto de partida \u00e9 que devemos ser radicalmente ecossocialistas, precisamos defender a preserva\u00e7\u00e3o imediata da natureza, e isso s\u00f3 pode ser feito combatendo o capitalismo. E temos que recuperar o trabalho, o que Marx chamava de &#8216;Trabalho Associado\u201d, uma forma de trabalho social e coletivo, aut\u00f4nomo e autodeterminado, temos que eliminar o trabalho assalariado. Precisamos lutar pela igualdade substantiva entre g\u00eaneros, ra\u00e7as, etnias e gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o esses desafios que nos obrigam a reinventar um novo modo de vida que o capitalismo est\u00e1 completamente impossibilitado de fazer.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: \u201cDestrui\u00e7\u00e3o e agressividade do capitalismo crescem com novas tecnologias\u201d, diz Ricardo Antunes &#8211; Revista F\u00f3rum &#8211; https:\/\/revistaforum.com.br\/opiniao\/2025\/1\/22\/destruio-agressividade-do-capitalismo-crescem-com-novas-tecnologias-diz-ricardo-antunes-172879.html<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 Lob\u00e3o &#8211;\u00a0Professor da Unicamp e fil\u00f3sofo do trabalho renomado, ele deu uma entrevista ao colunista da F\u00f3rum Andr\u00e9 Lob\u00e3o. \u201cHoje, a esquerda perdeu esse princ\u00edpio da esperan\u00e7a, majoritariamente, no mundo. A esquerda hoje ganha as elei\u00e7\u00f5es para consertar o estrago que a direita e a extrema direita fazem para consertar o capitalismo. 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