{"id":24746,"date":"2025-07-02T12:23:14","date_gmt":"2025-07-02T15:23:14","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24746"},"modified":"2025-06-23T16:28:18","modified_gmt":"2025-06-23T19:28:18","slug":"trump-e-a-sombra-do-capitalismo-de-finitude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2025\/07\/02\/trump-e-a-sombra-do-capitalismo-de-finitude\/","title":{"rendered":"Trump e a sombra do Capitalismo de Finitude"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fabien Escalona\u00a0<\/strong>e\u00a0<strong>Romaric Godin &#8211; <\/strong>Para historiador franc\u00eas, presidente escancara tend\u00eancia recorrente do sistema: diante das crises, exacerbar espolia\u00e7\u00e3o colonial, rentismo e outras formas de rapina. Quando o bolo p\u00e1ra de crescer, diz ele, as elites partem para a preda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3106731 c008 alignnone\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/250320-Confiscado.jpg?resize=547%2C832&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/250320-Confiscado.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/250320-Confiscado-197x300.jpg 197w, \" alt=\"\" width=\"547\" height=\"832\" \/><\/p>\n<p>Arnaud Orain publicou\u00a0<em>Le Monde confisqu\u00e9 \u2013\u00a0<\/em><em>Essai sur le capitalismo de la finitude [\u201cO Mundo Confiscado \u2013 Ensaio sobre o capitalismo da finitude\u201d<\/em>. Neste livro, o historiador decifra a racionalidade das estrat\u00e9gias violentas e rentistas empregadas pelas elites econ\u00f4micas e pol\u00edticas, que conspiram voluntariamente para se apropriar de \u201cum bolo que n\u00e3o pode crescer\u201d. \u00c9 um livro que d\u00e1 sentido \u00e0 brutalidade de Trump, \u00e0s ofensivas dos gigantes digitais e \u00e0 captura de terras cultiv\u00e1veis em todo o planeta.<\/p>\n<p>Orain sustenta que nossas sociedades est\u00e3o vivendo um \u201ccapitalismo da finitude\u201d, cujos avatares j\u00e1 existiam em s\u00e9culos anteriores. Abertamente \u201cpredat\u00f3rio, violento e rentista\u201d, ele lan\u00e7a a promessa de prosperidade universal, que seria poss\u00edvel gra\u00e7as ao mercado e regulada pela lei. \u201cO neoliberalismo acabou\u201d, afirma o autor, diferenciando-se, nesse ponto, de outros pensadores da \u00e9poca, como Quinn Slobodian e seu\u00a0<em>Capitalismo do apocalipse<\/em>.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida ao site franc\u00eas\u00a0<em>Mediapart<\/em>, Arnaud Orain desenvolve os principais argumentos de sua tese e explica sua periodiza\u00e7\u00e3o alternativa da trajet\u00f3ria do capitalismo. Ele enfatiza a linha t\u00eanue entre o risco de subjuga\u00e7\u00e3o, diante da nova onda imperialista do s\u00e9culo XXI, e o risco de mergulhar em uma corrida antidemocr\u00e1tica, desigual e ecocida.<\/p>\n<p><strong>Para dar conta das turbul\u00eancias do nosso tempo (amea\u00e7as de guerra, recuo democr\u00e1tico, protecionismo, etc.), voc\u00ea prop\u00f5e a no\u00e7\u00e3o de um \u201ccapitalismo da finitude\u201d. Quais suas principais caracter\u00edsticas?<\/strong><br \/>\n<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3106730 c008 alignnone\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/250320-Orain.jpg?resize=590%2C445&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/250320-Orain.jpg 469w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/250320-Orain-300x226.jpg 300w, \" alt=\"\" width=\"590\" height=\"445\" \/><\/p>\n<p>A ideia era sair da dicotomia habitual entre per\u00edodos de triunfo do liberalismo e per\u00edodos de forte interven\u00e7\u00e3o do Estado. Eu prefiro identificar dois tipos de capitalismo. H\u00e1 um capitalismo que \u00e9 compat\u00edvel com o liberalismo. Ele se baseia na competi\u00e7\u00e3o, na redu\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo aus\u00eancia de tarifas alfandeg\u00e1rias, na liberdade dos mares e em uma utopia de riqueza crescente tanto no n\u00edvel individual quanto no coletivo, em uma din\u00e2mica que beneficiaria todo o mundo. \u00c9 a \u00e9poca que muitos de n\u00f3s \u2013 aqueles que estamos na faixa entre os 30 e 70 anos de idade \u2014 vivemos.<\/p>\n<p>E depois h\u00e1 o capitalismo, \u00e0s vezes chamado de capitalismo \u201cmercantilista\u201d, que eu chamo de capitalismo \u201cde finitude\u201d. Refere-se a um mundo em que as elites acreditam que o bolo n\u00e3o pode mais crescer. A partir da\u00ed, a \u00fanica maneira de preservar ou melhorar sua posi\u00e7\u00e3o, na aus\u00eancia de um sistema alternativo, passa a ser a preda\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a era em que acredito que estamos entrando.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea escreve que o capitalismo j\u00e1 passou por fases desse tipo em s\u00e9culos anteriores. De quais per\u00edodos se trata?<\/strong><\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do capitalismo pode ser descrita da seguinte maneira. Do s\u00e9culo XVI ao XVIII, houve uma fase em que se criaram pot\u00eancias imperiais que promoveram grandes empresas com monop\u00f3lios, com\u00e9rcio exclusivo com suas col\u00f4nias e guerras de car\u00e1ter estritamente econ\u00f4mico. Foi o primeiro per\u00edodo de um capitalismo da finitude. Seguiu-se uma fase de liberaliza\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s as guerras napole\u00f4nicas, vencidas pelos brit\u00e2nicos.<br \/>\nAlguns acreditam que essa\u00a0<em>Pax Britannica<\/em>\u00a0continuou at\u00e9 1914, mas ignoram a segunda grande onda de coloniza\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1880. Nela, retornaram as tarifas alfandeg\u00e1rias, os silos imperiais, os cart\u00e9is e a conquista territorial em busca de \u201crecursos\u201d, tend\u00eancias que se intensificaram nos anos 1930, como consequ\u00eancia da Grande Depress\u00e3o, e culminaram na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Em 1945, come\u00e7ou uma nova fase liberal. Ela se sustentou em uma promessa de abund\u00e2ncia sem precedentes, inicialmente para o mundo ocidental e depois estendida a todo o mundo a partir da d\u00e9cada de 1990. Da mesma forma que \u00e9 \u201cocidentaloc\u00eantrico\u201d pensar na ruptura com o passado em 1914, tamb\u00e9m o \u00e9 acreditar que a era neoliberal mudou tudo. O verdadeiro momento em que a promessa se rompeu, principalmente diante dos limites ecol\u00f3gicos do planeta, foi na d\u00e9cada de 2010.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90.png?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-300x37.png 300w, \" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>A refer\u00eancia obsessiva de Trump \u00e0\u00a0<em>Idade Dourada (Gilded Age,\u00a0<\/em><em>1870-90<\/em><em>)<\/em>\u00a0americana deve ser levada a s\u00e9rio. Foi a \u00e9poca dos monop\u00f3lios, da denega\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o, das grandes desigualdades sociais, mas tamb\u00e9m do grande retorno da coloniza\u00e7\u00e3o, que os pr\u00f3prios Estados Unidos praticaram em Porto Rico e no Hava\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Segundo voc\u00ea, a \u201cbroligarquia\u201d tecnol\u00f3gica que foi alvo de aten\u00e7\u00e3o durante a posse de Trump \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o perfeita desse capitalismo da finitude. Parece que eles s\u00e3o a vers\u00e3o do s\u00e9culo XXI de algumas das companhias de navega\u00e7\u00e3o que organizaram a contraeconomia h\u00e1 s\u00e9culos\u2026<\/strong><\/p>\n<p>De fato, existe um paralelismo entre essas diferentes encarna\u00e7\u00f5es de \u201cempresas-estado\u201d. Durante muito tempo, contou-se uma hist\u00f3ria rom\u00e2ntica sobre as companhias das \u00cdndias Orientais. A VOC holandesa, por exemplo, tinha dezenas de milhares de escravos e praticava uma viol\u00eancia beirando o genoc\u00eddio, como nas ilhas Banda. Na \u00cdndia, os brit\u00e2nicos n\u00e3o compravam muita coisa no final do s\u00e9culo XVIII: saqueavam e cobravam impostos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas companhias tinham seus pr\u00f3prios direitos, fortalezas e ex\u00e9rcitos, o que podia at\u00e9 provocar atritos com os Estados de onde vinham. O importante \u00e9 lembrar que elas monopolizavam zonas para gerar renda a partir de uma l\u00f3gica rentista, em vez de gerar lucros a partir da livre concorr\u00eancia. No final do s\u00e9culo XIX, empresas desse tipo ressurgiram durante o renascimento da coloniza\u00e7\u00e3o, principalmente na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Hoje, os gigantes digitais est\u00e3o, por sua vez, combinando o poder do mercado com o poder soberano. Eles s\u00e3o capazes de mobilizar o espa\u00e7o p\u00fablico por meio das redes sociais, fornecer conex\u00f5es \u00e0 internet para \u00e1reas inteiras, interferir na esfera militar com sat\u00e9lites e tentar extrair dinheiro aproveitando-se de uma posi\u00e7\u00e3o monopol\u00edstica sobre os dados.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 uma diferen\u00e7a de uma \u00e9poca para outra. As empresas dos s\u00e9culos XVII e XVIII desempenhavam um papel importante na pol\u00edtica de seus respectivos Estados, mas n\u00e3o se tratava de se impor dentro da metr\u00f3pole. Agora, os gigantes tecnol\u00f3gicos se apropriam de prerrogativas soberanas dentro de seus pr\u00f3prios Estados. Como no passado, por\u00e9m, pode haver desentendimentos entre essas empresas: Elon Musk e Peter Thiel, por exemplo, n\u00e3o compartilham a mesma opini\u00e3o sobre a desvincula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da China.<\/p>\n<p><strong>Sua tese tamb\u00e9m permite compreender melhor o significado hist\u00f3rico de outro fen\u00f4meno que tem sido not\u00edcia: a interrup\u00e7\u00e3o da liberdade de navega\u00e7\u00e3o no Mar Vermelho pelos Houthis do I\u00eamen, no contexto da guerra no Oriente M\u00e9dio. Voc\u00ea insiste no fato de que o capitalismo da finitude \u00e9, antes de tudo, o fechamento dos mares.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de dez anos, os oceanos voltaram a ser um tema importante nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. No capitalismo da finitude, comercializamos com nossos amigos, nossos vassalos, nossas col\u00f4nias, em um regime em que estamos protegidos por nosso poder imperial, porque n\u00e3o h\u00e1 mais uma pot\u00eancia hegem\u00f4nica que garanta a liberdade dos mares para todos.<\/p>\n<p>Embora ainda n\u00e3o tenhamos chegado a esse ponto, h\u00e1 fortes ind\u00edcios de que isso est\u00e1 acontecendo. \u00c9 significativo que os Houthis n\u00e3o estejam atacando os navios chineses e russos, enquanto as empresas ocidentais agora precisam contornar a \u00c1frica. Nesse contexto, assistimos a um enfraquecimento da marinha americana e, por outro lado, a um enorme aumento do poder da marinha chinesa, tanto mercante quanto militar. Para garantir a liberdade dos mares, n\u00e3o pode haver duas pot\u00eancias hegem\u00f4nicas. S\u00f3 funciona com uma.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que o movimento MAGA em torno de Trump n\u00e3o quer mais pagar pela seguran\u00e7a mundial. \u00c9 preciso dizer que os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o longe de ter energia suficiente entre g\u00e1s, petr\u00f3leo e pain\u00e9is solares dom\u00e9sticos, e que est\u00e3o bem abastecidos de mat\u00e9rias-primas na Am\u00e9rica do Sul. O desejo de anexar a Groenl\u00e2ndia responde ao objetivo de acessar certos recursos minerais para completar o arsenal.<\/p>\n<p>Anuncia-se um novo mundo, com rotas mar\u00edtimas seguras para alguns, mas n\u00e3o para outros. Para as pot\u00eancias europeias, acostumadas por oitenta anos \u00e0 liberdade dos mares garantida por seu principal aliado, a ruptura \u00e9 consider\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 compreens\u00edvel que o capitalismo\u00a0<\/strong><strong>de\u00a0<\/strong><strong>finitude n\u00e3o se\u00a0<\/strong><strong>d\u00ea\u00a0<\/strong><strong>bem com os princ\u00edpios democr\u00e1ticos. Mas n\u00e3o seria a rela\u00e7\u00e3o mais complexa? Afinal, vimos a qualidade dos regimes democr\u00e1ticos se deteriorar sob a era neoliberal, assim como vimos avan\u00e7os democr\u00e1ticos no final do s\u00e9culo XIX.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um v\u00ednculo necess\u00e1rio entre capitalismo e autoritarismo, assim como n\u00e3o h\u00e1 entre liberalismo econ\u00f4mico e democracia. O fato \u00e9 que o capitalismo da finitude evidentemente n\u00e3o precisa da democracia, e que ela representa at\u00e9 mesmo um obst\u00e1culo.<\/p>\n<p>No capitalismo da finitude, no entanto, as aspira\u00e7\u00f5es populares podem ser captadas argumentando o car\u00e1ter protetor das medidas de fechamento. Isso \u00e9 o que Trump est\u00e1 fazendo. Destacar o progresso tecnol\u00f3gico e as novas fronteiras que imaginamos se estender\u00e3o ao espa\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de ampliar sua base eleitoral.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que a extrema direita europeia n\u00e3o entendeu. Quando voc\u00ea n\u00e3o tem empresas estatais em setores estrat\u00e9gicos, nem grandes frotas militares, poucos recursos energ\u00e9ticos pr\u00f3prios\u2026 o risco, em um mundo \u201ctrumpizado\u201d, \u00e9 principalmente o empobrecimento que leva ao servilismo.<\/p>\n<p><strong>Voltemos \u00e0 sua periodiza\u00e7\u00e3o de fases liberais e fases marcadas pela consci\u00eancia da \u201cfinitude\u201d. Como voc\u00ea explica essa altern\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o abordo diretamente a quest\u00e3o da causalidade dessas altern\u00e2ncias. Mas vejamos o que Karl Polanyi disse sobre o colapso da fase liberal no s\u00e9culo XIX. \u00c0 medida que a promessa de abund\u00e2ncia coletiva e individual se tornava cada vez mais dif\u00edcil de cumprir, a mais-valia tinha que ser extra\u00edda de outra maneira, por meios imperialistas, destruindo as estruturas tradicionais do mundo rec\u00e9m-colonizado. As elites teorizaram sobre isso, e os cr\u00edticos do imperialismo o denunciaram na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Desde o final do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do XXI, vem ocorrendo um fen\u00f4meno relativamente similar. A partir do momento em que os pa\u00edses emergentes e as novas classes m\u00e9dias come\u00e7am a consumir prote\u00ednas animais e combust\u00edveis f\u00f3sseis segundo os padr\u00f5es ocidentais, a promessa de abund\u00e2ncia colide com as limita\u00e7\u00f5es dos recursos. Torna-se dif\u00edcil crescer sem novos mecanismos de preda\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado em um marco liberal.<\/p>\n<p>No neoliberalismo, o Estado e as institui\u00e7\u00f5es internacionais imp\u00f5em um marco estrito para garantir um ambiente competitivo. Estamos em processo de sair desse marco, porque ele n\u00e3o \u00e9 suficiente nem para manter o padr\u00e3o de vida nem para garantir os benef\u00edcios das grandes empresas tecnol\u00f3gicas. A sa\u00edda \u00e9 um capitalismo menos padronizado, mais brutal, com formas de domina\u00e7\u00e3o mais diretas que dispensam o mercado.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea aponta a finitude dos recursos naturais, mas o problema n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m interno ao pr\u00f3prio sistema de acumula\u00e7\u00e3o? Por isso, o neoliberalismo representou uma ruptura com o passado: mudou a base da acumula\u00e7\u00e3o, que se tornou mais financeirizada e menos favor\u00e1vel ao mundo do trabalho.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o estamos em desacordo. Os promotores do neoliberalismo tentaram claramente continuar, por meio de uma l\u00f3gica competitiva exacerbada, um modo de produ\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se esgotava nos anos setenta. Mas, ap\u00f3s a grande recess\u00e3o de 2008, o crescimento econ\u00f4mico alcan\u00e7ado por meio das exporta\u00e7\u00f5es mostrou-se um bolo cada vez mais limitado. Nos pa\u00edses do Norte, testemunhamos um empobrecimento relativo das classes m\u00e9dias e trabalhadoras.<\/p>\n<p>Fran\u00e7a e Estados Unidos foram os primeiros a sentir o impacto da entrada da China na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), e agora isso chegou \u00e0 Alemanha. Na pr\u00e1tica, os ocidentais est\u00e3o descobrindo que a teoria que justificava o livre com\u00e9rcio \u2014a especializa\u00e7\u00e3o baseada na vantagem comparativa\u2014 n\u00e3o funciona. O remendo do neoliberalismo j\u00e1 n\u00e3o basta para conter os problemas de uma ind\u00fastria que est\u00e1 desmoronando. Isso est\u00e1 contribuindo para o aumento das rivalidades geopol\u00edticas dentro do capitalismo mundial.<\/p>\n<p><strong>A fase liberal do capitalismo que come\u00e7ou em 1945, mais ou menos atenuada pelo Estado social, foi tamb\u00e9m a fase da \u201cgrande acelera\u00e7\u00e3o\u201d da degrada\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do sistema Terra. Voc\u00ea n\u00e3o estaria subestimando o car\u00e1ter permanente da dimens\u00e3o predat\u00f3ria da l\u00f3gica capitalista?<\/strong><\/p>\n<p>Durante os\u00a0<em>Trinta Gloriosos<\/em>\u00a0e o per\u00edodo neoliberal, houve trocas claramente desiguais em todo o planeta. Mas eram as rela\u00e7\u00f5es de mercado que predominavam. Tomemos o caso da terra. No mundo liberal, esse ativo \u00e9 como l\u00edquido. Os pre\u00e7os s\u00e3o fixados, e cada Estado compra, no mercado mundial, o que n\u00e3o tem para o consumo de sua popula\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o modelo centrado na OMC.<\/p>\n<p>De forma mais geral, chama a aten\u00e7\u00e3o o crescimento, tanto no \u00e2mbito intelectual quanto no empresarial, da ideia de que o capitalismo \u00e9 um jogo de soma zero. Escritores cr\u00edticos como Dylan Riley e Robert Brenner desenvolveram recentemente essa ideia na\u00a0<em>New Left Review<\/em>, mas, como historiador, \u00e9 poss\u00edvel encontrar ecos dela no s\u00e9culo XVII, quando os primeiros pensadores do capitalismo explicaram que nem todos podiam participar dos grandes mercados t\u00eaxteis.<\/p>\n<p><strong>O capitalismo finito do s\u00e9culo XXI tem uma qualidade especial em compara\u00e7\u00e3o com fases anteriores desse tipo? Poder\u00edamos imaginar um retorno quase tranquilizador, mas o sistema capitalista envelhece.<\/strong><\/p>\n<p>Temos um novo problema. A finitude do mundo \u00e9, sem d\u00favida, a finitude dos recursos naturais e a satura\u00e7\u00e3o do mercado mundial: a finitude da velha escola, por assim dizer. Mas tamb\u00e9m \u00e9 o fato de que, para alcan\u00e7ar uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que evite uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica desastrosa, precisamos de enormes quantidades de minerais e metais. O planeta \u00e9 finito em dobro: precisamos de recursos para manter o capitalismo f\u00f3ssil, mas tamb\u00e9m para fazer a transi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vejo como isso n\u00e3o provocar\u00e1 grandes conflitos.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, o \u201cmundo confiscado\u201d continua sendo um mundo capitalista, onde o problema \u00e9 o imperativo da acumula\u00e7\u00e3o, seja com energias carbon\u00edferas ou n\u00e3o. Ent\u00e3o, voc\u00ea se op\u00f5e a teses como as de Y\u00e1nis Varouf\u00e1kis ou C\u00e9dric Durand, que falam da emerg\u00eancia de um \u201ctecnofeudalismo\u201d em vez do capitalismo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o concordo com esse termo. O feudalismo implica uma rela\u00e7\u00e3o mais pol\u00edtica do que econ\u00f4mica, um poder baseado em hierarquias extraecon\u00f4micas, justificadas de forma teol\u00f3gica ou tradicional. Mas continuamos em um sistema em que a rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o se baseia no dinheiro, em benef\u00edcio dos capitalistas.<\/p>\n<p>S\u00f3 que alguns desses capitalistas tamb\u00e9m querem ser soberanos, com um chap\u00e9u de comerciante e outro de (para-)Estado. Essa \u00e9 a mudan\u00e7a que est\u00e1 ocorrendo: continua funcionando uma l\u00f3gica capitalista, mas ela vem acompanhada da confisco da terra, do mar, do ar e at\u00e9 do ciberespa\u00e7o e do espa\u00e7o p\u00fablico, o que pode ser descrito como o confisco da soberania.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nVoc\u00ea defende uma economia ecol\u00f3gica, que \u00e9 uma vers\u00e3o radical da \u201cecologia de guerra\u201d defendida por Pierre Charbonnier: basicamente, preservar a autonomia por meio da sobriedade, em vez de entrar no jogo dos imp\u00e9rios. Mas isso \u00e9 poss\u00edvel diante de sua<\/strong><\/p>\n<p>Minha esperan\u00e7a \u00e9 ver surgir uma pol\u00edtica de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica muito ambiciosa, com uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do consumo de energia, porque isso implicar\u00e1 necessariamente recursos minerais e met\u00e1licos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma linha muito t\u00eanue: uma transi\u00e7\u00e3o forte que permita n\u00e3o seguir demais uma pol\u00edtica de imperialismo e vassalagem, e que, ao mesmo tempo, garanta a autonomia diante dos imp\u00e9rios predadores. Mas isso implica uma reorganiza\u00e7\u00e3o t\u00e3o radical de nossa organiza\u00e7\u00e3o social que n\u00e3o sei se \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Isso levanta a quest\u00e3o de um governo baseado nas necessidades, em vez de uma corrida precipitada para a acumula\u00e7\u00e3o. Precisamos realmente de milh\u00f5es de ve\u00edculos el\u00e9tricos individuais? 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