{"id":24728,"date":"2025-06-28T12:59:15","date_gmt":"2025-06-28T15:59:15","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24728"},"modified":"2025-06-23T16:17:10","modified_gmt":"2025-06-23T19:17:10","slug":"ecologia-marxista-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2025\/06\/28\/ecologia-marxista-na-china\/","title":{"rendered":"Ecologia marxista na China"},"content":{"rendered":"<p><strong>CHEN YIWEN*<\/strong> &#8211; Da ecologia de Karl Marx \u00e0 teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista<\/p>\n<p>Diante dos prementes desafios ambientais em escala planet\u00e1ria, a ecologia marxista emerge como um pilar fundamental das an\u00e1lises de esquerda em todo o mundo, representando um exame cr\u00edtico da crise ambiental moderna. A comunidade acad\u00eamica chinesa tem se dedicado \u00e0 pesquisa da ecologia marxista desde a d\u00e9cada de 1980, baseando-se tanto nos estudos tradicionais do marxismo quanto na hist\u00f3ria da moderniza\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Essa abordagem difere da trajet\u00f3ria da ecologia marxista no Ocidente, que percorreu diferentes est\u00e1gios \u2013 desde a nega\u00e7\u00e3o ou da complementa\u00e7\u00e3o da ecologia de Marx at\u00e9 sua redescoberta e desenvolvimento.<sup>[1]<\/sup>\u00a0Os acad\u00eamicos chineses t\u00eam enfatizado, desde o in\u00edcio, a interpreta\u00e7\u00e3o das concep\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas de Karl Marx e Friedrich Engels, al\u00e9m de recorrerem ativamente \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es ocidentais do ecomarxismo\/ecossocialismo para formular uma teoria da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica socialista (ecociviliza\u00e7\u00e3o) com caracter\u00edsticas distintivamente chinesas.<\/p>\n<p>Este artigo discute alguns dos diversos paradigmas de pesquisa e seus percursos de desenvolvimento no \u00e2mbito da ecologia marxista chinesa, al\u00e9m de destacar as conquistas e os desafios que essa abordagem enfrenta na China.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A interpreta\u00e7\u00e3o do pensamento ecol\u00f3gico de Marx e Engels<\/strong><\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o do pensamento ecol\u00f3gico de Marx e Engels envolve n\u00e3o apenas elucidar suas concep\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, mas tamb\u00e9m aplicar suas teorias \u00e0 an\u00e1lise do contexto hist\u00f3rico contempor\u00e2neo. A pesquisa sobre o pensamento ecol\u00f3gico de Marx e Engels na China \u00e9 caracterizada sobretudo por seu enfoque filos\u00f3fico e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Os acad\u00eamicos da \u00e1rea econ\u00f4mica buscam desenvolver uma economia ambiental socialista baseada nos textos cl\u00e1ssicos do marxismo e enriquecida com caracter\u00edsticas distintivamente chinesas. Em 1981, por exemplo, Huang Shunji e Liu Jiongzhong se debru\u00e7aram sobre a no\u00e7\u00e3o de desenvolvimento coordenado da humanidade e da natureza, conforme apresentada \u00a0em\u00a0<em>O capital<\/em>.<sup>[2]<\/sup><\/p>\n<p>Em 1983, Xu Dixin observou que Karl Marx j\u00e1 havia introduzido temas como o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e o metabolismo entre a humanidade e a natureza, fornecendo um fundamento te\u00f3rico para a economia ecol\u00f3gica.<sup>[3]<\/sup>\u00a0Os acad\u00eamicos chineses concordam amplamente que as for\u00e7as produtivas, organizadas para a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro no capitalismo, chocam-se inevitavelmente com os imperativos da conserva\u00e7\u00e3o ambiental. Contudo, a vantagem oferecida pelo socialismo no que tange \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental precisa ser explorada por meio da organiza\u00e7\u00e3o social da produ\u00e7\u00e3o e do manejo cient\u00edfico dos recursos naturais.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da filosofia, os acad\u00eamicos chineses se debru\u00e7aram sobre a concep\u00e7\u00e3o marxista da natureza e suas implica\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. Em torno do ano 2000, por exemplo, Huan Qingzhi e Xie Baojun publicaram suas interpreta\u00e7\u00f5es a respeito das ideias de Marx e Engels sobre a natureza, a partir da perspectiva da filosofia ecol\u00f3gica.<sup>[4]<\/sup><\/p>\n<p>Eles buscaram demonstrar que a concep\u00e7\u00e3o marxista da natureza \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, dial\u00e9tica e historicamente materialista, que esmi\u00fa\u00e7a as quest\u00f5es ambientais pelas lentes da hist\u00f3ria humana e da classe social. Essa concep\u00e7\u00e3o incorpora um pensamento \u201cvermelho-verde\u201d, combinando a emancipa\u00e7\u00e3o ambiental e social em prol de um desenvolvimento sustent\u00e1vel com \u00eanfase humanista.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica not\u00e1vel da pesquisa sobre o pensamento ecol\u00f3gico de Marx e Engels na China \u00e9 seu foco na interpreta\u00e7\u00e3o das proposi\u00e7\u00f5es fundamentais e no sistema te\u00f3rico de suas ideias ecol\u00f3gicas. No que diz respeito \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es fundamentais, os acad\u00eamicos chineses se concentram sobretudo na afirma\u00e7\u00e3o de que \u201ca l\u00f3gica do capital \u00e9 a principal causa da crise ecol\u00f3gica.\u201d Com base nessa proposi\u00e7\u00e3o, os argumentos tendem a girar em torno de dois aspectos.<\/p>\n<p>O primeiro deles analisa a oposi\u00e7\u00e3o entre capital e ecologia, discutindo os princ\u00edpios centrais da l\u00f3gica do capital.<sup>[5]<\/sup>\u00a0Uma aproxima\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica envolve categorizar mais profundamente essa l\u00f3gica, fazendo uma distin\u00e7\u00e3o entre \u201cprinc\u00edpio de utiliza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cprinc\u00edpio de valoriza\u00e7\u00e3o\u201d. O \u201cprinc\u00edpio de utiliza\u00e7\u00e3o\u201d afirma que a produ\u00e7\u00e3o baseada no capital busca explorar continuamente a utilidade da natureza, destacando que o capital enxerga a natureza apenas como um instrumento de produ\u00e7\u00e3o e reduz seu valor de uso ao valor de troca por meio de transa\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>Consequentemente, esse processo acelera a mercantiliza\u00e7\u00e3o e a capitaliza\u00e7\u00e3o da natureza, ao passo que o \u201cprinc\u00edpio de valoriza\u00e7\u00e3o\u201d enfatiza a eterna busca do capital pela maximiza\u00e7\u00e3o do lucro. Devido a esse princ\u00edpio, a produ\u00e7\u00e3o capitalista mostra uma tend\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o infinita, o que inevitavelmente entra em conflito com a finitude do ecossistema natural.<\/p>\n<p>O segundo aspecto investiga os riscos ecol\u00f3gicos inerentes \u00e0 l\u00f3gica do capital dentro da esfera da produ\u00e7\u00e3o e do consumo.<sup>[6]<\/sup>\u00a0Em primeiro lugar, a l\u00f3gica do capital \u2013 uma forma de raz\u00e3o econ\u00f4mica que prioriza o lucro \u2013 recebe maior \u00eanfase. Nesse ponto, a acumula\u00e7\u00e3o de capital se d\u00e1 por meio de uma expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, vista como perp\u00e9tua. Essa busca obstinada por lucro desconsidera a ordem metab\u00f3lica natural da Terra, assim como a sustentabilidade ecol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, a natureza do capital, ou seja, sua orienta\u00e7\u00e3o lucrativa, frequentemente leva ao surgimento de agentes que carecem de uma vis\u00e3o de longo prazo acerca da prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a vis\u00e3o utilitarista da riqueza e o modo de vida consumista promovidos pela l\u00f3gica do capital reduzem a natureza \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mera utilidade no processo geral de acumula\u00e7\u00e3o de capital. Na l\u00f3gica do capital, as necessidades s\u00e3o exclusivamente atendidas por meio do consumo de mercadorias, o que exacerba e justifica a destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Por \u00faltimo, o capital promove a globaliza\u00e7\u00e3o do investimento e do com\u00e9rcio, valendo-se de sua hegemonia econ\u00f4mica e pol\u00edtica para explorar recursos e disseminar crises por todo o mundo, agravando a ruptura metab\u00f3lica em escala planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Contudo, os acad\u00eamicos chineses argumentam que uma cr\u00edtica ecol\u00f3gica ao capital n\u00e3o busca simplesmente, e de forma absoluta, neg\u00e1-lo. Pelo contr\u00e1rio, eles defendem uma abordagem mais dial\u00e9tica, a fim de discutir as fun\u00e7\u00f5es do capital e regul\u00e1-lo cientificamente, fazendo com que sua l\u00f3gica sirva aos objetivos da emancipa\u00e7\u00e3o humana e da sustentabilidade ecol\u00f3gica.<sup>[7]<\/sup><\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um sistema te\u00f3rico, os acad\u00eamicos chineses prop\u00f5em basicamente tr\u00eas linhas de pensamento. A primeira delas se concentra na economia ecol\u00f3gica.<sup>[8]<\/sup>\u00a0No centro dessa abordagem est\u00e1 o conceito de \u201cemerg\u00eancia end\u00f3gena do meio ambiente ecol\u00f3gico\u201d, que reconhece a exist\u00eancia do meio ambiente ecol\u00f3gico n\u00e3o apenas como condi\u00e7\u00e3o externa para a sobreviv\u00eancia humana e para o desenvolvimento social, mas tamb\u00e9m como condi\u00e7\u00e3o interna das atividades humanas de produ\u00e7\u00e3o material, constituindo o princ\u00edpio estruturante do desenvolvimento econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>Esta perspectiva promove um entendimento unificado da rela\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica entre a humanidade e a natureza, bem como da rela\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica entre os indiv\u00edduos, propondo, assim, uma lei geral do desenvolvimento econ\u00f4mico e ecol\u00f3gico coordenado e sustent\u00e1vel. Dentro desse quadro, a ecologia marxista engloba v\u00e1rios aspectos, incluindo a teoria do valor ecol\u00f3gico, que enfatiza a unidade entre o fornecimento natural de recursos para as necessidades humanas (valor extr\u00ednseco) e a depend\u00eancia humana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza (valor intr\u00ednseco).<\/p>\n<p>O quadro geral da cr\u00edtica inclui: (i) A teoria da unidade dual<sup>[i]<\/sup>\u00a0entre os elementos ecol\u00f3gicos naturais e os elementos socioecon\u00f4micos. (ii) A teoria do metabolismo, com foco na interconex\u00e3o entre as leis hist\u00f3ricas das rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas naturais e as din\u00e2micas socioecon\u00f4micas. (iii) A teoria da produ\u00e7\u00e3o abrangente, enfatizando a compatibilidade entre a produ\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica e a prote\u00e7\u00e3o ambiental. (iv) A teoria das for\u00e7as produtivas ampliadas, enfatizando a unidade entre as for\u00e7as produtivas econ\u00f4micas e as for\u00e7as produtivas naturais.<\/p>\n<p>(v) A teoria dos ciclos materiais, enfatizando a interconex\u00e3o entre os ciclos socioecon\u00f4micos e os ciclos ecol\u00f3gicos naturais. (vi) A teoria do desenvolvimento sustent\u00e1vel, defendendo a integra\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento socioecon\u00f4mico e um desenvolvimento ambientalmente sustent\u00e1vel. (vii) A teoria de uma civiliza\u00e7\u00e3o abrangente, defendendo o desenvolvimento coordenado das civiliza\u00e7\u00f5es material, pol\u00edtica, \u00e9tico-cultural e ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A segunda linha de pensamento concentra-se na \u201cnega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o\u201d no que tange \u00e0 unidade, \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o e \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o entre a humanidade e a natureza.<sup>[9]<\/sup>\u00a0Esta perspectiva delineia a ecologia marxista em tr\u00eas elementos distintos, a saber: (a) A concep\u00e7\u00e3o de natureza humanizada, enfatizando a unidade entre a humanidade e a natureza. (b) A cr\u00edtica ao capitalismo, com foco na aliena\u00e7\u00e3o entre a humanidade e a natureza. (c) A perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o comunista, destacando a reconcilia\u00e7\u00e3o entre a humanidade e a natureza.<\/p>\n<p>Quanto ao primeiro desses elementos, a vis\u00e3o marxista a respeito da natureza humanizada percebe a natureza como um produto moldado pela pr\u00e1tica humana, concebendo assim a humanidade, a natureza e a sociedade como uma unidade coesa. Contudo, o modo de produ\u00e7\u00e3o social determina a estrutura espec\u00edfica e a trajet\u00f3ria hist\u00f3rica da humaniza\u00e7\u00e3o da natureza. Em rela\u00e7\u00e3o ao segundo elemento, a l\u00f3gica do capital na sociedade moderna transforma a produ\u00e7\u00e3o social em expropria\u00e7\u00e3o do trabalho e dos recursos naturais, levando a uma oposi\u00e7\u00e3o entre a humanidade e a natureza. Por fim, sob a perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o comunista marxista, enfatiza-se a supress\u00e3o do dom\u00ednio do capital sobre a humanidade e a natureza, visando resolver as contradi\u00e7\u00f5es e conflitos entre ambas.<\/p>\n<p>A terceira linha de pensamento tem a\u00a0<em>pr\u00e1xis\u00a0<\/em>como elemento central.<sup>[10]<\/sup>\u00a0Paralelamente \u00e0s atividades pr\u00e1ticas dos seres humanos, forma-se um quadro fundamental que abrange as intera\u00e7\u00f5es entre a humanidade e a natureza, entre a humanidade e a sociedade, e entre os pr\u00f3prios seres humanos, juntamente com uma estrutura que incorpora as for\u00e7as produtivas e as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, a base econ\u00f4mica e a superestrutura.<\/p>\n<p>Assim, a ecologia marxista engloba: (1) Uma concep\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da natureza, que enfatiza o respeito \u00e0s suas leis. (2) Uma concep\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da sociedade, que busca a coexist\u00eancia harmoniosa entre a sociedade e o meio ambiente. (3) Uma abordagem ecol\u00f3gica do desenvolvimento, dedicada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades ecol\u00f3gicas da sociedade e \u00e0 conquista de um desenvolvimento livre e abrangente.<\/p>\n<p>(4) Uma concep\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da economia, que promove o desenvolvimento coordenado e sustent\u00e1vel dos interesses ecol\u00f3gicos e econ\u00f4micos. (5) Uma concep\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da pol\u00edtica, que prioriza a justi\u00e7a ambiental e o papel central do proletariado no processo de transforma\u00e7\u00e3o. (6) Uma perspectiva ecol\u00f3gica da cultura, que busca desenvolver a racionalidade ecol\u00f3gica e regular a racionalidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Como se pode observar, a comunidade acad\u00eamica chinesa desenvolveu uma profunda compreens\u00e3o a respeito do pensamento ecol\u00f3gico de Marx e Engels. Com base nisso, os acad\u00eamicos chineses propuseram uma vis\u00e3o mais abrangente acerca da ecologia, bem como um sistema te\u00f3rico mais robusto sobre a ecologia marxista, tornando-a mais adapt\u00e1vel \u00e0s realidades contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Reflex\u00f5es sobre o ecomarxismo<\/strong><\/p>\n<p>A partir da Reforma e Abertura, a China passou a prestar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0s tend\u00eancias te\u00f3ricas estrangeiras. Nesse sentido, o estudo do ecomarxismo ocidental tornou-se, gradativamente, um aspecto importante da pesquisa sobre a ecologia marxista na China.<sup>[11]<\/sup>\u00a0Desde sua recep\u00e7\u00e3o, os acad\u00eamicos chineses mantiveram uma atitude de reflex\u00e3o cr\u00edtica, reconhecendo que o ecomarxismo tem sua origem predominantemente no Ocidente e est\u00e1 marcado por uma forte e subjetiva perspectiva ocidental. Essa consci\u00eancia os levou a considerar o contexto espec\u00edfico da China ao se aprofundarem nas teorias ecomarxistas.<\/p>\n<p>Em 1991, a publica\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o chinesa do livro\u00a0<em>Western Marxism: An Introduction<\/em>, de Ben Agger, desencadeou um interesse generalizado pelo estudo e pela propaga\u00e7\u00e3o do ecomarxismo na China. As primeiras pesquisas sobre essa corrente te\u00f3rica na China foram baseadas nos trabalhos de Agger e de William Leiss, autor de\u00a0<em>The Domination of Nature<\/em>.<sup>[12]<\/sup>\u00a0Contudo, no final do s\u00e9culo XX, o estudo do ecomarxismo ainda estava em seus est\u00e1gios iniciais. Consistia, sobretudo, em uma revis\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o voltadas para a apresenta\u00e7\u00e3o, compara\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o das perspectivas te\u00f3ricas gerais do ecomarxismo. Nessa fase, a pesquisa n\u00e3o foi abrangente nem aprofundada.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI, especialmente ap\u00f3s 2005, quando os \u201cEstudos sobre o Marxismo no Exterior\u201d foram formalmente institu\u00eddos como subdisciplina da disciplina prim\u00e1ria de Teoria Marxista na China,<sup>[ii]<\/sup>\u00a0a pesquisa chinesa sobre o ecomarxismo entrou em uma nova fase. Esse per\u00edodo foi marcado por uma ampla explora\u00e7\u00e3o do tema, caracterizada por investiga\u00e7\u00f5es espec\u00edficas acerca de seus principais representantes, de sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e de seus conceitos centrais. Um importante marco ocorreu por volta de 2008, quando foram publicados diversos trabalhos acad\u00eamicos sob os t\u00edtulos de \u201cecomarxismo\u201d e \u201cmarxismo ecol\u00f3gico\u201d. Os pesquisadores passaram a abordar o estudo do ecomarxismo a partir de tr\u00eas perspectivas principais.<\/p>\n<p>A primeira perspectiva resume as vis\u00f5es te\u00f3ricas e a trajet\u00f3ria de desenvolvimento do ecomarxismo, com base em sua linha temporal e em seus principais representantes. Por exemplo, o livro\u00a0<em>An Introduction to Ecological Marxism<\/em>\u00a0(2007) compara, em grande parte, as teorias de Agger, James O\u2019Connor, Joel Kovel e John Bellamy Foster, delineando a evolu\u00e7\u00e3o do ecomarxismo como uma trajet\u00f3ria que parte dessa corrente, avan\u00e7a at\u00e9 o ecossocialismo e retorna \u00e0 ecologia marxista.<sup>[13]<\/sup><\/p>\n<p>A segunda perspectiva examina os pontos de vista de alguns expoentes do ecomarxismo atrav\u00e9s da interpreta\u00e7\u00e3o de textos. Por exemplo, o livro\u00a0<em>Ecological Criticism: A Study of Foster\u2019s Ecological Marxism<\/em>\u00a0(2008) analisa o marxismo ecol\u00f3gico de John Bellamy Foster por meio da interpreta\u00e7\u00e3o textual e da observa\u00e7\u00e3o cuidadosa da hist\u00f3ria das ideias.<sup>[14]<\/sup>\u00a0Como disseram Wang Zhihe e outros, John Bellamy Foster \u00e9 um dos te\u00f3ricos ecomarxistas que mais recebe aten\u00e7\u00e3o dos acad\u00eamicos chineses.<sup>[15]<\/sup><\/p>\n<p>Depois de 2010, as publica\u00e7\u00f5es relacionadas a John Bellamy Foster inclu\u00edram:\u00a0<em>Critiques, Structuring and Inspiration: A Study of Foster\u2019s Eco-Marxist Ideas<\/em>\u00a0(2011),\u00a0<em>A Study on Foster\u2019s Ecological Marxist Thoughts<\/em>\u00a0(2013),\u00a0<em>A Study of Foster\u2019s Ecological Marxist Thoughts<\/em>\u00a0(2016),\u00a0<em>The Ecological Criticism of the Logic of Capital: An Evaluation of Foster\u2019s Ecological Critical Thoughts in the Field of Marxism<\/em>\u00a0(2020),\u00a0<em>Research on Foster\u2019s Thought on Justice: Based on the Field of Eco-Marxism<\/em>\u00a0(2020) e\u00a0<em>Research on Foster\u2019s Ecological Marxism<\/em>\u00a0(2023).<sup>[16]<\/sup><\/p>\n<p>Essa aten\u00e7\u00e3o especial pode ser atribu\u00edda a diversos fatores. Por um lado, John Bellamy Foster afirma a ecologia marxista de forma inequ\u00edvoca, apresentando argumentos consistentes e pormenorizados que se alinham estreitamente \u00e0s tend\u00eancias predominantes na academia marxista chinesa. Por outro lado, Foster vem continuamente avan\u00e7ando em sua pr\u00f3pria pesquisa te\u00f3rica, aprofundando sua cr\u00edtica ecol\u00f3gica ao capitalismo em resposta a temas contempor\u00e2neos como o Antropoceno e o decrescimento \u2013 abordagens caracter\u00edsticas do ecomarxismo moderno.<\/p>\n<p>A terceira perspectiva consiste no estudo do quadro de refer\u00eancia te\u00f3rico do marxismo ecol\u00f3gico, por meio do resumo de seus pontos centrais. Por exemplo, o livro\u00a0<em>Ecological Critique and Green Utopia: A Study of Ecological Marxism Theory<\/em>\u00a0(2009) sintetiza cinco de seus aspectos te\u00f3ricos, a saber: (i) As implica\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas do materialismo hist\u00f3rico. (ii) A cr\u00edtica do sistema capitalista. (iii) A cr\u00edtica ao uso capitalista da tecnologia. (iv) A cr\u00edtica aos valores consumistas. (v) As estrat\u00e9gias pol\u00edticas ecol\u00f3gicas.<sup>[17]<\/sup><\/p>\n<p>O livro considera o marxismo ecol\u00f3gico uma cr\u00edtica ao capitalismo, fundamentada no materialismo hist\u00f3rico e centrada no relacionamento entre a humanidade e a natureza. Esses estudos tem\u00e1ticos ampliaram e aprofundaram a compreens\u00e3o do ecomarxismo na China, embora, nessa fase, o ecomarxismo ainda n\u00e3o fosse efetivamente empregado pelos acad\u00eamicos chineses para analisar as quest\u00f5es ambientais espec\u00edficas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 2015, a pesquisa ecomarxista chinesa passou por uma ativa transi\u00e7\u00e3o, evoluindo da mera transfer\u00eancia de conhecimento para o fornecimento de recursos ideol\u00f3gicos destinados \u00e0 an\u00e1lise dos desafios ambientais da China. Essa mudan\u00e7a tornou-se particularmente vis\u00edvel em tr\u00eas \u00e1reas-chave, nas quais os acad\u00eamicos chineses:<\/p>\n<p>1) Aprofundaram-se no ecomarxismo focando os aspectos fundamentais do progresso da China em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, buscando por fontes de inspira\u00e7\u00e3o. Por exemplo, Chen Xueming afirma que a ess\u00eancia te\u00f3rica do ecomarxismo reside no exame das contradi\u00e7\u00f5es entre as pessoas e entre a humanidade e a natureza.<sup>[iii]<\/sup>\u00a0Para Chen, essa teoria enfatiza a import\u00e2ncia da atividade produtiva para a realiza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, ao mesmo tempo em que sublinha a cr\u00edtica ao capitalismo como uma estrat\u00e9gia essencial para enfrentar os problemas ambientais. Consequentemente, o progresso da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica na China \u00e9 compreendido como estando condicionado a uma perspectiva de valores centrada no ser humano, que incorpora uma forma de moderniza\u00e7\u00e3o baseada na coexist\u00eancia harmoniosa entre humanidade e natureza, al\u00e9m de um caminho de desenvolvimento socialista.<sup>[18]<\/sup><\/p>\n<p>2) Aplicaram os princ\u00edpios b\u00e1sicos do ecomarxismo ao contexto das na\u00e7\u00f5es de desenvolvimento tardio, resultando na formula\u00e7\u00e3o de uma teoria da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica enraizada no materialismo hist\u00f3rico. Por exemplo, Wang Yuchen sustenta que a abordagem chinesa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica deve envolver uma an\u00e1lise dial\u00e9tica da inter-rela\u00e7\u00e3o entre o crescimento econ\u00f4mico, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a prote\u00e7\u00e3o ambiental. Essa perspectiva destaca o potencial transformador da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica como alternativa ao capitalismo, defendendo, assim, o desenvolvimento de uma teoria alinhada aos objetivos da moderniza\u00e7\u00e3o socialista.<sup>[19]<\/sup><\/p>\n<p>3) Propuseram a integra\u00e7\u00e3o do progresso da China em mat\u00e9ria de civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ao discurso global da esquerda verde. Por exemplo, Huan Qingzh argumenta que, por tr\u00e1s das medidas pr\u00e1ticas de governan\u00e7a ambiental e do desenvolvimento econ\u00f4mico verde, o avan\u00e7o da China nessa \u00e1rea incorpora uma ideologia pol\u00edtica profunda e uma compreens\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es socioecol\u00f3gicas. O objetivo \u00e9 promover a integra\u00e7\u00e3o e o fortalecimento m\u00fatuo entre as pol\u00edticas socialistas e os valores que conduzem \u00e0 sustentabilidade ecol\u00f3gica, constituindo, assim, uma importante dimens\u00e3o das iniciativas da esquerda verde mundial.<sup>[20]<\/sup><\/p>\n<p>Consequentemente, por meio da pesquisa cont\u00ednua, a comunidade acad\u00eamica chinesa tem se empenhado no desenvolvimento de seu pr\u00f3prio e distintivo ecomarxismo, empregando-o como ferramenta de an\u00e1lise do capitalismo contempor\u00e2neo e das crises ecol\u00f3gicas. Ao mesmo tempo, adota medidas proativas para situar a busca socialista pelo progresso da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da China em um contexto global. Embora essa interpreta\u00e7\u00e3o se incline para perspectivas normativas, ressalta a consci\u00eancia subjetiva em evolu\u00e7\u00e3o dentro da ecologia marxista chinesa, caracterizada pelo desejo de enfrentar os desafios contempor\u00e2neos e de narrar as pr\u00f3prias hist\u00f3rias da China por meio de teorias aut\u00f3ctones e de um vern\u00e1culo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A constru\u00e7\u00e3o da teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista<\/strong><\/p>\n<p>A teoria da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica socialista distingue-se como um produto caracter\u00edstico da ecologia marxista chinesa. Embora recorra com frequ\u00eancia \u00e0s intui\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas de Marx e Engels e aproveite os frutos te\u00f3ricos do ecomarxismo, seu foco principal \u00e9 o progresso da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista da China, bem como a interpreta\u00e7\u00e3o de suas implica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e fundamentos marxistas.<\/p>\n<p>Essa abordagem enfatiza a necessidade e a superioridade dos princ\u00edpios, sistemas e ideologias socialistas no enfrentamento eficaz dos desafios ambientais, ao mesmo tempo em que delineia as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas necess\u00e1rias para a concretiza\u00e7\u00e3o dessas vantagens. Essa empreitada contribui para o desenvolvimento de uma teoria propriamente chinesa de transforma\u00e7\u00e3o socioecol\u00f3gica \u201cvermelho-verde\u201d, referindo-se sobretudo \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o conduzida pelo\u00a0<em>Grupo de Pesquisa sobre a Ecociviliza\u00e7\u00e3o Socialista na China<\/em>, estabelecido conjuntamente pela Universidade de Peking e pelo Escrit\u00f3rio de Pequim da Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo, em 2015.<sup>[21]<\/sup><\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o do conceito de civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica s\u00e3o, em grande parte, atribu\u00eddas \u00e0 inter-rela\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento pol\u00edtico-estrat\u00e9gico da China e a pesquisa acad\u00eamica no pa\u00eds. Do ponto de vista do governo chin\u00eas, a ideia de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d foi oficialmente apresentada durante o XVII Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh), em 2007. Desde ent\u00e3o, a civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica tornou-se gradualmente um componente central da ideologia pol\u00edtica e da estrat\u00e9gia de governan\u00e7a do Partido.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao processo de pesquisa acad\u00eamica, os chineses come\u00e7aram a desenvolver teorias sobre a ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista j\u00e1 na d\u00e9cada de 1980. Por exemplo, em 1986, o agr\u00f4nomo chin\u00eas Ye Qianji prop\u00f4s o conceito de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, no sentido de que \u201cos seres humanos se beneficiam da natureza e retornam benef\u00edcios a ela \u2013 eles a transformam e a protegem, devendo manter um relacionamento harmonioso e unificado\u201d.<sup>[22]<\/sup><\/p>\n<p>Em 1988, o economista chin\u00eas Liu Sihua apresentou o conceito de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica socialista\u201d, declarando que \u201ca civiliza\u00e7\u00e3o moderna do socialismo \u00e9 uma unidade de alto n\u00edvel entre a civiliza\u00e7\u00e3o material socialista, a civiliza\u00e7\u00e3o espiritual e a civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d.<sup>[23]<\/sup>\u00a0No seu entendimento, o desenvolvimento coordenado entre a economia, a sociedade e a ecologia natural \u00e9 (ou deveria ser) a principal diferen\u00e7a entre a moderniza\u00e7\u00e3o socialista e a moderniza\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter inovador desses estudos, realizados por acad\u00eamicos chineses ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, reside no fato de que eles: (i) Propuseram que o conceito de civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica fosse formulado com o objetivo de atender \u00e0s necessidades do desenvolvimento integral das pessoas, enfatizando que a civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica incorpora a plena realiza\u00e7\u00e3o dos valores socialistas e prioriza as pessoas.<\/p>\n<p>(ii) Analisaram a civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no contexto da moderniza\u00e7\u00e3o socialista chinesa, destacando seu papel fundamental para a forma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre a humanidade e a natureza no marco do socialismo. (iii) Consideraram a civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no contexto das intera\u00e7\u00f5es entre a civiliza\u00e7\u00e3o material e a civiliza\u00e7\u00e3o espiritual. Ao mesmo tempo, assinalaram que a era da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica marca o alvorecer da verdadeira civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao entrar no s\u00e9culo XXI, a comunidade acad\u00eamica chinesa passou a explorar mais profundamente os conceitos fundamentais da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica socialista. Uma primeira considera\u00e7\u00e3o diz respeito justamente \u00e0 compreens\u00e3o te\u00f3rica dessa forma de civiliza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 duas interpreta\u00e7\u00f5es predominantes: a primeira delas tra\u00e7a a progress\u00e3o da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o primitiva, civiliza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, civiliza\u00e7\u00e3o industrial e civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, considerando esta \u00faltima como um novo est\u00e1gio na evolu\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria, para al\u00e9m da civiliza\u00e7\u00e3o industrial;<sup>[24]<\/sup>\u00a0a segunda interpreta\u00e7\u00e3o associa a civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e0 sequ\u00eancia \u201cciviliza\u00e7\u00e3o material, civiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, civiliza\u00e7\u00e3o espiritual, civiliza\u00e7\u00e3o social e civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, que juntas constituem a civiliza\u00e7\u00e3o humana como um todo.<sup>[25]<\/sup><\/p>\n<p>Entretanto, essas interpreta\u00e7\u00f5es n\u00e3o integram plenamente o socialismo \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. De acordo com a teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista, tal civiliza\u00e7\u00e3o abrange tanto uma vis\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o socialista quanto um modo de desenvolvimento que integra a sustentabilidade ecol\u00f3gica e os princ\u00edpios da justi\u00e7a social. Essa abordagem visa, em ess\u00eancia, construir uma nova civiliza\u00e7\u00e3o humana por meio da reconstru\u00e7\u00e3o socialista das rela\u00e7\u00f5es sociais, juntamente com uma transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica fundamental dos m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o existentes na humanidade \u2013 sendo a meta final a realiza\u00e7\u00e3o do comunismo, que envolve a emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade e da natureza.<sup>[26]<\/sup><\/p>\n<p>O modificador \u201csocialista\u201d indica um modo espec\u00edfico de pensar e responder aos problemas ambientais, enfatizando tamb\u00e9m a conformidade com a orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica marxista, os caminhos do desenvolvimento socialista e o quadro institucional da propriedade p\u00fablica dos recursos naturais.<sup>[27]<\/sup><\/p>\n<p>Uma segunda considera\u00e7\u00e3o diz respeito ao sistema de valores da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica socialista. A comunidade acad\u00eamica chinesa h\u00e1 muito debate a contraposi\u00e7\u00e3o entre o antropocentrismo e o n\u00e3o antropocentrismo, com a tend\u00eancia predominante passando da cr\u00edtica do antropocentrismo \u00e0 sua reformula\u00e7\u00e3o. A teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista defende explicitamente o humanismo, visando atender \u00e0s necessidades das pessoas em rela\u00e7\u00e3o a um meio ambiente ecol\u00f3gico saud\u00e1vel e a produtos correspondentes de alta qualidade, de maneira mais abrangente e equitativa. Essa abordagem est\u00e1 alinhada com a busca marxista pelo desenvolvimento livre e hol\u00edstico da humanidade.<sup>[28]<\/sup><\/p>\n<p>De acordo com esse sistema de valores, o progresso da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista deve priorizar a justi\u00e7a socioecol\u00f3gica. Isso implica n\u00e3o apenas o acesso igualit\u00e1rio aos direitos ambientais e a distribui\u00e7\u00e3o equitativa das respectivas responsabilidades no plano social, mas tamb\u00e9m o cultivo do respeito e do cuidado com a natureza no plano ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Uma terceira considera\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 estrat\u00e9gia pr\u00e1tica associada \u00e0 ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista. A comunidade acad\u00eamica chinesa chegou a um consenso quanto \u00e0 necessidade de defender o princ\u00edpio da \u201charmonia entre a humanidade e a natureza\u201d, no sentido de promover uma transforma\u00e7\u00e3o abrangente e verde da economia e da sociedade. Isto implica promover a governan\u00e7a ambiental-modernizadora e o fomento da economia verde, juntamente com o avan\u00e7o das reformas socialistas.<\/p>\n<p>Com base nesse princ\u00edpio, uma preocupa\u00e7\u00e3o central entre os acad\u00eamicos chineses \u00e9 como integrar a conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica enquanto elemento intr\u00ednseco e aspecto essencial da moderniza\u00e7\u00e3o socialista.<sup>[29]<\/sup>\u00a0Um questionamento \u00e9 saber se \u2013 e em que medida \u2013 as diversas iniciativas de transforma\u00e7\u00e3o verde podem contribuir para o desenvolvimento e otimiza\u00e7\u00e3o do modelo socialista. Como resposta, a teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista enfatiza que os esfor\u00e7os contempor\u00e2neos de conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o devem ser conduzidos pelo capital privado nem por mecanismos de mercado.<\/p>\n<p>Em vez disso, defende-se a\u00e7\u00f5es sociais coletivas guiadas pelos princ\u00edpios b\u00e1sicos do sistema socialista e da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nesse processo, a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica institucionalizada e cont\u00ednua, bem como o compartilhamento dos recursos naturais, servem como base econ\u00f4mica e s\u00e3o fundamentais para assegurar o car\u00e1ter socialista da conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<sup>[30]<\/sup><\/p>\n<p>Em 2012, o XVIII Congresso Nacional do Partido Comunista da China desenvolveu um discurso pol\u00edtico sobre a civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, resumido como \u201cPensamento de Xi Jinping sobre a Ecociviliza\u00e7\u00e3o\u201d. Para conferir um embasamento te\u00f3rico e cient\u00edfico a esse discurso, a comunidade acad\u00eamica chinesa iniciou uma an\u00e1lise sistem\u00e1tica das teorias socialistas da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, propondo uma s\u00e9rie de novos conceitos.<sup>[31]<\/sup><\/p>\n<p>Os conceitos centrais mais importantes s\u00e3o os de \u201ccomunidade de vida\u201d e de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o da coexist\u00eancia harmoniosa entre a humanidade e a natureza\u201d. Esses dois conceitos constituem, respectivamente, o fundamento filos\u00f3fico e o princ\u00edpio pr\u00e1tico da teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>O conceito de \u201ccomunidade de vida\u201d pode ser articulado ainda em tr\u00eas dimens\u00f5es, a saber: (a) \u201cComunidade de vida nas montanhas, rios, lagos, terras agr\u00edcolas e pastagens\u201d. (b) \u201cComunidade de vida para a humanidade e a natureza\u201d. (c) \u201cComunidade de toda a vida na Terra\u201d.<\/p>\n<p>A primeira dimens\u00e3o diz respeito \u00e0 integridade do ecossistema e \u00e0 estreita intera\u00e7\u00e3o entre seus diversos componentes. Isso significa que as atividades humanas devem ser baseadas na percep\u00e7\u00e3o da natureza como um todo organizado ou como um organismo vivo. A segunda dimens\u00e3o busca desafiar a dicotomia entre humanidade e natureza, predominante no pensamento filos\u00f3fico moderno, bem como enfatizar sua inter-rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica. Isso evidencia a necessidade de os seres humanos se adaptarem \u00e0s leis da natureza e aceitarem as limita\u00e7\u00f5es do ecossistema.<\/p>\n<p>A terceira dimens\u00e3o, a \u201ccomunidade de toda a vida na Terra\u201d, \u00e9 uma outra forma de expressar o conceito de \u201ccomunidade de futuro compartilhado para a humanidade\u201d no campo ambiental. Ela enfatiza que nenhuma na\u00e7\u00e3o ou regi\u00e3o, independentemente de seu poder econ\u00f4mico ou pol\u00edtico, pode determinar unilateralmente o pr\u00f3prio destino \u2013 muito menos o de todo o planeta. Embora realcem aspectos diferentes, o n\u00facleo dessas tr\u00eas dimens\u00f5es conceituais refor\u00e7a o imperativo de que a humanidade deve coexistir harmoniosamente com a natureza.<\/p>\n<p>O conceito de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o da coexist\u00eancia harmoniosa entre a humanidade e a natureza\u201d \u00e9 uma abordagem pr\u00e1tica que visa salvaguardar a comunidade de vida no contexto da moderniza\u00e7\u00e3o \u2013 mais especificamente, alcan\u00e7ar a coexist\u00eancia harmoniosa entre a humanidade e a natureza por meio de uma nova forma de moderniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 essencial diferenciar esse conceito na teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista da no\u00e7\u00e3o de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d surgida na Europa entre meados e o final da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>A moderniza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, predominante nas na\u00e7\u00f5es capitalistas desenvolvidas, busca melhorar gradualmente a qualidade ambiental por meio de aprimoramentos econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos, assim como de ajustes na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica (incluindo a crescente utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos de mercado), geralmente sem desafiar os princ\u00edpios fundamentais do capitalismo. Em contraste, a moderniza\u00e7\u00e3o da coexist\u00eancia harmoniosa entre a humanidade e a natureza, apoiada nos princ\u00edpios b\u00e1sicos do socialismo e conduzida por um partido marxista governante, \u00e9 capaz de resistir \u00e0 submiss\u00e3o imposta pelos interesses capitalistas, al\u00e9m de enfatizar o planejamento estrat\u00e9gico de longo prazo e as pr\u00e1ticas progressistas.<\/p>\n<p>Embora recorra a certas estrat\u00e9gias utilizadas por outros pa\u00edses para realizar a moderniza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, como o com\u00e9rcio de emiss\u00f5es de carbono, a moderniza\u00e7\u00e3o da coexist\u00eancia harmoniosa entre a humanidade e a natureza assegura que todas as medidas adotadas permane\u00e7am alinhadas aos princ\u00edpios socialistas. As abordagens de moderniza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica s\u00e3o, portanto, consideradas nos termos de seus respectivos modelos de desenvolvimento e dos contextos sociais em que operam.<\/p>\n<p>Uma das proposi\u00e7\u00f5es fundamentais \u2013 talvez a mais importante \u2013 est\u00e1 encapsulada na frase \u201c\u00e1guas l\u00edmpidas e montanhas verdejantes s\u00e3o ativos inestim\u00e1veis\u201d. A formula\u00e7\u00e3o completa dessa proposi\u00e7\u00e3o foi feita por Xi Jinping em 2013, quando afirmou: \u201cQueremos n\u00e3o apenas montanhas de ouro, mas tamb\u00e9m montanhas de verde. Se tivermos que escolher entre as duas, preferimos t\u00ea-las antes verdes do que douradas. Em todo o caso, as montanhas verdes s\u00e3o, elas pr\u00f3prias, montanhas de ouro\u201d.<sup>[32]<\/sup><\/p>\n<p>A comunidade acad\u00eamica chinesa realizou uma pesquisa te\u00f3rica a respeito dessa passagem e a considerou uma das formula\u00e7\u00f5es mais representativas da teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista. Como a ideia impl\u00edcita n\u00e3o \u00e9 obscura e pode ser facilmente difundida entre as autoridades governamentais e o p\u00fablico, ela exerce maior efeito pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Na teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista, a proposi\u00e7\u00e3o de que \u201cas \u00e1guas l\u00edmpidas e as montanhas verdejantes s\u00e3o ativos inestim\u00e1veis\u201d abrange tr\u00eas perspectivas essenciais, a saber: (i) A defesa do princ\u00edpio de primazia ecol\u00f3gica na coexist\u00eancia harmoniosa entre a humanidade e a natureza. Esse princ\u00edpio estabelece que as atividades humanas n\u00e3o devem ultrapassar os limites dos recursos naturais e do meio ambiente. Em vez disso, os seres humanos devem conceder ampla margem de tempo e de espa\u00e7o para que a natureza se recupere, visto que qualquer dano causado a ela acaba, em \u00faltima inst\u00e2ncia, voltando-se contra os pr\u00f3prios seres humanos.<\/p>\n<p>(ii) A ado\u00e7\u00e3o de uma abordagem dial\u00e9tica a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento econ\u00f4mico e a prote\u00e7\u00e3o ambiental. Essa perspectiva defende uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel na qual o desenvolvimento econ\u00f4mico e a prote\u00e7\u00e3o ambiental se refor\u00e7am mutuamente, exigindo modelos de desenvolvimento inovadores e sistemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos correspondentes. Isso \u00e9 particularmente crucial para a China contempor\u00e2nea, que se encontra nos est\u00e1gios intermedi\u00e1rios e finais do processo de moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(iii) A busca pela transforma\u00e7\u00e3o racional e cient\u00edfica da riqueza natural em prosperidade econ\u00f4mica e social. Essa perspectiva reconhece que um meio ambiente ecol\u00f3gico saud\u00e1vel \u00e9 um patrim\u00f4nio coletivo da humanidade, devendo ser protegido e aproveitado para a melhoria da qualidade de vida das pessoas sob condi\u00e7\u00f5es adequadas. O fator chave \u00e9 identificar um caminho cient\u00edfico de transforma\u00e7\u00e3o que esteja alinhado tanto com os princ\u00edpios da natureza quanto com os da economia. Portanto, a ess\u00eancia da implementa\u00e7\u00e3o da filosofia expressa pela m\u00e1xima \u201c\u00e1guas l\u00edmpidas e montanhas verdejantes s\u00e3o ativos inestim\u00e1veis\u201d reside na transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do modelo de produ\u00e7\u00e3o e dos estilos de vida, com o objetivo de fomentar um caminho de moderniza\u00e7\u00e3o caracterizado pela primazia ecol\u00f3gica, pelo desenvolvimento verde e pela promo\u00e7\u00e3o do bem-estar das pessoas, impulsionando-nos, assim, na dire\u00e7\u00e3o de um futuro pautado pela ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e0 medida que o governo chin\u00eas continua a desenvolver a conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica em todas as frentes, a discuss\u00e3o te\u00f3rica sobre a pr\u00e1tica e a teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista dentro da comunidade acad\u00eamica chinesa emerge como um componente importante no aprofundamento da pesquisa em ecologia marxista. Isto permite que os princ\u00edpios gerais dessa corrente de pensamento sejam formulados em conformidade com as realidades sociais e hist\u00f3ricas da China, conduzindo ao desenvolvimento de novos discursos te\u00f3ricos, evidenciando assim a posi\u00e7\u00e3o independente da comunidade acad\u00eamica na escolha de seus objetos de pesquisa.<\/p>\n<p>Este aprofundamento tamb\u00e9m significa que os acad\u00eamicos chineses se tornaram mais proativos na utiliza\u00e7\u00e3o de seus discursos e conceitos te\u00f3ricos originais ao enfrentarem seus pr\u00f3prios desafios (e tamb\u00e9m os desafios globais), marcando um passo crucial para que a humanidade una esfor\u00e7os no enfrentamento \u00e0s crises ecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um exame da trajet\u00f3ria de estudos sobre a ecologia marxista na China desde a d\u00e9cada de 1980 revela que ela se tornou uma \u00e1rea de estudo vibrante e prol\u00edfica na academia chinesa contempor\u00e2nea. A pesquisa nesse campo rendeu frutos importantes em tr\u00eas frentes principais, sendo elas: (1) As interpreta\u00e7\u00f5es das perspectivas ecol\u00f3gicas de Marx e Engels. (2)\u00a0As interpreta\u00e7\u00f5es dos fundamentos te\u00f3ricos do ecomarxismo. (3)\u00a0As explora\u00e7\u00f5es da teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar que a explora\u00e7\u00e3o da teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista vem se aprofundando consideravelmente nos \u00faltimos anos, passando da pesquisa sobre a teoria fundamental da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e0 an\u00e1lise te\u00f3rica da conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica na China e \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de quadros discursivos. Ao mesmo tempo, a pesquisa a respeito do marxismo cl\u00e1ssico e do ecomarxismo forneceu fundamentos te\u00f3ricos e referenciais metodol\u00f3gicos para os estudos da teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Tal pesquisa tamb\u00e9m demonstrou que esses tr\u00eas dom\u00ednios n\u00e3o s\u00e3o independentes. Pelo contr\u00e1rio, eles apresentam trajet\u00f3rias inter-relacionadas e progressivas. De fato, a ecologia marxista na China sempre foi uma resposta te\u00f3rica para enfrentar as quest\u00f5es surgidas ao longo do processo de moderniza\u00e7\u00e3o socialista do pa\u00eds e os desafios ambientais a ele associados. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, a pesquisa sobre a ecologia marxista concentrava-se sobretudo na explora\u00e7\u00e3o dos textos marxistas cl\u00e1ssicos e nas fronteiras acad\u00eamicas globais.<\/p>\n<p>No entanto, a evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da trajet\u00f3ria da China em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica trouxe uma mudan\u00e7a nos estudos sobre a ecologia marxista. Esta mudan\u00e7a envolve a transi\u00e7\u00e3o de uma fase, at\u00e9 ent\u00e3o centrada na compreens\u00e3o das filosofias ecol\u00f3gicas de Marx e Engels e na explora\u00e7\u00e3o do ecomarxismo, para uma nova fase dominada pelo paradigma da \u201csiniciza\u00e7\u00e3o do marxismo\u201d.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio contempor\u00e2neo da ecologia marxista na China representa uma importante transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica provocada tanto pelos avan\u00e7os te\u00f3ricos quanto pela aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Ao longo de quatro d\u00e9cadas, os acad\u00eamicos chineses acumularam um vasto acervo de conhecimento intelectual e metodol\u00f3gico voltado ao estudo do marxismo. Por exemplo, a comunidade acad\u00eamica na China tem se empenhado em debater de forma mais aprofundada a rela\u00e7\u00e3o entre o estudo de textos cl\u00e1ssicos na pesquisa marxista e as quest\u00f5es do mundo real.<sup>[33]<\/sup><\/p>\n<p>Eles enfatizam que os conceitos de \u201cretorno ao marxismo\u201d e de \u201cdesenvolvimento do marxismo\u201d devem ser interdependentes e perfeitamente integrados. \u00c9 essencial priorizar a realidade e promover continuamente inova\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas. Essa abordagem busca facilitar a transi\u00e7\u00e3o da ecologia marxista, passando dos conceitos abstratos e da constru\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios universais para uma pesquisa independente focada nas realidades da sociedade chinesa e em sua l\u00f3gica pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os esfor\u00e7os da China em prol da conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica representam uma pr\u00e1tica hist\u00f3rica importante dentro de um quadro socialista, oferecendo oportunidades reais e um espa\u00e7o inovador para o desenvolvimento da ecologia marxista chinesa. Particularmente, isso levanta uma s\u00e9rie de quest\u00f5es te\u00f3ricas a serem investigadas.<sup>[34]<\/sup>\u00a0Por exemplo, quais esfor\u00e7os t\u00eam contribu\u00eddo para o sucesso das iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da China? Qual o papel desempenhado pelo sistema socialista nessas conquistas? Como integrar de forma eficaz o marxismo\/socialismo e os estudos ecol\u00f3gicos?<\/p>\n<p>Isso significa que a ecologia marxista contempor\u00e2nea na China precisa n\u00e3o apenas fundamentar cientificamente as crises ecol\u00f3gicas prevalentes nas sociedades capitalistas e a necess\u00e1ria reconcilia\u00e7\u00e3o entre os seres humanos \u2013 e entre a humanidade e a natureza \u2013 na sociedade comunista almejada, mas esclarecer tamb\u00e9m como o progresso da civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, no est\u00e1gio inicial do socialismo, pode alcan\u00e7ar a transcend\u00eancia hist\u00f3rica do capitalismo e do capitalismo verde, concretizando a \u201ctransforma\u00e7\u00e3o vermelho-verde\u201d nos est\u00e1gios intermedi\u00e1rio e avan\u00e7ado do socialismo.<\/p>\n<p>Atualmente, a pesquisa sobre a ecologia marxista na China ainda n\u00e3o forneceu respostas te\u00f3ricas plenamente convincentes a respeito das quest\u00f5es mencionadas acima, e, nesse processo, h\u00e1 v\u00e1rios desafios e limita\u00e7\u00f5es no que tange \u00e0s perspectivas e metodologias de pesquisa. Entre esses desafios, destacam-se sobretudo as limita\u00e7\u00f5es impostas pelas fronteiras disciplinares.<\/p>\n<p>No quadro disciplinar da teoria marxista estabelecido na China, as teorias ecol\u00f3gicas de Marx e Engels, o marxismo ecol\u00f3gico e a teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista s\u00e3o classificados em subdisciplinas distintas, respectivamente:\u00a0Princ\u00edpios Fundamentais do Marxismo;\u00a0Estudos sobre o Marxismo no Exterior;\u00a0Marxismo no Contexto Chin\u00eas.<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o limita a compreens\u00e3o hol\u00edstica e a investiga\u00e7\u00e3o abrangente da ecologia marxista, dificultando a sinergia entre os textos marxistas cl\u00e1ssicos, as fronteiras acad\u00eamicas globais e os estudos te\u00f3ricos aut\u00f3ctones realizados na China.<\/p>\n<p>O segundo desafio est\u00e1 na excessiva depend\u00eancia dos m\u00e9todos de interpreta\u00e7\u00e3o textual. Devido \u00e0 insuficiente compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o dos conhecimentos e metodologias das humanidades ambientais e das ci\u00eancias sociais em um sentido mais amplo, a atual pesquisa sobre a ecologia marxista na China limita-se, frequentemente, \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o ou mesmo \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o das ideias de Marx e Engels, de acad\u00eamicos ecomarxistas e de documentos governamentais sobre as pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Como resultado, torna-se dif\u00edcil realizar uma an\u00e1lise rigorosa da razoabilidade l\u00f3gica e da viabilidade pr\u00e1tica das teorias e pol\u00edticas existentes, sendo ainda mais desafiador desenvolver percep\u00e7\u00f5es e metodologias cognitivas originais.<\/p>\n<p>O terceiro desafio deriva das mudan\u00e7as ambientais no mundo real. \u00c0 medida que a China lida com o agravamento das condi\u00e7\u00f5es ambientais internacionais, garantir a seguran\u00e7a ideol\u00f3gica e refor\u00e7ar a independ\u00eancia dos sistemas de conhecimento t\u00eam se tornado preocupa\u00e7\u00f5es importantes na pesquisa acad\u00eamica chinesa. Neste contexto, os acad\u00eamicos chineses devem avaliar cuidadosamente como equilibrar a pesquisa te\u00f3rica geral com o valor das reflex\u00f5es cr\u00edticas, e como transformar a interpreta\u00e7\u00e3o de um discurso pol\u00edtico na constru\u00e7\u00e3o de um discurso acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Enfrentar essas complexidades exige coragem e sabedoria dos pesquisadores chineses contempor\u00e2neos da ecologia marxista, que buscam desenvolver ideias e solu\u00e7\u00f5es originais capazes de promover um progresso cont\u00ednuo no desenvolvimento da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p><strong>*Chen Yiwen<\/strong><em>\u00a0\u00e9 professor na Escola de Marxismo da Universidade de Tsinghua, em Pequim.<\/em><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0<strong>Ricardo d\u2019 Ar\u00eade<\/strong>.<\/p>\n<p>Publicado originalmente na<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2024\/10\/01\/marxist-ecology-in-china-from-marxs-ecology-to-socialist-eco-civilization-theory\/\">\u00a0<em>Monthly Review<\/em><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>[1] FOSTER, John Bellamy; BURKETT, Paul. Marx and the Earth: An Anti-Critique. Leiden: Brill, 2016. p. 1\u201311.<br \/>\n[2] HUANG, Shunji; LIU, Jiongzhong. On the View of Nature in Das Kapital. Journal of Hebei University (Philosophy and Social Science), n. 4, 1981. p. 1\u20139.<br \/>\n[3] XU, Dixin. Marx and Ecological Economics: Commemorating the 100th Anniversary of Marx\u2019s Death. Social Science Front, n. 3, 1983. p. 50\u201358.<br \/>\n[4] HUAN, Qingzhi. The Discovery of the Value of the Natural Environment: A Study of the Marx-Engels View of Nature in the Modern Environment. Nanning: Guangxi People\u2019s Press, 1994. XIE, Baojun. The Eco-Philosophical Implications of Marx\u2019s View of Nature. Harbin: Heilongjiang People\u2019s Press, 2002.<br \/>\n[5] CHEN, Xueming. The Ecological Crisis and the Logic of Capital. Leiden: Brill, 2017.<br \/>\n[6] ZHANG, Le. A Study on the Methodology of Resolving Ecological Crisis from the Perspective of Capital Logic Domain. Beijing: China Social Science Press, 2016. p. 55\u201389.<br \/>\n[7] REN, Ping. The Logic of Capital in Ecology and the Logic of Ecology in Capital: A Critique of the Logic of Capital Innovation in the Red-Green Dialogue. Marxism and Reality, n. 138, v. 5, 2015. p. 161\u2013166.<br \/>\n[8] LIU, Sihua. Principles of Ecological Marxist Economics. Beijing: People\u2019s Press, 2014.<br \/>\n[9] TAO, Huosheng. Research on Marx\u2019s Ecological Thought. Beijing: Study Press, 2013. LIU, Xigang. From Eco-Criticism to Eco-Civilization: A Study of the Value Logic of Marxist Ecological Theory. Beijing: People\u2019s Press, 2021.<br \/>\n[10] SUN, Daojin. Studies in Marxist Environmental Philosophy. Beijing: People\u2019s Press, 2008. DONG, Qiang. Studies on the Marxist Ecological Perspective. Beijing: People\u2019s Press, 2015. FANG, Shinan. The Ecological Civilization Thought of Marx and Engels. Beijing: People\u2019s Press, 2017.<br \/>\n[11] WANG, Zhihe; FAN, Meijun; DONG, Hui; SUN, Dezhong. Ecological Marxism in China. Monthly Review, v. 63, n. 9, fevereiro 2012. p. 36\u201344.<br \/>\n[12] AGGER, Ben. Western Marxism: An Introduction. Santa Monica: Goodyear Publishing, 1979. LEISS, William. The Domination of Nature. Boston: Beacon Press, 1974.<br \/>\n[13] LIU, Rensheng. An Introduction to Ecological Marxism. Beijing: Central Compilation and Translation Press, 2007.<br \/>\n[14] GUO, Jianren. Ecological Criticism: A Study of Foster\u2019s Ecological Marxism. Beijing: People\u2019s Press, 2008.<br \/>\n[15] WANG, Zhihe; FAN, Meijun; DONG, Hui; SUN, Dezhong. What Does Ecological Marxism Mean for China?: Questions and Challenges for John Bellamy Foster. Monthly Review, v. 64, n. 9, fevereiro 2013. p. 47\u201353.<br \/>\n[16] KANG, Ruihua; WANG, Ximan; MA, Jidong. Critiques, Structuring and Inspiration: A Study of Foster\u2019s Eco-Marxist Ideas. Beijing: China Social Science Press, 2011. HU, Ying. A Study on Foster\u2019s Ecological Marxist Thoughts. Harbin: Heilongjiang University Press, 2013. JIA, Xuejun. A Study of Foster\u2019s Ecological Marxist Thoughts. Beijing: People\u2019s Press, 2016. LIU, Shun. The Ecological Criticism of the Logic of Capital: An Evaluation of Foster\u2019s Ecological Critical Thoughts in the Field of Marxism. Shanghai: Shanghai People\u2019s Press, 2020. CHEN, Wu. Research on Foster\u2019s Thought on Justice: Based on the Field of Eco-Marxism. Beijing: China Social Science Press, 2020. LIU, Yalan. Research on Foster\u2019s Ecological Marxism. Beijing: Social Science Academic Press, 2023.<br \/>\n[17] WANG, Yuchen. Ecological Critique and Green Utopia: A Study of Ecological Marxism Theory. Beijing: People\u2019s Press, 2009.<br \/>\n[18] CHEN, Xueming. The Ecological Crisis and the Logic of Capital.<br \/>\n[19] WANG, Yuchen. Ecological Marxism and Ecological Civilization Studies. Beijing: People\u2019s Press, 2015.<br \/>\nWANG, Yuchen. Ecological Marxism and the Theoretical Study of Ecological Civilization in Latecomer Nations. Beijing: People\u2019s Press, 2017.<br \/>\n[20] HUAN, Qingzhi. Socialist Eco-Civilization as a Transformative Politics. Capitalism Nature Socialism, v. 32, n. 3, 2021. p. 65\u201383.<br \/>\n[21] HUAN, Qingzhi; WANG, Congcong. Socialist Ecological Civilization: Theory and Practice. Devon: China Forestry Publishing House, 2022. HUAN, Qingzhi. Socialist Eco-Civilization and Social-Ecological Transformation. Capitalism Nature Socialism, v. 27, n. 2, 2016. p. 51\u201366.<br \/>\n[22] YE, Qianji. Ye Qianji Anthology. Beijing: Social Science Academic Press, 2014. p. 81.<br \/>\n[23] LIU, Sihua. Selected Works. Nanning: Guangxi People\u2019s Press. p. 225.<br \/>\n[24] LU, Feng. Agricultural Civilization, Industrial Civilization and Ecological Civilization: An Essay on the Core Ideas of Ecological Philosophy. Theoretical Investigation, n. 223, v. 6, 2021. p. 94\u2013101.<br \/>\n[25] ZHANG, Yunfei. On the Historical Position of Ecological Civilization. Capitalism Nature Socialism, v. 30, n. 1, 2019. p. 11\u201325.<br \/>\n[26] PAN, Yue. On Socialist Eco-Civilization. Green Leaf, n. 10, 2006. p. 10\u201318. CHEN, Xueming. Ecological Civilization Theory. Chongqing: Chongqing Publishing Group, 2008. JI, Zhiqiang. Socialist Eco-Civilization: How It Is Possible. Beijing: Central Party Literature Press, 2015.<br \/>\n[27] ZHANG, Jian. Ecological Civilization and Socialism. Beijing: Minzu University of China Press, 2010. p. 199\u2013209. CAI, Huajie. The Socialist Meaning of Socialist Eco-Civilization. Teaching and Research, n. 423, v. 1, 2014. p. 95\u2013101.<br \/>\n[28] ZHANG, Yunfei. People-Oriented Value Orientation of Socialist Eco-Civilization. Marxism and Reality, n. 166, v. 3, 2020. p. 68\u201375.<br \/>\n[29] ZHOU, Yang. Study on the Ecological Civilization Progress under the Five-Sphere Integrated Plan. Beijing: China Book Press, 2019.<br \/>\n[30] ZHANG, Yunfei. The Scientific Paradigm of the Socialist View of Ecological Civilization. Studies on Marxism, n. 244, v. 10, 2020. p. 45\u201353. HUAN, Qingzhi. On Socialist Ecological Civilization Economy. Journal of Peking University (Philosophy and Social Sciences), n. 325, v. 3, 2021. p. 5\u201314. LI, Qiang. The Connotation and Path Construction of Natural Capitalization in the Construction of Socialist Ecological Civilization. Journal of Poyang Lake, n. 89, v. 2, 2024. p. 35\u201346.<br \/>\n[31] ZHANG, Yunfei. A Primer on the Discourse System of Xi Jinping\u2019s Thought on Eco-Civilization. Probe, n. 208, v. 4, 2019. p. 22\u201331.HUAN, Qingzhi. The Systematic Sample, Core Concepts and Basic Propositions of Xi Jinping\u2019s Thought on Ecological Civilization. Academic Monthly, n. 628, v. 9, 2021. p. 5\u201316.<br \/>\n[32] XI JINPING citado em CHINA MEDIA PROJECT. Green Waters and Green Mountains. Abril 16, 2021.<br \/>\n[33] WANG, Dong. The Relationship Between Thesis-Based Research and Theoretical Innovation. Academic Monthly, n. 1, 2003. p. 8\u201311. WU, Xiaoming. On the Independent-Assertion of Chinese Academics. Shanghai: Fudan University Press, 2016.<br \/>\n[34] WANG, Zhihe; HE, Huili; FAN, Meijun. The Ecological Civilization Debate in China. Monthly Review, v. 66, n. 6, novembro 2014. p. 37\u201359.<\/p>\n<p><strong>Notas do tradutor<\/strong><\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p>[i] \u00c9 importante observar que a perspectiva ecomarxista enfatiza a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre a sociedade e a natureza, ao passo que a express\u00e3o utilizada no texto em ingl\u00eas \u2014 \u201cunidade dual\u201d (<em>dual unity<\/em>) \u2014\u00a0<em>\u00a0<\/em>pode sugerir uma separa\u00e7\u00e3o dualista\/bin\u00e1ria imprecisa em abordagens marxistas.<\/p>\n<p>[ii] No texto em ingl\u00eas, h\u00e1 uma incorre\u00e7\u00e3o referente \u00e0 estrutura da disciplina em quest\u00e3o \u2014 onde se l\u00ea \u201c<em>Studies on Marxism Abroad as a specialized major within the secondary discipline of Marxist Theory in China<\/em>\u201d. Segundo o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o chin\u00eas\/MOE, em 2005 a disciplina prim\u00e1ria consta como Teoria Marxista; a subdisciplina consta como Estudos sobre o Marxismo no Exterior; e, como \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o desta subdisciplina, consta o Ecomarxismo, inclu\u00eddo como linha de pesquisa priorit\u00e1ria em 2015. Optou-se por fazer esta corre\u00e7\u00e3o, seguindo a estrutura apresentada pelo MOE, cf.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.moe.gov.cn\/srcsite\/A22\/moe_833\/200512\/t20051223_88437.html\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.moe.gov.cn\/srcsite\/A22\/moe_833\/200512\/t20051223_88437.html<\/a>\u00a0(para fins localiza\u00e7\u00e3o no site: Teoria Marxista (\u9a6c\u514b\u601d\u4e3b\u4e49\u7406\u8bba, c\u00f3digo 0305); Estudos\/Pesquisa sobre o Marxismo no Exterior (\u56fd\u5916\u9a6c\u514b\u601d\u4e3b\u4e49\u7814\u7a76, c\u00f3digo 030504). [iii] O texto em ingl\u00eas \u2014 onde se l\u00ea \u201c<em>essence of eco-Marxism lies\u00a0<\/em>[in]<em>\u00a0observing the contradictions among people\u00a0<\/em>[and through]<em>\u00a0observing contradictions between humanity and nature<\/em>\u201d \u2014 apresenta uma ambiguidade estrutural entre\u00a0<em>in<\/em>\u00a0e\u00a0<em>and through<\/em>, destacadas entre colchetes, podendo ser resultado de uma express\u00e3o truncada que significaria \u201creside\u00a0<em>em\u00a0<\/em>observar as contradi\u00e7\u00f5es entre as pessoas\u00a0<em>e, por meio<\/em> [delas], observar as contradi\u00e7\u00f5es entre a humanidade e a natureza\u201d, o que representaria um sentido e, por meio [delas]\u201d.<\/p>\n<div id=\"__reading__mode__content_end_mark_container_id\">Fonte da mat\u00e9ria: Ecologia marxista na China &#8211; &#8211; https:\/\/aterraeredonda.com.br\/ecologia-marxista-na-china\/<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CHEN YIWEN* &#8211; Da ecologia de Karl Marx \u00e0 teoria da ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista Diante dos prementes desafios ambientais em escala planet\u00e1ria, a ecologia marxista emerge como um pilar fundamental das an\u00e1lises de esquerda em todo o mundo, representando um exame cr\u00edtico da crise ambiental moderna. 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