{"id":2453,"date":"2016-12-08T15:15:21","date_gmt":"2016-12-08T17:15:21","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=2453"},"modified":"2016-12-05T18:18:12","modified_gmt":"2016-12-05T20:18:12","slug":"3-mitos-sobre-o-desemprego-no-brasil-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/12\/08\/3-mitos-sobre-o-desemprego-no-brasil-atual\/","title":{"rendered":"3 mitos sobre o desemprego no Brasil atual"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sammer Siman<\/strong>\u00a0<strong>e Vitor Hugo Tonin &#8211;\u00a0<\/strong>Em todos os espectros pol\u00edticos e sociais do Brasil existe um consenso: o aumento do desemprego \u00e9 a principal manifesta\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica e est\u00e1 no pano de fundo da insatisfa\u00e7\u00e3o social que alimenta a crise pol\u00edtica, mesmo que tal crise seja composta por uma teia complexa de fatores.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o estejamos no menor patamar de empregabilidade da hist\u00f3ria do Brasil, \u00e9 recorde a velocidade da queda do n\u00edvel de emprego atual (se consideramos o per\u00edodo entre o final de 2014 e o in\u00edcio de 2016), num cen\u00e1rio em que os postos de trabalhos suprimidos s\u00e3o de quem estava empregado h\u00e1 mais de 10 anos, de quem possui um grau de escolaridade mais elevado, bem como est\u00e1 sendo suprimido postos de trabalhos fundamentalmente de \u201cchefes de fam\u00edlia\u201d, o que desencadeia um efeito negativo multiplicador ainda maior na economia, ampliando seu quadro recessivo, de informalidade e precariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Surge, neste cen\u00e1rio, narrativas simplificadoras por parte da grande m\u00eddia que supostamente justifica o quadro do desemprego atribuindo o problema: <strong>1)<\/strong> ao trabalhador e sua baixa qualifica\u00e7\u00e3o; <strong>2)<\/strong> ao \u201cexcesso\u201d de prote\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas; <strong>3)<\/strong> e a necessidade de se retomar o crescimento econ\u00f4mico, sem qualificar de qual crescimento se trata e se de fato as solu\u00e7\u00f5es apresentadas (como o ajuste fiscal) s\u00e3o verdadeiros rem\u00e9dios para o problema do desemprego. S\u00e3o os 3 mitos que pretendemos desvendar.<\/p>\n<p>O presente texto apresenta um quadro atual do cen\u00e1rio de desemprego no Brasil, bem como se prop\u00f5e a desvendar mitos que falam de supostas sa\u00eddas para o quadro de uma crise que est\u00e1 sendo paga pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras. Sugerimos tamb\u00e9m medidas pass\u00edveis de superar o grave quadro de desemprego atual.<\/p>\n<p>Brasil: uma breve caracteriza\u00e7\u00e3o estrutural e hist\u00f3rica recente<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds capitalista dependente, sendo que sua inser\u00e7\u00e3o \u00e9 subordinada no regime de acumula\u00e7\u00e3o mundial que se organiza a partir de algumas pot\u00eancias econ\u00f4micas que possuem lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica, financeira, militar, ideol\u00f3gica, etc, com uma not\u00e1vel lideran\u00e7a ainda dos EUA.<\/p>\n<p>Para compreender o mercado de trabalho no Brasil \u00e9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m dos arranjos te\u00f3ricos que pensam a economia dentro de esquemas microecon\u00f4micos que resumem a quest\u00e3o do trabalho a partir da decis\u00e3o de investimento do empres\u00e1rio e a consequente cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalhos. A prop\u00f3sito, uma das caracter\u00edsticas de um pa\u00eds dependente \u00e9 que sua economia sequer completa o c\u00edrculo produ\u00e7\u00e3o-circula\u00e7\u00e3o-consumo-, pois, diferente dos pa\u00edses desenvolvidos, a din\u00e2mica de consumo do trabalhador determina em menor grau o dinamismo da economia. Trata-se, portanto, de uma economia com car\u00e1ter ex\u00f3geno, voltada para fora e pautada pelas determina\u00e7\u00f5es do mercado mundial.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da economia chinesa e sua alta demanda por <em>commodities<\/em> explica, em grande medida, o arranjo pol\u00edtico e econ\u00f4mico que marcou o Brasil \u2013 em especial de 2003 a 2011 \u2013 por meio de um governo que promoveu e elevou o acesso ao consumo para amplas massas trabalhadoras, aumentou a presen\u00e7a do Estado no que tange as Pol\u00edticas Sociais e, de outro lado, promoveu ganhos elevados para a burguesia do pa\u00eds, formando <em>players<\/em> mundiais que ganharam mercados para al\u00e9m do continente latino-americano, tudo isso a partir de uma melhor inser\u00e7\u00e3o da economia brasileira no mercado mundial neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em termos de mercado de trabalho, alguns fatores incidiram mais diretamente para sua eleva\u00e7\u00e3o: Um deles passou pela estrat\u00e9gia de valoriza\u00e7\u00e3o real do sal\u00e1rio (que cresceu 72% entre os anos de 2003 e 2013), combinada com a eleva\u00e7\u00e3o do acesso ao cr\u00e9dito e a programas de transfer\u00eancia de renda, como o Bolsa Fam\u00edlia. Houve tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia de formaliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores a partir da amplia\u00e7\u00e3o das formas jur\u00eddicas (a exemplo do MEI \u2013 Microempreendedor individual) que assimilou parcela importante dos trabalhadores aut\u00f4nomos<strong>. <\/strong>Tudo isso teve papel importante na eleva\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e as contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias que ajudaram a elevar a forma\u00e7\u00e3o do \u201cfundo p\u00fablico\u201d que financiou os investimentos.<\/p>\n<p>O desemprego aberto que atingia 12,4% da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA) no ano de 2003 foi reduzido a 4,8% no ano de 2014 (PME\/IBGE). Neste per\u00edodo, foram criados 21,2 milh\u00f5es de novos postos de trabalho, o que revela certamente o dado mais expressivo deste per\u00edodo em termos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Tal per\u00edodo tamb\u00e9m foi marcado pela crise capitalista mundial de 2008 que teve como resposta do governo brasileiro a ado\u00e7\u00e3o das chamadas medidas antic\u00edclicas que garantiram a din\u00e2mica econ\u00f4mica a partir da inje\u00e7\u00e3o de recursos em setores como o da constru\u00e7\u00e3o civil que, por sua vez, trata-se do setor que mais emprega no pa\u00eds ainda hoje.<\/p>\n<p>O primeiro governo Dilma (2011) preservou a \u201cess\u00eancia\u201d da pol\u00edtica econ\u00f4mica, se comparada ao segundo governo Lula. Ainda que com varia\u00e7\u00f5es, como na tentativa de se estabelecer uma pol\u00edtica heterodoxa de juros reduzidos (a taxa Selic chegou a 7,25% em dezembro de 2012), que fora duramente combatida pelo cons\u00f3rcio financeiro-midi\u00e1tico. Outra marca tamb\u00e9m foram as desonera\u00e7\u00f5es fiscais que serviram para ampliar o lucro dos empres\u00e1rios, sem provocar o efeito pretendido de eleva\u00e7\u00e3o dos investimentos.<\/p>\n<p>No entanto, hoje fica mais evidente que aquele momento foi marcado tamb\u00e9m por uma redu\u00e7\u00e3o do crescimento de pa\u00edses como China e \u00cdndia, que haviam induzido o crescimento brasileiro por meio da compra de <em>commodities<\/em>, tornando-se a principal determina\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o do crescimento, diminuindo a capacidade or\u00e7ament\u00e1ria do governo de promover o gasto p\u00fablico sem ter que mexer nos interesses de classes que at\u00e9 ent\u00e3o vinham acomodados dentro do pacto pol\u00edtico vigente. Ainda no final de 2014 revelou-se um quadro negativo das contas p\u00fablicas (32,5 bilh\u00f5es, que corresponde 0,6% do PIB) que for\u00e7ou o governo a reacomodar os interesses a partir da reelei\u00e7\u00e3o de Dilma em seu segundo mandato e resultou, inclusive, nas ditas \u201cpedaladas fiscais\u201d que supostamente justificaram o afastamento atual da presidente Dilma mediante o processo de <em>impeachment<\/em> ainda em curso.<\/p>\n<p>Desemprego: panorama atual no Brasil<\/p>\n<p>O Brasil conta hoje com uma Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA) de aproximadamente 102 milh\u00f5es pessoas. Dessas, pelo menos 11 milh\u00f5es est\u00e3o desempregadas conforme a metodologia da PNAD, ou seja, pelo menos 11 milh\u00f5es de pessoas procuraram emprego ativamente nos \u00faltimos 30 dias, considerando as principais regi\u00f5es metropolitanas do Brasil. Em termos percentuais, trata-se de 10,9% de desemprego da PEA.<\/p>\n<p>O crescimento do desemprego em menos de 2 anos \u00e9 brutal. Em 2014 (\u00faltimo trimestre), a taxa de desemprego estava em 6,4%, o que significa que em termos absolutos foram aproximadamente 4,6 milh\u00f5es de desempregados adicionais tendo como marco o primeiro trimestre de 2016, um quadro que possui varia\u00e7\u00f5es regionais \u2013 a menor taxa verificada \u00e9 no sul no Brasil e as maiores no Nordeste e no Sudeste. Dentro deste quadro, aproximadamente 2,2 milh\u00f5es de postos de trabalhos foram destru\u00eddos e 2,4 milh\u00f5es de pessoas chegaram ao mundo do trabalho sem encontrar emprego, com destaque para juventude acima de 14 anos de idade. \u00c9, portanto, um desemprego de destrui\u00e7\u00e3o de antigos postos de trabalho e de n\u00e3o cria\u00e7\u00e3o de nova demanda por trabalho.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria foi o setor que mais retraiu, perdendo cerca de 1,7 milh\u00e3o de postos de trabalho, os servi\u00e7os declinaram em 509 mil, a constru\u00e7\u00e3o civil 380 mil e na agricultura houve estabilidade. Um crescimento se verificou nos trabalhadores de servi\u00e7os dom\u00e9sticos, tendo aumentado 293 mil postos.<\/p>\n<p>Verificou-se tamb\u00e9m uma queda no rendimento m\u00e9dio do trabalhador entre o quarto trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2016, representando uma queda de 2,4%, reduzindo de R$ 2.014 para R$ 1.966. Trata-se de um efeito esperado no quadro de aumento do desemprego, justamente porque a massa demitida aumenta o \u201cex\u00e9rcito de reserva\u201d e pressiona para baixo o pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho, promovendo constantes situa\u00e7\u00f5es de demiss\u00f5es e recontrata\u00e7\u00f5es por um sal\u00e1rio bem abaixo do at\u00e9 ent\u00e3o praticado pelas empresas.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es do desemprego decorre da pr\u00f3pria op\u00e7\u00e3o pelo ajuste econ\u00f4mico feito pelo governo. Em 2015 Dilma implementou um corte de 70 bilh\u00f5es de reais mediante o discurso de que essa seria uma medida indispens\u00e1vel para criar condi\u00e7\u00f5es para retomada do crescimento.<\/p>\n<p>Ou seja, como cessou o crescimento econ\u00f4mico e a arrecada\u00e7\u00e3o do Estado foi reduzida o governo teve que optar entre cortar as contas para o lado do trabalhador \u2013 medidas como a altera\u00e7\u00e3o nas regras do seguro desemprego desprotegeu pelo menos 1 milh\u00e3o de trabalhadores entre 2015 e 2016 \u2013 ou enfrentar interesses como os do rentismo, que viu intacta a sua parcela do or\u00e7amento (45,11% no ano de 2014) para manuten\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os da d\u00edvida com juros e amortiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com isso, o governo retraiu o gasto p\u00fablico (como na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o) implicando na redu\u00e7\u00e3o dos empregos em termos diretos (quando, por exemplo, se contrata menos ou mesmo cessa a contrata\u00e7\u00e3o de servidores p\u00fablicos) e tamb\u00e9m em termos indiretos, como na redu\u00e7\u00e3o das Pol\u00edticas P\u00fablicas que servem para atrasar o ingresso dos jovens no mercado de trabalho (a exemplo dos cortes no FIES e no PRONATEC).<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m uma altera\u00e7\u00e3o no perfil do desemprego se, por exemplo, comparamos com a crise da d\u00e9cada de 90 em que postos de trabalhos mais fr\u00e1geis foram eliminados: trata-se, atualmente, da destrui\u00e7\u00e3o de postos de empregos mais longos (s\u00e3o empregados de pelo menos 10 anos de ocupa\u00e7\u00e3o) e de escolaridade mais elevada sendo, portanto, o centro da for\u00e7a de trabalho brasileira. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist\u00e9rio do Trabalho, o total de desempregados com n\u00edvel superior elevou de 6,7%, no quarto trimestre de 2013, para 8,1%, considerando o quarto trimestre de 2015. Outro levantamento, feito pelo Dieese e pela Funda\u00e7\u00e3o Seade, mostra que os desempregados com experi\u00eancia anterior representam mais de 80% do total.<\/p>\n<p>3 mitos do desemprego atual no Brasil<\/p>\n<p>Para compreender o quadro atual do desemprego, suas determina\u00e7\u00f5es e possibilidades de supera\u00e7\u00e3o faz-se necess\u00e1rio avan\u00e7ar sobre algumas mistifica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o criadas pela ideologia burguesa e largamente propagandeada pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol>\n<li>O primeiro mito passa pela no\u00e7\u00e3o de que a culpa do desemprego \u00e9 do trabalhador e de sua baixa qualifica\u00e7\u00e3o. Vimos, na verdade, que a queda no mercado de trabalho \u00e9 decorrente de grandes vari\u00e1veis como as decis\u00f5es da pol\u00edtica econ\u00f4mica (como o ajuste fiscal) e a desacelera\u00e7\u00e3o da economia em n\u00edvel mundial. Outro aspecto \u00e9 que percebe-se o fim de postos de trabalhos relacionados a trabalhadores com maior tempo de forma\u00e7\u00e3o educacional, o que joga por terra o mito da \u201cbaixa qualifica\u00e7\u00e3o\u201d, considerando que n\u00e3o h\u00e1 demanda, via de regra, por trabalhadores com maior grau de escolariza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>O segundo mito defende que existe uma excessiva carga de prote\u00e7\u00e3o trabalhista e que esse seria um impedimento para cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho, sendo, portanto, necess\u00e1rio fazer as \u201creformas que o Brasil precisa\u201d. Trata-se essa de uma an\u00e1lise parcial que s\u00f3 aponta um tipo de \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d que visa precarizar e fragilizar ainda mais as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, sem nenhum tipo de comprova\u00e7\u00e3o relativa aos custos do trabalho no Brasil. Um levantamento, ainda de 2008 feito pelo DIEESE, demonstrou que o custo da for\u00e7a de trabalho no Brasil \u00e9 pelo menos 4 vezes menor que nos EUA e 6 vezes que na Alemanha. Outro dado tamb\u00e9m que n\u00e3o se apresenta \u00e9 a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de empregos a partir de reformas como a da previd\u00eancia, pois em outros momentos da hist\u00f3ria em que a previd\u00eancia fora reformada n\u00e3o se verificou uma correla\u00e7\u00e3o direta com a expans\u00e3o do emprego e nada assegura que a redu\u00e7\u00e3o dos custos do empresariado reverte em investimento e n\u00e3o se transforma em lucro. Exemplo disso foram as desonera\u00e7\u00f5es fiscais dos \u00faltimos anos, concedidas pelo governo federal e revertida em lucro, sem significar expans\u00e3o do investimento produtivo. Outro aspecto que n\u00e3o se revela \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de um sistema da d\u00edvida que repasse quase metade do or\u00e7amento nacional para rentistas, dinheiro esse que poderia (pelo menos em parte, a partir de uma auditoria da d\u00edvida que seguramente revelaria que parte expressiva da d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 ilegal ou j\u00e1 foi paga) induzir o investimento p\u00fablico, promovendo uma din\u00e2mica positiva na economia e capaz de elevar postos de trabalho.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>J\u00e1 o terceiro mito passa pela ideia crua de que \u00e9 preciso \u201cretomar o crescimento econ\u00f4mico\u201d. No entanto, tal crescimento pode existir e n\u00e3o garantir, por si s\u00f3, a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho. A prop\u00f3sito, o PIB possui cinco partes constitutivas: Consumo das fam\u00edlias, gasto do governo, investimento, exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es. No ano de 2015 todos os fatores reduziram e apenas as exporta\u00e7\u00f5es cresceram, o que resulta na alta regress\u00e3o econ\u00f4mica vivida atualmente, resultando numa queda de 3,8% do PIB, se retiramos a infla\u00e7\u00e3o. Ou seja, pode se elevar as exporta\u00e7\u00f5es e haver uma queda da atividade econ\u00f4mica, se os outros fatores n\u00e3o avan\u00e7am. Ou mesmo pode haver crescimento do PIB com eleva\u00e7\u00e3o de fatores como o gasto do governo, o consumo das fam\u00edlias e a redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e, criar-se, a partir da\u00ed, postos de trabalhos, mesmo que o PIB n\u00e3o cres\u00e7a. Essa nos parece uma regra de ouro do movimento sindical e popular, colocar no centro da disputa pol\u00edtica o questionamento do tipo de crescimento que se pretende, pois crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o necessariamente significa cria\u00e7\u00e3o de empregos e muito menos empregos de qualidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por uma sa\u00edda para a crise em favor dos trabalhadores<\/p>\n<p>As classes dominantes apresentam falsas sa\u00eddas para crise: retirada de diretos trabalhistas e sociais, ajuste fiscal, crescimento econ\u00f4mico ao custo de aprofundamento do padr\u00e3o prim\u00e1rio exportador, tratados de livre com\u00e9rcio, dentre outros fatores.<\/p>\n<p>Aos trabalhadores e \u00e0s trabalhadoras, fica a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe outro tipo de sa\u00edda a n\u00e3o ser aquelas que pregam os capitalistas. De fato, por dentro da ordem subordinada e considerando a manuten\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter ex\u00f3geno da economia o que se espera \u00e9 apenas o aumento da depend\u00eancia, flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, mais superexplora\u00e7\u00e3o etc.<\/p>\n<p>Existem sa\u00eddas para o quadro de desemprego que poderiam se dar de maneira mais simples, com mais vontade pol\u00edtica do governo, a partir de <a href=\"http:\/\/www.dieese.org.br\/anuariodosistemapublicodeempregotrabalhoerenda\/anuarioSistPub.html\">a\u00e7\u00f5es<\/a> j\u00e1 delineadas pelo DIEESE (e em alguma medida praticada pelo governo), a exemplo de: melhoria na intermedia\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra; qualifica\u00e7\u00e3o profissional, seguro-desemprego, economia solid\u00e1ria e microcr\u00e9dito, pol\u00edticas p\u00fablicas para a juventude etc.<\/p>\n<p>Outra sa\u00edda, mais ampla e contundente, passa pela constitui\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico e social que reoriente os interesses da economia brasileira. Ao inv\u00e9s de voltar-se para fora, ela deve orientar-se para as demandas das classes trabalhadoras, as maiorias sociais que vivem do trabalho, trata-se, portanto, do fortalecimento do mercado interno.<\/p>\n<p>Neste tocante, um programa orientado para a reconstitui\u00e7\u00e3o do trabalho deve aumentar a capacidade de investimento do Estado, a partir da realiza\u00e7\u00e3o de uma auditoria da d\u00edvida p\u00fablica, da taxa\u00e7\u00e3o das grandes fortunas e da institui\u00e7\u00e3o de um sistema tribut\u00e1rio progressivo, que desonere, em especial, o consumo b\u00e1sico. \u00c9 poss\u00edvel a constitui\u00e7\u00e3o de programas de emprego garantido que enfrente grandes problemas de cunho nacional, a exemplo da contrata\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho para combater a Zika V\u00edrus, que segue ampliando e adoecendo parte expressiva da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fortalecimento da Petrobr\u00e1s e a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos \u00e9 tamb\u00e9m parte constitutiva, pois tal empresa \u00e9 estrat\u00e9gica para a soberania em termos energ\u00e9ticos e em termos de capacidade de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e de aquecimento do mercado interno, dada sua alta capacidade de empreendimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Em suma, trata-se do resgate e da atualiza\u00e7\u00e3o de um amplo programa de reformas populares que reponha o grau de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e confronte a hegemonia burguesa que segue organizando toda economia para o benef\u00edcio de uma minoria abastada.<\/p>\n<p>http:\/\/www.intersindicalcentral.com.br\/3-mitos-sobre-o-desemprego-no-brasil-atual\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sammer Siman\u00a0e Vitor Hugo Tonin &#8211;\u00a0Em todos os espectros pol\u00edticos e sociais do Brasil existe um consenso: o aumento do desemprego \u00e9 a principal manifesta\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica e est\u00e1 no pano de fundo da insatisfa\u00e7\u00e3o social que alimenta a crise pol\u00edtica, mesmo que tal crise seja composta por uma teia complexa de fatores. 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