{"id":24213,"date":"2024-09-12T12:28:39","date_gmt":"2024-09-12T15:28:39","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24213"},"modified":"2024-09-09T20:31:10","modified_gmt":"2024-09-09T23:31:10","slug":"como-os-sovieticos-quase-inventaram-a-internet-e-porque-nao-deu-certo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/09\/12\/como-os-sovieticos-quase-inventaram-a-internet-e-porque-nao-deu-certo\/","title":{"rendered":"Como os sovi\u00e9ticos quase inventaram a Internet e porque n\u00e3o deu certo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Benjamin Petersis<\/strong> &#8211; Os cientistas sovi\u00e9ticos tentaram por d\u00e9cadas criar uma rede conectando toda sua na\u00e7\u00e3o. A mesma coisa que os colocou num impasse est\u00e1 agora fraturando a internet global.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de 1 de outubro de 1970, o cientista da computa\u00e7\u00e3o Viktor Glushkov entrou no Kremlin para se encontrar com o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Politburo#:~:text=Um%20politburo%20ou%20Bureau%20pol%C3%ADtico%20%C3%A9%20o%20comit%C3%AA%20executivo%20dos%20partidos%20comunistas.\" rel=\"noopener\">Politburo<\/a>. Era um homem alerta, com olhos penetrantes rodeados por \u00f3culos pretos, com o tipo de mente que, diante de um problema, deduziria um m\u00e9todo para resolver todos os problemas semelhantes. E, naquele momento, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tinha um s\u00e9rio problema. Um ano antes, os Estados Unidos tinham lan\u00e7ado a ARPANET, a primeira rede inform\u00e1tica distribu\u00edda para comuta\u00e7\u00e3o de pacotes que, a seu tempo, daria origem \u00e0 Internet tal como a conhecemos. A rede distribu\u00edda foi originalmente concebida para colocar os EUA \u00e0 frente dos sovi\u00e9ticos, permitindo que os computadores dos cientistas e dos l\u00edderes governamentais se comunicassem mesmo na eventualidade de um ataque nuclear. Era o auge da corrida tecnol\u00f3gica e os sovi\u00e9ticos precisavam dar uma resposta a isso.<\/p>\n<p>A ideia de Glushkov era inaugurar uma nova era de socialismo eletr\u00f4nico. Ele nomeou o projeto colossalmente ambicioso de Sistema Automatizado de Todos os Estados. A iniciativa buscava racionalizar e atualizar tecnologicamente toda a economia planificada. Este sistema manteria a tomada de decis\u00f5es econ\u00f4micas por meio de planos estatais, e n\u00e3o atrav\u00e9s de pre\u00e7os de mercado, mas seria acelerado por modelos computadorizados para prever estados de equil\u00edbrio\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2022\/11\/o-computador-e-o-mercado\/\" rel=\"noopener\">antes destes acontecerem<\/a>. Glushkov almejava a tomada de decis\u00f5es de maneiras mais inteligentes e mais r\u00e1pidas, e talvez at\u00e9 mesmo uma moeda eletr\u00f4nica. Tudo o que ele precisava era da carteira do Politburo.<\/p>\n<p>Mas quando Glushkov entrou na sala cavernosa naquela manh\u00e3, reparou em duas cadeiras vazias na longa mesa: seus dois aliados mais fortes estavam ausentes. Sem seu apoio, ele encarou uma mesa de ministros ambiciosos e de olhos de a\u00e7o \u2013 muitos dos quais queriam a carteira e o apoio do Politburo para si pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Entre 1959 e 1989, os principais homens da Ci\u00eancia e do Estado sovi\u00e9ticos haviam se aventurado repetidamente na tentativa de constru\u00e7\u00e3o de uma rede nacional de computadores para fins amplamente pr\u00f3-sociais. Com as profundas feridas da Segunda Guerra Mundial estando longe de cicatrizadas, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica continuava a especializar-se em projetos de moderniza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a, que transformaram uma na\u00e7\u00e3o czarista dispersa de camponeses analfabetos numa pot\u00eancia nuclear global no espa\u00e7o de duas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois do l\u00edder da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Nikita Khrushchev, ter denunciado o culto da personalidade de Stalin em 1956, o sentimento de novas possibilidades tomou conta do pa\u00eds. Neste cen\u00e1rio, entraram em cena uma s\u00e9rie de projetos socialistas para interligar a economia nacional em redes, entre os quais estava a primeira proposta em qualquer lugar do mundo para criar uma rede nacional de computadores para civis. A ideia foi cria\u00e7\u00e3o do pesquisador militar Anatoly Ivanovich Kitov.<\/p>\n<p>Um jovem de baixa estatura e com uma mente afiada para a matem\u00e1tica, Kitov subiu pelas fileiras do Ex\u00e9rcito Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial. Depois, em 1952, descobriu a obra-prima de Norbert Wiener,\u00a0<em>Cibern\u00e9tica<\/em>\u00a0(1948), numa biblioteca militar secreta. O t\u00edtulo do livro era um neologismo cunhado a partir do grego para \u201ctimoneiro\u201d (ou \u201ccondutor\u201d) e batizava uma ci\u00eancia do p\u00f3s-guerra de sistemas de informa\u00e7\u00e3o aut\u00f4nomos. Com o apoio de dois cientistas seniores, Kitov traduziu a cibern\u00e9tica numa abordagem robusta em l\u00edngua russa para o desenvolvimento de sistemas de controle e comunica\u00e7\u00e3o aut\u00f4nomos utilizando computadores. O flex\u00edvel vocabul\u00e1rio sist\u00eamico da cibern\u00e9tica deveria equipar o Estado sovi\u00e9tico com um conjunto de ferramentas de alta tecnologia para uma governan\u00e7a racional marxista, um ant\u00eddoto para a viol\u00eancia e para o culto da personalidade que caracterizavam o Estado de m\u00e3o forte de Stalin. De fato, talvez a cibern\u00e9tica pudesse at\u00e9 mesmo ajudar a garantir que nunca mais houvesse outro homem forte como ditador, ou assim dizia o sonho tecnocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Em 1959, como diretor de um centro secreto militar de pesquisa em inform\u00e1tica, Kitov voltou sua aten\u00e7\u00e3o para dedicar \u201cquantidades ilimitadas de poder de processamento de c\u00e1lculo confi\u00e1vel\u201d para planejar melhor a economia nacional, que era o problema de coordena\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es mais persistente afligindo o projeto socialista sovi\u00e9tico. (Foi descoberto em 1962, por exemplo, que um erro de c\u00e1lculo feito \u00e0 m\u00e3o no censo de 1959 causou uma falha na previs\u00e3o populacional em 4 milh\u00f5es de pessoas.) Kitov escreveu seus pensamentos na \u201ccarta do Livro Vermelho\u201d, que enviou a Khrushchev. Ele prop\u00f4s permitir que \u201corganiza\u00e7\u00f5es civis\u201d usassem os \u201ccomplexos\u201d militares de computa\u00e7\u00e3o em funcionamento para o planejamento econ\u00f4mico nas horas noturnas, quando a maioria dos militares estava dormindo. Assim, pensava ele, os planejadores econ\u00f4micos poderiam aproveitar o excedente computacional militar para corrigir os problemas do censo em tempo real, ajustando o plano econ\u00f4mico todas as noites, se necess\u00e1rio. Ele nomeou sua rede nacional de computadores militares-civis de Sistema de Gest\u00e3o Econ\u00f4mica Automatizada.<\/p>\n<p>Acontece que os supervisores militares de Kitov interceptaram a carta do Livro Vermelho antes que ela chegasse a Khrushchev. Eles ficaram indignados com sua proposta de que o Ex\u00e9rcito Vermelho compartilhasse recursos com os planejadores econ\u00f4micos civis \u2014 recursos que Kitov tamb\u00e9m ousou descrever como uma tecnologia que estava ficando atrasada. Um tribunal militar secreto foi organizado para revisar suas transgress\u00f5es, pelas quais Kitov foi prontamente destitu\u00eddo de sua filia\u00e7\u00e3o ao Partido Comunista por um ano e demitido do ex\u00e9rcito permanentemente. Assim terminou a primeira rede nacional p\u00fablica de computadores j\u00e1 proposta.<\/p>\n<p>A ideia, entretanto, sobreviveu. No in\u00edcio dos anos 1960, outro cientista aceitou a proposta de Kitov, um homem de quem Kitov se tornaria pr\u00f3ximo o suficiente para que, d\u00e9cadas depois, seus filhos se casassem: Viktor Mikhailovich Glushkov.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo completo do plano de Glushkov \u2013 O\u00a0<em>Sistema Automatizado de Todos os Estados para Coleta e Processamento de Informa\u00e7\u00f5es para Contabilidade, Planejamento e Governan\u00e7a da Economia Nacional, URSS\u00a0<\/em>\u2013 fala por si mesmo e por suas ambi\u00e7\u00f5es \u00e9picas. Proposto pela primeira vez em 1962, o Sistema Automatizado de Todos os Estados, ou OGAS (na sigla latinizada da express\u00e3o em russo), pretendia se tornar uma rede nacional de computadores de acesso remoto em tempo real, constru\u00edda com base no cabos de telefonia preexistentes e em novos. Em sua vers\u00e3o mais ambiciosa, abrangeria a maior parte do continente eurasiano, mapeando-se como um sistema nervoso para cada f\u00e1brica e empresa na economia planejada. Sua rede seria modelada hierarquicamente seguindo a estrutura piramidal de tr\u00eas n\u00edveis do Estado e da economia: um centro computacional central em Moscou se conectaria a at\u00e9 200 centros de computa\u00e7\u00e3o de n\u00edvel m\u00e9dio em cidades importantes, que por sua vez se conectariam a at\u00e9 20.000 terminais de computadores distribu\u00eddos em locais de produ\u00e7\u00e3o importantes na economia nacional.<\/p>\n<p>Em conson\u00e2ncia com os maiores compromissos na vida e na obra de Glushkov, os planos da rede refletiam uma concep\u00e7\u00e3o deliberadamente descentralizada. Isto significava que, embora Moscou pudesse especificar quem receberia quais autoriza\u00e7\u00f5es, qualquer usu\u00e1rio autorizado poderia entrar em contato com qualquer outro usu\u00e1rio por toda a rede piramidal \u2013 sem necessidade de permiss\u00e3o direta do n\u00f3-m\u00e3e. Glushkov compreendia intimamente as vantagens de se aproveitar os conhecimentos locais no projeto das redes, tendo passado grande parte da sua carreira trabalhando em problemas matem\u00e1ticos relacionados, enquanto se deslocava entre a sua casa e a capital central (em tom de brincadeira, ele chamava o trem entre Kiev-Moscou o seu \u201csegundo lar\u201d).<\/p>\n<p>Para muitos funcion\u00e1rios do Estado e planejadores econ\u00f4micos, especialmente no final da d\u00e9cada de 1960, o projeto OGAS parecia a melhor resposta para um velho dilema: os sovi\u00e9ticos concordavam que\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/10\/a-ideia-do-comunismo-para-marx\/\" rel=\"noopener\">o comunismo era o caminho do futuro<\/a>, mas ningu\u00e9m desde Marx e Engels sabia qual seria a melhor forma para se chegar l\u00e1. Para Glushkov, a computa\u00e7\u00e3o em rede poderia levar o pa\u00eds a\u00a0<a href=\"https:\/\/ominhocario.wordpress.com\/2017\/03\/24\/comunismo-como-futuro-automatizado-de-igualdade-e-abundancia\/\" rel=\"noopener\">uma nova era<\/a>\u00a0daquilo a que o escritor Francis Spufford chamou mais tarde de \u201c<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/01\/plataformas-para-a-abundancia-vermelha\/\" rel=\"noopener\">abund\u00e2ncia vermelha<\/a>\u201d. Seria o meio pelo qual a arrastada for\u00e7a vital da cris\u00e1lida da economia planificada \u2013 quotas, planos e pesad\u00edssimos comp\u00eandios de normas industriais \u2013 se transformaria nas rajadas neurais da na\u00e7\u00e3o, movendo-se \u00e0 sublime velocidade da eletricidade. O projeto significava nada menos do que a introdu\u00e7\u00e3o do \u201csocialismo eletr\u00f3nico\u201d.<\/p>\n<p>Tamanhas ambi\u00e7\u00f5es exigem pessoas brilhantes e empenhadas, dispostas a abandonar as velhas formas de pensar. Nos anos 60, essas pessoas podiam ser encontradas em Kiev \u2013 a alguns quarteir\u00f5es do local onde os irm\u00e3os Strugatsky escreviam a sua fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e0 noite e trabalhavam como f\u00edsicos durante o dia. Ali, nos arredores de Kiev, Glushkov dirigiu o Instituto de Cibern\u00e9tica durante 20 anos, a partir de 1962. Ele preencheu o seu instituto com jovens ambiciosos, homens e mulheres; a idade m\u00e9dia dos pesquisadores era de cerca de 25 anos. Glushkov e a sua jovem equipe dedicaram-se ao desenvolvimento do OGAS e de outros projetos cibern\u00e9ticos a servi\u00e7o do Estado sovi\u00e9tico, tais como um sistema de recibos eletr\u00f4nicos para virtualizar a moeda concreta num registro cont\u00e1bil online \u2013 isso no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. Glushkov \u2013 que tinha fama de vexar ide\u00f3logos do Partido Comunista em discuss\u00f5es ao citar par\u00e1grafos de Marx de mem\u00f3ria \u2013 descreveu a sua inova\u00e7\u00e3o como sendo uma realiza\u00e7\u00e3o fiel da\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/10\/a-ideia-do-comunismo-para-marx\/\" rel=\"noopener\">profecia marxiana<\/a>\u00a0de um futuro socialista\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2022\/12\/trabalhar-menos-e-viver-melhor\/\" rel=\"noopener\">sem dinheiro<\/a>. Infelizmente para Glushkov, a ideia de uma moeda eletr\u00f4nica sovi\u00e9tica suscitava ansiedades e acabou n\u00e3o recebendo a aprova\u00e7\u00e3o do comit\u00ea em 1962. Felizmente, por outro lado, o seu grande projeto de uma rede econ\u00f4mica p\u00f4de viver para ver outro dia.<\/p>\n<p>Estes ciberneticistas imaginavam uma esp\u00e9cie de rede neural inteligente, um sistema nervoso para a economia sovi\u00e9tica. Esta escolha de analogia cibern\u00e9tica entre a rede de computadores e o c\u00e9rebro deixou a sua marca em outras inova\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da computa\u00e7\u00e3o em Kiev. Por exemplo, em vez do chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/canaltech.com.br\/hardware\/o-que-e-o-gargalo-de-von-neumann\/\" rel=\"noopener\">gargalo de von Neumann<\/a>\u00a0(que limita a quantidade de dados transfer\u00edveis num computador), as equipes de Glushkov propuseram o \u201cprocessamento paralelo em macro-canaliza\u00e7\u00f5es\u201d (<em>macro-piping processing<\/em>), seguindo o modelo dos disparos simult\u00e2neos de muitas sinapses no c\u00e9rebro humano. Para al\u00e9m de in\u00fameros projetos de\u00a0<a href=\"https:\/\/tecnoblog.net\/responde\/o-que-e-mainframe\/\" rel=\"noopener\">computadores mainframe<\/a>, outros esquemas te\u00f3ricos inclu\u00edam a teoria dos aut\u00f4matos, o escrit\u00f3rio sem papel e a programa\u00e7\u00e3o em linguagem natural, que permitiria aos seres humanos se comunicar com os computadores de maneira sem\u00e2ntica, e n\u00e3o apenas de maneira sint\u00e1tica, como fazem atualmente os programadores. De maneira ainda mais ambiciosa, Glushkov e seus alunos teorizaram a \u201cimortalidade inform\u00e1tica\u201d, um conceito que poder\u00edamos chamar de \u201ccarregamento (ou\u00a0<em>upload<\/em>) da mente\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2021\/01\/como-a-ficcao-cientifica-deu-forma-ao-socialismo\/\" rel=\"noopener\">lembrando ideias<\/a>\u00a0de Isaac Asimov ou Arthur C Clarke. No seu leito de morte, d\u00e9cadas mais tarde, Glushkov consolou a sua esposa em luto com uma reflex\u00e3o ressonante: \u201cfique tranquila\u201d, disse ele, \u201cum dia, a luz da nossa Terra passar\u00e1 por outras constela\u00e7\u00f5es e, em cada uma delas, voltaremos a aparecer jovens. Assim estaremos juntos para sempre nas eternidades!\u201d<\/p>\n<p>Depois do seu dia de trabalho, os ciberneticistas se divertiam em um clube de com\u00e9dia cheio de frivolidades e de tiradas alegres que beiravam o desafio aberto. Apesar de n\u00e3o ser nada al\u00e9m de um espa\u00e7o para desabafar e aliviar a tens\u00e3o, o seu clube p\u00f3s-horas de trabalho tamb\u00e9m se considerava um pa\u00eds virtual independente do dom\u00ednio de Moscou. Numa festa de Ano Novo em 1960 eles batizaram o grupo de \u201cCibertonia\u201d, e passaram a organizar regularmente eventos sociais como bailes em feriados, simp\u00f3sios e confer\u00eancias em Kiev e Lviv, chegando at\u00e9 mesmo a publicar artigos ir\u00f4nicos como \u201cSobre querer ficar invis\u00edvel \u2013 pelo menos para as autoridades\u201d. Em vez de convites para os eventos, o grupo emitia falsos passaportes cheios de trocadilhos, certid\u00f5es de casamento, boletins de not\u00edcias, moedas de cart\u00e3o perfurado e at\u00e9 uma constitui\u00e7\u00e3o de Cybertonia. Numa par\u00f3dia \u00e0 estrutura de governan\u00e7a sovi\u00e9tica (em conselhos), Cybertonia era governada por um conselho de rob\u00f4s, e \u00e0 frente desse conselho estava o sua mascote e l\u00edder supremo, um rob\u00f4 que tocava saxofone \u2013 uma alus\u00e3o \u00e0 importa\u00e7\u00e3o cultural do jazz estadunidense:<img decoding=\"async\" class=\"lazyload c009\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Glushkov tamb\u00e9m entrou na brincadeira: ele chamou as suas mem\u00f3rias de\u00a0<em>Apesar das Autoridades<\/em>, mesmo que ele tivesse o t\u00edtulo oficial de vice-presidente da Academia de Ci\u00eancias da Ucr\u00e2nia. A contracultura, compreendida nos estudos de Fred Turner como sendo o poder de contabilizar e contrariar outros poderes, h\u00e1 muito \u00e9 pr\u00f3xima da cibercultura.<\/p>\n<p>Tudo isto, por\u00e9m, exigia dinheiro \u2013 muito dinheiro, especialmente para o projeto OGAS de Glushkov. Isso significava ter de convencer o Politburo a lhes dar esse dinheiro. E foi assim que Glushkov esteve no Kremlin no primeiro dia de outubro de 1970, na esperan\u00e7a de continuar o trabalho de Cybertonia e trazer uma Internet para o desgrenhado Estado sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Mas havia um homem no caminho de Glushkov: o ministro das Finan\u00e7as, Vasily Garbuzov. Garbuzov n\u00e3o queria saber de redes computacionais brilhantes e otimizadas em tempo real governando ou fornecendo informa\u00e7\u00f5es sobre a economia do Estado. Em vez disso, ele queria computadores simples que acendessem luzes e tocassem m\u00fasica nos galinheiros para estimular a produ\u00e7\u00e3o de ovos, como tinha observado durante uma visita recente a Minsk. Suas motiva\u00e7\u00f5es n\u00e3o haviam nascido de um pragmatismo de bom senso, evidentemente: ele queria o financiamento para o seu pr\u00f3prio minist\u00e9rio. De fato, h\u00e1 rumores de que antes da reuni\u00e3o de primeiro de outubro ele havia abordado em privado o primeiro-ministro Alexei Kosygin, que buscava reformas econ\u00f4micas, e amea\u00e7ado que se o minist\u00e9rio do seu concorrente, a Administra\u00e7\u00e3o Central de Estat\u00edstica, mantivesse o controle sobre o projeto OGAS, ent\u00e3o Garbuzov e o seu Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as iriam fazer afundar internamente quaisquer esfor\u00e7os de reforma que Kosygin pudesse apresentar, tal como ele j\u00e1 havia feito com as reformas de liberaliza\u00e7\u00e3o fragmentadas que este tentou promover cinco anos antes.<\/p>\n<p>Glushkov precisava de aliados para enfrentar Garbuzov e manter viva a Internet sovi\u00e9tica. S\u00f3 que n\u00e3o havia nenhum deles na reuni\u00e3o. Os dois lugares que ficaram vazios naquele dia eram o do primeiro-ministro e o do secret\u00e1rio-geral, o tecnocrata Leonid Brejnev. Estes eram os dois homens mais poderosos do Estado sovi\u00e9tico \u2013 e provavelmente seriam apoiadores do OGAS. No entanto, aparentemente, eles preferiram ficar ausentes a enfrentar um motim ministerial.<\/p>\n<p>A primeira rede global de computadores surgiu gra\u00e7as a capitalistas se comportando como socialistas cooperativos, e n\u00e3o socialistas se comportando como capitalistas competitivos.<\/p>\n<p>Garbuzov conseguiu convencer o Politburo de que o projeto OGAS, com os seus ambiciosos planos para modelar e gerir os fluxos de informa\u00e7\u00e3o na economia planificada de forma otimizada, era grande demais, e que era cedo demais para algo desse porte. O comit\u00ea, depois de quase ter seguido o caminho inverso, achou que era mais seguro apoiar Garbuzov \u2013 e o projeto OGAS, ainda ultrassecreto, foi deixado para definhar no limbo da revis\u00e3o durante mais uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>As for\u00e7as que derrubaram o OGAS assemelham-se \u00e0s que acabaram por\u00a0<a href=\"https:\/\/ominhocario.wordpress.com\/2017\/05\/08\/economia-e-planejamento-sovieticos-e-as-licoes-na-queda\/\" rel=\"noopener\">destruir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/a>: as formas\u00a0<a href=\"https:\/\/ominhocario.wordpress.com\/2022\/03\/29\/planejamento-socialista-apos-o-colapso-da-uniao-sovietica-de-volta-ao-debate-sobre-o-planejamento-socialista-0\/\" rel=\"noopener\">surpreendentemente informais<\/a>\u00a0de mau comportamento institucional. Ministros subversivos, burocratas inclinados ao status quo, gerentes de f\u00e1brica nervosos, trabalhadores confusos e at\u00e9 mesmo outros reformadores econ\u00f4micos opuseram-se ao projeto OGAS porque era do seu interesse institucional faz\u00ea-lo. Sem o financiamento e a supervis\u00e3o estatal, durante as d\u00e9cadas de 1970 e 1980, o projeto de rede nacional para a introdu\u00e7\u00e3o do socialismo eletr\u00f4nico foi estilha\u00e7ado em uma colcha de retalhos de dezenas e depois centenas de sistemas de controle locais em torno das f\u00e1bricas, isolados e n\u00e3o interoper\u00e1veis. O Estado sovi\u00e9tico n\u00e3o foi capaz de interligar em rede a sua na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o porque fosse demasiado r\u00edgido ou concebido de maneira hier\u00e1rquica demais, mas porque na pr\u00e1tica era exageradamente inconstante e pernicioso.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ironia nesse fato. As primeiras redes inform\u00e1ticas globais foram estabelecidas nos EUA gra\u00e7as a um financiamento estatal bem regulado e a ambientes de pesquisa colaborativa, enquanto os esfor\u00e7os contempor\u00e2neos (e notavelmente independentes) das redes nacionais na URSS fracassaram devido \u00e0 concorr\u00eancia n\u00e3o-regulada e \u00e0s lutas institucionais internas entre os administradores sovi\u00e9ticos. A primeira rede mundial de computadores surgiu gra\u00e7as a capitalistas que\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2019\/04\/inovacao-vermelha\/\" rel=\"noopener\">se comportavam como socialistas cooperativos<\/a>, e n\u00e3o de socialistas que\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/01\/a-longa-estrada-ate-1989\/\" rel=\"noopener\">se comportavam como capitalistas competitivos<\/a>.<\/p>\n<p>No destino da Internet sovi\u00e9tica podemos vislumbrar um aviso n\u00edtido e atual para o futuro da Internet. Atualmente, a \u201cInternet\u201d \u2013 entendida como uma \u00fanica rede global de redes para fazer avan\u00e7ar a liberdade de informa\u00e7\u00e3o, a democracia e o com\u00e9rcio \u2013 est\u00e1 em s\u00e9rio decl\u00ednio. Se os argumentos de\u00a0<a href=\"http:\/\/mashable.com\/2010\/07\/05\/prince-the-internet-is-over\/#RMAb4bvwEkq3\" rel=\"noopener\">Prince<\/a>\u00a0e do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.poynter.org\/2016\/ap-style-change-alert-dont-capitalize-internet-and-web-any-more\/404664\/\" rel=\"noopener\">Conselho da AP Style<\/a>\u00a0n\u00e3o forem convincentes, considere qu\u00e3o frequentemente empresas e Estados t\u00eam buscado isolar as suas experi\u00eancias online: o omnipresente \u201capp\u201d \u00e9 muito mais um jardim fechado por um muro para os que procuram extrair rendas do que um\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2022\/06\/a-internet-deveria-ser-um-bem-publico\/\" rel=\"noopener\">bem comum p\u00fablico<\/a>\u00a0para os navegantes da internet. Os po\u00e7os de gravidade voltados para o seu interior (como o Facebook e o\u00a0<em>firewall<\/em>\u00a0chin\u00eas) devoram crescentemente os sites com links externos (como este portal). O mesmo acontece com os l\u00edderes da Fran\u00e7a, \u00cdndia, R\u00fassia e outras na\u00e7\u00f5es ansiosas por internacionalizar a\u00a0<em>Corpora\u00e7\u00e3o da Internet para Atribui\u00e7\u00e3o de Nomes e N\u00fameros<\/em>\u00a0e impor regulamentos locais aos seus cidad\u00e3os. Na verdade, centenas de redes que n\u00e3o a internet t\u00eam funcionado por d\u00e9cadas em empresas e pa\u00edses. O futuro das redes de computadores, sem d\u00favida, exibe o aspecto n\u00e3o de uma grande Internet, mas de muitos distintos ecossistemas online.<\/p>\n<p>Em outras palavras, sem d\u00favidas, o futuro assemelha-se ao passado. O s\u00e9culo XX caracterizava-se pela multiplicidade de redes computacionais nacionais que reclamavam um status global. O drama da Guerra Fria daquilo que, com uma piscadela de olho, poder\u00edamos chamar de \u201c<a href=\"https:\/\/translate.google.com\/?sl=ru&amp;tl=pt&amp;text=nyet&amp;op=translate\" rel=\"noopener\">nyet<\/a>working sovi\u00e9tica\u201d \u2013 ou mesmo, como no t\u00edtulo encantador do historiador Slava Gerovitch, a \u201cInter<a href=\"https:\/\/translate.google.com\/?sl=ru&amp;tl=pt&amp;text=nyet&amp;op=translate\" rel=\"noopener\">Nyet<\/a>\u00a0sovi\u00e9tica\u201d \u2013 ajuda a preencher os estudos comparativos das redes de computadores com uma esp\u00e9cie de estudo de caso de uma Internet -1.0. Colocada na balan\u00e7a junto das muitas redes passadas \u2013 e possivelmente, futuras \u2013 a perce\u00e7\u00e3o de que existe apenas uma \u00fanica rede global de redes \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra. Dado o fato de que os sovi\u00e9ticos de outrora n\u00e3o se sa\u00edram bem na ironia da Guerra Fria que est\u00e1 no centro desta hist\u00f3ria \u2013 o fato de que capitalistas em coopera\u00e7\u00e3o superaram socialistas em competi\u00e7\u00e3o -, talvez n\u00e3o dev\u00eassemos ter tanta certeza de que a Internet de amanh\u00e3 ter\u00e1 um resultado muito melhor.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo e fil\u00f3sofo Bruno Latour\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bruno-latour.fr\/sites\/default\/files\/46-TECHNOLOGY-DURABLE-GBpdf.pdf\" rel=\"noopener\">brincou\u00a0<\/a>certa vez que a tecnologia seria a sociedade tornada dur\u00e1vel, querendo dizer com isso que os valores sociais est\u00e3o incorporados nas tecnologias: por exemplo, o algoritmo PageRank da Google \u00e9 considerado \u201cdemocr\u00e1tico\u201d porque, entre muitos outros fatores, ele contabiliza os links (e os links para sites que fazem links) como votos. Tal como os pol\u00edticos com os votos, as p\u00e1ginas que recebem mais hiperlinks recebem melhores classifica\u00e7\u00f5es. Atualmente, a Internet parece ser um ve\u00edculo de\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2020\/09\/a-liberdade-capitalista-e-uma-farsa\/\" rel=\"noopener\">liberdade<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/06\/a-verdadeira-democracia-e-incompativel-com-o-capitalismo\/\" rel=\"noopener\">democracia\u00a0<\/a>e com\u00e9rcio, em parte porque ela se cimentou no nosso imagin\u00e1rio popular no momento em que os valores ocidentais pareciam triunfar, no rescaldo da Guerra Fria. A hist\u00f3ria da Internet sovi\u00e9tica tamb\u00e9m inverte o aforismo de Latour: tamb\u00e9m a tecnologia da sociedade \u00e9 tornada tempor\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em outras palavras, \u00e0 medida que os nossos valores sociais se transformam, o mesmo acontece com o que parece \u00f3bvio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia. Em dado momento, os sovi\u00e9ticos incorporaram nas suas redes valores \u2013 coletivismo cibern\u00e9tico, hierarquia estatista e\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2022\/11\/por-um-programa-cibercomunista\/\" rel=\"noopener\">economias planejadas<\/a>\u00a0\u2013 que hoje nos parecem estranhos; da mesma forma, os valores que os leitores modernos atribuem \u00e0 Internet parecer\u00e3o estranhos aos observadores do futuro. As tecnologias de rede perdurar\u00e3o e evoluir\u00e3o, mesmo que as nossas suposi\u00e7\u00f5es sociais mais queridas sobre elas acabem na lata de lixo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Glushkov \u00e9 tamb\u00e9m um v\u00edvido lembrete para os agentes da mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica de que o g\u00eanio espantoso, a vis\u00e3o abrangente e a perspic\u00e1cia pol\u00edtica n\u00e3o s\u00e3o suficientes para transformar o mundo. As institui\u00e7\u00f5es de apoio muitas vezes fazem toda a diferen\u00e7a. Esta \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o expressa da experi\u00eancia sovi\u00e9tica e de um ambiente de media sendo continuamente\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/09\/socialismo-digital-o-debate-do-calculo-na-era-do-big-data\/\" rel=\"noopener\">minado por dados digitais e outras formas de explora\u00e7\u00e3o da privacidade<\/a>: as redes institucionais que est\u00e3o na base da cria\u00e7\u00e3o de redes computacionais e das suas culturas s\u00e3o t\u00e3o vitais quanto est\u00e3o longe de ser singulares.<\/p>\n<p>Enquanto os projetos de redes de computadores e seus promotores v\u00e3o continuar exaltando publicamente futuros cada vez mais brilhantes para as redes, as\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/05\/precisamos-proteger-a-internet-das-big-techs\/\" rel=\"noopener\">for\u00e7as institucionais privadas<\/a>, a menos que\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2020\/07\/um-plano-socialista-para-consertar-a-internet\/\" rel=\"noopener\">sejam colocadas em cheque<\/a>, continuar\u00e3o capitalizando\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/09\/socialismo-digital-o-debate-do-calculo-na-era-do-big-data\/\" rel=\"noopener\">redes de vigil\u00e2ncia<\/a>\u00a0empenhadas em se fecharem privadamente \u00e0s nossas vidas. (Talvez seja disso que se trata na realidade a privacidade: a vastid\u00e3o de poder de\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/03\/marx-e-o-capital-como-uma-divindade\/\" rel=\"noopener\">institui\u00e7\u00f5es on\u00edvoras de informa\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de vasculhar privadamente as nossas vidas, e n\u00e3o apenas os direitos individuais de prote\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/09\/as-licoes-da-luta-chilena-contra-as-big-techs\/\" rel=\"noopener\">contra esse ataque privado<\/a>). O estudo de caso sovi\u00e9tico nos recorda que o programa de espionagem dom\u00e9stica da Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional dos EUA e a Nuvem da Microsoft fazem parte de uma tradi\u00e7\u00e3o mais longa do s\u00e9culo XX de secretariados gerais empenhados em privatizar a informa\u00e7\u00e3o pessoal e p\u00fablica para seu benef\u00edcio institucional.<\/p>\n<p>Em outras palavras, ningu\u00e9m deveria sentir muito conforto com o fato da Internet global ter evolu\u00eddo gra\u00e7as a capitalistas cooperativos e n\u00e3o socialistas competitivos: a hist\u00f3ria da Internet sovi\u00e9tica nos lembra que n\u00f3s, utilizadores da Internet, n\u00e3o temos qualquer garantia de que os interesses privados que atualmente sustentam a Internet se comportar\u00e3o melhor do que as for\u00e7as maiores cuja falta de vontade em cooperar n\u00e3o s\u00f3 declarou o fim do\u00a0<a href=\"https:\/\/ominhocario.wordpress.com\/2022\/03\/01\/comunismo-e-computadores-uma-alternativa-democratica-para-o-seculo-xxi\/\" rel=\"noopener\">socialismo eletr\u00f4nico sovi\u00e9tico<\/a>\u00a0como amea\u00e7a encerrar o cap\u00edtulo atual da nossa era de redes.<\/p>\n<div id=\"mab-3275902541\" class=\"m-a-box\">\n<div class=\"m-a-box-item m-a-box-header m-a-box-headline\">\n<p><strong><span class=\"m-a-box-header-title m-a-box-string-headline\">Sobre os autores<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"m-a-box-container\">\n<div class=\"m-a-box-tab m-a-box-content m-a-box-profile\">\n<div class=\"m-a-box-content-middle\">\n<div class=\"m-a-box-item m-a-box-data\">\n<div class=\"m-a-box-name m-a-box-title\">\n<p>Benjamin Petersis \u00e9 professor assistente de Comunica\u00e7\u00f5es na Universidade de Tulsa e membro do Projeto Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o na Escola de Direito de Yale. Publicou em 2016 o livro <em>How Not to Network a Nation: The Uneasy History of the Soviet Internet<\/em>\u00a0(&#8220;Como n\u00e3o interconectar uma na\u00e7\u00e3o: a hist\u00f3ria desconfort\u00e1vel da Internet sovi\u00e9tica&#8221;).<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Como os sovi\u00e9ticos quase inventaram a Internet e porque n\u00e3o deu certo Como os sovi\u00e9ticos quase inventaram a Internet e porque n\u00e3o deu certo % % &#8211; https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/08\/como-os-sovieticos-quase-inventaram-a-internet-e-porque-nao-deu-certo\/<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benjamin Petersis &#8211; Os cientistas sovi\u00e9ticos tentaram por d\u00e9cadas criar uma rede conectando toda sua na\u00e7\u00e3o. A mesma coisa que os colocou num impasse est\u00e1 agora fraturando a internet global. 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