{"id":24194,"date":"2024-09-02T18:54:08","date_gmt":"2024-09-02T21:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24194"},"modified":"2024-09-02T18:54:08","modified_gmt":"2024-09-02T21:54:08","slug":"os-filhos-doentes-da-agricultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/09\/02\/os-filhos-doentes-da-agricultura-brasileira\/","title":{"rendered":"Os filhos doentes da agricultura brasileira"},"content":{"rendered":"<p><strong>S\u00edlvia Lisboa e Carla Ruas <\/strong>&#8211; Investiga\u00e7\u00e3o exp\u00f5e a rela\u00e7\u00e3o entre o uso de agrot\u00f3xicos e o aumento de condi\u00e7\u00f5es graves entre beb\u00eas do campo<\/p>\n<p>Maria nasceu com uma grave anomalia cong\u00eanita que limitou seu desenvolvimento. Embora os m\u00e9dicos tenham logo drenado o excesso de l\u00edquido acumulado ao redor de seu c\u00e9rebro, um dist\u00farbio conhecido como hidrocefalia, eles n\u00e3o conseguiram impedir danos severos \u00e0 rec\u00e9m-nascida. Mais tarde, outras cirurgias tentaram corrigir seus pezinhos atrofiados, mas ela nunca andou, nem falou; e \u00e0 medida que crescia perdia seus poucos movimentos. Seu olhar era distante, segundo a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em uma consulta m\u00e9dica assim que Maria nasceu, seus pais ouviram a poss\u00edvel causa da condi\u00e7\u00e3o: contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos. Eles s\u00e3o agricultores de frutas e hortali\u00e7as de Vacaria, munic\u00edpio rural de\u00a0<a href=\"https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/brasil\/rs\/vacaria#:~:text=Brasileira%20%2D%20DTB%202021-,Popula%C3%A7%C3%A3o,22%20habitantes%20por%20quil%C3%B4metro%20quadrado.\">64 mil habitantes<\/a>\u00a0no nordeste do Rio Grande do Sul, e usam esses produtos em seu dia a dia.<\/p>\n<p>\u201cEles se sentem culpados, foi uma dor muito grande\u201d, disse uma tia da menina que n\u00e3o quis se identificar para n\u00e3o expor os pais, que autorizaram a entrevista, mas ainda sofrem com o diagn\u00f3stico mesmo mais duas d\u00e9cadas depois. \u201cEles s\u00e3o v\u00edtimas, n\u00e3o h\u00e1 alerta sobre os riscos\u201d.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, Maria (seu nome foi trocado nesta reportagem) entrou em estado vegetativo e morreu aos 21 anos, em 2020.<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Uma investiga\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Dialogue Earth\u00a0<\/em>em parceria com Tatiane Moraes, pesquisadora em sa\u00fade ambiental na Universidade de S\u00e3o Paulo, explorou os impactos de agrot\u00f3xicos na sa\u00fade infantil. A an\u00e1lise conduzida por Moraes para essa reportagem revela uma associa\u00e7\u00e3o entre anomalias como a de Maria e de mortes fetais (ap\u00f3s a 28\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o) com a proximidade de \u00e1reas agr\u00edcolas do Brasil.<\/p>\n<p>Pela plataforma Mapbiomas, Moraes identificou os estados onde mais da metade dos munic\u00edpios t\u00eam ao menos 5% da \u00e1rea ocupada pela agricultura. Depois, com dados de 2013 a 2021 do sistema nacional de sa\u00fade Datasus, ela verificou se a taxa de anomalias cong\u00eanitas e mortes fetais \u2014 condi\u00e7\u00f5es j\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/sdeb\/a\/5PwnsCcxdgtXTzHQtDrbSMG\/\">associadas<\/a>\u00a0\u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos \u2014 aumentou nessas cidades.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise encontrou risco aumentado para essas condi\u00e7\u00f5es no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no Sul, al\u00e9m de Goi\u00e1s, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste. Esses estados s\u00e3o grandes produtores de soja, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar, segundo o levantamento de Moraes.<\/p>\n<p>Os mesmos estados est\u00e3o entre os que mais comercializam agrot\u00f3xicos, segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ibama\/pt-br\/assuntos\/quimicos-e-biologicos\/agrotoxicos\/paineis-de-informacoes-de-agrotoxicos#Painel-comercializacao\">dados<\/a>\u00a0do Ibama, \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental. Mato Grosso \u2014 l\u00edder nacional em produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u2014 est\u00e1 no topo do ranking, enquanto Goi\u00e1s, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul est\u00e3o entre os dez primeiros colocados.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados refor\u00e7am a necessidade de reavaliar o uso massivo de agrot\u00f3xicos na agricultura brasileira\u201d, disse Moraes, que foi bolsista do Departamento de Sa\u00fade Global e Popula\u00e7\u00e3o da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No Mato Grosso, cidades como Sinop e Sorriso, onde o agroneg\u00f3cio\u00a0<a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/57158-da-floresta-a-fabrica-como-a-amazonia-se-tornou-um-polo-global-de-exportacoes-agricolas\/\">domina<\/a>\u00a0a economia, foi identificado um risco 20% maior para anomalias cong\u00eanitas e 30% para mortes fetais na compara\u00e7\u00e3o com cidades sem planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\">\n<div class=\"block--article-image__column\">\n<div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/08\/20240523_PT_gestante-sindicato-trabalhadores-rurais_Vacaria_Brasil_Anna-Ortega.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Gestante aguarda consulta m\u00e9dica na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria\" \/><\/div>\n<div class=\"block--article-image__content\">\n<div class=\"block--article-image__caption\"><em>Gestante aguarda consulta m\u00e9dica na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria. A an\u00e1lise de Moraes mostra que pessoas nascidas em munic\u00edpios do Rio Grande do Sul com at\u00e9 um ter\u00e7o do territ\u00f3rio dedicado \u00e0 agricultura, como Vacaria, apresentaram um risco 2% maior de desenvolver anomalias cong\u00eanitas (Imagem: Anna Ortega)<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nas cidades ga\u00fachas com mais da metade da \u00e1rea dedicada \u00e0 agricultura, foi encontrado um risco de morte antes do nascimento 73% maior em compara\u00e7\u00e3o com os demais munic\u00edpios. J\u00e1 em cidades com at\u00e9 um ter\u00e7o da \u00e1rea agr\u00edcola, como Vacaria, onde Maria nasceu, foi visto um risco 2% maior de desenvolver anomalias cong\u00eanitas entre 2013 e 2021.<\/p>\n<p>Segundo Moraes, essa ampla varia\u00e7\u00e3o do risco pode se dar por outros fatores como, por exemplo, o acesso \u00e0 sa\u00fade em determinados munic\u00edpios. Para entend\u00ea-los a fundo, seria necess\u00e1rio fazer novas investiga\u00e7\u00f5es. \u201cO importante foi demonstrar haver uma associa\u00e7\u00e3o positiva e mensurar o risco de se viver em um munic\u00edpio agr\u00edcola olhando para as crian\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n<p id=\"h-glifosato-perigoso-mas-disseminado\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Glifosato, perigoso mas disseminado<\/strong><\/p>\n<p>O glifosato, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-57209799\">mais usado<\/a>\u00a0no pa\u00eds, e outros qu\u00edmicos, como 2,4-D, atrazina, mancozebe, clorotalonil e acefato interferem na regula\u00e7\u00e3o hormonal e podem provocar anomalias, segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/br.boell.org\/sites\/default\/files\/2023-12\/atlas-do-agrotoxico-2023.pdf\">Atlas dos Agrot\u00f3xicos<\/a>. Com exce\u00e7\u00e3o do glifosato e 2,4-D, os demais s\u00e3o proibidos na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Pesquisas no Brasil e no exterior v\u00e3o ao encontro do trabalho de Moraes. Em um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/sdeb\/a\/5PwnsCcxdgtXTzHQtDrbSMG\/#\">estudo de 2019<\/a>, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz revelou que microrregi\u00f5es (ou seja, regi\u00f5es dentro dos estados) com maior produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e de exposi\u00e7\u00e3o a agrot\u00f3xicos t\u00eam taxas mais altas de anomalias cong\u00eanitas.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2306003120\">estudo<\/a>\u00a0semelhante de 2023, pesquisadoras americanas encontraram \u00edndices acima da m\u00e9dia de leucemia linfobl\u00e1stica aguda em crian\u00e7as por onde a soja est\u00e1 se expandindo na Amaz\u00f4nia e no Cerrado. As cientistas estimaram que, entre 2008 e 2019, houve 123 mortes adicionais entre pacientes com menos de 10 anos que vivem em \u00e1reas onde o cultivo do gr\u00e3o avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Para uma das autoras, Kaitlyn Margaret Sims, professora de microeconomia e pol\u00edticas p\u00fablicas na Universidade de Denver, o resultado surpreendeu. \u201cJ\u00e1 t\u00ednhamos ouvido rumores de que, quando a soja chega, o c\u00e2ncer vem logo atr\u00e1s. Mas n\u00e3o pens\u00e1vamos que encontrar\u00edamos resultados t\u00e3o expressivos,\u201d disse ao\u00a0<em>Dialogue Earth.<\/em><\/p>\n<p>Outra pesquisa,\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/restud\/article-abstract\/90\/6\/2943\/7028669?redirectedFrom=fulltext\">publicada<\/a>\u00a0no peri\u00f3dico Review of Economic Studies em 2023, mostrou que at\u00e9 as crian\u00e7as vivendo longe de planta\u00e7\u00f5es podem ser afetadas, j\u00e1 que os res\u00edduos do glifosato s\u00e3o transportados pelos rios. Os resultados mostraram um maior n\u00famero de beb\u00eas que nascem prematuros e abaixo do peso normal, al\u00e9m de um aumento de 5% na mortalidade infantil entre 2000 e 2010 no Centro-Oeste e Sul.<\/p>\n<p>\u201cMesmo em dist\u00e2ncias de at\u00e9 cem quil\u00f4metros da \u00e1rea de uso, n\u00f3s ainda achamos algum efeito negativo\u201d, explicou Mateus Dias, um dos autores do estudo e professor assistente de economia da sa\u00fade na Cat\u00f3lica Lisbon School of Business and Economics.<\/p>\n<p>Dados da Organiza\u00e7\u00e3o para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO)\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fao.org\/faostat\/en\/#data\/RP\">indicam<\/a>\u00a0que o Brasil \u00e9 o campe\u00e3o mundial no uso de pesticidas. Em 2022, o pa\u00eds aplicou mais de 800 mil toneladas de agrot\u00f3xicos nos mais diversos cultivos, superando o total usado por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/05\/brasil-usa-mais-agrotoxicos-que-estados-unidos-e-china-juntos\">China e Estados Unidos<\/a>\u00a0juntos.<\/p>\n<p>\u201cEsses dados precisam ser lidos em um contexto: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds tropical muito sujeito a pragas. Al\u00e9m disso, plantamos quatro a cinco culturas por ano, diferentemente de pa\u00edses com invernos rigorosos que plantam apenas uma cultura\u201d, explica o pesquisador D\u00e9cio Karam, da Embrapa, \u00f3rg\u00e3o federal que atua na pesquisa agropecu\u00e1ria. \u201cAinda assim, h\u00e1 muito espa\u00e7o para reduzir o uso de agrot\u00f3xicos com manejo adequado\u201d.<\/p>\n<p>O crescimento no uso de agrot\u00f3xicos no Brasil coincide com a introdu\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/dossie-sinaliza-ligacao-entre-transgenicos-e-aumento-do-uso-de-agrotoxicos\">soja transg\u00eanica<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/cee.fiocruz.br\/?q=node\/987\">ado\u00e7\u00e3o do glifosato<\/a>\u00a0no final dos anos 1990. Entre 2000 e 2022, dados da FAO mostram que seu consumo por hectare plantado quintuplicou no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Vacaria, a soja avan\u00e7ou 13 vezes entre 1985 e 2022, e hoje ocupa 70 mil hectares, um ter\u00e7o do munic\u00edpio. J\u00e1 a ma\u00e7\u00e3, que tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"http:\/\/heelj.org.br\/noticias\/saiba-quais-alimentos-sao-mais-contaminados-por-agrotoxicos\/\">demanda<\/a>\u00a0a aplica\u00e7\u00e3o intensa de agrot\u00f3xicos,\u00a0<a href=\"https:\/\/agapomi.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Area-Vacaria.pdf\">ocupa<\/a>\u00a0quase sete mil hectares.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio, as lavouras ficam extremamente pr\u00f3ximas \u00e0s \u00e1reas residenciais. Quando visitamos o local em meados de junho, vimos o nabo forrageiro \u2013 que\u00a0<a href=\"https:\/\/galpaocentrooeste.com.br\/blog\/nabo-forrageiro-opcao-para-inverno-como-cobertura-solo\">fertiliza e descompacta<\/a>\u00a0o solo, preparando-o para o plantio de soja \u2013 adentrando o p\u00e1tio e a quadra da escola rural Attilio Benedetti.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\">\n<div class=\"block--article-image__column\">\n<div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/08\/20240523_PT_menino-joga-futebol_escola_Attilio-Benedetti_Vacaria_Brasil_Anna-Ortega.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Menino joga futebol na escola rural Attilio Benedetti, em Vacaria, institui\u00e7\u00e3o cercada por planta\u00e7\u00f5es de soja\" \/><\/div>\n<div class=\"block--article-image__content\">\n<div class=\"block--article-image__caption\"><em>Menino joga futebol na escola rural Attilio Benedetti, em Vacaria, institui\u00e7\u00e3o cercada por planta\u00e7\u00f5es de soja. Uma cultura forrageira que fertiliza o solo, preparando-o para o plantio de soja, invade a quadra da escola (Imagem: Anna Ortega)<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A diretora Leila Tais Fernandes explicou que o terreno havia sido doado por um agricultor cujas fazendas s\u00e3o lim\u00edtrofes ao col\u00e9gio, e a maioria dos 75 alunos s\u00e3o filhos de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p id=\"h-uma-mae-em-busca-de-respostas\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma m\u00e3e em busca de respostas<\/strong><\/p>\n<p>Juliana Pedroso suspeita que o agrot\u00f3xico esteja por tr\u00e1s do diagn\u00f3stico de seu filho Jo\u00e3o Ot\u00e1vio, de 7 anos, que tem uma s\u00edndrome neurodegenerativa extremamente rara que provoca paraplegia, defici\u00eancia intelectual e obesidade. \u201cFoi uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica na gesta\u00e7\u00e3o, mas os m\u00e9dicos nunca dizem a causa. J\u00e1 me perguntei se poderia ser agrot\u00f3xico que afetou o pai agricultor\u201d, disse a t\u00e9cnica em enfermagem, que mora na \u00e1rea urbana de Vacaria, tamb\u00e9m circundada por lavouras.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\">\n<div class=\"block--article-image__column\">\n<div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/08\/20240523_Juliana-Pedroso_and_son_Joao-Otavio_Vacaria_Brazil_Anna-Ortega.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"woman and boy playing with white powder\" \/><\/div>\n<div class=\"block--article-image__content\">\n<div class=\"block--article-image__caption\"><em>Jo\u00e3o Ot\u00e1vio (\u00e0 esquerda) e sua m\u00e3e Juliana Pedroso brincam com bexiga recheada de amido de milho na varanda de sua casa, em Vacaria. Pedroso suspeita que o agrot\u00f3xico seja respons\u00e1vel por uma s\u00edndrome neurodegenerativa extremamente rara em seu filho de 7 anos (Imagem: Anna Ortega)<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Jo\u00e3o Ot\u00e1vio nasceu prematuro e logo manifestou sintomas preocupantes. \u201cSuas m\u00e3ozinhas eram viradas para dentro, e ele n\u00e3o movia o lado esquerdo\u201d, lembrou a m\u00e3e. Depois vieram as crises convulsivas e a peregrina\u00e7\u00e3o por m\u00e9dicos e hospitais.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades e gra\u00e7as ao empenho da fam\u00edlia, ele desenvolveu bem a fala e os movimentos. Sua maior divers\u00e3o \u00e9 seu canal no YouTube dedicado a videogames. Em uma tarde fria quando o visitamos, Jo\u00e3o Ot\u00e1vio mostrou orgulhoso seu quarto repleto de bichos de pel\u00facia e se divertiu estourando um bal\u00e3o recheado de amido de milho que ele fez parecer neve.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria h\u00e1 23 anos, S\u00e9rgio Poletto est\u00e1 determinado a entender se o agrot\u00f3xico pode ter contribu\u00eddo para o surgimento da s\u00edndrome que afeta Jo\u00e3o Ot\u00e1vio e a de condi\u00e7\u00f5es de outras crian\u00e7as que aguardam uma vaga na Apae, centro para a reabilita\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia, no munic\u00edpio.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\">\n<div class=\"block--article-image__column\">\n<div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/08\/20240523_PT_sessao-APAE_Vacaria_Brasil_Anna-Ortega.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Funcion\u00e1rio da Apae municipal de Vacaria brinca com crian\u00e7a\" \/><\/div>\n<div class=\"block--article-image__content\">\n<div class=\"block--article-image__caption\"><em>Funcion\u00e1rio da Apae municipal de Vacaria trabalha com crian\u00e7a. A demanda por vagas no centro aumentou muito nos \u00faltimos anos, preocupando o coordenador pedag\u00f3gico da entidade (Imagem: Anna Ortega)<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A entidade viu explodir a busca por vagas nos \u00faltimos anos e convocou Poletto para investigar o que poderia estar contribuindo para isso. \u201cEstamos muito preocupados com o aumento, de dez anos para c\u00e1, de crian\u00e7as com defici\u00eancias\u201d, disse Maria Aparecida Fabris, coordenadora pedag\u00f3gica da Apae, que hoje atende 80 crian\u00e7as, enquanto outras 20 seguem na fila de espera. \u201cN\u00e3o temos capacidade para receber mais, porque todos continuam conosco por um longo tempo\u201d.<\/p>\n<p>Com os ombros levemente curvados, o que lhe d\u00e1 um ar t\u00edmido, mas que contrasta com sua atua\u00e7\u00e3o corajosa, Poletto assumiu a tarefa \u201cde questionar o que ningu\u00e9m questiona\u201d, como ele mesmo diz. Em 2013, ajudou a organizar um amplo estudo que ouviu mais de 980 trabalhadores do campo: 95% disseram usar agrot\u00f3xico, e a maioria o aplicava com pulverizadores acoplados como mochilas, colados ao corpo e sem prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em visitas \u00e0s propriedades rurais, ele ficou estupefato com o uso intensivo dos qu\u00edmicos, com a falta de cuidados no seu manuseio e com o desconhecimento sobre seus riscos. A m\u00e9dica Neice Muller, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, liderou a pesquisa.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\">\n<div class=\"block--article-image__column\">\n<div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/08\/20240524_PT_Sergio-Poletto_presidente-sindicato-trabalhadores-rurais_Vacaria_Brasil_Anna-Ortega.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"S\u00e9rgio Poletto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria, usa calculadora em seu escrit\u00f3rio\" \/><\/div>\n<div class=\"block--article-image__content\">\n<div class=\"block--article-image__caption\"><em>S\u00e9rgio Poletto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria, iniciou uma campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual ao pulverizar agrot\u00f3xicos e tamb\u00e9m incentivou a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de agricultura org\u00e2nica (Imagem: Anna Ortega)<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Poletto decidiu colocar toda a estrutura do sindicato para conscientizar seus sete mil membros sobre os riscos dos pesticidas. Imprimiu panfletos e organizou palestras sobre a import\u00e2ncia do uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, al\u00e9m de nomear um t\u00e9cnico para orientar na migra\u00e7\u00e3o de agricultores para o cultivo org\u00e2nico. Mas, com a resist\u00eancia interna, passou a apenas auxili\u00e1-los na redu\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos. \u201cTivemos de maneirar no discurso para n\u00e3o perder associados\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>At\u00e9 Silvandro Fonseca, secret\u00e1rio de Sa\u00fade de Vacaria, confiou a Poletto a busca por explica\u00e7\u00f5es. Fonseca disse estar em alerta com os \u00edndices acima da m\u00e9dia brasileira de \u00f3bitos fetais, c\u00e2nceres e problemas renais no munic\u00edpio, mas reconheceu que a prefeitura n\u00e3o tem programa de preven\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 dif\u00edcil estabelecer uma causa, por isso tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil implementar algum programa\u201d, disse o secret\u00e1rio, em uma reuni\u00e3o na prefeitura convocada por Poletto e acompanhada pela reportagem.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote\">\n<div class=\"block--pull-quote__wrapper\">\n<blockquote><p>A vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria precisa ter um controle disso, sen\u00e3o s\u00f3 trataremos a consequ\u00eancia<\/p>\n<p><cite class=\"block--pull-quote__cite\">Dirceu Trevisan, ginecologista e m\u00e9dico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>M\u00e9dico no sindicato, o ginecologista Dirceu Trevisan tamb\u00e9m est\u00e1 atento ao alto \u00edndice de abortos e mortes fetais entre as assalariadas. \u201cEm muitos casos, eu pergunto que produto ela aplica na lavoura, e ela n\u00e3o sabe dizer porque s\u00e3o misturas\u201d, disse ele. \u201cA vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria precisa ter um controle disso, sen\u00e3o s\u00f3 trataremos a consequ\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 um desafio quantificar a influ\u00eancia dos agrot\u00f3xicos sobre doen\u00e7as graves no pa\u00eds. \u201cMas o fato de ser complexo n\u00e3o significa que n\u00e3o haja impacto, isto \u00e9, que os riscos n\u00e3o existam\u201d, disse a geneticista Lavinia Schuler-Faccini, autoridade em anomalias cong\u00eanitas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Schuler-Faccini diz que os riscos est\u00e3o sendo cada vez mais demonstrados por estudos comparando popula\u00e7\u00f5es expostas e n\u00e3o expostas e por an\u00e1lises em animais e c\u00e9lulas\u00a0<em>in vitro<\/em>. \u201cUm dos grandes desafios agora \u00e9 sabermos o peso exato dos agrot\u00f3xicos no desenvolvimento de condi\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as\u201d, explica a professora do departamento de gen\u00e9tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\">\n<div class=\"block--article-image__column\">\n<div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/08\/20240524_PT_trabalhadores-macieiras_Vacaria_Rio-Grande-do-Sul_Anna-Ortega.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Trabalhadores preparam macieiras para o inverno em Vacaria\" \/><\/div>\n<div class=\"block--article-image__content\">\n<div class=\"block--article-image__caption\"><em>Trabalhadores podam macieiras para o inverno em Vacaria. A cultura exige aplica\u00e7\u00e3o intensa de pesticidas e ocupa quase sete mil hectares no munic\u00edpio (Imagem: Anna Ortega)<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os efeitos dos agrot\u00f3xicos sobre as crian\u00e7as podem originar tanto do pai quanto da m\u00e3e, segundo Schuler-Faccini. A presen\u00e7a de pesticidas no organismo desregula horm\u00f4nios e interfere nas sinaliza\u00e7\u00f5es produzidas pelos genes, podendo desligar, enfraquecer ou ativar excessivamente sua express\u00e3o. \u201c\u00c9 um efeito a longo prazo, que ocorre muito antes de uma gesta\u00e7\u00e3o\u201d, diz a pesquisadora, que tamb\u00e9m lidera a vigil\u00e2ncia de anomalias cong\u00eanitas no estado.<\/p>\n<p id=\"h-legislacao-flexivel-e-batalhas-judiciais\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Legisla\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e batalhas judiciais<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, os agrot\u00f3xicos t\u00eam um caminho cada vez mais livre. Em 2020, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria\u00a0<a href=\"https:\/\/antigo.anvisa.gov.br\/documents\/10181\/5344168\/Nota+T%C3%A9cnica+Final+-+Reavalia%C3%A7%C3%A3o+do+Glifosato.pdf\/9f513821-c4e5-4be3-a538-ef1947034272\">reavaliou<\/a>\u00a0o glifosato e o considerou seguro, desde que n\u00e3o extrapole doses de contamina\u00e7\u00e3o aguda e cr\u00f4nica.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/11\/28\/pl-do-veneno-e-aprovado-no-plenario-do-senado-com-apenas-um-voto-contrario\">Aprovada<\/a>\u00a0em 2023, a lei cujo projeto ficou conhecido como \u201cPL do Veneno\u201d afrouxou ainda mais o controle de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds, apesar de duras cr\u00edticas\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/fiocruz-divulga-comunicado-ao-senado-sobre-uso-de-agrotoxicos\">da comunidade cient\u00edfica<\/a>. Em junho, o governo federal\u00a0<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/ato-n-26-de-4-de-junho-de-2024-564268752\">liberou<\/a>\u00a080 novos produtos com agrot\u00f3xicos, incluindo quatro a base de glifosato. Um deles ser\u00e1 fabricado pela Monsanto no Brasil, enquanto os outros tr\u00eas, na China, um fornecedor de agrot\u00f3xicos\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2022\/09\/banidos-na-europa-feitos-na-china-e-usados-na-soja-os-agrotoxicos-aprovados-por-bolsonaro\/\">cada vez mais relevante<\/a>\u00a0no mercado brasileiro.<\/p>\n<p>O glifosato e outros produtos considerados perigosos tamb\u00e9m seguem sem restri\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses. Em 2023, a Comiss\u00e3o Europeia\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2023-11\/comissao-europeia-autoriza-uso-de-glifosato-na-ue-por-mais-10-anos#:~:text=A%20Comiss%C3%A3o%20Europeia%20autorizou%20a,as%20folhosas%20perenes%20e%20gram%C3%ADneas.\">autorizou<\/a>\u00a0o uso do herbicida por mais dez anos, embora alguns pa\u00edses europeus tenham proibido seu uso em \u00e1reas residenciais e espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, por\u00e9m, a Monsanto tem contabilizado derrotas na Justi\u00e7a. V\u00edtimas de c\u00e2ncer t\u00eam conseguido provar que ficaram doentes por causa do Roundup, \u00e0 base de glifosato. At\u00e9 agora, 154 mil a\u00e7\u00f5es j\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bloomberglinea.com.br\/agro\/juri-condena-a-monsanto-da-bayer-a-pagar-us-332-mi-em-polemico-caso-sobre-o-roundup\/\">chegaram<\/a>\u00a0\u00e0s Cortes americanas, e a multinacional\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lawsuit-information-center.com\/roundup-lawsuit.html\">pagou cerca de US$ 11 bilh\u00f5es<\/a>\u00a0em indeniza\u00e7\u00f5es. Como resultado da ofensiva, a multinacional alem\u00e3 Bayer, propriet\u00e1ria da Monsanto,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bayer.com\/en\/roundup-litigation-five-point-plan\">retirou<\/a>\u00a0o glifosato de produtos para uso residencial no pa\u00eds \u2013 este uso segue autorizado no Brasil.<\/p>\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\">\n<div class=\"block--article-image__column\">\n<div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/08\/PT_Pulverizacao-agrotoxicos-mato-grosso_Alamy_DGGHMD-scaled-1.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Avi\u00e3o despeja agrot\u00f3xicos em planta\u00e7\u00f5es de soja em Mato Grosso\" \/><\/div>\n<div class=\"block--article-image__content\">\n<div class=\"block--article-image__caption\"><em>Avi\u00e3o despeja agrot\u00f3xicos em planta\u00e7\u00f5es de soja em Mato Grosso. Agricultores ga\u00fachos entraram na justi\u00e7a para proibir a pr\u00e1tica, que, segundo eles, afeta suas planta\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas e sua sa\u00fade (Imagem: Florian Kopp \/ imageBROKER \/ Alamy)<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O Brasil tem visto poucas a\u00e7\u00f5es judiciais desse tipo, mas h\u00e1 algumas em andamento. Em um caso, a agricultora L\u00eddia Maria do Prado, do Paran\u00e1, processou a multinacional Alliance One por ter\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2023\/02\/fumo-produzido-no-sul-do-pais-usa-agrotoxicos-banidos-internacionalmente\/\">desenvolvido<\/a>\u00a0polineuropatia tardia, uma disfun\u00e7\u00e3o de nervos perif\u00e9ricos associada ao contato com agrot\u00f3xicos da lavoura de tabaco. At\u00e9 agora, ela vem vencendo a batalha nos tribunais.<\/p>\n<p>Agricultores ga\u00fachos de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.trf4.jus.br\/trf4\/controlador.php?acao=noticia_visualizar&amp;id_noticia=26949\">buscaram na Justi\u00e7a<\/a>\u00a0a proibi\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos, que afetou planta\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas e a sa\u00fade dos assentados, que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2021\/12\/06\/assentamento-em-nova-santa-rita-volta-a-ser-atingido-por-pulverizacoes-aereas-com-agrotoxico\">relataram sintomas de intoxica\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a deriva<\/a>.<\/p>\n<p>Mas nem todos buscam justi\u00e7a ou respostas. Os pais de Maria preferem n\u00e3o mexer nas feridas do passado. Saber a causa do destino da filha ainda \u00e9 insuportavelmente doloroso. Outra agricultora com quem conversamos relembrou sua sobrinha, nascida na d\u00e9cada de 1990, quando os campos de Vacaria come\u00e7aram a ser tomados pela soja. A menina, filha de agricultores, nasceu sem vida, v\u00edtima de anomalias cong\u00eanitas. Agora, a mulher se pergunta se a vida da sobrinha teria sido abreviada, assim como a de Maria, pela exposi\u00e7\u00e3o a agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi apoiada pelo Fundo Howard G. Buffett para Mulheres Jornalistas da International Women\u2019s Media Foundation.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Tatiane Moraes contribuiu para a reportagem com sua pesquisa sobre a associa\u00e7\u00e3o entre o uso de agrot\u00f3xicos e as mortes fetais e anomalias cong\u00eanitas.<\/em><\/p>\n<div id=\"__reading__mode__content_end_mark_container_id\">Fonte da mat\u00e9ria: Os filhos doentes da agricultura brasileira &#8211; https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/alimentos\/agrotoxicos-filhos-doentes-da-agricultura-brasileira\/<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edlvia Lisboa e Carla Ruas &#8211; Investiga\u00e7\u00e3o exp\u00f5e a rela\u00e7\u00e3o entre o uso de agrot\u00f3xicos e o aumento de condi\u00e7\u00f5es graves entre beb\u00eas do campo Maria nasceu com uma grave anomalia cong\u00eanita que limitou seu desenvolvimento. 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