{"id":24166,"date":"2024-08-19T12:48:17","date_gmt":"2024-08-19T15:48:17","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24166"},"modified":"2024-08-16T11:51:42","modified_gmt":"2024-08-16T14:51:42","slug":"as-digitais-das-big-techs-no-genocidio-em-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/08\/19\/as-digitais-das-big-techs-no-genocidio-em-gaza\/","title":{"rendered":"As digitais das Big Techs no genoc\u00eddio em Gaza"},"content":{"rendered":"<p><strong>Yuval Abra\u00e3o &#8211; <\/strong>Investiga\u00e7\u00e3o revela: Amazon, Google e Microsoft colaboram com Tel-Aviv e s\u00e3o essenciais ao massacre dos palestinos, ao armazenar os dados e fornecer a IA necess\u00e1ria aos ataques. Participa\u00e7\u00e3o nos crimes de guerra \u00e9 intensa e consciente.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Em 10 de julho, o comandante da unidade Centro de Inform\u00e1tica e Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito israelense, que fornece processamento de dados para todo o ex\u00e9rcito, falou em uma confer\u00eancia intitulada \u201cTecnologias de Informa\u00e7\u00e3o para as For\u00e7as de Defesa de Israel\u201d em Rishon Lezion, perto de Tel Aviv. Em seu discurso para um p\u00fablico de cerca de 100 militares e industriais, dos quais\u00a0<em>a +972 Magazine\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call\u00a0<\/em>obtiveram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qLBDfnZJrC8\" rel=\"noreferrer noopener\">uma grava\u00e7\u00e3o<\/a>, a Coronel Racheli Dembinsky confirmou publicamente pela primeira vez que os militares israelenses est\u00e3o usando armazenamento em nuvem e servi\u00e7os de intelig\u00eancia artificial fornecidos por gigantes da tecnologia civil no seu ataque cont\u00ednuo \u00e0 Faixa de Gaza. Nos slides da confer\u00eancia de Dembinsky, os logotipos da Amazon Web Services (AWS), Google Cloud e Microsoft Azure puderam ser vistos duas vezes.<\/p>\n<p>O armazenamento em nuvem \u00e9 um meio de preservar grandes quantidades de dados digitais fora das pr\u00f3prias instala\u00e7\u00f5es, geralmente em servidores gerenciados por um provedor externo. Dembinsky explicou desde o in\u00edcio que a sua unidade militar, conhecida pelo acr\u00f4nimo hebraico Mamram, j\u00e1 estava utilizando uma \u201cnuvem operacional\u201d alojada em servidores militares internos, em vez de nuvens p\u00fablicas geridas por empresas civis. Ele descreveu esta nuvem interna como uma \u201cplataforma de armas\u201d, que inclui aplica\u00e7\u00f5es para a marca\u00e7\u00e3o de alvos para bombardeios, um portal para visualiza\u00e7\u00e3o de imagens ao vivo de ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados sobre os c\u00e9us de Gaza, bem como sistemas de fogo, comando e controle.<\/p>\n<p>No entanto, continuou, com o in\u00edcio da invas\u00e3o terrestre de Gaza pelo ex\u00e9rcito israelense no final de outubro de 2023, os sistemas militares internos ficaram rapidamente sobrecarregados devido ao grande n\u00famero de soldados e militares adicionados \u00e0 plataforma como usu\u00e1rios, o que causou problemas t\u00e9cnicos que quase atrasou as fun\u00e7\u00f5es militares de Israel.<\/p>\n<p>A primeira tentativa de resolver o problema, explicou Dembinsky, foi ativar todos os servidores de repostos dispon\u00edveis dispon\u00edveis nos armaz\u00e9ns do ex\u00e9rcito e estabelecer outro data center, mas n\u00e3o foi suficiente. Eles decidiram que precisavam \u201csair ao exterior, entrar no mundo civil\u201d. Segundo ela, os servi\u00e7os de nuvem oferecidos pelas grandes empresas de tecnologia permitiram que os militares adquirissem servidores ilimitados de armazenamento e processamento com o clique de um bot\u00e3o, sem a obriga\u00e7\u00e3o de armazenar fisicamente os servidores nos centros de computa\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com Dembinsky, a vantagem \u201cmais importante\u201d que as empresas de nuvem trouxeram foram as suas capacidades avan\u00e7adas em intelig\u00eancia artificial. \u201cH\u00e1 uma abund\u00e2ncia de servi\u00e7os, big data e intelig\u00eancia artificial \u2013 chegamos a um ponto em que os nossos sistemas realmente precisam deles\u201d, disse ele com um sorriso. Trabalhar com estas empresas, acrescentou, proporcionou ao ex\u00e9rcito \u201cefic\u00e1cia operacional muito significativa\u201d na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>Dembinsky n\u00e3o especificou quais servi\u00e7os foram adquiridos das empresas de nuvem ou como elas ajudaram os militares. Num coment\u00e1rio ao\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>\u00e0 Local Call<\/em>, os militares israelenses sublinharam que as informa\u00e7\u00f5es confidenciais e os sistemas de ataque armazenados na nuvem interna n\u00e3o foram transferidos para nuvens p\u00fablicas fornecidas por empresas de tecnologia.<\/p>\n<p>No entanto, uma nova investiga\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call\u00a0<\/em>pode revelar que os militares israelenses armazenaram, na verdade, certos dados de intelig\u00eancia obtidos atrav\u00e9s da vigil\u00e2ncia em massa da popula\u00e7\u00e3o de Gaza em servidores geridos pela AWS da Amazon. Al\u00e9m disso, a investiga\u00e7\u00e3o pode revelar que alguns fornecedores de nuvens t\u00eam fornecido capacidades e servi\u00e7os abundantes de IA \u00e0s unidades do ex\u00e9rcito israelense desde o in\u00edcio da guerra em Gaza.<\/p>\n<p>Fontes do Minist\u00e9rio da Defesa de Israel, da ind\u00fastria de armas israelense, das tr\u00eas empresas de nuvem e de sete oficiais de intelig\u00eancia israelenses que estiveram envolvidos na opera\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio da invas\u00e3o terrestre em outubro, descreveram ao\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>\u00e0 Local\u00a0<\/em><em>Call<\/em><em>\u00a0<\/em>como os militares obt\u00eam recursos do setor privado para melhorar as suas capacidades tecnol\u00f3gicas em tempos de guerra. De acordo com tr\u00eas fontes de intelig\u00eancia, a coopera\u00e7\u00e3o militar com a AWS \u00e9 particularmente estreita: o gigante da nuvem fornece \u00e0 Diretoria de Intelig\u00eancia Militar de Israel um conjunto de servidores que \u00e9 usado para armazenar grandes quantidades de informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia que servem aos militares na guerra.<\/p>\n<p>Segundo v\u00e1rias fontes, a capacidade exponencial do sistema de nuvem p\u00fablica AWS permite ao ex\u00e9rcito ter \u201carmazenamento ilimitado\u201d para possuir informa\u00e7\u00f5es sobre quase \u201ctodos\u201d em Gaza. Uma fonte que usou o sistema baseado em nuvem durante a guerra em curso descreveu fazer \u201csolicita\u00e7\u00f5es \u00e0 Amazon\u201d de informa\u00e7\u00f5es enquanto executava tarefas operacionais e trabalhava com duas telas: uma conectada aos sistemas privados dos militares e outra conectada \u00e0 AWS.<\/p>\n<p>Fontes militares insistiram ao\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local\u00a0<\/em><em>Call<\/em><em>\u00a0<\/em>que o \u00e2mbito da informa\u00e7\u00e3o recolhida a partir da vigil\u00e2ncia de todos os residentes palestinos de Gaza \u00e9 t\u00e3o grande que n\u00e3o pode ser armazenada apenas em servidores militares. Em particular, de acordo com as fontes de intelig\u00eancia acima mencionadas, eram necess\u00e1rias capacidades de armazenamento e poder de processamento muito maiores para manter milhares de milh\u00f5es de arquivos de \u00e1udio (em vez de apenas informa\u00e7\u00e3o textual ou metadados), for\u00e7ando os militares a recorrer a servi\u00e7os de nuvem oferecidos por empresas tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>De acordo com depoimentos de fontes militares, a enorme quantidade de informa\u00e7\u00f5es armazenadas na nuvem da Amazon foi at\u00e9 \u00fatil em algumas ocasi\u00f5es para confirmar ataques a\u00e9reos em Gaza, ataques que tamb\u00e9m teriam matado e ferido civis palestinos. No seu conjunto, a nossa investiga\u00e7\u00e3o exp\u00f5e mais detalhadamente algumas das formas como as grandes empresas tecnol\u00f3gicas est\u00e3o contribuindo para a guerra em curso em Israel, uma guerra que foi apontada por tribunais internacionais por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/issam-younis-al-mezan-icc-icj-gaza\/\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>presum\u00edveis<\/u><u>\u00a0crimes de guerra\u00a0<\/u><\/a>e crimes contra a humanidade em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/icj-israel-occupation-illegal\/\" rel=\"noreferrer noopener\">territ\u00f3rio ilegalmente ocupado<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cVoc\u00ea paga um milh\u00e3o de d\u00f3lares e tem mil servidores\u00a0<\/strong><strong>a mais<\/strong><strong>\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Em 2021, Israel assinou um contrato conjunto com Google e Amazon chamado Projeto Nimbus. O objetivo declarado pela licita\u00e7\u00e3o, no valor de 1,2 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, era incentivar os minist\u00e9rios do governo a transferir os seus sistemas de informa\u00e7\u00e3o dos servidores de nuvem p\u00fablica para as empresas vencedoras e receber destas servi\u00e7os avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>O acordo foi muito controverso; mesmo assim centenas de trabalhadores de ambas as empresas assinaram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2021\/oct\/12\/google-amazon-workers-condemn-project-nimbus-israeli-military-contract\" rel=\"noreferrer noopener\">uma carta aberta\u00a0<\/a>alguns meses depois apelando ao corte dos v\u00ednculos com o ex\u00e9rcito israelense. Os protestos de funcion\u00e1rios da Amazon e do Google aumentaram desde 7 de outubro, organizados sob o lema\u00a0<a href=\"https:\/\/www.notechforapartheid.com\/\" rel=\"noreferrer noopener\">No Tech For Apartheid\u00a0<\/a>(N\u00e3o \u00e0 tecnologia para o apartheid). Em abril, o Google (que foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.404media.co\/google-cloud-listed-then-removed-as-sponsor-of-israeli-military-tech-conference\/#:~:text=The_conference%2C_organized_by_the,and_security%E2%80%9D_on_its_website.\" rel=\"noreferrer noopener\">brevemente listado como patrocinador\u00a0<\/a>da confer\u00eancia IT For IDF, onde Dembinsky falou, antes de seu logotipo ser removido)\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/technology\/2024\/apr\/27\/google-project-nimbus-israel\" rel=\"noreferrer noopener\">demitiu 50 funcion\u00e1rios\u00a0<\/a>por participarem de um protesto nos escrit\u00f3rios da empresa em Nova York.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.haaretz.co.il\/blogs\/yossimelman\/2022-01-25\/ty-article\/0000017f-f894-d887-a7ff-f8f42c5b0000\" rel=\"noreferrer noopener\">Relatos da m\u00eddia\u00a0<\/a>sustentaram que os militares de Israel e o Minist\u00e9rio da Defesa carregariam apenas materiais n\u00e3o classificados para a nuvem p\u00fablica no \u00e2mbito do Projeto Nimbus. Mas a nossa investiga\u00e7\u00e3o revela que, pelo menos desde outubro de 2023, grandes empresas de nuvem t\u00eam fornecido armazenamento de dados e servi\u00e7os de intelig\u00eancia artificial a unidades militares que lidam com informa\u00e7\u00f5es classificadas. V\u00e1rias fontes de seguran\u00e7a disseram\u00a0<em>ao +972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call\u00a0<\/em>que, desde outubro, a press\u00e3o sobre os militares israelenses causou um aumento dr\u00e1stico na compra de servi\u00e7os do Google Cloud, AWS da Amazon e Microsoft Azure e que a maioria das compras das duas primeiras empresas foram realizadas atrav\u00e9s de o contrato Nimbus.<\/p>\n<p>Uma fonte segura explicou que no in\u00edcio da guerra os sistemas do ex\u00e9rcito israelense estavam t\u00e3o sobrecarregados que consideraram transferir um sistema de intelig\u00eancia, que serviu de base para numerosos ataques em Gaza, para servidores p\u00fablicos na nuvem. \u201cHavia 30 vezes mais usu\u00e1rios, ent\u00e3o ele simplesmente travou\u201d, disse a fonte sobre o sistema.<\/p>\n<p>\u201cO que acontece na nuvem [p\u00fablica]\u201d, continuou a fonte, \u201c\u00e9 que voc\u00ea d\u00e1 um clique, paga outros mil d\u00f3lares naquele m\u00eas e tem 10 servidores. Uma guerra come\u00e7a? Voc\u00ea paga um milh\u00e3o de d\u00f3lares e tem mais mil servidores. Esse \u00e9 o poder da nuvem. \u00c9 por isso que [durante a guerra] houve pessoas nas For\u00e7as de Defesa de Israel que realmente pressionaram para trabalhar com a nuvem. \u201cEles se depararam com um dilema.\u201d<\/p>\n<p>O projeto Nimbus aliviou esse dilema. Como parte dos termos da licita\u00e7\u00e3o, as duas empresas vencedoras, Google e Amazon, instalaram centros de dados em Israel em\u00a0<a href=\"https:\/\/cloud.google.com\/blog\/products\/infrastructure\/new-google-cloud-region-in-israel-is-now-open\" rel=\"noreferrer noopener\">2022\u00a0<\/a>e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.timesofisrael.com\/israel-signs-deal-for-cloud-services-with-google-amazon\/#:~:text=Israel_on_Monday_officially_announced_its_signing_of,giants_come_under_pressure_to_boycott_the_country\" rel=\"noreferrer noopener\">2023<\/a>, respectivamente. Anatoly Kushnir, cofundador da empresa de tecnologia israelense Comm-IT, que tem ajudado unidades militares a migrar para a nuvem desde outubro, explicou ao\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>\u00e0 Local Call\u00a0<\/em>que a Nimbus \u201ccriou uma infraestrutura\u201d de centros de computa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ados sob jurisdi\u00e7\u00e3o israelense.<\/p>\n<p>Este acordo, disse ele, tornou mais f\u00e1cil para \u201centidades de seguran\u00e7a, mesmo as mais sens\u00edveis\u201d, armazenar informa\u00e7\u00f5es na nuvem durante a guerra, sem medo de tribunais estrangeiros, que poderiam potencialmente exigir as informa\u00e7\u00f5es no caso de um processo judicial contra Israel.<\/p>\n<p>\u201cDurante a guerra\u201d, continuou Kushnir, \u201cforam criadas necessidades [no ex\u00e9rcito] que n\u00e3o existiam [antes], e foi muito mais f\u00e1cil implement\u00e1-las [utilizando] esta infra-estrutura, porque \u00e9 a infra-estrutura de um propriet\u00e1rio global que pode fornecer todos os tipos de servi\u00e7os, dos mais simples aos mais complicados\u201d. Estas empresas, acrescentou, forneceram aos militares israelenses \u201cos servi\u00e7os mais avan\u00e7ados\u201d dispon\u00edveis, que foram ent\u00e3o utilizados na atual guerra em Gaza.<\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a dr\u00e1stica nos procedimentos do Ex\u00e9rcito acelerou consideravelmente desde o in\u00edcio da guerra. No passado, disse Kushnir, os militares dependiam principalmente de sistemas que eles pr\u00f3prios desenvolveram, conhecidos como \u201con-prem\u201d, abrevia\u00e7\u00e3o de \u201con-premise\u201d. Mas isto significava que teria de esperar meses ou mesmo anos para construir novos servi\u00e7os que lhe faltavam. Por outro lado, na nuvem p\u00fablica, a intelig\u00eancia artificial, as capacidades de armazenamento e processamento s\u00e3o \u201cmuito mais acess\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Para qualificar os seus coment\u00e1rios, Kushnir explicou que \u201cas informa\u00e7\u00f5es realmente sens\u00edveis, as coisas mais secretas, n\u00e3o est\u00e3o [na nuvem civil]. A parte operacional certamente n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed. Mas h\u00e1 coisas de intelig\u00eancia que s\u00e3o parcialmente mantidas l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, mesmo dentro do ex\u00e9rcito, alguns expressaram preocupa\u00e7\u00f5es sobre o potencial de viola\u00e7\u00f5es de dados. \u201cQuando come\u00e7aram a conversar conosco sobre nuvem e perguntamos se havia algum problema de seguran\u00e7a cibern\u00e9tica no envio de nossas informa\u00e7\u00f5es para uma empresa terceirizada, eles nos disseram que [o risco] \u00e9 insignificante comparado ao valor de poder us\u00e1-lo, \u201d disse uma fonte de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cA nuvem tem informa\u00e7\u00f5es sobre todos\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Fontes disseram\u00a0<em>ao +972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>\u00e0 Local Call\u00a0<\/em>que a maior parte da intelig\u00eancia do ex\u00e9rcito israelense sobre os agentes militares palestinos est\u00e1 armazenada nos sistemas internos do ex\u00e9rcito, e n\u00e3o na nuvem p\u00fablica, que est\u00e1 conectada \u00e0 internet. No entanto, de acordo com tr\u00eas fontes de seguran\u00e7a, um dos sistemas de dados utilizados pela Diretoria de Intelig\u00eancia Militar de Israel est\u00e1 armazenado na nuvem p\u00fablica da Amazon, AWS.<\/p>\n<p>Os militares t\u00eam utilizado este sistema em Gaza para vigil\u00e2ncia em massa pelo menos desde finais de 2022, mas n\u00e3o era considerado particularmente operacional antes da guerra atual. Agora, de acordo com essas fontes, o sistema da Amazon cont\u00e9m um \u201carmazenamento infinito\u201d de informa\u00e7\u00f5es para uso do ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Fontes de defesa afirmaram que as informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia armazenadas na AWS ainda s\u00e3o consideradas \u201cinsignificantes\u201d em termos de seu uso operacional, em compara\u00e7\u00e3o com aquelas mantidas nos sistemas internos dos militares. No entanto, tr\u00eas fontes envolvidas nos ataques do ex\u00e9rcito afirmaram que o sistema foi utilizado em v\u00e1rios casos para fornecer \u201cinforma\u00e7\u00f5es suplementares\u201d antes dos ataques a\u00e9reos contra suspeitos de serem militares, alguns dos quais mataram muitos civis.<\/p>\n<p>Conforme revelado por\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call\u00a0<\/em>numa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/mass-assassination-factory-israel-calculated-bombing-gaza\/\" rel=\"noreferrer noopener\">investiga\u00e7\u00e3o anterior<\/a>, o ex\u00e9rcito israelense autorizou o assassinato de \u201ccentenas de civis\u201d em ataques contra lideran\u00e7as do Hamas nas fileiras de comandante de brigada e, em alguns casos, at\u00e9 comandante de batalh\u00e3o. Em alguns desses casos, explicaram fontes de seguran\u00e7a, a nuvem da Amazon foi colocada em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo algumas fontes, o sistema baseado na AWS \u00e9 particularmente \u00fatil para a intelig\u00eancia israelense porque pode armazenar informa\u00e7\u00f5es \u201csobre o mundo inteiro\u201d, sem limita\u00e7\u00f5es de armazenamento. Isto por vezes teve vantagens operacionais: uma fonte de intelig\u00eancia descreveu um momento \u201cverdadeiramente transcendental\u201d na guerra, quando o ex\u00e9rcito localizou um membro de alto escal\u00e3o da ala militar do Hamas dentro de um grande edif\u00edcio de v\u00e1rios andares, cheio de centenas de refugiados e doentes. A fonte descreveu o uso da AWS para coletar informa\u00e7\u00f5es sobre quem estava no pr\u00e9dio. O ataque, declarou ele, acabou por ser abortado porque n\u00e3o estava claro exatamente onde o agente de alta patente se escondia e o ex\u00e9rcito temia que o avan\u00e7o prejudicasse ainda mais a imagem de Israel.<\/p>\n<p>\u201cA nuvem [da Amazon] \u00e9 um espa\u00e7o de armazenamento infinito\u201d, disse outra fonte de intelig\u00eancia israelense. \u201cAinda existem os habituais servidores [do ex\u00e9rcito], que s\u00e3o bastante grandes [\u2026] Mas, \u00e0s vezes, durante a coleta de informa\u00e7\u00f5es voc\u00ea encontra algu\u00e9m que lhe interessa e diz: \u2018Que pena, ele n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00eddo [como alvo de vigil\u00e2ncia], n\u00e3o tenho informa\u00e7\u00f5es sobre ele.\u2019 Mas a nuvem d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre ele, porque a nuvem tem [informa\u00e7\u00f5es sobre] todos.\u201d<\/p>\n<p>Anteriormente, os militares apagavam informa\u00e7\u00f5es in\u00fateis acumuladas em seus bancos de dados para abrir espa\u00e7o para novas informa\u00e7\u00f5es. Mas em sua confer\u00eancia de 10 de julho, Dembinsky observou que o Ex\u00e9rcito tem trabalhado desde outubro para \u201csalvaguardar, armazenar e armazenar todo o material de combate\u201d. Uma fonte de seguran\u00e7a confirmou que isso \u00e9 verdade e atribuiu o aumento no espa\u00e7o de armazenamento \u00e0s empresas de nuvem p\u00fablica.<\/p>\n<p>Outro grande incentivo para trabalhar com gigantes da nuvem s\u00e3o as suas capacidades de intelig\u00eancia artificial e os conjuntos de servidores de unidades de processamento gr\u00e1fico (GPU) dos quais dependem. Uma fonte de intelig\u00eancia, que esteve envolvida em discuss\u00f5es sobre a transfer\u00eancia da intelig\u00eancia militar para a nuvem p\u00fablica, disse que os seus superiores \u201cfalaram sobre se migrassem para a nuvem, ent\u00e3o [as empresas de nuvem] tamb\u00e9m teriam as suas pr\u00f3prias capacidades de convers\u00e3o de voz em texto. Elas s\u00e3o boas; t\u00eam muitos recursos. Por que desenvolver tudo na unidade militar se as capacidades j\u00e1 existem?\u201d<\/p>\n<p>O fluxo de trabalho descrito para\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local\u00a0<\/em><em>Call<\/em><em>\u00a0<\/em>por oficiais de intelig\u00eancia \u2013 \u201cpedir\u201d dados da nuvem p\u00fablica AWS e depois envi\u00e1-los para uma rede militar fechada \u2013 corresponde aos detalhes apresentados em um livro de 2021 pelo atual comandante da Unidade 8200, uma unidade de elite da Diretoria de Intelig\u00eancia Militar de Israel, recentemente identificada pelo\u00a0<em>The Guardian\u00a0<\/em>como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2024\/apr\/05\/top-israeli-spy-chief-exposes-his-true-identity-in-online-security-lapse\" rel=\"noreferrer noopener\">Yossi Sariel<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cComo as ag\u00eancias de seguran\u00e7a podem usar a \u2018nuvem Amazon\u2019 e se sentirem seguras?\u201d, escreveu Sariel, propondo como solu\u00e7\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de uma rede especial na qual o sistema militar interno e a nuvem p\u00fablica pudessem \u201ccomunicar-se entre si de forma segura em todos os momentos.\u201d O \u00e2mbito da informa\u00e7\u00e3o secreta recolhida pela intelig\u00eancia israelense \u00e9 t\u00e3o grande, acrescentou, que s\u00f3 pode ser armazenada \u201cem empresas como Amazon, Google ou Microsoft\u201d.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, num artigo publicado numa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.intelligence-research.org.il\/userfiles\/image\/cat7\/Halacha_No.7_INTERNET_10.11.2021%20(1).pdf\" rel=\"noreferrer noopener\">revista de intelig\u00eancia israel<\/a>ense, o vice-comandante da Unidade 8200 apelou a \u201cnovas alian\u00e7as\u201d com fornecedores de nuvens p\u00fablicas, uma vez que as suas capacidades de intelig\u00eancia artificial s\u00e3o \u201cinsubstitu\u00edveis\u201d e superiores \u00e0s do ex\u00e9rcito. Ele deu a entender que as empresas de nuvem tamb\u00e9m se beneficiar\u00e3o com a parceria com os militares: \u201c<a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Directorio_de_Inteligencia_Militar\" rel=\"noreferrer noopener\">Aman\u00a0<\/a>[a Diretoria de Intelig\u00eancia Militar] det\u00e9m a maioria dos dados das FDI, incluindo dados sobre inimigos, provenientes de uma ampla variedade de sensores, dados que as empresas civis pagariam um fortuna para ter acesso.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cO que a\u00a0<\/strong><strong>DFI<\/strong><strong>\u00a0usa ser\u00e1 um dos seus pontos fortes\u201d<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com fontes militares e da ind\u00fastria de armas, durante anos o Microsoft Azure foi considerado o principal fornecedor de servi\u00e7os em nuvem de Israel, vendendo seus servi\u00e7os ao Minist\u00e9rio da Defesa e a unidades do ex\u00e9rcito que lidam com informa\u00e7\u00f5es confidenciais. De acordo com uma fonte, o Azure deveria fornecer aos militares israelenses a nuvem na qual as informa\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia seriam armazenadas, mas a Amazon ofereceu um pre\u00e7o melhor. Fontes de empresas de servi\u00e7os em nuvem, que estavam cientes das liga\u00e7\u00f5es com o Minist\u00e9rio da Defesa de Israel, disseram que desde que a Amazon ganhou a licita\u00e7\u00e3o de Nimbus, tem competido agressivamente com o Azure, esperando substitu\u00ed-lo como principal fornecedor de servi\u00e7os do ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Kushnir, da Comm-IT, explicou que, no passado, \u201ca maioria das ag\u00eancias governamentais e militares investiram pesadamente no desenvolvimento e constru\u00e7\u00e3o de sistemas baseados no Azure\u201d. Mas como o Azure n\u00e3o ganhou a licita\u00e7\u00e3o de Nimbus, continuou, houve um \u201ccerto processo de migra\u00e7\u00e3o\u201d no Minist\u00e9rio da Defesa para os servidores do Google e da Amazon, que se acelerou durante a guerra atual.<\/p>\n<p>Segundo fontes do setor de alta tecnologia, o Minist\u00e9rio da Defesa israelense \u00e9 considerado um cliente importante e \u201cestrat\u00e9gico\u201d para as tr\u00eas empresas de nuvem. Isto n\u00e3o se deve apenas \u00e0 magnitude financeira das transac\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m porque Israel \u00e9 visto como algu\u00e9m que influencia a opini\u00e3o das ag\u00eancias de seguran\u00e7a em todo o mundo e lidera as \u201ctend\u00eancias\u201d adotadas por outras ag\u00eancias.<\/p>\n<p>Uma das pessoas que durante anos liderou a pol\u00edtica de compras do Minist\u00e9rio da Defesa e manteve contato com os gigantes da nuvem \u00e9 o coronel Avi Dadon, que falou com\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call\u00a0<\/em>para esta investiga\u00e7\u00e3o. Ele chefiou a administra\u00e7\u00e3o de compras do Minist\u00e9rio da Defesa at\u00e9 2023 e foi respons\u00e1vel por compras militares no valor de cerca de US$ 2,7 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>\u201cPara [empresas de nuvem], \u00e9 a estrat\u00e9gia de marketing mais poderosa\u201d, disse Dadon. \u201cO que a IDF utiliza foi e ser\u00e1 um dos melhores argumentos de vendas de produtos e servi\u00e7os no mundo. Para eles, \u00e9 um laborat\u00f3rio. \u00c9 claro que eles querem [trabalhar conosco].\u201d<\/p>\n<p>Dadon disse que teve in\u00fameras reuni\u00f5es com representantes da AWS, Microsoft Azure e Google Cloud em Israel e em viagens aos Estados Unidos. Ele tamb\u00e9m esteve em contato com os gigantes das nuvens a respeito de uma licita\u00e7\u00e3o secreta chamada Projeto Sirius.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.globes.co.il\/news\/article.aspx?did=1001374799\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>Conforme relatado\u00a0<\/u><u>em primeira m\u00e3o<\/u><u>\u00a0pelo\u00a0<\/u><\/a>jornal financeiro israelense\u00a0<em>Globes\u00a0<\/em>em 2021, a Sirius \u00e9 considerada muito mais sens\u00edvel do que a Nimbus e ainda n\u00e3o assinou contratos com nenhuma das empresas de tecnologia. Em maio, os militares\u00a0<a href=\"https:\/\/www.idf.il\/%D7%90%D7%AA%D7%A8%D7%99-%D7%99%D7%97%D7%99%D7%93%D7%95%D7%AA\/%D7%93%D7%A8%D7%95%D7%A9%D7%99%D7%9D-%D7%A7%D7%A8%D7%99%D7%99%D7%A8%D7%94-%D7%91%D7%A6%D7%94-%D7%9C\/%D7%9E%D7%A9%D7%A8%D7%95%D7%AA-%D7%A2%D7%95%D7%91%D7%93%D7%95%D7%AA-%D7%95%D7%A2%D7%95%D7%91%D7%93%D7%99-%D7%A6%D7%94-%D7%9C\/%D7%AA%D7%A7%D7%A9%D7%95%D7%91-%D7%AA%D7%A9%D7%AA%D7%99%D7%95%D7%AA-%D7%95%D7%93%D7%99%D7%92%D7%99%D7%98%D7%9C\/%D7%AA%D7%A7%D7%A9%D7%95%D7%91-%D7%AA%D7%A9%D7%AA%D7%99%D7%95%D7%AA-%D7%95%D7%93%D7%99%D7%92%D7%99%D7%98%D7%9C\/\">anunciaram\u00a0<\/a>no seu site que pretendem contratar um especialista que ir\u00e1 \u201ctrabalhar com grandes fornecedores de nuvem\u201d para \u201ctransferir sistemas [militares] para a nuvem p\u00fablica (Nimbus)\u201d e \u201cpreparar-se a subida dos sistemas centrais para a nuvem de seguran\u00e7a\u201d no \u00e2mbito da licita\u00e7\u00e3o de Sirius.<\/p>\n<p>\u201cSirius \u00e9 uma nuvem de seguran\u00e7a privada isolada de redes p\u00fablicas e outras redes e destina-se exclusivamente \u00e0s For\u00e7as de Defesa de Israel e ao Minist\u00e9rio da Defesa\u201d, explicou Dadon. \u201cH\u00e1 mais de uma d\u00e9cada h\u00e1 discuss\u00f5es sobre como ser\u00e1 isso.\u201d Esta nova nuvem, de acordo com tr\u00eas fontes de seguran\u00e7a, dever\u00e1 ser desligada da Internet e ser\u00e1 constru\u00edda sobre a infra-estrutura de grandes provedores de nuvem, permitindo que todas as ag\u00eancias de seguran\u00e7a israelense a utilizem para sistemas confidenciais.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os de nuvem p\u00fablica, segundo Dadon, t\u00eam potencial para aumentar a letalidade militar. Quando voc\u00ea procura uma pessoa para \u201celimin\u00e1-la\u201d, explicou ele, \u201cvoc\u00ea coleta bilh\u00f5es de detalhes que aparentemente n\u00e3o s\u00e3o interessantes. Mas precisam estar armazenados. Uma vez que de deseja processsar [e] fundir tudo em um produto que te fale que [o objetivo] est\u00e1 aqui, nesta hora, voc\u00ea tem cinco minutos, n\u00e3o tem o dia e a noite toda. Portanto, obviamente, precisa de informa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode fazer isso em seus servidores porque precisa excluir constantemente o que acha que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio\u201d, continuou Dadon. \u201cH\u00e1 aqui uma solu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria muito importante. Depois de carregar informa\u00e7\u00f5es para a nuvem, o caminho de volta \u00e0s instala\u00e7\u00f5es locais \u00e9 quase imposs\u00edvel. Voc\u00ea entra em um novo mundo. Voc\u00ea j\u00e1 carregou informa\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias ordens de grande magnitude e agora o que vai fazer? Come\u00e7ar a elimin\u00e1-las?\u201d<\/p>\n<p>Como\u00a0<em>o\u00a0<\/em><em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>a Local Call\u00a0<\/em><em>revelaram<\/em><em>\u00a0<\/em>numa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/lavender-ai-israeli-army-gaza\/\" rel=\"noreferrer noopener\">investiga\u00e7\u00e3o anterior<\/a>, muitos dos ataques de Israel a Gaza no in\u00edcio da guerra basearam-se nas recomenda\u00e7\u00f5es de um programa chamado \u201cLavender\u201d. Com a ajuda de uma IA, este sistema processou informa\u00e7\u00f5es sobre a maioria dos residentes de Gaza e compilou uma lista de militares suspeitos, incluindo militares de baixa patente, para assassinar. Israel atacou sistematicamente estas tropas nas suas casas particulares, matando fam\u00edlias inteiras. Com o tempo, os militares perceberam que o Lavender n\u00e3o era \u201cconfi\u00e1vel\u201d o suficiente e seu uso diminuiu em favor de outros softwares.\u00a0<em>+972<\/em><em>\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call\u00a0<\/em>n\u00e3o puderam confirmar se o Lavender foi desenvolvido com a ajuda de empresas civis, incluindo empresas de nuvem p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cVoc\u00ea est\u00e1 lutando de dentro do seu\u00a0<\/strong><strong>laptop\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Na sua palestra do m\u00eas passado, Dembinsky chamou a atual opera\u00e7\u00e3o militar em Gaza de \u201ca primeira guerra digital\u201d. Embora possa parecer um exagero, dado que a ofensiva de 2021 na Faixa tamb\u00e9m utilizou capacidades digitais, fontes da defesa israelense disseram que os processos de digitaliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito foram consideravelmente acelerados durante a guerra atual. Segundo eles, os comandantes no campo de batalha circulam com smartphones criptografados, enviam mensagens em um chat operacional semelhante ao WhatsApp (mas n\u00e3o relacionado \u00e0 empresa), carregam arquivos em um drive compartilhado e utilizam in\u00fameros novos aplicativos.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea est\u00e1 lutando dentro do seu laptop\u201d, declarou um oficial que serviu numa sala de opera\u00e7\u00f5es de combate em Gaza. No passado, \u201cvoc\u00ea veria o branco dos olhos do seu inimigo, olharia atrav\u00e9s do bin\u00f3culo e o veria explodir\u201d. Por\u00e9m, hoje, quando um alvo aparece, \u201cvoc\u00ea diz [aos soldados] atrav\u00e9s do laptop: \u2018Atire com o tanque\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Um dos aplicativos de nuvem internos dos militares \u00e9 chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.srugim.co.il\/918472-%D7%94%D7%9E%D7%9C%D7%97%D7%9E%D7%94-%D7%A2%D7%9C-%D7%94%D7%94%D7%A1%D7%91%D7%A8%D7%94-%D7%9B%D7%9A-%D7%A2%D7%95%D7%91%D7%93-%D7%94%D7%AA%D7%99%D7%A2%D7%95%D7%93-%D7%94%D7%A6%D7%94%D7%9C%D7%99\" rel=\"noreferrer noopener\">Z-Tube\u00a0<\/a>(Z \u00e9 a abrevia\u00e7\u00e3o de Zahal, a sigla para For\u00e7as de Defesa de Israel); \u00e9 um site muito parecido com o YouTube, que permite aos soldados acessar imagens ao vivo de todos os dispositivos de filmagem do ex\u00e9rcito em Gaza, incluindo ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados. Outro aplicativo, chamado \u201cMapIt\u201d, permite que os soldados marquem alvos em tempo real em um mapa interativo e colaborativo. \u201cOs alvos s\u00e3o a camada mais pesada do mapa\u201d, disse uma fonte de seguran\u00e7a\u00a0<em>ao<\/em><em>\u00a0<\/em><em>+972<\/em><em>\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call<\/em>. \u201cParece que cada casa tem um objetivo.\u201d<\/p>\n<p>Um aplicativo relacionado, chamado \u201cHunter\u201d, \u00e9 usado para localizar alvos em Gaza e detectar padr\u00f5es de comportamento usando intelig\u00eancia artificial. Foi apresentado na confer\u00eancia IT for IDF pelo Coronel Eli Birenbaum, comandante de uma unidade conhecida pela sigla hebraica Matzpen, respons\u00e1vel pelo desenvolvimento de sistemas para uso operacional.<\/p>\n<p>A nuvem interna deveria ser gerenciada em servidores militares e n\u00e3o conectada em nuvens de empresas privadas, mas v\u00e1rias fontes disseram que existem maneiras \u201cseguras\u201d pelas quais as empresas civis de nuvem tamb\u00e9m podem fornecer servi\u00e7os a sistemas operacionais.<\/p>\n<p>\u201cA IDF n\u00e3o divulga coisas muito sens\u00edveis e confidenciais; essas coisas ficam dentro [de redes militares isoladas]\u201d, disse o coronel Assaf Navot, ex-oficial s\u00eanior de TIC do ex\u00e9rcito e agora chefe da divis\u00e3o de defesa da Comm-IT, ao\u00a0<em>+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Local Call.\u00a0<\/em>Na sua opini\u00e3o, o desafio \u00e9 trazer o \u201cc\u00e9rebro\u201d das empresas civis de nuvem, como os servi\u00e7os de intelig\u00eancia artificial, para os sistemas internos dos militares, \u201csem que ele viva fora. Viva diretamente dentro. Ent\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o pode fazer tudo de uma maneira que seja ponto por ponto [o mesmo que] acontece l\u00e1 fora, mas um progresso incr\u00edvel \u00e9 conseguido.\u201d<\/p>\n<p>Em 2022, Itai Binyamin, especialista em intelig\u00eancia artificial que na \u00e9poca trabalhava com Microsoft Azure e agora est\u00e1 na AWS,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-JfDnUPJ1Wg\" rel=\"noreferrer noopener\">descreveu\u00a0<\/a>a um grupo de graduados da unidade Mamram de Dembinsky que este sistema permite \u201cimplementar as capacidades de intelig\u00eancia artificial [da Microsoft] mesmo nas instala\u00e7\u00f5es, em seus servidores, em um ambiente desconectado [da internet].\u201d Em sua explica\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo, Binyamin mostrou aos formandos como a ferramenta de reconhecimento facial da Microsoft poderia analisar um v\u00eddeo de not\u00edcias e identificar que o l\u00edder do Hamas, Ismail Haniyeh, estava nele.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/learn.microsoft.com\/en-us\/azure\/ai-services\/containers\/disconnected-containers\" rel=\"noreferrer noopener\">O site do Microsoft Azure\u00a0<\/a>refere-se a ferramentas chamadas \u201ccont\u00eaineres desconectados\u201d, projetadas para \u201cparceiros estrat\u00e9gicos\u201d que precisam manter suas informa\u00e7\u00f5es seguras. As ferramentas, segundo o site, incluem recursos de transcri\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o, reconhecimento de sentimentos, linguagem, resumo, an\u00e1lise de documentos e imagens e muito mais.<\/p>\n<p>Navot explicou que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia digital \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pido que a \u00fanica forma de fazer com que os militares \u201cn\u00e3o fiquem para tr\u00e1s\u201d \u00e9 comprar servi\u00e7os do mercado civil e de empresas de nuvem. \u201cTem o exemplo do M16 [fuzil de assalto]. A \u00faltima vez que fabricaram um M16 foi na Guerra do Vietn\u00e3. N\u00e3o mudou muita coisa.\u201d Mas quando se trata de software digital, diz ele, as coisas mudam \u201cem quest\u00e3o de meses, n\u00e3o de anos\u201d.<\/p>\n<p>O simples fato de material de intelig\u00eancia, mesmo que n\u00e3o diretamente operacional, ser carregado numa nuvem civil suscitou preocupa\u00e7\u00f5es entre alguns membros das for\u00e7as armadas israelenses. \u201cH\u00e1 algo assustador\u201d, disse uma fonte do ex\u00e9rcito. \u201cA informa\u00e7\u00e3o que o ex\u00e9rcito tem hoje \u00e9 informa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel sobre muitas pessoas [nos territ\u00f3rios ocupados]. Ent\u00e3o, vamos entreg\u00e1-lo a empresas gigantes, privadas e comerciais, cujo objetivo \u00e9 ganhar dinheiro?\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, outras fontes de seguran\u00e7a afirmaram que a informa\u00e7\u00e3o bruta recolhida de forma geral em vez de ser sobre alvos espec\u00edficos n\u00e3o \u00e9 particularmente sens\u00edvel, uma vez que s\u00f3 se torna sens\u00edvel quando \u00e9 traduzida em alvos de ataque. \u201cN\u00e3o seria realmente assustador se os iranianos tivessem [acesso a] esta informa\u00e7\u00e3o\u201d, disse uma das fontes.<\/p>\n<p>O general de brigada Yael Grossman, comandante da Divis\u00e3o de Fortalecimento de Tecnologia Operacional do Ex\u00e9rcito \u2013 conhecida pela sigla hebraica Lotem \u2013 \u00e0 qual Mamram se reporta, disse em um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Re3tFqFNpMg\" rel=\"noreferrer noopener\">podcast\u00a0<\/a>em maio passado que a depend\u00eancia de tecnologias civis na guerra atual permitiu um \u201csalto surpreendente em um curto espa\u00e7o de tempo\u201d. Mas Dadon compara o upload de materiais para a nuvem a \u201centregar as chaves de um Mercedes para outra pessoa. N\u00e3o dever\u00edamos usar o Mercedes? Precisamos fazer isso. Ent\u00e3o, como? N\u00e3o sei\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cH\u00e1 participa\u00e7\u00e3o direta nas ferramentas usadas para matar palestinos\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a Amazon tornou-se n\u00e3o apenas parceira dos militares israelenses, mas tamb\u00e9m fornecedora de servi\u00e7os em nuvem para diversas ag\u00eancias de intelig\u00eancia ocidentais. Em 2021, a AWS assinou um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/uk-news\/2021\/oct\/26\/amazon-web-services-aws-contract-data-mi5-mi6-gchq\" rel=\"noreferrer noopener\">acordo\u00a0<\/a>com as ag\u00eancias de intelig\u00eancia brit\u00e2nicas GCHQ, MI5 e MI6 para armazenar informa\u00e7\u00f5es \u201cclassificadas\u201d e acelerar o uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial. O governo australiano tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/tech\/amazon-to-build-1-3-billion-top-secret-cloud-for-australias-government-699ec515\" rel=\"noreferrer noopener\">anunciou\u00a0<\/a>este m\u00eas que investiria US$ 1,3 bilh\u00e3o para construir uma nuvem para material de intelig\u00eancia \u201cultrassecreto\u201d nos servidores da Amazon. A gigante tecnol\u00f3gica tamb\u00e9m assinou um acordo com o Pent\u00e1gono, juntamente com outras tr\u00eas grandes empresas, para construir uma nuvem gigante que serviria o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para \u201ctodos os n\u00edveis de classifica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A Amazon tornou p\u00fablicas regras pouco claras para \u201c<a href=\"https:\/\/aws.amazon.com\/machine-learning\/responsible-ai\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Desenvolver IA de forma respons\u00e1vel<\/a>\u201d, que se referem apenas \u00e0 \u201cobten\u00e7\u00e3o, uso e prote\u00e7\u00e3o de dados de forma adequada\u201d e \u201cpreven\u00e7\u00e3o de resultados prejudiciais e uso indevido do sistema\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.microsoft.com\/en-us\/ai\/principles-and-approach\" rel=\"noreferrer noopener\">Os Princ\u00edpios e Abordagem de IA Respons\u00e1vel da Microsoft\u00a0<\/a>afirmam: \u201cEstamos empenhados em garantir que os sistemas de IA sejam desenvolvidos de forma respons\u00e1vel e de uma forma que garanta a confian\u00e7a das pessoas\u201d.<\/p>\n<p>O Google tamb\u00e9m publica uma lista de seus\u00a0<a href=\"https:\/\/ai.google\/responsibility\/principles\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Princ\u00edpios de IA\u00a0<\/a>que afirmam mais claramente que o Google \u201cn\u00e3o projetar\u00e1 ou implementar\u00e1 IA em [\u2026] tecnologias que causem ou possam causar danos gerais; [\u2026] armas ou outras tecnologias cujo objetivo principal ou implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 causar ou facilitar diretamente danos \u00e0s pessoas [\u2026] tecnologias que coletam ou usam informa\u00e7\u00f5es para vigil\u00e2ncia em viola\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es internacionalmente aceitos [\u2026] [ou] tecnologias cujo prop\u00f3sito contraria princ\u00edpios amplamente aceitos do direito internacional e dos direitos humanos\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, Gabriel Schubiner, ativista e organizador do No Tech For Apartheid, afirma que estes princ\u00edpios \u201cn\u00e3o t\u00eam nenhum efeito real\u201d porque as empresas de nuvem \u201cos utilizam como um dispositivo de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para mostrar o qu\u00e3o respons\u00e1veis s\u00e3o\u201d. Segundo ele, as empresas n\u00e3o t\u00eam como saber em tempo real como seus clientes utilizam seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Schubiner, que anteriormente trabalhou no Google e participou num protesto de funcion\u00e1rios do Google contra o fornecimento de tecnologia\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thenation.com\/article\/activism\/google-firings-gaza-project-nimbus\/\" rel=\"noreferrer noopener\">que dizem\u00a0<\/a>estar a ser usada pelo ex\u00e9rcito israelense na guerra de Gaza, diz que o Google sempre usou \u201clinguagem vaga\u201d ao declarar os seus princ\u00edpios \u00e9ticos. Al\u00e9m disso, diz ele, a empresa continua a alegar que os seus contratos com Israel s\u00e3o \u201cprincipalmente para uso civil, embora seja claro que muitas das a\u00e7\u00f5es na Nimbus se destinam a uso militar\u201d.<\/p>\n<p>Uma fonte de defesa disse\u00a0<em>ao<\/em><em>\u00a0+972\u00a0<\/em>e\u00a0<em>\u00e0 Local Call\u00a0<\/em>que a maioria dos novos contratos entre os militares e as empresas de nuvem desde o in\u00edcio da guerra foram finalizados atrav\u00e9s da licita\u00e7\u00e3o de Nimbus. No entanto, os militares tamb\u00e9m podem estabelecer e aprofundar la\u00e7os com empresas de nuvem atrav\u00e9s de licita\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Defesa ou atrav\u00e9s de contratos pr\u00e9-Projeto Nimbus. +972 e\u00a0<em>Local Call\u00a0<\/em>n\u00e3o puderam confirmar se a nuvem AWS, usada para armazenar informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia, foi adquirida como parte do Projeto Nimbus.<\/p>\n<p>\u201cNenhuma das empresas divulgou publicamente quais foram as devidas dilig\u00eancias em direitos humanos, se houver, que realizaram antes de participar no Projeto Nimbus\u201d, explicou Zach Campbell, especialista em direitos digitais da Human Rights Watch. \u201cEles n\u00e3o mencionaram quais limites existem, se houver, sobre qual seria o uso permitido de sua tecnologia.\u201d<\/p>\n<p>Kushnir, que tem ajudado unidades militares israelense a migrar para a nuvem, n\u00e3o teme que os protestos contra as parcerias das empresas de nuvem com Israel tenham sucesso. \u201c\u00c9 preciso lembrar que nuvens governamentais e militares semelhantes s\u00e3o administradas pelas mesmas empresas nos EUA, no Reino Unido e na Otan\u201d, disse ele. \u201cEles n\u00e3o s\u00e3o startups, s\u00e3o pot\u00eancias globais de TIC.\u201d<\/p>\n<p>Nadim Nashif, diretor executivo do 7amleh \u2013 Centro \u00c1rabe para o Avan\u00e7o das M\u00eddias Sociais, que se concentra nos direitos digitais palestinos, disse que sua exig\u00eancia b\u00e1sica para as empresas de nuvem \u00e9 que elas \u201cgarantam que seus produtos n\u00e3o sejam usados para prejudicar as pessoas\u201d, o que n\u00e3o se cumprindo na realidade. Segundo ele, apesar da ret\u00f3rica sobre a preocupa\u00e7\u00e3o com os direitos humanos, os produtos dos gigantes das nuvens s\u00e3o vendidos \u201ca governos e regimes que oprimem as pessoas\u201d, incluindo o ex\u00e9rcito israelense.<\/p>\n<p>Sobre a falta de supervis\u00e3o de projetos e alian\u00e7as entre empresas de nuvem, Nashif acrescentou: \u201cNo contexto local, em caso de ocupa\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o de saber se [estes servi\u00e7os] s\u00e3o vendidos para uso militar, ao ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o, ou se eles s\u00e3o vendidos para uso civil, torna-se muito mais importante.\u201d Segundo ele, a proximidade que existe em Israel entre o setor privado e o ex\u00e9rcito facilita a coopera\u00e7\u00e3o sem linhas vermelhas, o que leva a \u201cum maior controle sobre [os palestinos], ainda maior em meio \u00e0 guerra\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSempre houve muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 assist\u00eancia militar direta que os Estados Unidos fornecem a Israel (muni\u00e7\u00f5es, avi\u00f5es de combate e bombas), mas muito menos aten\u00e7\u00e3o foi dada \u00e0s parcerias que pertencem tanto \u00e0 esfera civil como \u00e0 esfera militar, \u201d ele disse Tariq Kenney-Shawa, pesquisador de pol\u00edticas estadunidenses no centro de estudos palestino Al-Shabaka. \u201c\u00c9 mais do que cumplicidade: \u00e9 participa\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o direta com o ex\u00e9rcito israelense nas ferramentas que utiliza para matar palestinos.\u201d<\/p>\n<p>Google e Microsoft se recusaram a responder ap\u00f3s v\u00e1rios pedidos de coment\u00e1rios de seus escrit\u00f3rios em Israel e nos Estados Unidos. A Amazon Web Services disse: \u201cA AWS est\u00e1 focada em disponibilizar os benef\u00edcios de nossa tecnologia de nuvem l\u00edder mundial para todos os nossos clientes, onde quer que estejam. Estamos empenhados em garantir a seguran\u00e7a dos nossos funcion\u00e1rios, apoiando os nossos colegas afetados por estes terr\u00edveis acontecimentos e trabalhando com os nossos parceiros humanit\u00e1rios para ajudar as pessoas afetadas pela guerra.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/as-digitais-das-big-techs-no-genocidio-em-gaza\/\">As digitais das Big Techs no genoc\u00eddio em Gaza &#8211; Outras Palavras<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yuval Abra\u00e3o &#8211; Investiga\u00e7\u00e3o revela: Amazon, Google e Microsoft colaboram com Tel-Aviv e s\u00e3o essenciais ao massacre dos palestinos, ao armazenar os dados e fornecer a IA necess\u00e1ria aos ataques. 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