{"id":24127,"date":"2024-07-19T13:56:53","date_gmt":"2024-07-19T16:56:53","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24127"},"modified":"2024-07-19T13:56:53","modified_gmt":"2024-07-19T16:56:53","slug":"como-cia-manipula-esquerda-ocidental-ha-70-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/07\/19\/como-cia-manipula-esquerda-ocidental-ha-70-anos\/","title":{"rendered":"Como CIA manipula esquerda ocidental h\u00e1 70 anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Gabriel Rockhill &#8211; <\/strong>Entrevista com Zhao Dingqi<\/p>\n<p>Gabriel Rockhill, fil\u00f3sofo, escritor, cr\u00edtico cultural, ativista franco-americano e professor de filosofia na Villanova University, na Pensilv\u00e2nia, entrevistou Zhao Dingqi, assistente de pesquisa no Instituto de Marxismo da Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais e editor de Estudos Socialistas Mundiais.<\/p>\n<p>Na conversa, eles debatem a guerra cultural capitaneada pelos EUA contra marxismo e o envolvimento entre a CIA e a classe dominante capitalista estadunidense, al\u00e9m de apontarem como a ideologia burguesa se aproveita do identitarismo e o multiculturalismo para enfraquecer a luta de classe e dividir a esquerda sem abordar os fundamentos materiais da coloniza\u00e7\u00e3o, do racismo e da opress\u00e3o de g\u00eanero. Confira.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p><strong>Zhao Dingqi: Est\u00e1 a terminar um livro acerca da chamada \u201cGuerra Fria Cultural\u201d. Que atividades os Estados Unidos e a CIA realizaram nesse tipo de conflito, que \u00e9 t\u00e3o diferente dos habituais?<\/strong><\/p>\n<p><em>Gabriel Rockhill:<\/em>\u00a0A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cia.gov\/\" rel=\"noreferrer noopener\">CIA<\/a>\u00a0empreendeu, juntamente com outras ag\u00eancias estatais e funda\u00e7\u00f5es das grandes corpora\u00e7\u00f5es capitalistas, uma\u00a0<a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/permalink\/77067\" rel=\"noreferrer noopener\">guerra fria cultural<\/a>\u00a0multifacetada destinada a conter (e, em \u00faltima an\u00e1lise, repelir e destruir) o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Comunismo\" rel=\"noreferrer noopener\">comunismo<\/a>. Essa\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Princ%C3%ADpios_elementares_da_propaganda_de_guerra\" rel=\"noreferrer noopener\">guerra de propaganda<\/a>\u00a0era de \u00e2mbito internacional e tinha muitos aspectos diferentes, dos quais mencionarei apenas alguns abaixo.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 importante notar que, apesar de seu amplo alcance e dos extensos recursos a ela dedicados pela CIA, perdeu muitas batalhas ao longo desta guerra. Para dar apenas um exemplo recente, demonstrando como esse conflito continua at\u00e9 hoje,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/autor\/raul-antonio-capote\/\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Ra\u00fal Antonio Capote<\/em><\/a>\u00a0revelou em seu livro de 2015 que trabalhou para a CIA durante anos nas suas campanhas de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.prensalatina.com.br\/2021\/10\/13\/cuba-contra-as-tentativas-de-desestabilizacao-2\/\" rel=\"noreferrer noopener\">desestabiliza\u00e7\u00e3o de Cuba<\/a>\u00a0voltadas especificamente para intelectuais, escritores, artistas e estudantes. Este professor universit\u00e1rio cubano que a CIA considerava que estava a enganar estava na verdade a enganar os arrogantes espi\u00f5es americanos: ele trabalhava disfar\u00e7ado para a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Direcci%C3%B3n_de_Inteligencia\" rel=\"noreferrer noopener\">intelig\u00eancia cubana<\/a>.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Este \u00e9 apenas um sinal entre muitos de que a CIA, apesar de suas v\u00e1rias vit\u00f3rias, continua a travar uma guerra dif\u00edcil de vencer, enquanto tenta impor uma\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ordem_mundial\" rel=\"noreferrer noopener\">ordem mundial<\/a>\u00a0hostil \u00e0 esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o do planeta.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Congresso para a Liberdade Cultural<\/strong><\/p>\n<p>Uma das pe\u00e7as centrais da guerra fria cultural foi o\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Congress_for_Cultural_Freedom#:~:text=The%20Congress%20for%20Cultural%20Freedom,active%20in%20thirty%2Dfive%20countries.\" rel=\"noreferrer noopener\">Congresso para a Liberdade Cultural (CCF)<\/a>, que em 1966 foi revelado como uma frente da CIA.<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/cla.csulb.edu\/departments\/history\/faculty\/wilford\/\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Hugh Wilford<\/em><\/a>, que pesquisou extensivamente o assunto, descreveu o CCF como nada menos que um dos maiores\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mecenato\" rel=\"noreferrer noopener\">mecenas<\/a>\u00a0da arte e da cultura na hist\u00f3ria do mundo.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Fundada em 1950, promoveu no cen\u00e1rio internacional o trabalho de estudiosos colaboracionistas como\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Raymond_Aron\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Raymond Aron<\/em><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hannah_Arendt\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Hannah Arendt<\/em><\/a>\u00a0acima e contra seus rivais\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Marxismo\" rel=\"noreferrer noopener\">marxistas<\/a>, incluindo nomes como\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jean-Paul_Sartre\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Jean-Paul Sartre<\/em><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Simone_de_Beauvoir\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Simone de Beauvoir<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>O CCF tinha escrit\u00f3rios em 35 pa\u00edses, mobilizou um ex\u00e9rcito de cerca de 280 funcion\u00e1rios, publicou ou apoiou cerca de 50 revistas de prest\u00edgio e organizou in\u00fameras exposi\u00e7\u00f5es de arte e cultura, bem como concertos e festivais internacionais.<\/p>\n<p>Durante a sua vida, ele tamb\u00e9m planejou ou patrocinou cerca de 135 confer\u00eancias e semin\u00e1rios internacionais, trabalhando com um m\u00ednimo de 38 institui\u00e7\u00f5es, e publicou pelo menos 170 livros. Seu servi\u00e7o de imprensa, o Forum Service, difundiu gratuitamente e em todo o mundo relatos de intelectuais\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Venalidade\" rel=\"noreferrer noopener\">venais<\/a>\u00a0em 12 idiomas, que alcan\u00e7aram 600 jornais e cinco milh\u00f5es de leitores.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Nossa grande fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Esta vasta rede global era o que seu diretor,\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Michael_Josselson\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Michael Josselson<\/em><\/a>, chamava \u2013 numa express\u00e3o que lembra a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/M%C3%A1fia\" rel=\"noreferrer noopener\">m\u00e1fia<\/a>\u00a0\u2013 de \u201cnossa grande fam\u00edlia\u201d. A partir da sua sede em Paris, o CCF tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o uma riqueza de recursos destinados a amplificar a voz de intelectuais, artistas e escritores\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Anticomunismo\" rel=\"noreferrer noopener\">anticomunistas<\/a>. Seu or\u00e7amento em 1966 foi de US$ 2.070.500, o que corresponde a US$19,5 milh\u00f5es em 2023. No entanto, a \u201cgrande fam\u00edlia\u201d de Josselson era apenas uma pequena parte do que\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Frank_Wisner\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Frank Wisner<\/em><\/a>, da CIA, chamou de \u201c<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Wurlitzer\" rel=\"noreferrer noopener\">poderoso Wurlitzer<\/a>\u201c: a m\u00e1quina de programa\u00e7\u00e3o cultural e de m\u00eddia internacional controlada pela Companhia.<\/p>\n<p>Para citar apenas alguns exemplos desse gigantesco quadro de guerra psicol\u00f3gica,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Carl_Bernstein\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Carl Bernstein<\/em><\/a>\u00a0reuniu amplas evid\u00eancias para mostrar que pelo menos 400 jornalistas americanos trabalharam subrepticiamente para a CIA entre 1952 e 1977.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Ap\u00f3s essas revela\u00e7\u00f5es, o\u00a0<em>New York Times<\/em>\u00a0lan\u00e7ou uma investiga\u00e7\u00e3o e concluiu que a CIA \u201cengloba mais de 800 organiza\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos de not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[5]<\/a>\u00a0Estas duas den\u00fancias foram publicadas nos media do establishment por jornalistas que trabalham nas mesmas redes que estavam analisando, ent\u00e3o essas estimativas provavelmente eram baixas.\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Arthur_Sulzberger\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Arthur Hays Sulzberger<\/em><\/a>, editor do\u00a0<em>New York Times<\/em>\u00a0de 1935 a 1961, trabalhou t\u00e3o de perto com a Ag\u00eancia que assinou um\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Confidencialidade#:~:text=Confidencialidade%20%C3%A9%20a%20propriedade%20da,a%20sua%20revela%C3%A7%C3%A3o%20n%C3%A3o%20autorizada.\" rel=\"noreferrer noopener\">acordo de confidencialidadeColumbia Broadcasting System (<\/a><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/CBS\" rel=\"noreferrer noopener\">CBS<\/a>) de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/biography\/William-S-Paley\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>William S. Paley<\/em><\/a>\u00a0foi, sem d\u00favida, o maior trunfo da CIA no campo da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Radiodifus%C3%A3o\" rel=\"noreferrer noopener\">radiodifus\u00e3o<\/a>. Ele trabalhou t\u00e3o intimamente com a Companhia que criou uma linha direta telef\u00f4nica para a sede da CIA que contornava seu operador central.<\/p>\n<p>Por outro lado, a empresa\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Time_Inc.\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Time Inc<\/em><\/a>., de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Henry_Luce\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Henry Luce<\/em><\/a>, foi uma colaboradora t\u00e3o poderosa no campo da comunica\u00e7\u00e3o que disponibilizou revistas como<em>\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Life_(revista)\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Life<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fortune_(revista)\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Fortune<\/em><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sports_Illustrated\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Sports Illustrated<\/em><\/a>\u00a0para a CIA. Luce concordou em contratar agentes da CIA como jornalistas, o que se tornou uma cobertura muito comum.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Public Affairs Office da CIA<\/strong><\/p>\n<p>Como sabemos de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Robert_Gates\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Robert Gates<\/em><\/a>, diretor da CIA em 1991, este tipo de pr\u00e1tica continuou inabal\u00e1vel ap\u00f3s as revela\u00e7\u00f5es mencionadas acima: \u201cO PAO (<a href=\"https:\/\/www.cia.gov\/about\/organization\/public-affairs\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Public Affairs Office<\/a>\u00a0da CIA) agora tem rela\u00e7\u00f5es com jornalistas de todos os principais servi\u00e7os de not\u00edcias, jornais, seman\u00e1rios de not\u00edcias e redes de televis\u00e3o do pa\u00eds\u2026 Em muitos casos, convencemos jornalistas a adiar, mudar, reter ou at\u00e9 mesmo descartar mat\u00e9rias\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[6]<\/a><\/p>\n<p>A CIA tamb\u00e9m ganhou o controle da\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NewsGuild-CWA\" rel=\"noreferrer noopener\">American Newspaper Guild<\/a>, e tornou-se propriet\u00e1ria de servi\u00e7os de imprensa, revistas e jornais que usava como fachada para seus agentes.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[7]<\/a>\u00a0Colocou agentes em servi\u00e7os de imprensa, como<em>\u00a0LATIN<\/em>,\u00a0<em>Reuters<\/em>,\u00a0<em>Associated Press<\/em>\u00a0e\u00a0<em>United Press International.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/William_Schaap\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>William Schaap<\/em><\/a>, um especialista em desinforma\u00e7\u00e3o, testemunhou que a CIA \u201cpossu\u00eda ou controlava cerca de 2.500 meios de comunica\u00e7\u00e3o em todo o mundo. Al\u00e9m disso, tinha em sua folha de pagamento correspondentes, jornalistas e editores de destaque, em praticamente todos os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[8]<\/a><\/p>\n<p>\u201cT\u00ednhamos pelo menos um jornal em cada capital estrangeira em um determinado momento\u201d, disse uma fonte de intelig\u00eancia ao rep\u00f3rter\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/John_M._Crewdson\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>John Crewdson<\/em><\/a>. Al\u00e9m disso, ele explicou que: \u201cnaqueles meios de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o eram de propriedade ou subsidiados pela Companhia, a ag\u00eancia se infiltrava com agentes pagos que podiam publicar hist\u00f3rias \u00fateis \u00e0 CIA\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_1_9\" rel=\"noreferrer noopener\">[9]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Era digital<\/strong><\/p>\n<p>Na era digital, esse processo, \u00e9 claro, continuou. Yasha Levine, Alan MacLeod e outros estudiosos detalharam o amplo envolvimento da \u201cseguran\u00e7a nacional\u201d dos EUA no \u00e2mbito das big techs e dos media sociais. Eles mostraram, entre outras coisas, que os principais operadores de intelig\u00eancia ocupam posi\u00e7\u00f5es-chave no Facebook, X (Twitter), TikTok, Reddit e Google.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[10]<\/a><\/p>\n<p>A CIA tamb\u00e9m se infiltrou na intelecturalidade profissional. Quando o Comit\u00e9 Church publicou seu relat\u00f3rio sobre a comunidade de intelig\u00eancia dos EUA (1975), a Ag\u00eancia admitiu que estava em contacto com \u201cmuitos milhares\u201d de acad\u00e9micos em \u201ccentenas\u201d de institui\u00e7\u00f5es e que nenhuma reforma a impediu de continuar ou expandir essa pr\u00e1tica, como confirmado pelo Memorando de Gates de 1991. \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[11]<\/a><\/p>\n<p>Os institutos russos de Harvard e Columbia, como o Hoover Institution de Stanford e o Center for International Studies do MIT, foram desenvolvidos com o apoio direto e supervis\u00e3o da CIA.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[12]<\/a><\/p>\n<p>Um membro da New School for Social Research divulgou recentemente uma s\u00e9rie de documentos confirmando que a CIA participou da Opera\u00e7\u00e3o Paperclip, que trouxe cerca de 1.600 cientistas, engenheiros e t\u00e9cnicos nazistas para os Estados Unidos.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[13]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Opera\u00e7\u00e3o MKULTRA e o mundo da arte<\/strong><\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o MKULTRA foi um dos programas da Ag\u00eancia que se envolveu, entre outras atividades, na realiza\u00e7\u00e3o de experimentos s\u00e1dicos de tortura e lavagem cerebral em indiv\u00edduos que receberam altas doses de drogas psicoativas e outros produtos qu\u00edmicos em combina\u00e7\u00e3o com eletrochoques, hipnose, priva\u00e7\u00e3o sensorial, abuso sexual e outras formas de tortura.<\/p>\n<p>A CIA tamb\u00e9m esteve profundamente envolvida no mundo da arte. Por exemplo, ela promoveu a arte americana, particularmente o expressionismo abstrato, contra o realismo socialista. \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[14]<\/a>\u00a0Financiou exposi\u00e7\u00f5es internacionais de arte, apresenta\u00e7\u00f5es musicais e teatrais na tentativa de difundir o que \u00e9 alardeado como \u201carte livre\u201d.<\/p>\n<p>Para dar apenas um exemplo revelador, um dos principais respons\u00e1veis da CIA envolvidos na guerra fria cultural, Thomas W. Braden, foi secret\u00e1rio-executivo do Museu de Arte Moderna (MoMA) antes de ingressar na Ag\u00eancia.\u00a0Entre os presidentes do MoMA est\u00e1 Nelson Rockefeller, que se tornou o super-coordenador de opera\u00e7\u00f5es clandestinas de intelig\u00eancia e permitiu que o Fundo Rockefeller fosse usado como um canal para o dinheiro da CIA.<\/p>\n<p>Entre os diretores do MoMA estava Ren\u00e9 d\u2019Harnoncourt, que havia trabalhado para a ag\u00eancia na Am\u00e9rica Latina.\u00a0John Whitney e Julius Fleischmann fizeram parte do conselho de administra\u00e7\u00e3o do MoMA.\u00a0O primeiro havia trabalhado para a organiza\u00e7\u00e3o antecessora da CIA, o Escrit\u00f3rio de Servi\u00e7os Estrat\u00e9gicos (OSS), e permitiu que sua institui\u00e7\u00e3o de caridade fosse usada como um canal para o dinheiro da CIA. William S. Paley, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Farfield da CIA, foi presidente da SBC e uma das principais figuras dos programas americanos de guerra psicol\u00f3gica, ele tamb\u00e9m serviu no conselho de diretores do MoMA.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Estreita colabora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Tudo isso indica que as redes da classe dominante capitalista trabalham em estreita colabora\u00e7\u00e3o com o Estado de seguran\u00e7a nacional dos EUA para controlar rigidamente o aparato cultural. Muitos livros foram escritos sobre o envolvimento do Estado norte-americano na ind\u00fastria do entretenimento. Matthew Alford e Tom Secker documentaram que o Departamento de Defesa esteve envolvido em apoiar \u2013 com direitos de censura total e absolutos \u2013 um m\u00ednimo de 814 filmes, a CIA censurou um m\u00ednimo de 37 e o FBI o restante.<\/p>\n<p>Quanto aos programas de televis\u00e3o, alguns dos quais duraram muito tempo, o Departamento de Defesa tem 1.133, a CIA 22 e o FBI 10.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses casos quantific\u00e1veis, h\u00e1, \u00e9 claro, a rela\u00e7\u00e3o qualitativa entre o estado de seguran\u00e7a nacional e o \u201centretenimento\u201d. John Rizzo explicou em 2014: \u201cA CIA tem h\u00e1 muito tempo uma rela\u00e7\u00e3o especial com a ind\u00fastria do entretenimento, dedicando aten\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de relacionamentos com Hollywood, de executivos de est\u00fadio, produtores, diretores a grandes atores\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[16]<\/a><\/p>\n<p>Tendo servido como Conselheiro Geral Interino da CIA nos primeiros nove anos da guerra ao terror, J. Rizzo esteve intimamente envolvido na supervis\u00e3o de programas globais de entregas, tortura e assassinato com drones, Rizzo trabalhou para a ind\u00fastria cultural para encobrir a carnificina imperial.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Imp\u00e9rio do espet\u00e1culo<\/strong><\/p>\n<p>Essas atividades e muitas outras revelam uma das principais caracter\u00edsticas do imp\u00e9rio americano: \u00e9 um verdadeiro imp\u00e9rio do espet\u00e1culo.\u00a0Um dos seus principais focos tem sido a guerra pelos cora\u00e7\u00f5es e mentes das pessoas.\u00a0Para isso, estabeleceu uma infraestrutura global a fim de conduzir a guerra psicol\u00f3gica internacional.<\/p>\n<p>O controle quase absoluto que exerce sobre os grandes media foi claramente vis\u00edvel na recente campanha destinada a angariar apoio para a guerra por procura\u00e7\u00e3o dos EUA contra a R\u00fassia na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O mesmo se aplica \u00e0 sua virulenta propaganda anti-China 24 horas por dia, 7 dias por semana. No entanto, gra\u00e7as ao trabalho de tantos ativistas e ao fato de que suas a\u00e7\u00f5es v\u00e3o contra a realidade, o imp\u00e9rio do espet\u00e1culo \u00e9 incapaz de controlar completamente a narrativa.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[17]<\/a><\/p>\n<p><strong>Mencionou num dos seus artigos que agentes da CIA estavam interessados nas teorias cr\u00edticas francesas de Michel Foucault, Jacques Lacan, Pierre Bourdieu e outros. Qual o motivo desse interesse? Como voc\u00ea classificaria a teoria cr\u00edtica francesa?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais frentes da guerra cultural contra o comunismo tem sido a guerra intelectual, que \u00e9 tema de um livro que estou a acabar atualmente para a Monthly Review Press. A CIA desempenhou um papel muito importante, assim como outras ag\u00eancias governamentais e os intelectuais da classe dominante capitalista. O objetivo geral tem sido desacreditar o marxismo e minar o apoio \u00e0s lutas anti-imperialistas, bem como ao socialismo realmente existente.<\/p>\n<p>A Europa Ocidental tem sido um campo de batalha particularmente importante.\u00a0Os Estados Unidos haviam emergido da Segunda Guerra Mundial como a pot\u00eancia imperial dominante.\u00a0Na tentativa de exercer hegemonia global, pretendiam adicionar as antigas pot\u00eancias imperialistas da Europa Ocidental como parceiros juniores (assim como o Jap\u00e3o no Oriente).<\/p>\n<p>No entanto, isso se mostrou particularmente dif\u00edcil em pa\u00edses como Fran\u00e7a e It\u00e1lia, que tinham fortes partidos comunistas. Assim, o Estado de seguran\u00e7a nacional dos EUA lan\u00e7ou um ataque multifacetado para se infiltrar em partidos pol\u00edticos, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e na grande m\u00eddia.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[18]<\/a><\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o banner<\/p>\n<p>Ela at\u00e9 criou ex\u00e9rcitos secretos, formados por neofascistas, e planejou golpes militares caso os comunistas chegassem ao poder atrav\u00e9s das urnas (esses ex\u00e9rcitos foram ativados ap\u00f3s 1968 cometendo ataques terroristas contra a popula\u00e7\u00e3o civil que foram atribu\u00eddos aos comunistas).\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_10_19\" rel=\"noreferrer noopener\">[19]<\/a><\/p>\n<p>Na frente mais explicitamente intelectual, a elite do poder dos EUA apoiou o estabelecimento de novas institui\u00e7\u00f5es educacionais e redes internacionais de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento decididamente anti-comunistas na esperan\u00e7a de desacreditar o marxismo. Promoveu e deu visibilidade a intelectuais abertamente hostis ao materialismo hist\u00f3rico e dial\u00e9tico, ao mesmo tempo em que realizou uma campanha de difama\u00e7\u00e3o contra figuras como Sartre e Beauvoir.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[20]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que a teoria francesa deve ser entendida, pelo menos parcialmente, como um produto do imperialismo cultural americano. Pensadores filiados a esse campo (Foucault, Lacan, Gilles Deleuze, Jacques Derrida e muitos outros) foram associados ao movimento estruturalista, que foi amplamente definido em oposi\u00e7\u00e3o ao fil\u00f3sofo mais proeminente da gera\u00e7\u00e3o anterior: Sartre. \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[21]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Sartre<\/strong><\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o marxista de Sartre a partir de meados da d\u00e9cada de 1940 e o anti-hegelianismo e o anti-marxismo tornaram-se a ordem do dia. Foucault, para dar apenas um exemplo, chamou Sartre de \u201co \u00faltimo marxista\u201d e afirmou que ele era um homem do s\u00e9culo XIX que estava em descompasso com os tempos (anti-marxistas), representados por Foucault e outros te\u00f3ricos de seu tempo.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[22]<\/a><\/p>\n<p>Se bem que alguns desses pensadores tivessem ganho notoriedade na Fran\u00e7a, foi sua promo\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos que os catapultou para os holofotes internacionais e os tornou leitura obrigat\u00f3ria para a intelectualidade global.<\/p>\n<p>Num artigo recente na\u00a0<em>Monthly Review,<\/em>\u00a0pormenorizei algumas das for\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas por tr\u00e1s do evento que se sabe ter \u201cinaugurado\u201d a era da teoria francesa: a confer\u00eancia de 1966 na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, que reuniu muitos desses pensadores pela primeira vez.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[23]<\/a><\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ford, que vinha cofinanciando o \u201cCongresso para a Liberdade Cultural\u201d em conjunto com a CIA, financiou a confer\u00eancia em US$36 mil (US$ 339 mil de hoje). Essa \u00e9 uma quantia realmente extraordin\u00e1ria de dinheiro para uma confer\u00eancia universit\u00e1ria, sem mencionar o fato de que a\u00a0<em>Time<\/em>\u00a0e a\u00a0<em>Newsweek<\/em>\u00a0garantiram cobertura da imprensa, algo praticamente in\u00e9dito em ambientes acad\u00eamicos.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[24]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Substituto para o marxismo<\/strong><\/p>\n<p>Funda\u00e7\u00f5es capitalistas, a CIA e outras ag\u00eancias governamentais estavam interessadas em promover obras que pudessem servir como um substituto para o marxismo. Como n\u00e3o podiam simplesmente destru\u00ed-la, procuravam fomentar novas teorias que pudessem ser vendidas como vanguardistas e cr\u00edticas (embora desprovidas de qualquer subst\u00e2ncia revolucion\u00e1ria), a fim de enterrar o marxismo como antiquado.<\/p>\n<p>Como sabemos agora de um artigo de pesquisa de 1985 sobre o assunto, a Ag\u00eancia ficou encantada com as contribui\u00e7\u00f5es do estruturalismo franc\u00eas, bem como da Escola dos Annales e do grupo conhecido como Novos Fil\u00f3sofos. Citam, em particular, o estruturalismo de Foucault e Claude L\u00e9vi-Strauss, bem como a metodologia da Escola dos Annales.<\/p>\n<p>A pesquisa chega \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: \u201cacreditamos que a demoli\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da influ\u00eancia marxista nas ci\u00eancias sociais provavelmente perdurar\u00e1 ao longo do tempo como resultado da profunda contribui\u00e7\u00e3o aos estudiosos modernos\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[25]<\/a><\/p>\n<p>Quanto \u00e0 minha pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o da teoria francesa, eu diria que \u00e9 importante reconhec\u00ea-la pelo que ela \u00e9: um produto (pelo menos em parte) do imperialismo cultural americano, que busca deslocar o marxismo por meio de uma pr\u00e1tica te\u00f3rica anti-comunista da ideologia burguesa.<\/p>\n<p>Com ecletismo cultural e pirotecnia discursiva, esses fil\u00f3sofos se propuseram a criar revolu\u00e7\u00f5es imaginadas que nada mudam na realidade. A teoria francesa reabilita e promove a obra de fil\u00f3sofos como Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger, tentando assim discretamente redefinir o termo radical como radicalmente reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Abordagem francesa do marxismo<\/strong><\/p>\n<p>Quando os te\u00f3ricos franceses abordam o marxismo, eles o transformam num discurso, que pode (e at\u00e9 deve) ser misturado com discursos n\u00e3o marxistas e anti-dial\u00e9ticos, como a genealogia nietzschiana, a desconstru\u00e7\u00e3o heideggeriana, a psican\u00e1lise freudiana, etc.<\/p>\n<p>\u00c9 por essa raz\u00e3o que muitos desses pensadores reivindicam a propriedade sobre \u201cseu pr\u00f3prio Marx\u201d, o que \u00e0s vezes produz a ilus\u00e3o de que eles s\u00e3o de alguma forma marxistas.<\/p>\n<p>No entanto, sua tend\u00eancia comprovada \u00e9 extrair arbitrariamente da obra de Marx elementos muito espec\u00edficos que eles sup\u00f5em ressoar com sua pr\u00f3pria marca filos\u00f3fica. \u00c9 o caso, por exemplo, do fantasm\u00e1tico Marx liter\u00e1rio de Derrida, do Marx n\u00f4made desterritorializante de Deleuze, do Marx anti-dial\u00e9tico de Jean-Fran\u00e7ois Lyotard e outros exemplos semelhantes.<\/p>\n<p>O discurso de Marx funciona, para eles, como material dentro do c\u00e2none burgu\u00eas ao qual eles podem se basear ecleticamente para desenvolver sua pr\u00f3pria marca e dar-lhe uma aura de capacidade e radicalidade.<\/p>\n<p>Walter Rodney resumiu a verdadeira natureza dessa pr\u00e1tica te\u00f3rica ao explicar que \u201co pensamento burgu\u00eas, por sua natureza caprichosa e pela maneira como estimula os exc\u00eantricos, pode tomar qualquer caminho, porque, afinal de contas: j\u00e1 que n\u00e3o vais a lugar nenhum, podes escolher qualquer caminho!\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[26]<\/a><\/p>\n<p><strong>A Escola de Frankfurt tamb\u00e9m tem uma ampla influ\u00eancia na China contempor\u00e2nea. Como classificaria as teorias da Escola de Frankfurt? Que tipo de conex\u00e3o tem com a CIA?<\/strong><\/p>\n<p>O Instituto de Pesquisa Social, coloquialmente conhecido como a \u201cEscola de Frankfurt\u201d, surgiu originalmente como um centro de pesquisa marxista na Universidade de Frankfurt financiado por um capitalista milion\u00e1rio. Quando Max Horkheimer assumiu como diretor do Instituto em 1930, ele supervisionou uma virada decisiva para preocupa\u00e7\u00f5es especulativas e culturais cada vez mais distantes do materialismo hist\u00f3rico e da luta de classes.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a Escola de Frankfurt, sob Horkheimer, desempenhou um papel fundamental no estabelecimento do que \u00e9 conhecido como marxismo ocidental e, mais especificamente, marxismo cultural. Figuras como Horkheimer e Theodor Adorno, n\u00e3o apenas rejeitaram o socialismo realmente existente, mas identificaram-no diretamente com o fascismo por acreditarem cegamente \u2013 assim como a teoria francesa \u2013 na categoria ideol\u00f3gica do totalitarismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[27]<\/a><\/p>\n<p>Adotando uma vers\u00e3o altamente intelectualizada do que mais tarde ficaria conhecido como TINA\u00a0<em>(\u201cThere Is No Alternative\u201d),<\/em>\u00a0eles se concentraram no reino da arte e da cultura burguesas como talvez o \u00fanico local potencial de salva\u00e7\u00e3o. Isso porque pensadores como Adorno e Horkheimer, com algumas exce\u00e7\u00f5es, eram em grande parte idealistas em sua pr\u00e1tica te\u00f3rica: se a mudan\u00e7a social era exclu\u00edda no mundo pr\u00e1tico, a liberta\u00e7\u00e3o deveria ser buscada no \u00e2mbito geistig (isto \u00e9, intelectual e espiritual) do romance, do pensamento burgu\u00eas inovador e da cultura burguesa.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o banner<\/p>\n<p>Esses sumos sacerdotes do marxismo ocidental n\u00e3o apenas abra\u00e7aram o mantra ideol\u00f3gico capitalista de que \u201cfascismo e comunismo s\u00e3o a mesma coisa\u201d, mas tamb\u00e9m apoiaram publicamente o imperialismo.<\/p>\n<p>Horkheimer, por exemplo, apoiou a guerra dos EUA no Vietn\u00e3, proclamando em maio de 1967 que \u201cOs Estados Unidos, quando necess\u00e1rio, devem conduzir uma guerra\u2026 n\u00e3o tanto como uma quest\u00e3o de defesa da p\u00e1tria, mas essencialmente como uma quest\u00e3o de defesa dos direitos do homem\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[28]<\/a><\/p>\n<p>Embora Adorno muitas vezes preferisse uma pol\u00edtica de cumplicidade silenciosa a tais declara\u00e7\u00f5es belicosas, ele se alinhou com Horkheimer no apoio \u00e0 invas\u00e3o imperialista do Egito em 1956 por Israel, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a, que buscava derrubar Gamal Abdel Nasser e tomar o Canal de Suez.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_20_29\" rel=\"noreferrer noopener\">[29]<\/a>\u00a0Adorno chamou Nasser de \u201cchefe fascista\u2026 que conspira na companhia de Moscovo com \u201cEstados \u00e1rabes ladr\u00f5es\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[30]<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Escola de Frankfurt<\/strong><\/p>\n<p>Os l\u00edderes da Escola de Frankfurt beneficiaram-se com o apoio da classe capitalista norte-americana e do Estado de seguran\u00e7a nacional.\u00a0Horkheimer participou de pelo menos uma das principais confer\u00eancias do CCF, e Adorno publicou artigos em revistas apoiadas pela CIA.<\/p>\n<p>Adorno tamb\u00e9m se correspondeu e colaborou com a principal figura do anti-comunista alem\u00e3o KulturKampf. Os testas-de-ferro de Frankfurt tamb\u00e9m receberam financiamento significativo da Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller e do governo dos EUA (Rockefeller contribuiu com US$103.695 em 1950, o equivalente a US$1,3 milh\u00e3o em 2023).<\/p>\n<p>Tal como os te\u00f3ricos franceses, eles estavam fazendo o tipo de trabalho intelectual que os l\u00edderes do imp\u00e9rio americano queriam apoiar e apoiaram.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vale a pena notar de passagem que cinco dos oito membros do c\u00edrculo \u00edntimo de Horkheimer na Escola de Frankfurt trabalharam como analistas e propagandistas para o governo dos EUA e para o estado de seguran\u00e7a nacional. Herbert Marcuse, Franz Neumann e Otto Kirchheimer trabalharam no Gabinete de Informa\u00e7\u00e3o de Guerra (OWI) antes de se mudarem para o Ramo de Pesquisa e An\u00e1lise da OSS. *<\/p>\n<p>Leo L\u00f6wenthal tamb\u00e9m trabalhou para a OWI e Friedrich Pollock foi contratado pela Divis\u00e3o Antitruste do Departamento de Justi\u00e7a. Era uma situa\u00e7\u00e3o bastante complexa devido ao fato de que certos setores do Estado norte-americano estavam interessados em recrutar analistas marxistas na luta contra o fascismo e o comunismo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, alguns deles assumiram posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas compat\u00edveis com os interesses imperiais dos EUA. Portanto, este cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da Escola de Frankfurt merece uma an\u00e1lise muito mais pormenorizada.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[31]<\/a><\/p>\n<p>Finalmente, a evolu\u00e7\u00e3o da Escola de Frankfurt na sua segunda (J\u00fcrgen Habermas) e terceira gera\u00e7\u00e3o (Axel Honneth, Nancy Fraser, Seyla Benhabib, etc.) n\u00e3o alterou em nada sua orienta\u00e7\u00e3o anti-comunista. Ao contr\u00e1rio, Habermas afirmava explicitamente que o socialismo de Estado estava falido e defendia a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o dentro do sistema capitalista e de suas institui\u00e7\u00f5es supostamente democr\u00e1ticas para um \u201cprocedimento discursivo de forma\u00e7\u00e3o da vontade\u201d inclusivo.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[32]<\/a><\/p>\n<p>Os neo-habermasianos da terceira gera\u00e7\u00e3o continuaram essa orienta\u00e7\u00e3o. Honneth, como argumentei num artigo minucioso que tamb\u00e9m aborda os outros pensadores em discuss\u00e3o, erigiu a mesma ideologia burguesa no arcabou\u00e7o normativo da teoria cr\u00edtica.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[33]<\/a><\/p>\n<p>Fraser apresenta-se como o mais \u00e0 esquerda dos te\u00f3ricos cr\u00edticos ao posicionar-se como um social-democrata. No entanto, ela costuma ser bastante vaga quando se trata de esclarecer o que isso significa em termos concretos, admitindo abertamente que acha \u201cdif\u00edcil definir um programa positivo\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[34]<\/a>\u00a0No entanto, o programa negativo \u00e9 claro: \u201cSabemos que [o socialismo democr\u00e1tico] n\u00e3o significa nada como a economia de comando autorit\u00e1ria e o modelo de partido \u00fanico do comunismo\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[35]<\/a><\/p>\n<p><strong>Como entende o papel e a fun\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas identit\u00e1rias e do multiculturalismo, que atualmente prevalecem na esquerda ocidental?<\/strong><\/p>\n<p>As pol\u00edticas identit\u00e1rias, assim como o multiculturalismo a ela associado, s\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do culturalismo e do essencialismo que h\u00e1 muito caracterizam a ideologia burguesa. Este \u00faltimo busca naturalizar as rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas que s\u00e3o consequ\u00eancia da hist\u00f3ria material do capitalismo.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de reconhecer, por exemplo, que formas de identidade racial, nacional, \u00e9tnica, de g\u00eanero, sexual e outras s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que variaram ao longo do tempo e s\u00e3o resultados de for\u00e7as materiais espec\u00edficas, elas s\u00e3o naturalizadas e tratadas como base inquestion\u00e1vel para a pol\u00edtica eleitoral.<\/p>\n<p>Tal essencialismo serve para obscurecer as for\u00e7as materiais em a\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s dessas identidades, bem como as lutas de classes que t\u00eam sido travadas em torno delas. Isso tem sido particularmente \u00fatil para a classe dominante e seus l\u00edderes, que reagiram ideologicamente armados \u00e0s demandas da descoloniza\u00e7\u00e3o e das lutas anti-racistas e anti-patriarcais.<\/p>\n<p>Que melhor maneira de responder do que com uma pol\u00edtica identit\u00e1ria essencialista que prop\u00f5e falsas solu\u00e7\u00f5es para problemas muito reais porque nunca aborda os fundamentos materiais da coloniza\u00e7\u00e3o, do racismo e da opress\u00e3o de g\u00eanero?<\/p>\n<p>As autoproclamadas vers\u00f5es anti-essencialistas das pol\u00edticas identit\u00e1rias na obra de te\u00f3ricos como Judith Butler n\u00e3o rompem fundamentalmente com essa ideologia.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[36]<\/a>\u00a0Ao tentar desconstruir algumas dessas categorias, revelando-as como constru\u00e7\u00f5es discursivas de grupos de indiv\u00edduos que podem questionar, brincar e reinterpretar, os te\u00f3ricos que trabalham dentro dos par\u00e2metros idealistas da desconstru\u00e7\u00e3o nunca fornecem uma an\u00e1lise materialista e dial\u00e9tica da hist\u00f3ria capitalista e das rela\u00e7\u00f5es sociais que produziram essas categorias na luta coletiva de classes.<\/p>\n<p>Tampouco se engajam na hist\u00f3ria profunda da luta coletiva do socialismo realmente existente para transformar essas rela\u00e7\u00f5es. Em vez disso, tendem a recorrer \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o e a uma vers\u00e3o virtualmente des-historicizada da genealogia foucaultiana para pensar discursivamente sobre g\u00eanero e rela\u00e7\u00f5es sexuais e, na melhor das hip\u00f3teses, orientar-se para um pluralismo liberal em que a luta de classes seja substitu\u00edda pela defesa de grupos de interesse.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a tradi\u00e7\u00e3o marxista \u2013 como mostrou Domenico Losurdo em sua obra magistral\u00a0<em>A luta de classes<\/em>\u00a0\u2013 tem uma hist\u00f3ria profunda e rica na compreens\u00e3o da luta de classes no plural. Isso significa que inclui batalhas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre g\u00eaneros, na\u00e7\u00f5es, ra\u00e7as e classes econ\u00f4micas (e, poder\u00edamos acrescentar, sexualidades).<\/p>\n<p>Uma vez que essas categorias assumiram formas hier\u00e1rquicas muito espec\u00edficas sob o capitalismo, os melhores elementos da heran\u00e7a marxista procuraram entender sua proveni\u00eancia hist\u00f3rica e transform\u00e1-las radicalmente.\u00a0Isso pode ser visto na luta de longa data contra a escravid\u00e3o dom\u00e9stica imposta \u00e0s mulheres, bem como na batalha para superar a subordina\u00e7\u00e3o imperialista das na\u00e7\u00f5es racializadas e seus povos.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria se desenrolou aos trancos e barrancos, \u00e9 claro, e ainda h\u00e1 muito trabalho a ser feito, em parte porque certas correntes do marxismo \u2013 como a da Segunda Internacional \u2013 foram contaminadas por elementos da ideologia burguesa.<\/p>\n<p>No entanto, tal como mostraram com not\u00e1vel erudi\u00e7\u00e3o estudiosos como Losurdo e outros, os comunistas estiveram na vanguarda dessas lutas de classes para superar a domina\u00e7\u00e3o patriarcal, a subordina\u00e7\u00e3o imperialista e o racismo, indo \u00e0s pr\u00f3prias ra\u00edzes desses problemas: as rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o banner<\/p>\n<p>A pol\u00edtica identit\u00e1ria, tal como se desenvolveu nos principais pa\u00edses imperialistas e particularmente nos EUA, tentou enterrar essa hist\u00f3ria para se apresentar como uma forma radicalmente nova de consci\u00eancia, como se os comunistas sequer tivessem pensado na quest\u00e3o das mulheres ou na quest\u00e3o nacional\/racial.<\/p>\n<p>Os te\u00f3ricos pol\u00edtico-identit\u00e1rios tendem assim a afirmar arrogante e ignorantemente que s\u00e3o os primeiros a abordar essas quest\u00f5es, superando assim um determinismo econ\u00f4mico imaginado por parte dos chamados \u201cmarxistas reducionistas\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[37]<\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em vez de reconhecer essas quest\u00f5es como locais de luta de classes, eles tendem a usar a pol\u00edtica identit\u00e1ria como uma cunha contra a pol\u00edtica de classe.\u00a0Se fazem algum gesto para a integra\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em suas an\u00e1lises, geralmente reduzem-no a uma quest\u00e3o de identidade pessoal, e n\u00e3o a uma rela\u00e7\u00e3o estrutural de propriedade.<\/p>\n<p>Assim, as solu\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em tendem a ser epifenom\u00eanicas, ou seja, focam em quest\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o e simbolismo, em vez de, por exemplo, superar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho de escravid\u00e3o dom\u00e9stica e super-explora\u00e7\u00e3o racializada por meio de uma transforma\u00e7\u00e3o socialista da ordem socio-econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Portanto, s\u00e3o incapazes de levar a mudan\u00e7as significativas e sustent\u00e1veis porque n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 raiz do problema. Como Adolph Reed Jr. argumentou com sua sagacidade mordaz caracter\u00edstica, os identit\u00e1rios s\u00e3o perfeitamente felizes em manter as rela\u00e7\u00f5es de classe existentes \u2013 incluindo as rela\u00e7\u00f5es imperialistas entre as na\u00e7\u00f5es, eu acrescentaria \u2013 com a condi\u00e7\u00e3o de que haja a propor\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de representa\u00e7\u00e3o de grupos oprimidos dentro do sistema na classe dominante e no estrato dirigente profissional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ajudar a deslocar a pol\u00edtica de classe e a an\u00e1lise dentro da esquerda ocidental, a pol\u00edtica identit\u00e1ria deu uma contribui\u00e7\u00e3o importante para dividir a pr\u00f3pria esquerda em debates isolados sobre quest\u00f5es identit\u00e1rias espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Em vez de unidade de classe contra um inimigo comum, ela divide (e conquista) trabalhadores e oprimidos, encorajando-os a se identificarem em primeiro lugar como membros espec\u00edficos de g\u00eaneros, sexualidades, ra\u00e7as, na\u00e7\u00f5es, etnias, grupos religiosos, etc.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a ideologia da pol\u00edtica identit\u00e1ria \u00e9, na verdade, num n\u00edvel muito mais profundo, uma pol\u00edtica de classe. \u00c9 a pol\u00edtica de uma burguesia que visa dividir os trabalhadores e oprimidos do mundo a fim de govern\u00e1-los mais facilmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o surpreende, portanto, que a pol\u00edtica identit\u00e1ria seja a pol\u00edtica da classe dirigente profissional no n\u00facleo imperial. Ela domina suas institui\u00e7\u00f5es e os media, e \u00e9 um dos principais mecanismos para o avan\u00e7o na carreira dentro do que Reed chama de \u201cind\u00fastria da diversidade\u201d.<\/p>\n<p>Incentiva todos os envolvidos a se identificarem com seu grupo espec\u00edfico e promoverem seus pr\u00f3prios interesses individuais.\u00a0Al\u00e9m disso, devemos ressaltar que o despertar tamb\u00e9m tem o efeito de trazer algumas pessoas aos bra\u00e7os da direita.<\/p>\n<p>Se a cultura pol\u00edtica dominante fomenta uma mentalidade de cl\u00e3 combinada com individualismo competitivo, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 surpreendente que homens e pessoas brancas tamb\u00e9m \u2013 como uma resposta parcial \u00e0 sua percep\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o de direitos pela ind\u00fastria da diversidade \u2013 tenham impulsionado suas agendas particulares como \u201cv\u00edtimas\u201d do sistema.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas identit\u00e1rias desprovidas de an\u00e1lise de classe s\u00e3o, portanto, absolutamente suscet\u00edveis a permuta\u00e7\u00f5es de direita e at\u00e9 fascistas.<\/p>\n<p>Por fim, seria negligente n\u00e3o mencionar que a pol\u00edtica identit\u00e1ria, que tem suas ra\u00edzes ideol\u00f3gicas recentes na Nova Esquerda e no social-chauvinismo que Lenine havia diagnosticado anteriormente na esquerda europeia, \u00e9 uma das principais ferramentas ideol\u00f3gicas do imperialismo.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de dividir para reinar tem sido usada para dividir pa\u00edses espec\u00edficos, fomentando conflitos religiosos, \u00e9tnicos, nacionais, raciais ou de g\u00e9nero.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\">[38]<\/a>\u00a0As pol\u00edticas identit\u00e1rias tamb\u00e9m t\u00eam servido como justificativa direta para a interven\u00e7\u00e3o e intromiss\u00e3o imperialista, bem como para campanhas de desestabiliza\u00e7\u00e3o, seja no que diz respeito \u00e0s supostas causas da liberta\u00e7\u00e3o das mulheres no Afeganist\u00e3o, ao apoio a rappers negros \u201cdiscriminados\u201d em Cuba, ao apoio a candidatos ind\u00edgenas supostamente \u201ceco-socialistas\u201d na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A campanha para \u201cproteger\u201d minorias \u00e9tnicas na China ou outras opera\u00e7\u00f5es de propaganda do imp\u00e9rio norte-americano neste campo da guerra cultural retrata os EUA como um benevolente benfeitor de identidades oprimidas.<\/p>\n<p>Assim, podemos ver claramente a completa desconex\u00e3o entre a pol\u00edtica puramente simb\u00f3lica da identidade e a realidade material das lutas de classes, em que a primeira pode \u2013 e fornece \u2013 uma fina capa para o imperialismo.\u00a0Tamb\u00e9m a este n\u00edvel, a pol\u00edtica identit\u00e1ria \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, uma pol\u00edtica de classe: uma pol\u00edtica da classe dominante imperialista.<\/p>\n<p><strong>Slavoj \u017di\u017eek \u00e9 um acad\u00eamico que teve uma grande influ\u00eancia nos c\u00edrculos acad\u00eamicos de esquerda de hoje e, \u00e9 claro, provocou muitas controv\u00e9rsias. Por que o encara como um \u201cbobo da corte capitalista\u201d?\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_30_39\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>[39]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>\u017di\u017eek \u00e9 um produto da ind\u00fastria da teoria imperial. Como Michael Parenti apontou, a realidade \u00e9 radical, o que significa que os trabalhadores no mundo capitalista enfrentam lutas materiais muito reais por emprego, moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, um ambiente sustent\u00e1vel e assim por diante.<\/p>\n<p>Tudo isso tende a radicalizar as pessoas, e muitos gravitam em torno do marxismo porque ele realmente explica o mundo em que vivem, as lutas que enfrentam e prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es claras e vi\u00e1veis.\u00a0\u00c9 por essa raz\u00e3o que o aparato cultural capitalista tem que lidar com um interesse muito real pelo marxismo por parte das massas trabalhadoras e oprimidas.<\/p>\n<p>Uma t\u00e1tica que ele desenvolveu, particularmente para o p\u00fablico jovem e membros do estrato dirigente profissional, \u00e9 promover uma vers\u00e3o altamente mercantilizada do marxismo que perverte sua subst\u00e2ncia fundamental.<\/p>\n<p>Dessa forma, ele tenta transformar o marxismo numa marca de moda a ser vendida como qualquer outra mercadoria, em vez de um quadro te\u00f3rico e pr\u00e1tico coletivo para a emancipa\u00e7\u00e3o de uma sociedade movida a mercadorias.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o banner<\/p>\n<p>\u017di\u017eek \u00e9 perfeito para este projeto de muitas maneiras. Ele era um informante anti-comunista dos EUA que cresceu na Rep\u00fablica Socialista Federal da Jugosl\u00e1via. Ele afirma regularmente que sua experi\u00eancia subjetiva como um intelectual pequeno-burgu\u00eas que procurou desenvolver sua carreira no Ocidente de alguma forma lhe d\u00e1 um direito especial de testemunhar a verdadeira natureza do socialismo. Anedotas pessoais sobre sua experi\u00eancia substituem, assim, a an\u00e1lise objetiva. Sem surpresa, para um oportunista em busca de riqueza e gl\u00f3ria, \u017di\u017eek sentiu que sua p\u00e1tria socialista era inferior aos pa\u00edses capitalistas ocidentais que lhe proporcionaram tal reconhecimento e que ele \u00e9 classificado como \u201cum dos principais pensadores globais\u201d pela revista Foreign Policy (um bra\u00e7o do Departamento de Estado dos EUA).<\/p>\n<p>\u017di\u017eek gaba-se abertamente do papel que desempenhou no desmantelamento do socialismo na Jugosl\u00e1via. Ele era o principal colunista de uma proeminente publica\u00e7\u00e3o dissidente, Mladina, que o Partido Comunista Jugoslavo acusou de ser apoiado pela CIA. Ele tamb\u00e9m cofundou o Partido Liberal Democrata e concorreu como seu candidato presidencial na primeira rep\u00fablica separatista da Eslov\u00eania, prometendo que iria \u201cajudar na decomposi\u00e7\u00e3o do aparato ideol\u00f3gico socialista\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[40]<\/a><\/p>\n<p>Embora tenha perdido por uma margem estreita, ele apoiou abertamente o Estado esloveno e seu partido no poder ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e, portanto, durante todo o brutal processo de terapia de choque capitalista que levou a uma queda catastr\u00f3fica no padr\u00e3o de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o (mas n\u00e3o para ele).<\/p>\n<p>O partido pr\u00f3-privatiza\u00e7\u00e3o que ele co-fundou tamb\u00e9m estava claramente orientado para a integra\u00e7\u00e3o no campo imperialista, pois era o principal proponente da ades\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e \u00e0 NATO. Vejo esse liberal do Leste Europeu como o bobo da corte do capitalismo porque ele faz do marxismo motivo de chacota, e \u00e9 justamente por isso que ele tem sido t\u00e3o amplamente promovido pelas for\u00e7as dominantes dentro da sociedade capitalista.<\/p>\n<p>Mais do que uma ci\u00eancia coletiva de emancipa\u00e7\u00e3o enraizada em lutas materiais reais, o marxismo, como Zizek o entende, \u00e9, acima de tudo, um discurso provocador de malandragem intelectual que se reduz \u00e0 postura pol\u00edtica pequeno-burguesa de um enfant terrible oportunista.<\/p>\n<p>Suas travessuras e seu \u201ccosplay\u201d comunista encantam a burguesia e chamam a aten\u00e7\u00e3o dos incultos.\u00a0Ele tem, como um buf\u00e3o, o dom de fazer as pessoas se irritarem ou rirem, o que facilmente se traduz nos \u201clikes\u201d da era digital.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m \u00e9 particularmente bom em divulgar os produtos de Hollywood e do aparato cultural burgu\u00eas. Obviamente, o Big Capital adora esse trapaceiro, que forrou os bolsos no processo. Como todo bom buf\u00e3o, ele conhece os limites do decoro cortes\u00e3o e, em \u00faltima an\u00e1lise, os respeita, denegrindo o socialismo, promovendo a acomoda\u00e7\u00e3o capitalista e, muitas vezes, at\u00e9 apoiando diretamente o imperialismo. Se ele \u00e9 de fato o \u201cintelectual mais perigoso do mundo\u201d, como \u00e0s vezes \u00e9 descrito na imprensa burguesa, \u00e9 porque p\u00f5e em risco o projeto marxista de combate ao imperialismo e constru\u00e7\u00e3o de um mundo socialista.<\/p>\n<p>Confirmando a rela\u00e7\u00e3o que o sistema constr\u00f3i entre eleva\u00e7\u00e3o objetiva e deriva subjetiva para a direita, \u017di\u017eek tornou-se cada vez mais reacion\u00e1rio em seu apoio ao imperialismo. Considere seu julgamento perempt\u00f3rio sobre os esfor\u00e7os atuais para desafiar o neocolonialismo na \u00c1frica: \u201c\u00e9 claro que as revoltas \u2018anticoloniais\u2019 na \u00c1frica Central s\u00e3o ainda piores do que o neocolonialismo franc\u00eas\u201d. \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[41]<\/a><\/p>\n<p>Em outra interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica recente, ele forneceu uma ilustra\u00e7\u00e3o notavelmente clara do tipo de revolu\u00e7\u00e3o que ele apoia.\u00a0Ao analisar as revoltas do ver\u00e3o de 2023 na Fran\u00e7a ap\u00f3s o assassinato de Nahel Merzouk pela pol\u00edcia, ele se baseou na ideia marxista (como costuma fazer) de que os levantes fracassar\u00e3o se n\u00e3o houver uma estrat\u00e9gia organizacional que possa lev\u00e1-los \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em seguida, ele deu um exemplo de uma revolu\u00e7\u00e3o bem-sucedida: \u201cProtestos e levantes p\u00fablicos podem desempenhar um papel positivo se forem sustentados por uma vis\u00e3o emancipat\u00f3ria, como a revolta de Maidan na Ucr\u00e2nia em 2013-2014\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[42]<\/a><\/p>\n<p>Como foi amplamente documentado, a revolta do Maidan foi um golpe de Estado fomentado e apoiado pelo Estado de seguran\u00e7a nacional dos EUA.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[43]<\/a>\u00a0Isso significa que ele considera um golpe apoiado pelo imperialismo, que Samir Amin chamou de \u201cgolpe euro-nazista\u201d, como um exemplo \u201cpositivo\u201d de uma \u201cvis\u00e3o emancipat\u00f3ria\u201d que levou a uma revolu\u00e7\u00e3o bem-sucedida. \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[44]<\/a><\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o, assim como seu apoio incondicional \u00e0 guerra por procura\u00e7\u00e3o entre os Estados Unidos e a NATO na Ucr\u00e2nia, esclarece o que significa ser o \u201cintelectual mais perigoso\u201d do mundo: ele \u00e9 um filo-imperialista disfar\u00e7ado de comunista.<\/p>\n<p><strong>O Ocidente h\u00e1 muito tempo considera os Estados Unidos um modelo de democracia liberal. Mas, voc\u00ea acha que os Estados Unidos nunca foram uma democracia. \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[45]<\/a>\u00a0Pode explicar o seu ponto de vista?<\/strong><\/p>\n<p>GR: Objetivamente falando, os Estados Unidos nunca foram uma democracia.\u00a0Foi fundada como uma rep\u00fablica e os chamados pais fundadores eram abertamente hostis \u00e0 democracia. Isso \u00e9 \u00f3bvio a partir dos\u00a0The Federalist Papers, das anota\u00e7\u00f5es feitas na Conven\u00e7\u00e3o Constitucional de 1787 na Filad\u00e9lfia, e dos documentos fundadores dos Estados Unidos, bem como da pr\u00e1tica material do governo que foi originalmente estabelecida na col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Como todos sabem, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena dos Estados Unidos, referida como os \u201c\u00edndios selvagens impiedosos\u201d na Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia, n\u00e3o recebeu poder democr\u00e1tico na rec\u00e9m-criada rep\u00fablica, nem t\u00e3o pouco os escravos africanos ou as mulheres.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[46]<\/a><\/p>\n<p>O mesmo se aplicava \u00e0 m\u00e9dia dos trabalhadores brancos. Estudiosos como Terry Bouton documentaram em pormenores: \u201ca maioria dos homens brancos comuns\u2026 n\u00e3o acreditavam que a Revolu\u00e7\u00e3o [Americana] terminaria com governos que fizessem dos seus ideais e interesses o objetivo principal. Pelo contr\u00e1rio, estavam convencidos de que a elite revolucion\u00e1ria havia refeito o governo para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio e para minar a independ\u00eancia das pessoas comuns\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[47]<\/a><\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o banner<\/p>\n<p>Afinal, a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional n\u00e3o estabeleceu elei\u00e7\u00f5es populares diretas para o presidente, a Suprema Corte ou senadores. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi a C\u00e2mara dos Deputados. Contudo, legisla\u00e7\u00f5es estaduais estabeleciam qualifica\u00e7\u00f5es, que quase sempre exigiam a propriedade como base para o direito de voto.<\/p>\n<p>N\u00e3o surpreende, portanto, que os cr\u00edticos progressistas da \u00e9poca tenham apontado isso. Patrick Henry afirmou categoricamente: a Am\u00e9rica n\u00e3o \u00e9 uma democracia.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[48]<\/a>\u00a0George Mason descreveu a nova constitui\u00e7\u00e3o como \u201ca tentativa mais ousada de estabelecer uma aristocracia desp\u00f3tica entre homens livres que o mundo j\u00e1 testemunhou\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_40_49\" rel=\"noreferrer noopener\">[49]<\/a><\/p>\n<p>Embora o termo rep\u00fablica fosse amplamente usado para descrever os Estados Unidos na \u00e9poca, isso come\u00e7ou a mudar no final da d\u00e9cada de 1820, quando Andrew Jackson, tamb\u00e9m conhecido como o \u201cassassino de \u00edndios\u201d por suas pol\u00edticas genocidas, fez uma campanha presidencial populista.<\/p>\n<p>Ele se apresentava como um democrata que acabaria com o governo dos patr\u00edcios de Massachusetts e Virg\u00ednia. Embora nenhuma mudan\u00e7a estrutural tenha sido feita no modo de governo, pol\u00edticos como Jackson e outros membros da elite come\u00e7aram a usar o termo democracia para descrever a rep\u00fablica, implicando que o governo servia aos interesses do povo. Essa tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro, continuou: democracia \u00e9 um eufemismo para o governo olig\u00e1rquico burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, houve dois s\u00e9culos e meio de luta de classes nos EUA, e as for\u00e7as democr\u00e1ticas muitas vezes ganharam concess\u00f5es muito significativas da classe dominante.<\/p>\n<p>O escopo das elei\u00e7\u00f5es populares foi ampliado para incluir senadores e o presidente, embora o col\u00e9gio eleitoral ainda n\u00e3o tenha sido abolido e os ju\u00edzes da Suprema Corte ainda sejam nomeados vitaliciamente. A conquista se estendeu a mulheres, afro-americanos e nativos americanos.<\/p>\n<p>Trata-se de conquistas importantes que devem, naturalmente, ser defendidas, ampliadas e tornadas mais substanciais por meio de reformas democr\u00e1ticas de todo o processo eleitoral e das campanhas eleitorais.\u00a0No entanto, por mais importantes que sejam esses avan\u00e7os democr\u00e1ticos, eles n\u00e3o alteraram o sistema geral de governo plutocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Num estudo muito importante baseado numa an\u00e1lise estat\u00edstica multivariada, Martin Gilens e Benjamin I. Page mostraram que \u201celites econ\u00f4micas e grupos organizados que representam interesses empresariais t\u00eam influ\u00eancia substancial na pol\u00edtica do governo dos EUA, enquanto os cidad\u00e3os m\u00e9dios t\u00eam pouca ou nenhuma influ\u00eancia\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_50_59\" rel=\"noreferrer noopener\">[51]<\/a><\/p>\n<p>Esta forma plutocr\u00e1tica de governo n\u00e3o \u00e9 apenas operativa a n\u00edvel nacional, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m a n\u00edvel internacional. Os EUA t\u00eam tentado impor sua forma antidemocr\u00e1tica de governa\u00e7\u00e3o corporativa sempre que podem. Entre o fim da Segunda Guerra Mundial e 2014, de acordo com a pesquisa de William Blum, Washington tentou derrubar mais de cinquenta governos estrangeiros, a maioria dos quais fora eleita democraticamente. Os Estados Unidos s\u00e3o um imp\u00e9rio plutocr\u00e1tico, n\u00e3o uma democracia em qualquer sentido substantivo do termo.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que reconhe\u00e7o que express\u00f5es como democracia burguesa, democracia formal e democracia liberal s\u00e3o frequentemente usadas, por v\u00e1rias raz\u00f5es, para indexar essa forma de plutocracia. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade, e vale a pena ressaltar, que a exist\u00eancia de certos direitos democr\u00e1ticos formais sob o regime plutocr\u00e1tico \u00e9 uma grande vit\u00f3ria para os trabalhadores, cuja import\u00e2ncia n\u00e3o deve de forma alguma ser minimizada.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, o que precisamos \u00e9 de uma avalia\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica que d\u00ea conta da complexidade dos modos de governo, que incluem o controle olig\u00e1rquico do Estado nos EUA e direitos importantes conquistados por meio da luta de classes.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor avalia a \u201cliberdade de express\u00e3o\u201d defendida pela burguesia? A \u201cliberdade de express\u00e3o\u201d realmente existe no mundo burgu\u00eas de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>A ideologia burguesa procura isolar a quest\u00e3o da liberdade de express\u00e3o da quest\u00e3o do poder e da propriedade, transformando-a num princ\u00edpio abstrato que rege as a\u00e7\u00f5es de indiv\u00edduos isolados. Essa abordagem tenta excluir qualquer an\u00e1lise materialista dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a important\u00edssima quest\u00e3o de quem os possui e controla. Essa ideologia desloca, assim, todo o campo de an\u00e1lise da totalidade social para a rela\u00e7\u00e3o abstrata entre princ\u00edpios te\u00f3ricos e atos isolados do discurso individual.<\/p>\n<p>Uma das vantagens dessa abordagem \u00e9 que algu\u00e9m pode receber o direito abstrato \u00e0 liberdade de express\u00e3o justamente porque n\u00e3o tem o poder de ser ouvido.\u00a0Essa \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o da maioria das pessoas que vivem no mundo capitalista.\u00a0Em princ\u00edpio, eles podem expressar suas opini\u00f5es individuais da maneira que desejarem.\u00a0Na realidade, por\u00e9m, estas opini\u00f5es ser\u00e3o irrelevantes se n\u00e3o corresponderem \u00e0s opini\u00f5es que os propriet\u00e1rios dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social gostariam de difundir.<\/p>\n<p>Eles simplesmente n\u00e3o receber\u00e3o uma plataforma. Como a classe dominante tem um poder t\u00e3o impressionante sobre os media, convenceu muitas pessoas de que a censura n\u00e3o existe, de modo que essas opini\u00f5es podem at\u00e9 ser abertamente reprimidas ou proibidas nas sombras sem que o p\u00fablico perceba.<\/p>\n<p>Se vis\u00f5es fora do mainstream capitalista puderem ganhar uma ampla audi\u00eancia e come\u00e7arem a construir poder real, ent\u00e3o saberemos do que a classe propriet\u00e1ria e o Estado burgu\u00eas s\u00e3o capazes.<\/p>\n<p>Eles t\u00eam uma longa hist\u00f3ria de descartar todo e qualquer apelo \u00e0 liberdade de express\u00e3o em nome da destrui\u00e7\u00e3o de seus inimigos de classe e de qualquer infraestrutura que apoie o livre fluxo de suas ideias. Poder\u00edamos citar como exemplos as Leis de Estrangeiros e Sedi\u00e7\u00e3o, os Ataques de Palmer, o Ato Smith, o Ato McCarran, a era McCarthy ou a \u201cnova\u201d Guerra Fria. Desde o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o militar especial russa na Ucr\u00e2nia, o mundo recebeu uma li\u00e7\u00e3o objetiva sobre o controle quase total que a burguesia exerce sobre os media dentro dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da censura no YouTube e nas redes sociais,\u00a0<em>Russia Today<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Sputnik,<\/em>\u00a0todos os principais meios de comunica\u00e7\u00e3o marcharam ao mesmo ritmo como propaganda anti-R\u00fassia e anti-China, bem como apoio incondicional ao poder dos EUA.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o defendido pela burguesia equivale \u00e0 liberdade da classe dominante de possuir os meios de comunica\u00e7\u00e3o para poder decidir livremente quais opini\u00f5es s\u00e3o dignas de amplifica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o, e quais podem ser marginalizadas ou censuradas em sil\u00eancio.<\/p>\n<p><strong>Mencionou num de seus artigos que \u201cos modos fascistas de governo s\u00e3o uma parte muito real e presente da chamada ordem mundial liberal\u201d. \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_50_59\" rel=\"noreferrer noopener\">[53]<\/a>\u00a0Por que acredita nisso?<\/strong><\/p>\n<p>Em minha pesquisa para um livro, provisoriamente intitulado\u00a0<em>Fascismo e a solu\u00e7\u00e3o socialista,<\/em>\u00a0venho desenvolvendo um quadro explicativo que p\u00f5e em quest\u00e3o o paradigma dominante de um Estado, de um governo. De acordo com a opini\u00e3o geral, cada Estado (se n\u00e3o estiver em guerra civil aberta) tem apenas um modo de governo em um determinado momento. O problema desse modelo n\u00e3o dial\u00e9tico pode ser facilmente visto nas democracias ditas liberais burguesas do Ocidente, como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Como documentei num artigo sobre o assunto, o governo dos EUA reabilitou dezenas de milhares de nazistas ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_50_59\" rel=\"noreferrer noopener\">[54]<\/a>\u00a0Muitos receberam passagem segura para os Estados Unidos por meio de opera\u00e7\u00f5es como o Paperclip e foram integrados em suas institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, de intelig\u00eancia e militares (incluindo a NATO e a NASA),<\/p>\n<p>Muitos outros foram incorporados em ex\u00e9rcitos secretos em toda a Europa, bem como em redes de intelig\u00eancia europeias e at\u00e9 mesmo o governo (como o marechal Badoglio na It\u00e1lia). \u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_50_59\" rel=\"noreferrer noopener\">[55]<\/a>\u00a0Outros ainda foram canalizados para a Am\u00e9rica Latina ou outras partes do mundo. No caso dos fascistas japoneses, a CIA os devolveu ao poder. Eles assumiram o Partido Liberal e transformaram-no num clube de direita para os ex-l\u00edderes do Jap\u00e3o imperial.<\/p>\n<p>Essa rede global de anti-comunistas empoderados pelo imp\u00e9rio americano envolveu-se em guerras sujas, golpes, desestabiliza\u00e7\u00e3o, sabotagem e campanhas terroristas.\u00a0Se \u00e9 verdade que o fascismo foi derrotado na Segunda Guerra Mundial, principalmente gra\u00e7as ao sacrif\u00edcio de cerca de 27 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos e 20 milh\u00f5es de chineses, n\u00e3o \u00e9 de todo verdade que tenha sido eliminado, mesmo dentro das chamadas democracias liberais.<\/p>\n<p>Pode-se ser tentado a dizer, como especialistas liberais progressistas \u00e0s vezes afirmam, que os EUA implantam formas \u201cfascistas\u201d de governo no exterior, mas mant\u00eam uma democracia na frente interna.\u00a0No entanto, isso n\u00e3o \u00e9 exatamente verdade.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise hist\u00f3rico-materialista, como argumentei em alguns de meus trabalhos, precisa sempre levar em conta tr\u00eas dimens\u00f5es heuristicamente distintas: \u00a0 hist\u00f3ria, geografia e estratifica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 importante examinar toda a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o simplesmente aqueles que ocupam o mesmo segmento de classe que os especialistas liberais. Considere-se, por exemplo, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Submetidos a uma pol\u00edtica genocida de elimina\u00e7\u00e3o e depois sequestrados em reservas controladas e supervisionadas pelo Estado norte-americano, muitos \u2013 particularmente os mais pobres \u2013 continuam a ser alvo do terror policial racista e a lutar pelos direitos humanos e democr\u00e1ticos b\u00e1sicos.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_50_59\" rel=\"noreferrer noopener\">[56]<\/a><\/p>\n<p>O mesmo se aplica aos segmentos pobres e oper\u00e1rios da popula\u00e7\u00e3o afro-americana, bem como aos imigrantes. \u00c9 assim que devemos entender a cr\u00edtica contundente de George Jackson aos Estados Unidos como \u201co Quarto Reich\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_50_59\" rel=\"noreferrer noopener\">[57]<\/a><\/p>\n<p>Certos setores da popula\u00e7\u00e3o, ou seja, a classe pobre e trabalhadora de outras etnias que lutam para sobreviver, s\u00e3o frequentemente governados principalmente atrav\u00e9s da repress\u00e3o estatal e para-estatal, n\u00e3o atrav\u00e9s de um sistema de representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e direitos. Por que ent\u00e3o assumir\u00edamos que eles vivem numa democracia? Al\u00e9m disso, n\u00e3o esque\u00e7amos que os pr\u00f3prios nazistas viram nos Estados Unidos a forma mais avan\u00e7ada da arte de governar o apartheid racial e usaram-na explicitamente como modelo.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_50_59\" rel=\"noreferrer noopener\">[58]<\/a><\/p>\n<p>O paradigma multimodo de governo \u00e9 dial\u00e9tico na medida em que atenta para a din\u00e2mica de classes que opera na sociedade capitalista e para o fato de que os v\u00e1rios elementos da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o governados da mesma maneira.<\/p>\n<p>Membros da classe dirigente profissional nos Estados Unidos, por exemplo, gozam de certos direitos democr\u00e1ticos no sentido formal, e a eles podem recorrer com \u00eaxito em v\u00e1rias formas de luta de classes legais. Aqueles que est\u00e3o sob a bota do capitalismo como uma popula\u00e7\u00e3o super-explorada s\u00e3o muitas vezes governados de uma maneira muito diferente, especialmente se come\u00e7arem a se organizar para tirar a bota do pesco\u00e7o, como foi o caso do Drag\u00e3o (como Jackson era conhecido).<\/p>\n<p>Eles est\u00e3o sujeitos ao terror policial e \u00e0 viol\u00eancia policial, e seus supostos direitos s\u00e3o muitas vezes indiscriminadamente prejudicados, como os 29 Panteras Negras e 69 ativistas ind\u00edgenas americanos assassinados pelo FBI e pela pol\u00edcia entre 1968 e 1976 (de acordo com os c\u00e1lculos de Ward Churchill).<\/p>\n<p>Para entender como a governa\u00e7\u00e3o realmente funciona no capitalismo, \u00e9 importante adotar uma abordagem dial\u00e9tica minuciosa que preste aten\u00e7\u00e3o aos seus diferentes modos.<\/p>\n<p>A chamada democracia liberal funciona como a boa pol\u00edcia do capitalismo, prometendo direitos e representa\u00e7\u00e3o aos sujeitos obedientes. \u00c9 amplamente empregada para governar as camadas de classe m\u00e9dia e m\u00e9dia-alta, bem como aqueles que aspiram a elas. O pol\u00edcia mau \u00e9 desencadeado sobre os segmentos pobres e descontentes da popula\u00e7\u00e3o, tanto no pa\u00eds quanto no exterior.<\/p>\n<p>Obviamente, \u00e9 prefer\u00edvel ser governado pelo pol\u00edcia bom, e a defesa e a expans\u00e3o de formas ainda limitadas de democracia s\u00e3o objetivos t\u00e1ticos dignos.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 estrategicamente importante reconhecer que \u2013 como no caso de um interrogat\u00f3rio policial \u2013 o pol\u00edcia bom e o pol\u00edcia mau trabalham juntos pelo mesmo Estado e com o mesmo objetivo: manter, e at\u00e9 intensificar, as rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas usando a cenoura da democracia burguesa ou o garrote do autoritarismo.<\/p>\n<p><strong>Como a esquerda deve resistir \u00e0 hegemonia ideol\u00f3gica da burguesia? Que tipo de teoria revolucion\u00e1ria devemos construir?<\/strong><\/p>\n<p>No mundo capitalista, a hegemonia ideol\u00f3gica da burguesia \u00e9 mantida pelo impressionante controle que exerce sobre o aparato cultural, ou seja, todo o sistema de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo cultural.<\/p>\n<p>\u00abCinco corpora\u00e7\u00f5es gigantes\u201d, escreve Alan MacLeod, \u201ccontrolam mais de 90% do que a Am\u00e9rica l\u00ea, assiste ou ouve\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_60_69\" rel=\"noreferrer noopener\">[63]<\/a>\u00a0Essas megacorpora\u00e7\u00f5es trabalham em estreita colabora\u00e7\u00e3o com o governo dos EUA. Seu objetivo foi claramente expresso pelo diretor da CIA, William Casey, em 1981: \u201cSaberemos que nosso programa de desinforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 completo quando tudo o que o p\u00fablico americano acredita for falso\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_60_69\" rel=\"noreferrer noopener\">[64]<\/a><\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o banner<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es objetivas da luta ideol\u00f3gica num pa\u00eds como os Estados Unidos. Portanto, \u00e9 ing\u00eanuo pensar que simplesmente temos que desenvolver uma an\u00e1lise correta e compartilhar nossos pontos de vista, convencendo as pessoas por meio de argumenta\u00e7\u00e3o racional.<\/p>\n<p>Para ter uma tra\u00e7\u00e3o real, temos que trabalhar coletivamente. Num livro em que estou trabalhando atualmente com Jennifer Ponce de Le\u00f3n, que examina a cultura como um local de luta de classes, distinguimos heuristicamente tr\u00eas t\u00e1ticas diferentes.\u00a0Primeiro,\u00a0a t\u00e1tica do cavalo de Tr\u00f3ia\u00a0\u00e9 usar o aparato cultural burgu\u00eas contra si mesmo, aproveitando sua extraordin\u00e1ria infraestrutura para espalhar mensagens contra-hegem\u00f4nicas (Boots Riley \u00e9 um \u00f3timo exemplo de algu\u00e9m que conseguiu fazer isso).<\/p>\n<p>Uma segunda t\u00e1tica \u00e9 desenvolver um aparato alternativo para a produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o de ideias. H\u00e1 muitos esfor\u00e7os importantes em andamento nessa frente, desde m\u00eddia alternativas e publica\u00e7\u00f5es at\u00e9 plataformas educacionais, espa\u00e7os culturais, redes ativistas e centros comunit\u00e1rios. Ponce de L\u00e9on e eu estamos envolvidos no Taller de Teor\u00eda Cr\u00edtica\/Atelier de Th\u00e9orie Critique, que se dedica a esse tipo de trabalho.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_60_69\" rel=\"noreferrer noopener\">[65]<\/a><\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 os aparatos socialistas que se desenvolveram em pa\u00edses que alavancaram o poder da burguesia. As not\u00edcias, a informa\u00e7\u00e3o e a cultura que produzem fornecem uma alternativa real ao aparato cultural capitalista. Para citar apenas dois exemplos importantes no Hemisf\u00e9rio Ocidental, a Prensa Latina, em Cuba, e a Telesur, na Venezuela fazem um trabalho importante.<\/p>\n<p>Quanto ao tipo de teoria revolucion\u00e1ria de que precisamos, eu n\u00e3o poderia concordar mais com Cheng Enfu. Ele argumentou de forma convincente, seguindo o trabalho de muitos outros, que o marxismo \u00e9 criativo e precisa se adaptar regularmente a situa\u00e7\u00f5es em mudan\u00e7a.\u00a0<a href=\"https:\/\/resistir.info\/varios\/rockhill_08jan24.html#notas_60_69\" rel=\"noreferrer noopener\">[66]<\/a><\/p>\n<p>Longe de ser uma doutrina imut\u00e1vel, \u00e9 o que Losurdo chamou de um processo de aprendizado que muda com os tempos.\u00a0Neste momento, h\u00e1 muito trabalho a fazer nesta frente.<\/p>\n<p>Como vivo no n\u00facleo imperial, acrescento que tamb\u00e9m \u00e9 essencial desenvolver a teoria e a pr\u00e1tica revolucion\u00e1rias nesta regi\u00e3o espec\u00edfica, que at\u00e9 agora tem sido imune \u00e0s tomadas do poder do Estado pela classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Em geral, a teoria revolucion\u00e1ria mais importante \u00e9 a que ajuda na complicada e dif\u00edcil tarefa de construir o socialismo. Houve muitas surpresas e muito se aprendeu desde 1917. A situa\u00e7\u00e3o global hoje \u00e9 muito diferente do que era no auge da III Internacional ou durante a chamada Guerra Fria.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses socialistas est\u00e3o trabalhando em conjunto com os pa\u00edses capitalistas determinados ao desenvolvimento nacional para construir novos marcos internacionais para enfrentar a ordem mundial imperial (BRICS+, a Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota, a Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, ASEAN, etc).<\/p>\n<p>Revoltas recentes na \u00c1frica Ocidental e Central desafiaram o regime neocolonial da Fran\u00e7a na regi\u00e3o e o imperialismo ocidental.<\/p>\n<p>Compreender e promover essas e outras lutas pela liberta\u00e7\u00e3o anticolonial e pelo mundo multipolar emergente \u00e9 uma tarefa te\u00f3rica e pr\u00e1tica vital. Ao mesmo tempo, \u00e9 de suma import\u00e2ncia poder elucidar como a contesta\u00e7\u00e3o da ordem mundial imperialista e o desenvolvimento da multipolaridade podem ser trampolins para a expans\u00e3o do projeto socialista. Este \u00e9 um dos problemas mais prementes dos nossos dias.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>1. Ver Ra\u00fal Antonio Capote, Enemigo (Madrid: Ediciones Akal, 2015).<br \/>\n2. As informa\u00e7\u00f5es contidas neste par\u00e1grafo e nos par\u00e1grafos seguintes foram compiladas a partir de m\u00faltiplas fontes, incluindo pesquisas de arquivo, in\u00fameros pedidos da Lei de Liberdade de Informa\u00e7\u00e3o e obras como Philip Agee e Louis Wolf, eds.,\u00a0Dirty Work: The CIA in Western Europe, 1\u00aa ed.\u00a0(Dorset: Editora Dorset, 1978);\u00a0Fr\u00e9d\u00e9ric Charpier,\u00a0A CIA na Fran\u00e7a: 60 ans d\u2019ing\u00e9rence dans les affaires fran\u00e7aises (Paris: Editions\u00a0du Seuil, 2008);\u00a0Ray S. Cline,\u00a0Segredos, Espi\u00f5es e Estudiosos\u00a0(Washington, DC: Acr\u00f3pole, 1976);\u00a0Peter Coleman, The\u00a0Liberal Conspiracy: The Congress for Cultural Freedom and the Struggle for the Mind of Postwar Europe\u00a0(Nova Iorque: The Free Press, 1989);\u00a0Allan Francovich,\u00a0On Business\u00a0(document\u00e1rio), 1980;\u00a0Pierre Gr\u00e9mion,\u00a0Intelligence de l\u2019anticommunisme: Le Congr\u00e8s pour la libert\u00e9 de la culture \u00e0 Paris, 1950-1975 (Paris: Librairie Arth\u00e8me Fayard, 1995);\u00a0Victor Marchetti e John D. Marks,\u00a0A CIA e o Culto da Intelig\u00eancia\u00a0(Nova York: Dell Publishing Co., 1974);\u00a0Frances Stonor Saunders, A\u00a0Guerra Fria Cultural\u00a0(Nova York: The New Press, 2000);\u00a0Giles Scott-Smith, The\u00a0Politics of Apolitical Culture: The Congress for Cultural Freedom, the CIA, and Postwar American Hegemony\u00a0(Nova York: Routledge, 2002);\u00a0John Stockwell,\u00a0The Praetorian Guard: America\u2019s Role in the New World\u00a0Order (Boston: South End Press, 1991);\u00a0Hugh Wilford,\u00a0The Mighty Wurlitzer: How the CIA Played Against America\u00a0(Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2008).<br \/>\n3. Veja Wilford,\u00a0O Poderoso Wurlitzer.<br \/>\n4. Ver Carl Bernstein, \u201cA CIA e a M\u00eddia\u201d,\u00a0<em>Rolling Stone,<\/em>\u00a020 de outubro de 1977.<br \/>\n5. John M. Crewdson, \u201cCIA-Built World Propaganda Network\u201d,\u00a0<em>New York Times,<\/em>\u00a026 de dezembro de 1977.<br \/>\n6. Grupo de Trabalho sobre Maior Abertura da CIA, Memorando ao Diretor de Intelig\u00eancia Central,\u00a0Relat\u00f3rio da For\u00e7a-Tarefa sobre Maior Abertura da CIA, 20 de dezembro de 1991, cia.gov.<br \/>\n7. Ver Crewdson, \u201cWorld Propaganda Network\u201d.<br \/>\n8. Citado em William F. Pepper,\u00a0The Plot to Kill King\u00a0(Nova York: Skyhorse, 2018), p. 186.<br \/>\n9. Crewdson, \u201cRede Mundial de Propaganda\u201d.<br \/>\n10. Veja os artigos de Yasha Levine,\u00a0Surveillance Valley\u00a0(New York: PublicAffairs, 2018) e Alan Macleod no\u00a0MintPress News: \u201cNational Security Search Engine: Google\u2019s Ranks Are Full of CIA Operatives\u201d, 25 de julho de 2022;\u00a0\u201cConhe\u00e7a os ex-agentes da CIA que decidem a pol\u00edtica de conte\u00fado do Facebook\u201d, 12 de julho de 2022;\u00a0\u201cFederal Tweet Office: Twitter est\u00e1 contratando um n\u00famero alarmante de agentes do FBI\u201d, 21 de junho de 2022;\u00a0\u201cThe NATO Pipeline to TikTok: Why TikTok Employs So Many National Security Agents\u201d, 29 de abril de 2022.<br \/>\n11. O Relat\u00f3rio do Comit\u00e9 Church foi rigorosamente controlado e supervisionado pela pr\u00f3pria CIA, assim \u00e9 prov\u00e1vel que os n\u00fameros sejam muito maiores.<br \/>\n12. Ver Noam Chomsky et al., The\u00a0Cold War and the University\u00a0(Nova York: The New Press, 1997);\u00a0Sigmund Diamond,\u00a0Campus Engajado: A Colabora\u00e7\u00e3o das Universidades com a Comunidade de Intelig\u00eancia, 1945-1955 (Oxford: Oxford University Press, 1992);\u00a0Walter Rodney,\u00a0A Revolu\u00e7\u00e3o Russa: Uma Vis\u00e3o do Terceiro Mundo, ed.\u00a0Robin D.G. Kelley e Jesse Benjamin (Londres: Verso, 2018);\u00a0Christopher Simpson,\u00a0Ci\u00eancia da Coer\u00e7\u00e3o: Pesquisa em Comunica\u00e7\u00e3o e Guerra Psicol\u00f3gica, 1945-1960 (Oxford: Oxford University Press, 1996).<br \/>\n13. Ver The New School Archives, John R. Everett Records (NS-01-01-02), S\u00e9rie 3.\u00a0Arquivos Tem\u00e1ticos, 1918\u20131979, Volume: 1945\u20131979, Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA), 1977\u20131978, Ajudas na Busca .archives.newschool.edu\/repositories\/3\/archival_objects\/34220.\u00a0Uma grande cole\u00e7\u00e3o de documentos pormenorizam algumas das min\u00facias est\u00e1 dispon\u00edvel na\u00a0Black Vault MKULTRA Collection, theblackvault.com. 14. Ver Gabriel Rockhill,\u00a0Radical and Political History of Art\u00a0(Nova York: Columbia University Press, 2014).<br \/>\n15. Ver Matthew Alford e Tom Secker,\u00a0National Security Cinema: The Shocking New Evidence of Government Control in Hollywood\u00a0(CreateSpace Independent Publishing Platform, 2017).<br \/>\n16. Citado em Alford e Secker,\u00a0National Security Cinema, 49.<br \/>\n17. Ver, por exemplo, Michel Collon e Test Media International,\u00a0Ukraine: La Guerre des images\u00a0(Bruxelas: Investig\u2019Action, 2023).<br \/>\n18. Veja Wilford,\u00a0The Mighty Wurlitzer;\u00a0Agee e Wolf,\u00a0Trabalho Sujo;\u00a0Charpier,\u00a0a CIA na Fran\u00e7a.<br \/>\n19. Ver Daniele Ganser,\u00a0NATO\u2019s Secret Armies\u00a0(Nova Iorque: Routledge, 2004) e Allan Francovich,\u00a0Gladio\u00a0(document\u00e1rio), British Broadcasting Corporation, 1992.<br \/>\n20. Ver Saunders,\u00a0The Cultural Cold Ware Hans-R\u00fcdiger Minow,\u00a0Quand la CIA infiltrait la culture\u00a0(document\u00e1rio), ARTE, 2006.<br \/>\n21. O termo p\u00f3s-estruturalismo \u00e9, em muitos aspectos, uma inven\u00e7\u00e3o angl\u00f3fona, uma vez que, no contexto franc\u00eas (pelo menos originalmente), os chamados p\u00f3s-estruturalistas eram vistos como continuando e intensificando (embora de maneiras ligeiramente diferentes) o projeto\u00a0estruturalista.<br \/>\n22. Michel Foucault, Dits et \u00e9crits 1954-1988, vol. 1 (Paris: \u00c9ditions Gallimard, 1994), p. 542. Para mais sobre Foucault, ver Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/thephilosophicalsalon.com\/foucault-the-faux-radical\/\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cFoucault: The Faux Radical\u201d<\/a>,\u00a0<em>Los Angeles Review of Books,<\/em>\u00a012 de outubro de 2020, p. thephilosophicalsalon.com.<br \/>\n23. Ver Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreviewarchives.org\/mr\/article\/view\/6216\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cThe Myth of 1968 Thought and the French Intelligentsia\u201d<\/a>,\u00a0<em>Monthly Review\u00a0<\/em>75, no. 2 (junho de 2023): 19\u201349.<br \/>\n24. Veja meu pref\u00e1cio a Aymeric Monville,\u00a0Neocapitalism According to Michel Clouscard\u00a0(Madison: Iskra Books, 2023).<br \/>\n25. Diretoria de Intelig\u00eancia,\u00a0Fran\u00e7a: Deser\u00e7\u00e3o de Intelectuais de Esquerda, Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia, 1\u00ba de dezembro de 1985, p. 6, cia.gov.<br \/>\n26. Walter Rodney,\u00a0Marxismo decolonial: ensaios sobre a revolu\u00e7\u00e3o pan-africana\u00a0(Londres: Verso, 2022), p. 46.<br \/>\n27. Grande parte das evid\u00eancias para meus coment\u00e1rios pode ser encontrada nos seguintes artigos: Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/thephilosophicalsalon.com\/the-cia-the-frankfurt-schools-anti-communism\/\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cThe CIA and the Frankfurt School\u2019s Anti-Communism\u201d<\/a>,\u00a0<em>Los Angeles Review of Books,<\/em>\u00a027 de junho de 2022, thephilosophicalsalon.com, e Gabriel Rockhill, \u201cCritical and Revolutionary Theory: For the Reinvention of Critique in the Age of Ideological Realignment\u201d, in Domination and Emancipation: Remaking Criticism, ed. Daniel Benson (Lanham: Rowman and Littlefield Publishers, 2021), pp. 117\u201361.<br \/>\n28. Citado em Wolfgang Kraushaar, ed.,\u00a0Frankfurter Schule und Studentenbewegung: Von der Flaschenpost zum Molotowcocktail 1946-1995, vol. 1,\u00a0Chronik\u00a0(Hamburgo: Rogner and Bernhard GmbH and Co. Verlags KG, 1998), 252\u201353.<br \/>\n29. Sobre a Guerra de Suez, ver Richard Becker,\u00a0Palestine, Israel, and the American Empire\u00a0(S\u00e3o Francisco: PSL Publications, 2009), pp. 71\u201378.<br \/>\n30. Citado em Stuart Jeffries,\u00a0Grand Hotel Abyss: The Lives of the Frankfurt School\u00a0(Londres: Verso, 2016), p. 297.\u00a0As declara\u00e7\u00f5es de Adorno e Horkheimer sobre Nasser s\u00e3o da mesma fam\u00edlia da propaganda produzida pelos media ocidentais e ag\u00eancias de intelig\u00eancia.\u00a0Como Paul Lashmar e James Oliver argumentaram de forma convincente, o Departamento de Pesquisa de Informa\u00e7\u00e3o (um escrit\u00f3rio secreto de propaganda anti-comunista intimamente ligado ao MI6 e \u00e0 CIA) pressionou a BBC e seus outros meios de comunica\u00e7\u00e3o a retratar Nasser como \u201cum sovi\u00e9tico\u201d, que era \u201caquele que favorecia uma linha de propaganda polivalente para l\u00edderes anticoloniais\u201d (Paul Lashmar e James Oliver,\u00a0A Guerra Secreta de Propaganda da Gr\u00e3-Bretanha: 1948\u20131977\u00a0[Phoenix Mill, Reino Unido: Sutton Publishing Limited, 1998], p. 64).<br \/>\n31. Ver Franz Neumann et al.,\u00a0Secret Reports on Nazi Germany: The Frankfurt School\u2019s Contribution to the War Effort, ed.\u00a0Barry M. Katz,\u00a0Intelig\u00eancia Estrangeira: Pesquisa e An\u00e1lise no Escrit\u00f3rio de Servi\u00e7os Estrat\u00e9gicos, 1942-1945\u00a0(Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 1989);\u00a0Tim B. M\u00fcller,\u00a0Krieger und Gelehrte: Herbert Marcuse und die Denksysteme im Kalten Krieg\u00a0(Hamburgo: Hamburger Edition, 2010).<br \/>\n32. J\u00fcrgen Habermas,\u00a0The New Conservatism: Cultural Criticism and the Historians\u2019 Debate, ed. Shierry Weber Nicholsen (Cambridge, Massachusetts: MIT Press, 1990), p. 69.<br \/>\n33. Ver Rockhill, \u201cTeoria Cr\u00edtica e Revolucion\u00e1ria\u201d.<br \/>\n34. Nancy Fraser, \u201cA Crise de Aten\u00e7\u00e3o do Capitalismo\u201d,\u00a0Dissid\u00eancia63, n\u00ba 4 (outono de 2016): 35.<br \/>\n35. Fraser, \u201cA crise de aten\u00e7\u00e3o do capitalismo\u201d, p. 35.<br \/>\n36. Ver Tita Barahona, \u201cJudith Butler,\u00a0a papisa do \u2018feminismo\u2019 p\u00f3s-moderno e seu apoio ao capitalismo ianque\u201d,\u00a0Canarias-Semanal, 7 de abril de 2022, canarias-semanal.org, e Ben Norton, \u201cPostmodern Philosopher Judith Butler Repeated Donated to \u2018Top Cop\u2019 Kamala Harris\u201d, 18 de dezembro de 2019, bennorton.com.<br \/>\n37. Ver, por exemplo, minhas cr\u00edticas a Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser em Rockhill, \u201cTeoria Cr\u00edtica e Revolucion\u00e1ria\u201d.<br \/>\n38. Stephen Gowans oferece muitos excelentes exemplos disso em seu livro\u00a0Washington\u2019s Long War on Syria\u00a0(Montreal: Baraka Books, 2017).<br \/>\n39. Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.counterpunch.org\/2023\/01\/02\/capitalisms-court-jester-slavoj-zizek\/\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cThe Court Jester of Capitalism: Slavoj \u017di\u017eek\u201d<\/a>,\u00a0CounterPunch, 2 de janeiro de 2023.<br \/>\n40. Assista ao debate eleitoral televisionado de 1990 arquivado no YouTube: \u201cSlavoj \u017di\u017eek \u2013 1990 Election Debate in Slovenia\u201d, v\u00eddeo do YouTube, 9h40, postado em 18 de maio de 2021, youtube.com\/watch?v=942h8enHCZs.<br \/>\n41. Slavoj \u017di\u017eek,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.newstatesman.com\/ideas\/2023\/09\/west-losing-africa-neocolonialism-authoritarianism\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cWhy the West Will Keep Losing in Africa: Neocolonialism Is Giving Birth to Miserable Authoritarianism\u201d<\/a>,\u00a0<em>New Statesman,<\/em>\u00a04 de setembro de 2023.<br \/>\n42. Slavoj \u017di\u017eek,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.newstatesman.com\/world\/europe\/2023\/07\/age-of-anarchy-slavoj-zizek\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cA esquerda deve abra\u00e7ar a lei e a ordem\u201d<\/a>,\u00a0New Statesman, 4 de julho de 2023.<br \/>\n43. Ver, por exemplo, Collon, Ucr\u00e2nia: La Guerre des imagese Pepe Escobar,\u00a0<a href=\"https:\/\/new.thecradle.co\/articles\/why-the-cia-attempted-a-maidan-uprising-in-brazil\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cWhy the CIA Tried a \u2018Maidan Uprising\u2019 in Brazil\u201d<\/a>,\u00a0The Cradle, 10 de janeiro de 2023, new.thecradle.co.<br \/>\n44. Amin escreveu: \u201cA tr\u00edade organizou em Kiev o que deveria ser chamado de \u2018golpe euro-nazista\u2019.\u00a0A ret\u00f3rica dos media ocidentais, que afirma que as pol\u00edticas da Tr\u00edade visam promover a democracia, \u00e9\u00a0simplesmente uma mentira\u201d (Samir Amin, \u201cContemporary Imperialism\u201d,\u00a0Monthly Review\u00a067, no. 3 [julho-agosto de 2015]: 23-36).<br \/>\n45. Ver Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.counterpunch.org\/2017\/12\/13\/the-u-s-is-not-a-democracy-it-never-was\/\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cAmerica Is Not a Democracy, It Never Was\u201d<\/a>,\u00a0CounterPunch, 13 de dezembro de 2017.<br \/>\n46. John Grafton, ed.,\u00a0The Declaration of Independence and Other Great Documents of American History 1775\u20131865\u00a0(Mineola, Nova York: Dover, 2000), 8.\u00a0Ver tamb\u00e9m Roxanne Dunbar-Ortiz,\u00a0An Indigenous Peoples\u2019 History of the United States\u00a0(Boston: Beacon Press, 2015) e David Michael Smith,\u00a0Endless Holocausts\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 2023).<br \/>\n47. Terry Bouton,\u00a0Taming Democracy: \u201cThe People\u201d, the Founders, and the Turbulent End of the American Revolution\u00a0(Oxford: Oxford University Press, 2007), p. 4.<br \/>\n48. Ralph Louis Ketcham, ed.,\u00a0The Anti-Federalist Papers and the Constitutional Convention Debates\u00a0(Nova York: Signet, 2003), 199.<br \/>\n49. Herbert J. Storing, ed.,\u00a0The Complete Anti-Federalist, vol. 2 (Chicago: University of Chicago Press, 2008), p. 13.<br \/>\n50. Embora eu tenha alguns problemas com o quadro geral, forne\u00e7o grande parte da evid\u00eancia emp\u00edrica para minhas afirma\u00e7\u00f5es no terceiro cap\u00edtulo deste livro: Gabriel Rockhill,\u00a0Contre-histoire du temps pr\u00e9sent: Interrogations intempestives sur la mondialisation, la technologie, la d\u00e9mocratie.(Paris: CNRS \u00c9ditions, 2017).\u00a0Tamb\u00e9m dispon\u00edvel em ingl\u00eas:\u00a0Counter-History of the Present: Untimely Interrogations into Globalization, Technology, Democracy\u00a0(Durham: Duke University Press, 2017).<br \/>\n51. Martin Gilens e Benjamin I. Page, \u201cTesting Theories of American Politics:\u00a0Elites, Interest Groups, and Average Citizens\u201d, Perspectives on Politics12, no. 3 (setembro de 2014): 564.<br \/>\n52. Ver William Blum,\u00a0Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War II\u00a0(Londres: Zed Books, 2014), bem como seu \u201d\u00a0Overthrowing Other People\u2019s Government: The Master List\u00a0\u201d em williamblum.org.<br \/>\n53. Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.blackagendareport.com\/liberalism-fascism-good-cop-bad-cop-capitalism\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cLiberalism and Fascism: The Good Cop and the Bad Cop of Capitalism\u201d<\/a>,\u00a0Black Agenda Report, 21 de outubro de 2020, blackagendareport.com.<br \/>\n54. Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.counterpunch.org\/2020\/10\/16\/the-u-s-did-not-defeat-fascism-in-wwii-it-discretely-internationalized-it\/\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cThe U.S. Did Not Defeat Fascism in WWII, It Discretely Internationalized It\u201d<\/a>, CounterPunch,\u00a016 de outubro de 2020.<br \/>\n55. \u201cO marechal Badoglio, ex-colaborador de Benito Mussolini, respons\u00e1vel por terr\u00edveis crimes de guerra na Eti\u00f3pia, foi autorizado a se tornar o primeiro chefe de governo da It\u00e1lia p\u00f3s-fascista.\u00a0Na parte libertada da It\u00e1lia, o novo sistema parecia suspeito como o antigo, e por isso foi descartado por muitos como fascismo senza Mussolini, ou \u2018fascismo sem Mussolini\u2019\u201d (Jacques R. Pauwels,\u00a0The Myth of the Good War\u00a0[Toronto: Lorimer, 2015], p. 119).<br \/>\n56. Veja Dunbar-Ortiz,\u00a0Uma Hist\u00f3ria dos Povos Ind\u00edgenas dos Estados Unidos e Smith,\u00a0Holocaustos Sem Fim.<br \/>\n57. George L. Jackson,\u00a0Sangue nos Meus Olhos\u00a0(Baltimore: Black Classic Press, 1990), 9.<br \/>\n58. Ver, por exemplo, James Q. Whitman,\u00a0Hitler\u2019s American Model\u00a0(Princeton: Princeton University Press, 2018).<br \/>\n59. Ver John Bellamy Foster,\u00a0Trump na Casa Branca: Trag\u00e9dia e Farsa\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 2017).<br \/>\n60. Ver Gabriel Rockhill, \u201cNazis in Ukraine: Seeing Through the Fog of the Information\u00a0War\u201d, Liberation News, 31 de mar\u00e7o de 2022, liberationnews.org.<br \/>\n61. Veja Gabriel Rockhill,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.counterpunch.org\/2022\/02\/18\/lessons-from-january-6th-an-inside-job\/\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cLessons from January 6th: an Inside Job\u201d<\/a>,\u00a0CounterPunch, 18 de fevereiro de 2022.<br \/>\n62. Anna Massoglia, \u201cPormenores do dinheiro por tr\u00e1s dos protestos de 6 de janeiro continuam a surgir\u201d, OpenSecrets News, 25 de outubro de 2021, opensecrets.org.<br \/>\n63. Alan MacLeod, ed.,\u00a0Propaganda na Era da Informa\u00e7\u00e3o: Ainda Fabricando Consentimento\u00a0(Nova York: Routledge, 2019).<br \/>\n64. Quanto \u00e0 sua origem, confira esta discuss\u00e3o sobre esta afirma\u00e7\u00e3o t\u00e3o citada: Tony Brasunas, \u201cA CIA est\u00e1 tentando enganar todos os americanos?\u201d,\u00a09 de fevereiro de 2023, tonybrasunas.com.<br \/>\n65. Veja criticytheoryworkshop.com.<br \/>\n66. Ver Cheng Enfu,\u00a0The Economic Dialectic of China\u00a0(Nova York: International Publishers, 2021).<br \/>\n67. Um dos mais destacados marxistas dos Estados Unidos, John Bellamy Foster, tem feito um trabalho extremamente importante nessas tr\u00eas frentes.<\/p>\n<p><em><strong>8 de janeiro de 2024<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong><em>Gabriel Rockhill<\/em>\u00a0| diretor executivo do Critical Theory Workshop\/Atelier de Th\u00e9orie Critique e professor de filosofia na Villanova University, na Pensilv\u00e2nia. Atualmente est\u00e1 a terminar o seu quinto livro, The Intellectual World War: Marxism versus the Imperial Theory Industry (Monthly Review Press).<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Zhao Dingqi<\/em>\u00a0| assistente de pesquisa no Instituto de Marxismo da Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais e editor de Estudos Socialistas Mundiais.<\/strong><\/p>\n<p>O original, em chin\u00eas, encontra-se no 11\u00ba volume de Estudos Socialistas Mundiais (2023). 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