{"id":24001,"date":"2024-06-01T12:33:37","date_gmt":"2024-06-01T15:33:37","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=24001"},"modified":"2024-05-31T15:46:56","modified_gmt":"2024-05-31T18:46:56","slug":"futebol-feras-e-antropocentrismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/06\/01\/futebol-feras-e-antropocentrismo\/","title":{"rendered":"Futebol, feras e antropocentrismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Neilton J\u00fanior<\/strong> &#8211; O que o gesto de Endrick pode nos ensinar sobre o entretenimento esportivo capitalista contempor\u00e2neo? Ou, quando o esporte contempla a pr\u00f3pria obra.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"bg nk nl c c008\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/miro.medium.com\/v2\/resize%3Afit%3A705\/0%2AwVG3LvfcQGzYOblW.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p id=\"a90c\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">O futebol espetacular, assim como outras modalidades esportivas submetidas a mesma racionalidade do entretenimento, est\u00e1 repleto imagens de barb\u00e1rie e daquilo que\u00a0<a class=\"af nr\" href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/a-ideologia-do-esporte-espetaculo-e-suas-vitimas\/\" rel=\"noopener ugc nofollow\">Jean-Marie Brohm<\/a>\u00a0classificou como cultura de brutaliza\u00e7\u00e3o dos corpos. Para o autor, o esporte espet\u00e1culo conforma uma ideologia reprodutora de u conjunto imenso de irracionalidades e v\u00edtimas; dentre as quais se destacam os atletas negros. Mas de modo geral, o autor argumenta que ningu\u00e9m escapa \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o promovida pela ideologia esportiva contempor\u00e2nea, posto que \u201co espa\u00e7o p\u00fablico, reduzido a uma tela de sonho televisionado, est\u00e1 saturado de esporte, a tal ponto de comprometimento que a pol\u00edtica \u00e9 considerada, tamb\u00e9m ela, como um esporte\u201d. O autor sustenta que \u201ca unidade desse conjunto reconfigurou simultaneamente o tempo do mundo (estabelecimento de calend\u00e1rios competitivos cada vez mais apertados, servindo de refer\u00eancias aceitas por todos) e o espa\u00e7o geopol\u00edtico (multiplica\u00e7\u00e3o de locais de esporte: junto dos edif\u00edcios, nos est\u00e1dios, em casa diante da televis\u00e3o, no meio do mato)\u201d. Essa articula\u00e7\u00e3o que ele considera in\u00e9dita, em que tempo e espa\u00e7o s\u00e3o mobilizados na dire\u00e7\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o de uma realidade paralela composta por fa\u00e7anhas, recordes, desempenhos excepcionais, compreende um terreno f\u00e9rtil \u00e0 emerg\u00eancia de mitos, deuses, lendas e feras, com os quais os expectadores estabelecem uma rela\u00e7\u00e3o complexa de diferencia\u00e7\u00e3o quase sempre perigosa.<\/p>\n<p id=\"f11f\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">O \u201c\u00eaxito\u201d desse modelo esportivo se expressa na forma naturalizada com que a viol\u00eancia repetidamente se apresenta na cena. Mesmo em per\u00edodos mais remotos, a brutaliza\u00e7\u00e3o do corpo estava na ordem do dia como parte do processo de constru\u00e7\u00e3o da virilidade necess\u00e1ria \u00e0 legitima\u00e7\u00e3o do pertencimento social. Observa-se que o s\u00e9culo XIX se manteve fiel a esse objetivo, atribuindo ao \u201cprocesso civilizador\u201d de sistematiza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas esportivas um car\u00e1ter formador e mantenedor da \u201cmasculinidade ideal\u201d.<\/p>\n<p id=\"b360\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Em diferentes pr\u00e1ticas culturais, a brutaliza\u00e7\u00e3o do corpo foi e tem sido elemento indispens\u00e1vel ao processo de urdidura dos\u00a0<em class=\"ns\">homens de verdade<\/em>. Nem mesmo o trabalho moderno escapa a essa regra. Talhados pelo adestramento, ritos de guerra ou esfor\u00e7o produtivo, os homens podem tamb\u00e9m escapar \u00e0 heteronomia associada \u00e0s formas de vida mais rudimentares. Est\u00e1 mais do que flagrante que esse tipo de rela\u00e7\u00e3o deu muito errado, pois al\u00e9m de naturalizar a viol\u00eancia, conseguiu enraizar no imagin\u00e1rio social uma concep\u00e7\u00e3o antropoc\u00eantrica de mundo que est\u00e1 longe de qualquer possibilidade de reconcilia\u00e7\u00e3o com a natureza. As experi\u00eancias humanas de \u201cdescolamento da natureza\u201d s\u00e3o sempre violentas, como destrutivas t\u00eam sido as formas de transforma\u00e7\u00e3o dessa natureza.<\/p>\n<p id=\"f640\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">N\u00e3o por acaso, o insulto ao atleta se apresenta nas pr\u00e1ticas esportivas como elemento auxiliar dos refor\u00e7os positivos e negativos de refinamento e aperfei\u00e7oamento da performance em um contexto em que a sociabilidade concorrencial se utiliza do corpo via de acesso a um\u00a0<em class=\"ns\">status<\/em>\u00a0de humanidade ideal que se consagra nos resultados de vit\u00f3rias, recordes e t\u00edtulos. Por isso mesmo \u00e9 que a viol\u00eancia compreende parte das estrat\u00e9gias de desestabiliza\u00e7\u00e3o dos advers\u00e1rios que, submetidos \u00e0 mesma trama, tentam \u201cvencer\u201d o desafio imposto esfor\u00e7ando-se sempre mais, retendo l\u00e1grimas e, quando poss\u00edvel, revidando na mesma moeda em repetidas tentativas de afirma\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de homem. Podemos observar ainda que existe gozo em tudo isso. O insulto e a briga entre advers\u00e1rios de h\u00f3quei no gelo, por exemplo, faz parte do espet\u00e1culo, quebrando a monotonia e sil\u00eancio dos espectadores, energizados com novas doses de virilidade afirmativa da condi\u00e7\u00e3o humana ideal. Superada a falsa concep\u00e7\u00e3o de que pol\u00edtica e esporte n\u00e3o se misturam, \u00e9 preciso agora entender que viol\u00eancia e esporte convenientemente se confundem, curiosamente, \u00e0 revelia das teses que descrevem o esporte moderno como uma \u201cforma racional\u201d de pr\u00e1ticas corporais.<\/p>\n<p id=\"d63c\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Por essas e outras raz\u00f5es, toleramos a viol\u00eancia no\/do esporte nas suas mais diferentes dimens\u00f5es e intensidades. Toleramos que jovens futebolistas sejam\u00a0<em class=\"ns\">estocados<\/em>\u00a0em cont\u00eaineres. Toleramos a destrui\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental e carreira de atletas, v\u00edtimas da viol\u00eancia racial dos est\u00e1dios. Toleramos o uso dos megaeventos como instrumentos de degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e dos direitos humanos. A brutaliza\u00e7\u00e3o social \u00e9 parte constitutiva da forma esportiva moderna. Isto posto, o gesto de Endrick imitando o personagem fict\u00edcio King Kong n\u00e3o nos diz muita coisa se o analisarmos isoladamente. Dentre as v\u00e1rias formas de interpretar a cena, o que encontramos imediatamente \u00e9 King Kong representando uma anomalia do processo evolutivo que se torna objeto de interesse de zoologistas e ca\u00e7adores. King Kong representaria tamb\u00e9m a f\u00faria e uma da natureza contra a a\u00e7\u00e3o humana inconsequente, for\u00e7a incontrol\u00e1vel que n\u00e3o se permite enjaular, somesticar, ser reduzida a uma mercadoria.<\/p>\n<p id=\"f339\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Quando imita King Kong, Endrick se inscreve entre aqueles cujo talento e condi\u00e7\u00e3o atl\u00e9tica foi historicamente associado \u00e0s imagens animalescas. Algo que esteve sempre presente no vocabul\u00e1rio jornal\u00edstico e \u201cfolclore\u201d futebol\u00edstico para se referir \u00e0s \u201clendas\u201d do esporte, em que pese o conte\u00fado racista de algumas dessas classifica\u00e7\u00f5es. Com isto quero dizer que: atribuir a Endrick alguma culpa pelo \u201cenfraquecimento\u201d da luta antirracista no futebol, ou deduzir que seu gesto \u201cjustifica rea\u00e7\u00f5es racistas\u201d, \u00e9 no m\u00ednimo um exagero. Principalmente se desconsiderarmos as raz\u00f5es que levam o jogador do Palmeiras a reproduzir o gesto. Como ele mesmo se explicou:\u00a0<a class=\"af nr\" href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/esportes\/futebol\/futebol-internacional\/libertadores-da-america\/endrick-imita-king-kong-apos-gol-e-atletas-do-liverpool-uru-criam-confusao-entenda-gesto\/\" rel=\"noopener ugc nofollow\">\u201cQuero mostrar para todo mundo que gosto do Kong\u201d<\/a>.<\/p>\n<p id=\"c6c6\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">O problema me parece ser mais profundo do que a an\u00e1lise isolada do caso Endrick nos sugere. Para come\u00e7armos a entend\u00ea-lo, precisamos suspender a ansiedade jornal\u00edstica e recorrer a hist\u00f3ria. N\u00e3o precisamos ir t\u00e3o longe no tempo. Os s\u00e9culos XIX e XX est\u00e3o cheios de exemplos de como a forma\u00e7\u00e3o da nossa identidade humana est\u00e1 ancorada a postulados antropoc\u00eantricos imediatamente consignados a rela\u00e7\u00f5es hierarquias e dicot\u00f4micas entre homem e natureza. A ci\u00eancia, a literatura, as est\u00f3rias e os entretenimentos de corpo colonial cumpriram papel decisivo nesse processo. Poder\u00edamos dar o exemplo da pedagogia antropoc\u00eantrica dos zool\u00f3gicos, mas fiquemos apenas com o caso dos zool\u00f3gicos humanos que vigoraram do s\u00e9culo XIX at\u00e9 1958.<\/p>\n<p id=\"8505\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Nessas programa\u00e7\u00f5es, a premissa zool\u00f3gica antropoc\u00eantrica permanecia int\u00e1cta, mas j\u00e1 n\u00e3o se tratava apenas de distinguir homem de animais. N\u00e3o se tratavam de experimentos educativos de aproxima\u00e7\u00e3o dos expectadores \u00e0 diversidade humana, mas entretenimentos refor\u00e7adores da ideia de que existem formas subumanas pass\u00edveis de sequestro e toda sorte de especula\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, teol\u00f3gicas e m\u00edticas, marcadoras da diferen\u00e7a e desigualdades fenot\u00edpicas entre formas humanas \u201cacabadas\u201d e as \u201cinacabadas\u201d.<\/p>\n<p id=\"0b2b\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Ao olhar para grupos de n\u00e3o-brancos enjaulados em zool\u00f3gicos, feiras de ci\u00eancias, museus ou exposi\u00e7\u00f5es circenses, os espectadores, quase sempre brancos, podem se sentir mais humanos, recorrendo \u00e0 l\u00fadicidade do espet\u00e1culo como componente anest\u00e9sico contra intera\u00e7\u00f5es que conduzam a algum tipo de identifica\u00e7\u00e3o com o \u201cOutro\u201d enjaulado.<\/p>\n<p id=\"f536\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Essa experi\u00eancia formativa antropoc\u00eantrica misturada ao entretenimento tamb\u00e9m encontrou lugar na chamada\u00a0<a class=\"af nr\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-51657141\" rel=\"noopener ugc nofollow\">\u201cera dos linchamentos\u201d<\/a>. Grandes programa\u00e7\u00f5es de espancamento, enforcamento e carboniza\u00e7\u00e3o de afro-americanos que reunia milhares de pessoas em espa\u00e7os p\u00fablicos, previamente convidadas pelos jornais de que, no dia X, hor\u00e1rio Y e local Z, mais um negro seria linchado.<\/p>\n<p id=\"43ac\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Organizado majoritariamente por brancos pobres, o ritual de linchamento trazia consigo um claro recado \u00e0 classe trabalhadora americana de que a posi\u00e7\u00e3o dos negros na hierarquia social era um dado da natureza que deveria ser cultivado, sob pena de a sociedade americana se degradar.<\/p>\n<p id=\"f3b7\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">Se prestarmos mais aten\u00e7\u00e3o o vocabul\u00e1rio das provoca\u00e7\u00f5es nos est\u00e1dios, veremos que esse olhar zool\u00f3gico e antropoc\u00eantrico para o espet\u00e1culo esportivo permanece vivo e convenientemente cultivado como uma forma de libera\u00e7\u00e3o do \u00f3dio conentrado por uma classe trabalhadora diuturnamente brutalizada pela precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e da vida. Contra isso, a forma esportiva contempor\u00e2nea nada pode fazer, conforme alertou Antonio R\u00fcdgier em texto intitulado\u00a0<a class=\"af nr\" href=\"https:\/\/www.theplayerstribune.com\/br\/posts\/rudiger-chelsea-carta-nao-vai-acabar-com-racismo-no-futebol\" rel=\"noopener ugc nofollow\">\u201cEsta carta n\u00e3o vai acabar com o racismo no futebol\u201d<\/a>. R\u00fcdiger nos diz:<\/p>\n<p id=\"00a6\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\"><em class=\"ns\">Sempre que algo assim acontece [viol\u00eancia racial em est\u00e1dios], como o mundo do futebol reage? As pessoas dizem: \u201cAhhh, \u00e9 t\u00e3o terr\u00edvel\u201d. Os clubes e os jogadores postam uma pequena mensagem no Instagram: \u201cChega de racismo!!!\u201d. Todos agem como se fossem \u201capenas alguns idiotas\u201d. H\u00e1 uma investiga\u00e7\u00e3o, mas nada acontece. De vez em quando, temos uma grande campanha nas redes sociais, todo mundo se sente bem consigo mesmo e, ent\u00e3o, voltamos ao normal. Nada muda realmente. Por que a imprensa, os torcedores e os jogadores se juntaram para acabar com a Superliga em 48 horas, mas, quando h\u00e1 abusos racistas evidentes em um est\u00e1dio de futebol ou online, \u00e9 sempre \u201ccomplicado\u201d? Talvez porque n\u00e3o sejam apenas alguns idiotas nas arquibancadas. Talvez porque v\u00e1 muito mais a fundo.<\/em><\/p>\n<p id=\"6e2a\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">O comprometimento do esporte com o entretenimento capitalista atingiu um n\u00edvel t\u00e3o alto, que no fundo parece ser mais f\u00e1cil para as institui\u00e7\u00f5es esportivas abrirem m\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0s pol\u00edticas de reconhecimento. O custo pol\u00edtico e financeiro da administra\u00e7\u00e3o de uma nova \u201ccrise de racismo\u201d parece ser muito menor se comparado ao volume de recursos que precisariam ser mobilizados na elabora\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de campanhas mais robustas que permitissem com que o esporte n\u00e3o fosse apenas interpretado como um \u201creflexo do social\u201d, mas um aparelho capaz de influenciar o social concreta e criticamente.<\/p>\n<p id=\"3e04\" class=\"pw-post-body-paragraph md me gt mf b mg mh mi mj mk ml mm mn mo mp mq mr ms mt mu mv mw mx my mz na gm bj\">O esporte n\u00e3o substitui a pedagogia antropoc\u00eantrica dos zool\u00f3gicos, mas participa desse processo de maneira muito eficiente, sem encontrar maiores advers\u00e1rios pelo caminho. O gesto de Endrick apenas revela a contradi\u00e7\u00e3o de um sistema de entretenimento que, ao se olhar no espelho, n\u00e3o consegue suportar a pr\u00f3pria imagem ou a pr\u00f3pria obra.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/medium.com\/@neilton.ferreirajunior\/futebol-feras-e-antropocentrismo-5f8c7769c0c1\">Futebol, feras e antropocentrismo | by Neilton J\u00fanior | May, 2024 | Medium<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neilton J\u00fanior &#8211; O que o gesto de Endrick pode nos ensinar sobre o entretenimento esportivo capitalista contempor\u00e2neo? Ou, quando o esporte contempla a pr\u00f3pria obra. O futebol espetacular, assim como outras modalidades esportivas submetidas a mesma racionalidade do entretenimento, est\u00e1 repleto imagens de barb\u00e1rie e daquilo que\u00a0Jean-Marie Brohm\u00a0classificou como cultura de brutaliza\u00e7\u00e3o dos corpos. 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