{"id":2342,"date":"2017-03-30T09:51:32","date_gmt":"2017-03-30T12:51:32","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=2342"},"modified":"2017-03-27T16:35:56","modified_gmt":"2017-03-27T19:35:56","slug":"17-contradicoes-e-o-fim-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/30\/17-contradicoes-e-o-fim-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"\u201817 contradi\u00e7\u00f5es e o fim do capitalismo\u2019"},"content":{"rendered":"<p><strong>David Harvey<\/strong> &#8211; O \u2018Nexo\u2019 publica trecho in\u00e9dito do novo livro de David Harvey, que aborda sob perspectiva marxista, uma an\u00e1lise dos mecanismos de compreens\u00e3o e contradi\u00e7\u00e3o do capitalismo<\/p>\n<p><strong>A promessa do humanismo revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>O problema da tradi\u00e7\u00e3o humanista \u00e9 que ela n\u00e3o tem uma boa compreens\u00e3o de suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es internas inevit\u00e1veis, o que se evidencia com mais clareza na contradi\u00e7\u00e3o entre liberdade e domina\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 que, hoje, as tend\u00eancias e os sentimentos humanistas s\u00e3o apresentados de maneira um tanto precipitada e constrangida, exceto quando t\u00eam o apoio da autoridade e da doutrina religiosa. Consequentemente, n\u00e3o existe uma defesa vigorosa das proposi\u00e7\u00f5es ou perspectivas de um humanismo secular, apesar de in\u00fameras obras individuais que defendem a tradi\u00e7\u00e3o ou discutem suas virtudes \u00f3bvias (como acontece no mundo das ONGs). Suas armadilhas perigosas e contradi\u00e7\u00f5es fundamentais \u2013 em especial quest\u00f5es sobre coer\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e domina\u00e7\u00e3o \u2013 s\u00e3o evitadas porque \u00e9 muito complicado abord\u00e1-las. O resultado \u00e9 o que Frantz Fanon caracterizou como \u201chumanitarismo ins\u00edpido\u201d. H\u00e1 muitos ind\u00edcios disso evidentes em sua recente retomada. A tradi\u00e7\u00e3o burguesa e liberal do humanismo secular forma uma base \u00e9tica piegas para uma a\u00e7\u00e3o moralizadora altamente ineficaz sobre o triste estado em que se encontra o mundo e para a formula\u00e7\u00e3o de campanhas igualmente ineficazes contra a pobreza cr\u00f4nica e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental. \u00c9 provavelmente por isso que o fil\u00f3sofo franc\u00eas Louis Althusser lan\u00e7ou uma influente e feroz campanha na d\u00e9cada de 1960 para que fosse eliminado da tradi\u00e7\u00e3o marxista todo o falat\u00f3rio sobre o humanismo socialista e a aliena\u00e7\u00e3o. Althusser afirmava que o humanismo do jovem Marx, tal como era expresso nos \u201cManuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos de 1844\u201d, se afastava do Marx cient\u00edfico de \u201cO capital\u201d por uma \u201cruptura epistemol\u00f3gica\u201d que n\u00e3o podemos ignorar. O humanismo marxista, escreveu ele, \u00e9 pura ideologia, teoricamente vazio e politicamente enganoso, se n\u00e3o perigoso. A devo\u00e7\u00e3o ao \u201chumanismo absoluto da hist\u00f3ria humana\u201d, como a de um marxista dedicado como Antonio Gramsci, que passou tantos anos encarcerado, era, na opini\u00e3o de Althusser, completamente inapropriada.<\/p>\n<p>O aumento e a natureza das atividades compactuantes das ONGs humanistas nas \u00faltimas d\u00e9cadas parecem sustentar as cr\u00edticas de Althusser. O crescimento do complexo beneficente-industrial reflete sobretudo a necessidade de ampliar a \u201clavagem de consci\u00eancia\u201d de uma oligarquia mundial que, apesar da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que vivemos, duplicou sua riqueza e seu poder em poucos anos. O trabalho dessas ONGs tem feito muito pouco ou quase nada para resolver a degrada\u00e7\u00e3o e a espolia\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos ou a prolifera\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Isso \u00e9 um problema estrutural, porque se exige que as organiza\u00e7\u00f5es que combatem a pobreza fa\u00e7am seu trabalho sem intervir na acumula\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua de riqueza, da qual tiram seu pr\u00f3prio sustento. Se todo mundo que trabalha para uma organiza\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 pobreza assumisse da noite para o dia uma pol\u00edtica contra a riqueza, em pouco tempo estar\u00edamos vivendo num mundo muito diferente. Haveria poucos doadores para financiar isso \u2013 suspeito que nem Peter Buffett. E as ONGs, que hoje est\u00e3o no centro do problema, n\u00e3o aceitariam a mudan\u00e7a (apesar de que muitos indiv\u00edduos no mundo das ONGs estariam dispostos a aceit\u00e1-la, mas simplesmente n\u00e3o poderiam faz\u00ea-lo).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o de que tipo de humanismo precisamos para transformar progressivamente o mundo em um lugar diferente, povoado por pessoas diferentes, por uma a\u00e7\u00e3o anticapitalista?<\/p>\n<blockquote class=\"pullQuote\"><p>O HUMANISMO REVOLUCION\u00c1RIO TEM DE OFERECER UMA RESPOSTA FILOS\u00d3FICA PARA ESSA DIFICULDADE, ALGUM CONFORTO DIANTE DAS TRAG\u00c9DIAS INCIPIENTES<\/p><\/blockquote>\n<p>Acredito que necessitamos urgentemente de um humanismo \u201crevolucion\u00e1rio\u201d secular que possa se aliar aos humanismos religiosos (articulados mais claramente nas vers\u00f5es protestante e cat\u00f3lica da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, bem como nos movimentos an\u00e1logos dentro das culturas religiosas hindus, isl\u00e2micas, judaicas e ind\u00edgenas) para enfrentar a aliena\u00e7\u00e3o em suas muitas formas e mudar radicalmente o mundo a partir de suas bases capitalistas. O humanismo revolucion\u00e1rio secular tem uma tradi\u00e7\u00e3o forte e poderosa, embora problem\u00e1tica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria e \u00e0 pr\u00e1tica pol\u00edtica. Essa \u00e9 uma forma de humanismo totalmente rejeitada por Althusser. Mas, apesar da influente interven\u00e7\u00e3o deste, tal humanismo tem uma express\u00e3o forte e articulada nas tradi\u00e7\u00f5es marxistas e radicais, bem como al\u00e9m delas. Ele \u00e9 muito diferente do humanismo liberal burgu\u00eas. Recusa a ideia de que exista uma \u201cess\u00eancia\u201d humana imut\u00e1vel, ou dada de antem\u00e3o, que nos obriga a refletir profundamente sobre como podemos nos tornar um novo tipo de ser humano. Alia o Marx de \u201cO capital\u201d com o Marx dos \u201cManuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos de 1844\u201d e mira no centro das contradi\u00e7\u00f5es daquilo que qualquer programa humanista deve estar disposto a abra\u00e7ar para mudar o mundo. Reconhece claramente que as perspectivas de um futuro feliz para a maioria s\u00e3o invariavelmente frustradas pela inevitabilidade de se causar infelicidade a outros. Em um mundo mais igualit\u00e1rio, a oligarquia financeira despossu\u00edda, que n\u00e3o vai mais poder comer caviar e tomar champanhe em iates ancorados nas Bahamas, sem d\u00favida vai reclamar de seu destino e da diminui\u00e7\u00e3o de sua fortuna. Como bons humanistas liberais que somos, podemos at\u00e9 nos condoer por eles. Os humanistas revolucion\u00e1rios n\u00e3o sentem a m\u00ednima pena. Podemos n\u00e3o concordar com essa forma bruta de lidar com tais contradi\u00e7\u00f5es, mas temos de reconhecer a honestidade fundamental e a autoconsci\u00eancia de seus praticantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o levanto a quest\u00e3o da viol\u00eancia aqui, como tampouco o fez Fanon, porque eu ou ele sejamos a favor da viol\u00eancia. Ele deu destaque \u00e0 viol\u00eancia porque muitas vezes a l\u00f3gica das situa\u00e7\u00f5es humanas se deteriora a ponto de n\u00e3o restar op\u00e7\u00e3o. At\u00e9 Gandhi reconheceu isso. Mas essa op\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancias potencialmente perigosas. O humanismo revolucion\u00e1rio tem de oferecer uma resposta filos\u00f3fica para essa dificuldade, algum conforto diante das trag\u00e9dias incipientes. Embora a principal tarefa do humanista seja \u201cdomar a ferocidade do homem e tornar agrad\u00e1vel a vida no mundo\u201d, como disse \u00c9squilo h\u00e1 2.500 anos, isso n\u00e3o pode ser feito sem enfrentarmos e tratarmos a imensa viol\u00eancia que corrobora a ordem colonial e neocolonial. Foi o que Mao e Ho Chin Minh tiveram de enfrentar, o que Che Guevara tentou fazer, e o que muitos l\u00edderes e pensadores pol\u00edticos \u2013 como Am\u00edlcar Cabral em Guin\u00e9-Bissau, Julius Nyerere na Tanz\u00e2nia, Kwame Nkrumah em Gana e Aim\u00e9 C\u00e9saire, Walter Rodney, C. L. R. James e muitos outros \u2013 combateram com tanta convic\u00e7\u00e3o em palavras e a\u00e7\u00f5es nas lutas p\u00f3s-coloniais.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que a ordem social do capital \u00e9 essencialmente diferente de suas manifesta\u00e7\u00f5es coloniais? Certamente, na metr\u00f3pole, essa ordem tentou se distanciar do c\u00e1lculo mordaz da viol\u00eancia colonial (retratando-a como algo que se deve necessariamente aplicar \u00e0queles outros n\u00e3o civilizados \u201cdo lado de l\u00e1\u201d, para seu pr\u00f3prio bem). Na metr\u00f3pole, teve de dissimular a inumanidade ostensiva que demonstrava no exterior. \u201cDo lado de l\u00e1\u201d as coisas podiam ser afastadas do nosso campo de vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 agora, por exemplo, est\u00e1 sendo plenamente reconhecida a cruel viol\u00eancia dos brit\u00e2nicos contra o movimento Mau-Mau, no Qu\u00eania, na d\u00e9cada de 1960. Quando o capital se aproxima dessa inumanidade na metr\u00f3pole, ele tipicamente desperta uma resposta semelhante \u00e0 dos colonizados. Quando admite a viol\u00eancia racial na metr\u00f3pole, como fez nos Estados Unidos, produz movimentos como Panteras Negras e Na\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3, e l\u00edderes como Malcolm X e, no fim de sua vida, Martin Luther King, que entendeu que havia uma conex\u00e3o entre ra\u00e7a e classe e sofreu as consequ\u00eancias disso. Mas o capital aprendeu a li\u00e7\u00e3o. Quanto mais ra\u00e7a e classe se entrela\u00e7am organicamente, mais r\u00e1pido queima o estopim da revolu\u00e7\u00e3o. Mas o que Marx deixa muito claro em \u201cO capital\u201d \u00e9 a viol\u00eancia di\u00e1ria que se constitui na domina\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho no mercado e no ato de produ\u00e7\u00e3o, assim como no terreno da vida di\u00e1ria. \u00c9 muito f\u00e1cil encontrar relatos das condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas de trabalho, por exemplo, nas f\u00e1bricas de eletr\u00f4nicos de Shenzhen, nas confec\u00e7\u00f5es de Bangladesh ou nas fabriquetas clandestinas de Los Angeles, e inseri-los no cl\u00e1ssico cap\u00edtulo sobre a \u201cjornada de trabalho\u201d de \u201cO capital\u201d, sem notar nenhuma diferen\u00e7a. \u00c9 surpreendentemente f\u00e1cil comparar as condi\u00e7\u00f5es de vida das classes trabalhadoras, dos desempregados e dos marginalizados de Lisboa, S\u00e3o Paulo e Jacarta com a descri\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de 1844 de Engels, em \u201cA situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra\u201d, e n\u00e3o encontrar nenhuma diferen\u00e7a substantiva.<\/p>\n<p>O poder e o privil\u00e9gio olig\u00e1rquicos da classe capitalista est\u00e3o conduzindo o mundo todo a uma mesma dire\u00e7\u00e3o. O poder pol\u00edtico, sustentado por uma vigil\u00e2ncia, um policiamento e uma viol\u00eancia militarizada que s\u00f3 fazem se intensificar, est\u00e1 sendo usado para atacar o bem-estar de popula\u00e7\u00f5es consideradas substitu\u00edveis e descart\u00e1veis. Testemunhamos diariamente a desumaniza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de pessoas descart\u00e1veis. Hoje, o poder implac\u00e1vel da oligarquia \u00e9 exercido atrav\u00e9s de uma democracia totalit\u00e1ria que se dedica a perturbar, fragmentar e suprimir imediatamente qualquer movimento pol\u00edtico coerente contra a riqueza (como o \u201cOccupy\u201d). A arrog\u00e2ncia e o desd\u00e9m com que os abastados encaram os menos afortunados \u2013 mesmo (em particular) quando rivalizam entre si para mostrar quem \u00e9 mais caridoso \u2013 s\u00e3o fatos not\u00e1veis da nossa condi\u00e7\u00e3o atual. A \u201clacuna de empatia\u201d entre a oligarquia e o resto \u00e9 imensa e est\u00e1 aumentando. Os oligarcas confundem renda superior com valor humano superior e \u00eaxito econ\u00f4mico com prova de conhecimento superior do mundo (e n\u00e3o prova de controle superior das artimanhas jur\u00eddicas e cont\u00e1beis). Eles n\u00e3o sabem ouvir a dor do mundo porque n\u00e3o podem e n\u00e3o v\u00e3o assumir voluntariamente seu papel na constru\u00e7\u00e3o dessa dor. Eles n\u00e3o veem e n\u00e3o podem ver suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. Os bilion\u00e1rios irm\u00e3os Koch fazem doa\u00e7\u00f5es caridosas a uma universidade como o MIT, a ponto de construir uma linda creche para o merit\u00f3rio corpo docente, e ao mesmo tempo gastam milh\u00f5es de d\u00f3lares financiando um movimento pol\u00edtico (liderado pelo Tea Party) no Congresso dos Estados Unidos que faz cortes nos aux\u00edlios-alimenta\u00e7\u00e3o e nega assist\u00eancia social, creches e b\u00f4nus para alimenta\u00e7\u00e3o a milh\u00f5es de pessoas que vivem na pobreza absoluta ou perto dela.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse clima pol\u00edtico que as revoltas imprevis\u00edveis e violentas que v\u00eam ocorrendo pontualmente em todo o mundo (da Turquia e do Egito ao Brasil e \u00e0 Su\u00e9cia apenas em 2013) se parecem cada vez mais com os tremores que antecedem um terremoto: elas far\u00e3o as lutas revolucion\u00e1rias p\u00f3s-coloniais da d\u00e9cada de 1960 parecerem brincadeira de crian\u00e7a. Se o capital tem um fim, este vir\u00e1 certamente da\u00ed, e provavelmente suas consequ\u00eancias imediatas n\u00e3o ser\u00e3o boas para ningu\u00e9m. \u00c9 isso que Fanon nos ensina com tanta clareza.<\/p>\n<p>A \u00fanica esperan\u00e7a \u00e9 que a humanidade veja o perigo antes que a podrid\u00e3o avance ainda mais e os danos humanos e ambientais sejam grandes demais para se recuperar. Diante do que o papa Francisco chamou com toda a raz\u00e3o de \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u201d, \u00e9 imperioso que, como diz Fanon, \u201cas massas europeias resolvam despertar, sacudir o c\u00e9rebro e cessar de tomar parte no jogo irrespons\u00e1vel da bela adormecida no bosque\u201d. Se a bela adormecida despertar a tempo, talvez possamos ter um final mais parecido com um conto de fadas. O \u201chumanismo absoluto da hist\u00f3ria humana\u201d, escreveu Gramsci, \u201cn\u00e3o visa a resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica das contradi\u00e7\u00f5es existentes na hist\u00f3ria e na sociedade, mas \u00e9 a pr\u00f3pria teoria dessas contradi\u00e7\u00f5es\u201d. A esperan\u00e7a est\u00e1 latente nelas, disse Bertolt Brecht. Como demonstro no livro [\u201c17 contradi\u00e7\u00f5es e o fim do capitalismo\u201d], h\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es convincentes o bastante no campo do capital para semear o solo da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>https:\/\/www.nexojornal.com.br\/estante\/trechos\/2016\/\u201817-contradi\u00e7\u00f5es-e-o-fim-do-capitalismo\u2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Harvey &#8211; O \u2018Nexo\u2019 publica trecho in\u00e9dito do novo livro de David Harvey, que aborda sob perspectiva marxista, uma an\u00e1lise dos mecanismos de compreens\u00e3o e contradi\u00e7\u00e3o do capitalismo A promessa do humanismo revolucion\u00e1rio O problema da tradi\u00e7\u00e3o humanista \u00e9 que ela n\u00e3o tem uma boa compreens\u00e3o de suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es internas inevit\u00e1veis, o que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":93,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2342","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - 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