{"id":22867,"date":"2024-05-08T17:49:44","date_gmt":"2024-05-08T20:49:44","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=22867"},"modified":"2024-05-08T17:49:44","modified_gmt":"2024-05-08T20:49:44","slug":"o-direito-a-escola-sem-celulares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/","title":{"rendered":"O direito \u00e0 Escola sem Celulares"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jonathan Haidt<\/strong> &#8211; Em maio de 2019, fui convidado para dar uma palestra na minha antiga escola em Nova York. Antes da palestra, encontrei-me com o diretor e os principais coordenadores. Ouvi-os dizer que a escola, como a maioria das institui\u00e7\u00f5es de ensino secund\u00e1rias dos EUA, lutava contra um grande e recente aumento de doen\u00e7as mentais entre os alunos.<\/p>\n<p>Os diagn\u00f3sticos iniciais eram depress\u00e3o e transtornos de ansiedade, com taxas crescentes de automutila\u00e7\u00e3o; as meninas eram particularmente vulner\u00e1veis. Disseram-me que os problemas de sa\u00fade mental surgiram quando os alunos chegaram ao nono ano: ao sair do ensino fundmental [<em>middle school<\/em>], muitos alunos j\u00e1 estavam ansiosos e deprimidos. Muitos tamb\u00e9m j\u00e1 eram viciados em celulares.<\/p>\n<p>Dez meses depois, fui convidado para dar uma palestra na Scarsdale Middle School. L\u00e1 tamb\u00e9m me encontrei com a diretora e seus principais respons\u00e1veis e ouvi o mesmo: os problemas de sa\u00fade mental haviam piorado muito em pouco tempo. Muitos dos alunos que chegavam ao sexto ano j\u00e1 estavam ansiosos e deprimidos. E muitos, viciados em seus telefones.<\/p>\n<p>Para os professores e gestores com quem conversei, n\u00e3o foi mera coincid\u00eancia. Eles viam liga\u00e7\u00f5es claras entre o aumento do v\u00edcio em telefone e o decl\u00ednio da sa\u00fade mental, para n\u00e3o falar do decl\u00ednio do desempenho escolar. Um tema comum em suas falas era:\u00a0<em>Todos n\u00f3s odiamos telefones\u00a0<\/em>. Manter os alunos longe de seus dispositivos durante as aulas era uma luta constante. Chamar a aten\u00e7\u00e3o dos alunos era mais dif\u00edcil, porque eles pareciam permanentemente distra\u00eddos e congenitamente distra\u00edveis. Drama, conflito, intimida\u00e7\u00e3o e esc\u00e2ndalo aconteciam continuamente durante o dia escolar em plataformas \u00e0s quais os funcion\u00e1rios n\u00e3o tinham acesso. Perguntei por que eles n\u00e3o podiam simplesmente proibir os telefones no hor\u00e1rio escolar. Responderam que muitos pais ficariam chateados se n\u00e3o conseguissem falar com seus filhos durante a jornada.<\/p>\n<p>Muita coisa mudou desde 2019. A defesa das escolas sem telefone \u00e9 muito mais forte agora. Como meu assistente de pesquisa,\u00a0Zach Rausch\u00a0, e eu documentamos em meu Substack,\u00a0After Babel, evid\u00eancias de\u00a0uma\u00a0epidemia\u00a0de doen\u00e7as mentais, que\u00a0come\u00e7ou por volta de 2012\u00a0, continuam a se acumular. O mesmo ocorre com evid\u00eancias de que isso foi\u00a0causado em parte\u00a0pelas m\u00eddias sociais e pela mudan\u00e7a repentina para os smartphones, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010. Muitos pais agora percebem o v\u00edcio e a distra\u00e7\u00e3o que esses dispositivos causam em seus filhos; a maioria de n\u00f3s j\u00e1 ouviu hist\u00f3rias angustiantes de comportamento autolesivo e tentativas de suic\u00eddio entre os filhos de nossos amigos. H\u00e1 duas semanas, o\u00a0surgeon-gernal\u00a0dos Estados Unidos\u00a0emitiu um alerta,\u00a0afirmando que as redes sociais podem representar \u201cum risco profundo de danos \u00e0 sa\u00fade mental e ao bem-estar de crian\u00e7as e adolescentes\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 agora mais precedentes:\u00a0<u>muito<\/u><u>s novos\u00a0<\/u>exemplos\u00a0de escolas que ficam totalmente sem telefone durante a jornada escolar. \u00c9 o momento certo para pais e educadores perguntarem:\u00a0<em>Devemos\u00a0<\/em><em>livrar a jornada escolar dos celulares<\/em><em>? Isso reduziria as taxas de depress\u00e3o, ansiedade e automutila\u00e7\u00e3o? Melhoraria os resultados educacionais?\u00a0<\/em>Acredito que a resposta para todas essas perguntas \u00e9 sim.<\/p>\n<p>Pense em como \u00e9 dif\u00edcil para voc\u00ea permanecer concentrado na tarefa e manter uma linha de pensamento enquanto trabalha no computador. Emails, mensagens de texto e alertas de todos os tipos apresentam continuamente oportunidades de fazer algo mais f\u00e1cil e divertido do que o que lhe ocupa agora. Se voc\u00ea tem mais de 25 anos, possui um c\u00f3rtex frontal totalmente maduro para ajud\u00e1-lo a resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e a manter o foco \u2013 mas provavelmente tem dificuldades para fazer isso. Agora imagine um telefone no bolso de uma crian\u00e7a, vibrando a cada poucos minutos com um convite para fazer algo diferente de prestar aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 c\u00f3rtex frontal maduro para ajud\u00e1-las a permanecer concentrados na tarefa.<\/p>\n<p>Muitos estudos estabeleceram que, apesar das regras das escolas, os alunos\u00a0verificam muito o telefone\u00a0durante as aulas e recebem e enviam mensagens de texto, quando conseguem. Seu foco \u00e9 frequente e\u00a0<u>facilmente\u00a0<\/u><u>dispers<\/u><u>ado\u00a0<\/u>por interrup\u00e7\u00f5es em seus aparelhos.\u00a0Um estudo\u00a0de 2016 apontou que 97% dos estudantes universit\u00e1rios usam o telefone durante as aulas para fins n\u00e3o educacionais. Quase 60% dos alunos disseram que passam mais de 10% do tempo de aula ao telefone, principalmente enviando mensagens de texto. Muitos estudos mostram que os alunos que usam o telefone durante as aulas\u00a0aprendem menos\u00a0e obt\u00eam\u00a0notas mais baixas\u00a0.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode estar pensando que essas descobertas s\u00e3o meramente correlacionais; talvez os alunos mais inteligentes sejam mais capazes de resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o? Talvez, mas outras experi\u00eancias tamb\u00e9m\u00a0mostram\u00a0que usar, apenas\u00a0<u>olhar para\u00a0<\/u><u>um telefone\u00a0<\/u>ou\u00a0receber um alerta\u00a0faz com que os alunos tenham um desempenho inferior.<\/p>\n<p>Por exemplo, considere\u00a0este estudo, apropriadamente intitulado \u201cC\u00e9rebros desviados: a mera presen\u00e7a do smartphone reduz a capacidade cognitiva dispon\u00edvel\u201d. Os alunos envolvidos no estudo foram a um laborat\u00f3rio e fizeram testes comumente usados para medir a capacidade de mem\u00f3ria e intelig\u00eancia. Foram distribu\u00eddos aleatoriamente em um de tr\u00eas grupos, seguindo as seguintes instru\u00e7\u00f5es: (1) Coloque o telefone na mesa, (2) deixe-o no bolso ou na bolsa ou (3) deixe-o em outro c\u00f4modo. Nenhuma dessas condi\u00e7\u00f5es envolve o uso ativo do telefone \u2013 apenas a distra\u00e7\u00e3o potencial de saber que ele est\u00e1 l\u00e1, com mensagens de texto e postagens em m\u00eddias sociais esperando. Os resultados foram claros: quanto mais pr\u00f3ximo o telefone estava dos alunos, pior era o seu desempenho nos testes. At\u00e9 mesmo ter um telefone no bolso prejudicava as habilidades dos envolvidos no estudo.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 apenas uma distra\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria,. O uso intenso do telefone ou das redes sociais tamb\u00e9m pode ter um efeito cumulativo, duradouro e delet\u00e9rio na capacidade dos adolescentes de se concentrarem e dedicarem.\u00a0Quase metade\u00a0dos adolescentes norte-americanos afirma estar online \u201cquase constantemente\u201d, e essa oferta cont\u00ednua de pequenos prazeres pode produzir\u00a0mudan\u00e7as sustentadas no sistema de recompensa do c\u00e9rebro\u00a0, incluindo uma redu\u00e7\u00e3o dos receptores de dopamina. Isso muda o humor geral dos usu\u00e1rios para irritabilidade e ansiedade, quando separados de seus telefones, e reduz sua capacidade de concentra\u00e7\u00e3o. Pode ser uma das raz\u00f5es pelas quais os usu\u00e1rios frequentes de telefones\u00a0<u>avalia\u00e7\u00f5es escolares\u00a0<\/u><u>mais baix<\/u><u>a<\/u><u>s\u00a0<\/u>. Como\u00a0argumentaram recentemente\u00a0os neurocientistas Jaan Aru e Dmitri Rozgonjuk : \u201cO uso de smartphones pode ser perturbadoramente habitual. Seu preincipal preju\u00edzo \u00e9 a incapacidade de exercer esfor\u00e7o mental prolongado\u201d.<\/p>\n<p>Mas os smartphones n\u00e3o apenas afastam os alunos dos trabalhos escolares; eles os afastam um do outro tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo\u00a0Jean M. Twenge\u00a0e eu\u00a0descobrimos\u00a0um aumento global\u00a0na solid\u00e3o nas escolas, a partir de 2012. Estudantes de todo o mundo tornaram-se menos propensos a concordar com perguntas como \u201cSinto que perten\u00e7o \u00e0 escola\u201d e mais propensos a concordar com outras do tipo: \u201cSinto-me sozinho na escola\u201d. Foi mais ou menos nessa \u00e9poca que os adolescentes passaram a usar maci\u00e7amente os smartphones. Foi tamb\u00e9m quando o Instagram pegou fogo entre meninas e mulheres jovens em todo o mundo, ap\u00f3s sua aquisi\u00e7\u00e3o pelo Facebook, introduzindo a cultura selfie e os seus n\u00edveis venenosos de compara\u00e7\u00e3o social visual.<\/p>\n<p>Uma maneira pela qual os telefones prejudicaram nossos relacionamentos \u00e9 por meio do\u00a0\u201cphubbing\u201d\u00a0(uma contra\u00e7\u00e3o de<em>phone<\/em>\u00a0e<em>\u00a0snubbing,<\/em>\u00a0<em>algo\u00a0<\/em>como desprezo telef\u00f4nico), quando uma pessoa interrompe uma conversa para olhar para a tela. A pesquisa mostra que o ato\u00a0interfere na intimidade e na qualidade percebida\u00a0das intera\u00e7\u00f5es sociais. As pessoas mais viciadas em seus telefones s\u00e3o, sem surpresa,\u00a0as maiores phubbers\u00a0, o que pode explicar por que s\u00e3o\u00a0as mais deprimidas.\u00a0e\u00a0<u>so<\/u><u>lit\u00e1rias<\/u><u>\u00a0<\/u>. Depois que alguns alunos come\u00e7am a fazer\u00a0<em>phubbing<\/em>\u00a0para outros, estes sentem-se pressionados a pegar seus pr\u00f3prios telefones e, num piscar de olhos, a cultura de toda a escola muda.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tiver alguma d\u00favida de que os telefones na escola prejudicam as conex\u00f5es sociais, converse com os alunos sobre o que acontece na hora do almo\u00e7o. Meus alunos de gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de Nova York me dizem que \u00e9 dif\u00edcil ter conversas reais, porque a maioria de seus colegas mant\u00e9m seus telefones na mesa e frequentemente se afastam para verificar ou responder a notifica\u00e7\u00f5es. Um estudo de 2018 realizado pelos psic\u00f3logos sociais\u00a0Ryan Dwyer, Kostadin Kushlev e Elizabeth Dunn\u00a0testou esta intui\u00e7\u00e3o. Centenas de estudantes universit\u00e1rios e membros da comunidade foram convidados a compartilhar refei\u00e7\u00f5es em um restaurante, com familiares ou amigos. Participantes de cada pequeno grupo foram designados para colocar seus telefones na mesa ou guard\u00e1-los. Os resultados? \u201cQuando os telefones estavam presentes, os participantes sentiam-se mais distra\u00eddos, o que reduzia o quanto gostavam de passar tempo com os amigos e ou familiares.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 seis anos venho estudando e escrevendo sobre os efeitos dos smartphones e das m\u00eddias sociais no comportamento, no desenvolvimento e na sa\u00fade mental dos adolescentes. Para ajudar a organizar a pesquisa existente sobre esses t\u00f3picos, criei uma s\u00e9rie de\u00a0documentos de c\u00f3digo aberto do Google\u00a0, dos quais fiz a curadoria com Zach Rausch. Recentemente, criamos uma\u00a0revis\u00e3o colaborativa de escolas sem telefone\u00a0, catalogando os estudos que observei neste artigo e muitos mais.<\/p>\n<p>Consideremos as palavras da professora do MIT, Sherry Turkle, no seu livro\u00a0<em>Reclaiming Conversation\u00a0<\/em>[\u201cResgatando a Conversa\u00e7\u00e3o\u201d]: Por causa dos nossos telefones, ela escreve, \u201cestamos para sempre noutros lugares\u201d. Se quisermos que as crian\u00e7as estejam presentes, aprendam bem, fa\u00e7am amigos e sintam que pertencem \u00e0 escola, devemos manter os smartphones e as redes sociais fora do dia escolar durante o maior tempo poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>O que significa ficar sem telefone?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o Centro Nacional de Estat\u00edsticas da Educa\u00e7\u00e3o dos EUA, em 2020 \u201cexistiam proibi\u00e7\u00f5es de telefones celulares em\u00a0<u>77% das escolas do pa\u00eds\u00a0<\/u>\u201d. Mas este n\u00famero elevado parece referir-se a um padr\u00e3o muito baixo: inclui qualquer escola que diga aos alunos que n\u00e3o devem usar o telefone durante as aulas \u2013 a menos que o uso esteja relacionado com a aula. Isso n\u00e3o \u00e9 realmente uma proibi\u00e7\u00e3o; \u00e9 mais um desejo inexequ\u00edvel. Tal pol\u00edtica garante a continuidade da luta entre professores e alunos, e significa que h\u00e1 sempre crian\u00e7as a olhar para telefones escondidos no colo ou em livros, especialmente nas aulas em que o professor ficou exausto pelo jogo intermin\u00e1vel do policiamento telef\u00f4nico. Quando\u00a0<em>algumas\u00a0<\/em>crian\u00e7as postam e enviam mensagens de texto durante as aulas, isso aumenta a press\u00e3o sobre\u00a0<em>todos os outros\u00a0<\/em>para verificarem seus telefones. Ningu\u00e9m quer ser a \u00faltima pessoa a saber sobre o que todo mundo est\u00e1 falando nas mensagens de texto.<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses est\u00e3o \u00e0 frente na pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos telefones. A Fran\u00e7a proibiu o uso de celulares\u00a0<u>nas depend\u00eancias da<\/u><u>s<\/u><u>\u00a0escola<\/u><u>s<\/u><u>\u00a0at\u00e9 o nono ano\u00a0<\/u>em 2018 (embora a lei permita que os alunos mantenham seus telefones na bolsa ou no bolso, para que\u00a0<u>ainda\u00a0<\/u><u>os\u00a0<\/u><u>usem<\/u>furtivamente). Em Nova Gales do Sul, na Austr\u00e1lia, a utiliza\u00e7\u00e3o de celulares foi proibida nas escolas prim\u00e1rias e em breve ser\u00e1 proibida nas escolas secund\u00e1rias, embora as escolas possam decidir\u00a0como implementar as proibi\u00e7\u00f5es\u00a0.<\/p>\n<p>Algumas escolas nos EUA assumiram agora posi\u00e7\u00f5es igualmente intransigentes em rela\u00e7\u00e3o aos telefones. Por exemplo, o autor Mark Oppenheimer escreveu no in\u00edcio de 2023\u00a0no\u00a0<em>The Atlantic\u00a0<\/em>sobre\u00a0St. Andrew\u2019s, um pequeno internato em Delaware que permite que os alunos usem seus telefones apenas quando estiverem em seus dormit\u00f3rios, e n\u00e3o em qualquer outro lugar do campus \u2013 uma medida a que alguns os alunos inicialmente resistiram, mas agora tem amplo apoio estudantil.<\/p>\n<p>Mais escolas \u2013 possivelmente, todas \u2013 deveriam transformar-se em zonas livres de celulares. Como isso seria, na pr\u00e1tica? Acho \u00fatil pensar nas restri\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas em uma escala de 1 a 5, da seguinte maneira:<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel 1:\u00a0<\/strong>Os alunos podem usar telefone apenas atividades relacionadas \u00e0s aulas.<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel 2:\u00a0<\/strong>Os alunos podem manter consigo o telefone, mas n\u00e3o devem tir\u00e1-lo do bolso ou da mochila durante o hor\u00e1rio de aula.<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel 3:\u00a0<\/strong>Porta-telefones nas salas de aula: os alunos colocam seus telefones em um bolso de parede ou unidade de armazenamento no in\u00edcio de cada aula e pegam-no no final.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas n\u00edveis parecem ser os mais comumente empregados pelas escolas norte-americanas hoje. Acredito que os dois primeiros s\u00e3o quase in\u00fateis. Muitos alunos n\u00e3o t\u00eam controle de impulso para evitar verificar o telefone durante o hor\u00e1rio de aula se este estiver ao seu alcance. Um professor da Scarsdale High School me disse que quando \u00e9 imposta a proibi\u00e7\u00e3o de usar telefones durante as aulas, alguns alunos dizem que precisam usar o banheiro para verificar seus celulares.<\/p>\n<p>Os porta-telefones s\u00e3o um pouco melhores para o aprendizado, porque tiram o aparelh do bolso do aluno. Mas seu efeito na vida social escolar pode ser pior: um resultado prov\u00e1vel da pr\u00e1tica \u00e9 que\u00a0<em>todos os momentos entre as aulas\u00a0<\/em>ser\u00e3o dominados por crian\u00e7as olhando para baixo silenciosamente em seus telefones, obtendo o que lhes foi negado por 50 minutos durante a aula. Aos amigos, nas conversas, eles d\u00e3o apenas uma fra\u00e7\u00e3o de sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos em frente:<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel 4:\u00a0<\/strong>Bolsas com chave (como as fabricadas pela\u00a0Yondr\u00a0). Quando chegam \u00e0 escola, os alunos s\u00e3o obrigados a colocar o telefone em uma bolsa pessoal. Esta \u00e9 ent\u00e3o trancada com um alfinete magn\u00e9tico (como as etiquetas antirroubo usadas em lojas de roupas). Os alunos mant\u00eam a bolsa consigo, mas n\u00e3o podem desbloque\u00e1-la at\u00e9 o final do dia escolar, quando acessam um dispositivo de desbloqueio magn\u00e9tico.<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel 5:<\/strong>\u00a0Arm\u00e1rios de telefone\u00a0Quando chegam \u00e0 escola, os alunos trancam seus telefones em um\u00a0<u>arm\u00e1rio\u00a0<\/u><u>segur<\/u><u>o<\/u><u>\u00a0<\/u>com v\u00e1rios compartimentos pequenos. Eles guardam a chave e s\u00f3 voltam a ter acesso aos arm\u00e1rios telef\u00f4nicos quando saem da escola.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas de n\u00edvel 4 e 5 colocam qualquer aluno visto usando um telefone durante o dia escolar em clara viola\u00e7\u00e3o. S\u00e3o as duas \u00fanicas pol\u00edticas que conhe\u00e7o que podem criar escolas sem telefone. S\u00e3o as pol\u00edticas com maior probabilidade de produzir benef\u00edcios educacionais, sociais e de sa\u00fade mental substanciais, porque s\u00e3o as \u00fanicas que proporcionam aos alunos seis ou sete horas por dia longe do telefone.<\/p>\n<p>As bolsas com chave s\u00e3o de baixo custo e f\u00e1ceis de implementar. No entanto, ouvi de alguns alunos que seus colegas (com a ajuda de v\u00eddeos do YouTube) encontram maneiras de abrir suas bolsas e usar seus telefones sempre que acham que nenhum adulto est\u00e1 assistindo.<\/p>\n<p>Arm\u00e1rios telef\u00f4nicos podem ser mais complicados de instalar, logisticamente \u2013 especialmente em escolas grandes. Mas eles s\u00e3o a maneira mais confi\u00e1vel de apartar os alunos do telefone durante o per\u00edodo escolar e oferecem os maiores benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Uma escola que se livre dos telefones ainda ter\u00e1 que descobrir o que fazer com laptops, tablets e computadores na sala de aula. Os alunos certamente usariam qualquer dispositivo conectado \u00e0 Internet para enviar e receber textos e para acessar suas contas nas redes sociais. No ano passado, proibi todas as telas \u2013 at\u00e9 mesmo laptops para fazer anota\u00e7\u00f5es \u2013 de todas as minhas aulas de gradua\u00e7\u00e3o e MBA e, no final de cada semestre, os alunos concordaram fortemente que isso melhorou as aulas para eles. Mas mesmo na aus\u00eancia de uma proibi\u00e7\u00e3o de computadores port\u00e1teis, estes dispositivos maiores s\u00e3o mais facilmente geridos e n\u00e3o t\u00eam tanta probabilidade de perturbar as intera\u00e7\u00f5es sociais fora da sala de aula, como os smartphones.<\/p>\n<p>Aqueles que se op\u00f5em \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do telefone levantam uma s\u00e9rie de obje\u00e7\u00f5es. Os smartphones podem ser ferramentas de ensino \u00fateis, por exemplo, e podem tornar mais f\u00e1cil para alguns professores criar\u00a0planos de aula envolventes. Isso \u00e9 verdade, mas qualquer aumento no envolvimento durante uma aula pode ser compensado pela distra\u00e7\u00e3o dos alunos durante a mesma aula. Quando acrescentamos os custos para todos os outros professores e a perda de liga\u00e7\u00e3o social entre as turmas, \u00e9 dif\u00edcil ver como o benef\u00edcio marginal de uma aula por telefone supera os custos de um corpo discente centrado no telefone.<\/p>\n<p>Um argumento mais comum vem dos pais, muitos dos quais t\u00eam medo de que algo possa correr mal na escola e querem garantir que seus filhos estejam sempre acess\u00edveis. Estes receios podem ser compreendidos, mas tamb\u00e9m fazem parte da causa dos problemas de sa\u00fade mental da Gera\u00e7\u00e3o Z. No seu livro\u00a0<em>Paranoid Parenting\u00a0<\/em>, o soci\u00f3logo Frank Furedi descreve como um novo estilo de parentalidade protetora varreu a sociedade brit\u00e2nica e norte-americana na d\u00e9cada de 1990, em resposta \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que os riscos para as crian\u00e7as estavam aumentando. Quando os pais acreditam que tudo \u00e9 arriscado e n\u00e3o podem confiar em outros adultos para proteger seus filhos, eles adotam uma abordagem mais defensiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Tentam proteg\u00ea-los de todos os riscos, mesmo quando isso os priva de experi\u00eancias valiosas de independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas os pais de hoje \u2013 mesmo os que cresceram num per\u00edodo em que as taxas de criminalidade eram muito mais elevadas do que s\u00e3o agora \u2013 geralmente t\u00eam boas recorda\u00e7\u00f5es de irem a p\u00e9 ou de bicicleta para a escola com outras crian\u00e7as, ou simplesmente de passarem algum tempo longe da supervis\u00e3o dos pais para sair com os amigos. Acredito que crian\u00e7as e adolescentes se beneficiariam em termos de desenvolvimento se passassem seis ou sete horas por dia sem contato com os pais.<\/p>\n<p>E os tiroteios em escolas? Sou pai de dois estudantes do ensino fundamental e, claro, gostaria de me conectar com meus filhos nesse cen\u00e1rio de pesadelo. Mas ser\u00e1 que uma escola onde todos os alunos t\u00eam um smartphone seria mais segura do que uma onde apenas os adultos os t\u00eam? Ken Trump, presidente dos\u00a0Servi\u00e7os Nacionais de Seguran\u00e7a e Prote\u00e7\u00e3o Escolar\u00a0, alerta que usar um celular durante uma emerg\u00eancia pode aumentar os riscos de seguran\u00e7a. \u201cDurante um cativeiro, os alunos deveriam ouvir os adultos da escola que d\u00e3o instru\u00e7\u00f5es para salvar vidas\u201d,\u00a0<u>explica\u00a0<\/u><u>ele<\/u><u>\u00a0<\/u>. \u201cOs telefones podem desviar a aten\u00e7\u00e3o. O sil\u00eancio tamb\u00e9m pode ser fundamental.\u201d Al\u00e9m disso, parece-me que 300 pais correndo para a escola em 300 carros provavelmente tornariam as coisas mais dif\u00edceis para os socorristas.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente uma excelente possibilidade. Quando os telefones celulares tornaram-se comuns na d\u00e9cada de 1990, os adolescentes da gera\u00e7\u00e3o do mil\u00eanio os adotaram com entusiasmo. Esses telefones n\u00e3o tinham um navegador de internet ou aplicativos habilitados para a rede. Podemos cham\u00e1-los de \u201ctelefones de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, porque foram projetados para ajudar pessoas a se comunicar com outras pessoas. E \u00e9 para isso que os\u00a0<em>m<\/em><em>illennials\u00a0<\/em>os usavam: ligar e enviar mensagens de texto para seus amigos, muitas vezes sobre como e quando se reunir pessoalmente. Quando os eram adolescentes, sua sa\u00fade mental era boa \u2013 um pouco melhor do que a da Gera\u00e7\u00e3o X, antes deles, e muito melhor do que a Gera\u00e7\u00e3o Z, depois deles (como Twenge relata em seu novo livro\u00a0Generations). Telefones de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u00fateis.<\/p>\n<p>Os smartphones s\u00e3o muito diferentes. Eles podem ser usados para comunica\u00e7\u00e3o, mas t\u00eam milhares de outras aplica\u00e7\u00f5es, muitas das quais s\u00e3o cuidadosamente projetadas para atrair e manter a aten\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a. Penso que \u00e9 desnecess\u00e1rio e imprudente dar \u00e0s crian\u00e7as smartphones como seus primeiros telefones.<\/p>\n<p>Os pais geralmente d\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as seus primeiros telefones no in\u00edcio do ensino fundamental, supostamente por boas raz\u00f5es: queremos poder alcan\u00e7ar nossos filhos para organizar atividades, e queremos que eles possam nos alcan\u00e7ar se algo der errado. Ent\u00e3o, demos a nossos filhos telefones de comunica\u00e7\u00e3o! Eles fazem exatamente o que voc\u00ea quer e n\u00e3o fazem as coisas que voc\u00ea mais teme (fornecendo acesso 24 horas a m\u00eddias sociais viciantes, videogames e muito mais). Minha esposa e eu demos a nossa filha um\u00a0Gizmo Watch\u00a0quando ela completou 9 anos. Ela podia ligar apenas tr\u00eas n\u00fameros com ele, e n\u00f3s (os 3 membros da fam\u00edlia) poder\u00edamos cham\u00e1-la. Era o dispositivo de comunica\u00e7\u00e3o perfeito para uma garota que ia a p\u00e9 para a escola, mandando recados e encontrando-se com um amigo em um parque pr\u00f3ximo. Isso permitiu que minha filha tivesse\u00a0<em>mais<\/em>\u00a0experi\u00eancias do que ter\u00edamos permitido a ela sem o rel\u00f3gio.<\/p>\n<p>Se a maioria dos pais adiasse dar aos filhos um smartphone at\u00e9 o ensino m\u00e9dio, fornecendo apenas telefones comuns at\u00e9 l\u00e1, isso amplificaria os benef\u00edcios de bloquear telefones nas escolas. Isso significaria que, quando terminam as aulas e as crian\u00e7as se reencontram com seus telefones, a maioria delas usaria esses aparelhos para\u00a0<em>ligar ou enviar mensagens de texto para seus amigos e familiares<\/em>, em vez de dedicar a pr\u00f3xima hora a percorrer as postagens do Instagram.<\/p>\n<p>\u00c0 medida em que a crise da sa\u00fade mental dos adolescentes continua e as taxas de depress\u00e3o, ansiedade e automutila\u00e7\u00e3o continuam a aumentar, n\u00e3o podemos permanecer impotentes. Seria \u00f3timo se as plataformas de m\u00eddia social aplicassem idades m\u00ednimas para abrir contas, mas todos os sinais indicam que elas n\u00e3o ser\u00e3o obrigados a isso. Seria \u00f3timo se leis as obrigassem. Seria melhor ainda se a idade m\u00ednima para o uso de m\u00eddias sociais fosse aumentada para pelo menos 16 anos. As solu\u00e7\u00f5es para esta crise s\u00e3o abrangentes, e algumas precisam envolver o Estado.<\/p>\n<p>Mas pais, professores e gestores escolares tamb\u00e9m podem tomar medidas significativas desde j\u00e1. Os pais podem oferecer apenas telefones de comunica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ensino m\u00e9dio, e podem se coordenar com os pais dos amigos de seus filhos, facilitando essa escolha para todas as fam\u00edlias envolvidas. As escolas que est\u00e3o usando os n\u00edveis mais baixos de restri\u00e7\u00e3o de telefone podem evoluir para bolsas bloque\u00e1veis ou arm\u00e1rios de telefone. Minha esperan\u00e7a, como pesquisador, \u00e9 que algu\u00e9m implemente essas mudan\u00e7as experimentalmente, atribuindo aleatoriamente a algumas escolas de ensino m\u00e9dio a responsabilidade de implementar essas mudan\u00e7as o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Dessa forma, poder\u00edamos obter evid\u00eancias emp\u00edricas sobre se as escolas sem telefone realmente trazem os benef\u00edcios que eu previ com base na pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cIsso me ajudou muito\u201d, disse uma estudante da San Mateo High School, na Calif\u00f3rnia,\u00a0\u00e0 NBC News\u00a0depois que sua escola come\u00e7ou a usar bolsas bloque\u00e1veis. \u201cAntes, eu geralmente gostava de me curvar na lateral da minha mesa, checava meu telefone e enviava mensagens para todos. Mas agora n\u00e3o h\u00e1 outra coisa para n\u00f3s olharmos ou fazermos, exceto prestar aten\u00e7\u00e3o e dialogar com nosso professor.<\/p>\n<p>Todas as crian\u00e7as merecem escolas que as ajudem a aprender, cultivar amizades profundas e se tornar jovens adultos mentalmente saud\u00e1veis. Todas as crian\u00e7as merecem escolas sem telefone.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/082noticias.com\/2024\/04\/28\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/\">O direito \u00e0 Escola sem Celulares &#8211; 082 Not\u00edcias (082noticias.com)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jonathan Haidt &#8211; Em maio de 2019, fui convidado para dar uma palestra na minha antiga escola em Nova York. Antes da palestra, encontrei-me com o diretor e os principais coordenadores. Ouvi-os dizer que a escola, como a maioria das institui\u00e7\u00f5es de ensino secund\u00e1rias dos EUA, lutava contra um grande e recente aumento de doen\u00e7as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22870,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[6],"tags":[54,68],"class_list":["post-22867","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","tag-comportamento","tag-tecnologia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O direito \u00e0 Escola sem Celulares - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O direito \u00e0 Escola sem Celulares - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Jonathan Haidt &#8211; Em maio de 2019, fui convidado para dar uma palestra na minha antiga escola em Nova York. Antes da palestra, encontrei-me com o diretor e os principais coordenadores. Ouvi-os dizer que a escola, como a maioria das institui\u00e7\u00f5es de ensino secund\u00e1rias dos EUA, lutava contra um grande e recente aumento de doen\u00e7as [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-05-08T20:49:44+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/escola-celular-aprendizado.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1248\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"702\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"O direito \u00e0 Escola sem Celulares\",\"datePublished\":\"2024-05-08T20:49:44+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/\"},\"wordCount\":3955,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1\",\"keywords\":[\"Comportamento\",\"Tecnologia\"],\"articleSection\":[\"Educa\u00e7\u00e3o\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/\",\"name\":\"O direito \u00e0 Escola sem Celulares - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1\",\"datePublished\":\"2024-05-08T20:49:44+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1\",\"width\":1248,\"height\":702},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2024\\\/05\\\/08\\\/o-direito-a-escola-sem-celulares\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O direito \u00e0 Escola sem Celulares\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O direito \u00e0 Escola sem Celulares - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"O direito \u00e0 Escola sem Celulares - Controversia","og_description":"Jonathan Haidt &#8211; Em maio de 2019, fui convidado para dar uma palestra na minha antiga escola em Nova York. Antes da palestra, encontrei-me com o diretor e os principais coordenadores. Ouvi-os dizer que a escola, como a maioria das institui\u00e7\u00f5es de ensino secund\u00e1rias dos EUA, lutava contra um grande e recente aumento de doen\u00e7as [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2024-05-08T20:49:44+00:00","og_image":[{"width":1248,"height":702,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/escola-celular-aprendizado.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"21 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"O direito \u00e0 Escola sem Celulares","datePublished":"2024-05-08T20:49:44+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/"},"wordCount":3955,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1","keywords":["Comportamento","Tecnologia"],"articleSection":["Educa\u00e7\u00e3o"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/","name":"O direito \u00e0 Escola sem Celulares - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1","datePublished":"2024-05-08T20:49:44+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1","width":1248,"height":702},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2024\/05\/08\/o-direito-a-escola-sem-celulares\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O direito \u00e0 Escola sem Celulares"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/escola-celular-aprendizado.jpg?fit=1248%2C702&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22867"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22867\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22871,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22867\/revisions\/22871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}