{"id":2150,"date":"2016-11-12T15:48:42","date_gmt":"2016-11-12T17:48:42","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=2150"},"modified":"2016-11-09T16:50:05","modified_gmt":"2016-11-09T18:50:05","slug":"escolha-racional-do-modelo-de-exploracao-do-pre-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/11\/12\/escolha-racional-do-modelo-de-exploracao-do-pre-sal\/","title":{"rendered":"Escolha racional do modelo de explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal"},"content":{"rendered":"<p><strong>PAULO METRI<\/strong> &#8211;\u00a0O mercado internacional do petr\u00f3leo sofre com o desaquecimento da economia mundial. \u00c9 influenciado por grupos relacionados a novas tecnologias, interessados em capturar fatias deste mercado. A magnitude das reservas descobertas no planeta impacta o mercado. O cartel dos pa\u00edses exportadores (a OPEP) e as grandes petrol\u00edferas de pa\u00edses que n\u00e3o est\u00e3o na OPEP s\u00e3o atores ativos neste mercado.<\/p>\n<p>Grandes petrol\u00edferas internacionais disputam as reservas dos pa\u00edses socialmente desorganizados, militarmente fracos e politicamente dominados. Como consequ\u00eancia, h\u00e1 forte disputa geopol\u00edtica, relacionada \u00e0 garantia do suprimento deste energ\u00e9tico essencial no m\u00e9dio prazo. Assim, quem diz que o petr\u00f3leo \u00e9 uma simples commodity est\u00e1 querendo enganar.<\/p>\n<p>Daniel Yergin (1), no livro \u201cO petr\u00f3leo, uma hist\u00f3ria de gan\u00e2ncia, dinheiro e poder\u201d, resume magistralmente a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do petr\u00f3leo: \u201cA energia \u00e9 a base da sociedade industrializada. E, entre todas as fontes de energia, o petr\u00f3leo vem se mostrando a maior e a mais problem\u00e1tica devido ao seu papel central, ao seu car\u00e1ter estrat\u00e9gico, \u00e0 sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, ao padr\u00e3o recorrente de crise em seu fornecimento \u2013 e \u00e0 inevit\u00e1vel e irresist\u00edvel tenta\u00e7\u00e3o de tomar posse de suas recompensas (&#8230;) Ele vem tornando poss\u00edvel nossa vida cotidiana e, literalmente, nosso p\u00e3o de cada dia, atrav\u00e9s de produtos qu\u00edmicos, agr\u00edcolas e dos transportes. Ele tem abastecido, ainda, as lutas globais por supremacia pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Muito sangue tem sido derramado em seu nome. A feroz e, muitas vezes, violenta busca pelo petr\u00f3leo \u2013 e pela riqueza e poder inerentes a ele \u2013 ir\u00e3o continuar com certeza enquanto ele ocupar essa posi\u00e7\u00e3o central. Pois o nosso \u00e9 um s\u00e9culo no qual cada faceta de nossa civiliza\u00e7\u00e3o vem sendo transformada pela moderna e hipnotizante alquimia do petr\u00f3leo\u201d.<\/p>\n<p>Atribui-se a John D. Rockfeller (2) uma cita\u00e7\u00e3o do seguinte teor: &#8220;o melhor neg\u00f3cio do mundo \u00e9 uma companhia de petr\u00f3leo bem administrada, o segundo melhor neg\u00f3cio do mundo \u00e9 uma companhia de petr\u00f3leo medianamente administrada e o terceiro melhor \u00e9 uma companhia de petr\u00f3leo mal administrada&#8221;. Ou seja, o setor de petr\u00f3leo tende a render, em um horizonte de avalia\u00e7\u00e3o de m\u00e9dio prazo, lucros extraordin\u00e1rios. O problema das sociedades de pa\u00edses com reservas consider\u00e1veis de petr\u00f3leo \u00e9 fazer fluir para a sociedade seus lucros e as oportunidades criadas pela sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Na Hist\u00f3ria, pode-se constatar que alguns pa\u00edses com reservas de petr\u00f3leo perderam a oportunidade de se desenvolver devido inclusive a modelos de explora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o garantiam o fluxo do lucro e das oportunidades para a sociedade. Caso t\u00edpico foi a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo durante anos na Venezuela, logo ap\u00f3s a descoberta de petr\u00f3leo neste pa\u00eds em 1928. As majors (4) pagavam subornos para o ditador Gomez e seus asseclas, que permitiam a explora\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, enquanto o Estado venezuelano nada recebia e, assim, a sociedade em nada se beneficiava. Infelizmente, este modelo de subtra\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios da sociedade n\u00e3o se restringiu \u00e0 Venezuela, tendo ocorrido tamb\u00e9m com a Nig\u00e9ria, o Sud\u00e3o, a Arg\u00e9lia, a Indon\u00e9sia, o Ir\u00e3, o Iraque, a L\u00edbia, dentre outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 pelo lucro proporcionado pela explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, mas tamb\u00e9m pelo poderio que ele acarreta, governos foram depostos, ditadores impostos, lideran\u00e7as assassinadas ou exiladas, o ambientalista Ken Saro-Wiwa foi enforcado, guerras sangrentas ocorreram, etnias foram perseguidas, al\u00e9m de in\u00fameras outras atrocidades (4). H\u00e1 pouco tempo, o Iraque foi invadido por possuir, segundo Bush filho afirmava, arma de destrui\u00e7\u00e3o em massa e financiar o terrorismo, o que se comprovou n\u00e3o ser verdade, mas suas reservas de pelo menos 115 bilh\u00f5es de barris eram verdade e foram entregues \u00e0s empresas ocidentais de pa\u00edses financiadores da invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Desta forma, \u00e9 justo dizer que o lucro excepcional do petr\u00f3leo do Pr\u00e9-Sal pertence aos nascidos no Brasil, assim como os demais benef\u00edcios derivados de sua exist\u00eancia devem gerar o m\u00e1ximo usufruto para os brasileiros. No entanto, \u201caves de rapina\u201d, como bem disse Get\u00falio Vargas na sua Carta Testamento, trabalham incessantemente para ficar com a maior parte do lucro e dos benef\u00edcios. \u00c9 da mesma carta o seguinte trecho: \u201cquis criar liberdade nacional na potencializa\u00e7\u00e3o das nossas riquezas atrav\u00e9s da Petrobr\u00e1s e, mal come\u00e7a esta a funcionar, a onda de agita\u00e7\u00e3o se avoluma\u201d. Proponho, como forma de se contrapor a esta usurpa\u00e7\u00e3o, basicamente o uso da racionalidade.<\/p>\n<p>A natureza \u201ccolocou\u201d, no m\u00ednimo, 100 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo de boa qualidade dentro do nosso territ\u00f3rio, na \u00e1rea do Pr\u00e9-Sal, podendo chegar a mais de 170 bilh\u00f5es de barris. O que se deveria discutir em rela\u00e7\u00e3o ao modelo de explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal \u00e9, em primeiro lugar, como deve ser repartido o excedente petrol\u00edfero ou lucro l\u00edquido desta atividade. Mas deve-se discutir tamb\u00e9m se a atividade petrol\u00edfera pode ser usada para que metas de pol\u00edticas p\u00fablicas sejam atingidas. Os conservadores buscam encerrar a discuss\u00e3o proveitosa, manipulando o debate ao dizer somente que a abertura de mercado proposta por eles ir\u00e1 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do pa\u00eds e o n\u00famero de empresas atuando no pa\u00eds, sem provar que esta proposta \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o para a sociedade.<\/p>\n<p>Existe um di\u00e1logo interessante em \u201cAlice no pa\u00eds das maravilhas\u201d (5), entre Alice e o gato. Ela pergunta: \u201cPara onde vai essa estrada?\u201d O gato responde: \u201cPara onde voc\u00ea quer ir?\u201d Alice volta a dizer: \u201cEu n\u00e3o sei, estou perdida.\u201d E o gato responde: \u201cPara quem n\u00e3o sabe para onde vai, qualquer caminho serve\u201d. Trazendo este conceito para a disputa, atualmente cheia de camuflagem, sobre o melhor modelo de funcionamento para o setor de petr\u00f3leo, pode-se dizer que, se n\u00e3o s\u00e3o conhecidos os objetivos deste setor, qualquer modelo serve.<\/p>\n<p>Assim, passo a sugerir os objetivos sociais, mostrados a seguir, como os principais a serem alcan\u00e7ados pelo setor de petr\u00f3leo, podendo ser chamados de objetivos do interesse nacional e que servir\u00e3o para avaliar os modelos de explora\u00e7\u00e3o das reservas de petr\u00f3leo do pa\u00eds:<\/p>\n<p>a) abastecer a demanda nacional de derivados e petroqu\u00edmicos.<\/p>\n<p>b) garantir um fluxo constante de recursos financeiros de vulto para o Estado, retirado do excedente petrol\u00edfero (lucro l\u00edquido).<\/p>\n<p>c) exportar os excedentes da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, se eles estiverem com o maior valor agregado poss\u00edvel (derivados, produtos petroqu\u00edmicos etc.). Em situa\u00e7\u00f5es especiais, a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo in natura pode ser aceita. Al\u00e9m disso, a qualquer momento, as reservas remanescentes devem ter a capacidade de abastecer o pa\u00eds por, no m\u00ednimo, os pr\u00f3ximos 20 anos;<\/p>\n<p>d) ativar a economia, atrav\u00e9s da maximiza\u00e7\u00e3o das compras locais;<\/p>\n<p>e) aumentar a gera\u00e7\u00e3o de empregos no pa\u00eds;<\/p>\n<p>f) maximizar a encomenda de desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos no pa\u00eds;<\/p>\n<p>g) minimizar a sa\u00edda de divisas do pa\u00eds, por exemplo, atrav\u00e9s da remessa de lucros;<\/p>\n<p>h) nunca produzir petr\u00f3leo de forma predat\u00f3ria;<\/p>\n<p>i) garantir ao m\u00e1ximo a seguran\u00e7a operacional;<\/p>\n<p>j) tomar todas as precau\u00e7\u00f5es para evitar danos ambientais;<\/p>\n<p>k) permitir ao Estado brasileiro ter controle sobre a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do pa\u00eds, adequando-a a seus interesses;<\/p>\n<p>l) possibilitar ao Estado ter efetivo conhecimento sobre o volume e os custos da produ\u00e7\u00e3o, sem precisar montar apurado sistema de controle;<\/p>\n<p>m) possibilitar ao Brasil a ado\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e estrat\u00e9gicas, o que s\u00f3 ocorre se o Estado brasileiro detiver a posse de parte do petr\u00f3leo produzido;<\/p>\n<p>Para exemplificar o uso desta metodologia, utilizamos um caso real. Trata-se de comparar os dois modelos de contratos de partilha que estavam em discuss\u00e3o at\u00e9 bem pouco tempo: o contrato de partilha original, conforme a lei 12.351 de 2010, e este mesmo contrato modificado pelo projeto de lei 4.567 rec\u00e9m-aprovado. Assim, as alternativas a serem comparadas s\u00e3o:<\/p>\n<p>1) contrato de partilha com a Petrobras sendo a operadora de cada cons\u00f3rcio do Pr\u00e9-Sal e participando, no m\u00ednimo, com 30% dos investimentos de cada cons\u00f3rcio;<\/p>\n<p>2) contrato de partilha sem a obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora \u00fanica do Pr\u00e9-Sal e sem um limite m\u00ednimo de participa\u00e7\u00e3o desta empresa nos cons\u00f3rcios.<\/p>\n<p>Sob o ponto de vista do crit\u00e9rio de julgamento do atendimento \u00e0 demanda nacional (item a) pode-se dizer que tanto a alternativa 1 quanto a 2 podem atender igualmente \u00e0 demanda nacional, apesar de que, em uma situa\u00e7\u00e3o de escassez, a Petrobras ter\u00e1 maior compromisso com o abastecimento nacional. Tamb\u00e9m as petrol\u00edferas estrangeiras s\u00e3o incapazes de participar da constitui\u00e7\u00e3o de um estoque estrat\u00e9gico para o pa\u00eds, que o abasteceria em caso de emerg\u00eancia, se uma escassez prolongada ocorresse.<\/p>\n<p>No entanto, a Petrobras participaria, ganhando, assim, a alternativa 1. Quanto ao crit\u00e9rio da garantia de fluxo financeiro para o Estado (item b), as duas alternativas se diferenciam bem. Como a Petrobras n\u00e3o subfatura suas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e n\u00e3o superfatura as importa\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas, equipamentos e materiais, como a Petrobras n\u00e3o usa provid\u00eancias expeditas para minimizar o pagamento de tributos, o que ela paga de tributos ao Estado \u00e9 maior do que as petrol\u00edferas estrangeiras pagariam, se estivessem no mesmo campo. Desta forma, a alternativa 1 \u00e9 melhor neste crit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo (item c), a alternativa 1 \u00e9 certamente melhor, pois as empresas estrangeiras s\u00f3 querem retirar o m\u00e1ximo de petr\u00f3leo do subsolo e export\u00e1-lo in natura, \u00e0 medida que precisam abastecer suas refinarias no exterior ou querem auferir lucro no curto prazo. Quanto \u00e0 maximiza\u00e7\u00e3o das compras locais (item d), basta observar o passado para concluir que a empresa que mais compra no pa\u00eds \u00e9 a Petrobras. Ali\u00e1s, desde a quebra do monop\u00f3lio e a entrada das multinacionais do petr\u00f3leo no pa\u00eds, h\u00e1 19 anos, s\u00f3 a Petrobras contratou plataformas no pa\u00eds. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual \u00e9 importante a Petrobras ser a operadora \u00fanica do Pr\u00e9-Sal, uma vez que a operadora \u00e9 quem decide, dentre outras quest\u00f5es, as compras; sendo a Petrobras a operadora, as compras ser\u00e3o realizadas no pa\u00eds (6).<\/p>\n<p>Assim, quanto ao crit\u00e9rio da maximiza\u00e7\u00e3o das compras locais, a alternativa 1, mais uma vez, \u00e9 a melhor. Sobre esse item, argumentam sempre que os produtos e servi\u00e7os locais s\u00e3o mais caros que os comprados no exterior. Em primeiro lugar, em todos os pa\u00edses, ind\u00fastrias nascentes t\u00eam pre\u00e7os mais caros e s\u00e3o sempre protegidas pelo Estado. Depois, o setor do petr\u00f3leo, assim como qualquer outro da economia, n\u00e3o pode ser visto de forma isolada. Todos eles t\u00eam influ\u00eancia nos demais e o que se deseja \u00e9 o desenvolvimento da economia como um todo, e n\u00e3o o desenvolvimento de um setor isolado. Assim, a compra pela Petrobras de determinado produto ou servi\u00e7o um pouco mais caro pode ser muito melhor que compr\u00e1-lo no exterior, devido ao impacto causado na cadeia produtiva e na economia.<\/p>\n<p>Quanto ao crit\u00e9rio de julgamento das alternativas que fala da maximiza\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de empregos no pa\u00eds (item e), \u00e9 preciso explicar que a fase de grande gera\u00e7\u00e3o de emprego neste setor \u00e9 a do desenvolvimento do campo, especificamente durante a constru\u00e7\u00e3o da plataforma. A gera\u00e7\u00e3o de empregos durante a prospec\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 insignificante. Desta forma, quem compra plataformas no pa\u00eds \u00e9 tamb\u00e9m quem mais gera empregos, sendo necess\u00e1rio, portanto, que a Petrobras seja a operadora de todos os cons\u00f3rcios do Pr\u00e9-Sal para poder atender a este crit\u00e9rio, o que significa que a melhor alternativa \u00e9 novamente a 1. Quanto ao crit\u00e9rio de julgamento da maximiza\u00e7\u00e3o da encomenda no pa\u00eds de desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos (item f), mais uma vez, quem os contrata no pa\u00eds \u00e9 somente a Petrobras. Portanto, se esta empresa for a operadora de todos os cons\u00f3rcios, que \u00e9 o caso da alternativa 1, esta maximiza\u00e7\u00e3o estar\u00e1 garantida.<\/p>\n<p>Quanto ao crit\u00e9rio de julgamento da minimiza\u00e7\u00e3o da sa\u00edda de divisas (item g), \u00e9 preciso estar ciente que, se n\u00e3o for a Petrobras, o operador do campo ser\u00e1 uma petrol\u00edfera estrangeira e todas elas ir\u00e3o remeter a sua parcela do lucro do empreendimento para a matriz no exterior, utilizando divisas na remessa. A parcela do lucro que fica com a Petrobras, retirados os dividendos aos acionistas e outros pagamentos, \u00e9 reinvestido basicamente no Brasil, sem remeter divisas. Desta forma, a alternativa 1 novamente satisfaz melhor tal crit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de petr\u00f3leo (item h), \u00e9 f\u00e1cil compreender que a \u00fanica empresa das atuantes no Pr\u00e9-Sal que n\u00e3o \u00e9 motivada a produzir predatoriamente \u00e9 a Petrobras. As petrol\u00edferas estrangeiras querem rapidamente realizar o lucro do neg\u00f3cio, pois este fato maximiza a rentabilidade. S\u00f3 uma empresa do Estado pode colocar acima da rentabilidade, a recupera\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de petr\u00f3leo do campo. Assim, a Petrobras precisa ser a operadora de todos os campos do Pr\u00e9-Sal, que \u00e9 a alternativa 1, para em todos eles n\u00e3o ocorrer produ\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Quanto aos dois crit\u00e9rios de julgamento de maximizar a seguran\u00e7a operacional (item i) e de minimizar os impactos ao meio ambiente (item j), s\u00f3 uma empresa do Estado, que prioriza estes crit\u00e9rios acima da lucratividade do empreendimento, \u00e9 que pode os satisfazer plenamente. Portanto, a alternativa 1 ganha em ambos os crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>O seguinte crit\u00e9rio de julgamento refere-se a uma adequa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao interesse nacional (item k). Suponha que, em determinado momento, s\u00f3 h\u00e1 petr\u00f3leo conhecido para mais cinco anos de produ\u00e7\u00e3o, pois as descobertas dos \u00faltimos anos n\u00e3o compensaram a produ\u00e7\u00e3o destes anos. Se o modelo de organiza\u00e7\u00e3o do setor contemplar basicamente petrol\u00edferas estrangeiras, elas seguir\u00e3o o cronograma que traz a m\u00e1xima rentabilidade, que inclui exportar petr\u00f3leo, enquanto o modelo com a Petrobras ir\u00e1 se prender prioritariamente a objetivos nacionais, significando que a alternativa 1 vence. Com a Petrobras, na situa\u00e7\u00e3o descrita, se houver produ\u00e7\u00e3o visando exporta\u00e7\u00e3o, dentro dos limites t\u00e9cnicos, ela ser\u00e1 diminu\u00edda.<\/p>\n<p>Desenvolvimentos de campos visando exporta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o postergados e muitos recursos ser\u00e3o destinados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o Estado ter controle sobre o volume produzido e os custos da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque tributos e a parcela do \u00f3leo produzido pertencente ao Estado dependem deles (item l). Como a motiva\u00e7\u00e3o principal das empresas privadas \u00e9 a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro, \u00e9 normal que par\u00e2metros que influenciam o lucro possam ser manipulados. A Petrobras n\u00e3o tem a mesma motiva\u00e7\u00e3o para esta manipula\u00e7\u00e3o, significando a vit\u00f3ria da alternativa 1.<\/p>\n<p>O \u00faltimo crit\u00e9rio de julgamento avalia cada alternativa de organiza\u00e7\u00e3o do setor para verificar se o Estado brasileiro consegue adotar a\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e estrat\u00e9gicas (item m). Se o Estado brasileiro entregar o petr\u00f3leo para petrol\u00edferas estrangeiras e, assim, ficar sem sua posse, ele n\u00e3o consegue realizar estas a\u00e7\u00f5es. Logo, a alternativa 1 com a Petrobras \u00e0 frente \u00e9 melhor tamb\u00e9m neste crit\u00e9rio. Neste ponto, os que buscam introduzir temas em discuss\u00f5es s\u00f3 para confundir, dizem de forma categ\u00f3rica que geopol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 algo que se deve considerar em quest\u00f5es objetivas, como a defini\u00e7\u00e3o de um modelo de organiza\u00e7\u00e3o do setor de petr\u00f3leo. Donde se conclui que o interesse pela manipula\u00e7\u00e3o leva a arrog\u00e2ncias incr\u00edveis. \u00c9 a hora de se perguntar, por exemplo, por que Hitler foi obrigado a invadir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, quando ainda n\u00e3o estava bem preparado? Ou por que, como consequ\u00eancia desta invas\u00e3o, Stalin discursou para as suas tropas, dizendo: &#8220;lutar pelo nosso petr\u00f3leo \u00e9 lutar pela nossa liberdade&#8221;?<\/p>\n<p>Pelo que foi analisado, sob todos estes crit\u00e9rios de julgamento, a alternativa 1 \u00e9 melhor que a 2. Apesar deste fato, o projeto de lei 4.567 passou no Congresso porque outros interesses pol\u00edticos de grupos o aprovaram. Ele \u00e9 p\u00e9ssimo para a sociedade brasileira, como j\u00e1 vimos atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o desta metodologia de an\u00e1lise de alternativas de organiza\u00e7\u00e3o do setor. Esta metodologia foi apresentada por mim na Audi\u00eancia P\u00fablica da Comiss\u00e3o Especial de Julgamento do Projeto de Lei no 4.567, na C\u00e2mara dos Deputados, em 17\/05\/2016.<\/p>\n<p>Em vez de participarem de um debate racional, os neoliberais e entreguistas, como sempre, com a inten\u00e7\u00e3o de roubar a riqueza alheia e se manterem no poder, e utilizando a desonesta m\u00eddia tradicional, n\u00e3o informam, al\u00e9m de mentirem para a popula\u00e7\u00e3o, que desta forma permanece omissa, permitindo a usurpa\u00e7\u00e3o de seu futuro promissor. Mas os canais alternativos de m\u00eddia come\u00e7am a iluminar as mentes, permitindo a esperan\u00e7a da conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1) Presidente do Cambridge Energy Research Associates (CERA).<\/p>\n<p>2) Magnata norte-americano (1839-1937), fundador da Standard Oil e pioneiro da ind\u00fastria do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>3) S\u00e3o as grandes petrol\u00edferas, basicamente privadas, que atuam internacionalmente. Muitas vezes, ocorrem fus\u00f5es ou petrol\u00edferas menores crescem, atingindo o status de majors. No momento, elas s\u00e3o a Exxon, a Chevron, a Shell, a BP, a Total, al\u00e9m de outras.<\/p>\n<p>4) Sugiro a leitura do artigo \u201cCar\u00e1ter das petrol\u00edferas estrangeiras\u201d, sobre este tema, em: http:\/\/paulometri.blogspot.com.br\/2015\/08\/carater-das-petroliferas-estrangeiras.html. Ele foi baseado no document\u00e1rio \u201cO Segredo das Sete Irm\u00e3s: A Vergonhosa Hist\u00f3ria do Petr\u00f3leo\u201d, dispon\u00edvel na internet.<\/p>\n<p>5) Obra infantil de Charles Lutwidge Dodgson, publicada em 1865.<\/p>\n<p>6) Refiro-me \u00e0 posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Petrobras. Se ela, hoje, tem um administrador alinhado com as posi\u00e7\u00f5es das petrol\u00edferas estrangeiras, prefiro imaginar que, com o tempo, este erro de nomea\u00e7\u00e3o ser\u00e1 corrigido.<\/p>\n<p>http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=12148:2016-11-03-21-03-49&#038;catid=72:imagens-rolantes<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULO METRI &#8211;\u00a0O mercado internacional do petr\u00f3leo sofre com o desaquecimento da economia mundial. \u00c9 influenciado por grupos relacionados a novas tecnologias, interessados em capturar fatias deste mercado. 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