{"id":20493,"date":"2024-04-20T12:34:11","date_gmt":"2024-04-20T15:34:11","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=20493"},"modified":"2024-04-19T15:36:53","modified_gmt":"2024-04-19T18:36:53","slug":"ucrania-a-areia-movedica-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/04\/20\/ucrania-a-areia-movedica-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia, a areia movedi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00c0NGEL FERRERO<\/strong> &#8211; Para os l\u00edderes da Europa, esta n\u00e3o \u00e9 mais uma guerra da Ucr\u00e2nia, mas uma guerra dos \u201ceuropeus\u201d, cujas consequ\u00eancias f\u00edsicas os ucranianos sofrem.<\/p>\n<p><span class=\"su-dropcap su-dropcap-style-default\">E<\/span>m 2012, a Penguin Books publicou\u00a0<i>The Sleepwalkers: How Europe Went to War in 1914<\/i>\u00a0(Os son\u00e2mbulos: como a Europa entrou em guerra em 1914). Esse detalhado volume de mais de 700 p\u00e1ginas de hist\u00f3ria, escrito por Christopher Clark, tornou-se um best-seller surpreendente e foi analisado e citado em v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o como um aviso, \u00e0s v\u00e9speras do centen\u00e1rio da Primeira Guerra Mundial, sobre como os governos, alheios \u00e0s consequ\u00eancias de suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, levaram a si mesmos \u2013 e, acima de tudo, suas popula\u00e7\u00f5es \u2013 ao massacre. Antes que a tesoura tocasse a fita de seda do evento do primeiro anivers\u00e1rio do lan\u00e7amento do livro, no final de novembro de 2013, os protestos do Euromaidan come\u00e7aram em Kiev. O resto, como dizem, \u00e9 hist\u00f3ria. Uma hist\u00f3ria que agora est\u00e1 sendo escrita com ferro e sangue. Talvez nem os pol\u00edticos europeus nem a m\u00eddia europeia tenham tido tempo de ler o livro de Clark que eles tanto recomendaram.<\/p>\n<p>Para a Uni\u00e3o Europeia, a Ucr\u00e2nia se tornou um terreno de areia movedi\u00e7a: quanto mais se move nela, mais se afunda em suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. J\u00e1 tivemos a oportunidade de ver alguns exemplos. No final de fevereiro, por exemplo, a Fran\u00e7a apoiou\u00a0a proposta da Est\u00f4nia de criar eurob\u00f4nus\u00a0para financiar o setor de defesa da Europa com 600 bilh\u00f5es de euros nos pr\u00f3ximos dez anos. Os mesmos eurob\u00f4nus que j\u00e1 foram, lembre-se, recusados para o resgate da Gr\u00e9cia, agora n\u00e3o s\u00e3o apenas uma possibilidade, mas uma necessidade. A Europa, para citar outro exemplo, n\u00e3o pode moralmente importar g\u00e1s e petr\u00f3leo de um Estado autocr\u00e1tico como a R\u00fassia, que viola os direitos humanos e faz guerra contra seus vizinhos, mas pode\u00a0import\u00e1-los do Azerbaij\u00e3o, um Estado autocr\u00e1tico que viola os direitos humanos e faz guerra contra seus vizinhos. A guerra faz milagres.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns dias, o primeiro-ministro da Eslov\u00e1quia, Robert Fico,\u00a0soou o alarme ao revelar, antes de uma reuni\u00e3o de chefes de Estado e de governo europeus em Paris, que alguns Estados membros estavam considerando enviar tropas para a Ucr\u00e2nia com base em acordos bilaterais de defesa.\u00a0O anfitri\u00e3o da c\u00fapula confirmou, horas mais tarde, que a possibilidade estava de fato na mesa. \u201cFaremos o que for necess\u00e1rio para garantir que a R\u00fassia n\u00e3o possa vencer essa guerra\u201d, disse o presidente franc\u00eas Emmanuel Macron. \u201cNada deve ser exclu\u00eddo\u201d, acrescentou. Com exce\u00e7\u00e3o da Litu\u00e2nia \u2013 cujo ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Gabrielius Landsbergis, disse que era \u201cuma iniciativa [\u2026] que vale a pena considerar\u201d \u2013 e da Est\u00f4nia, o restante dos participantes, incluindo o primeiro-ministro da Espanha, Pedro S\u00e1nchez, bem como os EUA e o Reino Unido, foram r\u00e1pidos em\u00a0se dissociar de tal proposta. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi\u00a0contundente, afirmando que \u201cnesse caso, ter\u00edamos que falar n\u00e3o da probabilidade, mas da inevitabilidade\u201d de um conflito direto entre a OTAN e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>O presidente franc\u00eas e aqueles na m\u00eddia que defenderam sua proposta nos \u00faltimos dias argumentam que, nessa guerra, outras linhas vermelhas j\u00e1 foram tra\u00e7adas em rela\u00e7\u00e3o ao fornecimento de armas \u00e0 Ucr\u00e2nia. Embora n\u00e3o esteja formalmente em guerra com a R\u00fassia, a Uni\u00e3o Europeia fornece \u00e0 Ucr\u00e2nia assist\u00eancia na forma de armas, treinamento de tropas, intelig\u00eancia, a\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e econ\u00f4micas contra seu rival.\u00a0Falando ao jornal\u00a0<i>Financial Times<\/i>, um oficial de defesa europeu expressou, sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato, o que muitos outros suspeitavam at\u00e9 ent\u00e3o: \u201cTodos sabem que existem for\u00e7as especiais europeias em solo ucr\u00e2niano, s\u00f3 n\u00e3o as reconheceram oficialmente ainda\u201d. Em um deslize, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, revelou que\u00a0as tropas brit\u00e2nicas est\u00e3o ajudando a Ucr\u00e2nia em campo\u00a0a disparar m\u00edsseis entregues a ela. O Diret\u00f3rio de Intelig\u00eancia da Ucr\u00e2nia (HUR) foi\u00a0for\u00e7ado a negar a informa\u00e7\u00e3o\u00a0e afirmou que os estrangeiros que lutam na Ucr\u00e2nia s\u00e3o volunt\u00e1rios, embora\u00a0um vazamento de documentos secretos dos EUA em abril de 2023\u00a0tenha revelado a presen\u00e7a de 97 soldados das for\u00e7as especiais europeias, incluindo 50 brit\u00e2nicos. De acordo com o jornal brit\u00e2nico\u00a0<i>The Guardian<\/i>, essas unidades \u201cconduzem opera\u00e7\u00f5es secretas, bem como opera\u00e7\u00f5es secretas de espionagem e reconhecimento, e est\u00e3o entre as organiza\u00e7\u00f5es mais secretas das for\u00e7as armadas brit\u00e2nicas\u201d e, \u201cdiferentemente dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia, as for\u00e7as especiais n\u00e3o est\u00e3o sujeitas \u00e0 supervis\u00e3o parlamentar externa\u201d.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m que defendeu a proposta de Macron se lembrou, ou quis se lembrar, que toda a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica ou econ\u00f4mica contra os interesses russos teve uma resposta sim\u00e9trica ou assim\u00e9trica, que a cada novo carregamento de armas chegando na Ucr\u00e2nia, a R\u00fassia respondeu amea\u00e7ando uma escalada militar. O embaixador da Litu\u00e2nia em Vilnius \u2013 e ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Litu\u00e2nia \u2013 Linas Linkevicius, colocou lenha na fogueira ao escrever\u00a0em sua conta pessoal no Twitter\u00a0que \u201cap\u00f3s a integra\u00e7\u00e3o da Su\u00e9cia \u00e0 Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica, o Mar B\u00e1ltico se tornou o mar interno da OTAN: se a R\u00fassia ousar desafiar a OTAN, Kaliningrado ser\u00e1 \u2018neutralizada&#8217;\u201d. Ele acrescentou: \u201cAs falsas acusa\u00e7\u00f5es anteriores da R\u00fassia de que ela estava cercada pela OTAN agora est\u00e3o se tornando realidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAo discutir a g\u00eanese do conflito atual, \u00e9 importante lembrar que os principais aspectos das d\u00e9cadas de 1980 e 1990 foram amplamente apagados da consci\u00eancia p\u00fablica nos EUA e na Europa pela propaganda estatal e pela m\u00eddia de massa\u201d, escreveu Anatol Lieven\u00a0no\u00a0<i>The Nation<\/i>\u00a0pouco antes dos coment\u00e1rios de Linkevicius. \u201cSe algu\u00e9m tivesse defendido uma estrat\u00e9gia que envolvesse a entrada da Ucr\u00e2nia na OTAN e a expuls\u00e3o da Frota Russa do Mar Negro de Sevastopol, at\u00e9 mesmo os falc\u00f5es entre os analistas ocidentais teriam considerado isso uma loucura e um caminho certo para a guerra\u201d, opinou Lieven, \u201cMas a maneira como a percep\u00e7\u00e3o desse projeto fantasticamente perigoso passou de loucura a normalidade \u2013 em Washington e Londres, mas certamente n\u00e3o em Moscou \u2013 \u00e9 um exemplo assustador do fracasso de uma an\u00e1lise estrat\u00e9gica s\u00e9ria e independente no Ocidente, que vem em parte do decl\u00ednio at\u00e9 mesmo da mem\u00f3ria hist\u00f3rica de m\u00e9dio prazo.\u201d<\/p>\n<div id=\"revis-1674128194\" class=\"revis-conteudo_5 custom_ads_ro ro_ad_wrapper post_ads\">\n<div id=\"banner-300x250-area-9\"><b>O que significa \u201cganhar\u201d ou \u201cperder\u201d?<\/b><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cCom ou sem o apoio de nossos aliados, n\u00e3o devemos permitir que a R\u00fassia ven\u00e7a\u201d, disse a presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Ursula von der Leyen, em seu \u00faltimo discurso em Estrasburgo. Como vimos, Macron tamb\u00e9m alertou que \u201ca R\u00fassia n\u00e3o pode vencer esta guerra\u201d. \u201cN\u00e3o deixe a R\u00fassia vencer\u201d \u00e9 o novo mantra das elites europeias. Em meio a esse\u00a0barulho de espadas enferrujadas, vale a pena fazer algumas perguntas sobre essa emergente histeria militar.<\/p>\n<p>Quando falam em \u201cganhar\u201d ou \u201cperder\u201d, os l\u00edderes europeus provavelmente n\u00e3o est\u00e3o pensando nos ucranianos: uma \u201cvit\u00f3ria\u201d russa seria de fato uma \u201cderrota\u201d para o prest\u00edgio da UE e para eles pessoalmente. Sua superioridade moral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia foi, aos olhos da opini\u00e3o p\u00fablica, questionada por seu apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Israel em Gaza, e seu discurso de uma vit\u00f3ria r\u00e1pida e humilhante sobre a R\u00fassia bateu na parede da realidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem tenha interpretado o discurso de Macron em\u00a0um contexto dom\u00e9stico\u00a0\u2013 levando em conta as iminentes elei\u00e7\u00f5es europeias, para as quais as pesquisas preveem uma vit\u00f3ria clara do partido Reagrupamento Nacional (RN) de Marine Le Pen \u2013 enquanto outros o interpretaram em\u00a0termos europeus, como uma tentativa de arrancar, com o apoio da Europa Oriental e das rep\u00fablicas b\u00e1lticas, a lideran\u00e7a da UE de uma Alemanha que atravessa dificuldades econ\u00f4micas, contrapondo a imagem de decl\u00ednio que assola a Fran\u00e7a h\u00e1 d\u00e9cadas.\u00a0 Mas, juntamente com o discurso de Von der Leyen em Estrasburgo \u2013\u00a0\u201ca guerra n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel\u201d\u00a0\u2013 e outras declara\u00e7\u00f5es de l\u00edderes europeus, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel argumentar que isso \u00e9 um sinal da poss\u00edvel\u00a0\u201ceuropeiza\u00e7\u00e3o\u201d do conflito\u00a0de que Wolfgang Streeck falou no ano passado.<\/p>\n<p>Aparentemente, essa \u201ceuropeiza\u00e7\u00e3o\u201d contaria com o apoio, embora n\u00e3o com a implica\u00e7\u00e3o, do Reino Unido, cujo\u00a0chefe das For\u00e7as Armadas se distanciou indiretamente de Bruxelas\u00a0na mesma semana do discurso da presidente da Comiss\u00e3o Europeia: \u201cN\u00e3o estamos \u00e0 beira da guerra com a R\u00fassia, n\u00e3o estamos prestes a ser invadidos, ningu\u00e9m no Minist\u00e9rio da Defesa est\u00e1 falando sobre recrutamento no sentido tradicional do termo\u201d, esclareceu o almirante Tony Radakin.<\/p>\n<p>\u201cA guerra n\u00e3o tem sido nada al\u00e9m de um desastre para a Ucr\u00e2nia e, quando os Estados Unidos finalmente considerarem a abertura de negocia\u00e7\u00f5es, a Ucr\u00e2nia acabar\u00e1 com um acordo muito pior do que teria conseguido se tivesse trabalhado para n\u00e3o permitir o in\u00edcio das hostilidades\u201d, escreve\u00a0o comentarista pol\u00edtico norte-americano Joe Costello. No entanto, ele prossegue, \u201ch\u00e1 dois anos, as principais cabe\u00e7as militares dos EUA estavam gritando que essa guerra seria r\u00e1pida, que a R\u00fassia estava acabada\u201d. Costello mencionou em seu artigo uma mat\u00e9ria do\u00a0<i>Wall Street Journal<\/i>\u00a0intitulada\u00a0<i>\u2018Germany Should Have Listened to Trump\u2019<\/i>\u00a0(A Alemanha deveria ter ouvido Trump) para abordar as consequ\u00eancias que o conflito est\u00e1 tendo para Berlim: \u201c\u00c9 engra\u00e7ado porque, al\u00e9m da Ucr\u00e2nia, ningu\u00e9m incorreu em custos maiores nessa guerra do que a Alemanha. O principal argumento do artigo \u00e9 que Trump, como presidente, repreendeu os alem\u00e3es por comprarem g\u00e1s russo. Trump estava errado. Era melhor para os alem\u00e3es e os russos se aliarem pacificamente, mas isso n\u00e3o era do interesse da seguran\u00e7a nacional dos EUA, e agora a Alemanha dobrou seu erro ao se tornar extremamente dependente do g\u00e1s natural liquefeito (GNL) dos EUA\u201d. Este m\u00eas, a Dinamarca encerrou\u00a0sua investiga\u00e7\u00e3o sobre a explos\u00e3o do gasoduto Nord Stream, ap\u00f3s a Su\u00e9cia t\u00ea-lo feito. Sua conclus\u00e3o \u00e9 que o gasoduto foi sabotado, embora a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha sido capaz de atribuir responsabilidades pelo ataque. O porta-voz do Kremlin descreveu a situa\u00e7\u00e3o como \u201cquase absurda\u201d: \u201cPor um lado, eles reconhecem que houve sabotagem deliberada, mas, por outro lado, n\u00e3o continuam a investiga\u00e7\u00e3o\u201d, disse Peskov.\u00a0<i>Cui prodest? (A quem beneficia?)<\/i>\u00a0A Uni\u00e3o Europeia aumentou suas\u00a0importa\u00e7\u00f5es de GNL dos EUA em 119%\u00a0no ano do ataque.<\/p>\n<p><b>A \u201ccoreaniza\u00e7\u00e3o\u201d da Ucr\u00e2nia<\/b><\/p>\n<p>A forma que essa \u201ceuropeiza\u00e7\u00e3o\u201d do conflito pode assumir se os EUA de uma forma ou de outra se retirarem dele \u00e9 algo apresentado pelo historiador sovi\u00e9tico e russo Stephen Kotkin em uma entrevista \u00e0\u00a0revista\u00a0<i>The New Yorker<\/i> publicada no ver\u00e3o passado. O que Kotkin prop\u00f5e nessa entrevista \u00e9 que a Ucr\u00e2nia deveria aceitar concess\u00f5es territoriais em troca de garantias de seguran\u00e7a e da incorpora\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio restante \u00e0 UE, fazendo uma compara\u00e7\u00e3o com a Guerra da Coreia: \u201cSe voc\u00ea observar o resultado do [conflito] Coreia do Norte-Coreia do Sul, o resultado \u00e9 terr\u00edvel\u201d, explicou o historiador. \u201cAo mesmo tempo\u201d, continuou ele, \u201c\u00e9 um resultado que permitiu que a Coreia do Sul prosperasse sob as garantias de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o dos EUA\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Kotkin, \u201cse houvesse uma Ucr\u00e2nia, n\u00e3o importa o quanto dela \u2013 80%, 90% \u2013 que pudesse prosperar como membro da Uni\u00e3o Europeia e pudesse ter algum tipo de garantia de seguran\u00e7a \u2013 seja uma ades\u00e3o plena \u00e0 OTAN, ou um acordo bilateral com os EUA, ou um acordo multilateral que inclu\u00edsse os EUA, a Pol\u00f4nia e as rep\u00fablicas b\u00e1lticas e os pa\u00edses escandinavos, potencialmente \u2013, isso poderia ser considerado uma vit\u00f3ria na guerra\u201d. Mais recentemente, o cientista pol\u00edtico b\u00falgaro Ivan Krastev apresentou uma ideia semelhante, substituindo a Coreia do Sul pela\u00a0Alemanha Ocidental\u00a0na compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A proposta de Macron se encaixaria, de certa forma, nessa proposta de \u201ccoreaniza\u00e7\u00e3o\u201d, pois ofereceria a Kiev garantias de seguran\u00e7a e sua integra\u00e7\u00e3o de fato como uma periferia da UE, enquanto, ao mesmo tempo, os estados da UE que participassem de tal opera\u00e7\u00e3o poderiam apresentar a entrada de suas tropas como uma \u201cvit\u00f3ria\u201d: uma demonstra\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia e uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a militar independente de Washington \u2013 ainda mais se\u00a0as recentes tens\u00f5es na Transn\u00edstria\u00a0forem resolvidas a favor da Mold\u00e1via em um cen\u00e1rio semelhante ao de Nagorno-Karabakh, como acredita\u00a0o jornalista Leonid Ragozin.<\/p>\n<p>Por sua vez, a R\u00fassia poderia, at\u00e9 certo ponto, viver com essa solu\u00e7\u00e3o de curto prazo, como fez com tantos outros \u201cconflitos congelados\u201d em sua vizinhan\u00e7a.\u00a0O cientista pol\u00edtico norte-americano John Mearsheimer\u00a0j\u00e1 argumentou que o objetivo de Moscou nessa guerra n\u00e3o \u00e9 ocupar o pa\u00eds inteiro, mas controlar efetivamente os quatro territ\u00f3rios anexados em 2022 (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporiyia) e talvez outros quatro (Odessa, Mikolayev, Dnipropetrovsk e Kharkov) que lhe permitiriam fechar o acesso da Ucr\u00e2nia ao mar.\u00a0Nos documentos das negocia\u00e7\u00f5es de 2022, a R\u00fassia exigiu a neutralidade da Ucr\u00e2nia \u2013 embora nada tenha sido dito sobre sua entrada na UE \u2013, que as pot\u00eancias ocidentais deveriam garantir, e a limita\u00e7\u00e3o das tropas e armas do ex\u00e9rcito ucraniano, especialmente m\u00edsseis, cujo alcance deveria ser limitado a 40 quil\u00f4metros. A R\u00fassia n\u00e3o estava disposta a negociar o status da Crimeia, mas deixou a quest\u00e3o do Donbass sujeita a negocia\u00e7\u00f5es futuras. De acordo com uma\u00a0an\u00e1lise do\u00a0<i>Wall Street Journal<\/i>, o documento \u201cparece ser vagamente baseado no tratado de 1990 que criou uma Alemanha unificada, no qual as tropas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica deixaram a Alemanha Oriental com a condi\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds desistisse das armas nucleares e limitasse o tamanho de seu ex\u00e9rcito\u201d. \u201cSe a Ucr\u00e2nia e o Ocidente estivessem em negocia\u00e7\u00f5es de paz hoje, elas provavelmente seguiriam as mesmas linhas, mais o territ\u00f3rio anexado\u201d,\u00a0observou Ragozin, \u201cquanto mais tempo durar essa guerra, mais territ\u00f3rio: essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de negocia\u00e7\u00e3o do Kremlin.\u201d<\/p>\n<p>A guerra em si talvez tenha se tornado a melhor evid\u00eancia das dificuldades do governo russo em manter o controle dos territ\u00f3rios que capturou \u2013\u00a0mesmo que a vit\u00f3ria\u00a0do Partido das Regi\u00f5es, que defendia uma aproxima\u00e7\u00e3o com Moscou, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es legislativas para toda a Ucr\u00e2nia (realizadas em 2012) parecesse indicar o contr\u00e1rio \u2013 e em avan\u00e7ar para outros territ\u00f3rios, com seus respectivos grandes centros urbanos. Moscou tamb\u00e9m n\u00e3o parece demonstrar muito interesse no restante da Ucr\u00e2nia, cuja ocupa\u00e7\u00e3o, com uma popula\u00e7\u00e3o abertamente hostil \u00e0 R\u00fassia, seria um problema ainda maior. Em outras palavras, a Ucr\u00e2nia se tornaria um novo estado b\u00e1ltico: politicamente conservador, raivosamente russof\u00f3bico e economicamente dependente de Bruxelas e Washington.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, sem acordos subsequentes que ajudem a aliviar as tens\u00f5es entre a UE e a R\u00fassia, as tentativas de um lado de desestabilizar e desgastar o outro continuar\u00e3o. \u201c\u00c9 bem poss\u00edvel que a anexa\u00e7\u00e3o dos novos territ\u00f3rios \u00e0 R\u00fassia n\u00e3o seja est\u00e1vel\u201d, escreve o\u00a0jornalista Rafael Poch-de-Feliu, pois \u201co que restar da Ucr\u00e2nia organizar\u00e1 a instabilidade nesses territ\u00f3rios ocupados com a ajuda da OTAN, for\u00e7ando ao estabelecimento de administra\u00e7\u00f5es policiais e \u2018antiterroristas\u2019 russas com a pan\u00f3plia usual de viol\u00eancia, ataques, tortura e desaparecimentos\u201d. Dependendo de como isso se desenvolver, ele prossegue, \u201cser\u00e1 criado um grande terreno para o desenvolvimento de ataques, ataques e assassinatos pessoais pelos servi\u00e7os secretos ucranianos com a ajuda ocidental, especialmente brit\u00e2nica, contra personalidades russas e \u2018colaboracionistas\u2019 [\u2026] tanto nesses territ\u00f3rios rec\u00e9m-incorporados quanto na R\u00fassia como um todo\u201d, o que \u201cpoderia endurecer muito o clima pol\u00edtico interno no pa\u00eds e transformar uma situa\u00e7\u00e3o mais ou menos congelada em um c\u00e2ncer para a R\u00fassia\u201d.<\/p>\n<p><b>\u201cFale com um ucraniano\u201d<\/b><\/p>\n<p>Por outro lado,\u00a0a integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 UE, mesmo que n\u00e3o assuma a forma de ades\u00e3o plena, por si s\u00f3, ou seja, evitando as condi\u00e7\u00f5es de guerra, j\u00e1 seria suficientemente desestabilizadora para o bloco, sem qualquer necessidade de interven\u00e7\u00e3o russa. Esse j\u00e1 foi um motivo para protestos de agricultores no Leste Europeu, especialmente na Pol\u00f4nia, onde as manifesta\u00e7\u00f5es chegaram at\u00e9 a fronteira com a Ucr\u00e2nia. \u201cOs agricultores t\u00eam exigido mais prote\u00e7\u00f5es contra as importa\u00e7\u00f5es da Ucr\u00e2nia\u201d, observou Wolfgang M\u00fcnchau no\u00a0<i>EuroBriefing<\/i>, lembrando que a proposta de estender a flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras alfandeg\u00e1rias para o campo ucraniano tem a oposi\u00e7\u00e3o da Pol\u00f4nia, Hungria, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria e Eslov\u00e1quia, e que, em resposta \u00e0 mesma oposi\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o Europeia j\u00e1 restringiu as importa\u00e7\u00f5es de carne de aves, ovos e a\u00e7\u00facar, caso excedam os n\u00edveis de 2022-2023.<\/p>\n<p>A essa altura do artigo, um leitor desconfiado j\u00e1 deve ter se perguntado: \u201cE onde est\u00e1 a Ucr\u00e2nia em toda essa hist\u00f3ria?\u201d A \u201cag\u00eancia\u201d e a \u201cautodetermina\u00e7\u00e3o\u201d dos ucranianos, t\u00e3o reivindicadas por alguns\u00a0<i>think tanks<\/i>\u00a0e pela m\u00eddia, s\u00e3o, paradoxalmente, ignoradas com uma regularidade surpreendente. A opini\u00e3o deles foi suplantada pelo que Carl Beijer chamou de\u00a0\u201ccomplexo de influ\u00eancia ucraniano\u201d: a presen\u00e7a na m\u00eddia e nas redes sociais de personalidades ligadas a redes ocidentais e dependentes de apoio, cuja opini\u00e3o \u00e9, logicamente, tendenciosa e n\u00e3o representativa. \u201cEm geral, a norma tem sido insistir que todos no pa\u00eds apoiam essa guerra e rejeitam uma solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica\u201d, escreve Beijer, \u201cpor isso uma das frases mais comuns dos falc\u00f5es \u00e9 a exig\u00eancia de que os cr\u00edticos \u2018conversem com um ucraniano\u2019: Assim, os ucranianos que n\u00e3o se enquadram nesse estere\u00f3tipo podem ser apagados e silenciados, e todos esses problemas inc\u00f4modos, como a liberdade de express\u00e3o e o direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, todos esses malditos direitos humanos que tantas vezes impedem uma boa guerra, podem ser ignorados\u201d.<\/p>\n<p>Se ouvirmos os discursos dos l\u00edderes europeus, parece que essa n\u00e3o \u00e9 mais uma guerra dos ucranianos, mas uma guerra dos \u201ceuropeus\u201d, cujas consequ\u00eancias f\u00edsicas os ucranianos sofrem indiretamente. Ningu\u00e9m disse isso melhor do que\u00a0o ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores da Ucr\u00e2nia, Dmitro Kuleba, em Davos, em janeiro passado: \u201cOferecemos a voc\u00eas o melhor acordo poss\u00edvel: n\u00e3o sacrifiquem seus soldados, d\u00eaem-nos armas e dinheiro e n\u00f3s faremos o trabalho\u201d.<\/p>\n<p><i>(*) Tradu\u00e7\u00e3o de Raul Chiliani<\/i><\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Ucr\u00e2nia, a areia movedi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia &#8211; Revista Opera &#8211; https:\/\/revistaopera.operamundi.uol.com.br\/2024\/03\/27\/ucrania-a-areia-movedica-da-uniao-europeia\/<\/p>\n<div id=\"__reading__mode__content_end_mark_container_id\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0NGEL FERRERO &#8211; Para os l\u00edderes da Europa, esta n\u00e3o \u00e9 mais uma guerra da Ucr\u00e2nia, mas uma guerra dos \u201ceuropeus\u201d, cujas consequ\u00eancias f\u00edsicas os ucranianos sofrem. 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