{"id":20461,"date":"2024-04-08T17:24:20","date_gmt":"2024-04-08T20:24:20","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=20461"},"modified":"2024-04-08T17:24:20","modified_gmt":"2024-04-08T20:24:20","slug":"a-sociedade-do-conformismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/04\/08\/a-sociedade-do-conformismo\/","title":{"rendered":"A sociedade do conformismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Boaventura de Sousa Santos<\/strong> &#8211;\u00a0&#8220;H\u00e1 indiv\u00edduos que n\u00e3o est\u00e3o interessados em lutar contra o status quo ou, se estiverem, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para essa luta&#8221;, analisa Boaventura de Sousa Santos.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos cem anos foram anos de intenso conflito que resultaram em in\u00fameras guerras, para al\u00e9m das duas guerras mundiais. As classes e os grupos sociais que intervieram nesses conflitos fizeram-no em nome de objetivos t\u00e3o amplos que n\u00e3o permitiam uma conex\u00e3o f\u00e1cil com os indiv\u00edduos concretos que lutavam nesses conflitos e pelos quais muitas vezes deram a vida. Objetivos como o nacionalismo, o internacionalismo, a revolu\u00e7\u00e3o, o socialismo, a superioridade racial e a miss\u00e3o civilizadora eram a express\u00e3o m\u00e1xima do inconformismo e sempre pressupuseram corpos que em nome de tais objetivos suspendessem a sua vida normal para lutar contra o status quo. Muitos milh\u00f5es n\u00e3o regressariam nunca \u00e0 vida normal. Talvez menos notado, este per\u00edodo foi tamb\u00e9m palco de um outro fen\u00f4meno que est\u00e1 hoje a atingir propor\u00e7\u00f5es alarmantes: h\u00e1 indiv\u00edduos que, por diversas raz\u00f5es, n\u00e3o est\u00e3o interessados em lutar contra o status quo ou, se estiverem, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es ou legitimidade para essa luta. Quer queiram, quer n\u00e3o, t\u00eam de se conformar com as consequ\u00eancias do que est\u00e1 a acontecer: o mundo acontece-lhes; nada podem fazer para o fazer acontecer. T\u00eam sido muitos os tipos de indiv\u00edduos sujeitos a esta condi\u00e7\u00e3o. Distingo cinco pela relev\u00e2ncia que t\u00eam hoje: o estranho, o desadaptado, o assimilado, o ac\u00e9dico, o obsoleto.<\/p>\n<p><b>O estranho &#8211;\u00a0<\/b>O soci\u00f3logo alem\u00e3o Georg Simmel dedicou um texto eloquente a esta figura. O estranho \u00e9 aquele que est\u00e1 entre n\u00f3s, mas n\u00e3o pertence \u00e0 sociedade do mesmo modo que \u201cn\u00f3s pertencemos\u201d. Ele est\u00e1 simultaneamente pr\u00f3ximo e distante, dentro e fora. Tem de se lidar com ele, mas n\u00e3o se confia nele. Simmel mostra que, historicamente, o comerciante foi um estranho, algu\u00e9m com quem a sociedade tradicional estava em contacto, mas com quem n\u00e3o estava conectada por la\u00e7os est\u00e1veis de parentesco, de local de nascimento, de ocupa\u00e7\u00e3o ou de cultura. Simmel era judeu e sabia do que estava a falar. Referia-se exclusivamente \u00e0 sociedade europeia do seu tempo. O mundo colonial estava fora da sua an\u00e1lise, mas seria a\u00ed, tal como Tocqueville nos tinha advertido, que a verdadeira dimens\u00e3o da estranheza na sociedade europeia poderia ser avaliada: o colonizado era o estranho paradigm\u00e1tico. Hoje, novos tipos de indiv\u00edduos vieram juntar-se \u00e0 categoria do estranho, os mais importantes sendo o imigrante nas sociedades do Norte Global, os trabalhadores do Sul global empregados pelas grandes empresas multinacionais do Norte global e, um pouco em todo o mundo, os trabalhadores da economia das aplica\u00e7\u00f5es, nomeadamente os entregadores de comida. Dependemos de todos estes tipos, por vezes de maneira intensa, mas a intensidade da rela\u00e7\u00e3o esgota-se no momento em que ela conclui.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o estranho e o pr\u00f3ximo vai-se alterando com as mudan\u00e7as na constru\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de estranheza e de proximidade, e nem sequer cobre todas as nuances das rela\u00e7\u00f5es. Por exemplo, o \u00edntimo \u00e9 o pr\u00f3ximo mais pr\u00f3ximo, enquanto o pr\u00f3ximo em sentido b\u00edblico \u00e9 o mais estranho dos pr\u00f3ximos. Proximidade, estranheza e intimidade est\u00e3o hoje a passar por profundas transforma\u00e7\u00f5es, sobretudo devido ao crescente papel das redes sociais nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. O \u00edntimo pode ser algu\u00e9m com quem nada se partilha sen\u00e3o as palavras e imagens que se trocam no celular. O estranho \u00e9 aquele que os \u00edntimos concordam ser hostil, inintelig\u00edvel, inimigo, em suma, algu\u00e9m que n\u00e3o pertence, mesmo que dele se necessite. O m\u00e1ximo de estranheza ocorre quando nem sequer os seus servi\u00e7os s\u00e3o considerados necess\u00e1rios porque prestados por novos pr\u00f3ximos ou \u00edntimos, o que as redes sociais permitem quase instantaneamente.<\/p>\n<p><b>O desadaptado &#8211;\u00a0<\/b>A quest\u00e3o da desadapta\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade industrial foi um dos grandes temas das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX na Europa e nos EUA. Muitos se recordar\u00e3o do filme Les Temps Modernes de Charlie Chaplin. A sociedade industrial trazia consigo uma enorme acelera\u00e7\u00e3o da vida social a todos os n\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 no trabalho industrial como tamb\u00e9m na mobilidade, nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, nos modos de conviver, de comer, de conversar, de passear, de amar. Este problema suscitou discuss\u00f5es apaixonadas e duas posi\u00e7\u00f5es principais surgiram. Segundo alguns, a natureza humana n\u00e3o era infinitamente flex\u00edvel e a acelera\u00e7\u00e3o industrial significava uma viol\u00eancia tal no metabolismo f\u00edsico-ps\u00edquico das pessoas que mais tarde ou mais cedo as consequ\u00eancias seriam evidentes, tanto no plano interpessoal como no plano social. A pr\u00f3pria democracia acabaria por ressentir-se. Segundo outros, a natureza humana era infinitamente pl\u00e1stica e adaptar-se-ia com facilidade aos novos ritmos. Afinal, os Jogos Ol\u00edmpicos eram a prova de que os humanos eram capazes de ultrapassar todos os limites antes considerados intranspon\u00edveis. N\u00e3o era um tema simples e envolvia quest\u00f5es filos\u00f3ficas de fundo com evidente impacto pol\u00edtico. Nos Estados Unidos, o debate entre Walter Lippman e John Dewey resumiu bem as duas quest\u00f5es fundamentais: a natureza do ser humano e a fun\u00e7\u00e3o social da democracia. Escrevendo em 1922 sobre as novas barreiras &#8211; principalmente os meios de comunica\u00e7\u00e3o social &#8211; que impedem os cidad\u00e3os de aceder \u00e0 verdade, Lippman criticava a &#8220;censura artificial, as limita\u00e7\u00f5es do contato social, o tempo comparativamente curto dispon\u00edvel todos os dias para prestar aten\u00e7\u00e3o aos assuntos p\u00fablicos, a distor\u00e7\u00e3o produzida pela necessidade de comprimir os acontecimentos em mensagens muito breves e a dificuldade de fazer com que um pequeno vocabul\u00e1rio exprima um mundo complicado&#8221;. Concordando basicamente com o seu diagn\u00f3stico, Dewey opunha-se \u00e0 confian\u00e7a nos t\u00e9cnicos e peritos para compensar as incapacidades e irracionalidades da natureza humana. Segundo ele, a solu\u00e7\u00e3o estava no poder da intelig\u00eancia coletiva e reflexiva e no projeto de constru\u00e7\u00e3o de formas mais profundas de democracia participativa.<\/p>\n<p>Enquanto a discuss\u00e3o ocorria, a sociedade norte-americana transformava-se rapidamente e, no meio de crises profundas como a Grande Depress\u00e3o, deixava para tr\u00e1s todos aqueles que n\u00e3o eram autorizados a adaptar-se aos tempos modernos. As Vinhas da Ira de John Steinbeck s\u00e3o um testemunho evidente do trauma interno que se produzia sob o avassalador slogan do progresso. Os desadaptados foram sendo esquecidos e s\u00f3 viriam a reemergir na luta pelos direitos c\u00edvicos do povo afro-americano, na oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra do Vietnam e na cultura hippie dos anos de 1960. O movimento hippie era a contra-cultura dos desadaptados; contra a guerra e a competitividade, os hippies contrapunham a paz e o amor. Mas eram tamb\u00e9m a express\u00e3o de uma derrota hist\u00f3rica. A vers\u00e3o da infinita ductilidade da natureza humana triunfara e eles e elas eram apenas um grito marginal, cujo tom subversivo original acabaria por ser cooptado, transformando-se em mais uma linha de produ\u00e7\u00e3o da emergente ind\u00fastria do entretenimento. Isto, ali\u00e1s, n\u00e3o foi o fim da s\u00edndrome da desadapta\u00e7\u00e3o, foi a sua transforma\u00e7\u00e3o de movimento pol\u00edtico-cultural em problema psicol\u00f3gico. Os desadaptados solventes enchem hoje os consult\u00f3rios dos psic\u00f3logos, psiquiatras e psicanalistas. Os outros enchem as pris\u00f5es, os centros de recupera\u00e7\u00e3o das drogas e as ruas dos sem-abrigo. N\u00e3o est\u00e3o necessariamente conformados com o mundo em que vivem, mas n\u00e3o imaginam revoltar-se porque n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a para o fazer, porque n\u00e3o sabem sequer em nome de que outro mundo poss\u00edvel o fazer, ou porque t\u00eam um medo paralisante, conhecendo o pre\u00e7o que hoje se paga por ser inconformista.<\/p>\n<p><b>O assimilado &#8211;\u00a0<\/b>A categoria de assimilado tem origem colonial e foi inventada para designar aquele pequeno grupo de colonizados que, por via da educa\u00e7\u00e3o colonial, abandonava (e rejeitava) a \u201ccultura selvagem\u201d que lhe tinha sido transmitida pelos seus antepassados, aprendia a l\u00edngua, a cultura e os modos de conviv\u00eancia coloniais e comportava-se (na apar\u00eancia, pelo menos) como assumindo a rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o colonial como natural. Por defini\u00e7\u00e3o, o assimilado n\u00e3o era igual ao colono. Era uma categoria interm\u00e9dia entre o selvagem e o civilizado europeu. Tinha certos direitos, desde que se conformasse com o status quo colonial. Com as independ\u00eancias das col\u00f4nias esta categoria desapareceu. Mas, de algum modo, reemergiu sob outras formas, tanto no Sul global como no Norte global. No Sul global \u00e9 constitu\u00edda pelas emergentes classes m\u00e9dias globalizadas para quem a cultura tradicional ou ancestral rege os rituais especiais da vida colectiva (casamentos, funerais), mas n\u00e3o muito mais. O n\u00e3o se regerem pela cultura ancestral n\u00e3o quer dizer que a n\u00e3o conhe\u00e7am e valorizem. Apenas a julgam desadaptada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cvida urbana moderna\u201d, isto \u00e9, ocidentalizada. A assimila\u00e7\u00e3o \u00e9, neste caso, um fen\u00f4meno muito complexo porque cont\u00e9m um elemento saud\u00e1vel de revolta contra as elites que invocam a cultura tradicional para encobrirem a sua corrup\u00e7\u00e3o, incompet\u00eancia e privil\u00e9gios. O segundo caso de assimila\u00e7\u00e3o \u00e9 o dos imigrantes no Norte global que perdem ou rejeitam as suas culturas origin\u00e1rias para garantirem uma melhor adapta\u00e7\u00e3o a uma sociedade que sabem ser-lhes hostil e tudo fazer para os rejeitar. A assimila\u00e7\u00e3o \u00e9 aqui a forma psiquicamente mais toler\u00e1vel de conformismo.<\/p>\n<p><b>O ac\u00e9dico &#8211;\u00a0<\/b>O monge Jo\u00e3o Cassiano, em escrito do s\u00e9culo V A.C., \u00e9 o primeiro a chamar a aten\u00e7\u00e3o para a condi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de muitos monges da Palestina, S\u00edria e Egito dos primeiros tempos do Cristianismo, uma condi\u00e7\u00e3o a que chamou ac\u00e9dia (do grego: akedia, indiferen\u00e7a, aus\u00eancia de cuidado). Tratava-se de um estado de letargia permanente, incapacidade de se concentrar em objetivos de estudo ou de culto, exaust\u00e3o mental e espiritual, apatia, melancolia, torpor, dispers\u00e3o ou extravio do pensamento (a peruagatio cogitacionum da ret\u00f3rica medieval). Ev\u00e1grio P\u00f4ntico designa a ac\u00e9dia por \u201cdem\u00f3nio do meio-dia\u201d, porque era ao meio-dia, com o sol a pique e im\u00f3vel, que os monges ficavam mais inquietos nas suas celas, o dia parecia durar cinquenta horas e a sua vida parecia n\u00e3o ter sentido. Cassiano atribu\u00eda a ac\u00e9dia \u00e0s condi\u00e7\u00f5es mon\u00e1sticas de isolamento social, de confinamento espacial e de sil\u00eancio monacal, uma enorme priva\u00e7\u00e3o que contrastava com a imensa tarefa de chegar mais pr\u00f3ximo de Deus. Mais tarde, a ac\u00e9dia chegou a ser convertida num dos sete pecados capitais, a pregui\u00e7a. Mas foi sempre muito mais que isso. O ac\u00e9dico \u00e9 o individuo indiferente, n\u00e3o por op\u00e7\u00e3o c\u00ednica, mas por um profundo sentimento de incapacidade para transformar o mundo. Com j\u00e1 escrevi nestas p\u00e1ginas, \u00e9 f\u00e1cil assimilar ac\u00e9dia a burnout, \u00e0 depress\u00e3o, como em per\u00edodo anterior foi assimilada ao ennui ou \u00e0 Weltschmerz. Mas a ac\u00e9dia \u00e9 mais do que isso. \u00c9 uma tentativa das chamadas gera\u00e7\u00f5es post-baby boomers (nascidos entre 1945 e 1964), ou seja, a gera\u00e7\u00e3o dos millennials (nascidos entre Janeiro de 1983 e Dezembro de 1994) e a gera\u00e7\u00e3o Z (nascidos entre Janeiro de 1995 e Dezembro de 2003) de se adaptarem a um mundo desproporcional e at\u00e9 absurdo, cuja irracionalidade, sobretudo no plano ecol\u00f3gico, \u00e9 t\u00e3o dramaticamente vivida como a incapacidade de lutar contra ela. As novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam \u00e0 idade adulta t\u00e3o rapidamente quanto os seus pais nem com as mesmas certezas. A humanidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 viv\u00edvel em abstrato, a precariedade do emprego pesa (ora fortemente, ora levemente) sobre as suas op\u00e7\u00f5es e o investimento na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o garante o tipo de benef\u00edcio que antes tinha (seguran\u00e7a do emprego e carreira). H\u00e1 a vontade de dar sentido \u00e0 vida na exata dimens\u00e3o em que tal vontade coincide com a capacidade de a transformar. Essa capacidade tem uma escala pessoal e interpessoal. A identidade \u00e9 uma forma de perten\u00e7a que por ser naturalizada (g\u00e9nero, ra\u00e7a) \u00e9 mais facilmente obtida e mobiliz\u00e1vel. O importante n\u00e3o \u00e9 transformar o mundo, mas eliminar inimigos de modo a que a perten\u00e7a seja mais reconhecida. O conformismo decorre de desistir de ir \u00e0s ra\u00edzes da domina\u00e7\u00e3o. Consensos f\u00e1ceis para vit\u00f3rias f\u00e1ceis.<\/p>\n<p><b>O obsoleto &#8211;\u00a0<\/b>Este vetor do conformismo \u00e9 o mais recente e decorre do desenvolvimento da chamada intelig\u00eancia artificial (IA). A IA refere-se a m\u00e1quinas que desempenham tarefas cognitivas, como pensar, compreender, resolver problemas e tomar decis\u00f5es, com base em sistemas de aprendizagem n\u00e3o explicitamente programados. O elemento fundamental \u00e9 a abund\u00e2ncia de dados (big data) e os algor\u00edtmos que, a partir deles, se desenvolvem. A automa\u00e7\u00e3o de tarefas que hoje d\u00e3o emprego aos humanos \u00e9 a dimens\u00e3o mais conhecida das transforma\u00e7\u00f5es em curso sob o impacto da IA generativa, ou seja, a que aprende e se corrige de modo inimagin\u00e1vel por humanos (aprendizagem profunda). Muito para al\u00e9m do emprego, a pol\u00edtica, o amor, a religi\u00e3o, a economia, a arte, a comunica\u00e7\u00e3o, a criatividade, a actividade sexual, ou seja, a vida em geral pode vir a ser amanh\u00e3 decidida por via n\u00e3o humana. Enquanto a revolu\u00e7\u00e3o industrial criara o problema da desadapta\u00e7\u00e3o dos humanos, a revolu\u00e7\u00e3o da IA cria o problema da obsolesc\u00eancia dos humanos. Se n\u00f3s, humanos, nos tornar-nos obsoletos, o problema deixa de dizer respeito a conformismo\/inconformismo e passa a dizer respeito a funcionalidade\/disfuncionalidade. O disfuncional n\u00e3o \u00e9 inconformista; \u00e9 ru\u00eddo descartado. H\u00e1 quem pense que o inconformismo pode ser reinventado pela IA, mas ningu\u00e9m pode garantir o sentido \u00e9tico ou pol\u00edtico do inconformismo. Tanto assim que o inconformismo pode ser orientado para destruir a esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>Quando hoje se atribuem os diferentes tipos psicossociais de conformismo ao fracasso do pensamento cr\u00edtico, h\u00e1 que refletir se o que fracassou n\u00e3o foi o pensamento moderno ocidental (cr\u00edtico e n\u00e3o cr\u00edtico) ao cindir os v\u00ednculos que uniam tr\u00eas modos de exist\u00eancia fundamentais: o corpo, a \u00e9tica e a transcend\u00eancia.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: A sociedade do conformismo | Brasil 247 &#8211; https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/a-sociedade-do-conformismo<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boaventura de Sousa Santos &#8211;\u00a0&#8220;H\u00e1 indiv\u00edduos que n\u00e3o est\u00e3o interessados em lutar contra o status quo ou, se estiverem, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para essa luta&#8221;, analisa Boaventura de Sousa Santos. 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