{"id":20401,"date":"2024-03-01T12:00:06","date_gmt":"2024-03-01T15:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=20401"},"modified":"2024-02-29T09:02:45","modified_gmt":"2024-02-29T12:02:45","slug":"eleicoes-ocupar-periferias-e-reforcar-o-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/03\/01\/eleicoes-ocupar-periferias-e-reforcar-o-publico\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es: Ocupar periferias e refor\u00e7ar o P\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p><strong>Erm\u00ednia Maricato<\/strong> &#8211; A esfera local \u00e9 chave para a esquerda reconectar-se com o <em>ch\u00e3o de cidade<\/em>, aponta urbanista. Isso requer apostar em equipamentos urbanos e na participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A transforma\u00e7\u00e3o passa pelos bairros e o pleito deste ano ser\u00e1 crucial.<\/p>\n<p>Professora universit\u00e1ria, pesquisadora e gestora p\u00fablica com experi\u00eancia em diferentes esferas de governo, a arquiteta e urbanista\u00a0Erm\u00ednia Maricato defende que os partidos olhem com muita aten\u00e7\u00e3o para as elei\u00e7\u00f5es municipais deste ano. Mais que isso, ela defende que se d\u00ea a devida import\u00e2ncia \u00e0s cidades.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Maricato, que participou ativamente da cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Cidades, inaugurado no primeiro governo Lula, em 2003, e foi secret\u00e1ria-executiva da pasta, disse que n\u00e3o pretende voltar a atuar no poder p\u00fablico. Entretanto, apontou caminhos para recupera\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas a partir dos munic\u00edpios.<\/p>\n<p>\u201cA escala local \u00e9 muito importante. As prefeituras s\u00e3o fundamentais para a democracia participativa e n\u00f3s estamos num pa\u00eds que tem dimens\u00f5es continentais. \u00c9 preciso chamar aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da democracia local, para as mulheres chefes de fam\u00edlia, nem se fala. Para o pessoal das periferias, nem se fala\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Para a arquiteta, \u00e9 preciso que partidos e movimentos de esquerda se reconectem com suas bases, e isso passa pelas periferias, onde representantes de igrejas evang\u00e9licas muitas vezes suprem a aus\u00eancia do Estado.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que a gente precisa fazer uma campanha para que todo mundo conhe\u00e7a melhor sua cidade. Uma campanha pela capilaridade do ativismo, essa coisa de voc\u00ea estar presente nos bairros\u201d, disse.<\/p>\n<p>Erm\u00ednia tamb\u00e9m acredita que o foco do urbanismo n\u00e3o deve estar mais nos planos e leis. \u201cN\u00e3o faltam planos, n\u00e3o faltam leis. N\u00f3s temos planos e leis avan\u00e7ados, como \u00e9 o caso do Estatuto da Cidade. Toda cidade brasileira com mais de 20 mil habitantes tem plano diretor. \u00c9 uma coisa que tem muito prest\u00edgio no Brasil, o planejamento urbano\u201d, afirma. \u201cMas n\u00f3s temos um problema estrutural que funda a desigualdade, que acaba marcando essa desigualdade t\u00e3o forte e profunda na ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. A terra \u00e9 um n\u00f3 na sociedade brasileira\u201d.<\/p>\n<p><strong>Confira abaixo a entrevista na \u00edntegra.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as pautas importantes que a gente tem que prestar aten\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es de 2024?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de mais nada, eu preciso repetir uma coisa que eu falo muito: eu n\u00e3o quero mais participar de governos porque \u00e9 impressionante o que eu j\u00e1 vivi e o que a gente j\u00e1 escreveu, j\u00e1 prop\u00f4s, j\u00e1 at\u00e9 praticou nas prefeituras democr\u00e1ticas e isso parece que passou por uma regress\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu trabalho muito com uma vis\u00e3o marxista, que \u00e9: a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 que fornece todos os elementos. Voc\u00ea estudar produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o \u00e9 muito mais importante do que voc\u00ea se apoiar apenas na regula\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, que \u00e9 aquilo que as leis e os planos fazem. N\u00e3o faltam planos, n\u00e3o faltam leis. N\u00f3s temos planos e leis avan\u00e7ados, como \u00e9 o caso do Estatuto da Cidade. Toda cidade brasileira com mais de 20 mil habitantes tem plano diretor. \u00c9 uma coisa que tem muito prest\u00edgio no Brasil, o planejamento urbano.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s temos um problema estrutural que funda a desigualdade, que acaba marcando essa desigualdade t\u00e3o forte e profunda na ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.\u00a0A terra \u00e9 um n\u00f3 na sociedade brasileira. Existe de fato, ainda, uma liga\u00e7\u00e3o muito forte entre poder, terra, voc\u00ea pode p\u00f4r a financeiriza\u00e7\u00e3o a\u00ed no meio. A financeiriza\u00e7\u00e3o, no meu ponto de vista, veio aprofundar a desigualdade baseada na propriedade da terra urbana e na terra rural. Por exemplo, a reforma agr\u00e1ria \u00e9 lei no Brasil. Ela \u00e9 um direito previsto na Constitui\u00e7\u00e3o! E a moradia e o transporte tamb\u00e9m, e voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea isso na realidade. S\u00e3o direitos mortos, efetivamente.<\/p>\n<p>Eu desenvolvi toda uma adapta\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o urbana da tese do Roberto Schwarz sobre as ideias fora do lugar. Os planos s\u00e3o muito bonitos, s\u00f3 que existe um problema estrutural. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o tem renda suficiente para adquirir uma moradia no mercado privado. Estou falando de moradia legal. Ent\u00e3o voc\u00ea tem 40% do territ\u00f3rio da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro na m\u00e3o das mil\u00edcias e do crime organizado, sem Estado, sem lei.<\/p>\n<p>Eu estou voltando do Guaruj\u00e1 [no litoral paulista]. \u00c9 incr\u00edvel como voc\u00ea v\u00ea que \u00e9 mais regra do que exce\u00e7\u00e3o a moradia ilegal. No Brasil, a maior parte dos domic\u00edlios n\u00e3o segue a lei: n\u00e3o t\u00eam aprova\u00e7\u00e3o na prefeitura, n\u00e3o seguem lei de zoneamento, n\u00e3o seguem c\u00f3digo de obras, n\u00e3o t\u00eam propriedade registrada em cart\u00f3rio.<\/p>\n<p>Para mim \u00e9 muito duro discutir essa quest\u00e3o h\u00e1 50 anos. \u00c9 muito dif\u00edcil, tendo ocupado cargos como eu ocupei, na Prefeitura de S\u00e3o Paulo; a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Cidades, fui eu que coordenei, no primeiro governo Lula. A gente olha e v\u00ea todo mundo repetindo as mesmas coisas, discutindo. N\u00e3o \u00e9 que a gente n\u00e3o deva discutir lei de zoneamento. \u00c9 \u00f3bvio que a gente deve. Mas \u00e9 alguma coisa que voc\u00ea discute com o mercado e com a produ\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e que n\u00e3o \u00e9 para a maioria. Como \u00e9 que faz?<\/p>\n<p>Eu costumo dizer que as pessoas n\u00e3o vivem sem moradia. Tem milhares de pessoas nas ruas? Tem. Mas a maior parte da popula\u00e7\u00e3o, das fam\u00edlias, precisam de uma moradia e ela n\u00e3o surge do ar. Ela tem que ter uma estrutura, uma base, que \u00e9 um peda\u00e7o de terra urbano ou rural. E eu acho que ainda n\u00f3s temos realmente o n\u00f3 da terra dividindo a sociedade brasileira. Mesmo na globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. Porque \u00e9 que eu falo \u201cmesmo na globaliza\u00e7\u00e3o\u201d. Porque isso tem a ver com toda a nossa hist\u00f3ria. At\u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, a terra n\u00e3o era libertada. Voc\u00ea nota no s\u00e9culo 19, uma luta entre a privatiza\u00e7\u00e3o da terra, que \u00e9 a propriedade privada, que \u00e9 de uma lei de 1850, e a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos.<\/p>\n<p>A propriedade da for\u00e7a de trabalho \u00e9 o que dava poder aos fazendeiros, porque a Terra era da coroa at\u00e9 1850. A partir da privatiza\u00e7\u00e3o da terra, a elite brasileira acabou concordando em libertar os escravos. Essa discuss\u00e3o vinha l\u00e1 no come\u00e7o do s\u00e9culo 19. E a\u00ed, o que marca o poder da oligarquia brasileira? A propriedade da terra. E os escravos foram libertados sem nenhuma compensa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje voc\u00ea v\u00ea a dificuldade da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, a negra mais ainda, para ser propriet\u00e1ria de um peda\u00e7o de terra.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel considerar que reforma urbana e reforma agr\u00e1ria s\u00e3o dois lados da mesma moeda?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes o movimento de reforma agr\u00e1ria canta ou recita: \u201cse o campo n\u00e3o planta, a cidade n\u00e3o janta\u201d. Parece que h\u00e1 uma oposi\u00e7\u00e3o entre essas coisas: \u201colha, voc\u00eas dependem de n\u00f3s\u201d. E n\u00e3o \u00e9 assim. Agora, por exemplo, uma das propostas mais importantes para cidades no Brasil, diante da crise clim\u00e1tica, \u00e9 a agricultura urbana. Eu considero da maior import\u00e2ncia, a agricultura urbana. Ela n\u00e3o s\u00f3 preserva certas \u00e1reas, nascentes, \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o dos mananciais, \u00e1reas \u00edngremes que n\u00e3o podem ser ocupadas por moradia.<\/p>\n<p>Uma das coisas que o movimento internacional pelo enfrentamento da crise clim\u00e1tica est\u00e1 colocando \u00e9 a viagem dos alimentos. Olha o que se joga carbono na atmosfera por meio das viagens de caminh\u00f5es de alimentos, que poderiam ser produzidos por um cintur\u00e3o verde em volta das cidades. Isso melhoraria o clima, melhoraria o uso do solo, combateria a fome, melhoraria o pre\u00e7o, propiciaria renda. Essa \u00e9 uma das propostas mais importantes da pol\u00edtica urbana atual.<\/p>\n<p><strong>E n\u00e3o \u00e9 uma novidade. A gente pode dizer que, na verdade, j\u00e1 houve ondas em que isso at\u00e9 foi feito. A gente pensa em Cotia, aqui na grande S\u00e3o Paulo, tem tentativas de fazer isso.<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00e9poca do [Fernando] Haddad na prefeitura de S\u00e3o Paulo, teve um projeto interessant\u00edssimo. E \u00e9 um projeto que se casava com a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o dos mananciais, que os loteamentos clandestinos ocupavam. Uma forma criminosa da cidade se espraiar. E o povo n\u00e3o tem outra sa\u00edda, n\u00e3o tem alternativa. Voc\u00ea tem milhares e milhares e milhares de pessoas ocupando a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o das nossas represas, que \u00e9 a \u00e1gua que essa cidade precisa.<\/p>\n<p>De certa forma, a nossa sociedade, as nossas institui\u00e7\u00f5es concordam com isso, porque sen\u00e3o a gente j\u00e1 teria tido outra proposta. Na minha \u00e9poca, no governo Erundina, a gente discutiu muito, desenhou muito, fez campanhas para impedir a ocupa\u00e7\u00e3o dos mananciais, uma fiscaliza\u00e7\u00e3o especializada, com pol\u00edticas de moradia para que as pessoas n\u00e3o precisassem ir para l\u00e1. Mas os governos seguintes que entraram\u2026 Eu cheguei a fazer um acordo com Fleury, governador, para a gente\u00a0se unir na fiscaliza\u00e7\u00e3o dos mananciais e na solu\u00e7\u00e3o para moradia para as pessoas que iam para dentro dos mananciais.<\/p>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia das elei\u00e7\u00f5es locais em um cen\u00e1rio de democracia amea\u00e7ada?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A escala local \u00e9 muito importante. As prefeituras s\u00e3o fundamentais para a democracia participativa e n\u00f3s estamos num pa\u00eds que tem dimens\u00f5es continentais. N\u00f3s temos cinco biomas no Brasil! \u00c9 preciso chamar aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da democracia local, para as mulheres chefes de fam\u00edlia, nem se fala. Para o pessoal das periferias, nem se fala. E voc\u00ea sabe quando o Brasil viveu a democracia local? No final dos anos 1970, as prefeituras democr\u00e1ticas e populares.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pena que a nossa mem\u00f3ria de pa\u00eds colonizado seja t\u00e3o fr\u00e1gil, porque na \u00e9poca do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/02\/05\/orcamento-participativo-e-forma-de-instigar-pessoas-a-serem-protagonistas-diz-olivio-dutra\" rel=\"noreferrer noopener\">or\u00e7amento participativo<\/a>, criado em Porto Alegre; na \u00e9poca dos corredores de \u00f4nibus, criados em Curitiba; da urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, criada no Rio de Janeiro\u2026 Eu fui em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo falar sobre isso. O Brasil ficou famoso nos anos 80 e 90. Diadema foi uma prefeitura exemplar, uma das primeiras, mas voc\u00ea tem prefeituras democr\u00e1ticas e participativas no Brasil inteiro.<\/p>\n<p>[O or\u00e7amento participativo] foi repetido em mais de 5 mil cidades do mundo todo. Tem uma bibliografia sobre ele. Por exemplo: preven\u00e7\u00e3o contra risco de desmoronamento. N\u00f3s fizemos um projeto em S\u00e3o Paulo que foi incr\u00edvel, tiramos 5 mil fam\u00edlias de \u00e1reas de risco. No Recife, tem projetos maravilhosos sobre risco em favelas. Belo Horizonte, elimina\u00e7\u00e3o de risco em favela; o Rio de Janeiro fez urbaniza\u00e7\u00e3o de favela: o que \u00e9 isso? \u00c9 levar \u00e1gua, levar esgoto, levar transporte, levar drenagem, levar pavimenta\u00e7\u00e3o, tirar risco. S\u00e3o coisas muito bem feitas que alcan\u00e7aram 300 mil pessoas naquele per\u00edodo.<\/p>\n<p>O projeto mais maravilhoso que houve nesse per\u00edodo foi Brizola, governador do Rio de Janeiro, com o Ciep do Darcy Ribeiro. E depois os CEUs em S\u00e3o Paulo. Ali, voc\u00ea tem o projeto que hoje n\u00f3s achamos o mais importante, municipal. Voc\u00ea p\u00f5e na periferia um equipamento para cada 20 mil pessoas, e l\u00e1 voc\u00ea p\u00f5e educa\u00e7\u00e3o em tempo integral para crian\u00e7as e adolescentes, com esporte, com arte, com cultura.<\/p>\n<p>Voc\u00ea muda a hist\u00f3ria desse pa\u00eds, se voc\u00ea fizer esse trabalho. Voc\u00ea tem orquestra sinf\u00f4nica onde existe esse trabalho! Heli\u00f3polis tem orquestra sinf\u00f4nica! Em Natal, no bairro de M\u00e3e Luiza, as crian\u00e7as ganham medalha de matem\u00e1tica; tem uma orquestra sinf\u00f4nica maravilhosa. Voc\u00ea quer dar a essa gera\u00e7\u00e3o uma oportunidade de desenvolver seus potenciais na \u00e1rea do esporte, de todo tipo; na \u00e1rea de artes, com m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>E isso re\u00fane uma s\u00e9rie de pol\u00edticas p\u00fablicas nesse equipamento.<\/strong><\/p>\n<p>Isso, exatamente. Eu conversei com o Minist\u00e9rio da Cultura, com o Minist\u00e9rio das Cidades. O atual, n\u00e9? Porque o que eu criei foi fechado pelo Bolsonaro. O governo est\u00e1 pensando nisso, mas \u00e9 muito importante que isso seja discutido na cidade. Que cada regi\u00e3o da cidade diga: o que \u00e9 importante a gente colocar aqui? Uma casa de idosos, tamb\u00e9m junto com a casa para as crian\u00e7as? Tem gente que fala muito tamb\u00e9m \u201colha, n\u00f3s n\u00e3o temos na nossa regi\u00e3o um lugar para fazer vel\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o coisas que voc\u00ea vai vendo que se a popula\u00e7\u00e3o pudesse discutir, como fazia na nossa \u00e9poca l\u00e1 das prefeituras democr\u00e1ticas. O que a regi\u00e3o mais precisa? O que voc\u00eas mais precisam? N\u00f3s vamos demorar muito para tirar as periferias brasileiras das cidades brasileiras da m\u00e3o das mil\u00edcias e do crime organizado, sem d\u00favida. Mas a gente pode come\u00e7ar esse processo, principalmente para os jovens n\u00e3o ficarem nas ruas, terem a oportunidade de desenvolver seus talentos.<\/p>\n<p><strong>E por que \u00e9 que esse tipo de democracia saiu de moda, mesmo tendo sido bem avaliada?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Olha: foi isso que elegeu o Lula [em 2002]. O PT passou, com as prefeituras, a ser respeitado como governo. Eu me lembro t\u00e3o bem disso, \u2018o modo petista de governar\u2019. Eu j\u00e1 pensei muito nisso, porque eu vivi aquela maravilha daquelas prefeituras, fui para muitos pa\u00edses mostrar o que era essa democracia participativa, descentralizada e que tinha esse sistema.<\/p>\n<p>Eu defendi a proposta de reforma urbana na Assembleia Nacional Constituinte. N\u00f3s t\u00ednhamos uma proposta que vinha do movimento popular, que podia ser apresentada. E n\u00f3s concordamos que o poder municipal deveria manter a autonomia e for\u00e7a. Tanto que hoje, a compet\u00eancia do do transporte, da mobilidade, de quem \u00e9? Do poder local. Compet\u00eancia do saneamento local, de quem \u00e9? Do poder local. De o poder local n\u00e3o der para a Sabesp, ela n\u00e3o tem a autoridade sobre o saneamento local. Ent\u00e3o n\u00f3s est\u00e1vamos muito ligados ao poder local.<\/p>\n<p>Sobre sua pergunta, eu enxergo o seguinte: na d\u00e9cada de 70, n\u00f3s t\u00ednhamos uma ditadura. E foi nessa \u00e9poca que aconteceu que o Emir Sader chama de\u00a0<em>Quando Novos Personagens Entram em Cena<\/em>. \u00c9 o nome do livro dele, um texto que fala dos movimentos sociais. Ent\u00e3o voc\u00ea tem o movimento oper\u00e1rio. No final dos anos 70, o movimento oper\u00e1rio faz grandes greves e come\u00e7a a aparecer como muito forte. O que mais? Comunidades eclesiais de base da igreja cat\u00f3lica. Elas estavam nos bairros da cidade, elas eram capilares. Movimentos sociais urbanos, que era uma grande novidade: o movimento contra o custo de vida em S\u00e3o Paulo de 1975; as mulheres lutando por creche; as mulheres lutando por sa\u00fade. O SUS foi resultado de um processo prolongado, tanto de profissionais, luta institucional, quanto luta local.<\/p>\n<p>Eu participei desses movimentos nas periferias e depois participei de governo. Voc\u00ea imagina o que \u00e9 estar numa periferia bem prec\u00e1ria e depois entrar no governo, ver muita contradi\u00e7\u00e3o. Ver essa dist\u00e2ncia entre o urbanismo, planejamento urbano e a produ\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o de exclus\u00e3o. Como \u00e9 que se dava esse\u00a0<em>apartheid<\/em>, essa desigualdade, e como \u00e9 que se d\u00e1 esse capital imobili\u00e1rio para poucos. Um mercado imobili\u00e1rio para poucos.<\/p>\n<p>Eu vivi algum tempo no Canad\u00e1, onde um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 fora do mercado e depende de subs\u00eddio p\u00fablico, e pude escrever o livro\u00a0<em>Metr\u00f3pole na Periferia do Capitalismo<\/em>. \u00c9 diferente uma S\u00e3o Paulo de uma Vancouver, de Toronto, Quebec, de uma Paris. \u00c9 diferente. Essas coisas todas geraram muitos livros, muito conhecimento t\u00e9cnico, muita lei, mas n\u00e3o mudou a realidade.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que se diga que o Brasil com Lula, ali nos anos 2000, estava na contram\u00e3o do mundo. O mundo caminhou para a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, contra o Estado social, contra a pol\u00edtica p\u00fablica. \u00c9 \u201cpelo mercado\u201d, \u201caqui \u00e9 o mercado\u201d, \u201co Estado \u00e9 perdul\u00e1rio, o Estado \u00e9 corrupto\u201d, \u201co mercado \u00e9 que sabe fazer as coisas\u201d, e a\u00ed n\u00f3s vimos tudo isso que aconteceu, das privatiza\u00e7\u00f5es nos conduzirem para a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>O momento atual \u00e9 um momento que o mundo est\u00e1 sob risco. A humanidade est\u00e1 sob risco com a crise clim\u00e1tica, com o aprofundamento da desigualdade, com o aprofundamento da fome. \u00c9 impressionante o que est\u00e1 acontecendo no mundo. Pouca gente sabe que Los Angeles tem muito mais moradores de rua que S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Claro que agora aparece a guerra no nosso cen\u00e1rio. A desigualdade extrema; a explora\u00e7\u00e3o do ser humano, que est\u00e1 perdendo todos os direitos trabalhistas conquistados com tanta luta durante o\u00a0<em>welfare state<\/em>; as pol\u00edticas p\u00fablicas; a preda\u00e7\u00e3o ambiental e social. N\u00f3s estamos vivendo um momento muito tr\u00e1gico, que obviamente engole o Brasil.<\/p>\n<p>O Brasil tem mais de 300 anos de escravismo, mais de 400 anos de hegemonia agr\u00e1ria exportadora, \u00e9 um pa\u00eds desigual durante toda a sua hist\u00f3ria, [tem] uma elite patriarcalista, patrimonialista, racista, tudo isso que a gente sabe. Mas agora essa globaliza\u00e7\u00e3o, essa internacionaliza\u00e7\u00e3o do mercado, essa financeiriza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as econ\u00f4micas e do poder, isso tudo engole o Brasil.<\/p>\n<p>Por que a gente saiu daquela onda t\u00e3o criativa? As nossas propostas eram originais. \u00c9 tudo de bom voc\u00ea pegar uma favela e poder falar \u201cn\u00f3s vamos transformar isso num local de moradia saud\u00e1vel, democr\u00e1tico\u201d. O que eu mais senti foi que aquele movimento que n\u00f3s t\u00ednhamos, capilarizado, no ch\u00e3o das cidades, ligado \u00e0s comunidades de base, ele foi se encastelando na vida institucional pol\u00edtica. Os partidos tamb\u00e9m: deixaram o ch\u00e3o das cidades. Deixaram os bairros, as escolas, as pra\u00e7as, as igrejas cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>E, na contram\u00e3o, veio todo o ide\u00e1rio neoliberal, evidentemente com os\u00a0<em>think tanks<\/em>\u00a0que a gente conhece, que vieram principalmente dos Estados Unidos. E parte das igrejas evang\u00e9licas. N\u00e3o s\u00e3o todas igrejas evang\u00e9licas conservadoras, empresariais, que exploram a popula\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 muito impressionante o que h\u00e1, nas periferias de todo o pa\u00eds, de igrejas conservadoras, nesse momento, e o recuo da igreja cat\u00f3lica, que agora, com o Papa Francisco, tenta retornar. A CNBB est\u00e1 com algumas manifesta\u00e7\u00f5es muito interessantes.<\/p>\n<p>Eu diria ent\u00e3o que a institucionaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica engoliu os partidos. Tem exce\u00e7\u00e3o, tem movimentos novos, mas o que a gente nota \u00e9 que essas igrejas, que na verdade substitu\u00edram as comunidades de base, esses n\u00facleos do PT, que foram criados l\u00e1 no come\u00e7o dos anos 80, a CUT\u2026 Houve uma renova\u00e7\u00e3o no come\u00e7o dos anos 80, era tudo de bonito. Na verdade, essas igrejas fazem um trabalho em bairros onde o Estado n\u00e3o est\u00e1 presente. D\u00e3o apoio para as mulheres, principalmente; tentam dar apoio para tirar adolescentes das drogas.<\/p>\n<p>O \u00faltimo lugar que eu fui, foi para Niter\u00f3i [na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro], e vi o trabalho que as igrejas evang\u00e9licas est\u00e3o fazendo para dar esse suporte, esse apoio subjetivo para as mulheres, \u00e9 muito impressionante. Numa situa\u00e7\u00e3o de muita dificuldade. O transporte, a mobilidade, \u00e9 uma das coisas mais graves. O quanto o povo trabalhador sofre com a mobilidade nas nossas cidades, o quanto gasta. E a\u00ed, quando voc\u00ea n\u00e3o tem que trabalhar, quando voc\u00ea n\u00e3o tem que sair para ir ao m\u00e9dico, voc\u00ea vive o ex\u00edlio da periferia. Eu vi a mo\u00e7ada no Rio de Janeiro falar: \u201cErm\u00ednia, n\u00e3o tem \u00f4nibus no fim de semana. Se a gente n\u00e3o tivesse dinheiro, a gente n\u00e3o conseguiria sair do bairro\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o voc\u00ea pega tudo isso e pergunta: por que essa esquerda n\u00e3o entende que luta de classes n\u00e3o se d\u00e1 s\u00f3 na f\u00e1brica?\u00a0Quarenta por cento da nossa classe trabalhadora est\u00e1 no [trabalho] informal. O total da nossa classe trabalhadora sofre com a falta de mobilidade, de transporte. Sofre com a falta de seguran\u00e7a nos bairros. Sofre muito.<\/p>\n<p>Eu acho que a ortodoxia da esquerda, que ainda fica repetindo coisa que alimentou a luta em em 1917, tudo bem, repetir, \u00e9 preciso conhecer gente. Mas gente, por favor, mergulha na realidade! O identitarismo pode esvaziar a luta da esquerda? Pode. Como pode renovar.\u00a0Eu acho, enfim, que a quest\u00e3o urbana no Brasil, apesar da grande diversidade das cidades, \u00e9 fundamental para mudar a nossa realidade. Por causa do cotidiano da for\u00e7a de trabalho nas cidades.<\/p>\n<p><strong>O que a gente tem de perspectiva mais fact\u00edvel para mudar esse cen\u00e1rio, que parece desolador?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s ainda temos movimentos sociais interessantes, embora eu ache que h\u00e1 muito desconhecimento da sociedade brasileira, como um todo, das condi\u00e7\u00f5es urbanas, de vida. Eu tenho certeza absoluta que voc\u00ea tem que ter democracia local para resolver esses problemas. Voc\u00ea tem no Brasil 100 milh\u00f5es de pessoas sem coleta de esgoto. Para onde vai o esgoto? Muito do esgoto vai para a praia, para o c\u00f3rrego, para o rio. Consertar essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa r\u00e1pida.<\/p>\n<p>O nosso processo de urbaniza\u00e7\u00e3o foi muito veloz, muito r\u00e1pido. N\u00f3s t\u00ednhamos 10% da popula\u00e7\u00e3o nas cidades em 1910. Em 2000, n\u00f3s t\u00ednhamos 80%. E n\u00e3o \u00e9 Uruguai, Chile, Col\u00f4mbia, \u00e9 um pa\u00eds que tem 213 milh\u00f5es de habitantes. \u00c9 muita gente. Mas esse crescimento se deu\u00a0deixando grande parte fora das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Eu luto muito para que a gente consiga trazer de volta a democracia participativa, presencial, que \u00e9 outra coisa importante. A gente tamb\u00e9m tem condi\u00e7\u00f5es de debater, mas principalmente, de formar as crian\u00e7as, que v\u00e3o ser os adultos daqui 20 anos.<\/p>\n<p><strong>A\u00ed integra com as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m est\u00e3o precisando de uma melhoria.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o, cultura, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade. Tem algumas coisas que a gente podia cuidar muito bem, ou tentar cuidar muito bem, para que a gente pudesse ter uma gera\u00e7\u00e3o nova, daqui 20 anos, que mudasse o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Em 2024 provavelmente vai ser inevit\u00e1vel esse embate entre uma coaliz\u00e3o de centro-esquerda contra a extrema direita, n\u00e3o mais aquela direita tradicional que a gente meio que se acostumou. E a extrema direita quer s\u00f3 aprofundar essa ideologia neoliberal. Como\u00a0lidar com isso?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que a gente precisa fazer uma campanha para que todo mundo conhe\u00e7a melhor sua cidade. Uma campanha pela capilaridade do ativismo, essa coisa de voc\u00ea estar presente nos bairros. Eu criei uma rede que est\u00e1 presente no Brasil inteiro, que \u00e9 o BR Cidades. Agora, nas faculdades de arquitetura, n\u00f3s vamos ter hor\u00e1rio obrigat\u00f3rio de cursos de extens\u00e3o universit\u00e1ria. S\u00e3o cursos que v\u00e3o para a realidade, discutir projetos que at\u00e9 hoje n\u00e3o chegaram nas nos escrit\u00f3rios de arquitetura.<\/p>\n<p>O arquiteto participa da constru\u00e7\u00e3o de 17% das constru\u00e7\u00f5es no Brasil. \u00c9 como se fosse luxo. E agora o CAU [Conselho de Arquitetura e Urbanismo] do Rio Grande do Sul, est\u00e1 trabalhando a campanha \u201cNenhuma Casa Sem Banheiro\u201d. \u00c9 uma loucura! Se voc\u00ea se ver diante disso, voc\u00ea n\u00e3o vai ficar discutindo \u201cfirula\u201d. Tem 20 milh\u00f5es de pessoas no Brasil sem banheiro. Vamos resolver problemas prim\u00e1rios! Quantas casas em beira de c\u00f3rrego jogando esgoto dentro do c\u00f3rrego? E isso vai para os rios, na \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o dos mananciais, n\u00f3s temos essas vertentes, enfim.<\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 muito importante a gente conversar com as pessoas, fazer um trabalho que eu digo que \u00e9 paulofreiriano sobre a realidade local, e ligar, evidentemente, isso com uma realidade nacional e internacional. N\u00e3o d\u00e1 para ignorar. Inclusive acho muito importante discutir a conjuntura internacional, a conjuntura e a hist\u00f3ria do Brasil, que precisa ser melhor conhecida; e a hist\u00f3ria local, os problemas locais.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Elei\u00e7\u00f5es: Ocupar periferias e refor\u00e7ar o P\u00fablico &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/eleicoes-ocupar-periferias-e-reforcar-o-publico\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Erm\u00ednia Maricato &#8211; A esfera local \u00e9 chave para a esquerda reconectar-se com o ch\u00e3o de cidade, aponta urbanista. 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