{"id":20314,"date":"2024-02-02T12:37:21","date_gmt":"2024-02-02T15:37:21","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=20314"},"modified":"2024-01-28T20:39:04","modified_gmt":"2024-01-28T23:39:04","slug":"quem-deve-a-quem-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/02\/02\/quem-deve-a-quem-na-argentina\/","title":{"rendered":"Quem deve a quem na Argentina?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ver\u00f3nica Gago<\/strong> &#8211;\u00a0O ajuste n\u00e3o \u00e9 algo apenas no futuro, sobre o qual se pode prever seus impactos e calcular seus efeitos. O dram\u00e1tico do ajuste \u00e9 que ele se conjuga tamb\u00e9m no passado e no presente. A infla\u00e7\u00e3o, como sabemos, \u00e9 o ajuste por outros meios. O ajuste \u00e9 o que j\u00e1 aconteceu, o que est\u00e1 acontecendo e o que vir\u00e1.<\/p>\n<p>Por isso, falar do ajuste futuro \u00e9 entrar em terreno pantanoso. Antes, \u00e9 necess\u00e1rio partir de como se enfrenta o ajuste atual para s\u00f3 ent\u00e3o tentar pensar como a intensifica\u00e7\u00e3o dele afetar\u00e1 as estrat\u00e9gias cotidianas de sobreviv\u00eancia. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 mera continuidade: h\u00e1 uma mudan\u00e7a de intensidade e velocidade que pode ser decisiva em termos de legitimidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Resistir com d\u00edvida<\/strong><br \/>\nUma primeira forma difundida e praticada de resistir ao ajuste tem sido o endividamento dos lares. Ou seja, substituir ou complementar os rendimentos em queda livre com d\u00edvida. Isso n\u00e3o aconteceu de um dia para o outro. Como escrevi no Le Monde Diplomatique em junho de 2015, a expans\u00e3o do endividamento nos setores populares fez da d\u00edvida simultaneamente um contrapeso e um complemento \u00e0 precariedade laboral: \u201cum c\u00f3digo capaz de traduzir a heterogeneidade do mundo do trabalho (de trabalhos tempor\u00e1rios a microempreendimentos, de trabalhos formais por temporadas a atividades aut\u00f4nomas, de empregos formais que duram pouco a informais que podem se estabilizar) em rela\u00e7\u00f5es mais homog\u00eaneas entre credores e devedores\u201d.<\/p>\n<p>O dispositivo financeiro da d\u00edvida conseguiu o que antes o sal\u00e1rio fazia: homogeneizar o que, do ponto de vista das identidades laborais, se fragmentava e multiplicava sem fim. Claro que naquela \u00e9poca, no final do segundo governo de Cristina Kirchner, esse dinamismo do endividamento ocorria no contexto de formas de reativa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e de amplia\u00e7\u00e3o do consumo. Ocorria tamb\u00e9m gra\u00e7as a uma articula\u00e7\u00e3o pioneira \u2014 ainda em vigor \u2014 entre planos sociais e bancariza\u00e7\u00e3o individual dos benefici\u00e1rios, que colocava o Estado como garantidor final dessas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Essa foi uma das chaves para pensar o que chamei de \u201cneoliberalismo de baixo para cima\u201d, para explicar como o neoliberalismo se enra\u00edza nas subjetividades que, para progredir, s\u00e3o obrigadas a lutar em condi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, de despojo da infraestrutura p\u00fablica, e que, al\u00e9m disso, devem fazer isso sem capital. N\u00e3o ter estabilidade no emprego nem ter capital, mas querer progredir (ou seja, um progresso desvinculado do sal\u00e1rio e do capital), \u00e9 o que produziu a f\u00f3rmula que hoje se tornou um Minist\u00e9rio: o capital humano.<\/p>\n<p>Nesse desejo de prosperidade popular, de viver melhor, ocorre a composi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de elementos microempresariais com f\u00f3rmulas de autogest\u00e3o, que monta a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o e disputa de recursos estatais, vizinhais e comunit\u00e1rios na sobreposi\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos de parentesco, laborais e de lealdade ligados ao territ\u00f3rio. A din\u00e2mica neoliberal se conjuga de maneira problem\u00e1tica e efetiva com esse vitalismo persistente (expresso como desejo de prosperidade) que sempre se agarra \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de liberdades, prazeres e afetos. Isso me levou a rastrear como as no\u00e7\u00f5es de liberdade, c\u00e1lculo e obedi\u00eancia mudaram na vida cotidiana, projetando uma nova racionalidade e afetividade coletiva.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o essa digress\u00e3o para destacar o seguinte. Primeiro, entender que sobre essa subjetividade pol\u00edtica e produtiva \u00e9 que as finan\u00e7as aterrissaram e souberam reconhecer a capacidade de gest\u00e3o, esfor\u00e7o e vontade de progresso das pessoas. Esses fluxos de endividamento foram criando uma esp\u00e9cie de delta de irriga\u00e7\u00e3o por baixo, que depois permitiu responder ao ajuste do per\u00edodo macrista \u2014 algo que estava na oferta eleitoral de Macri em 2015 e que fez discurso pol\u00edtico com algo que hoje, com Javier Milei presidente, j\u00e1 parece senso comum: que o neoliberalismo \u00e9 uma forma de governar atrav\u00e9s do est\u00edmulo \u00e0s liberdades.<\/p>\n<p>As finan\u00e7as incorporadas \u00e0 precariedade constru\u00edram uma rede capilar capaz de fornecer financiamento privado car\u00edssimo para resolver problemas da vida cotidiana, derivados do ajuste e da infla\u00e7\u00e3o. Tudo isso, como eu dizia, se acentuou a partir da crise do \u00faltimo trecho do governo macrista.<\/p>\n<p>Como demonstramos com Luci Cavallero, a d\u00edvida se voltou para pagar alimentos, medicamentos e, a partir da pandemia de 2020, para bancar o aluguel. Com esta genealogia, quero destacar algo que \u00e9 fundamental para entender o passado e o presente do ajuste: as finan\u00e7as, atrav\u00e9s do endividamento, t\u00eam ajudado a evitar a escassez de outros momentos hist\u00f3ricos. Dito de forma mais direta: por que, em dezembro deste ano, em vez de saques aos supermercados, como em 2001, vimos filas de pessoas comprando? O contraste indica que a equa\u00e7\u00e3o escassez\/saque foi evitada gra\u00e7as a dois fatores: as redes financeiras, \u00e0s quais j\u00e1 nos referimos, e as redes da economia popular organizada.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o da economia popular que sustenta de modo organizado a reprodu\u00e7\u00e3o dos setores mais pobres \u00e9 outro fator que ajuda a entender como o ajuste tem sido suportado. A organiza\u00e7\u00e3o La Garganta Poderosa afirma que 10 milh\u00f5es de pessoas se alimentam gra\u00e7as aos restaurantes populares, mantidos principalmente pelo trabalho das cozinheiras comunit\u00e1rias que fazem milagres com recursos escassos.<\/p>\n<p>Ambas as redes se entrela\u00e7am. Como j\u00e1 mencionei, um exerc\u00edcio constante de endividamento e compra parcelada \u00e9 dedicado a alimentos, gerenciado atrav\u00e9s de uma variedade de cart\u00f5es de cr\u00e9dito, empr\u00e9stimos de carteiras virtuais e locais de cr\u00e9dito comunit\u00e1rio. A consolida\u00e7\u00e3o dos setores baixos e m\u00e9dios empobrecidos n\u00e3o \u00e9 novidade. Ficou evidente durante a pandemia, quando o Ingreso Familiar de Emergencia (IFE) foi demandado por muito mais pessoas do que originalmente previsto. A pandemia funcionou como um verdadeiro laborat\u00f3rio financeiro que explica muitas das din\u00e2micas que permitiram atravessar o ajuste durante o governo de Alberto Fern\u00e1ndez. Citando algum fil\u00f3sofo do dinheiro: at\u00e9 quando a d\u00edvida conseguir\u00e1 gerenciar a paci\u00eancia do empobrecimento?<\/p>\n<p><strong>Todos somos propriet\u00e1rios<\/strong><br \/>\nA d\u00edvida interpela esse conjunto de trabalhadores empobrecidos. Fala com eles enquanto consumidores livres. Ativa um senso de poder e produtividade, n\u00e3o de pessoas a serem \u201cajudadas\u201d ou \u201csubsidiadas\u201d. Enquanto o mundo do trabalho \u2014 e da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2014 muitas vezes n\u00e3o reconhece o atributo da liberdade e propriedade sobre si mesmos (s\u00e3o subtrabalhadores ou trabalhadores subsidiados, n\u00e3o registrados como tais), as finan\u00e7as o fazem. Portanto, essa subjetiva\u00e7\u00e3o financeira antecipa e treina o que uma direita mais vers\u00e1til saber\u00e1 convocar nesses mesmos setores: a no\u00e7\u00e3o de liberdade e formas de propriedade que se afirmam em contextos de despojo.<\/p>\n<p>A d\u00edvida, articulada ao impulso do empreendedorismo (condi\u00e7\u00e3o totalmente compat\u00edvel com o trabalho subsidiado), permite aos trabalhadores de plataformas (desde feirantes virtuais at\u00e9 entregadores), por exemplo, comprar seus meios de produ\u00e7\u00e3o (comunica\u00e7\u00e3o e transporte): celulares, bicicletas, motos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se inverte. Os trabalhadores precisam ser propriet\u00e1rios dos meios com os quais produzem. Claro, estamos falando de meios baratos usados especialmente no setor de servi\u00e7os ou em espa\u00e7os de venda informal e cooperativa. Mas, ainda assim, trata-se de uma modalidade que se expande pelos setores mais empobrecidos, que se potencializou durante a pandemia e que tamb\u00e9m atinge os setores m\u00e9dios: por exemplo, com os cr\u00e9ditos aos professores para comprar computadores e trabalhar em home office. A aquisi\u00e7\u00e3o desses meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as, mais uma vez, ao endividamento, contendo sob um esquema propriet\u00e1rio (serei dono do que compro) a desapropria\u00e7\u00e3o radical.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre quando somos obrigados a monetizar propriedades preexistentes sob uma l\u00f3gica de ajuste: o quarto n\u00e3o utilizado (ou \u201csubutilizado\u201d) que pode ser alugado em uma plataforma imobili\u00e1ria de aluguel tempor\u00e1rio ou o carro que pode se tornar um Uber. O ajuste \u00e9, para uma subjetividade j\u00e1 treinada em anos de neoliberalismo, um mandato de otimiza\u00e7\u00e3o e monetariza\u00e7\u00e3o de recursos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcio<\/strong><br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o sobre a causa da infla\u00e7\u00e3o, que por sua vez explica o ajuste, \u00e9 uma batalha pol\u00edtica. \u00c0s explica\u00e7\u00f5es monetaristas cl\u00e1ssicas, centradas na emiss\u00e3o monet\u00e1ria, costumam-se somar argumentos conservadores que caracterizam a infla\u00e7\u00e3o como uma doen\u00e7a ou mal moral da economia. Ou seja, n\u00e3o se trata apenas de explica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e economicistas, mas de argumentos relacionados \u00e0s expectativas de como viver, consumir e trabalhar.<\/p>\n<p>Por exemplo, o soci\u00f3logo estadunidense Daniel Bell afirmou que a ruptura da ordem dom\u00e9stica da fam\u00edlia tradicional era a principal causa da infla\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1970. Tamb\u00e9m Paul Volcker, chefe do Federal Reserve dos Estados Unidos entre 1979 e 1987, conhecido por sua proposta de disciplinamento da classe trabalhadora como m\u00e9todo contra a infla\u00e7\u00e3o, introduziu o tema como uma \u201cquest\u00e3o moral\u201d.<\/p>\n<p>Para aprofundar esse tipo de explica\u00e7\u00f5es morais sobre o problema da infla\u00e7\u00e3o, a pesquisadora australiana Melinda Cooper dedicou-se a estudar como neoliberais e conservadores criticaram com especial virul\u00eancia, no contexto de suas cr\u00edticas aos gastos do Estado, um programa de apoio a m\u00e3es afro-americanas solteiras. Por que eles se enfureciam com um programa de baixo or\u00e7amento? A resposta \u00e9 que esse subs\u00eddio expressava a desobedi\u00eancia \u00e0s expectativas morais de suas benefici\u00e1rias. As m\u00e3es afro-americanas solteiras produziam uma imagem que n\u00e3o se encaixava na ideia da fam\u00edlia tradicional. Do ponto de vista conservador, aqueles que recebiam o subs\u00eddio eram \u201cpremiados\u201d por sua decis\u00e3o de ter filhos fora da conviv\u00eancia heteronormativa. A infla\u00e7\u00e3o refletia a infla\u00e7\u00e3o de suas expectativas sobre o que fazer de suas vidas, sem nenhuma contrapresta\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ao argumento neoliberal cl\u00e1ssico de que a infla\u00e7\u00e3o se deve ao \u201cexcesso\u201d de gasto p\u00fablico e ao aumento dos sal\u00e1rios por press\u00e3o sindical, os conservadores adicionam uma tor\u00e7\u00e3o: a infla\u00e7\u00e3o marca um deslocamento qualitativo do que \u00e9 desejado, dos modos de vida leg\u00edtimos. Mais recentemente, ambos os argumentos se aliaram de forma decisiva.<\/p>\n<p>Apenas entendendo a for\u00e7a moral com que a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 investida (uma esp\u00e9cie de castigo das for\u00e7as celestiais) \u00e9 que se permite seu descontrole como \u00faltima cena de sacrif\u00edcio e purifica\u00e7\u00e3o. Este ponto crucial tenta sustentar a \u201ccruzada inflacion\u00e1ria\u201d de Milei, suas promessas de encerr\u00e1-la e apontar para a dolariza\u00e7\u00e3o como projeto final.<\/p>\n<p><strong>O choque que se avizinha<\/strong><br \/>\nAs formas de conten\u00e7\u00e3o diante do ajuste passado e presente \u2014 capilariza\u00e7\u00e3o financeira, economia popular organizada e monetiza\u00e7\u00e3o de recursos preexistentes \u2014 parecem prestes a colapsar diante do n\u00edvel de virul\u00eancia dos aumentos de pre\u00e7os que dispararam desde que Milei assumiu o governo.<\/p>\n<p>Diz\u00edamos que o ajuste n\u00e3o \u00e9 novidade porque j\u00e1 foi terreno f\u00e9rtil para a modifica\u00e7\u00e3o da subjetividade pol\u00edtica (\u201ca sociedade ajustada\u201d, como a chama o coletivo Juguetes Perdidos). Agora, com a desregulamenta\u00e7\u00e3o completa proposta pelo Decreto, n\u00e3o estamos apenas diante de uma mudan\u00e7a quantitativa (em n\u00fameros e velocidade) do ajuste, mas tamb\u00e9m qualitativa. Sobretudo porque se expressa como um projeto pol\u00edtico, ao qual chamamos de \u201ca vingan\u00e7a dos donos\u201d. Uma maneira de \u201csincronizar\u201d, contra a conten\u00e7\u00e3o propriet\u00e1ria nas camadas sociais mais baixas, quem s\u00e3o os verdadeiros donos.<\/p>\n<p>A escolha da data de 20 de dezembro [quando, em 2001, o governo argentino reprimiu com for\u00e7a manifestantes que protestavam contra o corralito] para anunciar o Decreto n\u00e3o \u00e9 casual. Augusto Pinochet anunciou a privatiza\u00e7\u00e3o do sistema de aposentadorias em 1\u00ba de maio, destacando o car\u00e1ter de revanche hist\u00f3rica. Carlos Menem assinou seu decreto limitando o direito de greve em 17 de outubro [Dia da Lealdade na Argentina]. Acontece que o ajuste atual tem como objetivo uma modifica\u00e7\u00e3o radical das formas de vida, algo que j\u00e1 vem ocorrendo, como demonstra o sucesso das propostas de Milei. Mesmo assim, a l\u00f3gica da explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ceder \u00e0 l\u00f3gica da justifica\u00e7\u00e3o. As muta\u00e7\u00f5es no n\u00edvel da subjetividade pol\u00edtica n\u00e3o se traduzem de maneira est\u00e1vel. Elas n\u00e3o s\u00e3o ontologicamente de direita.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 se o ajuste atual poder\u00e1 ser enfrentado, como no passado, com o endividamento futuro nas casas, sustentado puramente pelo trabalho comunit\u00e1rio e redes emergenciais. O cansa\u00e7o que Milei soube canalizar, envolto em promessas de estabiliza\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o aos que enriquecem sem trabalhar, pode voltar-se contra ele na medida em que o ajuste torne imposs\u00edvel a sobreviv\u00eancia dos que o elegeram. Se isso acontecer, apenas os verdadeiros donos ser\u00e3o leais a Milei, para quem essa desregulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente a tomada do poder como nunca imaginaram.<\/p>\n<p><strong>Ver\u00f3nica Gago<\/strong> \u00e9 doutora em ci\u00eancias sociais, professora da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Universidade de San Mart\u00edn (Unsam) e pesquisadora do Consejo Nacional de Investigaciones Cient\u00edficas y T\u00e9cnicas (CONICET). Tem colaborado com as experi\u00eancias de pesquisa militante do Coletivo Situaciones, al\u00e9m de fazer parte do Coletivo Ni Una Menos, que luta contra o feminic\u00eddio na Am\u00e9rica Latina. Pela Editora Elefante, lan\u00e7ou A raz\u00e3o neoliberal: economias barrocas e pragm\u00e1tica popular(2018), A pot\u00eancia feminista (2020) e Quem deve a quem? Ensaios transnacionais de desobedi\u00eancia financeira.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Quem deve a quem na Argentina? &#8211; Editora Elefante &#8211; https:\/\/editoraelefante.com.br\/quem-deve-a-quem-na-argentina\/?utm_source=Not%C3%ADcias+da+Editora+Elefante&amp;utm_campaign=418b1d4903-EMAIL_CAMPAIGN_2024_01_23_06_01&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_-418b1d4903-%5BLIST_EMAIL_ID%5D&amp;goal=0_3b69653244-418b1d4903-151449053&amp;mc_cid=418b1d4903&amp;mc_eid=0ac7cd7efd<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ver\u00f3nica Gago &#8211;\u00a0O ajuste n\u00e3o \u00e9 algo apenas no futuro, sobre o qual se pode prever seus impactos e calcular seus efeitos. O dram\u00e1tico do ajuste \u00e9 que ele se conjuga tamb\u00e9m no passado e no presente. A infla\u00e7\u00e3o, como sabemos, \u00e9 o ajuste por outros meios. 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