{"id":20297,"date":"2024-01-22T12:04:38","date_gmt":"2024-01-22T15:04:38","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=20297"},"modified":"2024-01-20T18:07:19","modified_gmt":"2024-01-20T21:07:19","slug":"por-que-o-neoliberalismo-em-crise-ainda-sobrevive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2024\/01\/22\/por-que-o-neoliberalismo-em-crise-ainda-sobrevive\/","title":{"rendered":"Por que o neoliberalismo, em crise, ainda sobrevive?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Juarez Guimar\u00e3es &#8211; <\/strong>Regime, que emerge nos anos 1970, n\u00e3o busca legitimidade na democracia. Pelo contr\u00e1rio, blinda institui\u00e7\u00f5es contra a decis\u00e3o das maiorias. Por isso, est\u00e1 t\u00e3o associado ao neofascismo. Foi esta transforma\u00e7\u00e3o que Foucault n\u00e3o compreendeu.<\/p>\n<p>Em meio a uma crise sist\u00eamica, da globaliza\u00e7\u00e3o e do\u00a0<em>hegemon<\/em>\u00a0norte-americano, de sucessivas fal\u00eancias financeiras e de curto circuitos em seu dinamismo econ\u00f4mico, de instabilidade pol\u00edtica e perda de credibilidade de suas raz\u00f5es, o capitalismo neoliberal tem conseguido sobreviver e se reproduzir no s\u00e9culo XXI. Por que?<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o, decerto, diz respeito a uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as ainda largamente desfavor\u00e1vel \u00e0s classes trabalhadoras no plano internacional, a partir de uma grande ofensiva capitalista iniciada nos anos oitenta do s\u00e9culo passado e que at\u00e9 hoje ainda n\u00e3o foi invertida. Outra apontaria que ainda n\u00e3o se produziu com credibilidade, legitimidade e um m\u00ednimo de estabilidade uma alternativa ao capitalismo neoliberal, lembrando que um paradigma em crise permanece enquanto n\u00e3o for superado e n\u00e3o apenas criticado.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma outra raz\u00e3o, que pesa sobre a pr\u00f3pria altera\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e sobre a produ\u00e7\u00e3o de alternativas ao neoliberalismo, que diz respeito ao pr\u00f3prio limite do entendimento do que vem a ser o neoliberalismo. Este limite tem rela\u00e7\u00e3o central com a pr\u00f3pria g\u00eanese dos estudos sobre o neoliberalismo, que vinha de uma matriz da cr\u00edtica \u00e0 economia pol\u00edtica neoliberal e dos semin\u00e1rios dados por Michael Foucault no\u00a0<em>Coll\u00e8ge de France<\/em>\u00a0nos anos de 1978 e 1979. Ambos careciam de um conceito pol\u00edtico do neoliberalismo, em particular das profundas mudan\u00e7as que ele provocou no regime dos Estados liberais.<\/p>\n<p><strong>Conquistas e limites de Michael Foucault<\/strong><\/p>\n<p>Os estudos sobre neoliberalismo devem \u00e0 raz\u00e3o cr\u00edtica, livre e selv\u00e1tica, de Michael Foucault a identifica\u00e7\u00e3o de uma muta\u00e7\u00e3o em curso no interior do pr\u00f3prio campo liberal, ainda invis\u00edvel e em processo de expans\u00e3o para o centro desta tradi\u00e7\u00e3o. Ali estava se produzindo uma altera\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio conceito de liberdade, pensado agora como ontol\u00f3gico a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e reprodu\u00e7\u00e3o da vida mercantil, deslocando o conceito cl\u00e1ssico de liberdade no liberalismo. Agora n\u00e3o se tratava de regular negativamente a expans\u00e3o do Estado pelos direitos do\u00a0<em>homo economicus<\/em>\u00a0liberal, delimitando e interditando o seu espa\u00e7o de interven\u00e7\u00e3o, mas de criar uma nova raz\u00e3o expansiva que deveria organizar n\u00e3o apenas o pr\u00f3prio Estado, mas toda a vida social. Esta nova raz\u00e3o buscava modelar a pr\u00f3pria sociedade a partir de uma modalidade empresarial e a pr\u00f3pria personalidade dos indiv\u00edduos, sua forma\u00e7\u00e3o e modos de vida, a partir de sua compreens\u00e3o como um capital humano em acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro grande m\u00e9rito de Michael Foucault est\u00e1 em historicizar a forma\u00e7\u00e3o do ordoliberalismo alem\u00e3o desde os anos vinte do s\u00e9culo passado, a partir das suas rela\u00e7\u00f5es com a Escola de Viena, como rea\u00e7\u00e3o liberal \u00e0 emerg\u00eancia e aos impasses da Rep\u00fablica de Weimar. Esta tradi\u00e7\u00e3o, criada por economistas e juristas alem\u00e3es como Walter Eucken, William Ropke, Alexander Rustow e Franz Bohm, fazia a cr\u00edtica do\u00a0<em>laissez-faire<\/em>, da concep\u00e7\u00e3o de um funcionamento da economia de mercado sem um Estado forte que a normatizasse, garantisse suas regras e atuasse sobre suas din\u00e2micas hostis \u00e0 concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Prevalecente no p\u00f3s-guerra alem\u00e3o, ela se constituiria como uma alternativa ao keynesianismo dominante na \u00e9poca e levaria a uma subordina\u00e7\u00e3o do Partido Social-Democrata alem\u00e3o a seu paradigma, constituindo um cap\u00edtulo importante e decisivo para a hist\u00f3ria futura da Europa. Seria exatamente esta tradi\u00e7\u00e3o neoliberal alem\u00e3 que estaria no centro do processo de unifica\u00e7\u00e3o europeia nas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n<p>Michael Foucault diferencia, com raz\u00e3o, este ordoliberalismo, associado \u00e0 Escola de Freiburg, da emerg\u00eancia do neoliberalismo nos Estados Unidos, onde h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o menos estatista e onde uma nova raz\u00e3o mercantil pode se desenvolver mais plenamente como reguladora do Estado e como organizadora da vida social.<\/p>\n<p>O neoliberalismo norte-americano, se formaria na cr\u00edtica ao\u00a0<em>New Deal<\/em>, e nos anos cinquenta incorporaria uma vis\u00e3o que atribu\u00eda um sentido virtuoso \u00e0 pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios, como fruto de ganhos competitivos em tecnologia e produtividade. O que Michael Foucault, ent\u00e3o, registra \u00e9 a tens\u00e3o entre estas duas tradi\u00e7\u00f5es que convergem para a necessidade de uma refunda\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o liberal contra o liberalismo social ou keynesiano e as amea\u00e7as do socialismo.<\/p>\n<p>Neste esfor\u00e7o de produzir um estudo da genealogia das rela\u00e7\u00f5es entre saber e poder, podemos identificar uma grave falha conceitual, uma leitura ainda incompleta da muta\u00e7\u00e3o do conceito de liberdade na tradi\u00e7\u00e3o liberal, a aus\u00eancia ainda de uma hist\u00f3ria de como estas ideias se vincularam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de poderes pol\u00edticos com dimens\u00f5es geopol\u00edticas mundiais. E, ainda, a barreira de uma cr\u00edtica vulgar a Marx que o impede de ver como o neoliberalismo \u00e9 org\u00e2nico \u00e0 din\u00e2mica do capitalismo em sua crise de \u00e9poca e em suas atualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O principal d\u00e9ficit conceitual de Michael Foucault, expressivo de sua trajet\u00f3ria de um estruturalismo a uma concep\u00e7\u00e3o da microf\u00edsica do poder, \u00e9 a aus\u00eancia de um conceito de Estado, decisivo para a compreens\u00e3o do que \u00e9 o neoliberalismo. Michael Foucault trabalha centralmente com o conceito de governamentalidade, chegando a definir no semin\u00e1rio de 31 de janeiro de 1979 o Estado como sendo \u201co efeito m\u00f3vel de um regime de governamentalidades m\u00faltiplas\u201d. O neoliberalismo seria, ent\u00e3o, para ele um novo regime de governamentalidade.<\/p>\n<p>Ora, faz falta aqui a distin\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da filosofia pol\u00edtica entre Estado (que envolve centralmente a dimens\u00e3o da soberania e um princ\u00edpio de legitima\u00e7\u00e3o desta soberania), regime (que diz respeito aos diferentes modos de exerc\u00edcio e reprodu\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico, das diversas combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre coer\u00e7\u00e3o e consenso) e governo (que diz respeito ao exerc\u00edcio atualizado do poder no interior das regras e pactos constitu\u00eddos por um regime). Certamente o neoliberalismo \u00e9 mais do que uma governamentalidade, uma racionalidade de governo: \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio regime do Estado liberal, uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de exerc\u00edcio e reprodu\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico, em particular, uma altera\u00e7\u00e3o regressiva de suas dimens\u00f5es democr\u00e1ticas e republicanas.<\/p>\n<p>A leitura incompleta da muta\u00e7\u00e3o do conceito de liberdade que est\u00e1 em curso na g\u00eanese do neoliberalismo diz respeito \u00e0 aus\u00eancia de uma an\u00e1lise mais detida dos cap\u00edtulos iniciais do livro\u00a0<em>A constitui\u00e7\u00e3o da liberdade<\/em>\u00a0(1960), de Friedrich Hayek. Se \u00e9 certo que a identifica\u00e7\u00e3o da liberdade como somente ontologicamente poss\u00edvel no mundo mercantil \u00e9 central para Friedrich Hayek, n\u00e3o \u00e9 menos importante a sua desvincula\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de autogoverno ou de soberania popular, que marca o sentido anti-democr\u00e1tico e anti-republicano de raiz do neoliberalismo. Ainda, se o liberalismo do s\u00e9culo XIX j\u00e1 expressava a tens\u00e3o entre liberdade e igualdade, em Friedrich Hayek a linguagem liberal j\u00e1 faz o elogio aberto da desigualdade como intrinsecamente vinculada \u00e0 aventura da liberdade no mundo mercantil.<\/p>\n<p>O passo importante de Michael Foucault em estudar e demonstrar a g\u00eanese das ideias neoliberais e o modo como formou a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Alemanha no p\u00f3s-guerra foi completado de um modo decisivo com o livro\u00a0<em>The Road from Mont Pel\u00e8rin; The Making of the Neoliberal Thought Collective<\/em>, editado por Philip Mirowski &amp; Dieter Plehwe em 2009. Este livro identifica a centralidade de Friedrich Hayek e da sociedade Mont Pell\u00e8rin para constru\u00ed uma converg\u00eancia hist\u00f3rica poss\u00edvel entre o neoliberalismo norte-americano e o ordoliberalismo, na forma\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o unificada em seu pluralismo. Falta ainda a este livro, no entanto, uma identifica\u00e7\u00e3o de como este pensamento coletivo tornou-se org\u00e2nico ao poder pol\u00edtico, tendo como epicentro o Estado norte-americano.<\/p>\n<p>Enfim, o modo vulgar como Michael Foucault se refere ao marxismo no Semin\u00e1rio final de 4 de abril de 1979 n\u00e3o deixa tamb\u00e9m de marcar o limite deste importante autor. Pois quem faz cr\u00edtica vulgar, vulgariza o seu pr\u00f3prio pensamento. Todo um rico campo de an\u00e1lise da cr\u00edtica do capital feita por Marx, incontorn\u00e1vel para o estudo do neoliberalismo, fica esterilizado por esta vulgar cr\u00edtica de Foucault.<\/p>\n<p><strong>Um novo regime do Estado liberal<\/strong><\/p>\n<p>Quando Joseph Stiglitz em 2008\u00a0<strong>\u2013<\/strong>\u00a0na eclos\u00e3o da grande crise financeira internacional \u2013 prognosticou o fim do neoliberalismo, ele provavelmente partia de um senso comum que atribu\u00eda a ele o sentido de ser uma certa orienta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de governo. Mas a crise do neoliberalismo foi enfrentada a partir dos modos de regula\u00e7\u00e3o, pelas institui\u00e7\u00f5es e novas regras do exerc\u00edcio do poder criadas pelo pr\u00f3prio neoliberalismo. A crise do capitalismo neoliberal levou, ent\u00e3o, a um aprofundamento do pr\u00f3prio regime neoliberal, do seu sentido anti-democr\u00e1tico e anti-republicano, como ficou claro nas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n<p>Quando Wendy Brown escreveu os seus referenciais\u00a0<em>Desfazendo o demos. A revolu\u00e7\u00e3o discreta do neoliberalismo<\/em>\u00a0(2015) e\u00a0<em>Nas ru\u00ednas do neoliberalismo. A ascens\u00e3o da pol\u00edtica autorit\u00e1ria no Ocidente<\/em>\u00a0(2019), livros inspirados originalmente por Foucault e que procuram mapear as macro-dimens\u00f5es pol\u00edticas do desenvolvimento neoliberal, ela ainda carece de um tratamento conceitual do neoliberalismo como um novo regime de Estado neoliberal. Se \u00e9 verdade que o neoliberalismo destr\u00f3i o demos democr\u00e1tico, ele constr\u00f3i um novo regime anti-democr\u00e1tico e anti-republicano. N\u00e3o s\u00e3o propriamente nas ru\u00ednas do neoliberalismo em que se desenvolvem fen\u00f4menos autorit\u00e1rios e protofascistas mas como express\u00e3o mesmo de seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Este novo regime do Estado liberal, que \u00e9 o neoliberalismo, \u00e9 fundamental para explicar porque ele \u00e9 resiliente e se reproduz mesmo em sua crise. E poderia ser assim caracterizado.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a constru\u00e7\u00e3o de uma meta legalidade n\u00e3o submetida ao controle democr\u00e1tico, como bancos centrais independentes ou aut\u00f4nomos, regimes de austeridade fiscal que se imp\u00f5em aos escrut\u00ednios eleitorais, cria\u00e7\u00e3o de regimes contratuais regulados por \u00f3rg\u00e3os superiores, insulamento burocr\u00e1tico de \u00f3rg\u00e3os decisivos de decis\u00e3o econ\u00f4mica, ades\u00e3o a tratados ou organismos internacionais que se imp\u00f5em \u00e0s soberanias nacionais.<\/p>\n<p>Este regime pol\u00edtico, como nos prop\u00f5e Bob Jessop, organiza um novo regime de acumula\u00e7\u00e3o capitalista, centrado na hegemonia dos setores financeiros do capital, imprimindo uma dimens\u00e3o global de financeiriza\u00e7\u00e3o aos ciclos capitalistas.<\/p>\n<p>O novo regime neoliberal de Estado conduz a um severo encolhimento do direito p\u00fablico, da esfera p\u00fablica, dos bens p\u00fablicos em prol de uma expans\u00e3o inaudita do direito privado, da privatiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, da forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o e do debate democr\u00e1tico, al\u00e9m de privatizar a propriedade e gest\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Conduz inevitavelmente a uma crise das dimens\u00f5es republicanas da democracia, da pr\u00f3pria capacidade das democracias em institucionalizar e processar os conflitos.<\/p>\n<p>Por fim, este novo regime neoliberal de Estado expande as suas dimens\u00f5es coercitivas e de repress\u00e3o na mesma propor\u00e7\u00e3o que impede o desenvolvimento e corr\u00f3i a expans\u00e3o dos direitos democr\u00e1ticos e sociais.<\/p>\n<p>Quando candidatos com plataformas antineoliberais vencem elei\u00e7\u00f5es \u00e9 contra este regime neoliberal de Estado que t\u00eam de governar. E o grau em que enfrentam ou s\u00e3o capazes de transformar, e n\u00e3o se conformar a estes regimes, define a pr\u00f3pria aplica\u00e7\u00e3o de seus programas legitimados pelo voto das maiorias e, enfim, a sua pr\u00f3pria identidade e futuro.<\/p>\n<p><strong>*Juarez Guimar\u00e3es<\/strong><em>\u00a0\u00e9 professor de ci\u00eancia pol\u00edtica na UFMG. Autor, entre outros livros, de<\/em>\u00a0Democracia e marxismo: Cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o liberal\u00a0<em>(Xam\u00e3<\/em><em>).<\/em><\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Por que o neoliberalismo, em crise, ainda sobrevive? &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/por-que-o-neoliberalismo-em-crise-ainda-sobrevive\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juarez Guimar\u00e3es &#8211; Regime, que emerge nos anos 1970, n\u00e3o busca legitimidade na democracia. Pelo contr\u00e1rio, blinda institui\u00e7\u00f5es contra a decis\u00e3o das maiorias. Por isso, est\u00e1 t\u00e3o associado ao neofascismo. Foi esta transforma\u00e7\u00e3o que Foucault n\u00e3o compreendeu. 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