{"id":20223,"date":"2023-12-28T12:24:40","date_gmt":"2023-12-28T15:24:40","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=20223"},"modified":"2023-12-22T11:28:27","modified_gmt":"2023-12-22T14:28:27","slug":"ecossocialismo-e-decrescimento-agora-juntos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/12\/28\/ecossocialismo-e-decrescimento-agora-juntos\/","title":{"rendered":"Ecossocialismo e Decrescimento: agora juntos?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marcos Barbosa de Oliveira &#8211; <\/strong>Por muito tempo, dois movimentos que enfrentam a crise ambiental, a partir de uma perspectiva de esquerda, enfatizaram mais as discord\u00e2ncias rec\u00edprocas que a a\u00e7\u00e3o comum. Quais s\u00e3o estes pontos de atrito. Por que \u00e9 poss\u00edvel super\u00e1-los.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/12\/26\/pib-historia-de-um-indice-zumbi\/\">Leia o texto 1.<\/a><\/p>\n<p>0 termo \u201cdecrescimento\u201d, no t\u00edtulo desta se\u00e7\u00e3o, e em muitas passagens a seguir, \u00e9 usado no lugar do que seria mais adequado como nome de um movimento, a saber, \u201cdecrescimentismo\u201d. Essa quest\u00e3o terminol\u00f3gica ser\u00e1 discutida mais tarde. Isso posto, partimos da ideia de que o\u00a0<em>decrescimento<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>ecossocialismo<\/em>\u00a0s\u00e3o os dois principais movimentos de esquerda no enfrentamento da crise ambiental.<sup><a id=\"sdfootnote1anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote1sym\">1<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Numa primeira interpreta\u00e7\u00e3o, muito esquem\u00e1tica, a ideia-chave do decrescimento consiste numa simples invers\u00e3o de valores: se a valoriza\u00e7\u00e3o do crescimento \u00e9 delet\u00e9ria por fomentar a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es da vida humana na Terra, ent\u00e3o o que deve ser valorizado \u00e9 o decrescimento. Do outro lado, temos a ideia-chave do ecossocialismo: se o capitalismo s\u00f3 funciona bem quando cresce, e o crescimento permanente leva ao colapso ambiental, ent\u00e3o para evit\u00e1-lo o capitalismo deve ser superado por outra forma \u2012 sustent\u00e1vel, justa e eficiente \u2012 de organiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p>Apesar dessa diferen\u00e7a na base, os dois movimentos t\u00eam muito em comum, o suficiente para sugerir a conveni\u00eancia de uma colabora\u00e7\u00e3o, ou mesmo uma fus\u00e3o de um com o outro. Durante muito tempo, entretanto, o que predominou entre eles foi a cr\u00edtica radical m\u00fatua, fazendo com que a perspectiva de associa\u00e7\u00e3o nem se colocasse. Um dos mais influentes ecossocialistas, John Bellamy Foster, por exemplo, considerando as ideias de Serge Latouche representativas do projeto europeu do decrescimento, sustenta que s\u00e3o minadas por contradi\u00e7\u00f5es, resultantes n\u00e3o do conceito de decrescimento\u00a0<em>per se<\/em>, mas da tentativa de contornar a quest\u00e3o do capitalismo. Segundo Foster, Latouche defende a manuten\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es fundamentais do capitalismo, e, num esp\u00edrito assumidamente reformista, apenas as reenquadra, de acordo com princ\u00edpios diferentes (Foster, 2011). Latouche, por outro lado, atacando as posi\u00e7\u00f5es anticapitalistas, alega que \u201ca elimina\u00e7\u00e3o dos capitalistas e a extin\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado, da moeda e da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o mergulharia a sociedade no caos. Traria terrorismo em larga escala [!]\u201d (Latouche, 2006, p. 3). Cf. Latouche, 2009, p. 126-132).<\/p>\n<p>Outro destacado ecossocialista, Michael L\u00f6wy, criticou o decrescimento por ser voluntarista, propondo medidas draconianas de austeridade que, por serem impopulares, levam alguns adeptos a aventar a ideia de uma \u201cditadura ecol\u00f3gica\u201d. A cr\u00edtica mais profunda, a nosso ver, \u00e9 a de que o decrescimento envolve \u201cuma concep\u00e7\u00e3o puramente\u00a0<em>quantitativa<\/em>\u00a0do \u2018crescimento\u2019 \u2012 positivo ou negativo \u2012 e do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas\u201d. Defendendo \u201cuma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o\u00a0<em>qualitativa<\/em>\u00a0do desenvolvimento\u201d, L\u00f6wy preconiza o fim da produ\u00e7\u00e3o de produtos in\u00fateis e\/ou danosos, da obsolesc\u00eancia programada, da publicidade, etc. (L\u00f6wy, 2014, p. 89). (Voltaremos \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o quantitativo\/qualitativo a seguir.)<\/p>\n<p>Mais recentemente, entretanto, come\u00e7am a se ouvir vozes, entre os ecossocialistas, buscando uma aproxima\u00e7\u00e3o com os partid\u00e1rios do decrescimento. A estrat\u00e9gia consiste em modificar os princ\u00edpios dos dois movimentos, tendo em vista a converg\u00eancia: Por um lado, os ecossocialistas reconhecem a o imperativo do decrescimento, por outro, os decrescimentistas aceitam a necessidade da supera\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Uma contribui\u00e7\u00e3o importante nesse sentido \u00e9 o livro de Kohei Saito (2022), em que ele prop\u00f5e\u00a0<em>degrowth communism<\/em>\u00a0(comunismo de decrescimento) como nome para os movimentos assim reformulados e unificados. Al\u00e9m dessa proposta, com base numa leitura dos manuscritos de Marx editados e publicados pelo segundo projeto MEGA (<em>Marx and Engels Gesamtausgabe<\/em>), Saito defende a tese de que Marx foi um \u201ccomunista de decrescimento\u201d\u00a0<em>avant la lettre<\/em>.<\/p>\n<p>Outra iniciativa dessa natureza \u00e9 o manifesto publicado na\u00a0<em>Monthly Review<\/em>, \u201cFor an ecosocialist degrowth\u201d (L\u00f6wy\u00a0<em>et al<\/em>., 2022). Como o t\u00edtulo deixa claro, o nome proposto para movimento unificado, em portugu\u00eas, em vez de \u201ccomunismo de decrescimento\u201d \u00e9 \u201cdecrescimento ecossocialista\u201d.<\/p>\n<p>No presente trecho final deste ensaio, embora n\u00e3o pretenda dar por encerrada a quest\u00e3o, vou relacionar tr\u00eas fatores que a meu ver dificultam uma associa\u00e7\u00e3o entre os dois movimentos, do ponto de vista do ecossocialismo.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, concordando com a cr\u00edtica de L\u00f6wy mencionada acima, considero que o conceito de decrescimento \u00e9 dotado de uma natureza essencialmente quantitativa, em particular quando se refere, impl\u00edcita ou explicitamente, ao crescimento do PIB. Ora, todas as disfuncionalidades do PIB enquanto medida do bem estar da popula\u00e7\u00e3o expostas nas se\u00e7\u00f5es anteriores com certeza pesam contra a ado\u00e7\u00e3o de seu decrescimento (ou crescimento) enquanto m\u00e9todo para o aperfei\u00e7oamento da forma de organiza\u00e7\u00e3o social. Segundo Latouche (2023, p. 54), \u201cPara conceber uma sociedade de decrescimento, temos, portanto, literalmente, de sair da economia.\u201d A nosso ver, Latouche n\u00e3o se d\u00e1 conta de que \u201csair da economia\u201d deve envolver descartar os componentes fundamentais do sistema capitalista, como s\u00e3o, de fato, o PIB e os significados a ele associados, h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas.<sup><a id=\"sdfootnote2anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote2sym\">2<\/a><\/sup><\/p>\n<p>O segundo fator diz respeito ao matem\u00e1tico e economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994) (abreviadamente, a seguir, GR). Sua contribui\u00e7\u00e3o mais importante no campo das rela\u00e7\u00f5es entre as atividades econ\u00f4micas e o meio ambiente \u00e9 o livro\u00a0<em>The entropy law and the economic process<\/em>\u00a0(GR, 1971), cuja tese central consiste na interpreta\u00e7\u00e3o da impossibilidade do crescimento permanente da economia enquanto decorr\u00eancia da segunda lei da Termodin\u00e2mica (a chamada Lei da Entropia)<sup><a id=\"sdfootnote3anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote3sym\">3<\/a><\/sup>. Essa tese, e outras facetas da obra de GR, tiveram grande aceita\u00e7\u00e3o entre os pensadores que, mais tarde, vieram a organizar o movimento decrescimentista, atribuindo a GR o papel de fundador (apesar de ele n\u00e3o ter usado o termo). Como diz Sutter (2017, p.52):<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O lugar de GR na tradi\u00e7\u00e3o do decrescimento evoluiu durante as duas \u00faltimas d\u00e9cadas. De seus prim\u00f3rdios como autor preocupado com o decl\u00ednio smithiano, que tentou fundamentar a Economia numa base biof\u00edsica, passou a ser ferozmente adotado como emblem\u00e1tico das preocupa\u00e7\u00f5es e atitudes dos partid\u00e1rios do decrescimento,\u00a0<em>ainda que seus escritos sugiram o contr\u00e1rio<\/em>. (it\u00e1lico acrescentado)<\/p><\/blockquote>\n<p>Nos dias de hoje os adeptos do decrescimento continuam a incorporar ideias de GR ao c\u00e2none do movimento. Em dois livros recentes, elas s\u00e3o amplamente discutidas (Schmelzer, Vetter, e Vansintjan, 2022; Parrique, 2022).<\/p>\n<p>Durante um bom tempo, \u00e0 luz do que aprendi em meu bacharelado em f\u00edsica, achava estranha a tese da Lei da Entropia como princ\u00edpio respons\u00e1vel pela impossibilidade do crescimento permanente da economia. A impress\u00e3o era a de que tal impossibilidade pode ser afirmada muito simplesmente, sem o recurso expl\u00edcito a leis da f\u00edsica. Levando em conta o car\u00e1ter exponencial do crescimento permanente, bastaria o senso comum para a constata\u00e7\u00e3o de sua incompatibilidade com a natureza finita dos recursos de nosso planeta. Tal ju\u00edzo, entretanto n\u00e3o passava de uma impress\u00e3o, dada minha ignor\u00e2ncia a respeito da obra de GR. Essa defici\u00eancia foi por\u00e9m sanada quando, ao escrever este ensaio, encontrei, serendipicamente, o excelente artigo, j\u00e1 mencionado, \u201cThe birth of \u2018<em>decroissance\u2019<\/em>\u00a0and the degrowth tradition\u201d (Sutter, 2017). Trata-se de um texto bem longo, de 141 p\u00e1ginas, com in\u00fameras notas de rodap\u00e9 em fontes diminutas. Deste ponto de vista \u00e9 mais um livro que um artigo. (Os n\u00fameros de p\u00e1gina indicados a seguir, quando n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o da fonte, referem-se ao artigo de Sutter.)<\/p>\n<p>O fulcro do trabalho \u00e9 o conceito de<em>\u00a0inven\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es<\/em>, desenvolvido na cl\u00e1ssica colet\u00e2nea\u00a0<em>The invention of tradition<\/em>\u00a0(Hobsbawm &amp; Ranger, eds., 1983). Trata-se do fen\u00f4meno, muito comum ao longo da Hist\u00f3ria, em que cerim\u00f4nias, edif\u00edcios, teorias, obras liter\u00e1rias etc., criadas em \u00e9pocas relativamente recentes, s\u00e3o apresentadas como tendo conex\u00f5es com o passado distante. O processo de inven\u00e7\u00e3o envolve a identifica\u00e7\u00e3o de precursores, e de \u201cpais\u201d (fundadores) da tradi\u00e7\u00e3o, bem como o estabelecimento de um c\u00e2none.<\/p>\n<p>Em sua an\u00e1lise, Hobsbawm distingue tr\u00eas tipos superpostos de tradi\u00e7\u00e3o, conforme as fun\u00e7\u00f5es que desempenham:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>a) as que estabelecem ou simbolizam a conex\u00e3o social ou a pertin\u00eancia a grupos, e comunidades reais ou artificiais, b) as que estabelecem ou legitimam institui\u00e7\u00f5es, status ou rela\u00e7\u00f5es de autoridade, e c) aquelas cujo principal objetivo \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o, a inculca\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as, sistemas de valores e conven\u00e7\u00f5es comportamentais. (Hobsbawm, 1983, p. 9; Sutter, 2017, p. 47).<\/p><\/blockquote>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o estudada por Sutter \u00e9 a do decrescimento (<em>degrowth<\/em>,\u00a0<em>d\u00e9croissance<\/em>), vista como sendo do terceiro tipo. Os trabalhos inclu\u00eddos na colet\u00e2nea em pauta deixam claro que, em in\u00fameros casos, as conex\u00f5es com o passado s\u00e3o fantasiosas, n\u00e3o demonstram respeito pela verdade hist\u00f3rica. Mais concretamente, as inven\u00e7\u00f5es envolvem interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas, anacronismos, ocultamentos, etc. Em seu artigo, Sutter demonstra, com base em an\u00e1lises altamente detalhadas, que tais defici\u00eancias est\u00e3o presentes na tradi\u00e7\u00e3o do decrescimento, caracterizando-a como uma t\u00edpica tradi\u00e7\u00e3o inventada. Em passagens mais explicitamente valorativas, ele aplica \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o termos como\u00a0<em>ideologia\/ideol\u00f3gico<\/em>\u00a0e\u00a0<em>mito\/mitologia<\/em>.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0s ideias GR na tradi\u00e7\u00e3o do decrescimento deve-se, pelo menos em parte, ao fato de que elas se apresentam como fundamentadas nas ci\u00eancias naturais, particularmente na termodin\u00e2mica. \u00c9 como se o prest\u00edgio da ci\u00eancia moderna, decorrente de seu sucesso na busca do conhecimento da natureza, valesse para as ideias de GR e \u2012 transmitindo-se, por tabela \u2012 para o decrescimento.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma s\u00e9rie de obje\u00e7\u00f5es a essa concep\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, nas ci\u00eancias naturais, novas teorias propostas s\u00e3o lidas e discutidas pela comunidade cient\u00edfica, em cada especialidade. Isso n\u00e3o vale para a obra de GR, completamente ignorada pelos f\u00edsicos. Parte dos motivos para tal rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00e1 qualidade da escrita, especialmente quanto ao rigor e \u00e0 clareza. Como diz nosso autor,<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Abordar os escritos de GR de uma perspectiva da ci\u00eancia natural \u00e9 uma experi\u00eancia exasperante. Seu estilo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 descuidado, pol\u00eamico, vago, e, ao mesmo tempo mais ornamentado e beligerante que o usual no discurso cient\u00edfico. [\u2026] Ele parece mutilar ou utilizar mal termos da f\u00edsica e da qu\u00edmica sem se incomodar. (p. 101)<\/p><\/blockquote>\n<p>Num n\u00edvel mais profundo de an\u00e1lise, o entendimento de GR a respeito da f\u00edsica era altamente idiossincr\u00e1tico, male\u00e1vel e em alguns aspectos equivocado. (p. 65)<sup><a id=\"sdfootnote4anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote4sym\">4<\/a><\/sup>\u00a0O resumo da avalia\u00e7\u00e3o de Sutter \u00e9:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A produ\u00e7\u00e3o intelectual de GR cont\u00e9m muito de \u00fatil para o movimento em prol do decrescimento. Sua cr\u00edtica da economia neocl\u00e1ssica e seus esfor\u00e7os visando elevar o reconhecimento de que a economia \u00e9 inserida na biosfera s\u00e3o esclarecedores e merecem ser levadas em conta.<\/p>\n<p>Infelizmente, o mesmo n\u00e3o pode ser dito a respeito de sua argumenta\u00e7\u00e3o baseada na f\u00edsica. Sua tend\u00eancia a usar termos sem defini-los torna suas propostas intest\u00e1veis. Sua ambi\u00e7\u00e3o de \u00cdcaro de elevar suas ideias ao n\u00edvel de lei f\u00edsica universal era uma vaidade: ele teria sido mais persuasivo se houvesse simplesmente enfatizado as limita\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas em escala humana. Mesmo que sua \u201cQuarta Lei\u201d fosse correta como proposi\u00e7\u00e3o universal, n\u00e3o se tratava de uma \u201cquarta lei da termodin\u00e2mica\u201d, nem era necessariamente significativa do ponto de vista econ\u00f4mico. Por outro lado, algumas das limita\u00e7\u00f5es mais importantes das atividades econ\u00f4micas est\u00e3o inteiramente ausentes de sua teoria. (p. 117-118)<\/p><\/blockquote>\n<p>Observe-se tamb\u00e9m que nem o livro de Saito, nem o manifesto \u201cFor an ecosocialist degrowth\u201d mencionam as ideias de GR. Em vista do exposto, merecem mesmo ser descartadas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio desta se\u00e7\u00e3o, expus uma caracteriza\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria do lema do decrescimento enquanto uma simples invers\u00e3o de valores: \u201cse a valoriza\u00e7\u00e3o do crescimento \u00e9 delet\u00e9ria por fomentar a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es da vida humana na Terra, ent\u00e3o o que deve ser valorizado \u00e9 o decrescimento\u201d. O ponto de partida deste terceiro fator \u00e9 um adendo essencial a esse esbo\u00e7o, a preconiza\u00e7\u00e3o de uma grande variedade de pol\u00edticas p\u00fablicas. Para dar uma ideia dessa abund\u00e2ncia, eis uma sele\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas defendidas na Declara\u00e7\u00e3o de Barcelona (Research and Degrowth, 2010):<\/p>\n<ul>\n<li>Estabelecimento da renda b\u00e1sica, e da renda m\u00e1xima<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/li>\n<li>Desencorajamento do consumo de bens n\u00e3o dur\u00e1veis<\/li>\n<li>Combate \u00e0 obsolesc\u00eancia programada de bens dur\u00e1veis<\/li>\n<li>Taxa\u00e7\u00e3o da publicidade, e sua proibi\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os p\u00fablicos<\/li>\n<li>Promo\u00e7\u00e3o de moedas locais, e de microempresas autogeridas sem fins lucrativos<\/li>\n<li>Apoio aos movimentos em prol da justi\u00e7a ambiental<\/li>\n<li>Defesa e expans\u00e3o dos bens comuns locais, e estabelecimento de novas jurisdi\u00e7\u00f5es para os bens comuns globais<\/li>\n<li>Desmercantiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e valoriza\u00e7\u00e3o da tomada participativa de decis\u00f5es<\/li>\n<li>Den\u00fancia de pol\u00edticas de controle da popula\u00e7\u00e3o impostas de cima para baixo<sup><a id=\"sdfootnote5anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote5sym\">5<\/a><\/sup><\/li>\n<\/ul>\n<p>V\u00e1rias dessas pol\u00edticas s\u00e3o compartilhadas, no campo progressista, por movimentos, partidos pol\u00edticos e ONGs, incluindo o ecossocialismo. E o mais importante, muitas t\u00eam pouca rela\u00e7\u00e3o com o decrescimento: de um lado, n\u00e3o podem ser apresentadas como corol\u00e1rios do lema, de outro, podem ser justificadas com base nos Direitos Humanos, na Justi\u00e7a Social, na Democracia, ou em outros princ\u00edpios amplamente aceitos. O primeiro item da lista, p. ex., diz respeito \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda \u2012 que pode ser melhor ou pior, seja qual for o PIB \u2012 e apoia-se no princ\u00edpio da justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>De outra perspectiva, o lema do decrescimento n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido universalmente. H\u00e1 pelo menos tr\u00eas dom\u00ednios em que n\u00e3o vigora.<\/p>\n<p>1) Aceita-se que as popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses pobres do Sul Global merecem vidas dignas, livres das car\u00eancias mais graves. Mas esse ideal n\u00e3o pode se realizar sem o crescimento da economia. Dessa forma, pelo menos temporariamente, deve ser concedido a eles o direito de adotar pol\u00edticas causadoras de crescimento. (No ide\u00e1rio do movimento, tal acr\u00e9scimo \u00e9 compensado pelo decr\u00e9scimo extra a ser implementado nos pa\u00edses ricos.) 2) Outras restri\u00e7\u00f5es desse tipo s\u00e3o as que dizem respeito a medidas voltadas especificamente \u00e0 supera\u00e7\u00e3o dos problemas ambientais, que tamb\u00e9m contribuem para o crescimento, mas s\u00e3o imprescind\u00edveis como recurso para evitar o colapso ambiental. 3) De outro ponto de vista, o decr\u00e9scimo do PIB quando decorrente de depress\u00f5es econ\u00f4micas n\u00e3o \u00e9 valorizado, mas algo a evitar. Ou seja, h\u00e1 crescimentos ben\u00e9ficos, e decrescimentos nefastos.<\/p>\n<p>Assim, o termo \u201cdecrescimento\u201d, em sua acep\u00e7\u00e3o literal, por um lado, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para justificar pol\u00edticas p\u00fablicas defendidas pelo movimento, por outro tem um alcance muito restrito.\u00a0<em>Isso significa que, enquanto nome do movimento, o termo deve ser entendido\u00a0<\/em>como um r\u00f3tulo, ou marca \u2012 do tipo \u2018OMO\u2019, ou \u2018X\u2019 (o novo nome do Tweeter) \u2012 desprovidos de conte\u00fado sem\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o para essa manobra? A resposta remete ao car\u00e1ter de\u00a0<em>provoca\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0atribu\u00eddo \u00e0 defesa do decrescimento. Na literatura recente, uma obra que valoriza enfaticamente esse car\u00e1ter provocativo do lema \u00e9 a de Schmelzer, Vetter e Vansintjan (2022). Na p. 16, l\u00ea-se:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Hoje em dia, com o crescente interesse no decrescimento, parece que toda semana mais um colunista mal humorado, de um jornal importante, escreve uma cr\u00edtica do decrescimento. Isso era de se esperar e, em certa medida, bem-vindo: quanto mais os detentores do poder esbravejam contra o decrescimento, mais pessoas que poderiam ter simpatia por ele, e que de outro modo dele n\u00e3o teriam conhecimento, ficam esclarecidos. E, na verdade, o decrescimento tamb\u00e9m cumpre a meta inicial enquanto uma provoca\u00e7\u00e3o, um t\u00f3pico para in\u00edcio de conversa, um \u201cjogar merda no ventilador\u201d (ser um\u00a0<em>shit-disturber<\/em><sup><a id=\"sdfootnote6anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote6sym\">6<\/a><\/sup>). Entretanto, geralmente tais colunistas demonstram pouca compreens\u00e3o do significado do decrescimento, e suas obje\u00e7\u00f5es tendem a errar grosseiramente o alvo.<\/p><\/blockquote>\n<p>No mesmo esp\u00edrito, mas recorrendo a uma met\u00e1fora b\u00e9lica, alguns autores valorizam o<\/p>\n<p>\u2018decrescimento\u201d como uma \u201cpalavra-obus\u201d (<em>mot-obus<\/em>), lan\u00e7ada contra a muralha do crescimento (Ari\u00e8s, 2005; Parrique, 2022, p. 169).<\/p>\n<p>No campo do debate, admitem-se provoca\u00e7\u00f5es, enquanto recurso ret\u00f3rico. Mas isso n\u00e3o significa que toda provoca\u00e7\u00e3o seja bem sucedida. Segundo Schmelzer\u00a0<em>et al<\/em>., a provoca\u00e7\u00e3o em pauta d\u00e1 bom resultado, como fica claro na cita\u00e7\u00e3o. A meu ver, entretanto, ainda que funcional at\u00e9 certo ponto, a disfuncionalidade predomina. Ela consiste em que o r\u00f3tulo \u201cdecrescimento\u201d coloca em foco primordialmente a invers\u00e3o de valores, e o car\u00e1ter quantitativo do conceito, deixando em segundo plano as pol\u00edticas do movimento. A consequ\u00eancia s\u00e3o as cr\u00edticas de que o decrescimento \u00e9 alvo, refutadas como resultados de incompreens\u00f5es, como na passagem acima. A nosso ver, a causa da incompreens\u00e3o dos cr\u00edticos n\u00e3o reside apenas na ignor\u00e2ncia, ou preconceito deles, mas na m\u00e1 escolha do nome do movimento.<\/p>\n<p>No \u00faltimo cap\u00edtulo de seu livro, Parrique (2022) apresenta uma lista de 12 cr\u00edticas ao decrescimento, cada uma designada por um adjetivo. O decrescimento seria,\u00a0<em>na vis\u00e3o equivocada dos cr\u00edticos<\/em>, repulsivo (<em>repoussoir<\/em>), dolorido, ineficaz, empobrecedor, ego\u00edsta, etc. A refuta\u00e7\u00e3o das cr\u00edticas escrita por ele deixa claro que todas, ou quase todas, n\u00e3o incidem sobre as pol\u00edticas decrescimentistas, mas sim sobre o \u201cdecrescimento\u201d, entendido n\u00e3o como r\u00f3tulo, mas no sentido de diminui\u00e7\u00e3o do tamanho da economia. A provoca\u00e7\u00e3o tem o efeito de dificultar o debate, fazendo com que n\u00e3o saia das preliminares, da fase do esclarecimento de mal entendidos.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Numa passagem de seu artigo, Sutter afirma \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada de novo ou sacrossanto nas palavras \u2018<em>d\u00e9croissance\u2019<\/em>\u00a0\u2018e \u2018<em>degrowth<\/em>. No futuro, devemos abandon\u00e1-las.\u201d (p. 100)<sup><a id=\"sdfootnote7anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote7sym\">7<\/a><\/sup>\u00a0Radicalizando, eu acrescentaria: \u201ce quanto mais cedo melhor\u201d.<\/p>\n<p>Qual a alternativa? A meu ver o nome mais adequado para um movimento progressista focado no problema ambiental \u00e9\u00a0<em>ecossocialismo<\/em>. O \u201ceco\u201d d\u00e1 conta da centralidade da crise ambiental, o \u201csocialismo\u201d, da necessidade de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo como condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para escaparmos do colapso.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\">* * *<\/p>\n<p>Em 2001 fui um dos 21 signat\u00e1rios do Manifesto Ecossocialista Internacional Em 2009 assinei a\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Ecossocialista de Bel\u00e9m<\/em>. (L\u00f6wy, 2014, p. 109 e 125). De l\u00e1 para c\u00e1, com o agravamento calamitoso da crise ambiental, especialmente o aquecimento global, e as resultantes mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ficaram ainda mais fortes as raz\u00f5es para a ades\u00e3o ao movimento.<\/p>\n<p>E, para concluir, mais um lema: ou a humanidade acaba com o capitalismo, ou o capitalismo acaba com a humanidade.<\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote1sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote1anc\">1<\/a>\u00a0O principal \u00f3rg\u00e3o do movimento decrescimentista \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/degrowth.org\/\">Research and Degrowth.<\/a><\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote2sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote2anc\">2<\/a>\u00a0Nos cap\u00edtulos 8 (\u201cMarx disc\u00edpulo de Arist\u00f3teles\u201d) e 9 (\u201cA avalia\u00e7\u00e3o neoliberal na Academia\u201d) de meu livro sobre a mercantiliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia (Oliveira, 2023), trato do par conceitual quantidade\/qualidade, na economia e na avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. O tratamento destaca a import\u00e2ncia do fato de que\u00a0<em>nem tudo o que se gostaria de medir \u00e9 mensur\u00e1vel.\u00a0<\/em>Na teoria econ\u00f4mica, em particular, o valor de uso \u00e9 imensur\u00e1vel (ou incomensur\u00e1vel, que \u00e9 a variante mais usada na tradi\u00e7\u00e3o marxista). Muitos socialistas exp\u00f5em a diferen\u00e7a entre as duas grandes correntes pol\u00edticas dizendo que no capitalismo a produ\u00e7\u00e3o de bens \u00e9 produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, ou\u00a0<em>valores de troca<\/em>, enquanto no socialismo \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>valores de uso<\/em>. Sendo estes imensur\u00e1veis, a implica\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que, na organiza\u00e7\u00e3o socialista da vida econ\u00f4mica, \u00e9 imprescind\u00edvel levar em conta fatores qualitativos. Entre esses, figuram os valores \u2012 no sentido \u00e9tico, n\u00e3o no econ\u00f4mico. O campo onde se d\u00e1 a disputa entre valores \u00e9 o da pol\u00edtica, n\u00e3o da t\u00e9cnica quantificadora. Ver Swyngedouw (2016).<\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote3sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote3anc\">3<\/a>\u00a0Uma das propostas radicais de GR no plano da termodin\u00e2mica foi a extrapola\u00e7\u00e3o do \u00e2mbito da Lei da Entropia, no sentido de aplicar-se n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 energia, mas tamb\u00e9m \u00e0 mat\u00e9ria. A ideia remete aos processos de reciclagem dos res\u00edduos das atividade econ\u00f4micas, e a tese \u00e9 a de que eles t\u00eam limites ou, em outras palavras, a reciclagem completa \u00e9 imposs\u00edvel. Essa \u00e9 uma das vers\u00f5es do que GR denominou a Quarta Lei da Termodin\u00e2mica, que \u201cparece ter sido uma maneira de GR recuar de sua insist\u00eancia na Segunda Lei, enquanto proveni\u00eancia dos limites da reciclagem, que ele eventualmente veio a considerar um erro.\u201d (Sutter, 2017, p. 103-105) Cf. tamb\u00e9m Latouche, 2009, p. 14-15.<\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote4sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote4anc\">4<\/a>\u00a0O fato de que GR equivocou-se no campo da f\u00edsica \u00e9 amplamente reconhecido. O verbete da Wikipedia referente a ele, embora muito favor\u00e1vel, admite que \u201co trabalho de Georgescu-Roegen \u00e9 maculado por erros decorrentes de seu entendimento insuficiente da ci\u00eancia f\u00edsica da termodin\u00e2mica\u201d.<\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote5sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote5anc\">5<\/a>\u00a0Cf. tamb\u00e9m Hickel, 2022, p. 209-231.<\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote6sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote6anc\">6<\/a>\u00a0Do dicion\u00e1rio Collins: shit disturber =\u201ca person who enjoys causing controversy or upsetting people\u201d. Uso: \u201cAlthough considered vulgar, this phrase is nonetheless commonly used and is generally not thought offensive enough to be considered taboo\u201d.<\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote7sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fsem-categoria%2Fecossocialismo-e-decrescimento-ruidos-e-convergencias%2F#sdfootnote7anc\">7<\/a>\u00a0Em ingl\u00eas, s\u00e3o usados tamb\u00e9m, em vez de degrowth,\u00a0<em>agrowth<\/em>\u00a0(acrescimento\u201d) e\u00a0<em>post-growth<\/em>. (p\u00f3s-crescimento) (Schmelzer\u00a0<em>et al<\/em>., 2022, p. 27). Essa prolifera\u00e7\u00e3o terminol\u00f3gica \u00e9 outro sintoma da disfuncionalidade do nome\u00a0<em>degrowth<\/em>\/decrescimento. A cr\u00edtica ao decrescimento baseada no car\u00e1ter quantitativo do conceito vale tamb\u00e9m para o acrescimento e o p\u00f3s-crescimento.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Ari\u00e8s, Paul. 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