{"id":20125,"date":"2023-11-27T12:46:17","date_gmt":"2023-11-27T15:46:17","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=20125"},"modified":"2023-11-22T16:50:25","modified_gmt":"2023-11-22T19:50:25","slug":"furacao-milei-sete-chaves-para-as-eleicoes-argentinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/11\/27\/furacao-milei-sete-chaves-para-as-eleicoes-argentinas\/","title":{"rendered":"Furac\u00e3o Milei. Sete chaves para as elei\u00e7\u00f5es argentinas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mariano Schuster e Pablo Stefanoni<\/strong> &#8211; A vit\u00f3ria do l\u00edder libert\u00e1rio abre um cen\u00e1rio in\u00e9dito na Argentina. Como compreender esta mudan\u00e7a pol\u00edtica que levou ao poder um estranho da extrema-direita?<\/p>\n<p>O libert\u00e1rio\u00a0Javier Milei\u00a0venceu as elei\u00e7\u00f5es presidenciais argentinas com 55,7% dos votos, contra 44,3% do peronista\u00a0Sergio Massa, uma margem muito maior do que as pesquisas previam. Em apenas dois anos, este\u00a0outsider\u00a0alinhado com a extrema-direita global passou dos est\u00fadios de televis\u00e3o, onde era conhecido pelo seu estilo exc\u00eantrico e cabelo despenteado, para a Casa Rosada. Como a\u00a0Argentina\u00a0chegou a esta situa\u00e7\u00e3o que parecia imposs\u00edvel meses atr\u00e1s? Pela primeira vez na hist\u00f3ria nacional, algu\u00e9m sem qualquer experi\u00eancia anterior de gest\u00e3o, sem prefeitos ou governadores pr\u00f3prios e sem representa\u00e7\u00e3o significativa no Congresso, entra na Presid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong>\u00a0Javier Milei, um homem sem experi\u00eancia pol\u00edtica, conhecido pelos seus virulentos discursos antikeynesianos e pelo seu desprezo pela \u201ccasta\u201d pol\u00edtica, expressou, nas elei\u00e7\u00f5es argentinas, uma esp\u00e9cie de motim eleitoral antiprogressista. Este processo tem certamente particularidades locais, mas expressa um fen\u00f4meno mais amplo que transcende o pa\u00eds que acaba de eleg\u00ea-lo. Se os fundamentos econ\u00f4micos podem ser encontrados nas raz\u00f5es do inconformismo que levou parte dos cidad\u00e3os a votar em\u00a0Milei, em muitos casos, a expans\u00e3o do libertarianismo tamb\u00e9m est\u00e1 ligada a um fen\u00f4meno global de emerg\u00eancia de discursos\u00a0alternativos de direita\u00a0anti-status quo\u00a0que capturam a agita\u00e7\u00e3o social e a rejei\u00e7\u00e3o das elites pol\u00edticas e culturais. E nem sempre a base para a expans\u00e3o do direito \u00e9 econ\u00f4mica. A extrema-direita constr\u00f3i clivagens com base nas realidades locais e cresce em pa\u00edses com elevados n\u00edveis de prosperidade.\u00a0Milei\u00a0foi incorporando muitos dos discursos destas direitas radicais globais, muitas vezes de uma forma pouco digerida, como aquele que postula que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o do socialismo ou do &#8220;marxismo cultural&#8221;, ou aquele que aponta que vivemos sob uma esp\u00e9cie de neototalitarismo progressista.<\/p>\n<p>Em grande medida, o fen\u00f4meno\u00a0Milei\u00a0cresceu de baixo para cima e durante muito tempo passou fora do foco dos cientistas pol\u00edticos\u00a0\u2013 e das pr\u00f3prias elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas\u00a0\u2013 e conseguiu colorir o descontentamento social com uma ideologia &#8220;paleolibert\u00e1ria&#8221; sem qualquer tradi\u00e7\u00e3o na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/634153\" rel=\"noopener noreferrer\">Argentina<\/a>\u00a0(a oferta criou sua pr\u00f3pria demanda). Seus\u00a0slogans\u00a0\u201cA casta tem medo\u201d ou \u201cViva a liberdade, droga\u201d foram misturados com uma est\u00e9tica rock que distanciou\u00a0Milei\u00a0do entupimento dos velhos liberais-conservadores.<\/p>\n<p>O seu discurso conectou-se com um esp\u00edrito de &#8220;<strong><em>que se vayan todos&#8221;<\/em><\/strong>\u00a0(deixem todos ir), a tal ponto que conseguiu transformar esse\u00a0<em>slogan,<\/em>\u00a0lan\u00e7ado em 2001 contra a hegemonia neoliberal, no grito de guerra da nova direita.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong>\u00a0Economista matem\u00e1tico, originalmente defensor do liberalismo convencional,\u00a0Milei\u00a0converteu-se, por volta de 2013, \u00e0s ideias da escola austr\u00edaca de economia na sua vers\u00e3o mais radical: a do americano\u00a0Murray Rothbard. O crescimento pol\u00edtico de\u00a0Milei\u00a0foi impulsionado pelo seu estilo extravagante, pelo seu discurso obsceno contra a &#8220;casta&#8221; pol\u00edtica e por um conjunto de ideias ultrarradicais identificadas com o anarcocapitalismo e desconfiadas da democracia.<\/p>\n<p>Desde 2016, principalmente por meio de apari\u00e7\u00f5es na televis\u00e3o, apresenta\u00e7\u00f5es de livros, v\u00eddeos no YouTube ou aulas p\u00fablicas em parques,\u00a0Milei\u00a0conseguiu gerar uma forte atra\u00e7\u00e3o entre in\u00fameros jovens, que passaram a ler diversos autores libert\u00e1rios e se tornaram sua primeira base de apoio. Ap\u00f3s seu salto para a pol\u00edtica em 2021, ao ingressar na C\u00e2mara dos Deputados, conseguiu apoios socialmente transversais, que inclu\u00edam bairros populares. A\u00ed o seu discurso, que parecia sa\u00eddo de\u00a0Atlas Shrugged, de\u00a0Ayn Rand, conectou-se com o empreendedorismo popular e com a ambival\u00eancia \u2013 por vezes radical \u2013 destes setores em rela\u00e7\u00e3o ao Estado. A pandemia e as medidas de confinamento estatal tamb\u00e9m alimentaram v\u00e1rias das din\u00e2micas pr\u00f3-\u201cliberdade\u201d que\u00a0Milei\u00a0incorpora.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong>\u00a0O apoio de\u00a0Mauricio Macri, ex-presidente entre 2015 e 2019 e l\u00edder da \u201cala dura\u201d da coaliz\u00e3o\u00a0Juntos pela Mudan\u00e7a (JxC), foi decisivo para que\u00a0Milei\u00a0pudesse abordar o segundo turno com possibilidades. Com o apoio de\u00a0Macri\u00a0e\u00a0Patricia Bullrich\u00a0(que havia sido relegada ao terceiro lugar no primeiro turno eleitoral), o discurso anticasta de\u00a0Milei\u00a0\u2013 que parecia ter um teto de 30% dos votos \u2013 transformou-se no do \u201cKirchnerismo ou liberdade\u201d, que era o lema de\u00a0Bullrich. Sua estrat\u00e9gia, a partir de ent\u00e3o, foi expressar o voto anti-Kirchnerista. A partir dessa base tornou-se forte para enfrentar o peronismo. Mas, ao mesmo tempo,\u00a0Milei\u00a0tornou-se enormemente dependente de\u00a0Macri. Este \u00faltimo viu na falta de estrutura e equipamento de\u00a0Milei\u00a0a possibilidade de recuperar o poder ap\u00f3s o fracasso do seu governo: o macriismo n\u00e3o s\u00f3 dar\u00e1 quadros ao nascente\u00a0Mile\u00edsmo, mas este \u00faltimo depender\u00e1 dos legisladores de\u00a0Macri\u00a0para alcan\u00e7ar uma governabilidade m\u00ednima.<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong>\u00a0Ap\u00f3s o primeiro turno,\u00a0Milei\u00a0deixou de lado as suas proclama\u00e7\u00f5es mais radicais de privatiza\u00e7\u00e3o total do Estado, pois estas colidiam com as sensibilidades igualit\u00e1rias e a favor dos servi\u00e7os p\u00fablicos de grande parte do eleitorado. Neste domingo, o candidato do\u00a0La Libertad Avanza (LLA)\u00a0obteve resultados impressionantes na estrat\u00e9gica prov\u00edncia de\u00a0Buenos Aires, onde ficou apenas um pouco mais de um ponto atr\u00e1s do peronismo. O caso de\u00a0Buenos Aires\u00a0\u00e9, al\u00e9m disso, sintom\u00e1tico: durante anos o peronismo fez quest\u00e3o de manter ali o seu basti\u00e3o pol\u00edtico-espiritual. O fato da diferen\u00e7a ter sido pequena exige uma reconsidera\u00e7\u00e3o do poder territorial hist\u00f3rico do peronismo na prov\u00edncia \u2013 que em 2015 j\u00e1 tinha sido desafiado pelo\u00a0Macrismo\u00a0\u2013 e, sobretudo, nas suas \u00e1reas mais empobrecidas.\u00a0Milei\u00a0tamb\u00e9m varreu \u00e1reas do centro produtivo do pa\u00eds como\u00a0C\u00f3rdoba,\u00a0Santa F\u00e9\u00a0e\u00a0Mendoza, mas tamb\u00e9m venceu em quase todas as prov\u00edncias argentinas. A grande quest\u00e3o \u00e9 o que resta agora do seu programa mais radical, incluindo a dolariza\u00e7\u00e3o da economia, que nunca terminou de explicar, ou o fechamento do Banco Central.<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong>\u00a0Milei\u00a0conseguiu reverter a seu favor a derrota no debate presidencial. Naquele dia,\u00a0Massa\u00a0o derrotou quase por nocaute. Era o homem que conhecia o Estado de dentro para fora, que sabia para que c\u00e2mara olhar e que \u201cn\u00e3o tinha nenhuma bala que o atingia\u201d apesar de ser ministro da Economia com uma infla\u00e7\u00e3o anual superior a 140%. \u00c0 sua frente estava\u00a0Milei\u00a0quase abatido, sem nenhuma habilidade como debatedor \u2013 longe de seu carisma particular nos com\u00edcios eleitorais, nos quais aparecia com uma serra el\u00e9trica e pedia \u201cchutar a bunda dos pol\u00edticos empobrecedores\u201d. Mas a vit\u00f3ria de\u00a0Massa, como se viu, foi uma vit\u00f3ria de Pirro. Al\u00e9m de aparecer como um ministro da Economia que apenas \u201cfingia dem\u00eancia\u201d, representava como ningu\u00e9m o tipo de pol\u00edtico hiperprofissionalizado rejeitado por grande parte do eleitorado. Na campanha,\u00a0Massa\u00a0incorporou uma esp\u00e9cie de frente de \u201ccasta\u201d, com o apoio mais ou menos expl\u00edcito de l\u00edderes da\u00a0Uni\u00e3o C\u00edvica Radical (UCR)\u00a0e de setores moderados da centro-direita, como o prefeito cessante de Buenos Aires,\u00a0Horacio Rodr\u00edguez.\u00a0Milei\u00a0finalmente conseguiu transformar a \u201ctrollagem\u201d antiprogressista em um projeto presidencial.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua vit\u00f3ria\u00a0em 19 de novembro, uma multid\u00e3o saiu espontaneamente \u00e0s ruas, como se fosse uma vit\u00f3ria no futebol. O voto em\u00a0Milei\u00a0combinou o voto raivoso com um novo tipo de esperan\u00e7a, associado a um discurso com forte carga ut\u00f3pica e messi\u00e2nica e a algumas proclama\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias:\u00a0Milei\u00a0apresentou-se, comparando-se at\u00e9 com o pr\u00f3prio\u00a0Mois\u00e9s, como um libertador da Argentina do &#8220;estatismo&#8221; e da &#8220;decad\u00eancia&#8221;. Em apenas dois anos, ele deixou de ser uma esp\u00e9cie de Coringa, que convocava a rebeli\u00e3o em\u00a0Gotham City, para se tornar um novo presidente inesperado. A estrat\u00e9gia de\u00a0Milei\u00a0foi um turbilh\u00e3o, muitas vezes err\u00e1tico, desordenado, mas eficaz e aglutinador da agita\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas pagaram com seu voto para entrar em um novo programa com\u00a0Milei\u00a0como protagonista\u201d, escreveu o analista\u00a0Mario Riorda\u00a0em um\u00a0post\u00a0do X.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que esta utopia ir\u00e1 aterrar num programa governamental \u00e9 a grande quest\u00e3o neste momento. Ser\u00e1 algo mais que \u201cmacrismo 2.0\u201d? J\u00e1 est\u00e1 previsto que o seu gabinete ser\u00e1 uma assembleia entre milleistas e macristas, com papel central para\u00a0Patricia Bullrich. Ser\u00e1 tamb\u00e9m necess\u00e1rio perceber qual ser\u00e1 o papel da vice-presidente\u00a0Victoria Villarruel, uma advogada associada \u00e0 direita radical, incluindo ex-militares da ditadura, e que \u00e9 referida pela italiana\u00a0Giorgia Meloni.<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong>\u00a0A progressiva \u201cmicromilit\u00e2ncia\u201d dos \u00faltimos dias \u2013 pessoas comuns intervindo nos transportes p\u00fablicos e outros espa\u00e7os de massa \u2013 n\u00e3o foi suficiente para inverter uma onda que foi mais poderosa do que o esperado. Esta micromilit\u00e2ncia, que enfatizou o negacionismo de\u00a0Milei\u00a0&#8211; relativamente aos crimes da \u00faltima ditadura, mas tamb\u00e9m \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas &#8211; e \u00e0s suas propostas contra a justi\u00e7a social (que ele considera uma monstruosidade), procurou ser uma voz de alerta. Mas n\u00e3o explicaram por que o projeto de\u00a0Massa\u00a0poderia ser atraente, apenas que uma vota\u00e7\u00e3o de barreira era necess\u00e1ria para evitar a perda de direitos. Muitas dessas micromilit\u00e2ncias progressistas acabaram apelando para uma defesa do sistema pol\u00edtico (consubstanciada pela proposta de\u00a0Massa\u00a0de \u201cunidade nacional\u201d), contra a qual o pr\u00f3prio\u00a0Milei\u00a0havia montado com seu discurso \u201ccontra as castas\u201d. Por outro lado, em vez de destacar as qualidades do candidato peronista (nas quais muitas vezes n\u00e3o acreditavam), a micromilit\u00e2ncia alertou para o perigo \u201cfascista\u201d do seu advers\u00e1rio. O pr\u00f3prio enfraquecimento do\u00a0kirchnerismo\u00a0fez com que estes discursos fossem muitas vezes inaud\u00edveis ou percebidos como serm\u00f5es para uma parte da popula\u00e7\u00e3o determinada a votar \u201cno novo\u201d \u2013 mesmo quando o novo poderia, de fato, ser um salto para o vazio. A isso se soma o fato de o mile\u00edsmo ter micromilitantes pr\u00f3prios, muitos delos digitais.<\/p>\n<p>O resultado da elei\u00e7\u00e3o acabou sendo quase uma c\u00f3pia carbono da elei\u00e7\u00e3o de\u00a0Jair Bolsonaro\u00a0contra\u00a0Fernando Haddad\u00a0em 2018. O \u201cmedo\u201d que a campanha de\u00a0Massa\u00a0instalou enfrentou o \u201ccansa\u00e7o\u201d da campanha de\u00a0Milei. O progressismo argentino enfrenta agora um equil\u00edbrio destes anos; \u00e0 necessidade da sua reinven\u00e7\u00e3o num novo contexto pol\u00edtico-cultural: uma potencial onda reacion\u00e1ria. &#8220;Estas elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o representam apenas uma derrota do\u00a0kirchnerismo, da\u00a0Uni\u00f3n por la Patria\u00a0ou do\u00a0peronismo\u00a0em geral. S\u00e3o acima de tudo uma derrota da esquerda. Uma derrota pol\u00edtica, social e cultural da esquerda, dos seus valores, das suas tradi\u00e7\u00f5es, dos direitos conquistados, da sua credibilidade\u201d, escreveu o historiador\u00a0Horacio Tarcus.<\/p>\n<p><strong>7.<\/strong>\u00a0A vit\u00f3ria de\u00a0Milei\u00a0levar\u00e1 a uma mudan\u00e7a cultural no pa\u00eds em linha com a sua ideologia ultracapitalista? Poder\u00e1 transformar o apoio eleitoral em poder institucional eficaz? Ser\u00e1 que esta nova direita, produto da assembleia de libert\u00e1rios e macristas, conseguir\u00e1 governar \u201cnormalmente\u201d?<\/p>\n<p>Se\u00a0Milei\u00a0deu a surpresa ao\u00a0Together for Change, ele, no entanto, dependeu de\u00a0Macri\u00a0e\u00a0Bullrich\u00a0para obter os votos para o segundo turno.\u00a0Milei\u00a0ganhou a presid\u00eancia;\u00a0Macri\u00a0ganhou poder pol\u00edtico. Ele poder\u00e1 fazer o ajuste radical que prometeu? Qual ser\u00e1 a for\u00e7a da resist\u00eancia \u2013 dos sindicatos e dos movimentos sociais \u2013 contra um governo que se situar\u00e1 muito \u00e0 direita de\u00a0Macri\u00a0(2015-2019) e que promete terapia de choque? Ser\u00e1 que\u00a0Milei\u00a0conseguir\u00e1 construir uma base social para sustentar as suas reformas?<\/p>\n<p>Depois das 22h de domingo, 19 de novembro, o presidente eleito recuperou o tom da barricada e feito hist\u00f3rico diante de seus seguidores. A\u00ed apresentou-se como o \u201cprimeiro presidente liberal-libert\u00e1rio da hist\u00f3ria da humanidade\u201d, referiu-se ao liberalismo do s\u00e9culo XIX e repetiu que no seu projeto n\u00e3o h\u00e1 lugar \u201cpara gente morna\u201d. Seus seguidores responderam cantando &#8220;<em><strong>Que se vayan todos, que no quede ni uno solo<\/strong><\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Furac\u00e3o Milei.\u00a0Sete chaves para as elei\u00e7\u00f5es argentinas. Artigo de Mariano Schuster e Pablo Stefanoni &#8211; Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU &#8211; https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/634359-furacao-milei-sete-chaves-para-as-eleicoes-argentinas-artigo-de-mariano-schuster-e-pablo-stefanoni<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariano Schuster e Pablo Stefanoni &#8211; A vit\u00f3ria do l\u00edder libert\u00e1rio abre um cen\u00e1rio in\u00e9dito na Argentina. Como compreender esta mudan\u00e7a pol\u00edtica que levou ao poder um estranho da extrema-direita? O libert\u00e1rio\u00a0Javier Milei\u00a0venceu as elei\u00e7\u00f5es presidenciais argentinas com 55,7% dos votos, contra 44,3% do peronista\u00a0Sergio Massa, uma margem muito maior do que as pesquisas previam. 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