{"id":19929,"date":"2023-10-10T12:25:08","date_gmt":"2023-10-10T15:25:08","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19929"},"modified":"2023-10-09T20:27:23","modified_gmt":"2023-10-09T23:27:23","slug":"centros-de-pesquisas-sobre-africa-sao-poderosa-ferramenta-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/10\/10\/centros-de-pesquisas-sobre-africa-sao-poderosa-ferramenta-antirracista\/","title":{"rendered":"Centros de pesquisas sobre \u00c1frica s\u00e3o poderosa ferramenta antirracista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Daniel Rangel e Leth\u00edcia Bueno &#8211; <\/strong>Os primeiros foram criados na d\u00e9cada de 1960 e abriram\u00a0caminhos para a consolida\u00e7\u00e3o de estudos africanos em diversas partes do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA \u00c1frica faz parte da humanidade e da constru\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, afirma o antrop\u00f3logo e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Livio Sansone, que dedicou sua carreira aos estudos \u00e9tnicos e africanos. Pesquisador no\u00a0<a href=\"https:\/\/ceao.ufba.br\/\" rel=\"noopener\">Centro de Estudos Afro-Orientais<\/a>\u00a0(CEAO\/UFBA), diz perceber o aumento do interesse, do esfor\u00e7o e do investimento da pesquisa brasileira sobre \u00c1frica nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Fundado em 1959, o CEAO \u00e9 um dos primeiros centros de pesquisa sobre \u00c1frica no Brasil, criado em um contexto de institucionaliza\u00e7\u00e3o dos estudos e de aproxima\u00e7\u00e3o do governo brasileiro com o continente africano, que se libertava do colonialismo. Al\u00e9m dele, foram pioneiros o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1950-1969\/d50465.htm\" rel=\"noopener\">Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asi\u00e1ticos<\/a>, em 1961, hoje chamado Centro de Estudos Afro-Asi\u00e1ticos, e o\u00a0<a href=\"https:\/\/cea.fflch.usp.br\/\" rel=\"noopener\">Centro de Estudos Africanos<\/a>\u00a0(CEA\/USP), em 1965.<\/p>\n<p>Sansone explica que a tradi\u00e7\u00e3o da pesquisa cient\u00edfica e acad\u00eamica em estudos africanos come\u00e7a, justamente, com a abertura desses centros a partir de 1960 \u2013 ainda que os recursos fossem bastante escassos \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>De acordo com a historiadora Mariana Schlickmann, em \u201c<a href=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/temporalidades\/article\/view\/5691\/3624\" rel=\"noopener\">A trajet\u00f3ria dos estudos africanos no Brasil: 1930 a 1980<\/a>\u201d, a cria\u00e7\u00e3o dos centros de pesquisas na d\u00e9cada de 1960, incorporados \u00e0s universidades, permitiu uma compreens\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o mais particular e aprofundada da cultura, religi\u00e3o, l\u00edngua e identidade negras e das rela\u00e7\u00f5es raciais. O CEAO, por exemplo, foi precursor no interc\u00e2mbio acad\u00eamico Brasil-\u00c1frica, \u201cenviando pesquisadores e recebendo alunos africanos no primeiro programa deste estilo criado pelo governo federal na gest\u00e3o de J\u00e2nio Quadros\u201d, escreve.<\/p>\n<p>Antes desse per\u00edodo, o que se entendia como estudos africanos se concentrava no que a historiadora nomeia \u201cproblema do negro\u201d. Em seu artigo, Schlickmann recupera os\u00a0<a href=\"https:\/\/teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/8\/8138\/tde-07052010-120740\/pt-br.php\" rel=\"noopener\">escritos<\/a>\u00a0do tamb\u00e9m historiador Gilson Brand\u00e3o de Oliveira J\u00fanior, no qual argumenta que \u201csomente a partir do final do s\u00e9culo XIX os\u00a0<em>homens de sciencia<\/em>\u00a0passam a interessar-se na investiga\u00e7\u00e3o do negro no Brasil: n\u00e3o por seu valor cultural e papel ativo na constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional, mas como um \u2018problema\u2019 a ser transposto\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de abrirem caminhos para a consolida\u00e7\u00e3o do atual cen\u00e1rio de estudos africanos, os centros de pesquisa sofreram duros impactos ao longo do tempo, em especial nos anos da ditadura militar, com suspens\u00e3o de recursos, fechamento de institutos e repress\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Para o antrop\u00f3logo Livio Sansone, marcos como a redemocratiza\u00e7\u00e3o, o estabelecimento da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e a cria\u00e7\u00e3o da lei de cotas e da lei\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11645.htm\" rel=\"noopener\">que torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e cultura ind\u00edgena e afro-brasileira<\/a>, foram fundamentais na retomada e no fortalecimento dos estudos africanos no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>O atual cen\u00e1rio dos estudos africanos<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da emerg\u00eancia dos estudos africanos a partir da d\u00e9cada de 1960 no Brasil, o campo de pesquisa em \u00c1frica se consolidou mais fortemente a partir dos anos 1990. \u00c9 o que afirma o historiador Jos\u00e9 Rivair Macedo, professor no Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador da Rede Multidisciplinar de Estudos Africanos do Instituto Latino-Americano de Estudos Avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Segundo Macedo, algumas das principais raz\u00f5es para o avan\u00e7o dos estudos africanos nesse per\u00edodo s\u00e3o o desenvolvimento da pesquisa acad\u00eamica em mestrados e doutorados, com novos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, e a forma\u00e7\u00e3o dos N\u00facleos de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) junto \u00e0s universidades. O professor tamb\u00e9m destaca a cria\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho de Hist\u00f3ria da \u00c1frica, da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hist\u00f3ria (ANPUH), em 2011, e da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abeafrica.com\/\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Africanos<\/a>\u00a0(ABE\u00c1frica), em 2014.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o de estudos africanos em revistas tamb\u00e9m foi ampliada de 1990 para c\u00e1, favorecendo o interc\u00e2mbio de ideias e conhecimento. Surgem peri\u00f3dicos como\u00a0<a href=\"https:\/\/periodicos.ufba.br\/index.php\/afroasia\" rel=\"noopener\">Revista Afro-\u00c1sia<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/abeafrica\/index\" rel=\"noopener\">Revista ABE\u00c1frica<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/periodicoseletronicos.ufma.br\/index.php\/kwanissa\" rel=\"noopener\">Revista Kwanissa<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/anpuh.org.br\/index.php\/2015-01-20-00-01-55\/publicacoes\/lancamentos\/item\/2112-revista-sankofa\" rel=\"noopener\">Revista Sankofa<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/rbea\/\" rel=\"noopener\">Revista Brasileira de Estudos Africanos<\/a>.<\/p>\n<p>Hoje, diversos centros e n\u00facleos pelo pa\u00eds se dedicam \u00e0 pesquisa sobre \u00c1frica. As iniciativas se estendem do Norte, com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www2.unifap.br\/neab\/\" rel=\"noopener\">NEAB<\/a>\u00a0da Universidade Federal do Amap\u00e1 (Unifap), at\u00e9 o Sul, com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cebrafrica\/sobre\/\" rel=\"noopener\">Centro Brasileiro de Estudos Africanos (CEBRAfrica)<\/a>, da UFRGS.<\/p>\n<p>Embora apare\u00e7am em menor n\u00famero no Norte e no Centro-Oeste, \u00e9 poss\u00edvel encontrar propostas de grupos de estudos africanos em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. O Cons\u00f3rcio Nacional dos N\u00facleos de Estudos Afro-Brasileiros, vinculado \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisadores(as) Negros(as), disponibiliza um\u00a0<a href=\"https:\/\/abpn.org.br\/conneabs-2\/\" rel=\"noopener\">espa\u00e7o para unir e divulgar essas iniciativas brasileiras.<\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cursos especializados tamb\u00e9m foram criados para atuar na forma\u00e7\u00e3o de docentes e pesquisadores na \u00e1rea, como a pioneira\u00a0<a href=\"https:\/\/portalpadrao.ufma.br\/profissoes\/nossos-centros-academicos\/campus-sao-luis\/afrobrasileiro-sao-luis\" rel=\"noopener\">Licenciatura Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros<\/a>, implantada em 2015 na Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA). \u00a0Segundo Cidinalva C\u00e2mara, historiadora, doutora em sociologia e professora do curso, h\u00e1 uma coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e de pesquisa com outras universidades brasileiras e do continente africano, buscando a compreens\u00e3o de \u00c1frica por perspectivas complexas e m\u00faltiplas. \u201cIsso nos leva \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de outros olhares sobre o continente africano, sobre o Brasil e sobre a Am\u00e9rica Latina, bem como nos possibilita construir outros olhares sobre nosso pr\u00f3prio lugar no mundo, especialmente no mundo da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento\u201d, reflete.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Sudeste, sobretudo o estado de S\u00e3o Paulo, ainda concentra a maioria dos estudos africanos e dos profissionais formados no campo. Destacam-se USP, Unicamp, PUC-Campinas, Unifesp e UFSCar. Apesar disso, a Fapesp n\u00e3o possui uma filtragem espec\u00edfica das pesquisas em estudos africanos financiadas atualmente pela entidade, segundo Jo\u00e3o Carlos da Silva, coordenador da assessoria de imprensa da Funda\u00e7\u00e3o. \u201cNossa abordagem \u00e9 por \u00e1reas macros, como Sa\u00fade, Biologia, Qu\u00edmica etc.\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em 2004 pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, o Programa de Coopera\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o com Pa\u00edses da \u00c1frica (PRO\u00c1FRICA) continua sendo um dos maiores programas de financiamento j\u00e1 criados em prol dos estudos africanos no Brasil. Entre 2005 e 2010,\u00a0<a href=\"http:\/\/memoria.cnpq.br\/noticias;jsessionid=733D2885E59850DF65CE8A0B16E37F18?p_p_id=engine_WAR_Engineportlet_INSTANCE_N14w&amp;p_p_lifecycle=0&amp;p_p_state=normal&amp;_engine_WAR_Engineportlet_INSTANCE_N14w_view=article&amp;_engine_WAR_Engineportlet_INSTANCE_N14w_articleResourcePrimKey=2221757&amp;_engine_WAR_Engineportlet_INSTANCE_N14w_backURL=\" rel=\"noopener\">investiu mais de nove milh\u00f5es de reais para o financiamento de 190 projetos<\/a>. No entanto, de acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), o programa est\u00e1 em fase de reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Por dentro das pesquisas<\/strong><\/p>\n<p>Com o surgimento de cada vez mais centros, n\u00facleos e cursos \u2013 e o aumento do interesse pela pesquisa em \u00c1frica \u2013, os estudos africanos passaram a incluir investiga\u00e7\u00f5es e trabalhos para al\u00e9m da hist\u00f3ria e da historiografia, que eram mais frequentes.<\/p>\n<p>\u00c1reas como letras, antropologia, ci\u00eancias sociais e rela\u00e7\u00f5es internacionais tamb\u00e9m come\u00e7aram a se debru\u00e7ar sobre esses estudos, e grandes nomes se estabeleceram, em especial intelectuais negros. \u201cBoa parte dos estudos africanos hoje s\u00e3o na \u00e1rea de literatura. Depois, h\u00e1 muita pesquisa historiogr\u00e1fica associada \u00e0 escravid\u00e3o (ainda que a escravid\u00e3o n\u00e3o seja somente o que define o passado e o presente da \u00c1frica) e, tamb\u00e9m, sobre desigualdade e viol\u00eancia. Outro tema importante que est\u00e1 come\u00e7ando a ser pesquisado \u00e9 o uso dos recursos naturais e a rela\u00e7\u00e3o com a natureza e as tradi\u00e7\u00f5es\u201d, esclarece Sansone.<\/p>\n<p>Tem\u00e1ticas que tamb\u00e9m interessam os pesquisadores s\u00e3o \u00c1frica Lus\u00f3fona e \u00c1frica Austral, per\u00edodo colonial e contempor\u00e2neo, circula\u00e7\u00f5es Brasil-\u00c1frica e hist\u00f3ria social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural, de acordo com o historiador Jos\u00e9 Rivair Macedo.<\/p>\n<p>Para Macedo, o reconhecimento do papel da \u00c1frica na forma\u00e7\u00e3o social do Brasil e o car\u00e1ter antirracista de se pautar e produzir estudos africanos \u00e9 o diferencial desse tipo de pesquisa. \u201cEstudar \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio simples porque implica sempre questionar aquilo que durante muito tempo foi estabelecido como par\u00e2metro de se falar e de se ensinar. Pode trazer avan\u00e7os para o conhecimento cient\u00edfico e ampliar a coopera\u00e7\u00e3o intelectual Sul-Sul, de sociedades e pa\u00edses que foram colonizados\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Um dos estudos mais recentes que caminha nesse sentido \u00e9 o livro\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/690\/dicionario-documenta-diversidade-da-literatura-africana\" rel=\"noopener\">Breve dicion\u00e1rio das literaturas africanas<\/a><\/em>, publicado pela Editora da Unicamp e organizado por Fernanda Gallo, historiadora, doutora em antropologia social e membro do Centro de Pesquisa em Estudos P\u00f3s-Coloniais e Literatura Mundial (Kaliban\/Unicamp). Macedo \u00e9 um dos colaboradores da publica\u00e7\u00e3o, que decodifica 19 verbetes produzidos no continente africano, como \u201cEscrita\u201d, \u201cTradi\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cOralidade\u201d.<\/p>\n<p>Outro estudo recente em andamento \u00e9 o de Livio Sansone, que pesquisa a biografia do primeiro presidente da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique, Eduardo Mondlane, l\u00edder defensor dos povos africanos assassinado em 1969, em Dar es Salaam, na Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Independente da tem\u00e1tica, a pesquisa em estudos africanos \u00e9, em geral, uma combina\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o de campo, entrevistas, observa\u00e7\u00e3o participante, consulta em arquivos e outras fontes secund\u00e1rias. Um trabalho minucioso e de an\u00e1lise que ainda encontra barreiras de acesso e investimento, de acordo com Sansone.<\/p>\n<p><strong>Dificuldade de financiamento\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Mesmo com a crescente expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o dos estudos africanos no Brasil, a pesquisa nacional ainda enfrenta obst\u00e1culos institucionais e t\u00e9cnicos. Na opini\u00e3o dos pesquisadores entrevistados, os principais deles s\u00e3o a falta de financiamento e de reconhecimento do campo como \u00e1rea espec\u00edfica de estudo por ag\u00eancias de fomento e organiza\u00e7\u00f5es de pesquisa.<\/p>\n<p>Para a historiadora Cidinalva C\u00e2mara, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que hoje existam pol\u00edticas de fomento voltadas para os estudos africanos, apenas a\u00e7\u00f5es pontuais. \u201cTodos acham que a quest\u00e3o \u00e9tnico-racial \u00e9 problema apenas nosso, de pesquisadores negros, e que n\u00f3s temos que nos virar para realizar pesquisa. Claro que isso faz parte da estrutura racista na qual vivemos. Fazer pesquisa no Brasil sempre foi um desafio, especialmente em ci\u00eancias humanas, para qual os recursos s\u00e3o menores, e essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais agravante em nossa \u00e1rea, que \u00e9 vista como menor\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Rivair Macedo tamb\u00e9m segue na mesma linha e ressalta que ainda h\u00e1 muito por fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios metodol\u00f3gicos, conceituais e te\u00f3ricos dos estudos africanos. \u201cO maior desafio \u00e9 o reconhecimento por ag\u00eancias de fomento e organiza\u00e7\u00f5es, como CNPq, Capes e Finep, no momento de gerir as pol\u00edticas p\u00fablicas de ensino superior e de pesquisa cient\u00edfica no Brasil\u201d, pontua. De acordo com o pesquisador, o campo de estudos africanos ainda n\u00e3o \u00e9 reconhecido pelo CNPq na classifica\u00e7\u00e3o de \u00e1rea e sub\u00e1rea, por exemplo.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o antrop\u00f3logo Livio Sansone, a sustentabilidade da pesquisa em \u00c1frica, em especial a realizada em campo, \u00e9 um dos principais desafios. \u201cOs voos internacionais, em particular para essas rotas, s\u00e3o escassos e caros. O Brasil est\u00e1 muito isolado ainda. H\u00e1 uma demanda crescente e as oportunidades s\u00e3o inferiores \u00e0s demandas\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Centros de pesquisas sobre \u00c1frica s\u00e3o poderosa ferramenta antirracista &#8211; &#8211; https:\/\/www.comciencia.br\/centros-de-pesquisas-sobre-a-africa-sao-poderosa-ferramenta-antirracista\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Rangel e Leth\u00edcia Bueno &#8211; Os primeiros foram criados na d\u00e9cada de 1960 e abriram\u00a0caminhos para a consolida\u00e7\u00e3o de estudos africanos em diversas partes do Brasil. \u201cA \u00c1frica faz parte da humanidade e da constru\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, afirma o antrop\u00f3logo e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Livio Sansone, que dedicou sua carreira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[19],"class_list":["post-19929","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia","tag-racismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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