{"id":19901,"date":"2023-10-02T12:49:11","date_gmt":"2023-10-02T15:49:11","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19901"},"modified":"2023-10-01T17:51:10","modified_gmt":"2023-10-01T20:51:10","slug":"um-olhar-da-china-sobre-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/","title":{"rendered":"Um olhar da China sobre o mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Tricontinental<\/strong> &#8211; A China tem despertado interesse de governos, empresas e estudiosos em todo o mundo, seja por seus feitos internos, como o r\u00e1pido avan\u00e7o industrial e tecnol\u00f3gico e a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, seja pelos efeitos que seu desenvolvimento pode gerar em outros pa\u00edses. O fato que n\u00e3o se pode negar \u00e9 que a Rep\u00fablica Popular da China se tornou uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, colocando em pr\u00e1tica seu projeto socialista, e abriu uma s\u00e9rie de disputas comerciais, tecnol\u00f3gicas e financeiras com os Estados Unidos, que sentem sua hegemonia amea\u00e7ada pelo avan\u00e7o da influ\u00eancia chinesa no mundo. A ascens\u00e3o da China nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 fator essencial para compreender as transforma\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas em curso.<\/p>\n<p>Nesse contexto, um aspecto importante para entender este fen\u00f4meno \u00e9 saber quais s\u00e3o as peculiaridades das pol\u00edticas de desenvolvimento da China e quais s\u00e3o as principais disputas que os EUA e o gigante asi\u00e1tico vem travando atualmente. O que essa nova reconfigura\u00e7\u00e3o global pode acarretar para o Brasil, em particular, e para os outros pa\u00edses da regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, historicamente uma \u00e1rea de grande influ\u00eancia dos Estados Unidos? Quais os limites, desafios e oportunidades de ter a China como maior parceiro comercial? Esses s\u00e3o alguns dos questionamentos que guiam a pesquisa sobre a China, levada a cabo pelo escrit\u00f3rio Brasil do Instituto Tricontinental.<\/p>\n<p>Para nos acercar desse debate conversamos com o pesquisador Rog\u00e9rio Faleiros, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), que atualmente desenvolve seu p\u00f3s-doutoramento na Lingnan University, Hong Kong, China, sob orienta\u00e7\u00e3o da Professora Lau Kin Chi, com o tema\u00a0<i>Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Pol\u00edticas P\u00fablicas e Pobreza<\/i>.<\/p>\n<p><b>A pol\u00edtica de desenvolvimento atual da China tem dado mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade. Quais s\u00e3o os efeitos econ\u00f4micos e sociais em termos globais dessa nova orienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica?<\/b><\/p>\n<p>A resposta para essa quest\u00e3o requer antes de qualquer coisa uma discuss\u00e3o sobre a desigualdade social na China. Porque o processo que o Deng Xiaoping denominou de socialismo com caracter\u00edsticas chinesas pressup\u00f5e uma aproxima\u00e7\u00e3o com o mercado e com o capitalismo, e esse processo pela sua pr\u00f3pria natureza gerou desigualdades na sociedade chinesa, muitas das quais vigentes at\u00e9 os dias de hoje. Eu estou me referindo basicamente a dois tipos de desigualdade: a desigualdade urbana\u00a0<i>vs<\/i>\u00a0desigualdade rural e a desigualdade intrarregional. A China tem regi\u00f5es muito desenvolvidas, como Xangai e Pequim, e outras regi\u00f5es que n\u00e3o alcan\u00e7aram o mesmo dinamismo econ\u00f4mico, como a Prov\u00edncia de Hunan.<\/p>\n<p>Tem um dado que \u00e9 interessante: em 1978, quando o Deng Xiaoping iniciou as reformas \u2013 a chamada abertura econ\u00f4mica -, 10% dos chineses mais ricos detinham 27% da riqueza do pa\u00eds, e os 50% mais pobres tamb\u00e9m detinham 27% da riqueza do pa\u00eds. Em 2015, 10% dos mais ricos detinham 41% da riqueza e os 50% mais pobres detinham 15% da riqueza. Em uma trajet\u00f3ria de longo prazo, foi um processo de concentra\u00e7\u00e3o de renda. Por outro lado, segundo a pesquisa da Isis Pares Maia, 850 milh\u00f5es de pessoas deixaram a pobreza na China. E a\u00ed eu estou considerando como pobreza aquelas pessoas que, segundo o Banco Mundial, convivem com menos de 2,30 d\u00f3lares por dia. Embora o processo incida no aumento da desigualdade, pois h\u00e1 multimilion\u00e1rios chineses que j\u00e1 representam uma boa parte dos milion\u00e1rios e bilion\u00e1rios do mundo, ele \u00e9 acompanhado por um outro processo, o de inclus\u00e3o. A pesquisadora Isis indica que se trata da maior inclus\u00e3o realizada em toda a hist\u00f3ria. Al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m o fato de que o percentual de pessoas com acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, \u00e0 eletricidade, a algum tipo de estrutura tecnol\u00f3gica tamb\u00e9m aumentou significativamente na China. A classe m\u00e9dia chinesa, por exemplo, \u00e9 composta por cerca de 250 milh\u00f5es de pessoas. Isso \u00e9 mais do que um Brasil. Nossa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 estimada em torno de 200 a 210 milh\u00f5es de pessoas, ent\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia digna de nota.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o dessas pessoas foi acompanhada por um processo de aumento da renda per capita dos chineses. A gente est\u00e1 falando de uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 1,4 bilh\u00e3o de pessoas, de modo que a China hoje se constitui um mercado que \u00e9 importante para os capitalistas, para os empres\u00e1rios, para as grandes empresas em n\u00edvel mundial. Hoje \u00e9 dif\u00edcil voc\u00ea imaginar uma grande empresa transnacional que n\u00e3o opere na China. Isso coloca a China no \u00e2mago do c\u00e1lculo capitalista global. Sobretudo quando voc\u00ea pensa que de 1980 a 2010 a m\u00e9dia mundial de crescimento anual foi de 2,82%, e nesse mesmo per\u00edodo a taxa m\u00e9dia anual de crescimento da economia chinesa foi de 10,02%. A China cresceu a um ritmo quase cinco vezes maior do que a m\u00e9dia global. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, a m\u00e9dia brasileira, no mesmo per\u00edodo, \u00e9 de 2,81%. Agora, entre 1990 e 2010, o \u00edndice de Gini, que mede a desigualdade, elevou-se na China de 0,32 para 0,43. Nesse \u00edndice, quanto mais pr\u00f3ximo de 0 menor a desigualdade, quanto mais pr\u00f3ximo de 1 maior a desigualdade. S\u00e3o contradi\u00e7\u00f5es que acompanham essa experi\u00eancia chinesa nesses \u00faltimos 40 anos, que suscitam tantos debates, alguns cr\u00edticos e outros favor\u00e1veis. O problema, portanto, pode ser visto de diferentes formas: eu reputo que \u00e9 digno de nota o fato de que mais de 850 milh\u00f5es de pessoas deixaram a pobreza. E quando a gente fala pobreza a gente t\u00e1 falando da pobreza extrema que acompanhou a popula\u00e7\u00e3o chinesa em momentos t\u00e3o dram\u00e1ticos da sua hist\u00f3ria, como no grande salto adiante e na pr\u00f3pria Revolu\u00e7\u00e3o Cultural.<\/p>\n<p>Outro elemento que vale a pena destacar s\u00e3o as pol\u00edticas sociais voltadas para a mitiga\u00e7\u00e3o da pobreza. \u00c9 um processo de crescimento econ\u00f4mico de longo prazo not\u00e1vel, a renda per capita hoje do chin\u00eas \u00e9 maior do que a brasileira, est\u00e1 em torno de 12 mil d\u00f3lares, a nossa est\u00e1 por volta de 7 mil d\u00f3lares. Reconhece-se que \u00e9 um processo que inclui, mas gera desigualdades. O Partido Comunista, no \u00e2mbito da sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mant\u00e9m uma s\u00e9rie de pol\u00edticas e programas voltados para o combate \u00e0 desigualdade. S\u00e3o mais de 14 milh\u00f5es de fam\u00edlias no que eles chamam de assist\u00eancia industrial; mais de 13 milh\u00f5es de fam\u00edlias no que eles chamam de assist\u00eancia ao emprego; mais de 14 milh\u00f5es de fam\u00edlias com assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade; mais de 8 milh\u00f5es de fam\u00edlias com assist\u00eancia \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. E outras milh\u00f5es em assist\u00eancia \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o de moradias, ao combate \u00e0 pobreza, a pessoas com defici\u00eancia, ao combate \u00e0 pobreza com a\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, combate \u00e0 pobreza por renda de ativos e pelo desenvolvimento de novas atividades econ\u00f4micas a partir do microcr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos programas sociais, a terra faz um papel de prote\u00e7\u00e3o social. Na China, a propriedade da terra \u00e9 comunal. N\u00e3o existe, ou existe parcialmente, o instrumento da propriedade privada da terra. Ent\u00e3o, no limite, os chineses t\u00eam a possibilidade do retorno \u00e0s suas regi\u00f5es a partir do sistema milenar, o chamado Hukou, que \u00e9 um controle de migra\u00e7\u00f5es internas. A terra garante tamb\u00e9m alguma prote\u00e7\u00e3o social. Isso \u00e9 importante dizer porque num pa\u00eds como o nosso, por exemplo, num contexto de escassez, num contexto de crise generalizada, as pessoas passam fome literalmente. L\u00e1 ainda existe esse instrumento de retorno ao campo, retorno \u00e0s suas vilas, que em algumas delas ainda se organizam dentro de sistemas populares, que em certo sentido oferece o anteparo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o chinesa no contexto das crises. Num pa\u00eds plenamente capitalista como o nosso, onde a propriedade da terra \u00e9 muito concentrada, onde as pessoas foram se apropriando da posse da terra, \u00e9 dif\u00edcil de pensar numa estrat\u00e9gia parecida.<\/p>\n<p>Dessas in\u00fameras assist\u00eancias, a principal delas \u00e9 o Dibao. O Dibao \u00e9 uma esp\u00e9cie de bolsa fam\u00edlia da China. Estou indo para l\u00e1 justamente para entender o significado de um programa de transfer\u00eancia de renda numa experi\u00eancia socialista.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea falou da contradi\u00e7\u00e3o do processo chin\u00eas que gera desigualdade. Quando eles fizeram a Revolu\u00e7\u00e3o, quais reformas foram implementadas? N\u00e3o foi feita reforma no sistema produtivo?<\/b><\/p>\n<p>Na verdade, com a revolu\u00e7\u00e3o de 1949, j\u00e1 em setembro de 1952 voc\u00ea tem a lei da reforma agr\u00e1ria. Esse primeiro momento foi um per\u00edodo de muitas dificuldades e alguns ajustes foram feitos potencializando uma caracter\u00edstica comunal chinesa, que s\u00e3o as comunas populares. \u00c9 um momento de v\u00e1rios ajustes, em que a China tinha que prover recursos e alimenta\u00e7\u00e3o suficiente para uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 passava de um bilh\u00e3o de pessoas, o que envolvia ampliar as for\u00e7as produtivas, melhorar a tecnologia, garantir irriga\u00e7\u00e3o para um pa\u00eds em que cerca 1\/3 do territ\u00f3rio \u00e9 des\u00e9rtico, e defender a revolu\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio internacional, notadamente no contexto da guerra da Coreia no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 press\u00e3o americana. Ali\u00e1s, tem um mapa interessante que mostra a quantidade de bases americanas que cercam o territ\u00f3rio chin\u00eas, elas v\u00e3o do Paquist\u00e3o at\u00e9 o Jap\u00e3o e a Coreia. A China est\u00e1 contida por um cord\u00e3o militar americano. Estou ressaltando isso s\u00f3 para a gente ter ideia de como era o desafio chin\u00eas daquele momento. Era muito dif\u00edcil, foram feitos v\u00e1rios ajustes do ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o comunal popular e dos avan\u00e7os das for\u00e7as produtivas, como melhoria das t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o, do maquin\u00e1rio, na produ\u00e7\u00e3o de ferro, algo muito importante para a industrializa\u00e7\u00e3o. Muitas das ind\u00fastrias chinesas surgem das comunas populares, assim como toda a pol\u00edtica de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e o que posso chamar de previd\u00eancia, de aposentadoria. Estas \u00faltimas ainda ocorrem no \u00e2mbito das vilas, origin\u00e1rias ou derivadas das comunas. Esse contexto de 1949, at\u00e9 pelo menos o in\u00edcio dos anos 1970, \u00e9 de muitas dificuldades para a popula\u00e7\u00e3o chinesa. Porque voc\u00ea n\u00e3o sai de um estado de mis\u00e9ria absoluta extrema e se torna a segunda maior economia do mundo sem sacrif\u00edcios. \u00c9 importante dizer isso porque \u00e0s vezes as pessoas infantilmente confundem socialismo com o para\u00edso. \u00c9 muito dif\u00edcil ser socialista, gerir aquilo que Deng Xiaoping chamava de dois sistemas, porque a popula\u00e7\u00e3o chinesa foi submetida a situa\u00e7\u00f5es de cargas de trabalho extenuantes, fome extrema. \u00c9 importante dizer isso porque muitas vezes os nossos militantes entendem que a experi\u00eancia socialista, ou at\u00e9 comunista, n\u00e3o \u00e9 acompanhada de contradi\u00e7\u00f5es. O socialismo \u00e9 feito de muitos desafios, voc\u00ea pega o caso sovi\u00e9tico de uma na\u00e7\u00e3o semi feudal a uma pot\u00eancia que rivalizou com os Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, a situa\u00e7\u00e3o cubana, que a partir do processo revolucion\u00e1rio teve que conviver com uma s\u00e9rie de embargos econ\u00f4micos e carestias e limita\u00e7\u00f5es de toda ordem. As pessoas contrabandeavam penicilina para Cuba porque elas sequer tinham direito ao acesso \u00e0 penicilina, que hoje \u00e9 um medicamento t\u00e3o consolidado entre n\u00f3s. Os americanos n\u00e3o permitiam. Essas experi\u00eancias s\u00e3o todas acompanhadas por sacrif\u00edcios, por desafios. Contudo, s\u00e3o experi\u00eancias alternativas ao capitalismo, embora muitas delas tenham alguns elementos capitalistas, como a China. Se por um lado a China ainda tem a propriedade comunal da terra, por outro lado, a China tem quatro dos maiores 10 bancos mundiais. S\u00e3o mundos distintos coexistindo em intera\u00e7\u00e3o naquele espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia das comunas populares foi muito rica, e em certo sentido preparou o terreno para o chamado sistema de responsabilidade familiar, que foi implementado por Deng Xiaoping a partir de 1978. Muitas vezes o Deng Xiaoping erroneamente recebe todos os m\u00e9ritos, particularmente dos liberais, dos capitalistas. Eles dizem: \u201co Deng foi o governante que abriu a China, foi o governante que preparou todo o sistema de moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura e de moderniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria\u201d. S\u00f3 que esse argumento \u00e9 uma meia verdade, porque muitos elementos haviam sido desenvolvidos a partir das comunas populares e a partir do governo Mao Ts\u00e9-Tung. A gente tem que entender que \u00e9 um processo e que muito do que foi feito pelo Xiaoping possui ra\u00edzes plantadas na \u00e9poca anterior.<\/p>\n<p><b>Os n\u00fameros de crescimento econ\u00f4mico da China se destacam em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo e o poder de consumo da sociedade chinesa vem aumentando cada vez mais com o processo de inclus\u00e3o social de milh\u00f5es de fam\u00edlias. Diante da gravidade da crise clim\u00e1tica mundial, quais s\u00e3o as respostas que a China vem dando para essa quest\u00e3o? Podemos afirmar que a preocupa\u00e7\u00e3o com o meio ambiente j\u00e1 \u00e9 uma caracter\u00edstica que integra a pol\u00edtica de desenvolvimento da China?<\/b><\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 muito pertinente. Eu acho que inclusive n\u00f3s da esquerda demoramos algum tempo para incorporar as pautas ambientais \u00e0s nossas preocupa\u00e7\u00f5es. Em 1989 foi criada a lei de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental na China, que estabeleceu os quatros principais princ\u00edpios da governan\u00e7a: a coordena\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o ambiental; a preven\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o; a responsabiliza\u00e7\u00e3o do poluidor e a import\u00e2ncia da gest\u00e3o ambiental. Isso est\u00e1 na pauta do processo de desenvolvimento econ\u00f4mico chin\u00eas e do Partido Comunista chin\u00eas h\u00e1 muito tempo. A partir dessa lei, voc\u00ea tem v\u00e1rios desdobramentos. Destaco dois discursos na c\u00fapula do Partido Comunista chin\u00eas de 2013, em que Xi Jinping aborda de maneira muito enf\u00e1tica sobre a quest\u00e3o ambiental. Um dos discursos tem o seguinte t\u00edtulo:\u00a0<i>Criar um meio ambiente melhor para uma China bela<\/i>; e o outro o seguinte:\u00a0<i>Inaugurar uma nova era de ecociviliza\u00e7\u00e3o socialista<\/i>. Essas quest\u00f5es relacionadas ao meio ambiente j\u00e1 est\u00e3o presentes, sobretudo nos planos quinquenais, que a cada cinco anos delimitam o planejamento de longo prazo daquela experi\u00eancia. A China tem adotado, sim, uma postura ativa no que se refere a muitos protocolos internacionais. Na COP 15, ela assumiu o compromisso de reduzir entre 40% e 45% da emiss\u00e3o de carbono. Ela tem sido um pa\u00eds que tem instigado alguns protocolos de coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Entretanto, novamente, as contradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o presentes. \u00c9 claro que voc\u00ea tem grupos econ\u00f4micos muito fortes ligados ainda a uma base poluidora. Eu estou falando do carv\u00e3o, de termel\u00e9tricas, de processos produtivos com um alto impacto ambiental. N\u00e3o s\u00f3 no territ\u00f3rio chin\u00eas, mas naqueles pa\u00edses que comp\u00f5em ali a \u00f3rbita de na\u00e7\u00f5es exportadoras de mat\u00e9rias-primas para a China. O Brasil \u00e9 uma delas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ambiental pode ser vista por dois prismas no que se refere \u00e0 China. O primeiro \u00e9 que de fato h\u00e1 uma crise ambiental instalada no planeta, \u00e9 uma crise ambiental de esgotamento de mat\u00e9rias-primas que envolvem um conjunto de a\u00e7\u00f5es e o estabelecimento de uma nova governan\u00e7a no que se refere a quest\u00e3o; por outro lado os chineses tamb\u00e9m est\u00e3o vendo nas energias renov\u00e1veis, nas energias menos poluidoras, uma possibilidade de assumir a fronteira tecnol\u00f3gica. A matriz energ\u00e9tica baseada no petr\u00f3leo, nas termel\u00e9tricas, no carbono s\u00e3o tecnologias controladas majoritariamente por outros pa\u00edses, particularmente pelos Estados Unidos. Ent\u00e3o a quest\u00e3o ambiental \u00e9 importante para a China e para o mundo, mas particularmente para a China. Primeiro, porque de fato h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o ambiental crescente naquele pa\u00eds. Inclusive o grupo que eu me vinculo l\u00e1 na China \u00e9 o movimento social da nova reconstru\u00e7\u00e3o rural chinesa, que defende uma agricultura agroecol\u00f3gica sustent\u00e1vel, inclusiva e \u00e9 parte da experi\u00eancia da pequena propriedade rural na China. Segundo, porque os chineses veem tamb\u00e9m na nova matriz energ\u00e9tica das energias renov\u00e1veis uma chance de assumir a dianteira do que se refere a isso. Observe por exemplo como os carros chineses t\u00eam chegado ao Brasil com muita for\u00e7a, os carros el\u00e9tricos ou os carros h\u00edbridos (el\u00e9tricos e a combust\u00e3o). Olha como eles t\u00eam sido carros eficientes do ponto de vista de gerar menos carbono na atmosfera. Os chineses est\u00e3o vendo como uma nova fronteira, como uma disruptiva, como processo de destrui\u00e7\u00e3o criadora a la Schumpeter no qual eles podem efetivamente assumir a dianteira tecnol\u00f3gica notadamente da matriz energ\u00e9tica. N\u00e3o por acaso a quest\u00e3o dos semicondutores \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p><b>Muitos analistas dizem que \u00e9 dif\u00edcil a China avan\u00e7ar em determinados setores como detentor da fronteira tecnol\u00f3gica, porque os EUA ainda controlam a base de muitas ind\u00fastrias.\u00a0 A China est\u00e1 pr\u00f3xima ou n\u00e3o de ter o controle dessa base industrial?<\/b><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o. O grande gargalo \u00e9 a quest\u00e3o dos semicondutores. Esse \u00e9 o grande gargalo das cadeias internacionais de valor, como n\u00f3s vimos na pandemia. Os itens dos carros, que envolvem tecnologias baseadas nos microchips, se tornaram escassos. Esses segredos industriais ainda est\u00e3o muito concentrados e os americanos ainda det\u00eam ao lado dos seus parceiros uma hegemonia consider\u00e1vel. Mas os chineses veem nessas alian\u00e7as internacionais e na pr\u00f3pria capacita\u00e7\u00e3o da sua popula\u00e7\u00e3o, mecanismos para avan\u00e7ar no controle de tecnologias industriais que ainda n\u00e3o det\u00eam. A China \u00e9 not\u00f3ria por ser um pa\u00eds que tem muitos estudantes fazendo gradua\u00e7\u00e3o, mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado no exterior, e com compromisso de retornar ao pa\u00eds para o desenvolvimento cient\u00edfico tecnol\u00f3gico. Ainda \u00e9 uma aposta de longo prazo.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 um\u00a0<i>gap\u00a0<\/i>muito grande que, como gostam de dizer os chineses, esse \u00e9 o desafio que ficar\u00e1 para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 um problema que ainda os chineses est\u00e3o correndo atr\u00e1s, a passos largos, mas ainda h\u00e1 uma dist\u00e2ncia significativa. O exemplo dos semicondutores exemplifica bem a situa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, as tecnologias 6G os chineses j\u00e1 est\u00e3o mais nivelados. Por outro lado, a ind\u00fastria farmac\u00eautica, que \u00e9 densamente tecnol\u00f3gica, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma chinesa no rol das maiores. Ainda h\u00e1 alguns\u00a0<i>gaps\u00a0<\/i>significativos.<\/p>\n<p><b>EUA e China v\u00eam travando \u201cguerras\u201d comerciais e tecnol\u00f3gicas nos \u00faltimos anos.\u00a0 Em que consistem essas disputas entre os dois pa\u00edses? Quais s\u00e3o os impactos para a economia mundial?<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 rivalidades, mas h\u00e1 tamb\u00e9m integra\u00e7\u00e3o em alguns aspectos. Por exemplo, voc\u00ea tem empresas americanas produzindo na China. Eu tive a oportunidade de visitar, em 2012, em Chongqing, que \u00e9 uma cidade do interior, uma f\u00e1brica da Ford com a Volvo. Essa f\u00e1brica estava produzindo autom\u00f3veis para um mercado interno pulsante e amplo. Em troca, ocorria um processo de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica, o que os economistas chamam de\u00a0<i>catching up<\/i>. H\u00e1 guerras comerciais, guerras tecnol\u00f3gicas, mas h\u00e1 tamb\u00e9m intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De toda forma, eu acho que a principal guerra hoje \u00e9 a guerra monet\u00e1ria e financeira. O grande projeto chin\u00eas \u00e9 a desdolariza\u00e7\u00e3o da economia mundial. Esse \u00e9 o grande projeto. Se voc\u00ea parar para pensar, o fato de o d\u00f3lar americano constituir reservas internacionais para os demais pa\u00edses no mundo, significa dizer que o mundo inteiro est\u00e1 financiando o\u00a0<i>d\u00e9ficit\u00a0<\/i>americano. E qual \u00e9 a natureza e o principal elemento que impacta no\u00a0<i>d\u00e9ficit\u00a0<\/i>americano? S\u00e3o as despesas militares que os americanos usam para conter os seus inimigos. O que eu estou querendo dizer \u00e9 que no fundo o mundo sustenta e financia as a\u00e7\u00f5es militares americanas.<\/p>\n<p>Os chineses j\u00e1 identificaram isso e est\u00e3o buscando alternativas, como a quest\u00e3o da guerra da Ucr\u00e2nia, o fato de comercializarem barris de petr\u00f3leo com a R\u00fassia em Ren Min Bi, e dos russos terem reservas internacionais crescentes em Ren Min Bi, e o fato de a China estar se aproximando de uma s\u00e9rie de na\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas do ponto de vista geopol\u00edtico, como o Brasil. Tudo a partir daquele projeto que ficou conhecido como a Nova Rota da Seda, que \u00e9 o estabelecimento de alguns parceiros estrat\u00e9gicos comerciais que possibilitam algum horizonte de desdolariza\u00e7\u00e3o, que possam estabelecer tratados bilaterais, no qual o d\u00f3lar n\u00e3o seja necess\u00e1rio. \u00c9 muito dif\u00edcil fazer isso porque esse \u00e9 o verdadeiro poder americano, de emitir a moeda do mundo.<\/p>\n<p>Os chineses est\u00e3o buscando aproxima\u00e7\u00f5es comerciais, novas tecnologias de compensa\u00e7\u00e3o internacional, inclusive os acordos que o Lula trouxe assinado na bagagem nessa \u00faltima viagem \u00e9 um acordo que estabelece um sistema de compensa\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do SWIFT, que \u00e9 o meio de compensa\u00e7\u00e3o Internacional hoje utilizado no mundo. Eu passei por uma experi\u00eancia h\u00e1 pouco tempo em que uma professora de Hong Kong estava aqui na nossa universidade e ela tinha uns recursos em Reais. Ela tinha uma pequena poupan\u00e7a e queria transferir para Hong Kong. \u00c9 imposs\u00edvel, voc\u00ea tem que primeiro transferir reais em d\u00f3lares pelos sistemas Swift para depois transferir d\u00f3lares em d\u00f3lar de Hong Kong. Ent\u00e3o veja, o Swift \u00e9 um sistema criado pelos Estados Unidos com apoio da Europa sediado a partir do banco da B\u00e9lgica, no qual todas as transa\u00e7\u00f5es internacionais de transfer\u00eancia necessariamente t\u00eam que passar pelo d\u00f3lar. Significa dizer que todos t\u00eam que ter d\u00f3lar para negociar via Swift. Esse \u00e9 um exemplo de como a hegemonia do d\u00f3lar age e coaduna com isso, a import\u00e2ncia da taxa de juros americana, que basicamente pauta a taxa de juros em escala mundial.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que existe a guerra comercial e a guerra tecnol\u00f3gica. Ela se expressa, por exemplo, \u00a0 na proibi\u00e7\u00e3o da Huawei, que \u00e9 uma grande corpora\u00e7\u00e3o chinesa de tecnologia de celulares, de negociar livremente os seus aparelhos de tecnologia no mercado americano. Em contrapartida, o Google n\u00e3o funciona no territ\u00f3rio chin\u00eas. A China n\u00e3o tem YouTube, eles usam o Bilibili, eles desenvolveram uma plataforma de\u00a0<i>streaming\u00a0<\/i>pr\u00f3pria. A Microsoft n\u00e3o funciona em territ\u00f3rio chin\u00eas. A n\u00e3o ser que voc\u00ea consiga ali definir um VPN. Essas guerras existem, elas s\u00e3o, como a gente diz l\u00e1 no interior de S\u00e3o Paulo, briga de foice no escuro, mas a grande guerra \u00e9 pela\u00a0<i>desdolariza\u00e7\u00e3o<\/i>. A China tem pressionado diversos parceiros na \u00c1frica para que os neg\u00f3cios sejam feitos em Ren Min Bi. Ainda \u00e9 um processo embrion\u00e1rio para o qual os americanos torcem o nariz. Eles n\u00e3o aceitam sob hip\u00f3tese nenhuma perder a posi\u00e7\u00e3o de emissor da moeda global, pois \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o que confere muito poder, notadamente o militar. A maior integra\u00e7\u00e3o entre os 5 erres, desejada pelos chineses, que s\u00e3o as moedas da R\u00fassia, o Rubro, da China, o Ren Min Bi, do Brasil, o Real, da \u00cdndia, a Rupia e da \u00c1frica do Sul, o Rand faz a diplomacia chinesa ter como um dos principais objetivos estabelecer alternativas \u00e0 hegemonia do d\u00f3lar. A hegemonia do d\u00f3lar e a hegemonia militar s\u00e3o a rigor a mesma coisa.<\/p>\n<p><b>Qual o papel da Am\u00e9rica Latina e, especificamente, do Brasil na pol\u00edtica comercial chinesa? H\u00e1 espa\u00e7o para os pa\u00edses da regi\u00e3o sa\u00edrem da condi\u00e7\u00e3o de meros exportadores de produtos prim\u00e1rios nessa rela\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o comercial entre China e os pa\u00edses latino-americanos \u00e9 vista como uma esp\u00e9cie de solidariedade entre os povos do Sul Global, como uma solidariedade internacional contra o imperialismo. Em certo sentido, ok, mas os chineses procuram, sendo bem realista e bem franco, um bom neg\u00f3cio. Por exemplo, se \u00e9 um bom neg\u00f3cio construir um porto em Itaqui, no Maranh\u00e3o, para reduzir os custos operacionais da exporta\u00e7\u00e3o de soja para a China, eles v\u00e3o fazer.<\/p>\n<p>Hoje, qual \u00e9 o processo? Os caminh\u00f5es saem do Mato Grosso ou do Mato Grosso do Sul, Goi\u00e1s, vem at\u00e9 o porto de Vit\u00f3ria, aqui na minha cidade, que \u00e9 o maior porto graneleiro do Brasil, sen\u00e3o um dos maiores do mundo, e daqui essas quantidades s\u00e3o embarcadas e tem que dar a volta no mundo.<\/p>\n<p>Se os chineses tiverem uma base no Maranh\u00e3o, estariam muito mais pr\u00f3ximos do Canal do Panam\u00e1 \u2013 inclusive discute-se a possibilidade de um novo canal, financiado por chineses para facilitar e reduzir os custos dessa transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os chineses procuram investimentos naquilo que lhes \u00e9 fundamental. A soja \u00e9 fundamental, o min\u00e9rio de ferro \u00e9 fundamental, o l\u00edtio \u00e9 fundamental, as carnes s\u00e3o fundamentais. Os chineses cada vez consomem mais carne bovina, mais prote\u00edna de origem animal. Muitas das vezes, esse processo exportador necessita de uma certa atualiza\u00e7\u00e3o ou uma certa melhoria da infraestrutura existente com grandes investimentos, com parcerias p\u00fablico-privadas, com financiamento dos bancos chineses. Possivelmente, no futuro, com financiamento dos BRICS. A presen\u00e7a chinesa sempre \u00e9 acompanhada de investimentos no sentido de melhoria da infraestrutura. Os africanos costumam dizer que a diferen\u00e7a da China para Inglaterra \u00e9 que os ingleses chegavam l\u00e1 e levavam diamantes embora; os chineses antes de levar os diamantes constroem o porto. Repetindo, esses investimentos s\u00e3o acompanhados por uma melhoria de infraestrutura e tamb\u00e9m alguma transfer\u00eancia de tecnologia, naquilo que n\u00e3o \u00e9 o fundamental para os interesses chineses, que n\u00e3o \u00e9 o core da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica como, por exemplo, os projetos aeroespaciais, que \u00e9 o n\u00facleo da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o 6G. Por outro lado, os chineses talvez n\u00e3o vejam com muita preocupa\u00e7\u00e3o o fato de transferir tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis a combust\u00e3o, na medida em que eles est\u00e3o mirando o autom\u00f3vel el\u00e9trico. Talvez eles n\u00e3o vejam com muitos problemas a transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica de eletroeletr\u00f4nicos considerando que o padr\u00e3o tecnol\u00f3gico j\u00e1 est\u00e1 em outro n\u00edvel. Novamente, as contradi\u00e7\u00f5es aparecem. Temos que ter sempre um certo esp\u00edrito cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a isso porque aquilo que \u00e9 essencial n\u00e3o \u00e9 compartilhado. \u00c9 importante reter isso porque, em certo sentido, a China precisa estar na fronteira tecnol\u00f3gica, eles precisam deter esse conhecimento e, mais do que isso, ela precisa deter um monop\u00f3lio desse conhecimento para que possa rivalizar com o projeto americano. \u00c9 importante dizer isso porque h\u00e1 benesses nessa aproxima\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o ao ponto de romper com caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas como a depend\u00eancia e o subdesenvolvimento.<\/p>\n<p>A solidariedade da China com seus parceiros do Sul Global ocorre de fato. Essa an\u00e1lise tem que ser acompanhada de um senso geopol\u00edtico muito agu\u00e7ado. Os chineses v\u00eam no Brasil, por exemplo, um espa\u00e7o de conten\u00e7\u00e3o \u00e0 hegemonia americana. Observe que as falas do presidente Lula s\u00e3o completamente diferentes das falas do Bolsonaro. Olha como o discurso j\u00e1 mudou, como o posicionamento global do Brasil se alterou. Essa pol\u00edtica externa brasileira est\u00e1 lastreada no reconhecimento de que a China precisa do Brasil. A perspectiva dos governos Lula e Dilma foi retomada agora pelo Lula III. \u00c9 claro que em termos efetivos ainda pouca coisa aconteceu, mas \u00e9 um contexto que possibilita certas margens de negocia\u00e7\u00e3o, que a nossa diplomacia, os nossos\u00a0<i>experts<\/i>\u00a0em rela\u00e7\u00f5es internacionais, sempre souberam muito bem aproveitar. Mas a gente n\u00e3o pode deixar de considerar que estamos falando de um outro projeto hegem\u00f4nico que est\u00e1 a\u00ed, que \u00e9 o chin\u00eas.<\/p>\n<p><b>Recentemente, Brasil e China assinaram 15 acordos comerciais. Como voc\u00ea avalia esses acordos?<\/b><\/p>\n<p>Primeiramente, acho importante considerar que o Bolsonaro fechou todas as portas para a pol\u00edtica internacional com a China. Levaram os chineses ao limite, pois adotou uma vis\u00e3o ideol\u00f3gica muito fechada, crua e brutalizada. Esse esfor\u00e7o de retomada do governo Lula III \u00e9 necess\u00e1rio e aponta numa perspectiva que pode ser promissora. Alguns acordos s\u00e3o relevantes do ponto de vista, por exemplo, de destravar a nossa ind\u00fastria espacial, destravar alguns setores de produ\u00e7\u00e3o de tecnologia.<\/p>\n<p>O memorando n\u00famero 2 \u00e9 o protocolo complementar sobre o desenvolvimento conjunto do Cebers-6, que \u00e9 um sat\u00e9lite sino-brasileiro. Ele prev\u00ea um acordo de coopera\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00f5es pac\u00edficas. Lembra que eu falei que no n\u00facleo da coisa tecnol\u00f3gica a gente nunca chega? E o n\u00facleo da coisa \u00e9 o qu\u00ea? Aplica\u00e7\u00e3o militar, \u00e9 ali que est\u00e1 o suprassumo da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e posteriormente aplicada ao uso civil. Mas veja bem: \u00e9 promissor considerando que a nossa ind\u00fastria de sat\u00e9lites de tecnologia espacial retrocedeu muitas d\u00e9cadas durante a gest\u00e3o Bolsonaro, at\u00e9 pelo pr\u00f3prio sucateamento da m\u00e1quina p\u00fablica.<\/p>\n<p>Entre esses 15 acordos, h\u00e1 um que \u00e9 o memorando de entendimento entre o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia do Brasil e o Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o da China, que \u00e9 justamente um termo de coopera\u00e7\u00e3o entre tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, semicondutores, internet das coisas, 5G e n\u00e3o a 6GG. Percebe? Como \u00e9 que a gente nunca chega no n\u00facleo da coisa tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>H\u00e1 um que trata do entendimento sobre o fortalecimento da coopera\u00e7\u00e3o e investimentos na economia digital entre o Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio da Rep\u00fablica Popular da China e o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Industrial, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os do Brasil. O outro aqui que eu acho interessante \u00e9 o memorando sobre coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de finan\u00e7as que envolve a troca de tecnologias na \u00e1rea fiscal e financeira e aquelas relacionadas \u00e0 transpar\u00eancia. O Brasil tem uma das Receitas Federais mais tecnol\u00f3gicas do mundo. Olha que interessante, esse protocolo visa a troca tecnol\u00f3gica, no sentido de amplia\u00e7\u00e3o da governan\u00e7a da transpar\u00eancia entre os pa\u00edses, sendo que a transpar\u00eancia \u00e9 um problema chin\u00eas. Eu estava pesquisando a quest\u00e3o do Dibao, que \u00e9 o bolsa fam\u00edlia chin\u00eas. Ele tem v\u00e1rios problemas sobre financiamento. Tem um financiamento do governo central e um financiamento das localidades, mas voc\u00ea n\u00e3o consegue identificar muito bem a composi\u00e7\u00e3o, a remessa de recursos para onde vai o dinheiro. Isso \u00e9 um problema na China, porque aquelas regi\u00f5es que s\u00e3o mais alinhadas politicamente ou que s\u00e3o mais estrat\u00e9gicas, elas acabam recebendo uma quantidade maior de recursos.<\/p>\n<p>Outro memorando que eu destaco aqui \u00e9 tamb\u00e9m na \u00e1rea de coopera\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, que envolve Big Data. Tudo aquilo que est\u00e1 por tr\u00e1s de escrit\u00f3rio de dados, cidades inteligentes, intelig\u00eancia artificial, est\u00e1 nesse acordo, que pode de alguma maneira potencializar a nossa ind\u00fastria mais relacionada \u00e0 ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o foi tema de mais de um memorando. Nesse que vou mencionar, n\u00e3o sei se para o bem ou para o mal. A coprodu\u00e7\u00e3o de programas televisivos, respeitando-se a cultura local, com financiamento das ag\u00eancias chinesas e das ag\u00eancias brasileiras, ou seja, os chineses entenderam que a guerra tamb\u00e9m se trava no espectro comunicacional e midi\u00e1tico. Eles j\u00e1 entenderam que paira sobre o Brasil uma propaganda ocidental, uma cultura do tipo\u00a0<i>American way of life<\/i>\u00a0muito profunda, que em certo sentido sataniza a experi\u00eancia chinesa ou a experi\u00eancia socialista. A China entendeu a necessidade de uma contracultura. Foi um acordo que n\u00e3o foi muito noticiado, mas \u00e9 significativo.<\/p>\n<p>Tem um outro tamb\u00e9m muito significativo, que \u00e9 o memorando de entendimento entre o grupo de m\u00eddia da China e a Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica do Brasil. Nesse ponto, o destaque \u00e9 a quest\u00e3o das tecnologias de rastreamento das\u00a0<i>fake news<\/i>. Ambas as partes est\u00e3o dispostas a organizar conjuntamente eventos para promover o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es sino-brasileiras. A Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais auxiliar\u00e1 na promo\u00e7\u00e3o, na comunidade brasileira, de conte\u00fado audiovisual produzido pela China, que refletem os la\u00e7os pol\u00edticos, econ\u00f4micos, culturais e sociais entre a China e o Brasil. Vejam como que a quest\u00e3o da disputa hegem\u00f4nica est\u00e1 se manifestando no n\u00edvel midi\u00e1tico. Na esteira disso tamb\u00e9m vem um acordo da ag\u00eancia de not\u00edcias Xinhua, que \u00e9 a principal ag\u00eancia de not\u00edcias da China com a Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC).<\/p>\n<p>Do ponto de vista da fome e do combate \u00e0 pobreza, tem um memorando, que foi estabelecido entre o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome, do Brasil, e o Minist\u00e9rio da Agricultura e Assuntos Rurais da Rep\u00fablica Popular da China. Esse aqui j\u00e1 \u00e9 um memorando muito importante dentro da agenda dos objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel da ONU. Voc\u00eas devem ter ouvido falar da Agenda 2030 e da resolu\u00e7\u00e3o 72, n\u00famero 239 da ONU, que estabelece essa d\u00e9cada que n\u00f3s estamos vivendo, como uma d\u00e9cada da Agricultura Familiar. O que se pressup\u00f5e aqui \u00e9 uma alian\u00e7a global de combate \u00e0 fome e \u00e0 pobreza extrema, que est\u00e1 no artigo 6 da resolu\u00e7\u00e3o que eu citei e tem a ver diretamente com os discursos do Lula em pa\u00edses desenvolvidos. Quando o Lula diz que a gente tem que chamar aten\u00e7\u00e3o para a desigualdade, para a pobreza, que tem pessoas passando fome no planeta, isso est\u00e1 relacionado com esse memorando. Lembrando que a pobreza nunca \u00e9 unidimensional. Pode-se viver v\u00e1rias pobrezas. A pobreza que se refere \u00e0 renda, ao acesso de oportunidades, sanit\u00e1ria, nutricional, de habita\u00e7\u00e3o e moradia. Pobreza nunca \u00e9 um fen\u00f4meno de uma \u00fanica linha, h\u00e1 tamb\u00e9m a pobreza de acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, etc.<\/p>\n<p>Por fim, menciono outro que est\u00e1 ligado a protocolos de certifica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica para produtos de origem animal, que basicamente tenta melhorar as condicionantes da importa\u00e7\u00e3o de carne pela China a partir do Brasil.<\/p>\n<p>De maneira geral, esses acordos re\u00fanem sim a possibilidade de destravar algumas perspectivas, sobretudo da ind\u00fastria espacial, de telecomunica\u00e7\u00f5es, eletr\u00f4nicos,\u00a0<i>softwares\u00a0<\/i>e inform\u00e1tica. N\u00e3o sei se re\u00fanem condi\u00e7\u00f5es de serem, digamos, revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Um olhar da China sobre o mundo | entrevista com o pesquisador Rog\u00e9rio Faleiros &#8211; https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/brasil\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo-uma-entrevista-com-o-pesquisador-rogerio-faleiros\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tricontinental &#8211; A China tem despertado interesse de governos, empresas e estudiosos em todo o mundo, seja por seus feitos internos, como o r\u00e1pido avan\u00e7o industrial e tecnol\u00f3gico e a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, seja pelos efeitos que seu desenvolvimento pode gerar em outros pa\u00edses. O fato que n\u00e3o se pode negar \u00e9 que a Rep\u00fablica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9164,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[71],"class_list":["post-19901","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia","tag-geopolitica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Um olhar da China sobre o mundo - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Um olhar da China sobre o mundo - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Tricontinental &#8211; A China tem despertado interesse de governos, empresas e estudiosos em todo o mundo, seja por seus feitos internos, como o r\u00e1pido avan\u00e7o industrial e tecnol\u00f3gico e a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, seja pelos efeitos que seu desenvolvimento pode gerar em outros pa\u00edses. O fato que n\u00e3o se pode negar \u00e9 que a Rep\u00fablica [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-10-02T15:49:11+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/china.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1000\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"563\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"30 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Um olhar da China sobre o mundo\",\"datePublished\":\"2023-10-02T15:49:11+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/\"},\"wordCount\":5788,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/09\\\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1\",\"keywords\":[\"Geopol\u00edtica\"],\"articleSection\":[\"Geografia\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/\",\"name\":\"Um olhar da China sobre o mundo - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/09\\\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1\",\"datePublished\":\"2023-10-02T15:49:11+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/09\\\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/09\\\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1\",\"width\":1000,\"height\":563},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/10\\\/02\\\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Um olhar da China sobre o mundo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Um olhar da China sobre o mundo - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Um olhar da China sobre o mundo - Controversia","og_description":"Tricontinental &#8211; A China tem despertado interesse de governos, empresas e estudiosos em todo o mundo, seja por seus feitos internos, como o r\u00e1pido avan\u00e7o industrial e tecnol\u00f3gico e a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, seja pelos efeitos que seu desenvolvimento pode gerar em outros pa\u00edses. O fato que n\u00e3o se pode negar \u00e9 que a Rep\u00fablica [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2023-10-02T15:49:11+00:00","og_image":[{"width":1000,"height":563,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/china.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"30 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Um olhar da China sobre o mundo","datePublished":"2023-10-02T15:49:11+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/"},"wordCount":5788,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1","keywords":["Geopol\u00edtica"],"articleSection":["Geografia"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/","name":"Um olhar da China sobre o mundo - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1","datePublished":"2023-10-02T15:49:11+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1","width":1000,"height":563},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/10\/02\/um-olhar-da-china-sobre-o-mundo\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Um olhar da China sobre o mundo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/china.jpg?fit=1000%2C563&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19901","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19901"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19901\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19902,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19901\/revisions\/19902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}