{"id":19899,"date":"2023-10-01T17:48:09","date_gmt":"2023-10-01T20:48:09","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19899"},"modified":"2023-10-01T17:48:09","modified_gmt":"2023-10-01T20:48:09","slug":"a-crise-do-sistema-imperial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/10\/01\/a-crise-do-sistema-imperial\/","title":{"rendered":"A crise do sistema imperial"},"content":{"rendered":"<p><strong>MARTIN MARTINELLI<\/strong> &#8211; Coment\u00e1rio sobre o livro, rec\u00e9m-lan\u00e7ado, de Claudio Katz.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um livro fundamental na batalha de ideias da atual reconfigura\u00e7\u00e3o mundial. O trabalho adota uma vis\u00e3o abrangente e sist\u00eamica do s\u00e9culo XXI. \u00c9 uma caixa de ferramentas para partir de vis\u00f5es globais e poder realizar uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o sem se confundir. Mas tamb\u00e9m tendo em mente uma abordagem ao mundo desde a chamada \u201cGuerra Fria\u201d. Como isto foi modificado nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas com base em diferentes formas do sistema capitalista e outras variantes.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, Claudio Katz, renomado e influente autor marxista, prop\u00f5e verificar as singularidades do imperialismo do s\u00e9culo XXI. Ele considera esta no\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para compreender de forma transversal a crise do sistema imperial. E, al\u00e9m disso, condensa as principais ideias deste pensador em mais de quatro d\u00e9cadas de intenso trabalho cient\u00edfico e jornal\u00edstico.<\/p>\n<p>Da economia, antes das ci\u00eancias sociais, complementa um exaustivo exame te\u00f3rico realizado no seu texto\u00a0<em>Sob o Imp\u00e9rio do Capital<\/em>\u00a0(Ediciones Luxemburgo, 2011), que aprofundou desde L\u00eanin e Kautsky como antagonistas, at\u00e9 Hilferding, Luxemburgo e Hobson . Um manual rigoroso sobre o imperialismo (cl\u00e1ssico, p\u00f3s-guerra e actual) e a sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade. L\u00e1 ele respondeu que essas ideias deveriam ser atualizadas para estudar a situa\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra e o contexto mais recente.<\/p>\n<p>Duas premissas b\u00e1sicas parecem estar por tr\u00e1s deste trabalho de leitura essencial: o capitalismo contempor\u00e2neo \u00e9 claro, mas o sistema imperial permanece mais indefinido. Por\u00e9m, especificamos que, ao l\u00ea-lo, consegue-se uma abordagem precisa desses dilemas. A outra \u00e9 que o sistema imperial difere do cl\u00e1ssico, sofreu muta\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a implos\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e foi novamente modificado pela ascens\u00e3o implac\u00e1vel da China e pela recomposi\u00e7\u00e3o de uma pot\u00eancia militar russa, juntamente com a estagna\u00e7\u00e3o ou crise da Europa e Jap\u00e3o. . Apesar dos diferentes n\u00edveis de tens\u00e3o entre as pot\u00eancias, isto n\u00e3o levou a confrontos militares directos entre elas desde 1945.<\/p>\n<p>Este ativista e intelectual comprometido sintetiza o tema ao postular o conceito de sistema imperial. Ele ordena as l\u00f3gicas territoriais geopol\u00edticas e econ\u00f4micas, ou mesmo o chamado ajuste espacial em outros escritos anteriores, para aqui lhe dar um formato de estrutura e intera\u00e7\u00e3o, entre as diferentes se\u00e7\u00f5es de sua escrita. Sintetiza o principal dispositivo de domina\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, atualiza seus trabalhos, um anterior sobre o tema e outro como\u00a0<em>A Teoria da Depend\u00eancia 50 Anos Depois<\/em>\u00a0(Batalha de Ideias, 2018), onde investiga o uso do conceito de imperialismo como nodal nas interpreta\u00e7\u00f5es do capitalismo atual. Aqui, uma boa fra\u00e7\u00e3o de seus postulados \u00e9 expressa como ideias compartilhadas ou discutidas.<\/p>\n<p>As seis partes do livro subdividem-se em 22 cap\u00edtulos, que o autor escreveu entre 2020 e 2023, como tema de investiga\u00e7\u00e3o com fio condutor, e nos quais pensa h\u00e1 anos. A primeira parte j\u00e1 decomp\u00f5e a sua ordem do sistema imperial na sua vis\u00e3o de crise e conflito constante. Come\u00e7a mostrando a ordem e as principais teorias utilizadas para avaliar cada regi\u00e3o analisada. Vale esclarecer que a situa\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Nuestra Am\u00e9rica<\/em>\u00a0est\u00e1 presente em seus estudos destes anos, mas aparecer\u00e1 no iminente livro mais espec\u00edfico Las encrucijadas de Am\u00e9rica Latina.\u00a0<em>Direita, progressismo e esquerda no s\u00e9culo XXI<\/em>\u00a0(Batalha de ideias, 2023), e somado a isso.<\/p>\n<p>Exibe o sistema imperial do qual os Estados Unidos marcaram as prerrogativas desde 1945. Com o qual a dita superpot\u00eancia procura recuperar o controle, acumular riquezas, esmagar rebeli\u00f5es e bloquear os seus concorrentes. No texto, ele a examina a partir de uma percep\u00e7\u00e3o tripartida nas dimens\u00f5es econ\u00f4mica, pol\u00edtica e geopol\u00edtica, as demais est\u00e3o subsumidas a estas.<\/p>\n<p>Esta organiza\u00e7\u00e3o imperial reflecte-se nas pot\u00eancias europeias como alter-imperialismo, especialmente Inglaterra e Fran\u00e7a, grandes imp\u00e9rios do passado com reminisc\u00eancias actuais (maiores em poder militar que o Jap\u00e3o e a Alemanha, pot\u00eancias econ\u00f3micas). Outros co-imperiais, como o Canad\u00e1, a Austr\u00e1lia e Israel, s\u00e3o ap\u00eandices colaboradores nas diferentes regi\u00f5es. E em diferentes graus de associa\u00e7\u00e3o ou mesmo em oposi\u00e7\u00e3o, aparecem as pot\u00eancias consideradas subimperiais como a Turquia, a Ar\u00e1bia Saudita e o Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Contra este sistema est\u00e3o dispostos concorrentes sist\u00e9micos: a R\u00fassia, uma pot\u00eancia n\u00e3o-hegem\u00f3nica e um imp\u00e9rio em forma\u00e7\u00e3o, e a China como uma grande pot\u00eancia, com uma restaura\u00e7\u00e3o inacabada do capitalismo e a aus\u00eancia de pol\u00edticas imperialistas. Portanto, n\u00e3o existe transnacionalismo ou um imp\u00e9rio global, mas sim uma estrutura piramidal liderada pelos Estados Unidos e uma oposi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancias alternativas, China e R\u00fassia, disputando o poder em regi\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>Na segunda parte apresenta o esbo\u00e7o do sistema imperial: os Estados Unidos, que mais tarde ser\u00e3o seguidos pela China; num outro n\u00edvel, a R\u00fassia e o M\u00e9dio Oriente e, finalmente, os debates sobre o imperialismo e o anti-imperialismo. Al\u00e9m de esclarecer de quais posi\u00e7\u00f5es se afasta, o resultado a que chega promete novas prorroga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Este quase quarto do novo s\u00e9culo \u00e9 caracterizado pela fracassada recupera\u00e7\u00e3o imperial dos Estados Unidos. Falhou nos objectivos das suas incurs\u00f5es na Eur\u00e1sia, a partir do Iraque e do Afeganist\u00e3o, ou na S\u00edria e na L\u00edbia. O intervencionismo hist\u00f3rico e a centralidade b\u00e9lica norte-americana baseiam-se na sua economia armamentista e na lideran\u00e7a da NATO, para manter o poder das suas finan\u00e7as e do d\u00f3lar, controlar os recursos naturais, subjugar o povo e subordinar os seus rivais.<\/p>\n<p>Dois fatores levam a estes resultados: as fracturas internas do pa\u00eds e a eros\u00e3o causada pela sua crise de longa dura\u00e7\u00e3o. Como ao longo do texto, apresenta os v\u00e1rios cen\u00e1rios em tens\u00e3o, em vez de tentar prever resultados futuros. Tamb\u00e9m discute teorias de decl\u00ednio hegem\u00f4nico, diferencia imp\u00e9rio de imperialismo e articula a l\u00f3gica do imp\u00e9rio do capital baseado no capitalismo industrial. Desta forma, e em geral, considera aproxima\u00e7\u00f5es ou dissid\u00eancias com autores como Arrighi, Amin, Mandel ou Wallerstein, aos quais acrescenta Harvey, Perry Anderson ou Nazan\u00edn Armanian.<\/p>\n<p>A terceira se\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos n\u00facleos do texto, pois enfoca a grande novidade da \u00e9poca, o aspecto deslumbrante da China, sua passagem da periferia para o centro. Estuda a rela\u00e7\u00e3o entre os Estados Unidos e a China e distingue as suas posi\u00e7\u00f5es numa situa\u00e7\u00e3o de crescente hostilidade.<\/p>\n<p>A\u00ed demonstra a geopol\u00edtica agressiva da pot\u00eancia norte-americana nas proximidades do gigante asi\u00e1tico. Sem propor uma leitura apenas indulgente disto, avalia as suas a\u00e7\u00f5es em pa\u00edses terceiros, dado o seu atual papel expansivo. \u00c9 por isso que ele a categoriza como diferente do imperialismo, mas n\u00e3o anti-imperialista. Tal como n\u00e3o pertence ao Sul Global, resta saber como se desenrolar\u00e1 a sua geopol\u00edtica cautelosa e a sua expans\u00e3o econ\u00f3mica. Na China \u2013 como no resto do mundo \u2013 observa-se que as lutas populares ter\u00e3o um papel marcante na mudan\u00e7a do cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o subjacente \u00e9 se a China se tornou uma pot\u00eancia imperialista ou n\u00e3o. Indica que a sua caracteriza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica n\u00e3o \u00e9 suficiente para alinh\u00e1-la nesse grupo. Organiza o quadro com base na ideia de a China ir para o estrangeiro, dada a superprodu\u00e7\u00e3o e o sobreinvestimento. Caracteriza-o como um \u201c<em>New Deal<\/em>\u00a0\u00e0 escala global\u201d para investimento em infra-estruturas, onde despeja parte dos seus excedentes. No entanto, ele argumenta que n\u00e3o \u00e9 afetado pela financiariza\u00e7\u00e3o ou pelo neoliberalismo. A\u00ed, o protesto social resolver\u00e1 em grande parte o rumo adoptado pelo pa\u00eds com a maior classe trabalhadora do mundo. Al\u00e9m disso, questiona-se se este novo estatuto promove a supera\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento dos seus parceiros ou \u00e9 o \u00fanico que beneficia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do acalorado debate sobre a posi\u00e7\u00e3o internacional, envolve-se no debate sobre se o seu modo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o capitalismo ou o socialismo. Deduz a import\u00e2ncia do pilar socialista anterior, bem como o desenvolvimento desigual e combinado que permeou a dire\u00e7\u00e3o chinesa. \u00c9 por isso que observa a indefini\u00e7\u00e3o do car\u00e1cter capitalista ou socialista do seu sistema, algo j\u00e1 levantado no seu livro\u00a0<em>O futuro do socialismo<\/em>\u00a0(Herramienta, 2004), e reafirma que a viragem para o capitalismo permanece inacabada. Um\u00a0<em>status<\/em>\u00a0singular \u00e9 mantido com projetos disputados que concorrem para redirecion\u00e1-lo. Por fim, a caracteriza\u00e7\u00e3o da China resume as vis\u00f5es e objetivos do pa\u00eds que transformar\u00e1 o tabuleiro geopol\u00edtico.<\/p>\n<p>A quarta sec\u00e7\u00e3o trata da nova emerg\u00eancia da R\u00fassia na cena global e porque \u00e9 uma pot\u00eancia regional \u00e0 escala planet\u00e1ria. Reinstalou-se ap\u00f3s a queda sovi\u00e9tica e um passo prematuro em direc\u00e7\u00e3o ao capitalismo. Esta restaura\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionada pelas suas contradi\u00e7\u00f5es internas, pela sua natureza semiperif\u00e9rica na ordem econ\u00f3mica, pela sua alian\u00e7a com a China e pelo ass\u00e9dio imperial atrav\u00e9s da OTAN. Claudio Katz o postula como um Imp\u00e9rio n\u00e3o-hegem\u00f4nico em forma\u00e7\u00e3o. Destaca tamb\u00e9m a interven\u00e7\u00e3o em 8 dos 15 pa\u00edses da esfera p\u00f3s-sovi\u00e9tica. Este gigante eurasiano procura contrariar a hegemonia dos EUA com o tri\u00e2ngulo estrat\u00e9gico com a China e a \u00cdndia, ao qual acrescenta o Brasil e a \u00c1frica do Sul (os actuais BRICS+) e a Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai.<\/p>\n<p>Ao interpretar os crit\u00e9rios seguidos por L\u00eanin, mostra porque \u00e9 que a gravita\u00e7\u00e3o da economia russa no mundo n\u00e3o adquire padr\u00f5es imperialistas. Na sua investiga\u00e7\u00e3o destes crit\u00e9rios e de outros seguidores daquele, verifica que na R\u00fassia n\u00e3o houve imperialismo sovi\u00e9tico porque era socialista, n\u00e3o \u00e9 um subimperialismo e \u00e9 essencial diferenci\u00e1-lo do imperialismo dominante. Ao mesmo tempo, critica os olhares benevolentes que n\u00e3o percebem os inconvenientes pol\u00edticos e sociais internos. Para Claudio Katz, Moscovo \u00e9 uma pot\u00eancia militar e a sua influ\u00eancia vai nessa dire\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 necess\u00e1rio intensificar a leitura de baixo e criticar pol\u00edticas internas que est\u00e3o longe do progressismo.<\/p>\n<p>Na quinta parte recupera a no\u00e7\u00e3o de subimperialismo de Ruy Mauro Marini, para analisar uma regi\u00e3o que costuma antecipar ou mostrar as mudan\u00e7as sist\u00eamicas em curso, o Oriente M\u00e9dio. Por tr\u00eas factores como a sua localiza\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica na intersec\u00e7\u00e3o e cruzamento de rotas, as suas reservas de hidrocarbonetos, e porque \u00e9 visto por alguns como as alavancas a partir das quais o mundo pode ser dominado. Avalia a interven\u00e7\u00e3o liderada pelos Estados Unidos nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas (e especialmente desde 2001), como um fracasso da tentativa de balcaniza\u00e7\u00e3o e dos objectivos de impedir o surgimento de um novo concorrente sist\u00e9mico como a R\u00fassia ou a China.<\/p>\n<p>Verifique como os alicerces do \u201cProjeto do Novo S\u00e9culo Americano\u201d foram desperdi\u00e7ados atrav\u00e9s do belicismo ali praticado. Conceitua a interven\u00e7\u00e3o directa ou sob san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas unilaterais, e as mentiras para uma suposta \u201cguerra contra o terrorismo\u201d, ou o papel do petr\u00f3leo e das armas no dom\u00ednio daquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo 15 \u201cTr\u00eas perfis diferentes do imperialismo dominante\u201d, ele organiza a arquitectura mundial baseada na subordina\u00e7\u00e3o europeia, e as posi\u00e7\u00f5es contra um imprevis\u00edvel imp\u00e9rio russo em forma\u00e7\u00e3o, e a grande implanta\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica chinesa cujo estatuto \u00e9 n\u00e3o-imperial. Verifiquem-se as situa\u00e7\u00f5es de subpot\u00eancias em crescimento como o Paquist\u00e3o, ou o caso regional do \u201cCurdist\u00e3o\u201d. Nos cap\u00edtulos seguintes cobre as implica\u00e7\u00f5es das pot\u00eancias regionais subimperiais Turquia, Ar\u00e1bia Saudita e Ir\u00e3o, depois diferencia as circunst\u00e2ncias de cada uma em refer\u00eancia \u00e0 regi\u00e3o, a sua rela\u00e7\u00e3o com as pot\u00eancias e como isso teria impacto \u00e0 escala planet\u00e1ria. Por \u00faltimo, o caso do co-imperialismo particular de Israel, principal aliado geoestrat\u00e9gico naquela regi\u00e3o nevr\u00e1lgica.<\/p>\n<p>A sexta e \u00faltima sec\u00e7\u00e3o esclarece a forma como as derrotas do imperialismo nesta vasta \u00e1rea n\u00e3o conduziram a triunfos progressistas. Ele questiona sobre o papel do antiimperialismo e da esquerda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s posi\u00e7\u00f5es relativas aos acontecimentos mais recentes, \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o ou \u00e0 resist\u00eancia contra as manobras persistentes na regi\u00e3o que se intensificaram neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Os cap\u00edtulos seguintes centram-se na crise na Europa manifestada na Ucr\u00e2nia como uma das \u00e1reas de liberta\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o e fracionamento do mundo. As tentativas de subjugar a Europa e a responsabilidade do imperialismo Americano s\u00e3o not\u00f3rias, no entanto, a press\u00e3o de Kiev colidiu com uma reac\u00e7\u00e3o de Moscovo. Deve ser examinado se foi ou n\u00e3o excessivo. Da mesma forma, ele calcula o papel da competi\u00e7\u00e3o, do lucro e da explora\u00e7\u00e3o (isto \u00e9, do capitalismo) como em todo o pensamento de Claudio Katz, bem como as posi\u00e7\u00f5es divergentes em rela\u00e7\u00e3o a este conflito em curso.<\/p>\n<p>Enquanto o cap\u00edtulo final recupera as conceitua\u00e7\u00f5es coligidas na escrita. Esta t\u00e3o esperada publica\u00e7\u00e3o ordena e sintetiza o percurso e a singularidade do imperialismo nesta nova fase do capitalismo, atrav\u00e9s do m\u00e9todo dial\u00e9tico. Tra\u00e7a uma vis\u00e3o de como os diferentes confrontos v\u00eam mudando nas \u00faltimas d\u00e9cadas, desde o momento da emerg\u00eancia de um mundo unipolar.<\/p>\n<p>Claudio Katz verifica ao longo da escrita que o epicentro do sistema imperial est\u00e1 protegido no que poder\u00edamos chamar de controle do exerc\u00edcio da viol\u00eancia em larga escala. A supremacia econ\u00f3mica \u00e9 um factor l\u00f3gico, e tamb\u00e9m se baseia na repeti\u00e7\u00e3o de narrativas que endossam o status quo, mas corrobora a tese de que o fundamental \u00e9 o uso da coer\u00e7\u00e3o para preservar o capitalismo.<\/p>\n<p>As diferentes \u00e1reas de tens\u00e3o como o Sahel, a Ucr\u00e2nia, Taiwan ou o Ir\u00e3o, onde as tens\u00f5es entre a R\u00fassia, a China e os Estados Unidos s\u00e3o resolvidas, exp\u00f5em novas articula\u00e7\u00f5es abordadas nesta vis\u00e3o geral. Contudo, o poder geopol\u00edtico-militar dos Estados Unidos \u00e9 posto em causa. Bem como todos os andaimes organizados desde meados do s\u00e9culo XX atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es como o FMI, o Banco Mundial, a OTAN, ou ainda mais recentes como AUKUS ou QUAD. Isto \u00e9 minado pela ascens\u00e3o da China (primeiramente associada ao capitalismo americano).<\/p>\n<p>O que oferece outra perspectiva de organiza\u00e7\u00f5es sob a sua \u00e9gide, como a SCO, BRICS+ ou a Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota (BRI). Apesar disso, Cl\u00e1udio Katz prop\u00f5e uma vis\u00e3o cr\u00edtica que supera, por um lado, uma vis\u00e3o apenas de cima dos equil\u00edbrios ou disputas entre poderes e, por outro, o papel ativo dos movimentos sociais e das rebeli\u00f5es.<\/p>\n<p>Destaca-se a capacidade anal\u00edtica de obter uma vis\u00e3o panor\u00e2mica das condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, ao mesmo tempo que evidencia profundidade hist\u00f3rica e geogr\u00e1fica. Na verdade, a escolha de n\u00e3o incluir aqui a parte dedicada \u00e0 Nossa Am\u00e9rica, convida voc\u00ea a ler mais tarde, a fim de completar uma perspectiva geral do ambiente pol\u00edtico e dos dilemas te\u00f3ricos atuais.<\/p>\n<p>Do in\u00edcio ao fim temos uma leitura consistente, que convida tamb\u00e9m n\u00e3o especialistas interessados em compreender o mundo atual, pois desmistifica um grande n\u00famero de pressupostos. Por tr\u00e1s de cada postulado est\u00e1 uma reflex\u00e3o constante e at\u00e9 coletiva. Al\u00e9m de elucidar ideias que conflitam com seus fundamentos. Tem a virtude de deixar temas abertos \u00e0 discuss\u00e3o sem conclus\u00f5es decisivas. O encerramento do trabalho refuta outros aspectos em discuss\u00e3o e demonstra o trabalho agu\u00e7ado, agora o que resta \u00e9 convidar a novas leituras e debates.<\/p>\n<p>Como todo grande livro, abre novas quest\u00f5es, aqui sobre a crise do sistema imperial e o seu desenvolvimento. Este pensador e economista com profundo enfoque geogr\u00e1fico justifica o desenvolvimento do texto e sua utiliza\u00e7\u00e3o dizendo \u201cA caracteriza\u00e7\u00e3o do sistema imperial \u00e9 essencial para compreender e transformar a realidade contempor\u00e2nea (Katz, 2023)\u201d.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: A crise do sistema imperial &#8211; A Terra \u00e9 Redonda &#8211; https:\/\/aterraeredonda.com.br\/a-crise-do-sistema-imperial-2\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARTIN MARTINELLI &#8211; Coment\u00e1rio sobre o livro, rec\u00e9m-lan\u00e7ado, de Claudio Katz. Este \u00e9 um livro fundamental na batalha de ideias da atual reconfigura\u00e7\u00e3o mundial. O trabalho adota uma vis\u00e3o abrangente e sist\u00eamica do s\u00e9culo XXI. \u00c9 uma caixa de ferramentas para partir de vis\u00f5es globais e poder realizar uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o sem se confundir. 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