{"id":19829,"date":"2023-09-10T12:50:54","date_gmt":"2023-09-10T15:50:54","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19829"},"modified":"2023-09-06T11:55:35","modified_gmt":"2023-09-06T14:55:35","slug":"o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/","title":{"rendered":"O que significa o fetichismo da mercadoria?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Douglas Rodrigues Barros<\/strong> &#8211; <span style=\"font-size: 16px;\">O fetichismo da mercadoria foi a compreens\u00e3o que Marx teve de que o capital se tornou o novo deus. Ele fundamenta as bases e movimenta a sociedade onde reina a mercadoria, d\u00e1 a impress\u00e3o que os produtos do trabalho humano se tornam aut\u00f4nomos ante seus produtores pelas for\u00e7as irreconhec\u00edveis do capital e do mercado, organizando a pr\u00f3pria subjetividade dos indiv\u00edduos.<\/span><\/p>\n<p>Talvez uma forma de sedimentar na alma do desocupado-leitor os significados que constituem a no\u00e7\u00e3o de fetichismo esteja no retorno aos seus fundamentos. Contudo, no desejo social pelo instant\u00e2neo, espraiado pela dopamina diante dos dispositivos, \u00e9 prov\u00e1vel que essa exig\u00eancia soe tresloucada. Cabe a mim, desocupado-escriba, fornecer um atalho, mais ou menos conhecido por outros escribas do s\u00e9culo passado, manifesto sobretudo pelo carisma do marxismo heterodoxo. Afinal, o \u00fanico que realmente vale a pena.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">E por falar em carisma, \u00e9 conhecida a rela\u00e7\u00e3o profundamente religiosa inerente \u00e0 ideia de fetichismo da mercadoria. Atente-se: tudo come\u00e7a pelo debate da religi\u00e3o que naquela Alemanha \u2013 que n\u00e3o era propriamente uma Alemanha, mas v\u00e1rias \u2013 era pol\u00edtico. A figura de proa desse debate residia num judeu hegeliano, poeta bem sucedido e dos bons, chamado Heine! Pensando bem, voltemos a outro judeu, Eduard Gans, que conheceu Hegel quando chegou em Berlim por volta de 1815, e al\u00e9m de jurista era tamb\u00e9m um competente fil\u00f3sofo. Ele se tornou presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Cultura e Ci\u00eancia do Juda\u00edsmo e seu trabalho te\u00f3rico consistia em se debater naquilo que constitu\u00eda a identidade europeia na sua rela\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o \u00e0 judaica (Ah, essa tal de identidade!).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eduard Gans, amigo de Heine, deteve uma profunda influ\u00eancia na concep\u00e7\u00e3o de Hegel para pensar o juda\u00edsmo como uma religi\u00e3o da liberdade.<a id=\"_ftnref1\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn1\"><sup>1<\/sup><\/a>\u00a0Assim, longe de ser um debate de ascetas te\u00f3logos, a quest\u00e3o da religi\u00e3o assumia um tom imanentemente pol\u00edtico numa sociedade atrasada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade. Tratou-se, no primeiro momento, da busca por entender qual religi\u00e3o respondia aos imperativos da liberdade em conson\u00e2ncia \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico pol\u00edticas. Claro, para muitos alem\u00e3es o protestantismo constitu\u00eda a vanguarda at\u00e9 Feuerbach mandar pelos ares essa perspectiva.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Antes dele, por\u00e9m, David Strauss lan\u00e7a em 1836 um livro chamado\u00a0<em>A vida de Jesus<\/em>\u00a0que trazia contribui\u00e7\u00f5es para pensar o cristianismo sob novo enfoque. Nele Strauss tocou em algo fundamental na filosofia hegeliana que remonta a Lessing: a demonstra\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o do sentido do cristianismo sugeria uma liberdade gen\u00e9rica ocorrida na realidade hist\u00f3rica. Remonta a Lessing porque n\u00e3o importa mais o texto b\u00edblico sen\u00e3o a Ideia. \u00c9 ela a for\u00e7a motora que dota a hist\u00f3ria de sentido e finalidade. Essa finalidade \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da liberdade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas, \u2013 enquanto vou competindo por sua aten\u00e7\u00e3o com a aba ao lado \u2013 permita-me reformular o caminho: Heine \u2013 voltemos a ele \u2013 foi a figura que praticamente abriu a treta na cis\u00e3o interna ao hegelianismo: o que ficaria conhecido como hegelianismo de esquerda e de direita. Pensando os efeitos art\u00edsticos \u00e0 ascens\u00e3o do protestantismo, Heine chega a um conceito de literatura moderna que leva em considera\u00e7\u00e3o o imbricamento entre o subjetivo e o objetivo: um momento no qual \u201ca individualidade e o ascetismo predominam\u201d.<a id=\"_ftnref2\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn2\"><sup>2<\/sup><\/a>\u00a0O maior sintoma do prosa\u00edsmo moderno, foi para a gera\u00e7\u00e3o da qual Heine era figura de proa, a tradu\u00e7\u00e3o da b\u00edblia por Lutero. A treta surge quando a Ideia de liberdade se torna ausente na realidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Daria para esticar o chiclete at\u00e9 Lessing, mas basto-me afirmando que parte dessa gera\u00e7\u00e3o, herdeira de Hegel e encabe\u00e7ada por Heine, provoca uma tor\u00e7\u00e3o: enxerga o cristianismo como uma Ideia (<em>Idee<\/em>) que havia fracassado e permitido sacrif\u00edcios incalcul\u00e1veis \u00e0 humanidade. No entanto, \u00e0 ideia da morte de Deus se sucede a pergunta: qual deus se assentaria no trono? Seria poss\u00edvel uma realidade social em que se superasse os cuidados da organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica e que dependesse unicamente do conhecimento e da\u00a0<em>Bildung<\/em>\u00a0(forma\u00e7\u00e3o) consolidando liberdade ao sujeito?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Heine, um poeta famoso e perseguido, proibido de por os p\u00e9s na Pr\u00fassia, carregando no curr\u00edculo o juda\u00edsmo e um socialismo particular sabia que: \u201co vetusto Jeov\u00e1 se prepara para morte\u201d e no pat\u00edbulo lhe aguardou Kant, Fichte e o idealismo alem\u00e3o. Os ecos disso n\u00e3o passariam indiferentes a outro hegeliano de esquerda; Feuerbach, e, claro, ao mais mo\u00e7o da turma de olhar atento com matiz curioso: Karl Marx.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O passo dado por ele, atrav\u00e9s das contribui\u00e7\u00f5es feurbachianas, foi o de pressentir que se o fetichismo religioso se tornava um pante\u00edsmo espinosano na Alemanha \u00e9 porque havia se transfigurado num outro fetichismo. Ora, se Deus havia morrido, n\u00e3o se podia esquecer da ressurei\u00e7\u00e3o. Eis a g\u00eanese do venturoso conceito: \u00e9 no interior desse profundo debate que se come\u00e7am as rumina\u00e7\u00f5es sobre o fetichismo da mercadoria. Ora, ora, meu caro desocupado-leitor, temos uma primeira pista: o fetichismo da mercadoria \u00e9 insepar\u00e1vel da elabora\u00e7\u00e3o do fetichismo religioso.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>O jovem Marx descobrindo o novo deus<\/strong><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se Heine foi o pontap\u00e9, o encontro com o pensamento de Feuerbach definir\u00e1 o modo pelo qual o jovem Marx vai ler a economia pol\u00edtica. \u00c9 da\u00a0<em>Ess\u00eancia do cristianismo<\/em>,<em>\u00a0<\/em>de 1841,<a id=\"_ftnref3\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn3\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0que ele retira um conceito caro: a aliena\u00e7\u00e3o.<a id=\"_ftnref4\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn4\"><sup>4<\/sup><\/a>\u00a0Se, para Feuerbach, era Cristo que dava valor ao homem, no rearranjo, governado pela forma de sociabilidade do capital, para o jovem Marx, \u00e9 o dinheiro que, reduzindo as rela\u00e7\u00f5es sociais ao imp\u00e9rio da quantifica\u00e7\u00e3o, torna-se o agente. A aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 vista, nesse primeiro momento de sua produ\u00e7\u00e3o, como a oblitera\u00e7\u00e3o daquilo que forja as rela\u00e7\u00f5es internas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da vida social. A forma monet\u00e1ria, realizada pela redu\u00e7\u00e3o que a troca efetiva, impede o reconhecimento do indiv\u00edduo enquanto produtor. A pr\u00f3pria vida social, governada por essa abstra\u00e7\u00e3o quantitativa, torna-se o campo da aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Marx ainda pensa a ideia de aliena\u00e7\u00e3o como uma n\u00e3o-consci\u00eancia das a\u00e7\u00f5es que se desenvolvem por detr\u00e1s das costas dos indiv\u00edduos. S\u00f3 mais tarde, no seu retorno a Hegel n\u2019<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-capital-livro-1-nova-edicao-1337\"><em>O<\/em>\u00a0<em>capital<\/em>,<\/a>\u00a0ele se dar\u00e1 conta de que a abstra\u00e7\u00e3o promovida pela aliena\u00e7\u00e3o se tornou o objeto constitutivo da pr\u00f3pria realidade. Quando, isento desta ingenuidade pr\u00f3pria ao marxismo vulgar, ele se tornar\u00e1 o int\u00e9rprete dos fen\u00f4menos sociais organizados a partir do\u00a0<em>fetichismo da mercadoria<\/em>. O interesse para n\u00f3s, nesse mo\u00e7o tateando o labirinto, \u00e9 sua chegada \u00e0 conclus\u00e3o que o dinheiro havia se convertido no\u00a0<em>leitmotiv<\/em>\u00a0da sociabilidade adquirindo a mesma posi\u00e7\u00e3o do fetichismo religioso: se por meio do Cristo o homem realizava sua ess\u00eancia, em Feuerbach, no jovem Marx, essa ess\u00eancia \u2013 as rela\u00e7\u00f5es sociais \u2013 ser\u00e1 realizada pelo dinheiro.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Aqui, um membro da sagrada fam\u00edlia uspiana me \u00e9 fundamental: outro jovem, Giannotti, que, ao estabelecer o caminho que leva Marx ao fetichismo da mercadoria, repara que \u201co dinheiro \u00e9 a atividade alienada cujo valor, entretanto, adquire realidade exclusivamente do fato de vincular propriedades privadas, passando a media\u00e7\u00e3o entre os homens a ser medida pela media\u00e7\u00e3o alienada, pelo dinheiro.\u201d<a id=\"_ftnref5\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn5\"><sup>5<\/sup><\/a><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Calma! Respire e perceba desocupado-leitor: para o jovem Marx, o valor se estabelecia na vincula\u00e7\u00e3o entre propriedades privadas a partir da produ\u00e7\u00e3o visando a troca da mercadoria por dinheiro,<a id=\"_ftnref6\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn6\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0ou seja, Marx ainda\u00a0est\u00e1 \u00e0s voltas com uma no\u00e7\u00e3o de valor preso ao valor-de-uso nos limites de uma aliena\u00e7\u00e3o cuja estrutura \u00e9 feuerbachiana. Ele ainda n\u00e3o enxergava o valor como quantifica\u00e7\u00e3o indiferenciada de trabalhos mensur\u00e1veis encarnados na\u00a0<em>forma mercadoria<\/em>. A ideia de aliena\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 aquela de alheamento que impede de chegar \u00e0 verdade substancial que reside no \u201cSer\u201d, distinguindo no produto um valor natural porque n\u00e3o tinha chegado \u00e0 revolucion\u00e1ria no\u00e7\u00e3o de forma mercadoria. \u00c9 como se o jovem Marx, vendado por Feuerbach, apertasse as bochechas do novo deus tentando adivinhar-lhe a face.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Aos poucos, por\u00e9m, Marx vai se ligando que o fetichismo, mesmo o religioso, n\u00e3o era simplesmente algo que inverte as rela\u00e7\u00f5es concretas \u2013 aquela tend\u00eancia feuerbachiana de atribuir a Deus o que \u00e9 do homem \u2013 ele percebe que essa atribui\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para a pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais. Gosto de dizer que, nesse ponto, o Marx maduro rompe com aquele iluminismo humanista, muito presente em seus amigos do caf\u00e9 dos doutores, para observar o quanto a concretude delimita as formas de idealiza\u00e7\u00f5es sociais que se retroalimentam e organizam sentido \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos sujeitos. E, claro, o fetichismo da mercadoria ter\u00e1 um papel fundamental para o desnudamento desse car\u00e1ter.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Enfim, o fetichismo da mercadoria<\/strong><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sob preocupa\u00e7\u00f5es aparentemente neutras, camufladas em problemas teol\u00f3gicos, agitava-se uma ideia t\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uma interpreta\u00e7\u00e3o quanto a revela\u00e7\u00e3o da realidade. \u00c9 no interior delas que Marx ir\u00e1 fazer uma das mais instigantes perguntas: qual \u00e9 a forma elementar da produ\u00e7\u00e3o capitalista? Se for o capital, no que consiste? A simples apar\u00eancia do capital \u00e9 que ele \u00e9 dinheiro e mercadoria ao mesmo tempo, s\u00f3 que o dinheiro \u00e9 tamb\u00e9m uma mercadoria. Ent\u00e3o o capital \u00e9 tamb\u00e9m uma mercadoria que, diferente de todas as outras, pode ser infinitamente acumulado gra\u00e7as ao seu car\u00e1ter de quantifica\u00e7\u00e3o abstrata.\u00a0 Mas, o que possibilita que o dinheiro se torne capital? \u00c9 o valor, est\u00fapido!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Na maturidade, Marx chega \u00e0 distin\u00e7\u00e3o existente entre valor-de-uso e valor como express\u00f5es do duplo car\u00e1ter do trabalho que, por um lado, aparece como atividade particular produtora da satisfa\u00e7\u00e3o e, por outro, traz em sua produ\u00e7\u00e3o o\u00a0<em>valor<\/em>\u00a0como atividade universal.<a id=\"_ftnref7\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn7\"><sup>7<\/sup><\/a>\u00a0O valor \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o do produto como mercadoria. O que significa tamb\u00e9m que a produ\u00e7\u00e3o do valor \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria exist\u00eancia social sob o imp\u00e9rio da mercadoria. Mas vamos com calma!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como o valor se processa? Para responder essa quest\u00e3o, \u00e9 melhor que se fa\u00e7a outra: o que \u00e9 uma mercadoria? 1) A mercadoria n\u00e3o pode ser confundida com um mero produto pois se determina pelo duplo car\u00e1ter encarnado nela: valor-de-uso e valor \u2013 cuja potencialidade \u00e9 se tornar um valor de troca; 2) o valor de uso sequer pode ser visto como uma categoria econ\u00f4mica, e; 3) \u00e9 na troca que a mercadoria emerge e sua apari\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionada por algo que possibilite essa troca (o valor encarnado no processo de produ\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Uma nova pergunta: qual a condi\u00e7\u00e3o de possibilidade para a troca de diferentes produtos que enquanto valores de uso permanecem incomensur\u00e1veis? O valor. E o que delimita esse valor? O trabalho que o produziu! O trabalho mensurado na dura\u00e7\u00e3o e, portanto, na quantidade de disp\u00eandio comp\u00f5e o valor sem considera\u00e7\u00e3o pela forma espec\u00edfica em que o tempo foi gasto. Esse \u00e9 o famoso\u00a0<em>trabalho abstrato<\/em>: uma quantidade determinada de trabalho humano indiferenciado contido numa mercadoria e tacitamente mensur\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A sutileza metaf\u00edsica vem do fato que o valor-de-troca se relaciona \u00e0 forma fenom\u00eanica e n\u00e3o ao conte\u00fado da mercadoria, que sem a potencialidade da troca se relegaria a ser um mero produto para o consumo. Ent\u00e3o perceba desocupado-leitor: a mercadoria \u00e9 a s\u00edntese entre valor-de-uso e valor \u2013 o trabalho concreto e abstrato que a criaram \u2013 que pode se realizar pela troca no mercado ao equalizar diferentes mercadorias.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A forma mercadoria se torna, portanto, a forma social concreta do produto de trabalho, e o valor \u00e9 determinado pelo disp\u00eandio de tempo para a produ\u00e7\u00e3o da mercadoria correlacionando o\u00a0<em>trabalho abstrato<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>concreto<\/em>. J\u00e1 falo desses dois conceitos fundamentais, mas \u00e9 importante dizer que, nesse admir\u00e1vel novo mundo, n\u00e3o importa o uso que se fa\u00e7a da mercadoria, ou as caracter\u00edsticas que ela detenha, o que importa \u00e9 a equival\u00eancia entre grandezas que permita a permuta de mercadorias diferentes.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Dessa abstra\u00e7\u00e3o objetiva das caracter\u00edsticas da mercadoria erige a ordem societ\u00e1ria capitalista cujos produtos n\u00e3o s\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o humana sen\u00e3o para a reprodu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio capital por meio da realiza\u00e7\u00e3o de trocas que se tornam generalizadas numa espiral ascendente que domina todos os poros da vida social. O fetichismo repousa nesse tra\u00e7o fundamental: a organiza\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s das trocas de coisas determinadas por um impulso supostamente aut\u00f4nomo dado pelo capital. A mercadoria \u00e9 a c\u00e9lula nuclear do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista porque ela opera a s\u00edntese das multiplicidades concretas da rela\u00e7\u00e3o social no mercado como unidade que segue o esquema formal da teocracia, s\u00f3 que agora secularizada e promovida pelo culto moderno das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O valor, efetivado a partir da abstra\u00e7\u00e3o quantitativa do disp\u00eandio de trabalho, transfigura a mercadoria como a fun\u00e7\u00e3o formadora de uma nova subst\u00e2ncia social que impulsiona a rela\u00e7\u00e3o humana. As condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da troca precisam ser efetivadas a partir da constru\u00e7\u00e3o de uma personagem jur\u00eddica equivalente ao modo abstra\u00eddo da realidade organizada pelo valor.<a id=\"_ftnref8\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn8\"><sup>8<\/sup><\/a><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se o capital se torna um deus, sua catedral \u00e9 o Estado que realiza o processo de gest\u00e3o contratual da vida tendo como objetivo a expans\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de troca. Marx, em muitos momentos d\u2019<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-capital-livro-1-nova-edicao-1337\"><em>O<\/em>\u00a0<em>capital<\/em><\/a>\u00a0vai demonstrar que sob o imp\u00e9rio da mercadoria as caracter\u00edsticas pessoais e da sociedade n\u00e3o importam desde que detenham possibilidade de valoriza\u00e7\u00e3o e de realiza\u00e7\u00e3o na troca. A realiza\u00e7\u00e3o do valor de uma mercadoria se torna o p\u00f3rtico da sociabilidade que assume a forma fantasmag\u00f3rica de uma rela\u00e7\u00e3o entre coisas. O fetichismo imp\u00f5e uma cosmovis\u00e3o que se torna generalizada com a mundializa\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Isso implica a necessidade de se instaurar um regime de igualdade formal \u2013 no qual a quebra de igualdade seja vista apenas como exce\u00e7\u00e3o subjetiva \u2013, na medida em que todos s\u00e3o avaliados exclusivamente pelo papel que desempenham no processo. Cada qual aparece na rela\u00e7\u00e3o apenas como portador de mercadoria. Se o capital se sagra como deus, no lugar de Jeov\u00e1, a consolida\u00e7\u00e3o do seu reino est\u00e1 no valor como potencialidade de se realizar enquanto troca. Nos tornamos, assim, ap\u00eandices de uma maquinaria que organiza nossa nova religiosidade cujo culto ser\u00e1 fornecido pelas institui\u00e7\u00f5es estatais e cuja identifica\u00e7\u00e3o com e como mercadoria \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u00c9 o duplo car\u00e1ter do trabalho que consolida esse admir\u00e1vel mundo novo: enquanto\u00a0<em>trabalho concreto<\/em>\u00a0vemos enorme diversidade onde quer que reine a moderna divis\u00e3o do trabalho \u2013 trabalho fabril, setor de servi\u00e7os etc. \u2013 h\u00e1 diferen\u00e7as qualitativas. Enquanto\u00a0<em>trabalho abstrato<\/em>\u00a0assistimos uma redu\u00e7\u00e3o das qualidades ao disp\u00eandio quantitativo delimitado pela dura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. O trabalho abstrato, e o valor por ele produzido, n\u00e3o envolve nada de material sen\u00e3o uma abstra\u00e7\u00e3o social que permite permutar uma mercadoria por outra ao tornar diferentes valores de uso comensur\u00e1veis entre si atrav\u00e9s do pr\u00f3prio valor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Marx diz em algum ponto que a forma do valor de uma mercadoria assume express\u00e3o fora dela ao manifestar-se como valor de troca. Essa express\u00e3o assumida para al\u00e9m de si mesma indica que o valor se realizou e agora precisa ser sacralizado no ambiente prop\u00edcio e historicamente necess\u00e1rio do\u00a0<em>mercado<\/em>. Perceba ent\u00e3o que o capital n\u00e3o \u00e9 apenas uma universalidade abstrata. A abstra\u00e7\u00e3o que imprime, por meio do valor, necessita de uma rela\u00e7\u00e3o substancial com o mundo das infinitas mercadorias fundado pelo mercado. Ele \u00e9 real na medida que, como um imenso buraco negro, absorve as formas de sociabilidade humanas impondo seu imp\u00e9rio.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eu n\u00e3o tenho interesse aqui em fazer uma discuss\u00e3o can\u00f4nica delimitada por uma filologia do texto, mas, pela porta que te convido a abandonar as esperan\u00e7as e entrar, j\u00e1 d\u00e1 para perceber que o\u00a0<em>fetichismo da mercadoria<\/em>\u00a0se apresenta como uma transfigura\u00e7\u00e3o da atividade social \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o de uma representa\u00e7\u00e3o (<em>V\u00f6rstellung<\/em>) objetificada.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Parece complicado, mas n\u00e3o \u00e9 muito: na vida social da mercadoria h\u00e1 trabalhos qualitativamente diferentes postos como quantitativamente iguais por meio do valor, ent\u00e3o, o fetichismo se processa quando a abstra\u00e7\u00e3o desse processo social se naturaliza e \u00e9 visto como um poder aut\u00f4nomo. As rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o se tornam uma coisa material que escapa ao controle independente da atividade individual e consciente. Noutras palavras, o capital \u00e9 quem se torna o sujeito do processo e n\u00f3s somos simples objetos para sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Marx sempre foi muito claro na aproxima\u00e7\u00e3o do fetichismo religioso com o fetichismo da mercadoria. Entre outras conclus\u00f5es poss\u00edveis est\u00e1 a ideia de que a humanidade cria os fetiches atribuindo a eles poderes sobrenaturais. Foi por esse caminho, sobretudo, que o marxismo vulgar interpretou o fetichismo como uma mistifica\u00e7\u00e3o. O fetichismo da mercadoria foi lido simplesmente como representa\u00e7\u00f5es falsas produzidas na produ\u00e7\u00e3o capitalista que ocultam o verdadeiro aspecto dessa produ\u00e7\u00e3o. Disso foi um pulo para a cren\u00e7a de que a supera\u00e7\u00e3o do fetichismo se d\u00e1 com o conhecimento da mais-valia e com a leitura de Marx.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ocorre, por\u00e9m, que o fetichismo n\u00e3o \u00e9 apenas uma representa\u00e7\u00e3o invertida da realidade, ele \u00e9 a invers\u00e3o da pr\u00f3pria realidade.<a id=\"_ftnref9\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftn9\"><sup>9<\/sup><\/a>\u00a0O fetichismo da mercadoria foi a compreens\u00e3o que Marx teve de que o capital se tornou o novo deus. Ele fundamenta as bases e movimenta a sociedade onde reina a mercadoria, d\u00e1 a impress\u00e3o que os produtos do trabalho humano se tornam aut\u00f4nomos ante seus produtores pelas for\u00e7as irreconhec\u00edveis do capital e do mercado, organizando a pr\u00f3pria subjetividade dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Para fixar<\/strong><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Optei por um caminho curto, n\u00e3o sem aus\u00eancia do perigo, para pensar acerca do fetichismo da mercadoria e agora irei sintetiz\u00e1-lo com intuito de que fique fixado na consci\u00eancia do desocupado-leitor:<\/p>\n<ol type=\"1\">\n<li>O fetichismo da mercadoria deve ser pensado como algo interno ao debate sobre a religi\u00e3o que ocorria na Alemanha do s\u00e9culo XIX. Por sua vez, a religi\u00e3o, seja crist\u00e3 ou do capital, n\u00e3o deve ser vista somente como uma forma de mistifica\u00e7\u00e3o da realidade sen\u00e3o como uma mistifica\u00e7\u00e3o que a promove.<\/li>\n<li>Ele n\u00e3o \u00e9 uma parte do capitalismo, mas o fundamento que sustenta as rela\u00e7\u00f5es internas ao mundo da mercadoria respons\u00e1veis por organizar as formas administrativas e, por sua vez, o papel e sentido \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos.<\/li>\n<li>Ele est\u00e1 fundamentado pelo valor como quantifica\u00e7\u00e3o indiferenciada do trabalho humano que encarna a possibilidade de que valores-de-uso diferentes entre si possam ser transfigurados em valores-de-troca espraiando esse tipo de produ\u00e7\u00e3o da realidade social para o mundo inteiro.<\/li>\n<li>O fetichismo n\u00e3o se trata de um ato inconsciente ou consciente dos sujeitos, ele \u00e9 a forma mesma da rela\u00e7\u00e3o social sob pressupostos de manuten\u00e7\u00e3o da valoriza\u00e7\u00e3o do valor. Os sujeitos se objetificam enquanto os objetos se humanizam numa invers\u00e3o produtiva que d\u00e1 sentido e arrimo \u00e0s experi\u00eancias sociais moderna e contempor\u00e2nea.<\/li>\n<li>Isso n\u00e3o impede a recusa diante das formas secularmente sagradas que o capital constr\u00f3i, embora o fetichismo objetifique as rela\u00e7\u00f5es sociais, nem por isso o indiv\u00edduo se torna uma coisa.<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"has-text-align-justify\">At\u00e9 mais.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><br \/>\n<a id=\"_ftn1\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref1\"><sup>1<\/sup><\/a>\u00a0PINKARD, T.\u00a0<em>Hegel: a biography.\u00a0<\/em>Cambridge: Cambridge University Press, 2000.<br \/>\n<a id=\"_ftn2\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref2\"><sup>2<\/sup><\/a>\u00a0HEINE, H.\u00a0<em>On the history of religion and philosophy in Germany<\/em>:<em>\u00a0and Other writings<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 2007.<br \/>\n<a id=\"_ftn3\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref3\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0FEURBACH, L.\u00a0<em>A ess\u00eancia do cristianismo<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 da Silva Brand\u00e3o. Rio de Janeiro: Vozes, 2013.<br \/>\n<a id=\"_ftn4\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref4\"><sup>4<\/sup><\/a>\u00a0Dois textos de Marx na juventude me s\u00e3o caros \u00e0 conclus\u00e3o que segue: MARX, K.\u00a0<em>Introducci\u00f3n general a la critica de la economia pol\u00edtica\/1857<\/em>. C\u00f3rdoba: PYP, 1974 e MARX, K.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/manuscritos-economico-filosoficos-90\" rel=\"noreferrer noopener\">Manuscritos econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos<\/a><\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2006.<br \/>\n<sup><a id=\"_ftn5\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref5\">5<\/a>\u00a0<\/sup>GIANNOTTI, A.\u00a0<em>Origens da dial\u00e9tica do trabalho: estudos sobre a l\u00f3gica do jovem Marx.<\/em>\u00a0Rio de Janeiro: LPM, 1985, p. 122.<br \/>\n<a id=\"_ftn6\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref6\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0Vale refletir como mais tarde Marx\u00a0ir\u00e1 descrever o dinheiro como a \u00fanica mercadoria verdadeira (Cf. MARX, K,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-capital-livro-1-nova-edicao-1337\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>O capital<\/em>\u00a0Livro I<\/a>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014).<br \/>\n<a id=\"_ftn7\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref7\"><sup>7<\/sup><\/a>\u00a0Trata-se, doravante, de uma an\u00e1lise super sint\u00e9tica do livro I d\u2019<em><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-capital-livro-1-nova-edicao-1337\" rel=\"noreferrer noopener\">O capital<\/a><\/em>.<br \/>\n<a id=\"_ftn8\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref8\"><sup>8<\/sup><\/a>\u00a0Pachukanis, uma das muitas v\u00edtimas brilhantes que o stalinismo assassinou, chegou nessa conclus\u00e3o no seu c\u00e9lebre\u00a0<em>Teoria geral do direito e marxismo<\/em>.<br \/>\n<a id=\"_ftn9\" href=\"read:\/\/https_blogdaboitempo.com.br\/?url=https%3A%2F%2Fblogdaboitempo.com.br%2F2023%2F09%2F06%2Fo-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria%2F#_ftnref9\"><sup>9<\/sup><\/a>\u00a0JAPPE, A.\u00a0<em>Les aventures de la marchandise<\/em>:\u00a0<em>pour une nouvelle critique de la valeur.<\/em>\u00a0Paris: Editions Deno\u00ebl, 2003.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: O que significa o fetichismo da mercadoria? \u2013 Blog da Boitempo &#8211; https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2023\/09\/06\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Douglas Rodrigues Barros &#8211; O fetichismo da mercadoria foi a compreens\u00e3o que Marx teve de que o capital se tornou o novo deus. Ele fundamenta as bases e movimenta a sociedade onde reina a mercadoria, d\u00e1 a impress\u00e3o que os produtos do trabalho humano se tornam aut\u00f4nomos ante seus produtores pelas for\u00e7as irreconhec\u00edveis do capital [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19830,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[57],"class_list":["post-19829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria","tag-capitalismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O que significa o fetichismo da mercadoria? - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O que significa o fetichismo da mercadoria? - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Douglas Rodrigues Barros &#8211; O fetichismo da mercadoria foi a compreens\u00e3o que Marx teve de que o capital se tornou o novo deus. Ele fundamenta as bases e movimenta a sociedade onde reina a mercadoria, d\u00e1 a impress\u00e3o que os produtos do trabalho humano se tornam aut\u00f4nomos ante seus produtores pelas for\u00e7as irreconhec\u00edveis do capital [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-09-10T15:50:54+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/fetiche.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"730\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"410\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"O que significa o fetichismo da mercadoria?\",\"datePublished\":\"2023-09-10T15:50:54+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/\"},\"wordCount\":3490,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/09\\\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1\",\"keywords\":[\"Capitalismo\"],\"articleSection\":[\"Teoria\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/\",\"name\":\"O que significa o fetichismo da mercadoria? - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/09\\\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1\",\"datePublished\":\"2023-09-10T15:50:54+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/09\\\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2023\\\/09\\\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1\",\"width\":730,\"height\":410},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2023\\\/09\\\/10\\\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O que significa o fetichismo da mercadoria?\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O que significa o fetichismo da mercadoria? - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"O que significa o fetichismo da mercadoria? - Controversia","og_description":"Douglas Rodrigues Barros &#8211; O fetichismo da mercadoria foi a compreens\u00e3o que Marx teve de que o capital se tornou o novo deus. Ele fundamenta as bases e movimenta a sociedade onde reina a mercadoria, d\u00e1 a impress\u00e3o que os produtos do trabalho humano se tornam aut\u00f4nomos ante seus produtores pelas for\u00e7as irreconhec\u00edveis do capital [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2023-09-10T15:50:54+00:00","og_image":[{"width":730,"height":410,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/fetiche.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"O que significa o fetichismo da mercadoria?","datePublished":"2023-09-10T15:50:54+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/"},"wordCount":3490,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1","keywords":["Capitalismo"],"articleSection":["Teoria"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/","name":"O que significa o fetichismo da mercadoria? - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1","datePublished":"2023-09-10T15:50:54+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1","width":730,"height":410},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2023\/09\/10\/o-que-significa-o-fetichismo-da-mercadoria\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O que significa o fetichismo da mercadoria?"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/fetiche.jpg?fit=730%2C410&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19829"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19829\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19831,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19829\/revisions\/19831"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19830"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}