{"id":19715,"date":"2023-08-16T12:06:57","date_gmt":"2023-08-16T15:06:57","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19715"},"modified":"2023-08-11T17:12:40","modified_gmt":"2023-08-11T20:12:40","slug":"contraponto-a-robotizacao-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/08\/16\/contraponto-a-robotizacao-da-vida\/","title":{"rendered":"Contraponto \u00e0 robotiza\u00e7\u00e3o da vida"},"content":{"rendered":"<p><strong>Soraia Vilela<\/strong> &#8211; Escritora e pesquisadora completa trilogia sobre o lugar do animal na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Em 2008 Maria Esther Maciel publicou o livro\u00a0<em>O animal escrito: Um olhar sobre a zooliteratura contempor\u00e2nea\u00a0<\/em>(Lumme Editor), o primeiro dentro da sua pesquisa sobre a \u201chist\u00f3ria liter\u00e1ria dos animais\u201d. Mais tarde, em 2016, a professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) deu sequ\u00eancia \u00e0s suas reflex\u00f5es sobre o tema com\u00a0<em>Literatura e animalidade<\/em>\u00a0(Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira), para neste ano retomar a quest\u00e3o em\u00a0<em>Animalidades: Zooliteratura e os limites do humano<\/em>\u00a0(Editora Instante). Mestre em literatura brasileira e doutora em literatura comparada pela UFMG, com p\u00f3s-doutorado em cinema pela Universidade de Londres, Maciel organizou tamb\u00e9m a colet\u00e2nea\u00a0<em>Pensar\/escrever o animal: Ensaios de zoopo\u00e9tica e biopol\u00edtica<\/em>\u00a0(Editora da UFSC, 2011), com textos de estudiosos brasileiros e estrangeiros.<\/p>\n<p>Em entrevista a\u00a0<em>Pesquisa FAPESP<\/em>, a pesquisadora e escritora conta por que passou a se dedicar \u00e0 , comenta as interse\u00e7\u00f5es entre esse campo de pesquisa e outras \u00e1reas do conhecimento e relata como, em seus estudos sobre o tema, ocorreu o \u201csalto\u201d da hist\u00f3ria natural e do saber enciclop\u00e9dico \u201cpara a esfera da vida, com todas as suas inflex\u00f5es \u00e9ticas e pol\u00edticas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Poderia definir os conceitos de zooliteratura, zoopo\u00e9tica e estudos animais?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>Os estudos animais s\u00e3o um vasto campo de investiga\u00e7\u00e3o que, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, v\u00eam se afirmando em v\u00e1rias partes do mundo. Eles t\u00eam car\u00e1ter transversal e acolhem diferentes disciplinas, como zoologia, ecologia, etologia, filosofia, ci\u00eancias pol\u00edticas, antropologia, direito, artes e literatura, em torno de dois grandes eixos: um sobre o enfoque multifacetado dos animais n\u00e3o humanos e outro que se volta para nossas complexas e controversas rela\u00e7\u00f5es com eles. Zooliteratura e zoopo\u00e9tica seriam vertentes dessa extensa \u00e1rea. A primeira \u00e9 um conjunto de pr\u00e1ticas liter\u00e1rias, ou obras, de um autor, de um pa\u00eds, de uma \u00e9poca, que privilegiam a abordagem dos animais, da animalidade e das rela\u00e7\u00f5es entre humanos e n\u00e3o humanos. J\u00e1 a segunda diz respeito tanto ao estudo te\u00f3rico de obras liter\u00e1rias sobre animais quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica espec\u00edfica de um autor, voltada para o universo animalista. Minhas reflex\u00f5es mais amplas sobre a quest\u00e3o dos animais se constroem a partir de refer\u00eancias filos\u00f3ficas, biol\u00f3gicas, biopol\u00edticas e ecol\u00f3gicas. J\u00e1 a zooliteratura e zoopo\u00e9tica me ajudam a fazer um exame mais espec\u00edfico dessa quest\u00e3o na teoria liter\u00e1ria e na an\u00e1lise de textos narrativos e po\u00e9ticos que falam sobre os animais e as intera\u00e7\u00f5es animalidade\/humanidade. Costumo dizer que a zooliteratura possibilita uma compreens\u00e3o dos animais tamb\u00e9m pelo vi\u00e9s dos sentidos, da empatia e da imagina\u00e7\u00e3o, uma vez que os exerc\u00edcios po\u00e9tico-ficcionais da literatura podem nos levar \u00e0 travessia das fronteiras entre as esp\u00e9cies e ao reconhecimento da animalidade que nos habita.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as interse\u00e7\u00f5es entre a zooliteratura e \u00e1reas do conhecimento como antropologia, filosofia, biologia, zoologia, sociologia e artes?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>O pr\u00f3prio prefixo \u201czoo\u201d na palavra zooliteratura j\u00e1 indica uma incurs\u00e3o em outras esferas do conhecimento, a partir das interse\u00e7\u00f5es que atravessam os estudos animais. As ci\u00eancias biol\u00f3gicas, em especial a zoologia e a etologia, oferecem aos estudiosos de zooliteratura informa\u00e7\u00f5es importantes sobre caracter\u00edsticas, comportamentos, habilidades, emo\u00e7\u00f5es e modos de vida de diferentes esp\u00e9cies, enquanto as demais \u00e1reas das humanidades que voc\u00ea mencionou iluminam as dimens\u00f5es \u00e9ticas, pol\u00edticas e est\u00e9ticas, relativas ao mundo zoo, que incidem na literatura.<\/p>\n<blockquote><p>Os animais foram marginalizados na hierarquia dos seres vivos, associados a m\u00e1quinas e submetidos a todos os tipos de explora\u00e7\u00e3o e atrocidades<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Como e quando voc\u00ea come\u00e7ou a se interessar por esse tema e qual a recep\u00e7\u00e3o dele no mundo acad\u00eamico?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>Esse tema sempre esteve no meu horizonte, mas s\u00f3 a partir de 2007 passei a me dedicar a ele de forma mais efetiva. Isso aconteceu durante minha pesquisa anterior sobre invent\u00e1rios, cole\u00e7\u00f5es e enciclop\u00e9dias na literatura e nas artes, quando fui parar nas antigas enciclop\u00e9dias da natureza e nos besti\u00e1rios medievais. Ao ler\u00a0<em>A hist\u00f3ria dos animais<\/em>, de Arist\u00f3teles [384 a.C.-322 a.C.], as passagens zool\u00f3gicas da\u00a0<em>Hist\u00f3ria natural<\/em>, de Plinio, o Velho [23-79 d.C.], e as\u00a0<em>Etimologias<\/em>, de Santo Isidoro de Sevilha [560\u2013636], entrei na seara zoo. O\u00a0<em>Manual de zoologia fant\u00e1stica<\/em>, de Jorge Luis Borges [1899-1986], e outros animal\u00e1rios latino-americanos vieram em seguida. Se, no in\u00edcio, meu foco estava nas cole\u00e7\u00f5es de animais existentes e fant\u00e1sticos desses autores, depois me concentrei em diferentes registros liter\u00e1rios, \u00e9ticos e culturais do que chamei de \u201czoocole\u00e7\u00f5es\u201d. O contato com dois ensaios de Montaigne [1533-1592] sobre animais e, mais tarde, com as obras de J. M. Coetzee, Elisabeth de Fontenay, Jacques Derrida [1930-2004] e Armelle Bras-Chopard tamb\u00e9m foi fundamental. Esses textos me levaram a \u201csaltar\u201d da hist\u00f3ria natural e do saber enciclop\u00e9dico para a esfera da vida, com todas as suas inflex\u00f5es \u00e9ticas e pol\u00edticas. A partir de ent\u00e3o, a pesquisa foi se desdobrando em v\u00e1rias etapas. Escrevi, ao longo desses anos, tr\u00eas livros de ensaio sobre o tema e um de fic\u00e7\u00e3o, todo centrado em animais e plantas,\u00a0<em>Pequena enciclop\u00e9dia de seres comuns<\/em>\u00a0[Editora Todavia, 2021]. Quanto \u00e0 recep\u00e7\u00e3o no mundo acad\u00eamico, desde o in\u00edcio minha pesquisa foi acolhida: recebi uma bolsa do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico] e tive tamb\u00e9m o apoio do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados Transdisciplinares [Ieat] da UFMG, onde fui pesquisadora residente. Se houve alguma resist\u00eancia inicial de colegas da esfera acad\u00eamica, aos poucos isso come\u00e7ou a arrefecer. Hoje, percebo um interesse crescente pelos estudos zooliter\u00e1rios no Brasil, em articula\u00e7\u00e3o sobretudo com a ecocr\u00edtica. Afinal, vivemos num tempo marcado n\u00e3o apenas por cat\u00e1strofes ambientais e descobertas impressionantes no \u00e2mbito dos estudos de comportamento animal, como tamb\u00e9m pela emerg\u00eancia de pensamentos alternativos, como a do perspectivismo amer\u00edndio.<\/p>\n<p><strong>Em Animalidades: Zooliteratura e os limites do humano<\/strong><strong>\u00a0voc\u00ea dedica cap\u00edtulos a Machado de Assis [1839-1908], Clarice Lispector [1920-1977], Hilda Hilst [1930-2004] e Carlos Drummond de Andrade [1902-1987]. Por que a escolha?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>Como se trata de uma pesquisa extensa, com um enorme repert\u00f3rio de autores, procurei abordar quem mais se dedicou a esse universo zooliter\u00e1rio, em sintonia com os t\u00f3picos contemplados no livro. Nos meus livros anteriores tratei de nomes como Borges, Coetzee, Marianne Moore [1887-1972], Eva Hornung, Jacques Roubaud, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa [1908-1967] e Graciliano Ramos [1892-1953]. Machado de Assis e Clarice Lispector tamb\u00e9m ganharam destaque no\u00a0<em>Literatura e animalidade<\/em>, s\u00f3 que sob outros enfoques. No caso do\u00a0<em>Animalidades<\/em>, que \u00e9 mais concentrado nos \u201ceus\u201d n\u00e3o humanos presentes em poemas e narrativas, com \u00eanfase nos c\u00e3es, tanto Machado quanto Clarice me ofereceram muitos elementos instigantes para lidar com esse recorte. Outra autora importante na minha reflex\u00e3o sobre o que chamei de \u201czoo(auto)biografia\u201d foi a japonesa Yoko Tawada. Hilda Hilst est\u00e1 no cap\u00edtulo de Clarice gra\u00e7as a suas afinidades dissonantes com a obra clariciana. E Drummond, um dos primeiros autores brasileiros a tratar dos animais sob o prisma ecol\u00f3gico, foi primordial para que, no \u00faltimo cap\u00edtulo, eu entrasse nas po\u00e9ticas da natureza e me detivesse em autores contempor\u00e2neos que dialogam com as culturas amer\u00edndias.<\/p>\n<p><strong>Ao citar a escritora Marguerite Yourcenar [1903-1987], voc\u00ea sugere uma associa\u00e7\u00e3o entre maus-tratos\/pr\u00e1ticas de viol\u00eancia contra animais e a marginaliza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de grupos de humanos. Poderia falar sobre isso?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>Em decorr\u00eancia da cis\u00e3o entre humanidade\/animalidade efetuada pelo pensamento antropoc\u00eantrico e da consequente demarca\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cpr\u00f3prios do homem\u201d, como raz\u00e3o, linguagem e consci\u00eancia da morte, os animais foram ostensivamente marginalizados na hierarquia dos seres vivos, associados a m\u00e1quinas e submetidos a todos os tipos de explora\u00e7\u00e3o e atrocidades. Isso contribuiu n\u00e3o apenas para legitimar os atos de crueldade contra eles, como tamb\u00e9m para estabelecer hierarquias e pr\u00e1ticas de viol\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es dos humanos com os pr\u00f3prios humanos tidos como \u201cinferiores\u201d na escala social. Montaigne j\u00e1 havia atentado para isso num de seus ensaios, ao falar do aprisionamento e da explora\u00e7\u00e3o do animal como uma prerrogativa humana para a escraviza\u00e7\u00e3o de pessoas cujas vidas s\u00e3o tidas como menos importantes que outras. Essa dimens\u00e3o biopol\u00edtica tamb\u00e9m est\u00e1 na associa\u00e7\u00e3o feita por Michel Foucault [1926-1984] entre a cria\u00e7\u00e3o dos zool\u00f3gicos e dos pres\u00eddios e manic\u00f4mios. No livro\u00a0<em>Literatura e animalidade<\/em>, busquei explorar essa rela\u00e7\u00e3o, sobretudo ao tratar da obra de Coetzee. Yourcenar abordou o tema de forma bastante contundente no ensaio\u00a0<em>Para onde vai a alma dos animais<\/em>, de 1981: ela percorre a hist\u00f3ria do sofrimento animal desde a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 at\u00e9 a atualidade e ressalta a condi\u00e7\u00e3o infernal dos bichos que s\u00e3o condenados a se tornar produtos fabricados em s\u00e9rie. Depois, associa esse sofrimento ao dos humanos explorados e submetidos \u00e0 viol\u00eancia pelo poder de outros homens.<\/p>\n<p><strong>Ao citar a morte da cadela Lolabelle, da cantora norte-americana Laurie Anderson, e mencionar a associa\u00e7\u00e3o entre este fato e as mortes da m\u00e3e da artista e de seu companheiro Lou Reed [1942-2013], voc\u00ea diz que a morte de um c\u00e3o amado tende a trazer \u00e0 tona outras mortes. De que forma lidar com a perda de animais pr\u00f3ximos nos prepara para enfrentar a morte de humanos que amamos?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>A perda de animais de estima\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas nos prepara para enfrentar a morte de humanos que amamos, mas tamb\u00e9m traz \u00e0 tona as mortes que j\u00e1 aconteceram em nosso c\u00edrculo familiar, amoroso. Quando escrevi esse cap\u00edtulo, em que falo sobre a morte de Lolabelle, eu estava num processo de luto pela perda de minha amada cachorra Lalinha, de 15 anos. Meu marido havia morrido tr\u00eas anos antes, e minha m\u00e3e morreria tr\u00eas anos depois. O filme [<em>Cora\u00e7\u00e3o de cachorro<\/em>, 2015] que Laurie Anderson fez sobre sua cachorra, dedicado a Lou Reed, at\u00e9 hoje mexe comigo. A perda da minha amiga canina me levou a desenvolver a etapa da pesquisa intitulada \u201cC\u00e3es liter\u00e1rios\u201d, o que explica a presen\u00e7a de tantos cachorros no livro\u00a0<em>Animalidades<\/em>. Al\u00e9m disso, os estudos da americana Marjorie Garber [professora da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que transita pela literatura, artes, g\u00eanero e sexualidade] e do jornalista franc\u00eas Roger Grenier [1919-2017] contribu\u00edram para as minhas reflex\u00f5es sobre o tema das mortes caninas.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-487994 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-entrevista-2023-07-site-1140.jpg?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-entrevista-2023-07-site-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-entrevista-2023-07-site-1140-250x132.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-entrevista-2023-07-site-1140-700x369.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-entrevista-2023-07-site-1140-120x63.jpg 120w, \" alt=\"\" \/><br \/>\n<em>Laurie Anderson \u2013\u00a0Cora\u00e7\u00e3o de cachorro\u00a0(2015)\u2009\/\u2009Reprodu\u00e7\u00e3o YoutubeCenas do filme\u00a0Cora\u00e7\u00e3o de cachorro\u00a0(2015), dirigido por Laurie Anderson Laurie Anderson \u2013\u00a0Cora\u00e7\u00e3o de cachorro (2015)<\/em><\/p>\n<p><strong>Guimar\u00e3es Rosa parecia ter um apre\u00e7o especial pelo espa\u00e7o do zool\u00f3gico. Existe uma contradi\u00e7\u00e3o entre amar os animais, mas aceitar observ\u00e1-los em espa\u00e7os de confinamento?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>Rosa foi, sem d\u00favida, o maior animalista da literatura brasileira. Animais rurais, dom\u00e9sticos e silvestres, de diferentes esp\u00e9cies, aparecem em sua literatura, em situa\u00e7\u00f5es variadas. N\u00e3o acho que a rela\u00e7\u00e3o dele com o zool\u00f3gico enquanto institui\u00e7\u00e3o tenha sido de apre\u00e7o. Ele visitou zool\u00f3gicos em v\u00e1rias cidades do mundo para observar os bichos e escrever sobre eles, num exerc\u00edcio tamb\u00e9m de compaix\u00e3o. N\u00e3o por mero entretenimento. Nos fragmentos da s\u00e9rie\u00a0<em>Zoo<\/em>, do livro\u00a0<em>Ave palavra<\/em>, \u00e9 poss\u00edvel perceber uma mistura de curiosidade, assombro, ternura e empatia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dezenas de esp\u00e9cies que ele descreveu, sempre atento \u00e0s particularidades de comportamento de cada um dos bichos que encontrou nesses zool\u00f3gicos. Outros escritores fizeram isso, principalmente como forma de cr\u00edtica \u00e0s pr\u00e1ticas de confinamento, a exemplo de Patricia Highsmith [1921\u20131995], Jos\u00e9 Emilio Pacheco [1939-2014] e Ted Hughes [1930-1998]. A escritora Yoko Tawada, que escreveu\u00a0<em>Mem\u00f3rias de um urso polar<\/em>\u00a0[Editora Todavia, 2019] e lidou com a realidade perversa dos zool\u00f3gicos, tamb\u00e9m teve contato direto com esses espa\u00e7os na Alemanha, para ver com os pr\u00f3prios olhos a vida triste dos bichos confinados. Rosa gostava de sondar ao vivo muitas das situa\u00e7\u00f5es que levava para seus textos e chegou a acompanhar vaqueiros em longas viagens pelo interior de Minas Gerais e Mato Grosso, para registrar as vidas humanas e n\u00e3o humanas. Ele deu aten\u00e7\u00e3o especial aos animais nesses registros, tratando-os como sujeitos, como indiv\u00edduos providos de personalidade e saberes sobre a vida.<\/p>\n<p><strong>A zooliteratura vem para chamar a aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia de uma rea\u00e7\u00e3o frente \u00e0s cat\u00e1strofes ambientais e \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>Sim. A zooliteratura, ampliada pelas suas interse\u00e7\u00f5es com a ecocr\u00edtica, as contribui\u00e7\u00f5es do perspectivismo amer\u00edndio e as discuss\u00f5es recentes sobre o conceito de Antropoceno, chama, mais do que nunca, nossa aten\u00e7\u00e3o para a destrui\u00e7\u00e3o das florestas, o desaparecimento das in\u00fameras esp\u00e9cies animais e vegetais, a dizima\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios, o envenenamento dos rios e a terr\u00edvel condi\u00e7\u00e3o dos animais nas granjas e fazendas industriais, entre outros problemas que t\u00eam convertido nosso planeta numa terra desolada. A emerg\u00eancia da literatura ind\u00edgena tamb\u00e9m tem sido muito importante para ampliar o que podemos denominar de zoo(eco)literatura.<\/p>\n<p><strong>Olhar para os animais \u00e9, de certa forma, um contraponto \u00e0 era em que vivemos, marcada e dominada pela tecnologia?<\/strong><em><br \/>\n<\/em>N\u00e3o apenas olhar\u00a0<em>para<\/em>\u00a0eles, mas tamb\u00e9m trocar olhares com eles, ver esses animais sem invadir seus espa\u00e7os de intimidade nem ignorar suas particularidades. Dessa forma, podemos enfrentar, na medida do poss\u00edvel, a robotiza\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Maria Esther Maciel: Contraponto \u00e0 robotiza\u00e7\u00e3o da vida : Revista Pesquisa Fapesp &#8211; https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/maria-esther-maciel-contraponto-a-robotizacao-da-vida\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soraia Vilela &#8211; Escritora e pesquisadora completa trilogia sobre o lugar do animal na sociedade contempor\u00e2nea. Em 2008 Maria Esther Maciel publicou o livro\u00a0O animal escrito: Um olhar sobre a zooliteratura contempor\u00e2nea\u00a0(Lumme Editor), o primeiro dentro da sua pesquisa sobre a \u201chist\u00f3ria liter\u00e1ria dos animais\u201d. 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