{"id":19627,"date":"2023-07-27T12:07:49","date_gmt":"2023-07-27T15:07:49","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19627"},"modified":"2023-07-17T11:12:49","modified_gmt":"2023-07-17T14:12:49","slug":"tecnoceno-saidas-a-digitalizacao-do-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/07\/27\/tecnoceno-saidas-a-digitalizacao-do-humano\/","title":{"rendered":"Tecnoceno: Sa\u00eddas \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o do humano"},"content":{"rendered":"<p><strong>Christian Ferrer &#8211; <\/strong>Big Data\u00a0j\u00e1 impacta a condi\u00e7\u00e3o humana. Avan\u00e7a sobre c\u00e9rebros e corpos, para vigiar e model\u00e1-los. Gera\u00a0seres infotecnol\u00f3gicos; reduz experi\u00eancia a dados; e subjetividade, a avatar. S\u00f3 imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica poder\u00e1 confrontar a Megam\u00e1quina.<\/p>\n<p>Daqui a algumas d\u00e9cadas, poucas pessoas, pelo menos nas grandes megacidades, lembrar\u00e3o como era o cotidiano antes do surgimento e dissemina\u00e7\u00e3o da Internet \u2013 esse grande c\u00e9rebro interconectado \u2013; e como era a arte de conversar antes da dissemina\u00e7\u00e3o das redes e outras plataformas de liga\u00e7\u00e3o a serem inventadas em breve; e como era compartilhar o mundo com esp\u00e9cies animais e vegetais que agora sucumbem em nome e benef\u00edcio do desenvolvimento industrial e da expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas; e como acontecia a transmiss\u00e3o de bens e tradi\u00e7\u00f5es antes do estabelecimento massivo da cultura digital. Paisagens inteiras desaparecer\u00e3o da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>A biografia do corpo humano, tecnicamente potencializado, ser\u00e1 escrita com outras chaves de interpreta\u00e7\u00e3o. Os arqu\u00e9tipos e pr\u00e1ticas de compreens\u00e3o e modelagem de n\u00f3s mesmos ser\u00e3o orientados de acordo com as instru\u00e7\u00f5es da representa\u00e7\u00e3o teatral, e n\u00e3o de uma intimidade cuidadosa e constantemente cultivada. Ter\u00e1 come\u00e7ado \u2013\u00a0j\u00e1 come\u00e7ou \u2013\u00a0a era que Fl\u00e1via Costa chama de \u201cTecnoceno\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil analisar e descrever a proemin\u00eancia e o devir das transforma\u00e7\u00f5es que nos s\u00e3o contempor\u00e2neas, porque, embora as consequ\u00eancias sejam duradouras, o processo acaba de entrar em quarto crescente e ainda n\u00e3o desvelou todas as suas potencialidades. N\u00e3o podemos saber como o mundo funcionar\u00e1 daqui a 50 anos \u2013 quem est\u00e1 na inf\u00e2ncia hoje o saber\u00e1 \u2013, da mesma forma que os contempor\u00e2neos da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial n\u00e3o imaginaram os custos que a natureza e os trabalhadores teriam de pagar no futuro, por causa da poderosa e deslumbrante novidade. Depois, porque a peculiaridade desse processo \u00e9 a velocidade das mudan\u00e7as e dos acoplamentos entre ind\u00fastrias tecnol\u00f3gicas \u201cavan\u00e7adas\u201d. E mais, porque a face oculta da muta\u00e7\u00e3o \u2013 de enorme magnitude \u2013 n\u00e3o se revela, ao contr\u00e1rio, se esconde da compreens\u00e3o de quem a est\u00e1 vivenciando em sua pr\u00f3pria vida. Nesse contexto, o livro de Fl\u00e1via Costa \u00e9 um triunfo.\u00a0<em>Tecnoceno: Algoritmos, biohackers y nuevas formas de vida\u00a0<\/em>[<em>Tecnoceno: Algoritmos, biohackers e novas formas de vida<\/em>, ed. Taurus], conseguiu reunir, com uma escrita serena mas inquietante, as diferentes partes de um quebra-cabe\u00e7as cujas pe\u00e7as coexistem em cont\u00ednua e m\u00fatua metamorfose.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>O livro d\u00e1 conta da instaura\u00e7\u00e3o de uma \u201cnova ordem informacional\u201d que ocorre pela convers\u00e3o de tudo o que existe em dados, por sua vez comparados e processados \u200b\u200ba alt\u00edssimas velocidades e numa escala global sem precedentes, e cujo objetivo \u00e9 modular o comportamento humano e tornar as audi\u00eancias de massa altamente previs\u00edveis, ao mesmo tempo que antecipa perigos potenciais para a opera\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>Para isso, primeiro \u00e9 necess\u00e1rio incutir a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 nada no mundo que n\u00e3o seja informa\u00e7\u00e3o. Assim como nos tempos modernos a chave para a compreens\u00e3o \u2013 dos indiv\u00edduos, das cidades, das na\u00e7\u00f5es \u2013 era a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de energia, agora ela est\u00e1 modelando nossas vidas como se f\u00f4ssemos apenas imagens e n\u00fameros. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 o que Fl\u00e1via Costa chama de \u201cuma poderosa expans\u00e3o do campo de batalha biopol\u00edtico\u201d. Ocorre que a capacidade de controle deu um salto qualitativo. Assim como a fotografia e as impress\u00f5es digitais eram novos auxiliares da pol\u00edcia nos s\u00e9culos XIX e XX, hoje \u00e9 a interconex\u00e3o de computadores e nosso pr\u00f3prio ativismo de computador que fornece instantaneamente dados sobre nossas tarefas, cren\u00e7as e rea\u00e7\u00f5es emocionais.<\/p>\n<p>Uma impress\u00e3o digital deixada no ciberespa\u00e7o equivale \u00e0s cl\u00e1ssicas impress\u00f5es digitais feitas pela pele. Portanto, nunca tantas pessoas no mundo estiveram sob constante vigil\u00e2ncia e registro em qualquer campo de a\u00e7\u00e3o, e nunca foi t\u00e3o f\u00e1cil e barato classificar, organizar e regular grandes massas populacionais. Estamos ligados ao mundo por uma teia densa e d\u00factil de algoritmos vorazes, que podem reunir e sistematizar opini\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es em poucos segundos. Na verdade, os algoritmos dominam as nossas vidas, uma vez que o ambiente t\u00e9cnico em que proliferam \u2013 a rede inform\u00e1tica, da qual ningu\u00e9m pode prescindir \u2013 parece n\u00e3o ter um exterior e os supostos canais de fuga redirecionam para o sistema qualquer sinal de rebeldia.<\/p>\n<p>Mas Fl\u00e1via Costa, embora perceba que a digitaliza\u00e7\u00e3o de tudo o que existe, gra\u00e7as \u00e0 ubiquidade das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, abre um abismo entre a experi\u00eancia humana anterior e a contempor\u00e2nea, ao mesmo tempo entende que a expans\u00e3o de formas furtivas de vigil\u00e2ncia e modelagem \u00e9 apenas a ponta do iceberg de um projeto muito maior: a transforma\u00e7\u00e3o de todas as pessoas em \u201cseres infotecnol\u00f3gicos\u201d, o que significa alterar a condi\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 algo que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, porque \u201c\u00e0 medida que a pol\u00edtica se torna mais biol\u00f3gica, a t\u00e9cnica se torna mais org\u00e2nica\u201d.<\/p>\n<p>No nosso cotidiano, a rela\u00e7\u00e3o com as tecnologias mudou: j\u00e1 n\u00e3o parecem duras e imponentes, mas sim flex\u00edveis e amig\u00e1veis, telas de vidro que nos convidam a um mundo de sonho e consumo. Mas, al\u00e9m disso, a reuni\u00e3o de ind\u00fastrias farmac\u00eauticas, tecnol\u00f3gicas e neurocient\u00edficas est\u00e1 promovendo a aceita\u00e7\u00e3o geral de que o corpo \u00e9 um desenho inacabado e que a possibilidade de aprimor\u00e1-lo para \u201cotimizar ou maximizar o desempenho al\u00e9m das capacidades naturais\u201d acaba se tornando uma tenta\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel. \u00c9 uma ambi\u00e7\u00e3o de corte f\u00e1ustico, a fantasia tit\u00e2nica de homens e mulheres sobrecarregados pelas press\u00f5es insuport\u00e1veis \u200b\u200bde viver em um mundo que no final das contas deixa exaustos corpo e alma.<\/p>\n<p>Na parte mais inovadora e perturbadora do livro, somos apresentados ao prov\u00e1vel futuro que est\u00e1 sendo criado agora, povoado por \u201cformas de vida infotecnol\u00f3gicas\u201d. Na verdade, do come\u00e7o ao fim, e passo a passo, Fl\u00e1via Costa vai abrindo um panorama total das transforma\u00e7\u00f5es que estamos vivendo e da magnitude dos perigos impl\u00edcitos. Em princ\u00edpio, que cada vez mais somos entendidos como conjuntos de dados e que n\u00f3s mesmos aceitamos tal condi\u00e7\u00e3o e depois os fornecemos sem pensar nas consequ\u00eancias, ou melhor, estamos cientes das consequ\u00eancias \u2013 que existem poderes que usam os dados para conveni\u00eancia \u2013 mas preferimos alimentar nosso narcisismo voraz: \u201cExisto se sou visto\u201d, um lema \u2013 angustiante. Tudo se conjuga, conta Fl\u00e1via Costa, na instala\u00e7\u00e3o de um gigantesco \u201ccampo de treinamento\u201d da subjetividade, possibilitado pela multiplica\u00e7\u00e3o dos dispositivos de produ\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de mensagens e pelo grande aumento \u2013 via pandemia \u2013 da midiatiza\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>Mas a implanta\u00e7\u00e3o do que Flavia Costa chama de vida \u201cinfotecnol\u00f3gica\u201d excede em muito a reivindica\u00e7\u00e3o de controle tanto do indiv\u00edduo quanto do p\u00fablico de massa. \u00c9 verdade que agora, como se fosse efeito de uma feiti\u00e7aria generalizada, e de acordo com o ambiente t\u00e9cnico-cient\u00edfico da \u00e9poca, adoramos as redes sociais e transferimos nossos dados para grandes corpora\u00e7\u00f5es como se fossem oferendas di\u00e1rias a deuses que nos fornecem fluxos de informa\u00e7\u00e3o, entretenimento e not\u00edcias, e que com esses dados se d\u00e1 forma a uma esp\u00e9cie de holograma pessoal de cada usu\u00e1rio, cuja sobreposi\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea permite fazer diagn\u00f3sticos da realidade social e prevenir poss\u00edveis amea\u00e7as. Mas no livro de Fl\u00e1via Costa nunca se perde de vista que, para os poderes contempor\u00e2neos, a preocupa\u00e7\u00e3o primeira \u00e9 \u201ca vida biol\u00f3gica da popula\u00e7\u00e3o\u201d, e por isso as ambi\u00e7\u00f5es e as ousadias s\u00e3o maiores, o que significa imaginar que \u00e9 poss\u00edvel entrar no c\u00e9rebro e nos genes para modific\u00e1-los, assim como promover e potenciar a intelig\u00eancia artificial a ponto de desenvolver dispositivos capazes de \u201chiperatividade cerebral\u201d, maior do que todos os humanos do planeta poderiam alcan\u00e7ar juntos. Quando o desejo \u00e9 atingir essa meta, raramente a cautela prevalece sobre a ambi\u00e7\u00e3o de experimentar com o fogo.<\/p>\n<p>Aspira-se, talvez, fundir o c\u00e9rebro humano com dispositivos de intelig\u00eancia artificial e, dado que muitos cientistas e laborat\u00f3rios trabalham nisso, algo se inventar\u00e1. Mas nesse \u00ednterim, e h\u00e1 d\u00e9cadas, est\u00e1 em curso toda uma prepara\u00e7\u00e3o cultural acelerada para que sejam aceitas etapas mais ousadas da evolu\u00e7\u00e3o do corpo humano. Fl\u00e1via Costa as identifica e detalha: a habitua\u00e7\u00e3o com a tecnologia ser \u201cincorporada\u201d por meio de implantes, transplantes e cirurgias est\u00e9ticas; as buscas das neuroci\u00eancias, que tomam a consci\u00eancia como mero epifen\u00f4meno da atividade qu\u00edmica e el\u00e9trica do c\u00e9rebro; os sucessivos e r\u00e1pidos lan\u00e7amentos no mercado, pela ind\u00fastria farmac\u00eautica, de medicamentos destinados a modificar o humor da popula\u00e7\u00e3o; o crescente monitoramento computadorizado da vida mental dos usu\u00e1rios; a expans\u00e3o de um regime som\u00e1tico que considera o corpo como um objeto que pode ser moldado, at\u00e9 autodesenhado, de modo a facet\u00e1-lo como obra de arte para o mercado de apar\u00eancias do \u201ccapitalismo espetacular\u201d; a propaga\u00e7\u00e3o de uma \u201cbiopol\u00edtica informacional\u201d que agrega \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es biom\u00e9tricas a an\u00e1lise e o processamento de material gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u00c9 a \u201cboa nova\u201d de um \u201cadmir\u00e1vel mundo novo\u201d no qual, como sempre, coexistem o mundo da sofistica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e o da pobreza \u2013 os salvos e os condenados, os enclaves da riqueza e suas periferias devastadas. Mas se fosse poss\u00edvel produzir intelig\u00eancia artificial mais altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica induzida, isso significaria conceder a certos seres humanos o poder dos deuses \u2013 n\u00e3o necessariamente celestiais, pois existem deuses poderosos e irrespons\u00e1veis. As coisas sempre podem sair do controle e causar o que Flavia Costa chama de \u201cum acidente normal\u201d, seja um choque de autom\u00f3veis em uma rodovia ou a libera\u00e7\u00e3o de uma nuvem radioativa de uma usina at\u00f4mica. A probabilidade estat\u00edstica j\u00e1 est\u00e1 prevista.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, o livro de Fl\u00e1via Costa pode ser lido como um romance de terror, com o leitor se sentindo como uma erva muito fr\u00e1gil \u2013 um ser min\u00fasculo \u2013 pronto para ser arrebatado por aparelhos superpoderosos ou mobilizado, com ou sem seu consentimento, de acordo com planos que v\u00e3o se esbo\u00e7ando \u00e0 medida que se desenrolam, enquanto todos aqueles que n\u00e3o conseguirem se compatibilizar com o novo mundo tecnosf\u00e9rico entrar\u00e3o em seu ocaso: ser\u00e3o descartados. Mas principalmente o livro consegue estabelecer e esclarecer os mecanismos e a l\u00f3gica do ambiente que est\u00e1 dando forma a um tipo espec\u00edfico de humano submetido a profundas interven\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica. Esbo\u00e7a a necessidade de uma imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica alternativa capaz de questionar os usos abusivos das tecnologias e que, por enquanto, n\u00e3o est\u00e1 sendo promovida por pol\u00edticos, cientistas ou institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, mas por artistas, organizadores de ONGs e ativistas em geral. Fl\u00e1via Costa se pergunta: \u201cPodemos imaginar, atrav\u00e9s da arte, um mundo mais justo?\u201d. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 tarefa obrigat\u00f3ria nem para a arte, nem para a filosofia, tentar melhorar o mundo. O di\u00e1logo da arte e da filosofia \u00e9 com a morte, n\u00e3o necessariamente com a justi\u00e7a, que antes requer coragem \u00e9tica e pol\u00edtica para alcan\u00e7\u00e1-la e garantir que ela permane\u00e7a equilibrada.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A for\u00e7a do livro consiste n\u00e3o apenas em dar uma vis\u00e3o abrangente da muta\u00e7\u00e3o em curso, mas tamb\u00e9m em apontar os desafios que devem ser considerados e enfrentados. Enfrent\u00e1-los significa, para Fl\u00e1via Costa, olh\u00e1-los de frente, sem se deixar fascinar nem tampouco voltar-se para tr\u00e1s com nostalgia, pois s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel suportar o presente e criar futuros melhores.<\/p>\n<p>Os desafios a ter em conta s\u00e3o abrir os olhos e ouvidos \u00e0s for\u00e7as que promovem \u201cchoques de virtualiza\u00e7\u00e3o\u201d, recusar que sejamos considerados meros \u201cportadores de informa\u00e7\u00e3o previs\u00edveis e modul\u00e1veis\u201d e propor pol\u00edticas comuns que desenhem defesas contra tecnologias que sejam julgadas \u201cperigosas, mas inevit\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 combater os danos ecol\u00f3gicos que a era do Tecnoceno est\u00e1 causando no ar, na \u00e1gua e na terra. \u00c9 uma tarefa urgente e quase imposs\u00edvel porque implicaria em deter a industrializa\u00e7\u00e3o de todo o mundo e o modo de vida que a acompanha. Caso contr\u00e1rio, a alternativa \u00e9 inexor\u00e1vel: ou eles \u2013 extinguir animais, devastar paisagens, contaminar terras e \u00e1guas \u2013 ou n\u00f3s \u2013 \u201cprogresso\u201d, industrialismo. Dado que a idealiza\u00e7\u00e3o do progresso, \u00e0 \u00e9poca, convencia todo o arco ideol\u00f3gico que vai da direita \u00e0 esquerda, pouqu\u00edssimas eram as vozes cr\u00edticas e, al\u00e9m disso, eram pouco ouvidas. S\u00f3 que n\u00e3o eram profecias, mas sim an\u00e1lises e alertas sobre o futuro caso n\u00e3o mud\u00e1ssemos nossa forma de estar no mundo. Fl\u00e1via Costa tem feito o mesmo, com uma garra invej\u00e1vel que sustenta do come\u00e7o ao fim: observar o mundo como ele \u00e9, e n\u00e3o como gostar\u00edamos que fosse\u2026 nem aquele que nos \u00e9 mostrado \u2013 e vendido \u2013 publicit\u00e1ria e cotidianamente.<\/p>\n<p>O desafio que ela prop\u00f5e ao leitor \u00e9 promover uma imagina\u00e7\u00e3o alternativa social, cultural e subjetiva diante de uma megam\u00e1quina que n\u00e3o para de crescer. No entanto, ao fechar o livro, n\u00e3o temos certeza se contemplamos o verdadeiro relevo desta \u00e9poca ou se apenas nos foi mostrado o rosto da Medusa.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Tecnoceno: Sa\u00eddas \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o do humano &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/tecnoceno-saidas-a-digitalizacao-do-humano\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christian Ferrer &#8211; Big Data\u00a0j\u00e1 impacta a condi\u00e7\u00e3o humana. 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