{"id":19555,"date":"2023-07-07T12:24:25","date_gmt":"2023-07-07T15:24:25","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19555"},"modified":"2023-07-02T15:27:21","modified_gmt":"2023-07-02T18:27:21","slug":"os-criterios-as-narrativas-e-as-guerras-hegemonicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/07\/07\/os-criterios-as-narrativas-e-as-guerras-hegemonicas\/","title":{"rendered":"Os crit\u00e9rios, as narrativas, e as \u201cguerras hegem\u00f4nicas\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>JOS\u00c9 LUIS FIORI<\/strong> &#8211; Guerra na Ucr\u00e2nia deixou de ser uma guerra local para se transformar numa disputa sobre quem ter\u00e1 o \u201cdireito\u201d de definir os crit\u00e9rios e as regras de arbitragem dentro do sistema mundial no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<blockquote><p><em>The desequilibrium in the international system is due to increasing disjuncture between the existing governance of the system and the redistribution of power in the system [and] throughout history the primary means of resolving the disequilibrium between the structure of the international system and the redistribution of power has been war, more particularly what we shall call a \u201chegemonic war\u201d<\/em>.[1]<\/p>\n<p>Gilpin, R. War &amp; Change in World Politics, Cambridge University Press, Cambridge, 1981, p.186 e197.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A quest\u00e3o dos \u201ccrit\u00e9rios\u201d e das \u201cnarrativas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Quem formulou pela primeira vez a tese de que existiriam guerras que seriam \u201cjustas\u201d ou \u201cleg\u00edtimas\u201d, e outras que seriam \u201cinjustas\u201d ou \u201cileg\u00edtimas\u201d, foi C\u00edcero, o jurista e c\u00f4nsul romano, que viveu entre os anos 106 e 43 a.C. E foi ele tamb\u00e9m que definiu como primeiro \u201ccrit\u00e9rio\u201d de distin\u00e7\u00e3o, que seriam \u201cjustas\u2019 todas as guerras que fossem travadas em \u2018leg\u00edtima defesa\u2019\u201d.[2]\u00a0Mas desde os tempos de C\u00edcero, at\u00e9 hoje, foi sempre muito dif\u00edcil de distinguir e arbitrar quem de fato tem raz\u00e3o quando se est\u00e1 tratando de um conflito concreto e espec\u00edfico entre estados ou imp\u00e9rios que alegam, a seu favor, o mesmo direito \u00e0 \u201cautodefesa\u201d. Muitos s\u00e9culos depois do fim do Imp\u00e9rio Romano, no in\u00edcio da modernidade europeia, em pleno s\u00e9culo XVII, Hugo Grotius (1583-1645) e Tomas Hobbes (1588-1679) diagnosticaram esse mesmo problema no funcionamento do \u201csistema interestatal\u201d que estava nascendo na Europa naquele momento. O jurista e te\u00f3logo holand\u00eas Hugo Grotius foi o primeiro perceber que no novo sistema de poder, no caso de acusa\u00e7\u00f5es, conflitos ou guerras, sempre existiriam \u201cm\u00faltiplas inoc\u00eancias\u201d, e n\u00e3o haveria como decidir de que lado estaria a raz\u00e3o. O motivo que levou o filosofo ingl\u00eas, Thomas Hobbes, seu contempor\u00e2neo, a concluir que neste novo sistema de poder territorial, os Estados seriam eternos rivais preparando-se permanentemente para a guerra,<sup>[3]<\/sup>\u00a0porque n\u00e3o existia dentro do sistema um \u201cpoder superior\u201d que pudesse arbitrar de \u201cforma objetiva\u201d o \u201cbem\u201d e o \u201cmal\u201d, o \u201cjusto\u201d e o \u201cinjusto\u201d, numa disputa entre os estados nacionais que estavam nascendo.<sup>[4]<\/sup><\/p>\n<p>Depois disso, durante mais de quatrocentos anos, a discuss\u00e3o dos fil\u00f3sofos e juristas continuou girando em torno desses dois problemas cong\u00eanitos do sistema interestatal: o direito dos estados \u00e0 sua \u201cleg\u00edtima defesa\u201d em caso de agress\u00e3o ou amea\u00e7a ao seu territ\u00f3rio, e a dificuldade de estabelecer um crit\u00e9rio consensual e universal acima de qualquer suspeita de parcialidade. E hoje, depois de quinhentos anos de guerras sucessivas, uma coisa parece definitivamente certa: todos os \u201ccrit\u00e9rios\u201d conhecidos e utilizados at\u00e9 hoje para julgar as guerras sempre estiveram comprometidos com os valores, os objetivos e as narrativas das partes envolvidas no conflito, e em particular com os valores e a narrativa dos vitoriosos, depois de findas as guerras. Exatamente como est\u00e1 acontecendo no caso dessa nova guerra europeia, e que hoje j\u00e1 \u00e9 uma guerra global, ou \u201chegem\u00f4nica\u201d, a Guerra da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>As estrat\u00e9gias e as \u201cnarrativas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O argumento fundamental esgrimido pelo governo russo em defesa de sua invas\u00e3o militar da Ucr\u00e2nia vem sendo apresentado, defendido e reiterado, de forma muito clara, desde pelo menos 2007,[5]\u00a0em v\u00e1rios f\u00f3runs internacionais: sua exig\u00eancia de que a Otan suspenda sua expans\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do leste europeu, e, em particular, que se abstenha de incorporar \u00e0 sua estrutura os territ\u00f3rios da Georgia e da Ucr\u00e2nia. E que al\u00e9m disso a Otan interrompa seu processo de militariza\u00e7\u00e3o dos antigos pa\u00edses do Pacto de Vars\u00f3via e dos novos pa\u00edses que foram separados do territ\u00f3rio russo depois de 1991 e que j\u00e1 foram incorporados pela alian\u00e7a atl\u00e2ntica. A alega\u00e7\u00e3o russa contra o expansionismo \u201cocidental\u201d encontra apoio numa longa hist\u00f3ria de invas\u00f5es de sua fronteira ocidental: pelos poloneses no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII; pelos suecos, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII; pelos franceses, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX; pelos ingleses, franceses e norte-americanos, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, logo depois do fim da Primeira Guerra Mundial; e finalmente, pelos alem\u00e3es, entre 1941 e 1944. Uma amea\u00e7a que se repetiu depois do fim da Guerra Fria, e depois da decomposi\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, quando os russos perderam uma parte do seu territ\u00f3rio e logo em seguida assistiram ao avan\u00e7o das tropas da Otan, apesar da promessa do secret\u00e1rio de Estado norte-americano, James Baker, feita ao primeiro-ministro russo Mikhail Gorbachev em 1996, de que isso n\u00e3o aconteceria. E esse foi o principal recado do presidente russo, Vladimir Putin, no seu discurso pronunciado na Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a de Munich, em 2007, onde disse, com todas as letras, que se tratava de \u201clinha vermelha\u2019 para a R\u00fassia a Otan tentar incorporar a Ge\u00f3rgia e a Ucrania\u201d. Mas as \u201cpot\u00eancias ocidentais\u201d ignoraram solenemente a reivindica\u00e7\u00e3o russa e foi por isso que a R\u00fassia interveio no territ\u00f3rio da Ge\u00f3rgia, em 2008, para impedir sua inclus\u00e3o na Otan. Depois disto, em 2014, os Estados Unidos e os europeus tiveram uma participa\u00e7\u00e3o direta no golpe de Estado que derrubou o governo democr\u00e1tico da Ucrania, que era apoiado pela R\u00fassia. Como resposta, a R\u00fassia incorporou o territ\u00f3rio da Crimeia em 2015, no mesmo ano em que a Alemanha, a Fran\u00e7a e a Ucrania assinaram, junto com a R\u00fassia, os Acordos de Minsk, que foram depois sacramentados pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas n\u00e3o foram respeitados pela Alemanha e a Fran\u00e7a, nem foram acatados pela Ucr\u00e2nia. Finalmente, em dezembro de 2021, a R\u00fassia apresentou aos Estados Unidos, \u00e0 Otan, e aos governos europeus, uma proposta formal de negocia\u00e7\u00e3o sobre a Ucrania, e de renegocia\u00e7\u00e3o do \u201cequil\u00edbrio estrat\u00e9gico\u201d imposto pelos Estados Unidos, depois do fim da Guerra Fria. Essa proposta foi recha\u00e7ada, e foi neste momento que as tropas russas invadiram o territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia, com o argumento de \u201cleg\u00edtima defesa\u201d do seu territ\u00f3rio, amea\u00e7ado pelo avan\u00e7o da militariza\u00e7\u00e3o e nucleariza\u00e7\u00e3o das suas fronteiras, e pela incorpora\u00e7\u00e3o eminente da Ucr\u00e2nia \u00e0 Otan.<\/p>\n<p>Do outro lado dessa guerra, como ficou desde cedo muito claro, formou-se uma coalis\u00e3o de pa\u00edses liderada pelos Estados Unidos. E aqui o mais importante a ser considerado \u00e9 que depois da Guerra Fria, e durante toda a \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado, os Estados Unidos exerceram um poder militar global absolutamente sem precedente na hist\u00f3ria da humanidade. E foi durante esse per\u00edodo, logo depois da queda do Muro de Berlim, que o presidente George W. Bush criou um grupo de trabalho liderado pelo seu Secret\u00e1rio de Estado, Dick Cheney, e por v\u00e1rios outros membros do Departamento de Estado como Paul Wolfowitz e Donald Rumsfeld, entre outros. Da\u00ed nasceu o projeto republicano do \u201cnovo s\u00e9culo americano\u201d, propondo que os Estados Unidos impedissem preventivamente o aparecimento de qualquer pot\u00eancia, em qualquer regi\u00e3o do mundo, que pudesse amea\u00e7ar a sua supremacia mundial durante todo o s\u00e9culo XXI. E foi essa estrat\u00e9gia republicana que esteve por tr\u00e1s da declara\u00e7\u00e3o da \u201cguerra global ao terrorismo\u201d como resposta aos atentados do 11 de setembro de 2001.<\/p>\n<p>Por outro lado, ainda na d\u00e9cada de 1990, os dois governos democratas de Bill Clinton apostaram na globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e nas \u201cinterven\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias\u201d em defesa da democracia e dos \u201cdireitos humanos\u201d. Foram 48 \u201cinterven\u00e7\u00f5es\u201d durante toda a d\u00e9cada, as mais importantes na B\u00f3snia em 1995 e no Kosovo em 1999. Por\u00e9m, ainda nos anos 1990, o geopol\u00edtico democrata Zbieniew Brzezinski \u2013 que havia sido Conselheiro de Seguran\u00e7a do governo Jimmy Carter, \u2013 publicou um livro (<em>The Grand Chessboard: American Primacy<\/em>, em 1997) que se tornaria numa esp\u00e9cie de \u201cb\u00edblia\u201d da pol\u00edtica externa democrata dos governos de Barak Obama, entre 2009 e 2016, e agora do governo de Joe Biden. Brzezinski foi o grande mestre de Madeleine Albraight (secret\u00e1ria de Estado de Obama), que por sua vez foi a mentora intelectual de Anthony Blinken, Jack Sullivan, Victoria Nuland, entre outros, que trabalharam juntos durante o governo de Barack Obama, e estiveram todos pessoalmente envolvidos com o golpe de estado da Pra\u00e7a Maidan, na Ucr\u00e2nia, em 2014, e com o envolvimento militar e a escalada b\u00e9lica dos Estados Unidos e da Otan, desde os primeiros dias da Guerra da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>maproad\u00a0<\/em>da pol\u00edtica externa democrata tra\u00e7ado por Zbieniew Brzenszinski ressuscitou a estrat\u00e9gia concebida por George Kennan, em 1945, de conten\u00e7\u00e3o da R\u00fassia como objetivo central da pol\u00edtica externa norte-americana. E defendeu a expans\u00e3o da Otan para o Leste da Europa, colocando como um objetivo central e expl\u00edcito a ocupa\u00e7\u00e3o militar e a incorpora\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 Otan, que ele propunha que ocorresse at\u00e9 no m\u00e1ximo 2015. Foi nessa \u00e9poca que os democratas inclu\u00edram, dentro dessa mesma estrat\u00e9gia expansionista, a defesa de interven\u00e7\u00f5es visando mudar governos e regimes desfavor\u00e1veis aos Estados Unidos, e as \u201crevolu\u00e7\u00f5es coloridas\u201d que se sucederam depois da \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d de 2010, come\u00e7ando no mesmo ano de 2013, no Brasil e tamb\u00e9m na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Como se pode ver, os republicanos e os democratas formularam, depois do fim da Guerra Fria, diagn\u00f3sticos um pouco diferentes, mas com objetivos id\u00eanticos: manter a primazia mundial dos Estados Unidos durante o s\u00e9culo XXI. A grande diferen\u00e7a entre os dois esteve na import\u00e2ncia atribu\u00edda pelos democratas \u00e0 Ucr\u00e2nia, que Brzezinski considerava que fosse o\u00a0<em>piv\u00f4 geopol\u00edtico\u00a0<\/em>decisivo para a conten\u00e7\u00e3o militar da R\u00fassia. Como se pode ver, portanto, a interven\u00e7\u00e3o militar norte-americana na Ucr\u00e2nia j\u00e1 estava no mapa estrat\u00e9gico da pol\u00edtica externa dos Estados Unidos desde a \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado, como uma pe\u00e7a chave para a preserva\u00e7\u00e3o da \u201cprimazia global\u201d dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, quando se olha para a\u00a0Guerra da Ucr\u00e2nia\u00a0do ponto de vista dos crit\u00e9rios e interesses estrat\u00e9gicos das duas grandes pot\u00eancias envolvidas nesse conflito, se entende melhor porque a R\u00fassia n\u00e3o pode nem tem como recuar, porque o que est\u00e1 em jogo para ela \u00e9 a sobreviv\u00eancia do seu territ\u00f3rio, da sua identidade e da unidade nacional; e do outro lado, os norte-americanos est\u00e3o bloqueando qualquer inciativa de paz at\u00e9 aqui, porque o que est\u00e1 em jogo para eles \u00e9 o futuro da sua supremacia junto com todos os privil\u00e9gios associados ao poder global que conquistaram depois de sua vit\u00f3ria na Guerra do Golfo, em 1991.<\/p>\n<p>Por isso, finalmente, o que parecia no in\u00edcio tratar-se apenas de uma guerra localizada e assim\u00e9trica transformou-se rapidamente na guerra mais intensa travada desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Exatamente, porque deixou de ser uma guerra local, para se transformar numa \u201cguerra hegem\u00f4nica\u201d, ou seja, numa disputa sobre quem ter\u00e1 o \u201cdireito\u201d de definir os crit\u00e9rios e as regras de arbitragem dentro do sistema mundial durante o s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Artigo escrito por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento do novo livro do INEEP, por Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori:<em>\u00a0A guerra, a energia e o novo mapa do poder mundial<\/em>, Editora Vozes\/Ineep, Petr\u00f3polis, 2023.<\/p>\n<p><strong>JOS\u00c9 LUIS FIORI &#8211; <\/strong>Professor em\u00e9rito de Economia Pol\u00edtica Internacional da UFRJ, coordenador do grupo de pesquisa \u201cPoder Global e Geopol\u00edtica do Capitalismo\u201d e do Laborat\u00f3rio de \u201c\u00c9tica e Poder Global\u201d, do NUBEA\/UFRJ; pesquisador do Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos do Petr\u00f3leo, G\u00e1s e Biocombust\u00edveis (INEEP). Publicou recentemente, pela Editora Vozes, os livros\u00a0<em>O mito de Babel<\/em>\u00a0<em>e a disputa do poder globa<\/em>l, em 2020, e\u00a0<em>Sobre a Paz<\/em>, em 2022.<\/p>\n<p>[1] O desequil\u00edbrio no sistema internacional se deve ao aumento da desconex\u00e3o entre a governan\u00e7a existente do sistema e a redistribui\u00e7\u00e3o de poder dentro do sistema [\u2026] ao longo da hist\u00f3ria, o principal meio de resolver o desequil\u00edbrio entre a estrutura do sistema internacional e a redistribui\u00e7\u00e3o de poder tem sido a guerra, mais especificamente o que chamaremos de \u201cguerra hegem\u00f4nica\u201d.<\/p>\n<p>[2] Fiori, J.L. \u201cDial\u00e9tica da Guerra e da Paz\u201d, in Fiori, J.L.(Org), Sobre a Guerra, Editora Vozes, Petr\u00f3polis, 2018, p: 80.<\/p>\n<p>[3] \u201cSempre existiram reis ou autoridades soberanas que, para defender sua independ\u00eancia, viveram em eterna rivalidade, como os gladiadores mantendo suas armas apontadas sem se perderem de vista, ou seja, seus fortes e guarni\u00e7\u00f5es em estado de vigia, seus canh\u00f5es preparados guardando as fronteiras de seus reinos e ainda espionando territ\u00f3rios vizinhos\u201d (HOBBES, T. Leviat\u00e3 ou mat\u00e9ria, forma e poder de um Estado eclesi\u00e1stico e civil. S\u00e3o Paulo: Victor Civita, 1983 (Cole\u00e7\u00e3o Pensadores), p. 96).<\/p>\n<p>[4] \u201cA natureza da justi\u00e7a consiste no cumprimento dos pactos v\u00e1lidos, e essa validade come\u00e7a com o estabelecimento de um poder civil que obrigue os homens a cumpri-los\u201d (HOBBES, op.cit., p. 107).<\/p>\n<p>[5] Ocasi\u00e3o em que o presidente russo Vladimir Putin formulou pela primeira vez, de forma clara e sint\u00e9tica, a posi\u00e7\u00e3o da R\u00fassia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 expans\u00e3o da Otan, e ao equil\u00edbrio de poder europeu, na reuni\u00e3o anual Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a de Munich, realizada em 2007.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Os crit\u00e9rios, as narrativas, e as \u201cguerras hegem\u00f4nicas\u201d | Rede Esta\u00e7\u00e3o Democracia &#8211; RED &#8211; https:\/\/red.org.br\/noticia\/os-criterios-as-narrativas-e-as-guerras-hegemonicas\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 LUIS FIORI &#8211; Guerra na Ucr\u00e2nia deixou de ser uma guerra local para se transformar numa disputa sobre quem ter\u00e1 o \u201cdireito\u201d de definir os crit\u00e9rios e as regras de arbitragem dentro do sistema mundial no s\u00e9culo XXI. 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