{"id":19400,"date":"2023-06-08T11:40:02","date_gmt":"2023-06-08T14:40:02","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19400"},"modified":"2023-06-08T11:36:46","modified_gmt":"2023-06-08T14:36:46","slug":"dialetica-da-dependencia-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/06\/08\/dialetica-da-dependencia-50-anos\/","title":{"rendered":"\u201cDial\u00e9tica da depend\u00eancia\u201d \u2013 50 anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>JOS\u00c9 RAIMUNDO BARRETO TRINDADE<\/strong> &#8211; Considera\u00e7\u00f5es sobre o legado do livro de Ruy Mauro Marini.<\/p>\n<p>\u201cUtilizar essa an\u00e1lise para estudar as forma\u00e7\u00f5es sociais concretas da Am\u00e9rica Latina [para] abrir assim perspectivas mais claras para as for\u00e7as sociais empenhadas em destruir essa forma\u00e7\u00e3o monstruosa que \u00e9 o capitalismo dependente: este \u00e9 o desafio te\u00f3rico (\u2026) para os marxistas latino-americanos\u201d (Marini).<\/p>\n<p>Ruy Mauro Marini, embora pouco conhecido no Brasil \u2013 sua pr\u00f3pria terra \u2013, ainda hoje tem muito a nos dizer sobre nossas estruturas sociais e as din\u00e2micas pol\u00edticas perversas que reproduzem as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais pr\u00f3prias de um certo padr\u00e3o perif\u00e9rico de capitalismo. O texto mais celebrado de Ruy Mauro Marini,\u00a0<em>Dial\u00e9tica da depend\u00eancia<\/em>,<a id=\"_ednref1\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn1\">[i]<\/a>\u00a0faz neste ano de 2023, 50 anos de publica\u00e7\u00e3o, algo que nos estimula, e a muitos outros pesquisadores e estudiosos da economia pol\u00edtica e da realidade latino-americana, a revisit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A origem do referido ensaio foi detalhada pelo pr\u00f3prio Ruy Mauro Marini quando do seu memorial apresentado na Universidade de Bras\u00edlia,<a id=\"_ednref2\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn2\">[ii]<\/a>\u00a0ap\u00f3s seu retorno de longo ex\u00edlio com o fim da ditadura militar empresarial de 1964. No citado memorial Ruy Mauro Marini rememora que a edi\u00e7\u00e3o mimeografada de\u00a0<em>Dial\u00e9ctica de la depend\u00eancia<\/em>\u00a0surgiu em fins de 1972, sendo um \u201ctexto inegavelmente original, tendo contribu\u00eddo para abrir novo caminho aos estudos marxistas na regi\u00e3o\u201d. O autor, desde sempre de humildade inquebrant\u00e1vel, estava coberto de raz\u00e3o, o texto constru\u00eddo no fulgor das lutas sociais contra os regimes t\u00edteres que se impuseram em toda a Am\u00e9rica Latina, demarcou o tempo de influ\u00eancia daquilo que considerar\u00edamos um cl\u00e1ssico te\u00f3rico e hist\u00f3rico.<a id=\"_ednref3\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn3\">[iii]<\/a><\/p>\n<p>Ruy Mauro Marini anota que, curiosamente, o famoso texto era ensa\u00edstico e n\u00e3o tinha, pelo menos naquele momento, a voca\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m tal era a ansiedade de respostas ou, pelo menos, vislumbres de como tratar os problemas da nossa realidade, que rapidamente o texto ganhou vida pr\u00f3pria, sendo que \u201ca edi\u00e7\u00e3o mexicana, publicada em 1973\u201d foi uma das \u201craras publica\u00e7\u00f5es autorizadas\u201d pelo autor do referido trabalho.<\/p>\n<p>Antes de analisarmos o texto de\u00a0<em>Dial\u00e9tica da depend\u00eancia<\/em>\u00a0conv\u00e9m anotar duas pol\u00eamicas geradas em torno do mesmo e de seu autor, assim como observar que a constru\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica do artigo coloca at\u00e9 hoje dificuldades entre autores marxistas, vejamos.<\/p>\n<p>A primeira pol\u00eamica se registrou na forma como o trabalho foi recebido e tratado no Brasil, n\u00e3o somente com a aspereza ditatorial, que faz muito tinha elegido Ruy Mauro Marini como um dos principais inimigos do regime, mas tamb\u00e9m pela g\u00e9lida e, em alguns casos, eticamente comprometedoras de parcela da intelectualidade de esquerda, sendo o caso de Fernando Henrique Cardoso anotada pelo pr\u00f3prio Ruy Mauro ao observar que \u201cuma s\u00e9rie de deturpa\u00e7\u00f5es e mal-entendidos\u201d foram desenvolvidos \u201cem torno ao ensaio\u201d.<\/p>\n<p>A segunda refere-se a alcunha estabelecida a Ruy Mauro Marini a partir de ent\u00e3o de \u201ccirculacionista\u201d, uma adjetiva\u00e7\u00e3o confusa e tecnicamente incorreta, como veremos, e que se referia ao m\u00e9todo de an\u00e1lise estabelecida no ensaio que partia \u201cda circula\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o, da\u00ed retornando \u00e0 circula\u00e7\u00e3o\u201d. Como se expor\u00e1 mais \u00e0 frente o trato metodol\u00f3gico \u00e9 correto e define uma intima intera\u00e7\u00e3o com o m\u00e9todo empregado por Marx (2014) no segundo livro de\u00a0<em>O capital<\/em>.<\/p>\n<p>Diga-se que Ruy Mauro Marini teve uma hist\u00f3ria de vida muito semelhante a diversos te\u00f3ricos militantes revolucion\u00e1rios comunistas, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio Marx, com um longo ex\u00edlio que durou quase vinte anos. A vida militante e acad\u00eamica do mineiro come\u00e7a muito cedo, tendo na milit\u00e2ncia conjunta com outros grandes nomes da rec\u00e9m-constru\u00edda esquerda n\u00e3o vinculada ao PC (Partido Comunista),<a id=\"_ednref4\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn4\">[iv]<\/a>\u00a0ainda no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 um pequeno grupo de jovens socialistas revolucion\u00e1rios formam a POLOP (Pol\u00edtica Oper\u00e1ria), uma organiza\u00e7\u00e3o marxista que marcava o novo cen\u00e1rio da esquerda brasileira e ter\u00e1 um futuro marcante, menos pela influ\u00eancia social e mais pelas contribui\u00e7\u00f5es e formula\u00e7\u00f5es que seus quadros formuladores ter\u00e3o, entre estes Ruy Mauro Marini, Theot\u00f4nio dos Santos e V\u00e2nia Bambirra.<\/p>\n<p>Ser\u00e1, por\u00e9m, na sua vida de exilado que Ruy Mauro Marini construir\u00e1 os primeiros\u00a0<em>insights<\/em>\u00a0definidores da sua principal obra. Vale observar que a \u201cTeoria da depend\u00eancia\u201d, se estabeleceu com uma vertente te\u00f3rica, em grande medida marxista, de interpreta\u00e7\u00e3o original das sociedades capitalistas latino-americanas, surgida na d\u00e9cada de 1960, em um momento em que a perspectiva ideol\u00f3gica de um certo nacional-desenvolvimentismo na Am\u00e9rica Latina, especialmente no Brasil, havia sido frustrada, sendo o debate da supera\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica \u00e0s teses estruturalistas cepalinas de desenvolvimento industrial por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, o grande est\u00edmulo dos trabalhos iniciais e da pesquisa de uma nova gera\u00e7\u00e3o de cientistas sociais, entre eles Ruy Mauro Marini.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de\u00a0<em>Dial\u00e9tica da depend\u00eancia<\/em>\u00a0se dar\u00e1 em tr\u00eas momentos de desenvolvimento anal\u00edtico feitos pelo autor. O ensaio em seu formato original ocorre no Chile de Salvador Allende, sendo que o autor estava vinculado ao CESO (<em>Centro de Estudos S\u00f3cio-Econ\u00f4micos<\/em>) da Universidade do Chile e politicamente atuava muito pr\u00f3ximo ao MIR (<em>Movimento Izquierda Revolucionaria<\/em>), um grupamento de esquerda que n\u00e3o participava diretamente do governo da Unidade Popular, mas buscava colaborar com a constru\u00e7\u00e3o de movimentos que avan\u00e7assem o programa de reformas sociais, at\u00e9 a possibilidade da ruptura revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o do texto, como o autor declara, foi imediata, seja pela acolhida positiva, seja pela cr\u00edtica, principalmente de autores brasileiros. A segunda \u201c<em>d\u00e9marche<\/em>\u201d de\u00a0<em>Dial\u00e9tica da depend\u00eancia<\/em>\u00a0deveu-se inclusive as referidas cr\u00edticas realizadas a primeira vers\u00e3o e que vir\u00e1 a luz na edi\u00e7\u00e3o mexicana acompanhada de um posf\u00e1cio intitulado \u201c<em>Em torno a Dial\u00e9ctica de la Dependencia<\/em>\u201d, sendo diversos elementos esclarecidos e desenvolvidos pelo autor. Por fim, j\u00e1 no seu terceiro ex\u00edlio, novamente no M\u00e9xico, Ruy Mauro Marini concebe uma disserta\u00e7\u00e3o com vistas a obten\u00e7\u00e3o da vaga de professor titular da\u00a0<em>Escola Nacional de Economia<\/em>\u00a0(ENE) em 1977, resultando da\u00ed o texto \u201c<em>Plusval\u00eda extraordin\u00e1ria y acumulaci\u00f3n de capital<\/em>\u201d, considerado por ele como um complemento indispens\u00e1vel a\u00a0<em>Dial\u00e9ctica de la depend\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<p>Este debate se torna fundamental em um momento em que se agravam as condi\u00e7\u00f5es sociais e se imp\u00f5e novas altera\u00e7\u00f5es ao padr\u00e3o de desenvolvimento da sociedade brasileira e no quadro da divis\u00e3o internacional do trabalho, em um novo patamar de fragilidades, restri\u00e7\u00f5es e desafios, mesmo ap\u00f3s o recente processo eleitoral e a elei\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, as principais bases te\u00f3ricas da Teoria da depend\u00eancia se organizam a partir de tr\u00eas elementos: primeiramente, a percep\u00e7\u00e3o de que as condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento capitalista n\u00e3o estabelecem qualquer l\u00f3gica de converg\u00eancia e sim se baseiam em mecanismos estruturais de desigualdade, algo expresso na famosa f\u00f3rmula do \u201cdesenvolvimento desigual\u201d, como classicamente vislumbrado por autores como Trotsky e Bukh\u00e1rin. Ruy Mauro Marini registra que \u201ca participa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina no mercado mundial contribuir\u00e1 para que o eixo da acumula\u00e7\u00e3o na economia industrial se desloque da produ\u00e7\u00e3o de mais-valia absoluta para a de mais-valia relativa\u201d, por\u00e9m essa intera\u00e7\u00e3o coadjuvante com a \u201cmudan\u00e7a qualitativa nos pa\u00edses centrais, dar-se-\u00e1 fundamentalmente com base em uma maior explora\u00e7\u00e3o do trabalhador\u201d latino-americano.<\/p>\n<p>Duas observa\u00e7\u00f5es que tornam a percep\u00e7\u00e3o de Ruy Mauro Marini algo t\u00e3o atual: (i) o decl\u00ednio da taxa de lucro nas economias centrais \u00e9 contrariado pelo com\u00e9rcio internacional de recursos naturais fornecidos pela periferia latino-americana, especialmente Brasil. Assim a massa de cereais exportadas pelo agroneg\u00f3cio possibilita o barateamento dos alimentos (prote\u00ednas animais diversas) que impactam sobre a taxa de sal\u00e1rio, possibilitando, ganhos efetivos de mais-valia relativa e eleva\u00e7\u00e3o da taxa de explora\u00e7\u00e3o, mesmo nas economias do centro capitalista; (ii) por outro, o fornecimento de minerais estrat\u00e9gicos e necess\u00e1rios a acumula\u00e7\u00e3o, como o ferro, alum\u00ednio e outros, possibilita a diminui\u00e7\u00e3o dos custos do chamado capital constante, tamb\u00e9m atuando favoravelmente aos ganhos do capital das principais economias, inclusive a chinesa.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es conformadas no capitalismo enquanto economia-mundo, cujas economias centrais conformam a coordena\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas internacionais e uma ampla periferia, cujo papel \u00e9 de garantir a transfer\u00eancia cont\u00ednua de valor, sob diferentes formas: remessas de lucros, dividendos, juros ou na cl\u00e1ssica condi\u00e7\u00e3o cepalina dos \u201ctermos desiguais de interc\u00e2mbio\u201d. Quanto a este aspecto, Ruy Mauro Marini explica que os capitalistas das \u201cna\u00e7\u00f5es desfavorecidas pela troca desigual n\u00e3o buscam tanto corrigir o desequil\u00edbrio entre os pre\u00e7os e o valor de suas mercadorias exportadas (\u2026), mas procuram compensar (\u2026) por meio do recurso de uma maior explora\u00e7\u00e3o do trabalhador\u201d.<\/p>\n<p>Assim, a deteriora\u00e7\u00e3o dos termos de troca entre economias que realizam etapas reprodutivas na economia-mundo complementares e subordinadas, como no caso a economia brasileira, tem um duplo efeito: transfer\u00eancia de valor para economias centrais e; eleva\u00e7\u00e3o da taxa de explora\u00e7\u00e3o nas economias perif\u00e9ricas. Assim, o problema colocado pela troca desigual n\u00e3o \u00e9 resolvido por seu impedimento \u201cno n\u00edvel das rela\u00e7\u00f5es de mercado\u201d e sim \u201cno plano da produ\u00e7\u00e3o interna\u201d, estabelecendo maior explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>A \u201csuperexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho\u201d, caracter\u00edstica das sociedades perif\u00e9ricas, expressa na condi\u00e7\u00e3o de que a taxa de sal\u00e1rio seja inferior ao valor da for\u00e7a de trabalho, se manifesta atrav\u00e9s de tr\u00eas mecanismos conjuntos identificados por Marini: \u201ca intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, a prolonga\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e a expropria\u00e7\u00e3o de parte do trabalho necess\u00e1rio ao oper\u00e1rio para repor sua for\u00e7a de trabalho\u201d. A pol\u00eamica gerada em torno desta categoria foi, em grande medida, fruto da baixa compreens\u00e3o do marxismo quando da divulga\u00e7\u00e3o do artigo, por mais que ainda hoje continue suscitando cr\u00edticas.<\/p>\n<p>A tese desenvolvida por Ruy Mauro Marini se apoia completamente na leitura minuciosa que o mesmo fez dos Cap\u00edtulos 10 e 23 do livro I de\u00a0<em>O capital<\/em>, sendo, como observa Os\u00f3rio (2018),<a id=\"_ednref5\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn5\">[v]<\/a>\u00a0que h\u00e1 uma tens\u00e3o cont\u00ednua na interpreta\u00e7\u00e3o de Marx (2013)<a id=\"_ednref6\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn6\">[vi]<\/a>\u00a0sobre a equival\u00eancia entre a taxa de sal\u00e1rio e o valor da for\u00e7a de trabalho. Assim, as normas de assalariamento contratual que asseguram a equival\u00eancia valor s\u00e3o constantemente contrariadas por tr\u00eas fatores centrais identificados: a extensividade das jornadas de trabalho, a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do trabalhador e mecanismos diversos de rebaixamento da taxa de sal\u00e1rio, seja pela expans\u00e3o da superpopula\u00e7\u00e3o relativa, seja pelo poder pol\u00edtico das regras institucionais, como as recentes legisla\u00e7\u00f5es trabalhistas (LC 13.467\/17) que atuam facilitando o regramento da superexplora\u00e7\u00e3o.<a id=\"_ednref7\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn7\">[vii]<\/a><\/p>\n<p>Assim, a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho no capitalismo perif\u00e9rico funciona como um mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o, contrariando a rela\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia entre sal\u00e1rio e valor da for\u00e7a de trabalho no plano local para satisfazer a dupla condi\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia liquida de riqueza para o capitalismo central e garantir a rentabilidade dos capitais perif\u00e9ricos. Com isso observa-se um consumo extorsivo da mercadoria for\u00e7a de trabalho, como condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia e expans\u00e3o desses capitais perif\u00e9ricos na competi\u00e7\u00e3o desigual global, sobretudo considerando os diferentes n\u00edveis de produtividade do trabalho e monop\u00f3lio tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias diretas dessa forma de explora\u00e7\u00e3o em que a reprodu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores se efetua em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, submetendo os trabalhadores a uma enorme degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica e moral. Alguns aspectos desenvolvidos por estudos realizados por diversos autores, s\u00e3o elementos que se integram a essa forma de explora\u00e7\u00e3o, dois podemos rapidamente referir: as condi\u00e7\u00f5es habitacionais m\u00e9dias da popula\u00e7\u00e3o brasileira, por exemplo, s\u00e3o express\u00e3o dessa degrada\u00e7\u00e3o, inclusive estabelecendo forma de \u201cautoconstru\u00e7\u00e3o\u201d que retiram parcela do tempo de descanso do trabalhador.<a id=\"_ednref8\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn8\">[viii]<\/a><\/p>\n<p>Do mesmo modo, o regime tribut\u00e1rio regressivo que avan\u00e7a sobre parcela do sal\u00e1rio m\u00e9dio da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, estabelecendo um fundo p\u00fablico baseado na taxa\u00e7\u00e3o salarial, seja via tributa\u00e7\u00e3o indireta, seja, mesmo, via um imposto de renda regressivo, assim se transfere, via Estado parte da renda salarial para os capitalistas via pagamento dos juros da d\u00edvida estatal e subs\u00eddios de diversos tipos, al\u00e9m da n\u00e3o cobran\u00e7a de tributos sobre lucros, dividendos e desonera\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o.<a id=\"_ednref9\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn9\">[ix]<\/a><\/p>\n<p>O ciclo do capital nas economias perif\u00e9ricas apresenta din\u00e2mica e consist\u00eancia diferenciadas do capitalismo central. A teoria do ciclo do capital apresentada por Marx (2014) no livro II de\u00a0<em>O capital<\/em>,<a id=\"_ednref10\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn10\">[x]<\/a>\u00a0estabelecia que a expans\u00e3o capitalista se desenvolve em tr\u00eas nexos causais cont\u00ednuos e diversificados: o ciclo do capital dinheiro (circula\u00e7\u00e3o), o ciclo produtivo (produ\u00e7\u00e3o) e o ciclo do capital-mercadoria (circula\u00e7\u00e3o). O ciclo do capital nas economias perif\u00e9ricas se d\u00e1 sob \u201cprofunda contradi\u00e7\u00e3o\u201d, mesmo depois do processo de parcial industrializa\u00e7\u00e3o, como no caso brasileiro.<\/p>\n<p>Ruy Mauro Marini (2012) observa que o \u201cciclo do capital na economia dependente se caracteriza por um conjunto de particularidades (\u2026) o papel do capital estrangeiro na primeira fase de circula\u00e7\u00e3o (\u2026) transfer\u00eancias de mais-valia (\u2026) superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d, esse conjunto de caracter\u00edsticas acabam produzindo um efeito dissociador entre \u201ca estrutura de produ\u00e7\u00e3o das necessidades de consumo das massas\u201d. Aspectos derivados dessa caracter\u00edstica do ciclo do capital, refere-se ao cont\u00ednuo limitador de crescimento do sal\u00e1rio m\u00e9dio na economia brasileira, se impondo restri\u00e7\u00f5es tanto via n\u00e3o crescimento real do sal\u00e1rio-m\u00ednimo governamental, quanto desvaloriza\u00e7\u00f5es permanentes atrav\u00e9s de processo inflacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina historicamente se conformou na regi\u00e3o espacial perif\u00e9rica de proximidade dos EUA, sendo que, em fun\u00e7\u00e3o disso, a soberania dos Estados nacionais latino-americanos \u00e9 permanentemente erodida e fragilizada, sendo que quatro pontos centrais s\u00e3o refletidos na obra de Ruy Mauro Marini e com vigor pr\u00f3prio na\u00a0<em>Dial\u00e9tica da depend\u00eancia<\/em>: (i) a capacidade de dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e de controle sobre os principais segmentos da reprodu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do capital, sendo que os fatores limitadores, tanto no controle dos fluxos de capital, garantindo formas de \u201cabsor\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d sob efetivo controle, inclusive via \u201cexportar para a periferia equipamentos e maquin\u00e1rio que j\u00e1 eram obsoletos\u201d; ao lado da efetiva transfer\u00eancia liquida de valores, muito superior ao volume de entradas, constituindo as economias latino-americanas, e Brasil muito especialmente, um formid\u00e1vel exportador de mais-valia, condi\u00e7\u00e3o central tanto para manter a estabilidade de regras de crescimento m\u00e9dio do capital nas economias centrais, como tamb\u00e9m agindo sobre os fatores de crescimento da taxa de lucro<a id=\"_ednref11\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn11\">[xi]<\/a>.<\/p>\n<p>(ii) O controle sobre o circuito financeiro internacional, e como se estabelece as condi\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o sobre seu sistema de cr\u00e9dito e base monet\u00e1ria, componentes de soberania financeira. (iii) O controle geopol\u00edtico do territ\u00f3rio e a capacidade de interven\u00e7\u00e3o extraterritorial. (iv) Por fim, mais central e de grande consequ\u00eancia, os fatores de controle pol\u00edtico e ordenamento social que interditam o exerc\u00edcio da cidadania enquanto poder de organiza\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica nas decis\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p>Considerando, o caso brasileiro presente, \u00e9 muito vis\u00edvel o sentido da manuten\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia e da restri\u00e7\u00e3o da soberania nacional: em termos tecnol\u00f3gicos, temos uma depend\u00eancia estrutural aos EUA; no caso financeiro, o sistema de cr\u00e9dito brasileiro constitui um biombo do sistema estadunidense, sendo refor\u00e7ado a l\u00f3gica de controle sist\u00eamico via perda da capacidade de gest\u00e3o do Estado com diversas pol\u00edticas liberais como a autonomia do Banco Central e a austeridade fiscal extrema e financeiriza\u00e7\u00e3o do Estado.<a id=\"_ednref12\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_edn12\">[xii]<\/a><\/p>\n<p>Por fim, a l\u00f3gica de superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho imp\u00f5e prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Embora seja verdade que os pa\u00edses latino-americanos, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1960, puderam aproveitar das condi\u00e7\u00f5es de incorpora\u00e7\u00e3o dos capitais monopolistas para desenvolver sua ind\u00fastria de base e produzir ciclos conc\u00eantricos de expans\u00e3o do mercado interno, os limites hist\u00f3ricos dessa modalidade de desenvolvimento, muito rapidamente imp\u00f4s uma nova revers\u00e3o na divis\u00e3o internacional do trabalho, aprofundando, em anos recentes, n\u00e3o somente no Brasil, mas em toda Am\u00e9rica Latina, um padr\u00e3o econ\u00f4mico baseado na especializa\u00e7\u00e3o produtiva prim\u00e1rio-exportadora, vis\u00edvel no agroneg\u00f3cio e na minera\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale denotar que Ruy Mauro Marini, refletindo sobre os processos de longo prazo, identificou as mudan\u00e7as estruturais pr\u00f3prias das sociedades dependentes e formulou \u201cleis\u201d particulares do capitalismo dependente. As crises pol\u00edticas e econ\u00f4micas atuais recolocam muitas destas quest\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es, seja em termos nacionais quanto aos dilemas latino-americanos. O resgate cr\u00edtico da teoria da depend\u00eancia \u00e9 fundamental para o entendimento da inser\u00e7\u00e3o subordinada que as economias dependentes, e em espec\u00edfico as latino-americanas, apresentam na atual fase do capitalismo contempor\u00e2neo. O pensamento de um dos principais te\u00f3ricos da depend\u00eancia se mant\u00e9m vivo e articulado frente as vigorosas mudan\u00e7as que o capitalismo sofreu nas \u00faltimas d\u00e9cadas e, particularmente, diante das contradi\u00e7\u00f5es das sociedades latino-americanas e sua depend\u00eancia estrutural \u00e0s na\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Daniel Aar\u00e3o Reis Filho e Jair Ferreira de S\u00e1.\u00a0<em>Imagens da Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Marco Zero, 1985.<\/p>\n<p>EVIL\u00c1SIO Salvador. A distribui\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria: quem paga a conta? In: Jo\u00e3o Sics\u00fa (org.).\u00a0<em>Arrecada\u00e7\u00e3o (de onde vem?) e gastos p\u00fablicos (para onde v\u00e3o?)<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2007.<\/p>\n<p>Francisco Eduardo Cunha e Jos\u00e9 Raimundo Trindade. Agroneg\u00f3cio da soja no cerrado piauiense e (super) explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho rural: uma an\u00e1lise emp\u00edrica.\u00a0<em>Revista de Economia Regional Urbana e do Trabalho<\/em>, vol. 11, n<sup>o<\/sup>. 2 (2022). pp. 116-140.<\/p>\n<p>Italo Calvino.\u00a0<em>Por que ler os cl\u00e1ssicos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2004.<\/p>\n<p>Jacob Gorender.\u00a0<em>Combate nas Trevas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Atica, 1987.<\/p>\n<p>Jaime Osorio. Sobre superexplora\u00e7\u00e3o e capitalismo dependente. In:\u00a0<em>Caderno CRH: revista do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades<\/em>\u00a0\u2013 CRH\/UFBA. n.1 (1987) \u2013 Salvador, UFBA, 2018.<\/p>\n<p>John Smith.\u00a0<em>Imperialism in the twenty-first century : globalization, super-exploitation, and capitalism\u2019s final crisis<\/em>. New York : Monthly Review Press, 2016.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Raimundo Trindade.\u00a0<em>Agenda de debates e desafios te\u00f3ricos: a trajet\u00f3ria da depend\u00eancia e os limites do capitalismo perif\u00e9rico brasileiro e seus condicionantes regionais<\/em>. Bel\u00e9m: Paka-Tatu, 2020.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Raimundo Trindade. Expans\u00e3o perif\u00e9rica e exclus\u00e3o social no espa\u00e7o urbano de Bel\u00e9m.\u00a0<em>Revista do Centro Socioecon\u00f4mico<\/em>, v. 4, n.1\/2, jan\/dez 1997.<\/p>\n<p>Karl Marx.\u00a0<em>O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. Livro I [1867]. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013.<\/p>\n<p>Karl Marx.\u00a0<em>O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>. Livro II [1885]. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014.<\/p>\n<p>L\u00facio Kowarick.\u00a0<em>A espolia\u00e7\u00e3o urbana<\/em>. S\u00e3o Paulo Brasiliense, 1983.<\/p>\n<p>Mathias Seibel Luce.\u00a0<em>Teoria Marxista da Depend\u00eancia: uma vis\u00e3o hist\u00f3rica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2018.<\/p>\n<p>Ruy Mauro Marini.\u00a0<em>Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia<\/em>\u00a0(1973). SADER, Emir (orgs).\u00a0<em>Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia uma antologia da obra de Rui Mauro Marini<\/em>. Rio de Janeiro: Vozes, 2000.<\/p>\n<p>Ruy Mauro Marini. O ciclo do capital na economia dependente. In: Ferreira, Carla et al. (orgs.).\u00a0<em>Padr\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o do capital: contribui\u00e7\u00e3o da teoria marxista da depend\u00eancia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2012.<\/p>\n<p><em>Ruy Mauro Marini: vida e obra<\/em>. Roberta Traspadini e Jo\u00e3o Pedro Stedile (orgs.). S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2005.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a id=\"_edn1\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref1\">[i]<\/a>\u00a0MARINI, Ruy Mauro. Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia (1973). SADER, Emir (orgs). Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia uma antologia da obra de Rui Mauro Marini. Rio de Janeiro: Vozes, 2000.<\/p>\n<p><a id=\"_edn2\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref2\">[ii]<\/a>\u00a0Marini apresenta o memorial como exig\u00eancia acad\u00eamica da Universidade de Bras\u00edlia, publicada em Ruy Mauro Marini: vida e obra. Roberta Traspadini e Jo\u00e3o Pedro Stedile (orgs.). S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2005.<\/p>\n<p><a id=\"_edn3\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref3\">[iii]<\/a>\u00a0Sobre o que seria um Cl\u00e1ssico e sua leitura necess\u00e1ria conferir Italo Calvino. Por que ler os cl\u00e1ssicos. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2004.<\/p>\n<p><a id=\"_edn4\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref4\">[iv]<\/a>\u00a0Para um tratamento minucioso da hist\u00f3ria da esquerda brasileira conferir: Daniel Aar\u00e3o Reis Filho e Jair Ferreira de S\u00e1. Imagens da Revolu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Marco Zero, 1985; e Jacob Gorender. Combate nas Trevas. S\u00e3o Paulo: Atica, 1987.<\/p>\n<p><a id=\"_edn5\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref5\">[v]<\/a>\u00a0OSORIO, J. Sobre superexplora\u00e7\u00e3o e capitalismo dependente. In: Caderno CRH: revista do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades \u2013 CRH\/UFBA. n.1 (1987) \u2013 Salvador, UFBA, 2018.<\/p>\n<p><a id=\"_edn6\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref6\">[vi]<\/a>\u00a0MARX, K. O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Livro I [1867]. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013.<\/p>\n<p><a id=\"_edn7\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref7\">[vii]<\/a>\u00a0Para uma leitura minuciosa da rela\u00e7\u00e3o entre a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e a superexplora\u00e7\u00e3o ver Cunha e Trindade (2022).<\/p>\n<p><a id=\"_edn8\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref8\">[viii]<\/a>\u00a0Kowarick (1983) visualiza a distribui\u00e7\u00e3o espacial da popula\u00e7\u00e3o brasileira no quadro de crescimento ca\u00f3tico das cidades como reflexo das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, espelhando no espa\u00e7o a dupla l\u00f3gica de segrega\u00e7\u00e3o social e superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, conferir tamb\u00e9m Trindade (1997).<\/p>\n<p><a id=\"_edn9\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref9\">[ix]<\/a>\u00a0Os dados da POF (Pesquisa Or\u00e7ament\u00e1ria Familiar) do IBGE s\u00e3o representativos dessa condi\u00e7\u00e3o regressiva dos regimes fiscais dependentes brasileiros. A POF \u201cde 1996, revela que, no Brasil, quem ganha at\u00e9 dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos gasta 26% de sua renda no pagamento de tributos indiretos (\u2026) [enquanto] (\u2026) as fam\u00edlias com renda superior a trinta sal\u00e1rios-m\u00ednimos correspondem apenas a 7%\u201d. J\u00e1 na POF 2002\/2003 essa regressividade piorou, assim as fam\u00edlias que sobrevivem com renda de at\u00e9 dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos apresentam um \u00f4nus tribut\u00e1rio de 46%, e as de elevada renda (acima de 30 sal\u00e1rios-m\u00ednimos) \u201cgastam 16% da renda em tributos indiretos\u201d, conferir Evil\u00e1sio Salvador (2007).<\/p>\n<p><a id=\"_edn10\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref10\">[x]<\/a>\u00a0MARX, K. O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Livro II [1885]. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014.<\/p>\n<p><a id=\"_edn11\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref11\">[xi]<\/a>\u00a0Para uma atualiza\u00e7\u00e3o vigorosa das teses de Marini vale conferir: LUCE (2018); e para an\u00e1lise presente das rela\u00e7\u00f5es de poder do imperialismo estadunidense: SMITH (2016).<\/p>\n<p><a id=\"_edn12\" href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fdialetica-da-dependencia-50-anos%2F#_ednref12\">[xii]<\/a> Em rela\u00e7\u00e3o ao sistema de d\u00edvida p\u00fablica, observa-se que este basicamente funciona como um meio de transfer\u00eancia de riqueza nacional para os controladores externos ou internacionais dela, algo em torno de 5% do PIB anual, conferir Trindade (2022).<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: \u201cDial\u00e9tica da depend\u00eancia\u201d \u2013 50 anos &#8211; A TERRA \u00c9 REDONDA &#8211; https:\/\/aterraeredonda.com.br\/dialetica-da-dependencia-50-anos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 RAIMUNDO BARRETO TRINDADE &#8211; Considera\u00e7\u00f5es sobre o legado do livro de Ruy Mauro Marini. \u201cUtilizar essa an\u00e1lise para estudar as forma\u00e7\u00f5es sociais concretas da Am\u00e9rica Latina [para] abrir assim perspectivas mais claras para as for\u00e7as sociais empenhadas em destruir essa forma\u00e7\u00e3o monstruosa que \u00e9 o capitalismo dependente: este \u00e9 o desafio te\u00f3rico (\u2026) para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[4],"tags":[57],"class_list":["post-19400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria","tag-capitalismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - 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