{"id":19363,"date":"2023-06-09T12:09:49","date_gmt":"2023-06-09T15:09:49","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=19363"},"modified":"2023-06-05T16:11:52","modified_gmt":"2023-06-05T19:11:52","slug":"harvey-as-cidades-no-centro-da-crise-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/06\/09\/harvey-as-cidades-no-centro-da-crise-global\/","title":{"rendered":"Harvey: As cidades no centro da crise global"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mathieu Dejean e Romaric Godin<\/strong> &#8211; Ge\u00f3grafo aponta: vivemos tempos de desespero. Direitos sofrem ataques \u2013 e a moradia \u00e9 capturada como ativo pelo capital financeiro. A vida urbana e cotidiana \u00e9 alienada. As metr\u00f3poles precisam de novos sentidos \u2013 e ela vem das lutas pelo Comum.<\/p>\n<p>David Harvey \u00e9 uma das figuras mais importantes do marxismo contempor\u00e2neo. De passagem por Paris, reuniu-se com Jean-Luc M\u00e9lenchon no dia 12 de abril, a convite do\u00a0<em>Instituto La Bo\u00e9tie<\/em>. Grande cr\u00edtico do capitalismo e incans\u00e1vel int\u00e9rprete do pensamento de Karl Marx, ge\u00f3grafo e pensador acerca dos efeitos concretos do capital na sociedade, este brit\u00e2nico de 88 anos sempre fora um observador atento da realidade econ\u00f4mica, social e geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desta reuni\u00e3o e de uma s\u00e9rie de palestras na Fran\u00e7a, David Harvey concordou em responder perguntas do\u00a0<em>Mediapart\u00a0<\/em>sobre a situa\u00e7\u00e3o atual do capitalismo, sua rela\u00e7\u00e3o com o ex-candidato do\u00a0<em>La France insoumise (LFI)<\/em>\u00a0\u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais, e Marx.<\/p>\n<p><strong>Sua reflex\u00e3o sobre o capitalismo inclui uma importante teoria da crise. A partir de 2020, parece come\u00e7ar uma nova crise, que acaba de experienciar um novo epis\u00f3dio com a crise banc\u00e1ria. O que voc\u00ea acha da situa\u00e7\u00e3o atual do capitalismo?<\/strong><\/p>\n<p>Gostaria de salientar alguns fatos para responder a essa pergunta. O primeiro \u00e9 que, hoje, \u00e9 muito dif\u00edcil imaginar qual ser\u00e1 o futuro do capitalismo porque n\u00e3o est\u00e1 claro que rumo tomar\u00e1 a China, que \u00e9 um ator crucial. A minha opini\u00e3o \u00e9 que a China evitou em 2007-2008, ao capitalismo, uma depress\u00e3o compar\u00e1vel \u00e0 dos anos 1930. Desde ent\u00e3o\u00a0<em>\u2013<\/em>\u00a0e antes da chegada da covid-19\u00a0<em>\u2013<\/em>\u00a0a China representava cerca de um ter\u00e7o do crescimento mundial, o que \u00e9 mais do que o Reino Unido e Estados da Europa juntos. Portanto, \u00e9 imposs\u00edvel, nas atuais circunst\u00e2ncias, prever o rumo que o capitalismo tomar\u00e1 sem saber o rumo que a China tomar\u00e1.<\/p>\n<p>O segundo fato que me parece importante \u00e9 que, dentro do mundo capitalista, houve grandes colapsos financeiros desde a d\u00e9cada de 1980. Em cada crise, os bancos centrais responderam aumentando a liquidez. Agora, caminhamos para a pr\u00f3xima crise que exigir\u00e1 ainda mais liquidez. Ent\u00e3o, na minha opini\u00e3o, estamos em uma situa\u00e7\u00e3o perigosa em que o capital est\u00e1 se acumulando como resultado dessas transfus\u00f5es de dinheiro. Tudo parece um Esquema Ponzi global<sup>1<\/sup>\u00a0e os esquemas Ponzi geralmente terminam muito mal. A dificuldade aqui \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 como os Estados suportarem uma crise financeira se as finan\u00e7as ocidentais forem baseadas em um esquema Ponzi\u2026mas ent\u00e3o a quest\u00e3o \u00e9 se eles podem conter essa crise, e n\u00e3o tenho certeza se podem.<\/p>\n<p>O terceiro fato importante para mim \u00e9 a quest\u00e3o das transfer\u00eancias internacionais de tecnologia. Desde a d\u00e9cada de 1950, os Estados Unidos n\u00e3o impediram, e \u00e0s vezes at\u00e9 encorajaram, as transfer\u00eancias de tecnologia para o Jap\u00e3o, Taiwan e Coreia do Sul. Ao fazer isso, eles obviamente tentaram conter a China em sua forma comunista e cerc\u00e1-la com uma rede de pa\u00edses de renda m\u00e9dia alta.<\/p>\n<p>O que aconteceu quando a China se abriu? O capital do Jap\u00e3o, da Coreia do Sul ou de Taiwan investiu maci\u00e7amente na China, trazendo consigo transfer\u00eancias de tecnologia do passado. Agora os Estados Unidos est\u00e3o tentando bloquear a transfer\u00eancia de tecnologia para a China, o que me parece est\u00fapido. Em parte porque \u00e9 imposs\u00edvel, mas tamb\u00e9m porque se voc\u00ea bloqueia o desenvolvimento da China, que salvou sistematicamente o capitalismo, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 fazendo nada de muito positivo para o pr\u00f3prio capitalismo.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos h\u00e1 muitas opini\u00f5es diferentes, mas se h\u00e1 algo em que o Congresso est\u00e1 em sincronia com o presidente Biden \u00e9 em sua pol\u00edtica anti-China. Se essa pol\u00edtica for bem-sucedida, acho que veremos o mundo mergulhar em um crescimento negativo. E isso vai causar muita oposi\u00e7\u00e3o, tumultos e revoltas. J\u00e1 estamos vendo muitos desses eventos se desenrolarem diante de nossos olhos.<\/p>\n<p><strong>De fato, esses tr\u00eas elementos aparecem como as principais contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo contempor\u00e2neo. Em seu trabalho, voc\u00ea insiste na natureza end\u00eamica das contradi\u00e7\u00f5es e, portanto, das crises no capitalismo. Segundo sua obra, essas crises sempre assumem a forma de processos violentos de desvaloriza\u00e7\u00e3o do capital. Com essa forte interven\u00e7\u00e3o do Estado, fica a sensa\u00e7\u00e3o de que esse processo est\u00e1 travado. O que voc\u00ea acha disso?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Na verdade, esse processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. H\u00e1 desvaloriza\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas. Mas a verdadeira quest\u00e3o \u00e9: quem perder\u00e1 valor? Em 2007-2008, nos Estados Unidos, sete milh\u00f5es de fam\u00edlias perderam suas casas. Eles perderam 80% de seus bens devido \u00e0 grande perda de valor de suas casas, principalmente a comunidade afro-americana. Ao mesmo tempo, os bancos foram salvos. Houve uma transfer\u00eancia massiva de direitos de propriedade para os bancos em decorr\u00eancia dos despejos. Esses direitos foram vendidos a baixo custo, gra\u00e7as a resgates banc\u00e1rios, para empresas como a\u00a0<em>Blackstone<\/em>. A\u00a0<em>Blackstone\u00a0<\/em>\u00e9, agora, a maior propriet\u00e1ria de direitos do mundo. A perda de valor das pessoas nos Estados Unidos acabou no bolso da\u00a0<em>Blackstone<\/em>. Stephen Schwarzman, que dirige esta empresa, \u00e9 agora um dos maiores bilion\u00e1rios do mundo. E ele tem sido um dos principais apoiadores de Donald Trump. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem que escolher: salvar os bancos ou salvar as pessoas. E desde a d\u00e9cada de 1970 a escolha dos governos sempre foi resgatar os bancos. Ent\u00e3o, o que a gente v\u00ea \u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio e da poupan\u00e7a das pessoas.<\/p>\n<p><strong>E hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje vejo outros processos importantes de desvaloriza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, n\u00e3o se sabe exatamente quantas pessoas perderam dinheiro durante a crise cambial. Mas os investidores individuais podem ter perdido at\u00e9 quarenta bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Muitos ricos, como atletas, incentivaram as pessoas a investir nesses ativos, garantindo-lhes altos retornos. E essas pessoas colocam sua renda nessas moedas de computador. Agora o mercado desabou e eles perderam dinheiro.<\/p>\n<p>Algo semelhante est\u00e1 acontecendo na China com a crise do desenvolvimento imobili\u00e1rio. Xi Jinping disse que o mercado imobili\u00e1rio \u00e9 para viver, n\u00e3o para especular, mas muitas pessoas especulam na China. No caso chin\u00eas, as pessoas compraram a\u00e7\u00f5es de projetos futuros antes mesmo de come\u00e7arem. As pessoas compraram at\u00e9 cinco ou seis apartamentos e aproveitaram o aumento do pre\u00e7o de mercado entre a compra e a entrega. Mas quando a empresa principal,\u00a0<em>Evergrande<\/em>, faliu, muitos de seus andares ficaram inacabados. As pessoas se viram tendo que pagar parcelas de cr\u00e9dito por algo que n\u00e3o existia. \u00c9 por isso que houve uma greve de deprecia\u00e7\u00e3o na China, o que foi muito interessante. O governo ent\u00e3o teve que concordar em tomar medidas sobre o assunto e terminar as constru\u00e7\u00f5es. Essas coisas s\u00e3o dif\u00edceis de analisar em detalhes. Mas o que se pode deduzir \u00e9 que uma crescente concentra\u00e7\u00e3o de riqueza em 1% ou 10% da popula\u00e7\u00e3o aumenta a centraliza\u00e7\u00e3o do capital em torno de empresas como\u00a0<em>Blackstone\u00a0<\/em>ou\u00a0<em>BlackRock<\/em>. E, para mim, a amea\u00e7a de desvaloriza\u00e7\u00e3o reside nesse fen\u00f4meno. O\u00a0<em>Credit Suisse<\/em>\u00a0foi adquirido pelo UBS, dois ou tr\u00eas outros bancos foram resgatados nos EUA, acho que haver\u00e1 mais\u2026 Ent\u00e3o a desvaloriza\u00e7\u00e3o do capital est\u00e1 acontecendo em uma escala j\u00e1 significativa. Governos e bancos centrais est\u00e3o preocupados com o que chamam de \u201ccont\u00e1gio\u201d e, por isso, tentam conter a crise. Veremos at\u00e9 onde eles podem chegar sem emitir novas ondas de liquidez, enquanto os bancos centrais tentam sair da flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa.<\/p>\n<p><strong>Assim como Jean-Luc M\u00e9lenchon, com quem voc\u00ea debateu recentemente, voc\u00ea destina, em sua teoria, um lugar importante \u00e0 cidade. O que aproxima voc\u00ea dele neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que compartilhamos a cr\u00edtica \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o da cidade. A crise imobili\u00e1ria \u00e9 global. H\u00e1 quase sessenta mil desabrigados em Nova York e as fam\u00edlias est\u00e3o amontoadas em apartamentos apertados porque n\u00e3o podem pagar nada melhor. H\u00e1 um\u00a0<em>boom\u00a0<\/em>imobili\u00e1rio que equivale a construir moradias para as classes que podem especular, sem fazer nada para a massa de pessoas que est\u00e3o desesperadas por moradia digna. Devemos controlar os alugu\u00e9is e acabar com a mercantiliza\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o. Mas, com o neoliberalismo, tudo \u00e9 mercantilizado. Por isso n\u00e3o acho que tenha chegado o seu fim: educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade ou mesmo moradia ainda s\u00e3o muito mercantilizados. N\u00e3o vejo nenhum partido pol\u00edtico lidando com essas quest\u00f5es, com exce\u00e7\u00e3o de M\u00e9lenchon e\u00a0<em>La France insoumise<\/em>, e h\u00e1 muitas outras coisas em que concordamos.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas tamb\u00e9m t\u00eam em comum o fato de integrarem a aliena\u00e7\u00e3o do tempo em suas cr\u00edticas da vida urbana cotidiana\u2026<\/strong><\/p>\n<p>De fato, penso, como Henri Lefebvre, que as pessoas est\u00e3o alienadas das condi\u00e7\u00f5es da vida cotidiana, e em particular do tempo roubado pelo desenvolvimento do capitalismo. Por isso fico desesperado ao ver que ainda existem programas de esquerda que s\u00f3 focam nas condi\u00e7\u00f5es materiais de vida.<\/p>\n<p>Quando se fala em aliena\u00e7\u00e3o, fala-se de um sentimento de perda de sentido que o enorme aumento da propaganda burguesa \u2013 por meio de shows, filmes, entretenimento \u2013 n\u00e3o consegue nos fazer esquecer. N\u00e3o acho que as pessoas estejam satisfeitas com seu estilo de vida. A inseguran\u00e7a no trabalho tem muito a ver com isso. Nos anos 1960, quando as pessoas tinham empregos est\u00e1veis, posi\u00e7\u00f5es consolidadas, vizinhos que conheciam e encontravam na rua, era mais f\u00e1cil encontrar sentido na vida. Hoje tudo se torna fr\u00e1gil. Precisamos de um projeto pol\u00edtico que se encarregue dessa quest\u00e3o e do direito \u00e0 cidade.<\/p>\n<p><strong>A teoria p\u00f3s-marxista de M\u00e9lenchon sobre a \u201cera do povo\u201d \u00e9 influenciada pelos fil\u00f3sofos Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, que enxergam o \u201cpovo\u201d como o novo motor da hist\u00f3ria, e n\u00e3o mais a classe trabalhadora. Qual \u00e9 a sua posi\u00e7\u00e3o sobre este ponto de vista?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o concordo com eles, mas acho que o que M\u00e9lenchon est\u00e1 caminhando em uma dire\u00e7\u00e3o diferente. Sempre me pareceu que a esquerda fetichiza a luta de classes nos estabelecimentos manufatureiros e tende a tratar os movimentos sociais urbanos, como a luta contra a gentrifica\u00e7\u00e3o, como elementos secund\u00e1rios. Minha vers\u00e3o da teoria marxista \u00e9 que esses elementos fazem parte de um todo. Quando alguns falam em \u201ccircula\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva\u201d, vejo os trabalhadores lutando contra as empresas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, contra os propriet\u00e1rios, contra as empresas farmac\u00eauticas ou de telefonia m\u00f3vel. Para mim, faz parte da luta de classes. Quando Laclau e Mouffe dizem que temos que ir al\u00e9m da ideia tradicional que temos do\u00a0<em>proletariado<\/em>, concordo com eles, mas continuo trabalhando em bases marxistas, enquanto Laclau, em particular, tende a querer descartar a ideia marxista como uma crian\u00e7a com a \u00e1gua do banho.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, n\u00e3o gosto muito da palavra \u201cpopulista\u201d, mas entendo o que M\u00e9lenchon quer dizer quando argumenta que precisa de um movimento que aborde tudo o que est\u00e1 errado na vida das pessoas, e n\u00e3o apenas a classe trabalhadora tradicional, mesmo que esta ainda seja importante. Conversando com ele, n\u00e3o acho que ele se sente particularmente ligado ideologicamente a Laclau e Mouffe, mas que ele queria algo amplo o suficiente para construir um partido pol\u00edtico e tamb\u00e9m, de forma mais geral, um movimento social em torno das transforma\u00e7\u00f5es de todas as formas de vida urbana, n\u00e3o somente das f\u00e1bricas manufatureiras.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea diz que a luta contra a aliena\u00e7\u00e3o deve ser integrada em um programa pol\u00edtico, mas um programa pol\u00edtico com voca\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria na sociedade pode ser constru\u00eddo lutando contra a aliena\u00e7\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a menos que haja um problema a resolver. Popula\u00e7\u00f5es alienadas n\u00e3o necessariamente apoiam programas de esquerda, elas podem se tornar fascistas e, de fato, h\u00e1 ampla evid\u00eancia de que elas se moveram mais para a extrema direita do que para a esquerda ultimamente.<\/p>\n<p>A esquerda deve capturar essa raiva e mobilizar essas popula\u00e7\u00f5es passivo-agressivas. Infelizmente, a esquerda n\u00e3o faz isso. Na Gr\u00e3-Bretanha, ao menor sinal de raiva, o Partido Trabalhista recua, condenando os \u201cextremistas\u201d. Quando tr\u00eas parlamentares trabalhistas ousaram realizar um piquete recentemente, foram expulsos pela lideran\u00e7a do partido! O Partido Trabalhista est\u00e1 decidido nisso. Ent\u00e3o, acho que podemos aprender com M\u00e9lenchon que, pelo que sei, ele compartilha dessa raiva e n\u00e3o tem medo dela: ele sabe de onde ela vem.<\/p>\n<p><strong>Em O Neoliberalismo: hist\u00f3ria e implica\u00e7\u00f5es, voc\u00ea escreveu que ele s\u00f3 pode sobreviver tornando-se violento e autocr\u00e1tico. N\u00e3o \u00e9 isso que vemos hoje na Fran\u00e7a na decis\u00e3o de Macron diante das mobiliza\u00e7\u00f5es contra a reforma da previd\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 contra isso que estamos lutando, claramente. Estamos nos aproximando do fascismo dos anos 1930, \u00e9 contra isso que temos que lutar. Tudo indica que a Fran\u00e7a se encontra em um beco sem sa\u00edda, entre um poder surdo e uma mobiliza\u00e7\u00e3o exausta pela repress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea, que trabalhou com movimentos revolucion\u00e1rios e sua dimens\u00e3o urbana, acha que uma revolu\u00e7\u00e3o do tipo do s\u00e9culo XIX ainda pode acontecer hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Certamente a\u00a0situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 radicalmente diferente do que era no s\u00e9culo XIX. N\u00e3o h\u00e1 mais a possibilidade de invadir a Bastilha ou o Pal\u00e1cio de Inverno. Se f\u00f4ssemos atacar algo, teria que ser os bancos centrais, mas o que far\u00edamos uma vez l\u00e1 dentro? (r<em>isos<\/em>). Durante a Comuna de Paris, os insurgentes, ao contr\u00e1rio, protegeram o\u00a0<em>Banque de France<\/em>, percebendo seu erro tarde demais. Hoje, o capitalismo est\u00e1 organizado de tal forma que, em alguns aspectos, quase parece grande demais para entrar em colapso. Mesmo que algu\u00e9m seja a favor da transi\u00e7\u00e3o para o socialismo, imagino que ainda desejar\u00edamos ter telefones celulares, computadores e, portanto, a internet. Mas como eles s\u00e3o feitos e quem os faz? Essas empresas est\u00e3o bem estabelecidas. \u00c9 poss\u00edvel que, se desabassem, n\u00e3o haveria mais computadores nem telefones celulares. Se isso \u00e9 socialismo, pode apostar que as pessoas v\u00e3o pedir a volta do capitalismo! As pessoas me criticam quando digo isso, mas, de forma realista, voc\u00ea pode imaginar uma sociedade socialista que preferiria rejeitar computadores, ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial do que us\u00e1-los? Vamos pensar sobre isso.<\/p>\n<p><strong>Dado que \u00e9 dif\u00edcil revolucionar o cotidiano urbano e que existe uma consci\u00eancia ecol\u00f3gica cada vez maior, n\u00e3o acha, como Kristin Ross, que as revolu\u00e7\u00f5es v\u00e3o come\u00e7ar agora no campo, nas zonas que devem ser defendidas?<\/strong><\/p>\n<p>Toda a hist\u00f3ria do capital est\u00e1 repleta de movimentos alternativos desse tipo. Eles n\u00e3o s\u00e3o absurdos ou in\u00fateis. Esses movimentos podem ser a semente para a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa real. Se eu pudesse planejar tudo, faria as pessoas sa\u00edrem da metr\u00f3pole, trabalharem longe da metr\u00f3pole \u2013 agora \u00e9 poss\u00edvel \u2013 , que as estruturas comunit\u00e1rias sejam ecol\u00f3gicas, que cada um tenha seu pr\u00f3prio terreno para plantar hortali\u00e7as. \u00c9 uma resposta importante aos problemas colocados pela agricultura capitalista. Morei na Gr\u00e3-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial, quando metade da produ\u00e7\u00e3o de alimentos vinha das hortas! H\u00e1 muito que se pode tirar dessas alternativas. Mais uma vez, isso vai me causar problemas com os marxistas ortodoxos, porque \u00e0s vezes eu digo coisas que me fazem parecer um anarquista! (<em>risos<\/em>)<\/p>\n<p><strong>Na verdade, voc\u00ea \u00e9 mais Kropotkin do que Marx!<\/strong><\/p>\n<p>Sim, e \u00c9lis\u00e9e Reclus! Gosto muito deles. Gosto muito da frase de Henri Lefebvre quando perguntado por que ele era marxista e n\u00e3o anarquista: \u201cSou marxista para que um dia possamos todos viver como anarquistas!\u201d. \u00c9 uma resposta muito boa. Sou um anarquista antiquado, gosto de ler Murray Bookchin, Kropotkin. \u00c9lis\u00e9e Reclus merece ser incorporado, e aprimorado, em nossas considera\u00e7\u00f5es. Isso provavelmente faz de mim uma esp\u00e9cie de herege.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem feito muito para ajudar o pensamento marxista a sobreviver ao rolo compressor neoliberal. Recentemente, publicou A Companion to Marx\u2019s Grundrisse (2022) [Um guia para os Gundrisse de Marx]. Por que ainda \u00e9 importante, para voc\u00ea, ler Marx e falar sobre seu pensamento?<\/strong><\/p>\n<p>Pode-se dizer que sou um pouco obsessivo! A primeira raz\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o apoio a corrente hegem\u00f4nica da economia contempor\u00e2nea. \u00c9 t\u00e3o errado! Acho que Marx construiu uma compreens\u00e3o muito mais precisa e relevante do capital e da economia do que os economistas burgueses. Eu quero desafi\u00e1-los. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque eles t\u00eam dinheiro, t\u00eam m\u00eddia, t\u00eam \u201ccredibilidade\u201d. Mas vamos dar exemplos. David Ricardo tinha uma teoria do valor-trabalho. Muitas pessoas que trabalham nesta tradi\u00e7\u00e3o olham para a situa\u00e7\u00e3o e dizem: se o trabalho \u00e9 a fonte de todo valor, como \u00e9 que o trabalho \u00e9 t\u00e3o mal remunerado? \u00c9 uma quest\u00e3o moral \u00f3bvia. Isso deu origem ao \u201csocialismo ricardiano\u201d na d\u00e9cada de 1840, que deu origem ao socialismo de John Stuart Mill. John argumentou que n\u00e3o podemos fazer nada com a produ\u00e7\u00e3o, mas que podemos redistribuir o m\u00e1ximo de valor poss\u00edvel para as pessoas que o produzem. Thomas Piketty, Elizabeth Warren e Bernie Sanders fazem parte dessa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marx n\u00e3o apreciava essa tradi\u00e7\u00e3o porque ela n\u00e3o levava em conta a produ\u00e7\u00e3o. Mas ela levanta uma quest\u00e3o moral fundamental, que se tornou muito forte no movimento cartista da d\u00e9cada de 1840.\u00a0 Naquela \u00e9poca, os economistas marginais diziam: n\u00e3o devemos mais pensar em valor apenas a partir do trabalho, mas sim agregando o valor da propriedade, do capital e do trabalho. A import\u00e2ncia desses tr\u00eas fatores de produ\u00e7\u00e3o deriva de sua relativa escassez: se os capitalistas temem a escassez, t\u00eam direito a receber muito mais do que o trabalho, que \u00e9 abundante. Os chef\u00f5es de Manchester ficaram entusiasmados com essa nova teoria econ\u00f4mica porque ela erradicava a quest\u00e3o moral, e a teoria de John Stuart Mill s\u00f3 sobreviveu atrav\u00e9s de algumas formas de social-democracia desde 1945. O capital, ainda hoje, se baseia nessa teoria! Ele legitima taxas de retorno de renda superiores \u00e0s do capital, a ponto de haver excesso de capital. Ent\u00e3o, deveria haver um reequil\u00edbrio a favor do trabalho, mas \u00e9 claro que isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. Se voc\u00ea disser a um economista, em qualquer faculdade, para levar a s\u00e9rio essa teoria do valor, eles v\u00e3o rir na sua cara! \u00c9 rid\u00edculo. Portanto, temos que voltar a essa quest\u00e3o moral. Porque, uma vez levantada, as pessoas come\u00e7am a se questionar e, a partir da\u00ed, pode-se passar para a pr\u00f3xima etapa, que \u00e9 levantar a quest\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o capitalista. \u00c9 por essa raz\u00e3o que Marx oferece uma alternativa. Ele pensa que o capital n\u00e3o \u00e9\u00a0<em>algo<\/em>, como pensam os economistas burgueses, mas um\u00a0<em>processo\u00a0<\/em>no qual ele assume diferentes formas. Tem uma flexibilidade incr\u00edvel. Por outro lado, Marx me \u00e9 muito \u00fatil para entender os fen\u00f4menos da urbaniza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, Marx explica que os capitalistas investem em atividades improdutivas de prop\u00f3sito, para evitar o excedente de produ\u00e7\u00e3o criado por seus investimentos. Veja a urbaniza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea nos Estados do Golfo, \u00e9 bastante reveladora! Os capitalistas investem em ativos inadimplentes, a taxas enormes, para obter lucro. Eles fazem isso em parte por raz\u00f5es ecol\u00f3gicas, porque, caso contr\u00e1rio, a press\u00e3o sobre o meio ambiente seria catastr\u00f3fica. Meu objetivo \u00e9 difundir uma teoria marxista compreens\u00edvel, ser um pedagogo, para que os sindicatos e os movimentos sociais se apropriem dela. De certa forma, esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual a hegemonia marxista entrou em colapso na d\u00e9cada de 1980: era muito sofisticada, n\u00e3o tinha uma base real para explicar o que estava acontecendo na vida cotidiana. Acho que essa barreira est\u00e1 prestes a ser superada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-heading\"><strong>Nota<\/strong><\/p>\n<p><sup>1\u00a0<\/sup>Um esquema financeiro fraudulento. [N.E.]<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Harvey: As cidades no centro da crise global &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/harvey-as-cidade-no-centro-da-crise-global\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mathieu Dejean e Romaric Godin &#8211; Ge\u00f3grafo aponta: vivemos tempos de desespero. Direitos sofrem ataques \u2013 e a moradia \u00e9 capturada como ativo pelo capital financeiro. A vida urbana e cotidiana \u00e9 alienada. As metr\u00f3poles precisam de novos sentidos \u2013 e ela vem das lutas pelo Comum. 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