{"id":1898,"date":"2016-10-21T09:53:40","date_gmt":"2016-10-21T11:53:40","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=1898"},"modified":"2016-10-20T17:56:15","modified_gmt":"2016-10-20T19:56:15","slug":"boa-noite-cinderela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/10\/21\/boa-noite-cinderela\/","title":{"rendered":"Boa noite, Cinderela"},"content":{"rendered":"<p><b>Ladislau Dowbor &#8211;\u00a0<\/b>Fraudes. Propinas para pol\u00edticos. Manipula\u00e7\u00f5es. Um estudo devastador sobre o sistema financeiro revela como, por tr\u00e1s dos an\u00fancios cheios de pessoas felizes, os bancos sugam a riqueza social<\/p>\n<p>\u00c0s vezes precisamos de um espelho. Com o grau de deforma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dos argumentos quando se trata da realidade brasileira, \u00e9 bom dar uma olhada como todo o debate sobre o resgate do sistema financeiro est\u00e1 se dando no resto do mundo. N\u00e3o somos uma ilha, e muito menos o nosso sistema financeiro, ainda que aqui algumas deforma\u00e7\u00f5es sejam muito maiores. Hoje j\u00e1 n\u00e3o podemos ignorar o s\u00f3lido acervo de pesquisas, que deslancharam ap\u00f3s a crise de 2008, e que mostram a que ponto o sistema financeiro se distanciou dos seus objetivos iniciais de financiar o investimento e o crescimento econ\u00f4mico. Aqui apresentamos a excelente pesquisa de Epstein e Montecino sobre o sistema americano, organizando as ideias chave, e este espelho gera um impressionante efeito de ver na imagem refletida a sombra dos nossos dramas.<\/p>\n<p>O estudo de Epstein e Montecino oferece uma vis\u00e3o de conjunto do impacto econ\u00f4mico da intermedia\u00e7\u00e3o financeira, tal como funciona nos EUA. O sistema n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o fomenta a economia, como a drena. O t\u00edtulo, <i>Cobrando demais: o alto custo da alta finan\u00e7a, <\/i>j\u00e1 diz tudo, e pela primeira vez temos aqui uma vis\u00e3o sist\u00eamica e integrada do quanto custa \u00e0 economia americana uma m\u00e1quina financeira que se agigantou e se deformou radicalmente. Hoje n\u00e3o fomenta a economia, pelo contr\u00e1rio, inibe-a, gerando mais custos do que est\u00edmulo produtivo. A pesquisa faz parte de um conjunto de iniciativas do Roosevelt Institute, que tem como economista chefe Joseph Stiglitz, pr\u00eamio \u201cNobel\u201d de economia, e que j\u00e1 foi economista chefe do governo Clinton e do Banco Mundial.<\/p>\n<p class=\"western\">Esta pesquisa tem muita import\u00e2ncia para n\u00f3s no Brasil, pois o sistema financeiro internacional funciona aqui a pleno vapor, e a cultura da intermedia\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o varia muito entre a City de Londres, Wall Street ou o sistema de usura que se implantou no Brasil. Hoje existe uma cultura financeira global. No nosso caso, o desajuste fica evidente quando constatamos que em 2015 o PIB recuou de 3,8%, enquanto no mesmo per\u00edodo o lucro declarado do Bradesco aumentou em 25,9%, e o do Ita\u00fa aumentou em 30,2%. A m\u00e1quina financeira est\u00e1 vivendo \u00e0s custas da economia real. Nosso sistema de intermedia\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o serve a economia, dela se serve. \u00c9 produtividade l\u00edquida negativa. Ajuda, e d\u00e1 confian\u00e7a \u00e0s nossas pesquisas aqui no Brasil, esta constata\u00e7\u00e3o lapidar do pr\u00f3prio Stiglitz: \u201cEnquanto antes as finan\u00e7as constitu\u00edam um mecanismo para colocar dinheiro nas empresas, agora funcionam para extrair dinheiro delas.\u201d<sup><a class=\"sdendnoteanc\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote1sym\" name=\"sdendnote1anc\">i<\/a><\/sup><\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que t\u00eam dificuldade em imaginar um grande banco internacional achacando os seus clientes, e imaginam que nos EUA as coisas seriam s\u00e9rias, quanto mais na Europa. \u00c9 preciso aqui lembrar algumas coisas \u00f3bvias. Por fraude com milh\u00f5es de clientes, o Deutsche Bank foi condenado em setembro de 2016, pela justi\u00e7a americana, a uma multa de 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (uma vez e meia o or\u00e7amento anual do Bolsa Fam\u00edlia, que tirou 50 milh\u00f5es de pessoas da mis\u00e9ria, s\u00f3 para dar uma ordem de grandeza dos tamanhos das fraudes banc\u00e1rias). \u00c9 bom lembrar que um banco t\u00e3o s\u00e9rio como Citigroup j\u00e1 foi condenado a pagar US$ 12 bilh\u00f5es (fechou por US$ 7 bilh\u00f5es), Goldman Sachs est\u00e1 pagando $ 5,06 bilh\u00f5es, JPMorgan Chase&amp;Co est\u00e1 pagando US$ 13 bilh\u00f5es, o Bank of America US$ 16,7 bilh\u00f5es. Os crimes s\u00e3o dos mais diversos tipos, desde fraude nas informa\u00e7\u00f5es aos clientes at\u00e9 falsifica\u00e7\u00f5es dos mais diversos tipos, depenando clientes, enganando o fisco, falsificando informa\u00e7\u00f5es sobre taxas de juros e semelhantes.<sup><a class=\"sdendnoteanc\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote2sym\" name=\"sdendnote2anc\">ii<\/a><\/sup><\/p>\n<p class=\"western\">Todos ouviram falar da financeiriza\u00e7\u00e3o, mas poucos se d\u00e3o conta da profundidade da deforma\u00e7\u00e3o generalizada dos processos econ\u00f4micos, sociais e ambientais que resultam da migra\u00e7\u00e3o dos nossos recursos do fomento econ\u00f4mico atrav\u00e9s de investimentos, para ganhos improdutivos atrav\u00e9s de aplica\u00e7\u00f5es financeiras. Inclusive, os bancos e a m\u00eddia chamam tudo de \u201cinvestimento\u201d, parece mais nobre do que aplica\u00e7\u00e3o financeira ou especula\u00e7\u00e3o. A revista <i>Economist<\/i> at\u00e9 inventou a express\u00e3o \u201cspeculative investors\u201d e Stiglitz sente-se obrigado a se referir a \u201cproductive invesments\u201d para diferenciar. Mas n\u00e3o h\u00e1 como escapar desta realidade simples: quando voc\u00ea compra pap\u00e9is, eles podem render, mas voc\u00ea n\u00e3o produziu nada. E abrir uma empresa, contratar trabalhadores, produzir e pagar impostos \u00e9 mais trabalhoso do que por exemplo aplicar em pap\u00e9is da d\u00edvida p\u00fablica. O primeiro estimula a economia, o segundo gera rendimentos sem contrapartida, e a partir de um certo n\u00edvel torna-se um peso morto sobre as atividades econ\u00f4micas em geral.<\/p>\n<p class=\"western\">Voltando ao artigo de Epstein e Montecino, em termos de funcionalidade econ\u00f4mica os autores se referem a uma \u201c<i>spectacular failure<\/i>\u201d: \u201cUm sistema financeiro saud\u00e1vel \u00e9 aquele que canaliza recursos financeiros para investimento produtivo, ajuda as fam\u00edlias a poupar para poder financiar grandes despesas tais como educa\u00e7\u00e3o superior e aposentadorias, fornece produtos tais como seguros para ajudar a reduzir riscos, cria suficiente quantidade de liquidez \u00fatil, gere um mecanismo eficiente de pagamentos, e gera inova\u00e7\u00f5es financeiras para fazer todas estas coisas \u00fateis de forma mais barata e efetiva. Todas estas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o cruciais para uma economia de mercado est\u00e1vel e produtiva. Mas depois de d\u00e9cadas de desregula\u00e7\u00e3o, o sistema financeiro atual dos EUA se tornou um sistema altamente especulativo que falhou de maneira bastante espetacular em realizar estas tarefas cr\u00edticas.\u201d(1)<\/p>\n<p class=\"western\">Do lado das alternativas, \u00e9 resgatar o sistema de regula\u00e7\u00e3o, reestruturar o sistema para que sirva a economia e n\u00e3o dela se sirva apenas, e gerar sistemas alternativos de intermedia\u00e7\u00e3o financeira para que as pessoas voltem a poder ter escolha: \u201cEsses custos excessivos das finan\u00e7as podem ser reduzidos e o setor financeiro pode de novo jogar um papel mais produtivo na sociedade. Para alcan\u00e7\u00e1-lo, precisamos de tr\u00eas enfoques complementares: melhorar a regula\u00e7\u00e3o financeira, aproveitando o que a [lei] Dodd-Frank j\u00e1 conseguiu; uma reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema financeiro para que sirva melhor as necessidades das nossas comunidades, pequenos neg\u00f3cios, fam\u00edlias, e entidades p\u00fablicas; e alternativas financeira p\u00fablicas, tais como bancos cooperativos e bancos especializados, para equilibrar o jogo.\u201d (3)<\/p>\n<p class=\"western\">Como foi se deformando o sistema financeiro, que atualmente imp\u00f5e enormes custos para a economia real, obrigada a sustentar uma imensa superestrutura especulativa? \u201cMostramos como a ind\u00fastria de gest\u00e3o de recursos (<i>assets<\/i>) cobra taxas excessivas e traz retornos med\u00edocres para as fam\u00edlias que buscam poupar para a aposentadoria; como empresas privadas de gest\u00e3o de a\u00e7\u00f5es se apropriam de n\u00edveis excessivos de pagamentos dos fundos de pens\u00e3o e outros investidores enquanto frequentemente penalizam os sal\u00e1rios e oportunidades de emprego dos trabalhadores nas empresas que compram; como os fundos especulativos (<i>hedge funds<\/i>) apresentam mau desempenho; e como emprestadores predat\u00f3rios exploram algumas das pessoas mais vulner\u00e1veis da nossa sociedade. Olhando desta maneira desde abaixo, podemos ver de forma mais clara como os n\u00edveis de excessos de cobran\u00e7a (<i>overcharging<\/i>) que identificamos no n\u00edvel macro se organizam de maneira pr\u00e1tica.\u201d (3)<\/p>\n<p class=\"western\">O resultado pr\u00e1tico \u00e9 que os trilh\u00f5es de d\u00f3lares captados pelo sistema de intermedia\u00e7\u00e3o financeira e os diversos fundos representam em termos l\u00edquidos um dreno para a economia americana. Este sistema, como no Brasil, representa uma produtividade negativa, e gera ganhos l\u00edquidos sem contrapartida produtiva correspondente: \u201cAssim, as finan\u00e7as t\u00eam operado nestes \u00faltimos anos um jogo de soma negativa. Isto significa que nos custa mais do que um d\u00f3lar transferir um d\u00f3lar de riqueza para os financistas \u2013 significativamente mais. Por isso, mesmo que voc\u00ea pense que os nossos financistas merecem cada centavo que conseguem, sairia muito mais barato simplesmente enviar-lhes um cheque todo ano do que deix\u00e1-los continuar a tocar os neg\u00f3cios como sempre.\u201d(4)<\/p>\n<p class=\"western\">Bancos pequenos e m\u00e9dios nos EUA continuaram a desempenhar as suas atividades de <i>commercial banking<\/i>, mas dez gigantes passaram a dominar o sistema financeiro, concentrando-se em outros produtos, essencialmente especulativos. Este grupo dominante, segundo a pesquisa, concentrou-se \u201cem novos produtos e pr\u00e1ticas ligadas \u00e0 crise financeira \u2013 inclusive securitiza\u00e7\u00e3o, derivativos e com\u00e9rcio propriet\u00e1rio (<i>proprietary trading<\/i>), tudo financiado por empr\u00e9stimos de muito curto prazo.\u201d(10) A oligopoliza\u00e7\u00e3o \u00e9 aqui central, apoiada n\u00e3o s\u00f3 na n\u00e3o-transpar\u00eancia dos produtos, como no seu poder pol\u00edtico de obter subs\u00eddios (o que, no Brasil, a taxa Selic elevada). Trata-se \u201cdo poder monopol\u00edstico ou oligopol\u00edstico que as institui\u00e7\u00f5es financeiras podiam exercer por meio de produtos financeiros n\u00e3o transparentes, bem como da facilidade de acesso a volumes maci\u00e7os de capital por causa dos subs\u00eddios devidos \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de \u2018grandes demais para quebrar\u2019\u201d.(19)<\/p>\n<p class=\"western\">Segundo os autores, os numerosos bancos menores nos EUA terminam sendo tribut\u00e1rios destes gigantes: \u201cOs grandes bancos de Wall Street est\u00e3o no epicentro do sistema financeiro. Como resultado, praticamente todos os aspectos dominantes das finan\u00e7as que discutimos at\u00e9 aqui \u2013 <i>hedge funds, <\/i>ativos privados, cr\u00e9ditos predat\u00f3rios, mercado hipotec\u00e1rio e o chamado sistema de \u2018bancos das sombras\u2019 (<i>shadow banking<\/i>) \u2013 todos est\u00e3o ligados at\u00e9 certo ponto com os grandes \u2018<i>core banks\u2019.<\/i>\u201d Por sua vez, estes grandes bancos passam a exercer um poder pol\u00edtico que torna qualquer reforma pouco vi\u00e1vel: \u201cNo caso da reforma financeira, o poder que o setor financeiro exerce sobre o processo pol\u00edtico tem sido uma for\u00e7a com a qual \u00e9 dif\u00edcil lidar.\u201d(41)<\/p>\n<p class=\"western\">Esta pir\u00e2mide de poder, tanto sobre o conjunto do sistema financeiro, envolvendo at\u00e9 os pequenos bancos comerciais locais ou regionais, como sobre o processo decis\u00f3rio pol\u00edtico que deveria permitir a regula\u00e7\u00e3o, permitiu a estrutura\u00e7\u00e3o de uma m\u00e1quina que extrai recursos da economia de maneira desproporcional relativamente ao seu aporte produtivo. \u201cPrecisamos enfatizar o fato que na nossa an\u00e1lise, estamos estimando os custos <i>l\u00edquidos<\/i> (\u00eanfase dos autores) do nosso sistema financeiro: os custos que ultrapassam de longe o que um sistema financeiro eficiente deveria custar \u00e0 sociedade. As rentas financeiras medem quanto a mais os clientes e pessoas que pagam impostos t\u00eam de pagar aos banqueiros para ter direito aos servi\u00e7os (benef\u00edcios) que recebem. Os custos de m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o medem os custos de termos um crescimento econ\u00f4mico menor do que ter\u00edamos se as finan\u00e7as tivessem uma dimens\u00e3o otimizada e funcionassem de maneira eficiente. Estes custos s\u00e3o l\u00edquidos no sentido de que o c\u00e1lculo reconhece que o sistema financeiro cria benef\u00edcios significativos, mas que estes benef\u00edcios seriam <i>maiores <\/i>se o sistema operasse em escala correta e de maneira correta. Finalmente, os custos da crise financeira constituem um custo l\u00edquido no sentido de que medem quanta produ\u00e7\u00e3o foi perdida relativamente ao que seria poss\u00edvel se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos tido a crise financeira.\u201d(14)<\/p>\n<p class=\"western\">O conceito de custo l\u00edquido do sistema financeiro \u00e9 muito \u00fatil, pois envolve diretamente a quest\u00e3o da produtividade sist\u00eamica das finan\u00e7as de um pa\u00eds. Para o Brasil, considerando os custos da crise 2015\/2016, da qual o sistema financeiro foi a causa principal, podemos igualmente calcular o custo sist\u00eamico. No caso americano, os autores consideram que \u201cprecisamos incorporar os custos das crises financeiras associadas com a especula\u00e7\u00e3o excessiva e as atividades econ\u00f4micas destrutivas que s\u00e3o agora bem compreendidas, no sentido de terem sido chave na crise econ\u00f4mica recente.\u201d (16) A diferen\u00e7a \u00e9 que nos EUA se reconhece as ra\u00edzes da crise financeira de 2008, enquanto aqui se atribui a crise ao rid\u00edculo d\u00e9ficit fiscal, de menos de 2% do PIB. O rombo na realidade \u00e9 criado pelo n\u00edvel surrealista de juros sobre a d\u00edvida p\u00fablica, a taxa Selic, que s\u00f3 no ano de 2015 significou uma transfer\u00eancia de 501 bilh\u00f5es de reais, 9% do PIB, dos nossos impostos para os grupos financeiros.<sup><a class=\"sdendnoteanc\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote3sym\" name=\"sdendnote3anc\">iii<\/a><\/sup><\/p>\n<p class=\"western\">O conceito de renta financeira (<i>financial rent<\/i>) \u00e9 importante, e o pr\u00f3prio conceito de \u201crenta\u201d, diferente de renda, tem de ser introduzido nas nossas an\u00e1lises no Brasil. O fato \u00e9 que a \u201crenta\u201d como forma de acesso aos recursos sem a contribui\u00e7\u00e3o produtiva correspondente ajuda a entender o processo (no Brasil, curiosamente, utilizamos a express\u00e3o \u201crentismo\u201d mas n\u00e3o existe ainda o conceito de \u201crenta\u201d). Em ingl\u00eas se distingue claramente o mecanismo produtivo que gera a renda (<i>income<\/i>) e a aplica\u00e7\u00e3o financeira que gera \u201crenta\u201d (<i>rent<\/i>). Em franc\u00eas \u00e9 igualmente clara a diferen\u00e7a de \u201crevenu\u201d e \u201crente\u201d, respectivamente. N\u00e3o h\u00e1 como entender por exemplo os trabalhos do Piketty sem esta distin\u00e7\u00e3o. Segundo os autores, \u201cno caso das finan\u00e7as modernas, as rentas v\u00eam em duas formas b\u00e1sicas: uma \u00e9 o pagamento excessivo feito aos banqueiros \u2013 <i>top traders, <\/i>CEOs, engenheiros financeiros e outros empregados de bancos e outras institui\u00e7\u00f5es financeiras com altas remunera\u00e7\u00f5es; a outra forma s\u00e3o os lucros excessivos, ou retornos muito acima dos retornos de longo prazo que s\u00e3o distribu\u00eddos aos acionistas como resultado dos servi\u00e7os financeiros providenciados por uma empresa.\u201d Os ganhos financeiros deste tipo agigantam-se a partir dos anos 1990. (17, 19)<\/p>\n<p class=\"western\">Os custos destas atividades rentistas que travam as atividades econ\u00f4micas em vez de promov\u00ea-las, t\u00eam de ser suportados pela sociedade: \u201cO custo das finan\u00e7as para a sociedade n\u00e3o \u00e9 apenas o resultado de transfer\u00eancias de renda e riqueza da sociedade como um todo para as finan\u00e7as; h\u00e1 custos adicionais se a mesma finan\u00e7a mina a sa\u00fade da economia para as fam\u00edlias e os trabalhadores.\u201d(22) Uma cita\u00e7\u00e3o interessante trazida pelos autores \u00e9 a de James Tobin, j\u00e1 em 1984: \u201cEstamos jogando um volume cada vez maior dos nossos recursos, inclusive a nata da nossa juventude, em atividades financeiras distantes da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, em atividades que geram retornos privados elevados sem propor\u00e7\u00e3o com a sua produtividade social.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\">Tobin foi um dos primeiros a constatar esta deforma\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da intermedia\u00e7\u00e3o financeira.(23) Tenho encontrado esta cita\u00e7\u00e3o em outros textos, pois \u00e9 muito relevante, inclusive pelo uso do conceito de \u201cprodutividade social\u201d, ou seja, utilidade para a economia e a sociedade em geral, e n\u00e3o apenas para o banco ou outro grupo que desempenha uma atividade. O conceito de SROI \u2013 <i>Social Return on Investment<\/i> \u2013 come\u00e7a tamb\u00e9m a ser utilizado mais amplamente. No n\u00edvel pessoal, inclusive, muitos profissionais come\u00e7am a se perguntar se, independentemente de quanto ganham, a atividade que desempenham \u00e9 socialmente \u00fatil. E quando \u00e9 claramente nociva, surgem as contradi\u00e7\u00f5es e as crises existenciais, como estudado por exemplo no excelente <i>Swimming with Sharks, <\/i>de Luyendijk, focando os altos funcion\u00e1rios da City de Londres.<sup><a class=\"sdendnoteanc\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote4sym\" name=\"sdendnote4anc\">iv<\/a><\/sup> N\u00e3o s\u00e3o aqui divaga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, as pessoas querem cada vez mais que os seus esfor\u00e7os fa\u00e7am sentido.<\/p>\n<p class=\"western\">A realidade \u00e9 que o desvio dos recursos das atividades produtivas para ganhos especulativos trava o conjunto da economia, mas a indigna\u00e7\u00e3o fica restrita pela simples raz\u00e3o que o sistema \u00e9 extremamente opaco. Os autores aqui s\u00e3o conscientes desta dificuldade, e aproveitam para mostrar que diversas pesquisas sobre os sistemas financeiros convergem pra as mesmas conclus\u00f5es: \u201cOs sistemas financeiros privados de maiores dimens\u00f5es podem ser associados com \u2018finan\u00e7as especulativas\u2019, <i>trading <\/i>em maior escala, e um setor pouco associado ao fornecimento de cr\u00e9dito \u00e0 \u2018economia real\u2019. Como argumenta Stiglitz, estes sistemas financeiros podem se orientar para a extra\u00e7\u00e3o de recursos da economia real, e n\u00e3o para colocar mais recursos na economia real (ver tamb\u00e9m Mason, 2015). Este tipo de sistema financeiro pode muito bem se orientar para investimentos de curto prazo (Haldane, 2011) e empregar o que William Lazonick chama de estrat\u00e9gia de \u201cdesinvestir e distribuir\u201d em vez de \u201creter e reinvestir\u201d, o que significa que mais recursos s\u00e3o extra\u00eddos das empresas n\u00e3o-financeiras. Esta orienta\u00e7\u00e3o deve tamb\u00e9m reduzir o crescimento da produtividade e o investimento, e em consequ\u00eancia o crescimento econ\u00f4mico.\u201d(23)<\/p>\n<p class=\"western\">O texto de Mason mencionado, tamb\u00e9m excelente leitura, constata que \u201cas finan\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o um instrumento para colocar dinheiro em empresas produtivas, mas em vez disto para delas tirar dinheiro.\u201d(3) Segundo o autor, nos anos 1960 e 1970 cada d\u00f3lar de ganhos e cr\u00e9dito suplementares levava a um aumento de investimentos da ordem de 40<i>cents<\/i>. Desde os anos 1980 leva a um aumento de apenas 10 <i>cents<\/i>. \u00c9 uma mudan\u00e7a radical em termos de produtividade das aplica\u00e7\u00f5es financeiras. Segundo Mason, \u201cisto resulta de mudan\u00e7as legais, administrativas e estruturais que s\u00e3o a consequ\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o dos detentores de a\u00e7\u00f5es nos anos 1980. No modelo administrativo anterior, mais dinheiro que entra numa empresa \u2013 por vendas ou por cr\u00e9dito \u2013 tipicamente significava mais dinheiro colocado em investimento fixo. No novo modelo dominado pelo rentismo, mais dinheiro que entra significa mais dinheiro saindo para as m\u00e3os de detentores de a\u00e7\u00f5es sob forma de dividendos e recompra de a\u00e7\u00f5es.\u201d(Mason,1)<sup><a class=\"sdendnoteanc\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote5sym\" name=\"sdendnote5anc\">v<\/a><\/sup> Como os dividendos s\u00e3o pouco taxados pelo sistema tribut\u00e1rio \u2013 o que foi conseguido pela capacidade de press\u00e3o pol\u00edtica \u2013 o c\u00edrculo da financeiriza\u00e7\u00e3o e da riqueza n\u00e3o produtiva se fecha.<\/p>\n<p class=\"western\">O novo sistema de intermedia\u00e7\u00e3o financeira gerou tamb\u00e9m uma massa de advogados, conselheiros, contadores, gestores de fundos e semelhantes, todos \u00e1vidos maximizar os retornos e os b\u00f4nus correspondentes. \u201cOs servi\u00e7os de gest\u00e3o de riqueza cresceram de um universo de 51 empresas administrando US$ 4 bilh\u00f5es, em 1940, para mais de US$63 trilh\u00f5es em riqueza (<i>assets<\/i>) com mais de 11 mil consultores e quase 10 mil fundos m\u00fatuos registrados com o SEC em 2014\u201d. (41) Para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, lembremos que o PIB mundial de 2014 \u00e9 da ordem de US$ 75 trilh\u00f5es. Esta massa de profissionais gerou por sua vez um <i>cluster <\/i>importante de poder, com forte influ\u00eancia, em particular, no conjunto da comunica\u00e7\u00e3o financeira na grande m\u00eddia, que apresenta quase que exclusivamente a vis\u00e3o dos interesses dos grandes grupos financeiros.<\/p>\n<p class=\"western\">No nosso caso brasileiro n\u00e3o dispomos de estudos correspondentes sobre a estrutura de intermedia\u00e7\u00e3o e de poder pol\u00edtico que estes interesses geram, capaz de atropelar qualquer tentativa de reduzir os seus lucros. Mas \u00e9 evidente que quando o governo Dilma tentou reduzir os juros absurdos (tanto sobre a d\u00edvida p\u00fablica como para pessoas jur\u00eddicas e pessoas f\u00edsicas) em 2013, partiram para a guerra total. O fato \u00e9 que o mundo financeiro e os rentistas reagiram em bloco, movimento por sua vez aproveitado por diversas esferas de oportunismo pol\u00edtico. O paralelo com os Estados Unidos \u00e9 neste sentido interessante, quando se viu os imensos recursos p\u00fablicos que o governo transferiu para os bancos a partir de 2008. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aqui que o sistema financeiro se tornou a for\u00e7a pol\u00edtica maior.<\/p>\n<p class=\"western\">Como foi que chegamos a este n\u00edvel de deforma\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, que j\u00e1 foi t\u00e3o essencial para os processos produtivos e hoje os trava? Os autores identificam cinco mecanismos: \u201cComo no caso da maior parte das finan\u00e7as, as chaves para rentas excessivas obtidas pelas empresas financeiras e <i>traders <\/i>s\u00e3o: 1) a opacidade, frequentemente criada de maneira deliberada, por meio de excesso de complexidade, falta de transpar\u00eancia (<i>disclosure<\/i>), ou mais diretamente informa\u00e7\u00e3o enganosa que \u00e9 facilitada pelo fr\u00e1gil marco regulat\u00f3rio; 2) elevada concentra\u00e7\u00e3o do mercado dentro de linhas espec\u00edficas de neg\u00f3cios levando a que haja pouco competi\u00e7\u00e3o; 3) subs\u00eddios governamentais de v\u00e1rios tipos, inclusive resgates (<i>bailouts<\/i>), impostos subsidiados, facilidade nas regras cont\u00e1beis, e vantagens legais criadas por arranjos legislativos, administrativos ou legais; 4) retirada de provis\u00f5es p\u00fablicas que geram um mercado aberto para as finan\u00e7as e torna a popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel a todos esses canais com excessos de renda e de retornos; 5) regulamenta\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria fraca que permite que flores\u00e7am conflitos de interesses.\u201d(35)<\/p>\n<p class=\"western\">A parte de baixo da sociedade \u00e9 a que sustenta o maior choque desta reorganiza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p class=\"western\">\u201cAs fam\u00edlias recebem informa\u00e7\u00f5es falsas e caras por parte de conselheiros que t\u00eam um incentivo para enganar (<i>mislead<\/i>) e que podem faz\u00ea-lo gra\u00e7as a um ambiente legal e regulat\u00f3rio permissivo.\u201d (36) Isto por sua vez gera o aprofundamento das desigualdades: \u201cPr\u00e1ticas e rendimentos financeiros t\u00eam contribu\u00eddo muito para a desigualdade de renda e de riqueza nos EUA nas recentes d\u00e9cadas. Al\u00e9m disso, algumas pr\u00e1ticas financeiras contribuem para a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da pobreza. Em nenhum lugar estas conex\u00f5es entre finan\u00e7as, desigualdade e pobreza s\u00e3o mais aparentes do que na provis\u00e3o de servi\u00e7os banc\u00e1rios para os pobres e para fam\u00edlias em dificuldades financeiras.\u201d(40) Aqui, o paralelo com os juros extorsivos nos credi\u00e1rios e nos bancos no Brasil \u00e9 evidente, sendo que no nosso caso, com juros de tr\u00eas d\u00edgitos, as distor\u00e7\u00f5es s\u00e3o simplesmente muito mais escandalosas.<\/p>\n<p class=\"western\">Para os autores, a necessidade de uma profunda reorganiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro torna-se \u00f3bvia: \u201cDe forma geral, para enfrentar as quest\u00f5es aqui levantadas, referentes aos enormes custos do nosso sistema financeiro corrente, precisamos de tr\u00eas abordagens complementares: regula\u00e7\u00e3o financeira, reconstru\u00e7\u00e3o financeira, e alternativas financeiras\u2026Para atingir estes objetivos, precisaremos provavelmente de uma nova lei Glass-Steagall para eliminar a rede de seguran\u00e7a social de que gozam as atividades financeiras altamente especulativas, limites mais estritos quanto \u00e0 alavancagem e tamanho dos bancos de forma a dividir (<i>break up<\/i>) as institui\u00e7\u00f5es financeiras maiores e mais perigosas, e uma regula\u00e7\u00e3o mais rigorosa para limitar quanto se paga por estas atividades de alto risco.\u201d(43\/43)<\/p>\n<p class=\"western\">E temos a consequente reformula\u00e7\u00e3o dos objetivos do sistema financeiro, para que volte a ser \u00fatil (e n\u00e3o mais prejudicial) para a economia e para a sociedade: \u201cNosso sistema financeiro precisa ser reestruturado de forma que sirva melhor as necessidades das nossas comunidades, pequenos neg\u00f3cios, fam\u00edlias, e entidades p\u00fablicas, tais como munic\u00edpios e estados. Eliminar os subs\u00eddios dos bancos \u2018grandes demais para quebrar\u2019 ajudar\u00e1 a abrir espa\u00e7o para institui\u00e7\u00f5es financeiras menores e mais orientadas para as necessidades das comunidades; no entanto, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que isto permita gerar um n\u00famero suficiente de institui\u00e7\u00f5es financeiras para apoiar as necessidades das nossas comunidades. Como resultado, \u00e9 prov\u00e1vel que necessitemos de um n\u00famero maior de alternativas financeiras: bancos p\u00fablicos, bancos cooperativos, e bancos especializados tais como os<i>green banks<\/i><i> <\/i>e bancos para infraestruturas\u201d.(43)<\/p>\n<p class=\"western\">Os avan\u00e7os deste tipo de pesquisas nos Estados Unidos refor\u00e7am a necessidade de procedermos ao estudo do fluxo financeiro integrado no Brasil, buscando o resgate da fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da intermedia\u00e7\u00e3o financeira nas suas diversas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"western\">\u2013<br \/>\n<a class=\"sdendnotesym\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote1anc\" name=\"sdendnote1sym\">i<\/a> Stiglitz, <i>Rewriting the Rules of the American Economy,<\/i> pode ser encontrado na \u00edntegra em <a class=\"western\" href=\"http:\/\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/report-stiglitz.pdf\">http:\/\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/report-stiglitz.pdf<\/a><\/p>\n<div id=\"sdendnote2\">\n<p class=\"sdendnote-western\"><a class=\"sdendnotesym\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote2anc\" name=\"sdendnote2sym\">ii<\/a> O <em>Guardian<\/em> de 16 de setembro de 2016 traz um pequeno resumo, veja <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2016\/sep\/16\/deutsche-bank-must-pay-14bn-fine-to-settle-us-mortgage-case?CMP=share_btn_fb\" target=\"_blank\">aqui<\/a> ; no <em>Financial Times<\/em> \u00e9 assunto cotidiano, como por exemplo \u00e9 o caso de manipula\u00e7\u00f5es atingindo 2 milh\u00f5es de clientes por parte do banco Wells Fargo, noticiado na edi\u00e7\u00e3o de 20\/09\/2016 do FT e reproduzido no <em>Guardian<\/em> da mesma data.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdendnote3\">\n<p class=\"western\"><a class=\"sdendnotesym\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote3anc\" name=\"sdendnote3sym\">iii<\/a> Ver o nosso estudo correspondente do sistema financeiro no Brasil, em <i>Resgatando o potencial financeiro do pa\u00eds:<\/i><a class=\"western\" href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/08\/ladislau-dowbor-resgatando-o-potencial-financeiro-do-pais-versao-atualizada-em-04082016-agosto-2016-47p.html\/\"><i>http:\/\/dowbor.org\/2016\/08\/ladislau-dowbor-resgatando-o-potencial-financeiro-do-pais-versao-atualizada-em-04082016-agosto-2016-47p.html\/<\/i><\/a><i> .<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdendnote4\">\n<p class=\"sdendnote-western\"><a class=\"sdendnotesym\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote4anc\" name=\"sdendnote4sym\">iv<\/a> Joris Luyendijk \u2013 <em>Swimming with sharks<\/em> \u2013 Guardian Books, London, 2015 <a class=\"western\" href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/business\/2015\/sep\/30\/how-the-banks-ignored-lessons-of-crash\">http:\/\/www.theguardian.com\/business\/2015\/sep\/30\/how-the-banks-ignored-lessons-of-crash<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdendnote5\">\n<p class=\"sdendnote-western\"><a class=\"sdendnotesym\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/boa-noite-cinderella\/#sdendnote5anc\" name=\"sdendnote5sym\">v<\/a> J.W. Mason \u2013<i>Disgorge the Cash \u2013 Roosevelt Institute, 2015 \u2013<\/i><a class=\"western\" href=\"http:\/\/rooseveltinstitute.org\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Disgorge-the-Cash.pdf\">http:\/\/rooseveltinstitute.org\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Disgorge-the-Cash.pdf<\/a><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"AjI8ngwoq8\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/sem-categoria\/boa-noite-cinderella\/\">Boa noite, Cinderela<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Boa noite, Cinderela&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/sem-categoria\/boa-noite-cinderella\/embed\/#?secret=4chS4GQPOE#?secret=AjI8ngwoq8\" data-secret=\"AjI8ngwoq8\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ladislau Dowbor &#8211;\u00a0Fraudes. Propinas para pol\u00edticos. Manipula\u00e7\u00f5es. Um estudo devastador sobre o sistema financeiro revela como, por tr\u00e1s dos an\u00fancios cheios de pessoas felizes, os bancos sugam a riqueza social \u00c0s vezes precisamos de um espelho. 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