{"id":18935,"date":"2023-02-14T12:41:41","date_gmt":"2023-02-14T15:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18935"},"modified":"2023-02-12T13:17:58","modified_gmt":"2023-02-12T16:17:58","slug":"18935","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/02\/14\/18935\/","title":{"rendered":"O Brasil saiu perdendo ao liberar empr\u00e9stimos do BNDES para obras na Venezuela?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Lucas Estanislau<\/strong> &#8211; Pa\u00eds vizinho tem d\u00edvida de US$ 682 mi; apesar disso, Brasil acumulou super\u00e1vit de US$ 41 bi nos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<p>As inten\u00e7\u00f5es do novo governo Lula de retomar a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) para financiar empresas brasileiras que realizam obras no exterior intensificaram os debates, as cr\u00edticas e at\u00e9 as fake news sobre esse modelo de incentivo a exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00f5es do presidente confirmaram os planos do petista de resgatar a pr\u00e1tica adotada em seus dois primeiros mandatos, que foi iniciada por seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e repetida pela ex-mandat\u00e1ria Dilma Rousseff (PT).<\/p>\n<p>No centro dos ataques \u00e0 proposta, est\u00e1 o argumento de que esse tipo de financiamento \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os brasileiros de infraestrutura teria sido um fracasso, principalmente por conta de acordos com pa\u00edses como a Venezuela.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u8o4DGa57as\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Assim como Cuba e Mo\u00e7ambique, o pa\u00eds andino \u00e9 um dos que possui d\u00edvidas com o BNDES e essa inadimpl\u00eancia \u00e9 constantemente utilizada pelos cr\u00edticos para recha\u00e7ar a retomada dos desembolsos p\u00f3s-embarque, como s\u00e3o chamados esses tipos de financiamentos realizados pelo banco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das cr\u00edticas, os contratos entre o Banco de Desenvolvimento e empresas brasileiras que atuaram na Venezuela tamb\u00e9m s\u00e3o, muitas vezes, objetos de manipula\u00e7\u00f5es e fake news que circulam nas redes sociais e em meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as mentiras mais comuns est\u00e3o a de que o BNDES emprestou dinheiro diretamente ao pa\u00eds vizinho ou ainda que esses empr\u00e9stimos teriam sido feitos exclusivamente por proximidade ideol\u00f3gica entre os governos petistas, no Brasil, e chavistas, na Venezuela.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Brasil de Fato\u00a0<\/strong>investigou os acordos do BNDES com empresas que atuaram na Venezuela e conversou com especialistas no tema para entender como realmente esses contratos funcionaram, se eles foram verdadeiramente prejudiciais ao pa\u00eds e quais as possibilidades e as limita\u00e7\u00f5es para repetir a receita.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>BNDES na Venezuela: o Brasil saiu perdendo?<\/strong><\/p>\n<p>A d\u00edvida da Venezuela com o BNDES existe e n\u00e3o \u00e9 um mito. Segundo dados oficiais, at\u00e9 dezembro de 2022, o pa\u00eds devia US$ 682 milh\u00f5es em parcelas atrasadas de contratos adquiridos entre 2001 e 2015. Do total, mais de 96% dessa d\u00edvida (US$ 658 milh\u00f5es) j\u00e1 havia sido indenizada pelo Fundo de Garantia \u00e0 Exporta\u00e7\u00e3o (FGE), mecanismo que funciona como um seguro aos acordos. Al\u00e9m disso, os d\u00e9bitos venezuelanos representam mais de 65% de todas indeniza\u00e7\u00f5es feitas pelo FGE nos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<p>No entanto, apesar das d\u00edvidas, existem raz\u00f5es para acreditar que os neg\u00f3cios n\u00e3o fizeram mal ao Brasil. Ao contr\u00e1rio, eles foram pol\u00edtica e economicamente vantajosos ao pa\u00eds por potencializarem a balan\u00e7a comercial brasileira com os inadimplentes que, na maioria das vezes, superou as d\u00edvidas. Essa \u00e9 a an\u00e1lise do economista Pedro Silva Barros, pesquisador do IPEA e ex-diretor de Assuntos Econ\u00f4micos da Unasul.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia em estudos sobre a Am\u00e9rica Latina e sobre a Venezuela, Barros acredita que n\u00e3o se pode analisar os financiamentos de obras na Venezuela e a d\u00edvida do pa\u00eds de maneira isolada, sem levar em conta aspectos geopol\u00edticos e, principalmente, econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>&#8220;Nesses tr\u00eas casos de pa\u00edses inadimplentes [Cuba, Venezuela e Mo\u00e7ambique], o Brasil acumulou, nesse mesmo per\u00edodo em que havia desembolsos p\u00f3s-embarque, enormes super\u00e1vits, v\u00e1rias vezes superior aos desembolsos e v\u00e1rias vezes superiores \u00e0 inadimpl\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>De fato, a balan\u00e7a comercial com a Venezuela alcan\u00e7ou n\u00edveis in\u00e9ditos nos \u00faltimos 20 anos e sempre se manteve favor\u00e1vel ao Brasil. Entre 2000 e 2021, per\u00edodo em que o BNDES financiou exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os para o pa\u00eds vizinho, o Brasil acumulou um super\u00e1vit de US$ 41,4 bilh\u00f5es com a Venezuela. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o n\u00famero \u00e9 60 vezes maior do que o total da d\u00edvida que os venezuelanos t\u00eam com o banco atualmente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os bens e servi\u00e7os exportados nesse per\u00edodo &#8211; majoritariamente de infraestrutura e constru\u00e7\u00e3o civil &#8211; eram de alta complexidade, com maior valor agregado e que, portanto, tendem a produzir um efeito multiplicador na economia. &#8220;O BNDES financia exporta\u00e7\u00f5es de qualidade. Por que dizemos de qualidade? Porque ela emprega mais, tem mais valor agregado e consegue chegar a pa\u00edses que, sem cr\u00e9dito, n\u00e3o chegaria, e a Venezuela \u00e9 um desses pa\u00edses&#8221;, diz Barros.<\/p>\n<p>&#8220;Uma tonelada do que o Brasil exporta hoje para a China vale 265 d\u00f3lares. J\u00e1 uma tonelada do que o Brasil exportava para a Venezuela, para Cuba, para Mo\u00e7ambique nesse per\u00edodo que havia financiamento com desembolsos p\u00f3s-embarque valia, em m\u00e9dia, mais de 1,8 mil d\u00f3lares, ent\u00e3o \u00e9 um desbalan\u00e7o total&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Algumas condi\u00e7\u00f5es exigidas pelo BNDES \u00e0s empresas que realizaram obras na Venezuela colaboram com os argumentos do pesquisador. O banco, por exemplo, impunha um \u00edndice m\u00ednimo de nacionaliza\u00e7\u00e3o de 60%, o que obrigava os exportadores que recebiam os empr\u00e9stimos a comprar insumos e materiais de outras empresas brasileiras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, todos os financiamentos abertos pelo banco eram em reais, mas os pagamentos das parcelas que seriam feitas pelo pa\u00eds que importou os bens e servi\u00e7os brasileiros deveriam ser realizados em d\u00f3lares diretamente ao BNDES, o que tamb\u00e9m convertia a pr\u00e1tica em uma fonte de divisas para o Brasil.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>D\u00edvidas, diplomacia e geopol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Dos mais de US$ 1,5 bilh\u00e3o financiados pelo BNDES para obras na Venezuela, o pa\u00eds vizinho ainda tem US$ 123 milh\u00f5es de d\u00f3lares em parcelas que vencer\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses e anos. Somadas com as d\u00edvidas, o governo venezuelano ainda dever\u00e1 pagar ao banco US$ 805 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Enfrentando uma das piores crises econ\u00f4micas de sua hist\u00f3ria desde 2014 e lidando com o endurecimento das san\u00e7\u00f5es dos EUA desde 2017, a Venezuela teve e segue tendo dificuldades para honrar compromissos. Por outro lado, quando todos os desembolsos do BNDES para obras no pa\u00eds foram suspensos em 2015 por conta do envolvimento de empreiteiras em acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, Caracas ainda n\u00e3o estava em situa\u00e7\u00e3o de inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Analistas afirmam que o rompimento diplom\u00e1tico por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com a Venezuela piorou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o dos pagamentos atrasados pois, a partir de 2019, o pa\u00eds perdeu canais de comunica\u00e7\u00e3o diretos com o governo brasileiro.<\/p>\n<p>Nesta segunda-feira (6), durante a posse da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/02\/06\/lula-da-posse-a-mercadante-no-bndes-e-refuta-mentiras-nunca-demos-dinheiro-para-pais-amigo\">nova dire\u00e7\u00e3o do BNDES<\/a>, o presidente Lula tamb\u00e9m culpou Bolsonaro pelas d\u00edvidas de outros pa\u00edses com o banco e garantiu que Cuba e Venezuela pagar\u00e3o as parcelas em atraso porque s\u00e3o &#8220;amigos do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos ser francos, os pa\u00edses que n\u00e3o pagaram, seja Cuba, seja Venezuela, \u00e9 porque o presidente [Bolsonaro] resolveu cortar a rela\u00e7\u00e3o internacional com esses pa\u00edses e, para poder ficar nos acusando, deixou de cobrar. Eu tenho certeza de que no nosso governo esses pa\u00edses v\u00e3o pagar porque s\u00e3o todos pa\u00edses amigos do Brasil e certamente pagar\u00e3o a d\u00edvida que t\u00eam com o BNDES&#8221;, disse Lula.<\/p>\n<p>Para Barros, os primeiros passos dados pelo novo governo brasileiro para retomar as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o vizinho s\u00e3o ben\u00e9ficos para que seja poss\u00edvel estabelecer di\u00e1logos a respeito do pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n<p>&#8220;Se a pergunta for direta: valeu a pena financiar os desembolsos p\u00f3s-embarque para exporta\u00e7\u00f5es aos pa\u00edses que hoje est\u00e3o inadimplentes? A resposta econ\u00f4mica, matem\u00e1tica, aritm\u00e9tica \u00e9 sim, valeu muito a pena. Essa d\u00edvida deve ser esquecida, abandonada, como foi nos \u00faltimos anos? A resposta \u00e9 n\u00e3o. E qual \u00e9 o meio de se recuperar? Construir agendas conjuntas com esses pa\u00edses, recuperar as boas rela\u00e7\u00f5es com esses pa\u00edses, que \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa brasileira&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o otimista de que o problema da d\u00edvida venezuelana pode ser resolvido no futuro pr\u00f3ximo tamb\u00e9m \u00e9 compartilhada por Arthur Koblitz, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Funcion\u00e1rios do BNDES (AFBNDES) e membro titular do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do banco.<\/p>\n<p>Ao\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>, ele afirma que as tens\u00f5es pol\u00edticas entre os dois pa\u00edses nos \u00faltimos anos dificultaram algum tipo de acordo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inadimpl\u00eancia do vizinho, que enfrenta um crescente isolamento internacional por conta das san\u00e7\u00f5es estadunidenses e precisa resgatar canais de di\u00e1logo com parceiros como o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tenho uma expectativa, por conta desse racioc\u00ednio, que a Venezuela quer resolver o problema negativo que teve nesse processo, que \u00e9 o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida, e eu acredito que um acordo seja poss\u00edvel. N\u00e3o foi poss\u00edvel no governo Bolsonaro, e eu acho que n\u00e3o d\u00e1 pra excluirmos isso, pelo fato do governo ter colocado uma ideologia acima do interesse nacional&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Koblitz ainda aponta que esses casos de inadimpl\u00eancia n\u00e3o devem minar as capacidades do banco, que tem potencial para levar empresas brasileiras a disputarem mercados globais e servir como um meio de promo\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&#8220;Eu espero que a gente possa olhar essa hist\u00f3ria toda em retrospecto e ver um processo de aprendizado, que haja um amadurecimento, porque se o Brasil quer ser uma lideran\u00e7a ter\u00e1 que passar por esse tipo de coisa e ter a tranquilidade para lidar com isso. A Europa j\u00e1 deixou de pagar os EUA, o Brasil j\u00e1 deixou de pagar os EUA, mas nem por isso os EUA sa\u00edram rompendo e falando que n\u00e3o poderiam mais emprestar dinheiro para o resto do mundo&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>O presidente da AFBNDES ainda afirma que retomar a capacidade de financiar esse tipo de exporta\u00e7\u00e3o envolve &#8220;riscos&#8221; que o pa\u00eds deve assumir se quiser repetir os planos. &#8220;Se o Brasil quer ser credor, se o Brasil quer brincar nesse jogo de ser um protagonista, de liderar um processo, isso envolve riscos e ele tem que saber brincar e enfrentar problemas que acontecem, principalmente no terceiro mundo, que \u00e9 a regi\u00e3o onde est\u00e3o as maiores oportunidades para essas linhas de cr\u00e9dito e que s\u00e3o disputadas com empresas e pa\u00edses do primeiro mundo&#8221;, aponta.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>&#8220;Dinheiro para amigos&#8221; e outras fake news<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que algumas informa\u00e7\u00f5es falsas que circulam em redes sociais querem apontar, o BNDES nunca emprestou quantias diretamente a nenhum pa\u00eds, muito menos \u00e0 Venezuela. Os desembolsos p\u00f3s-embarque s\u00e3o financiamentos destinados a empresas brasileiras que exportam bens e servi\u00e7os produzidos no Brasil para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Outra mentira comum \u00e9 a de que os empr\u00e9stimos realizados a pa\u00edses como Cuba e Venezuela teriam sido feitos por proximidade ideol\u00f3gica dos governos petistas com essas na\u00e7\u00f5es. Na verdade, entre 1998 e 2020, o principal destino dos desembolsos do banco na modalidade p\u00f3s-embarque foram os EUA, seguidos pela Argentina e Angola.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 muito criticado, o fato de que as exporta\u00e7\u00f5es seriam para &#8216;pa\u00edses amigos&#8217;, tentando passar uma conota\u00e7\u00e3o de aliados ideol\u00f3gicos do atual presidente do Brasil. A resposta \u00e9 n\u00e3o, isso \u00e9 completamente errado. Na verdade, todos os pa\u00edses deveriam ser amigos do Brasil, mas desde que h\u00e1 esse mecanismo que foi criado no governo FHC em 1998, do total dos desembolsos, mais de 40% teve como destino um \u00fanico pa\u00eds, que foram os EUA&#8221;, afirma Pedro Silva Barros.<\/p>\n<p>O primeiro financiamento de exporta\u00e7\u00e3o para a Venezuela ocorreu em 2001, ainda no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. \u00c0 \u00e9poca, o governo venezuelano contratou a construtora brasileira Odebrecht para a realiza\u00e7\u00e3o das obras da Linha 4 do Metr\u00f4 de Caracas. O acordo entre a empresa e a Venezuela ocorreu ainda em 1999 e o contrato com o BNDES foi assinado em julho de 2001, prevendo o financiamento de US$ 107,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre 2001 e 2015, o BNDES assinou outros cinco contratos para financiar obras realizadas por empresas brasileiras na Venezuela, que inclu\u00edam amplia\u00e7\u00f5es de linhas do Metr\u00f4 de Caracas e de Los Teques, as constru\u00e7\u00f5es de um estaleiro, de uma sider\u00fargica e uma s\u00e9rie de obras de saneamento e infraestrutura na Bacia do Rio Tuy. A maioria desses contratos foi suspensa em 2015.<\/p>\n<p>A quantidade de obras tamb\u00e9m foi motivo para uma outra fake news muito difundida\u00a0envolvendo o Banco de Desenvolvimento e a Venezuela: a de que o BNDES deixou de investir em projetos no Brasil para direcionar seus investimentos ao exterior, algo falso segundo os dados da institui\u00e7\u00e3o. Entre 2003 e 2018, apenas 1,3% dos desembolsos destinados para obras de infraestrutura foi direcionado para exporta\u00e7\u00e3o, enquanto que 36% esteve voltado para obras em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>J\u00e1 sobre as d\u00edvidas do pa\u00eds vizinho com o banco, a simplifica\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es complexas levou \u00e0 falsa ideia de que a inadimpl\u00eancia da Venezuela estaria sendo sanada com dinheiro p\u00fablico, proveniente de impostos pagos pelo contribuinte, e de que esse \u201ccalote\u201d teria sido danoso aos cofres da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>As parcelas em atraso da Venezuela e de outros pa\u00edses s\u00e3o indenizadas pelo FGE,\u00a0mecanismo que atua como uma esp\u00e9cie de seguradora do BNDES, calculando os riscos no momento da assinatura dos contratos de financiamento. Tais riscos s\u00e3o expressados por valores acordados com os pa\u00edses importadores e devem ser pagos junto com as parcelas e as taxas de juros, os chamados pr\u00eamios.<\/p>\n<p>Pontualmente, ao longo da exist\u00eancia do FGE, o Tesouro realizou alguns aportes ao fundo, mas, segundo Koblitz, o FGE est\u00e1 no verde, ou seja, apesar das indeniza\u00e7\u00f5es que teve que realizar, ele se mant\u00e9m\u00a0com os montantes dos pr\u00eamios que recebeu.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 recentemente, o FGE recebeu muito mais em pr\u00eamio pelos seguros que ele concedeu do que ele pagou de indeniza\u00e7\u00f5es. Esse fundo \u00e9 p\u00fablico, \u00e9 um fundo, por exemplo, do contribuinte, se voc\u00ea quiser chamar assim, mas hoje ele \u00e9 um fundo maior do que quando o contribuinte colocou dinheiro l\u00e1 dentro. Ent\u00e3o \u00e9 o seguinte, o contribuinte perdeu dinheiro? N\u00e3o, n\u00e3o perdeu. Esse fundo est\u00e1 a\u00ed, est\u00e1 de p\u00e9, ele n\u00e3o quebrou, nada disso&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: O Brasil saiu perdendo ao liberar empr\u00e9stimos do BNDES | Internacional &#8211; https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/02\/08\/x-brasil-saiu-perdendo-ao-liberar-emprestimos-do-bndes-para-obras-na-venezuela<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Estanislau &#8211; Pa\u00eds vizinho tem d\u00edvida de US$ 682 mi; apesar disso, Brasil acumulou super\u00e1vit de US$ 41 bi nos \u00faltimos 20 anos. 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