{"id":18862,"date":"2023-02-03T12:26:55","date_gmt":"2023-02-03T15:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18862"},"modified":"2023-01-30T18:29:04","modified_gmt":"2023-01-30T21:29:04","slug":"a-construcao-de-uma-nova-ordem-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/02\/03\/a-construcao-de-uma-nova-ordem-mundial\/","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem mundial"},"content":{"rendered":"<div id=\"__reading__mode__mainbody__id\" class=\"__reading__mode__mainbody\">\n<div id=\"mainContainer\" class=\"__reading__mode__extracted__article__body\">\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p><strong>GILBERTO LOPES &#8211;\u00a0<\/strong>A d\u00favida de Olaf Scholz: como a Europa poder\u00e1 permanecer um ator independente num mundo multipolar?<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA agress\u00e3o da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia p\u00f4s fim a uma era\u201d, disse o chanceler alem\u00e3o Olaf Scholz num artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de janeiro\/fevereiro da revista\u00a0<em>Foreign Affairs<\/em>:\u00a0<em>The Global Zeitenwende<\/em>. Algo como um ponto de n\u00e3o retorno. \u00c9 tamb\u00e9m o ponto de partida do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial que se reuniu em Davos em meados de janeiro: \u201co mundo est\u00e1 hoje num ponto de inflex\u00e3o cr\u00edtico\u201d, dizem.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central para Olaf Scholz era esta: como poderemos, enquanto europeus e Uni\u00e3o Europeia, continuar sendo atores independentes num mundo cada vez mais multipolar?<\/p>\n<p>Algo sobre o que o presidente franc\u00eas Emmanuel Macron tamb\u00e9m tem falado, para quem a Europa deveria repensar sua \u201cautonomia estrat\u00e9gica\u201d. Segundo Emmanuel Macron, \u201ca Europa deve desempenhar um papel mais ativo na OTAN, reduzindo sua depend\u00eancia dos Estados Unidos e desenvolvendo suas pr\u00f3prias capacidades de defesa para garantir a paz na regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Do lado russo, tamb\u00e9m analisa-se o problema. Fyodor Lukyanov, diretor do F\u00f3rum de Discuss\u00e3o Valdai, destacou que a visita do presidente ucraniano Vladimir Zelensky a Washington em 21 de dezembro (deixando de lado a teatralidade envolvida) pode representar um marco para a defini\u00e7\u00e3o de um novo quadro de seguran\u00e7a europeu.<\/p>\n<p>Com a Ucr\u00e2nia transformada num porta-avi\u00f5es norte-americano insubmers\u00edvel \u2013 como diz Lukyanov, um papel semelhante ao desempenhado por Honduras na guerra dos \u201ccontras\u201d, montada por Washington contra os sandinistas na Nicar\u00e1gua na d\u00e9cada de 1980 \u2013, o esquema de seguran\u00e7a proposto por Vladimir Putin em dezembro do ano passado j\u00e1 n\u00e3o faz sentido. Com o ex\u00e9rcito ucraniano bem preparado e apoiado pelo Ocidente, especialmente pelos Estados Unidos, sua eventual ades\u00e3o \u00e0 OTAN torna-se irrelevante,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rt.com\/news\/568813-lukyanov-zelensky-visits-washington\/\" rel=\"noopener\">disse Lukyanov<\/a>.<\/p>\n<p>Uma posi\u00e7\u00e3o semelhante\u00a0<a href=\"https:\/\/www.spectator.co.uk\/article\/the-push-for-peace\/\" rel=\"noopener\">foi expressa pelo ex-secret\u00e1rio de estado norte-americano Henry Kissinger<\/a>. A Ucr\u00e2nia obteve um dos maiores e mais eficazes ex\u00e9rcitos terrestres na Europa, equipado pelos norte-americanos e seus aliados. A alternativa da neutralidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 significativa, disse Kissinger, especialmente ap\u00f3s a ades\u00e3o da Su\u00e9cia e da Finl\u00e2ndia \u00e0 OTAN. Repetiu estas ideias em seu discurso no f\u00f3rum de Davos em 18 de janeiro.<\/p>\n<p><strong>Os vencedores da Guerra Fria<\/strong><\/p>\n<p>Que \u00e9poca, segundo Olaf Scholz, est\u00e1 chegando ao fim? Nos anos 1990, parecia que uma ordem mundial mais est\u00e1vel \u2013 resiliente, eu diria \u2013 se tinha instalado no mundo. Tratava-se da ordem instaurada ap\u00f3s a Guerra Fria, de um mundo percebido como de \u201crelativa paz e prosperidade\u201d.<\/p>\n<p>A ex-chanceler alem\u00e3 Angela Merkel diria, numa entrevista publicada em 7 de dezembro na\u00a0<em>Zeit<\/em>\u00a0<em>Magazine<\/em>, que \u201ca Guerra Fria nunca tinha terminado, porque a R\u00fassia nunca esteve realmente em paz\u201d.<\/p>\n<p>A Alemanha n\u00e3o tinha conseguido atingir seu objetivo de derrotar a R\u00fassia, ent\u00e3o chefe da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS), na Segunda Guerra Mundial. Confrontada pelo resto da Europa, especialmente pela Gr\u00e3-Bretanha, ent\u00e3o ainda uma grande pot\u00eancia (e que fez o imposs\u00edvel para evitar entrar nessa guerra), e depois pelos Estados Unidos, a Alemanha foi derrotada, numa guerra em que o papel da URSS foi decisivo.<\/p>\n<p>O mundo depois foi dividido em dois grandes blocos. O que os Estados Unidos lideravam assumiu a tarefa de continuar a luta contra o liderado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Um longo conflito, que durou quase 45 anos, e terminou, como sabemos, com a vit\u00f3ria do bloco ocidental e a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS.<\/p>\n<p>Uma vez libertados os pa\u00edses da Europa Oriental, at\u00e9 ent\u00e3o sob tutela sovi\u00e9tica, surgiu uma nova ordem internacional: uma Europa \u201cunida e livre\u201d, (\u201c<em>whole and free<\/em>\u201d, nas palavras do presidente George H. W. Bush), agora sob a lideran\u00e7a norte-americana, deu in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dessa nova ordem internacional.<\/p>\n<p>Por um lado, as pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais consolidaram-se, impulsionadas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, com vastas privatiza\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses da Europa do Leste, que se estenderam tamb\u00e9m \u00e0 Am\u00e9rica Latina, uma regi\u00e3o tradicionalmente sob tutela norte-americana. Foi a era do \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d, anunciada por uma das mais puras representantes da \u00e9poca, a primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher.<\/p>\n<p>Por outro lado \u2013 e hoje vemos claramente \u2013, desenhava-se uma nova pol\u00edtica externa e de defesa sob a lideran\u00e7a norte-americana, cuja ponta de lan\u00e7a \u00e9 a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN).<\/p>\n<p>O objetivo da OTAN, como diria em 1952 seu primeiro secret\u00e1rio-geral, o general brit\u00e2nico de origem indiana, Hastings Ismay, era \u201c<em>to keep the Soviet Union out, the Americans in, and the Germans down<\/em>\u201d, muito em linha com a pol\u00edtica externa brit\u00e2nica de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Setenta anos depois, o decl\u00ednio brit\u00e2nico permitiu a Olaf Scholz dizer, em seu artigo, que \u201cos alem\u00e3es procuram ser os garantidores da seguran\u00e7a europeia que os nossos aliados esperam que sejamos, construtores de pontes na Uni\u00e3o Europeia e defensores de solu\u00e7\u00f5es multilaterais para os problemas globais\u201d.<\/p>\n<p>O sonho da Inglaterra, expresso pelo general Hastings Ismay, foi despeda\u00e7ado e grande parte do resto da Europa \u2013 de vis\u00e3o estreita, na minha opini\u00e3o \u2013 entusiasmada com a guerra contra a R\u00fassia, parece esquecer as consequ\u00eancias do \u00faltimo rearmamento alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Olaf Scholz destacou a altera\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o alem\u00e3, que o proibia de armar pa\u00edses em conflito, e anunciou a destina\u00e7\u00e3o de 100 bilh\u00f5es de euros para refor\u00e7ar suas For\u00e7as Armadas. O que pertence a um mesmo mundo deve crescer em conjunto, diria o chanceler Willy Brandt ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim. Brandt referia-se \u00e0 Alemanha, mas isso se aplica \u00e0 Europa como um todo, diz Olaf Scholz.<\/p>\n<p>\u00c9 o que o Ocidente chama de \u201cum mundo baseado em regras\u201d. O que Olaf Scholz percebe como uma ordem nova, mais resiliente, como um mundo de relativa paz e prosperidade, alguns chamaram de \u201co fim da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p>Olaf Scholz lamenta que Vladimir Putin, em vez de ver a queda pac\u00edfica do Muro de Berlim e da ordem comunista como uma oportunidade para promover mais liberdade e democracia, a tenha qualificado como \u201ca maior cat\u00e1strofe geopol\u00edtica do s\u00e9culo XX\u201d.<\/p>\n<p>A frase tem uma dupla implica\u00e7\u00e3o. A primeira \u00e9 colocar o fim da URSS como uma cat\u00e1strofe maior do que as representadas pela Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Parece um erro insens\u00edvel de avalia\u00e7\u00e3o do presidente russo. Mas tem ainda outro significado, politicamente mais importante para a constru\u00e7\u00e3o do discurso do chanceler alem\u00e3o: o de sugerir que o ataque da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia \u00e9 apenas um passo no esfor\u00e7o de reconstru\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 necessidade de alongar sobre isto para compreender o significado do que Olaf Scholz procura atribuir ao presidente russo. \u201cQuando Putin deu a ordem para atacar, destruiu uma arquitetura europeia e internacional de paz que levou d\u00e9cadas para construir\u201d. \u201cSeu brutal ataque \u00e0 Ucr\u00e2nia em fevereiro passado marcou o in\u00edcio de uma nova realidade: o retorno do imperialismo \u00e0 Europa\u201d.<\/p>\n<p>A frase, tal como citada pelo chanceler alem\u00e3o, revela uma interpreta\u00e7\u00e3o sutil. A cita\u00e7\u00e3o a que Olaf Scholz se refere \u00e9 do\u00a0<a href=\"http:\/\/en.kremlin.ru\/events\/president\/transcripts\/22931\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio anual do presidente da R\u00fassia para a Assembleia da Federa\u00e7\u00e3o Russa<\/a>. O texto citado por Scholz, em sua vers\u00e3o em ingl\u00eas, est\u00e1 no sexto par\u00e1grafo: \u201c<em>Above all, we should acknowledge that the collapse of the Soviet Union was a major geopolitical disaster of the century. As for the Russian nation, it became a genuine drama. Tens of millions of our co-citizens and compatriots found themselves outside Russian territory<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Como se pode ver, n\u00e3o \u00e9 isto que Olaf Scholz diz quando, citando Vladimir Putin, ele afirma, entre aspas: \u201c<em>was the biggest geopolitical catastrophe of the twentieth century<\/em>\u201d (foi a maior cat\u00e1strofe geopol\u00edtica do s\u00e9culo XX).<\/p>\n<p>O que diz o texto de Vladimir Putin \u00e9: \u201c<em>was a major geopolitical disaster of the century<\/em>\u201d, que pode ser traduzido como \u201cum dos maiores desastres geopol\u00edticos do s\u00e9culo\u201d. Um verdadeiro drama para a na\u00e7\u00e3o russa, acrescentou Putin. \u201cMilh\u00f5es de nossos cidad\u00e3os e compatriotas viram-se fora do territ\u00f3rio russo\u201d. A chave do debate est\u00e1 nas palavras utilizadas em ingl\u00eas: \u201c<em>the<\/em>\u201d, por um lado, e \u201c<em>a<\/em>\u201d, por outro.<\/p>\n<p>Stephen Frand Cohen, um erudito estadunidense de estudos russos,\u00a0<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/lula-acerta-na-economia\/\" rel=\"noopener\">afirma<\/a>\u00a0que Vladimir Putin tem sido obsessivamente mal citado sobre esta quest\u00e3o, repetindo a frase \u201c<em>The collapse of the Soviet Union was the greatest geopolitical catastrophe of the twentieth century<\/em>\u201d<em>,<\/em>\u00a0quando, na verdade, o que ele disse foi que tinha sido \u201c<em>a major geopolitical catastrophe of the twentieth century<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Olaf Scholz ignora estes detalhes e cita a frase como conv\u00e9m \u00e0 sua argumenta\u00e7\u00e3o. Veremos que esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica cita\u00e7\u00e3o em que ele aplica este procedimento. \u00c9 neste ambiente que o autoritarismo e as ambi\u00e7\u00f5es imperialistas de Vladimir Putin \u201ccome\u00e7am a emergir\u201d, diz ele. Cita posteriormente\u00a0<a href=\"http:\/\/en.kremlin.ru\/events\/president\/transcripts\/copy\/24034\" rel=\"noopener\">o discurso que o presidente russo proferiu dois anos depois<\/a>, em 2007, na Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a de Munique. Um discurso \u201cagressivo\u201d no qual ele \u201cridicularizou a ordem internacional baseada em regras como um mero instrumento de domina\u00e7\u00e3o norte-americana\u201d.<\/p>\n<p><strong>O fracasso do mundo unipolar<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante considerar a data em que o presidente russo est\u00e1 falando: 2007, h\u00e1 15 anos. O que Putin diz neste discurso? A primeira coisa \u00e9 que o modelo de um mundo unipolar, como o que surgiu ap\u00f3s o triunfo do Ocidente na Guerra Fria, \u201cn\u00e3o s\u00f3 \u00e9 inaceit\u00e1vel como imposs\u00edvel no mundo de hoje\u201d. O que est\u00e1 acontecendo no mundo de hoje \u2013 e \u00e9 isto que come\u00e7amos a discutir \u2013 \u00e9 a tentativa de introduzir este conceito nos assuntos internacionais.<\/p>\n<p>E quais t\u00eam sido os resultados?, pergunta Putin. \u201cA\u00e7\u00f5es unilaterais, e muitas vezes ileg\u00edtimas, n\u00e3o resolveram quaisquer problemas\u201d. No final de 2001, os Estados Unidos tinham invadido o Afeganist\u00e3o e, em mar\u00e7o de 2003, o Iraque. \u201cEstamos assistindo ao uso praticamente incontrol\u00e1vel da for\u00e7a militar nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, um crescente desrespeito pelos princ\u00edpios b\u00e1sicos do direito internacional, que mergulhou o mundo no abismo dos conflitos permanentes. Um Estado \u2013 principalmente os Estados Unidos \u2013 agindo para al\u00e9m de suas fronteiras, tem procurado impor suas pol\u00edticas a outras na\u00e7\u00f5es, seja na economia, pol\u00edtica, cultura, ou educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O resultado, diz Vladimir Putin, j\u00e1 em 2007, \u00e9 que ningu\u00e9m se sente seguro. \u201cEstou convencido de que chegou o momento em que devemos pensar seriamente na arquitetura da seguran\u00e7a global\u201d.<\/p>\n<p>Putin falou de um mundo multipolar, baseado no crescimento econ\u00f4mico de pa\u00edses como a \u00cdndia, a China, ou os membros dos BRICs, que na altura era integrado pelo Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China. Destacou a import\u00e2ncia de um marco legal sobre armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, defendeu a necessidade de respeitar o tratado de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o nuclear, o controle multilateral das tecnologias de m\u00edsseis, a preven\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de armas no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O discurso aborda ainda outras quest\u00f5es, mas Putin se det\u00e9m no Tratado sobre as For\u00e7as Armadas Convencionais na Europa, assinado em 1999. Sete anos se passaram e apenas quatro pa\u00edses \u2013 incluindo a R\u00fassia \u2013 ratificaram o tratado, diz Vladimir Putin.<\/p>\n<p>O que aconteceu desde ent\u00e3o? \u201cA OTAN colocou suas for\u00e7as nas nossas fronteiras, enquanto n\u00f3s continuamos respeitando rigorosamente nossas obriga\u00e7\u00f5es do tratado e n\u00e3o reagimos a tais a\u00e7\u00f5es\u201d. Os pa\u00edses da OTAN declararam que n\u00e3o ratificar\u00e3o o tratado \u201cat\u00e9 que a R\u00fassia retire suas bases da Mold\u00e1via e da Ge\u00f3rgia\u201d. Vladimir Putin referiu-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na Mold\u00e1via e disse que a discutia regularmente com o secret\u00e1rio-geral da OTAN o espanhol Javier Solana. Ele n\u00e3o falou da situa\u00e7\u00e3o na Ge\u00f3rgia.<\/p>\n<p>E lembrou de uma declara\u00e7\u00e3o de outro secret\u00e1rio-geral da OTAN de 1988 a 1994, o ex-ministro da defesa alem\u00e3o Manfred W\u00f6rner, feita em Bruxelas em 17 de maio de 1990: \u201co fato de estarmos dispostos a n\u00e3o colocar as tropas da OTAN fora do territ\u00f3rio alem\u00e3o d\u00e1 \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica uma garantia firme de seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da OTAN, acrescentou Vladimir Putin, n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o alguma com a moderniza\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a ou com a garantia da seguran\u00e7a da Europa. Pelo contr\u00e1rio, \u201crepresenta uma provoca\u00e7\u00e3o s\u00e9ria que reduz o n\u00edvel de confian\u00e7a m\u00fatua\u201d. Onde est\u00e3o estas garantias?, perguntou ele.<\/p>\n<p>Vladimir Putin disse tamb\u00e9m nesse discurso que \u201co \u00fanico mecanismo que pode decidir sobre o uso da for\u00e7a militar como \u00faltimo recurso \u00e9 a Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u201d. Uma declara\u00e7\u00e3o que \u00e9 dif\u00edcil de conciliar com sua decis\u00e3o de atacar a Ucr\u00e2nia, embora as revela\u00e7\u00f5es subsequentes, especialmente sobre as inten\u00e7\u00f5es ocultas nas negocia\u00e7\u00f5es do Acordo de Minsk, acrescentem novas nuances ao cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong><\/p>\n<p>Voltemos ao artigo de Olaf Scholz. Em 2014 \u2013 diz \u2013 a R\u00fassia ocupou a Crimeia e enviou tropas ao Donbas \u201cem viola\u00e7\u00e3o direta do direito internacional\u201d. \u201cDurante os oito anos que se seguiram \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o ilegal da Crimeia e \u00e0 eclos\u00e3o do conflito na Ucr\u00e2nia oriental, a Alemanha e seus parceiros europeus e internacionais do G7 concentraram-se em salvaguardar a soberania e a independ\u00eancia pol\u00edtica da Ucr\u00e2nia, evitando uma maior escalada da R\u00fassia, restaurando e preservando a paz na Europa\u201d.<\/p>\n<p>Juntamente com a Fran\u00e7a, acrescentou Olaf Scholz, \u201ca Alemanha comprometeu-se no chamado Formato da Normandia, que conduziu aos Acordos de Minsk e ao correspondente processo de Minsk, o qual exigia que a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia adotassem um cessar-fogo e uma s\u00e9rie de outras medidas. Apesar dos problemas e da falta de confian\u00e7a entre Moscou e Kiev, a Alemanha e a Fran\u00e7a mantiveram o processo em funcionamento. Mas uma R\u00fassia revisionista tornou imposs\u00edvel o \u00eaxito da diplomacia\u201d.<\/p>\n<p>Depois, as declara\u00e7\u00f5es da ex-chanceler Angela Merkel \u00e0 referida\u00a0<em>Zeit Magazine<\/em>\u00a0deram outra perspectiva sobre os acordos de Minsk. O primeiro acordo, de setembro de 2014, disse Angela Merkel, destinava-se a \u201cdar tempo \u00e0 Ucr\u00e2nia para se fortalecer, como podemos ver hoje. A Ucr\u00e2nia de 2014\/2015 n\u00e3o \u00e9 a Ucr\u00e2nia de hoje\u201d.<\/p>\n<p>Em seguida, veio a batalha de Debatselvo no in\u00edcio de 2015, com uma vit\u00f3ria r\u00e1pida das for\u00e7as russas, que levou a um segundo protocolo do acordo de Minsk, assinado em fevereiro desse ano. \u201cEra claro para n\u00f3s que o conflito estava congelado, que o problema n\u00e3o tinha sido resolvido, mas isto deu \u00e0 Ucr\u00e2nia um tempo inestim\u00e1vel\u201d, acrescentou Angela Merkel.<\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00f5es semelhantes foram feitas mais tarde pelo ex-presidente franc\u00eas Fran\u00e7ois Hollande. Pyotr Poroshenko, que assumiu a presid\u00eancia da Ucr\u00e2nia ap\u00f3s o golpe de 2014, tamb\u00e9m reconheceu que os Acordos de Minsk (em cuja negocia\u00e7\u00e3o ele e Merkel estiveram envolvidos) n\u00e3o eram mais do que um estratagema para ganhar tempo e refor\u00e7ar militarmente a Ucr\u00e2nia. \u201cOs acordos de Minsk, apesar das cr\u00edticas, deram-nos tempo para construir as capacidades de defesa da Ucr\u00e2nia\u201d.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que, em 10 de dezembro de 2019, o governo ucraniano emitiu um comunicado ap\u00f3s uma reuni\u00e3o em Paris dos l\u00edderes dos quatro pa\u00edses que moldaram os Acordos de Minsk \u2013 Fran\u00e7a, Alemanha, R\u00fassia e Ucr\u00e2nia \u2013 declarando que continuavam comprometidos com a plena implanta\u00e7\u00e3o dos acordos e com a promo\u00e7\u00e3o de uma \u201carquitetura sustent\u00e1vel e inclusiva de confian\u00e7a e seguran\u00e7a na Europa\u201d.<\/p>\n<p>A resposta russa foi que as declara\u00e7\u00f5es de Angela Merkel eram \u201cdecepcionantes\u201d. \u201cN\u00e3o esperava ouvir isso da ex-chanceler\u201d, disse Vladimir Putin. \u201cPensava que os l\u00edderes alem\u00e3es estavam em di\u00e1logo sincero conosco\u201d. \u201cA ideia era encher a Ucr\u00e2nia de armas e prepar\u00e1-la para o combate. Percebemos isso muito tarde\u201d, acrescentou ele.<\/p>\n<p><strong>A vis\u00e3o de um novo mundo<\/strong><\/p>\n<p>Olaf Scholz afirma que \u201cPutin quer dividir a Europa em zonas de influ\u00eancia e o mundo em blocos de grandes pot\u00eancias e estados vassalos\u201d. Afirma que \u201cPutin nunca aceitou a UE como um ator pol\u00edtico\u201d, diz ele. Na sua opini\u00e3o, a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma uni\u00e3o de Estados livres, democr\u00e1ticos e soberanos, baseada no estado de direito, ant\u00edtese da \u201cimperialista e cleptocr\u00e1tica\u201d R\u00fassia.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil encontrar nas propostas de Vladimir Putin medidas que visem estes fins. Embora hoje possam parecer completamente invi\u00e1veis, em 2010, Vladimir Putin, ent\u00e3o primeiro-ministro russo, apresentou duas propostas que teriam mudado a face da Europa. Em 25 de novembro desse ano, a ag\u00eancia de not\u00edcias alem\u00e3\u00a0<em>DW<\/em>\u00a0escreveu sobre o assunto: \u201cA tinta ainda n\u00e3o secou nas manchetes elogiando, como um passo hist\u00f3rico, o acordo entre os pa\u00edses membros da OTAN e a R\u00fassia sobre a coopera\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de um escudo antim\u00edsseis em solo europeu quando \u2013 ap\u00f3s a c\u00fapula com a Uni\u00e3o Europeia \u2013 a ades\u00e3o de Moscou \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio est\u00e1 finalmente no horizonte\u201d.<\/p>\n<p>Como se fosse pouco, algumas horas mais tarde, no jornal alem\u00e3o\u00a0<em>S\u00fcddeutsche Zeitung<\/em>, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin defendia a integra\u00e7\u00e3o de uma comunidade econ\u00f4mica harmoniosa de Lisboa a Vladivostok.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, as tens\u00f5es s\u00f3 t\u00eam aumentado. Dever\u00edamos perguntar-nos por que n\u00e3o foi poss\u00edvel um acordo com a R\u00fassia, nos termos propostos por Vladimir Putin em 2010 ou em outros termos.<\/p>\n<p>Entre as mais sens\u00edveis raz\u00f5es neste cen\u00e1rio estava a liga\u00e7\u00e3o do gasoduto\u00a0<em>Nord Stream II<\/em>, que se tornaria um v\u00ednculo estrat\u00e9gico entre a R\u00fassia e a Europa Ocidental. Impedir sua conclus\u00e3o transformou-se num objetivo fundamental dos Estados Unidos. Um dia saberemos os detalhes do cancelamento do acordo sobre este gasoduto e os atentados subsequentes \u2013 atribu\u00eddos \u00e0 intelig\u00eancia brit\u00e2nica \u2013 \u00e0s instala\u00e7\u00f5es existentes tanto do\u00a0<em>Nord Stream II<\/em>\u00a0(que nunca entrou em funcionamento) como do\u00a0<em>Nord Stream I<\/em>, que estava em funcionamento.<\/p>\n<p><strong>Uma vis\u00e3o diferente<\/strong><\/p>\n<p>Como a Europa poder\u00e1 permanecer um ator independente num mundo multipolar?, pergunta o chanceler alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o Grupo de Contato para a Defesa da Ucr\u00e2nia se reuniu na base a\u00e9rea militar norte-americana em Ramstein, na Alemanha, em 20 de janeiro, o presidente franc\u00eas Emmanuel Macron referiu-se ao cen\u00e1rio europeu. Durante uma visita \u00e0 Espanha, manteve uma longa conversa com o escritor espanhol Javier Cercas em Paris, publicada no jornal\u00a0<em>El Pa\u00eds<\/em>. H\u00e1 uma crise in\u00e9dita na Europa, devido \u00e0 guerra. A resposta deve ser uma Europa poderosa, disse o presidente franc\u00eas. Uma Europa que deve decidir se quer desempenhar seu pr\u00f3prio papel no cen\u00e1rio mundial ou se alinhar com alguma das duas pot\u00eancias, os Estados Unidos ou a China.<\/p>\n<p>Apesar do apoio militar sustentado \u00e0 Ucr\u00e2nia, Emmanuel Macron n\u00e3o deixou de assinalar a necessidade de se vislumbrar uma nova ordem europeia, que inclua a R\u00fassia. \u201cA R\u00fassia \u00e9 uma grande na\u00e7\u00e3o em busca de seu destino\u201d, disse Emmanuel Macron, para quem a paz duradoura com o Ocidente s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ada atrav\u00e9s do di\u00e1logo.<\/p>\n<p>A Europa n\u00e3o terminou de digerir o cen\u00e1rio que surgiu no final da Guerra Fria; estendeu-se rapidamente para o leste, pensando que todos os problemas tinham sido resolvidos, apenas para descobrir hoje que existem dois blocos de na\u00e7\u00f5es no grupo, com vis\u00f5es diferentes do futuro. Um problema que \u2013 em sua opini\u00e3o \u2013 n\u00e3o afeta apenas a Europa, mas todas as democracias ocidentais, \u201cque vivem numa esp\u00e9cie de fadiga, uma perda de refer\u00eancias coletivas\u201d.<\/p>\n<p>O presidente franc\u00eas tem precedentes pol\u00edticos pr\u00f3ximos nos quais se inspirar. Em mar\u00e7o do ano passado, comemoraram-se os 60 anos dos Acordos de \u00c9vian, nos quais foi acordado um cessar-fogo na guerra pela independ\u00eancia da \u00c1rgelia. N\u00e3o significava a paz de imediato, mas foi o in\u00edcio de um processo levado a cabo pelo general De Gaulle, o mesmo que visitou Argel como primeiro-ministro e ministro da defesa em junho de 1958, onde gritou \u201cViva a Arg\u00e9lia francesa!\u201d<\/p>\n<p>Quatro anos depois, como presidente da Rep\u00fablica, negociou um acordo e promoveu o processo de paz que o colocaria contra seus antigos aliados, sobretudo os militares ultranacionalistas e os\u00a0<em>pieds-noirs<\/em>, os mais de um milh\u00e3o de colonos franceses na Arg\u00e9lia, contr\u00e1rios \u00e0 independ\u00eancia argelina e dispostos a seguir com uma guerra ainda mais sangrenta do que at\u00e9 ent\u00e3o, a fim de tentar impedi-la.<\/p>\n<p>Mas De Gaulle era uma figura extraordin\u00e1ria forjada na resist\u00eancia aos alem\u00e3es na Segunda Guerra Mundial. A televis\u00e3o espanhola, num programa sobre os 60 anos dos Acordos de \u00c9vian, lembrou como \u201catrav\u00e9s dos discursos de De Gaulle \u00e0 na\u00e7\u00e3o, observa-se a mudan\u00e7a pol\u00edtica que experimentou, adaptando-se \u00e0 realidade e ao tabuleiro internacional\u201d de seu tempo.<\/p>\n<p>Passou da tentativa inicial de conter a Arg\u00e9lia francesa no reconhecimento de sua autodetermina\u00e7\u00e3o a confrontar-se com a violenta popula\u00e7\u00e3o colonial de\u00a0<em>pieds-noirs<\/em>, uma vez proclamada a independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Vis\u00e3o e coragem s\u00e3o indispens\u00e1veis para forjar uma nova era que impe\u00e7a o avan\u00e7o do confronto militar \u2013 o \u00fanico caminho seguido at\u00e9 agora na crise da Ucr\u00e2nia \u2013 em que os\u00a0<em>pieds-noirs<\/em> v\u00e3o se impondo, sem que apare\u00e7a at\u00e9 agora um De Gaulle capaz de os colocar em seu lugar.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: A constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem mundial &#8211; A TERRA \u00c9 REDONDA &#8211; https:\/\/aterraeredonda.com.br\/a-construcao-de-uma-nova-ordem-mundial\/<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GILBERTO LOPES &#8211;\u00a0A d\u00favida de Olaf Scholz: como a Europa poder\u00e1 permanecer um ator independente num mundo multipolar? 1. \u201cA agress\u00e3o da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia p\u00f4s fim a uma era\u201d, disse o chanceler alem\u00e3o Olaf Scholz num artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de janeiro\/fevereiro da revista\u00a0Foreign Affairs:\u00a0The Global Zeitenwende. 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