{"id":18801,"date":"2023-01-18T12:38:01","date_gmt":"2023-01-18T15:38:01","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18801"},"modified":"2023-01-14T13:45:00","modified_gmt":"2023-01-14T16:45:00","slug":"bolsonarismo-e-mais-um-sintoma-do-que-uma-causa-da-doenca-do-corpo-social-que-leva-as-pessoas-a-lutar-por-sua-propria-servidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/01\/18\/bolsonarismo-e-mais-um-sintoma-do-que-uma-causa-da-doenca-do-corpo-social-que-leva-as-pessoas-a-lutar-por-sua-propria-servidao\/","title":{"rendered":"Bolsonarismo \u00e9 mais um sintoma do que uma causa da doen\u00e7a do corpo social que leva as pessoas a lutar por sua pr\u00f3pria servid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Patricia Fachin &#8211; <\/strong>Entrevista especial com Bruno Cava<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA verdadeira limita\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 cont\u00e1bil ou de conjuntura internacional, mas pol\u00edtico-ideol\u00f3gica\u201d, diz o pesquisador<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cPouco agudo, mas com alguns pontos inovadores\u201d, em \u201ccontinuidade com a\u00a0Carta ao Povo Brasileiro: conciliador, apaziguador, enxerga a Pol\u00edtica, escrita com mai\u00fascula no discurso, como mesa de negocia\u00e7\u00f5es para solucionar impasses e resolver diverg\u00eancias, reservando \u00e0 figura do pr\u00f3prio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625407-a-segunda-posse-de-lula-em-seu-terceiro-mandato\" rel=\"noopener noreferrer\">Lula<\/a>\u00a0o papel de poder moderador\u201d. \u00c9 assim que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/562848-a-esquerda-precisa-de-um-impulso-de-despressurizacao-entrevista-especial-com-bruno-cava\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Cava<\/a>\u00a0resume o significado dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/625255-lula-amadureceu-e-cresceu-na-consciencia-historica-e-politica-ele-se-tornou-provavelmente-o-mais-importante-protagonista-atual-do-processo-politico-brasileiro-entrevista-especial-com-jose-de-souza-martins\" rel=\"noopener noreferrer\">discursos do presidente Lula<\/a>\u00a0durante a posse presidencial, em 1\u00ba de janeiro deste ano. Segundo ele, \u201ca oposi\u00e7\u00e3o enunciada no texto \u00e9 com o\u00a0bolsonarismo\u00a0e\u00a0Bolsonaro, mas em termos de novos rumos, \u00e9 esparso e sem conceito\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o discurso n\u00e3o sinaliza a \u201creinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, mas \u201co pren\u00fancio da volta da\u00a0velha pol\u00edtica, da recomposi\u00e7\u00e3o das mesmas for\u00e7as propriet\u00e1rias e olig\u00e1rquicas, dos mesmos caciques e partidos fisiol\u00f3gicos, ainda que sejam encabe\u00e7ados por\u00a0Lula\u00a0e dirigidos pelo\u00a0PT\u00a0governista\u201d. Para ele, o novo governo come\u00e7a com uma situa\u00e7\u00e3o de impasse porque \u201ca inexist\u00eancia de terreno de reinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica foi uma das causas e n\u00e3o consequ\u00eancia da vit\u00f3ria eleitoral de Lula, uma vit\u00f3ria marcada pelo cansa\u00e7o e desencanto dos eleitores, pela falta cr\u00f4nica de alternativas, pela vontade desencantada de acordar de um pesadelo\u201d. Para ele, \u201cas\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/625469-a-razao-bolsonarista-artigo-de-daniel-afonso-da-silva\" rel=\"noopener noreferrer\">recentes manifesta\u00e7\u00f5es violentas, v\u00e2ndalas<\/a>, de bolsonaristas s\u00e3o mais um sintoma do que a causa da doen\u00e7a que aflige o corpo social transversalmente\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail ao\u00a0Instituto Humanitas Unisinos \u2013 IHU,\u00a0Cava\u00a0tamb\u00e9m comenta e avalia os desdobramentos e as consequ\u00eancias da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/620102-pacifismo-e-a-resposta-errada-para-a-guerra-na-ucrania-artigo-de-slavoj-zizek\" rel=\"noopener noreferrer\">guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia<\/a>, que completar\u00e1 um ano em 26 de fevereiro, e a postura do Estado brasileiro acerca do conflito no governo Lula. \u201c\u00c9 consensual que a\u00a0guerra na Ucr\u00e2nia\u00a0n\u00e3o vai se resolver t\u00e3o cedo e que adquira, cada dia mais, um aspecto central no futuro da\u00a0globaliza\u00e7\u00e3o capitalista. A menos que em breve vejamos uma reviravolta pol\u00edtica na\u00a0Federa\u00e7\u00e3o Russa, talvez a vari\u00e1vel mais obscura para quem n\u00e3o est\u00e1 dentro do pa\u00eds, a guerra lamentavelmente deve prosseguir ao longo de 2023, provocando ainda mais milhares de baixas militares e civis, impactos de toda sorte nos fluxos de abastecimento, energia e migrat\u00f3rios\u201d, afirma.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2020\/06\/30_06_cava_foto_ihu.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><strong>Bruno Cava<\/strong>\u00a0\u00e9 graduado em Engenharia pelo Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica \u2013 ITA e em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ, pela qual tamb\u00e9m \u00e9 mestre em Filosofia do Direito, e oferece cursos livres presenciais e on-line por meio do canal\u00a0<strong>Horazul<\/strong>\u00a0(YouTube). \u00c9 autor de\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/527017\" rel=\"noopener noreferrer\">A multid\u00e3o foi ao deserto<\/a>\u00a0<\/em>(Annablume, 2013),\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/567735\" rel=\"noopener noreferrer\">A constitui\u00e7\u00e3o do comum<\/a>\u00a0<\/em>(Revan, 2017), com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/542986\" rel=\"noopener noreferrer\">Alexandre Mendes<\/a>, e de\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/605088\" rel=\"noopener noreferrer\">A vida da moeda: cr\u00e9dito, imagens, confian\u00e7a<\/a>\u00a0<\/em>(Maudad, 2020), com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/600679\" rel=\"noopener noreferrer\">Giuseppe Cocco<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 Que avalia\u00e7\u00e3o faz dos discursos de Lula na posse presidencial? Quais os tr\u00eas pontos que destacaria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Cava \u2013<\/strong>\u00a0Pouco agudo, mas com alguns pontos inovadores. Est\u00e1 em linha de continuidade com a\u00a0Carta ao Povo Brasileiro: conciliador, apaziguador, enxerga a Pol\u00edtica, escrita com mai\u00fascula no discurso, como mesa de negocia\u00e7\u00f5es para solucionar impasses e resolver diverg\u00eancias, reservando \u00e0 figura do pr\u00f3prio\u00a0Lula\u00a0o papel de poder moderador. Coloca-se como representante do\u00a0estado democr\u00e1tico de direito\u00a0diante da barb\u00e1rie, terror e \u00f3dio, personificados na candidatura de\u00a0Bolsonaro\u00a0e do\u00a0bolsonarismo\u00a0enquanto fen\u00f4meno eleitoral e social. Assinala os recentes desmanches institucionais, descalabros contra minorias e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/625426-o-brasil-e-hoje-um-pais-humilhado-por-ter-tolerado-o-intoleravel-entrevista-especial-com-deisy-ventura\" rel=\"noopener noreferrer\">m\u00e1 gest\u00e3o do governo Bolsonaro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia<\/a>.<\/p>\n<p>Vale destacar:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>1<\/strong>) na\u00a0<strong>economia<\/strong>, a indica\u00e7\u00e3o de retomada da\u00a0<strong>agenda keynesiana petista<\/strong>: aumento do investimento, expans\u00e3o do cr\u00e9dito, incentivo ao consumo, foco na gera\u00e7\u00e3o de emprego e fim do teto de gastos, o que gera tens\u00f5es no interior da frente ampla e com os mercados;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>2<\/strong>) no tema do\u00a0<strong>combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o<\/strong>, no que o discurso revela mais pelo sil\u00eancio, com apenas a vaga men\u00e7\u00e3o a \u201c<strong>controles republicanos<\/strong>\u201d, como se a volta do\u00a0<strong>PT<\/strong>\u00a0ao governo federal n\u00e3o tivesse nada a metabolizar quanto ao\u00a0<strong>Petrol\u00e3o<\/strong>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/589996-lava-jato-os-riscos-da-jogadinha-ensaiada-que-poe-juiz-e-promotor-do-mesmo-lado-entrevista-especial-com-lenio-streck-e-jose-geraldo-de-sousa-junior\" rel=\"noopener noreferrer\">Lava Jato<\/a>;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>3<\/strong>) no tema\u00a0<strong>socioambiental<\/strong>, faz promessas ousadas: o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/625178\" rel=\"noopener noreferrer\">desmatamento zero<\/a>, a descarboniza\u00e7\u00e3o da economia e a eleva\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de l\u00edder mundial em clima, uma agenda avan\u00e7ada que vai provocar atritos com desenvolvimentistas e representantes da ind\u00fastria.<\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O pronunciamento de posse est\u00e1 impregnado do desejo de volta ao normal \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 Os discursos indicam que haver\u00e1 alguma reorienta\u00e7\u00e3o no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Cava<\/strong>\u00a0\u2013 A oposi\u00e7\u00e3o enunciada no texto \u00e9 com o\u00a0bolsonarismo\u00a0e\u00a0Bolsonaro, mas em termos de novos rumos o seu discurso \u00e9 esparso e sem conceito. Para enfrentar as sequelas do bolsonarismo e o risco de sua vers\u00e3o mais selvagem, prevalece o tropo narrativo dos retornos, ao contr\u00e1rio do discurso de posse no primeiro mandato, em 2003, quando a palavra-chave era \u201cmudan\u00e7a\u201d, em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0modelo neoliberal, e no segundo mandato, em 2007, quando Lula apresentava o\u00a0Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento \u2013 PAC\u00a0como carro-chefe para inaugurar a segunda fase da mudan\u00e7a, que alguns int\u00e9rpretes do lulismo chamaram de vi\u00e9s \u201csocial-desenvolvimentista\u201d.<\/p>\n<p>Em 2023, contudo, o\u00a0pronunciamento de posse est\u00e1\u00a0impregnado do desejo de volta ao normal. O fim do governo\u00a0Bolsonaro\u00a0est\u00e1 sendo experimentado como o fim de um pesadelo. Acordar\u00edamos num mundo em que a felicidade teria voltado a ser poss\u00edvel. A premissa l\u00f3gica dessa atmosfera emotiva \u00e9 que, em algum momento do passado recente nacional, o pa\u00eds teria desviado do caminho, teria perdido o rumo. Cabe agora a\u00a0Lula\u00a0e \u00e0 frente ampla recolocar o trem nos trilhos antes que ocorra um desastre ainda maior. Em certa medida, a estrutura do sentimento \u00e9 semelhante \u00e0s ansiedades e aspira\u00e7\u00f5es pelo retorno \u00e0 normalidade com o fim da\u00a0pandemia de covid-19, para as coisas voltarem \u201cas it was\u201d, como no hit de\u00a0Harry Styles.<\/p>\n<p>Isso suscita v\u00e1rias quest\u00f5es. A\u00a0<strong>primeira<\/strong>\u00a0quest\u00e3o \u00e9 de fato: n\u00e3o h\u00e1 uma normalidade a retornar, \u00e9 uma ilus\u00e3o acreditar que as coisas voltariam a ser como eram antes, \u201c<em>you know it\u2019s not the same as it was<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>segundo<\/strong>\u00a0problema \u00e9 de direito: mesmo que fosse poss\u00edvel voltar ao normal, seria preciso questionar se \u00e9 desej\u00e1vel voltar \u00e0quela normalidade, que mais parece uma constru\u00e7\u00e3o retrospectiva de anos dourados, como se o\u00a0<strong>bolsonarismo<\/strong>\u00a0tivesse descido de Marte e o\u00a0<strong>PT<\/strong>\u00a0n\u00e3o partilhasse um grau significativo de responsabilidade sobre os caminhos e descaminhos da pol\u00edtica brasileira nos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">As recentes manifesta\u00e7\u00f5es violentas, v\u00e2ndalas, de bolsonaristas s\u00e3o mais um sintoma do que a causa da doen\u00e7a que aflige o corpo social transversalmente \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ataque aos poderes<\/strong><\/p>\n<p>As\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/625460-terrorismo-nas-sedes-dos-tres-poderes-em-brasilia-sem-punicao-nao-tera-fim-artigo-de-gilvander-moreira\" rel=\"noopener noreferrer\">recentes manifesta\u00e7\u00f5es violentas, v\u00e2ndalas, de bolsonaristas<\/a>\u00a0s\u00e3o mais um sintoma do que a causa da doen\u00e7a que aflige o corpo social transversalmente. Uma doen\u00e7a que leva muitas e muitas pessoas, em af\u00e3 iconoclasta, a lutar por sua pr\u00f3pria servid\u00e3o. \u00c9 comum os manifestantes alinhados \u00e0\u00a0extrema-direita, no mundo todo, serem tachados de malucos, dissonantes cognitivos guiados por\u00a0fake news\u00a0e c\u00edrculos viciosos de autoconfirma\u00e7\u00e3o, ou, ent\u00e3o, como chamados pejorativamente de \u201creligi\u00e3o bolsonarista\u201d.<\/p>\n<p>Ocorre que os fatos sociais s\u00e3o mais complicados. Por sinal, um fen\u00f4meno religioso, sobretudo disseminado pelas massas, \u00e9 sempre complexo e multin\u00edvel: \u201co suspiro da criatura oprimida, o cora\u00e7\u00e3o do mundo sem cora\u00e7\u00e3o e o esp\u00edrito de um mundo sem esp\u00edrito\u201d, como escreveu\u00a0Marx, um ateu. Quanto \u00e0 refer\u00eancia a pessoas doentes, com d\u00e9ficit de cogni\u00e7\u00e3o, patologias que acometem popula\u00e7\u00f5es inteiras s\u00e3o sociais antes de serem individuais. Al\u00e9m disso, para falar com [Georges]\u00a0Canguilhem, o conjunto articulado de doen\u00e7as de um tempo permite elaborar, a partir dele pr\u00f3prio, um ponto de vista reflexivo sobre a normalidade s\u00e3 da qual os doentes se divorciaram. Da\u00ed que as patologias, por mais indesej\u00e1veis, repugnantes e criminog\u00eanicas que sejam, n\u00e3o podem evitar de desvelar algo sobre a sa\u00fade a que aspiramos. Sem o devido trabalho cl\u00ednico em rela\u00e7\u00e3o ao funcionamento dos corpos e afetos, continuaremos passando de sintoma em sintoma, de r\u00f3tulo em r\u00f3tulo, sem tocar na problem\u00e1tica de base.<\/p>\n<p>Imagens mostram ataques aos pal\u00e1cios dos tr\u00eas Poderes em Bras\u00edlia:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9Q4xt_HwXrg\" width=\"100%\" height=\"450\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 Como interpreta a proposta de reconstru\u00e7\u00e3o mencionada por Lula quando assumiu \u201co compromisso de, junto com o povo brasileiro, reconstruir o pa\u00eds e fazer novamente um Brasil de todos e para todos\u201d? O que isso significa na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Cava<\/strong>\u00a0\u2013 Na pr\u00e1tica, sinaliza a repescagem do\u00a0modo lulista de governar, pautado pela composi\u00e7\u00e3o de interesses, na manuten\u00e7\u00e3o da ordem e numa\u00a0agenda keynesiana\u00a0de expans\u00e3o fiscal, sob a orienta\u00e7\u00e3o do realismo pol\u00edtico que prevalece no campo majorit\u00e1rio do\u00a0PT, tendo como modelo o sucesso eleitoral e econ\u00f4mica ao longo da d\u00e9cada de 2000.<\/p>\n<p>O lema da reconstru\u00e7\u00e3o reflete o desejo de restabelecer o estado anterior \u00e0 campanha de\u00a0desconstru\u00e7\u00e3o bolsonarista\u00a0e da aprova\u00e7\u00e3o da emenda constitucional do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/623620-teto-de-gastos-a-primeira-grande-batalha-de-lula\" rel=\"noopener noreferrer\">teto de gastos<\/a>\u00a0durante a gest\u00e3o\u00a0Temer. Quando reivindica o resgate da autonomia do pol\u00edtico,\u00a0Lula\u00a0transmite uma cr\u00edtica frequente dos meios petistas diante do dito \u201cmomento antipol\u00edtico\u201d, no Brasil e no mundo, no que inclui uma grande quantidade de levantes,\u00a0primaveras e movimentos\u00a0que emergiram desde a erup\u00e7\u00e3o da\u00a0crise do capitalismo global, na virada para a d\u00e9cada de 2010.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O impasse objetivo \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 mais normalidade a retornar em 2023 e o modelo sobre o qual o lulismo se fundou est\u00e1 esgotado \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Impasse objetivo<\/strong><\/p>\n<p>O impasse objetivo \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 mais normalidade a retornar em 2023, e o modelo sobre o qual o\u00a0lulismo\u00a0se fundou est\u00e1 esgotado. Isto n\u00e3o se d\u00e1, entretanto, porque os fundamentos macroecon\u00f4micos do\u00a0milagre social de Lula I e II\u00a0n\u00e3o existam mais, o que seria dar valor demais ao pre\u00e7o das commodities na equa\u00e7\u00e3o que aliou crescimento e inclus\u00e3o. A reorienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica para os objetivos da pol\u00edtica social de novo tipo, centrada na massifica\u00e7\u00e3o do programa\u00a0Bolsa Fam\u00edlia, se deu \u00e0s costas da\u00a0intelligentsia\u00a0de\u00a0esquerda, que sempre tomou por norte o ciclo desenvolvimentista de [Get\u00falio]\u00a0Vargas\u00a0aos generais. \u00c9 verdade que o aumento dos pre\u00e7os das commodities no mercado internacional, alavancado pelo aumento da demanda chinesa no come\u00e7o dos anos 2000, contribuiu para alargar o espa\u00e7o de manobras dos governos do\u00a0PT. Contudo, o grande\u00a0boom\u00a0dos dois primeiros governos Lula havia sido um\u00a0boom\u00a0social, uma emerg\u00eancia de capacidades, ferramentas e subjetividades. Aquele governo, de maneira ainda incipiente, por\u00e9m vanguardista no mundo, foi um bal\u00e3o de ensaio de sair do neoliberalismo\u00a0hacia dentro, uma fuga avante ante as din\u00e2micas de\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o,\u00a0flexibiliza\u00e7\u00e3o\u00a0e\u00a0globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A verdadeira limita\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 cont\u00e1bil ou de conjuntura internacional, mas pol\u00edtico-ideol\u00f3gica \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Limita\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>O elemento mais forte daquela fase n\u00e3o fora a normalidade do trip\u00e9 macroecon\u00f4mico herdado do\u00a0<strong>Plano Real<\/strong>\u00a0e do\u00a0<strong>estado democr\u00e1tico de direito<\/strong>\u00a0institu\u00eddo pela\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/strong>, cujas efetividades s\u00e3o, antes, resultantes das mec\u00e2nicas de poder do que suas condi\u00e7\u00f5es fundantes. O elemento que mereceria o resgate \u00e9 o aspecto de anomalia da experi\u00eancia brasileira de\u00a0<strong>neoliberalismo<\/strong>\u00a0globalizado, cujos antagonismos e tens\u00f5es se desdobraram criativamente, de um modo pr\u00f3prio, e sem recorrer a um Fora mistificado. A verdadeira limita\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 cont\u00e1bil ou de conjuntura internacional, mas pol\u00edtico-ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Sem relan\u00e7ar um terreno de reinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, a volta da Pol\u00edtica enunciada no discurso de posse pode ser apenas o pren\u00fancio da volta da velha pol\u00edtica, da recomposi\u00e7\u00e3o das mesmas for\u00e7as propriet\u00e1rias e olig\u00e1rquicas, dos mesmos caciques e partidos fisiol\u00f3gicos, ainda que sejam encabe\u00e7ados por\u00a0<strong>Lula<\/strong>\u00a0e dirigidos pelo\u00a0<strong>PT governista<\/strong>. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de impasse pelo seguinte: a inexist\u00eancia de terreno de reinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica foi uma das causas e n\u00e3o consequ\u00eancia da vit\u00f3ria eleitoral de\u00a0<strong>Lula<\/strong>, uma vit\u00f3ria marcada pelo cansa\u00e7o e desencanto dos eleitores, pela falta cr\u00f4nica de alternativas, pela vontade desencantada de acordar de um pesadelo.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A inexist\u00eancia de terreno de reinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica foi uma das causas e n\u00e3o consequ\u00eancia da vit\u00f3ria eleitoral de Lula \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 A partir dos discursos do presidente, o que \u00e9 poss\u00edvel esperar em termos de pol\u00edtica externa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Cava \u2013<\/strong>\u00a0O protagonismo poss\u00edvel do\u00a0Brasil\u00a0no cen\u00e1rio mundial adv\u00e9m do maior ativo do pa\u00eds perante os demais: a\u00a0Amaz\u00f4nia, em toda sua biodiversidade, suas riquezas h\u00eddricas e minerais, sua multiplicidade de povos e culturas. Nessa miss\u00e3o, a figura-chave para reconstituir a imagem brasileira \u00e9\u00a0Marina Silva, que\u00a0Lula\u00a0teve a proeza de conseguir trazer para o seu governo mesmo depois da campanha de desconstru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica movida contra ela pelo partido e por ele pr\u00f3prio, em 2014. Com tr\u00e2nsito internacional e trajet\u00f3ria de vida entre os mais pobres,\u00a0Marina\u00a0\u00e9 uma militante ambientalista e intelectual \u00e0 altura do desafio de encampar a agenda das agendas.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da integra\u00e7\u00e3o regional da\u00a0Am\u00e9rica do Sul, chamou a aten\u00e7\u00e3o a proposta vocalizada por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/625145-desafios-da-equipe-economica-de-haddad-vao-alem-das-metas-tera-de-enfrentar-a-oposicao-politico-ideologica-entrevista-especial-com-luiz-gonzaga-belluzzo\" rel=\"noopener noreferrer\">[Fernando] Haddad<\/a>\u00a0de resgate da moeda comum do\u00a0Mercosul. Pensar e formular ao redor da proposta moeda comum deve servir de plataforma para a problematiza\u00e7\u00e3o e a abertura de um largo campo de questionamentos e formula\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses interessados, al\u00e9m de coletivos e movimentos internacionalistas, \u00e0 semelhan\u00e7a dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/129\" rel=\"noopener noreferrer\">F\u00f3runs Sociais Mundiais<\/a>. A dimens\u00e3o monet\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um fator meramente econ\u00f4mico nesse processo, pois implica o desenvolvimento de redes de confian\u00e7a e solidariedade, para al\u00e9m das fronteiras, e na medida em que a vida da moeda \u00e9 animada pela coopera\u00e7\u00e3o social, a capacidade de gerar riqueza e multiplicar valores.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">No \u00e2mbito da integra\u00e7\u00e3o regional da Am\u00e9rica do Sul, chamou a aten\u00e7\u00e3o a proposta vocalizada por Haddad de resgate da moeda comum do Mercosul \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 Nos pronunciamentos, o presidente Lula n\u00e3o fez refer\u00eancia \u00e0 guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia nem \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na conjuntura internacional. Como interpreta esse sil\u00eancio e como o novo governo tende a se posicionar em rela\u00e7\u00e3o ao conflito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Cava \u2013<\/strong>\u00a0Antes da elei\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/618214-lula-e-a-esquerda-brasileira-cultivam-a-ambiguidade-sobre-a-guerra-na-ucrania\" rel=\"noopener noreferrer\">Lula<\/a>\u00a0esbo\u00e7ou uma postura equidistante entre [Vladimir]\u00a0Putin\u00a0e [Volodymyr]\u00a0Zelensky, colocando-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para intermediar as negocia\u00e7\u00f5es. O coment\u00e1rio aconteceu num tom informal e descompromissado, em discurso de campanha, por\u00e9m a cena n\u00e3o deixa de ser reveladora de como ele pensa. Em parte, decorre do papel de \u00e1rbitro universal que o presidente atribui a si. Em parte, deriva da influ\u00eancia ideol\u00f3gica de setores do\u00a0PT, que enxergam na\u00a0R\u00fassia\u00a0uma parceira geopol\u00edtica do\u00a0Brasil. Para estes setores de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica externa ligados ao partido, a amea\u00e7a maior para o posicionamento geopol\u00edtico do Brasil seriam a primazia norte-americana e as elites internas que se dariam por satisfeitas em permanecer como s\u00f3cias menores e subcapitalistas de\u00a0Washington. S\u00e3o ecos terceiro-mundistas, costurados com os panos velhos herdados da\u00a0Guerra Fria. Com frequ\u00eancia, ainda que se envernize com o brilho dos grandes esquemas e for\u00e7as macroestruturais, o \u201cargumento geopol\u00edtico\u201d esconde a insufici\u00eancia da leitura das tend\u00eancias do presente.<\/p>\n<p>O governo\u00a0Lula\u00a0precisa de um terreno de\u00a0reinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u00a0para n\u00e3o ser tragado pela in\u00e9rcia das tend\u00eancias na crise, o que significar\u00e1 o retorno ainda mais crespado de\u00a0Bolsonaro\u00a0ou de algo ainda pior. O que, por sua vez, depende de uma liga\u00e7\u00e3o com um devir mundial, na medida em que as pol\u00edticas interna e externa se articulam de v\u00e1rias maneiras. Na d\u00e9cada passada, o devir mundial era dado pelas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/574713\" rel=\"noopener noreferrer\">primaveras \u00e1rabes<\/a>, a seguir desdobradas numa sequ\u00eancia de revoltas e levantes, na\u00a0Espanha,\u00a0Turquia,\u00a0Brasil,\u00a0Ucr\u00e2nia\u00a0ou\u00a0Hong Kong. Como se sabe, o governo do\u00a0PT\u00a0e mais em geral as esquerdas petistas perderam o bonde, e terminamos, todos, sofrendo um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/186-noticias-2017\/574415-o-18-de-brumario-brasileiro\" rel=\"noopener noreferrer\">18 de brum\u00e1rio brasileiro<\/a>, como no livro de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/525\" rel=\"noopener noreferrer\">Marx<\/a>\u00a0sobre o fim t\u00e9trico da\u00a0Segunda Rep\u00fablica Francesa.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O governo Lula precisa de um terreno de reinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica para n\u00e3o ser tragado pela in\u00e9rcia das tend\u00eancias na crise \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Globaliza\u00e7\u00e3o: duas propens\u00f5es estruturais<\/strong><\/p>\n<p>Nesta d\u00e9cada, a\u00a0globaliza\u00e7\u00e3o\u00a0se divide politicamente em duas propens\u00f5es estruturais. De um lado, a sa\u00edda das\u00a0novas direitas, que se articulam numa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625379-steve-bannon-e-aliados-de-donald-trump-comemoram-capitolio-brasileiro\" rel=\"noopener noreferrer\">Internacional reacion\u00e1ria ou bannonista<\/a>, e que reterritorializa figuras do retorno \u00e0 ordem: m\u00e3e-p\u00e1tria, fam\u00edlia nuclear, cristianismo verdadeiro. Do outro lado, no interior das\u00a0democracias liberais, abriu-se um espa\u00e7o de o reencantamento da defesa do\u00a0iluminismo, que poder\u00edamos chamar de tend\u00eancia de\u00a0democratiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata, exatamente, de uma dicotomia entre democracias e autocracias, como faria supor um discurso mais ilustrado liberal. A clivagem atravessa os pa\u00edses e provoca tens\u00f5es intestinais nas sociedades: trumpistas, bolsonaristas, direitas xen\u00f3fobas europeias, putinistas, tankies, contra as frentes amplas que abarcam desde liberais conservadores at\u00e9 esquerdas extraparlamentares. A\u00a0China\u00a0ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita pouco clara nesse dualismo em forma\u00e7\u00e3o, mas a\u00a0R\u00fassia putinista\u00a0j\u00e1 tomou a dianteira, pretendendo liderar o projeto reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o elaborada por\u00a0Putin\u00a0e assumida por seus simpatizantes e seguidores, a multipolaridade nos discursos n\u00e3o significa o fortalecimento de inst\u00e2ncias multilaterais e organismos de direito internacional, mas multi-imperialismo, a divis\u00e3o do globo em zonas de influ\u00eancia, com a institui\u00e7\u00e3o de uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/621436-a-santa-alianca-do-seculo-xxi-e-o-putinismo-difuso-como-reacoes-as-manifestacoes-por-direitos-sociais-entrevista-especial-com-bruno-cava\" rel=\"noopener noreferrer\">Santa Alian\u00e7a<\/a>\u00a0formada por\u00a0China,\u00a0R\u00fassia\u00a0(l\u00edder de um futuro bloco eurasiano que englobaria a Europa) e\u00a0Estados Unidos\u00a0(com a volta dos\u00a0neocons).\u00a0Seu sonho \u00e9 sentar-se ao lado dos estadistas para retalhar as \u00e1reas de influ\u00eancia reservadas a cada um dos membros da tr\u00edade, \u00e0 maneira da\u00a0Confer\u00eancia de Ialta. Dentro desse sistema-mundo multi-imperialista, sem armas nucleares e nem aspira\u00e7\u00e3o de se constituir em\u00a0hegemon,\u00a0o estado brasileiro n\u00e3o tem como se inserir com protagonismo. Se\u00a0Putin\u00a0se imagina o\u00a0novo St\u00e1lin, devidamente de-comunizado, [Joe]\u00a0Biden\u00a0caminha no sentido da tradi\u00e7\u00e3o rooseveltiana, contr\u00e1ria \u00e0 divis\u00e3o verticalizada do mundo em zonas de influ\u00eancia, pol\u00edtica que acabou sendo encampada por [Harry]\u00a0Truman\u00a0depois da morte de [Franklin]\u00a0Roosevelt, em abril de 1945.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Se Putin se imagina o novo St\u00e1lin, devidamente de-comunizado, Biden caminha no sentido da tradi\u00e7\u00e3o rooseveltiana, contr\u00e1ria \u00e0 divis\u00e3o verticalizada do mundo em zonas de influ\u00eancia \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O presidente americano do\u00a0<strong>Partido Democrata<\/strong>\u00a0n\u00e3o est\u00e1 repetindo para a\u00a0<strong>Ucr\u00e2nia<\/strong>\u00a0a atitude estrat\u00e9gica amb\u00edgua de [<strong>Barack<\/strong>]\u00a0<strong>Obama<\/strong>, assim como o chanceler alem\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/615377\" rel=\"noopener noreferrer\">[Olaf] Scholz<\/a>, depois do discurso do\u00a0<em>Zeitenwende<\/em>\u00a0[mudan\u00e7a de era ou paradigma, ponto de inflex\u00e3o], n\u00e3o est\u00e1 repetindo a linha bifronte de [<strong>Angela<\/strong>]\u00a0<strong>Merkel<\/strong>. Ambos os l\u00edderes, dos\u00a0<strong>EUA<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>Alemanha<\/strong>, assumiram a ruptura interna em rela\u00e7\u00e3o a qualquer pol\u00edtica de\u00a0<em>appeasement<\/em>\u00a0a\u00a0<strong>Putin<\/strong>\u00a0e ao regime putinista \u2013 pol\u00edtica que (cinicamente) pretendia civiliz\u00e1-lo por meio do com\u00e9rcio, divergindo inclusive das linhas adotadas pelos respectivos partidos anteriormente.<\/p>\n<p>Guerra na Ucr\u00e2nia e as novas linhas da globaliza\u00e7\u00e3o. Impactos globais e no Brasil:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lDb1zS4Nudg\" width=\"100%\" height=\"450\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Se pensarmos do ponto de vista do estado brasileiro, ser\u00e1 dif\u00edcil que se imponha ao\u00a0Itamaraty\u00a0a posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da ala petista, que camufla os velhos argumentos terceiro-mundistas pelo designativo relativamente vazio, quase folcl\u00f3rico, de \u201cSul Global\u201d. Quando um pa\u00eds invade outro sem\u00a0casus belli, como a\u00a0R\u00fassia invadiu a Ucr\u00e2nia, a equidist\u00e2ncia se torna insustent\u00e1vel sem com isso ferir a tradi\u00e7\u00e3o de defesa dos princ\u00edpios do direito internacional p\u00fablico e da\u00a0Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O estado brasileiro, membro-fundador da\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 ONU\u00a0em 1945, apoia sistematicamente a n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e o respeito \u00e0 integridade territorial. O grau de viola\u00e7\u00e3o aos direitos de\u00a0Haia\u00a0e\u00a0Genebra, na invas\u00e3o russa de fevereiro passado, foi t\u00e3o acintoso que nem mesmo\u00a0Bolsonaro, simp\u00e1tico ideologicamente a\u00a0Putin\u00a0e ao\u00a0extremismo\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/616962-dugin-e-a-russia-de-putin\" rel=\"noopener noreferrer\">[Alex\u00e1ndr] Dugin<\/a>\u00a0e abertamente alinhado \u00e0s\u00a0novas direitas trumpistas nos EUA, p\u00f4de impedir que o\u00a0Brasil\u00a0votasse desfavoravelmente \u00e0\u00a0guerra de agress\u00e3o da R\u00fassia\u00a0na\u00a0ONU.<\/p>\n<p>Aqui, o\u00a0Brasil\u00a0pode se beneficiar da linha de democratiza\u00e7\u00e3o internacional, pois ajuda a desarmar as frentes reacion\u00e1rias e golpistas internas, como tamb\u00e9m contribuir para ela, levando o ingrediente social, de renda e distribui\u00e7\u00e3o de riqueza, no que o pa\u00eds \u00e9 refer\u00eancia de experi\u00eancias e pol\u00edticas. No discurso de posse,\u00a0Lula\u00a0fala de aumentar o protagonismo, inclusive na\u00a0ONU, mas o fato \u00e9 que com neutralidade e oportunismo econ\u00f4mico n\u00e3o se vai longe. A reforma da ONU vai nascer da luta por reinven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em escala global, na qual podemos participar articulando as pol\u00edticas dom\u00e9stica e exterior.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Do ponto de vista do estado brasileiro, ser\u00e1 dif\u00edcil que se imponha ao Itamaraty a posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da ala petista, que camufla os velhos argumentos terceiro-mundistas \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 Alguns analistas est\u00e3o dizendo que a R\u00fassia perdeu a guerra. Concorda? Por qu\u00ea? Quais s\u00e3o as evid\u00eancias que corroboram ou n\u00e3o essa afirma\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Cava<\/strong>\u00a0\u2013 Sim e n\u00e3o. Explico.<\/p>\n<p>Se pensarmos clausewitzianamente, que a guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, ent\u00e3o vit\u00f3ria e derrota podem ser definidas mediante a conquista ou n\u00e3o dos objetivos pol\u00edticos tra\u00e7ados pelo regime que escolhe a guerra como m\u00e9todo ou que a sofre pela agress\u00e3o de outro. Neste caso, se considerarmos os objetivos pol\u00edticos definidos, a\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>\u00a0perdeu. Seus tr\u00eas objetivos pol\u00edticos declarados eram: 1) impedir o avan\u00e7o da\u00a0<strong>Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte \u2013 OTAN<\/strong>,\u00a02) \u201c<strong>desnazificar<\/strong>\u201d e 3)\u00a0<strong>desmilitarizar a Ucr\u00e2nia<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Impedir o avan\u00e7o da OTAN<\/strong><\/p>\n<p>Quanto ao primeiro objetivo, falhou, na medida em que a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/618777\" rel=\"noopener noreferrer\">OTAN<\/a>\u00a0n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 avan\u00e7ando com a entrada de\u00a0Su\u00e9cia\u00a0e\u00a0Finl\u00e2ndia, como o or\u00e7amento militar dos estados-membros vem crescendo, os\u00a0Estados Unidos\u00a0e o\u00a0Reino Unido\u00a0se tornaram l\u00edderes do bloco europeu e foi consolidada uma unidade estrat\u00e9gica anti-Putin entre anglo-americanos, pa\u00edses do\u00a0Leste Europeu\u00a0e\u00a0Uni\u00e3o Europeia\u00a0em geral, inclusive contando com a\u00a0Alemanha, a\u00a0It\u00e1lia\u00a0e a\u00a0Fran\u00e7a, que costumavam suscitar ressalvas \u00e0s medidas de conten\u00e7\u00e3o do imperialismo russo. Ademais,\u00a0Putin\u00a0n\u00e3o conseguiu formar uma coaliz\u00e3o com a China, que vem mantendo posturas anfibol\u00f3gicas, sobre a invas\u00e3o de fevereiro passado, e mal tem conseguido arregimentar a\u00a0Belarus\u00a0para o esfor\u00e7o de guerra.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">\u201cDesnazificar\u201d a Ucr\u00e2nia em putin\u00eas, pode ser traduzido para des-ucranizar, isto \u00e9, depur\u00e1-la de elementos patri\u00f3ticos e reintegr\u00e1-la manu militare \u00e0 Grande R\u00fassia \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>\u201cDesnazificar\u201d a Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n<p>Sobre o segundo objetivo, \u201cdesnazificar\u201d, primeiro \u00e9 preciso esclarecer que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com alguma\u00a0luta antifascista. Dentro da doutrina informacional russa da dezinformatsiya,\u00a0Putin\u00a0joga com os signos e a mem\u00f3ria da\u00a0Grande Guerra Patri\u00f3tica, como ficou conhecido o front europeu oriental da\u00a0Segunda Guerra. Embora tenha participa\u00e7\u00e3o marginal na vida pol\u00edtica da\u00a0Ucr\u00e2nia, \u00e9 verdade que h\u00e1 regimentos com caracteres ultranacionalistas e at\u00e9 mesmo neonazis, mas quem vem praticando o fascismo na concretude \u00e9 o ex\u00e9rcito invasor, sem falar que o regime putinista flerta ele pr\u00f3prio com derivas fascistas na R\u00fassia. \u201cDesnazificar\u201d\u00a0a Ucr\u00e2nia, em putin\u00eas, pode ser traduzido para des-ucranizar, isto \u00e9, depur\u00e1-la de elementos patri\u00f3ticos e reintegr\u00e1-la\u00a0manu militare\u00a0\u00e0 Grande R\u00fassia, assim revertendo a recente tend\u00eancia de alinhamento do pa\u00eds \u00e0\u00a0Uni\u00e3o Europeia\u00a0e \u00e0\u00a0OTAN, de prefer\u00eancia com a deposi\u00e7\u00e3o do governo em\u00a0Kyiv. Mas como o ataque decapitador sobre\u00a0Kyiv\u00a0foi um fracasso militar vexaminoso, a popula\u00e7\u00e3o ucraniana terminou galvanizando-se ao redor da luta de independ\u00eancia nacional, o que alavancou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/616929-zelensky-heroi-iconopolitico-artigo-de-frederic-bisson\" rel=\"noopener noreferrer\">Zelensky a her\u00f3i iconopol\u00edtico<\/a>, frequente capa de jornais e revistas pelo mundo todo. Em suma, ocorreu o exato oposto do que Putin esperava cumprir: desmoralizar a lideran\u00e7a ucraniana, desacreditar as pretens\u00f5es independentistas e russificar os territ\u00f3rios ao leste do rio Dnipro.<\/p>\n<p><strong>Desmilitarizar a Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n<p>Finalmente, quanto ao terceiro objetivo, de\u00a0desmilitarizar a Ucr\u00e2nia, neutralizando as suas for\u00e7as armadas, a invas\u00e3o fracassou espetacularmente. O volume de apoio b\u00e9lico, log\u00edstico e informacional \u00e0 Ucr\u00e2nia tem sido semelhante \u00e0s linhas de fornecimento da\u00a0Trilha Ho Chi Mihn\u00a0durante a\u00a0guerra do Vietn\u00e3, ou do\u00a0Lend-Lease Act\u00a0com que os\u00a0Estados Unidos\u00a0equiparam e\u00a0armaram a\u00a0Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u00a0para resistir \u00e0\u00a0Wehrmacht\u00a0depois de 1941, na\u00a0Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A guerra est\u00e1 em aberto, det\u00e9m uma dimens\u00e3o global pronunciada e somente se resolve na articula\u00e7\u00e3o entre o interno e o externo, o local e o global \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Guerra como continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>A resposta se a R\u00fassia j\u00e1 perdeu tamb\u00e9m pode ser n\u00e3o, se problematizarmos a concep\u00e7\u00e3o clausewitziana de guerra e deslocarmos a defini\u00e7\u00e3o de vit\u00f3ria e derrota. No come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, [Carl von]\u00a0Clausewitz\u00a0foi um estrategista do projeto de reequil\u00edbrio europeu no contexto das guerras napole\u00f4nicas. Para ele, o grande inimigo das monarquias europeias era\u00a0Napole\u00e3o Bonaparte, que ele enxergava o corso como personifica\u00e7\u00e3o das turba\u00e7\u00f5es da\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, espalhando caos e quebra das hierarquias por todo o continente.<\/p>\n<p>A geopol\u00edtica do balan\u00e7o europeu que\u00a0Clausewitz\u00a0defendia trazia embutida a perspectiva contrarrevolucion\u00e1ria. Seu foco era pacificar as revoltas e encerrar a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, e dentro desse esp\u00edrito se inseria a ci\u00eancia da guerra do escritor nascido na Pr\u00fassia, voltada a restaurar a ordem continental dos estados mon\u00e1rquicos absolutistas e blind\u00e1-los diante das eclos\u00f5es de levantes populares e reformas liberais. Por isso, contrariando as ordens que recebera do estado-maior prussiano,\u00a0Clausewitz\u00a0lutou do lado das tropas czaristas contra\u00a0La Grande Arm\u00e9e, durante a\u00a0invas\u00e3o da R\u00fassia\u00a0de 1812. Em 1830, quando explode a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o de Julho\u00a0em\u00a0Paris, Clausewitz envia uma missiva ao estado-maior da Pr\u00fassia recomendando a forma\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a conservadora para a imediata\u00a0invas\u00e3o da Fran\u00e7a, \u201cpara evitar o surgimento de um novo Napole\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A guerra na Ucr\u00e2nia n\u00e3o vai se resolver t\u00e3o cedo e adquire cada dia mais um aspecto central no futuro da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ent\u00e3o, ao falar que a guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica,\u00a0Clausewitz\u00a0estava se referindo a um tipo espec\u00edfico de pol\u00edtica: a\u00a0contrarrevolu\u00e7\u00e3o, a\u00a0raison d\u2019\u00eatre\u00a0da guerra conduzida externamente \u00e9 suprimir as oposi\u00e7\u00f5es internas e garantir a seguran\u00e7a do estado. Nesse sentido mais rigoroso da m\u00e1xima clausewitziana, da guerra como corol\u00e1rio de uma pol\u00edtica de contrarrevolu\u00e7\u00e3o, a\u00a0guerra na Ucr\u00e2nia\u00a0est\u00e1 servindo at\u00e9 agora \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es internas, neutraliza\u00e7\u00e3o de ciclos de protestos e perpetua\u00e7\u00e3o das elites dirigentes. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/616711\" rel=\"noopener noreferrer\">guerra na Ucr\u00e2nia<\/a>\u00a0em 2022 \u00e9 o \u00faltimo cap\u00edtulo, o mais brutal e homicida, da longa restaura\u00e7\u00e3o do ciclo desencadeado pelas primaveras \u00e1rabes, que come\u00e7aram na cidade de T\u00fanis, em dezembro de 2010. A rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre s\u00f3 na\u00a0R\u00fassia, como tamb\u00e9m na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/625033\" rel=\"noopener noreferrer\">teocracia feminicida no Ir\u00e3<\/a>\u00a0ou na\u00a0ditadura s\u00edria\u00a0que, com apoio armado russo, esmagou as revoltas espoucadas pelas\u00a0primaveras \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Existe a\u00ed, novamente, a liga\u00e7\u00e3o com a tend\u00eancia de\u00a0democratiza\u00e7\u00e3o\u00a0e com o devir mundial: a\u00a0situa\u00e7\u00e3o ucraniana\u00a0\u00e9 zona nevr\u00e1lgica dessa clivagem que atravessa os pa\u00edses, motivo pelo que o governo brasileiro deve atentar bem nos seus alinhamentos e posicionamentos, pois repercutir\u00e3o em profundidade ao longo do tempo. Colocando dessa maneira o problema de vencer ou perder uma guerra, s\u00f3 se poder\u00e1 dizer que\u00a0Putin\u00a0e seus aliados perderam a guerra se forem destitu\u00eddos no home front, por lutas e levantes em seus pr\u00f3prios pa\u00edses, que promovam a abertura e a democratiza\u00e7\u00e3o das respectivas sociedades. Enquanto isso n\u00e3o acontecer, a guerra est\u00e1 em aberto, det\u00e9m uma dimens\u00e3o global pronunciada e somente se resolve na articula\u00e7\u00e3o entre o interno e o externo, o local e o global.<\/p>\n<p>Guerra R\u00fassia x Ucr\u00e2nia completa 100 dias: relembre v\u00eddeos marcantes do conflito:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Sq9C-PiGQww\" width=\"100%\" height=\"450\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 No pr\u00f3ximo m\u00eas, a guerra completar\u00e1 um ano. Quais as expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao conflito neste ano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Cava \u2013<\/strong>\u00a0Toda\u00a0guerra\u00a0de atrito prolongada se move por um sistema interdependente de engrenagens e fontes combust\u00edveis. Apenas quando um dos fatores romper por desgaste ou se exaurir, o maquin\u00e1rio como um todo para, e a guerra tende a congelar segundo linhas de\u00a0cessar-fogo, reclamando por uma solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica mais duradoura. Enquanto isso n\u00e3o acontecer, a\u00a0diplomacia\u00a0\u00e9 apenas um instrumento de poder mobilizado para as metas da pr\u00f3pria guerra, a par dos instrumentos militar, econ\u00f4mico, informacional etc., e contribuindo para o esfor\u00e7o de cada pa\u00eds em alcan\u00e7ar seus pr\u00f3prios objetivos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Dito isto, praticamente todas as engrenagens da\u00a0guerra da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia\u00a0est\u00e3o sofrendo intenso desgaste e podem virtualmente emperrar em 2023, mas algumas s\u00e3o mais cr\u00edticas do que outras.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Todas as engrenagens da guerra da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia est\u00e3o sofrendo intenso desgaste e podem virtualmente emperrar em 2023 \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Lado ucraniano<\/strong><\/p>\n<p>Do lado ucraniano, o estado da economia nacional, cujo\u00a0PIB\u00a0despencou e inteiras cadeias de servi\u00e7o e produ\u00e7\u00e3o foram inviabilizadas, bombardeado constantemente em sua infraestrutura b\u00e1sica, \u00e9 cr\u00edtico. A estrat\u00e9gia putinista \u00e9 mostrar aos ucranianos que o custo em continuar ser\u00e1 maior do que qualquer ganho que eles possam esperar obter com as regi\u00f5es perdidas entre 2014 e 2022. O erro dessa estrat\u00e9gia, desde o in\u00edcio, consiste na subestima\u00e7\u00e3o por\u00a0Putin\u00a0da obstina\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica, j\u00e1 que a maior parte dos ucranianos est\u00e1 sustentando o esfor\u00e7o de guerra mesmo com toda a devasta\u00e7\u00e3o sofrida, vista como consequ\u00eancia de uma\u00a0guerra justa\u00a0de liberta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao jugo da antiga. Outra pe\u00e7a cr\u00edtica nos mecanismos que sustentam o esfor\u00e7o ucraniano reside na capacidade de repor muni\u00e7\u00f5es e componentes militares, no que as for\u00e7as armadas locais s\u00e3o muito dependentes da manuten\u00e7\u00e3o de altos fluxos de suporte vindo dos pa\u00edses da\u00a0OTAN.<\/p>\n<p>No m\u00e9dio prazo, como a estrat\u00e9gia putinista de congelar os europeus e desestabilizar seus governos tamb\u00e9m n\u00e3o deu certo, a\u00a0Ucr\u00e2nia\u00a0deve conseguir se manter. No longo prazo, contudo, dificilmente pode competir com o parque industrial russo. A vari\u00e1vel industrial ser\u00e1 determinante para horizontes de conflito que superem um par de anos, o que exigir\u00e1 um aumento do n\u00edvel de compromisso dos aliados para remodelar seus parques produtivos e ind\u00fastrias de defesa para suportar a Ucr\u00e2nia, sob o risco de acabar sendo superada pela maior magnitude produtiva da\u00a0R\u00fassia, dada sua vantagem descomunal em fontes energ\u00e9ticas e recursos minerais.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">No longo prazo [a Ucr\u00e2nia] dificilmente pode competir com o parque industrial russo. A vari\u00e1vel industrial ser\u00e1 determinante para horizontes de conflito que superem um par de anos \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Lado russo<\/strong><\/p>\n<p>Do lado russo, a engrenagem prestes a romper \u00e9 a capacidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica de mobilizar tropas e equipamentos. A\u00a0R\u00fassia\u00a0perdeu boa parte de seu efetivo profissional bem treinado, suas tropas de elite, na primeira fase da invas\u00e3o, que fracassou. Apesar dos decretos de mobiliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, a qualidade das tropas russas geradas tem sido baixa, seus equipamentos s\u00e3o inconsistentes, e a moral e disciplina dos recrutas cada vez mais fr\u00e1gil, faltando um senso b\u00e1sico de prop\u00f3sito. Invadir um pa\u00eds \u00e9 muito mais f\u00e1cil do que mant\u00ea-lo sob ocupa\u00e7\u00e3o, como os americanos comprovaram no\u00a0Iraque\u00a0ou\u00a0Afeganist\u00e3o. Obviamente que, no territ\u00f3rio da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/621242\" rel=\"noopener noreferrer\">Crimeia<\/a>\u00a0anexada em 2014 e em algumas partes do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/618101-putin-zelensky-a-licao-da-historia-artigo-de-francesco-sisci\" rel=\"noopener noreferrer\">Donbas<\/a>, cuja\u00a0guerra de baixa intensidade\u00a0j\u00e1 conta oito anos, a diferen\u00e7a de motiva\u00e7\u00e3o entre russos e ucranianos passa a ser um gradiente, n\u00e3o sendo t\u00e3o binariamente marcada como noutros territ\u00f3rios, como vimos em\u00a0Kyiv,\u00a0Kharkiv\u00a0ou\u00a0Kherson. Parte da popula\u00e7\u00e3o ucraniana que n\u00e3o fugiu ou foi deportada n\u00e3o se enxerga sob a\u00a0ocupa\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito estrangeiro e muitos det\u00eam um passaporte russo, para n\u00e3o falar das solu\u00e7\u00f5es de compromisso e ambiguidade que popula\u00e7\u00f5es em regi\u00f5es de conflito tendem a manifestar.<\/p>\n<p>Outra engrenagem bastante cr\u00edtica para a\u00a0R\u00fassia\u00a0\u00e9 a sa\u00fade da cadeia de suprimentos de alto valor agregado, dependente de componentes que n\u00e3o s\u00e3o fabricados no pa\u00eds e de dif\u00edcil reengenharia. As san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas est\u00e3o cobrando seu pre\u00e7o para a reposi\u00e7\u00e3o dos equipamentos com maior tecnologia incorporada, cuja substitui\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 imediata nem simples de equacionar junto ao parque industrial. Por causa disso, se est\u00e1 verificando, no campo de batalha, uma cad\u00eancia decrescente no emprego de m\u00edsseis de cruzeiro contra as cidades ucranianas, sendo substitu\u00eddos por drones iranianos.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A R\u00fassia perdeu boa parte de seu efetivo profissional bem treinado, suas tropas de elite, na primeira fase da invas\u00e3o, que fracassou \u2013 Bruno Cava<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ao passo que o ex\u00e9rcito da R\u00fassia recorre aos obsoletos (por\u00e9m imensos) dep\u00f3sitos da antiga\u00a0URSS, a\u00a0Ucr\u00e2nia\u00a0vai atualizando e substituindo seus sistemas militares por um padr\u00e3o mais moderno da\u00a0OTAN. Como resultado disso, a R\u00fassia espera compensar o des\u00e1gio tecnol\u00f3gico com quantidade e for\u00e7a bruta, o que, em contrapartida, provoca mais baixas e maior press\u00e3o social contra os decretos de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de termos um volume de informa\u00e7\u00e3o, em tempo real, superior do que em guerras passadas, os analistas com pensamento cr\u00edtico hoje divergem sobre os pesos atribu\u00eddos a cada fator envolvido no maquin\u00e1rio de guerra e seus efeitos entrecruzados, nos diferentes horizontes de desdobramento do conflito. \u00c9 consensual, contudo, que a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/621554\" rel=\"noopener noreferrer\">guerra na Ucr\u00e2nia<\/a>\u00a0n\u00e3o vai se resolver t\u00e3o cedo e que adquira, cada dia mais, um aspecto central no futuro da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista. A menos que em breve vejamos uma reviravolta pol\u00edtica na\u00a0Federa\u00e7\u00e3o Russa, talvez a vari\u00e1vel mais obscura para quem n\u00e3o est\u00e1 dentro do pa\u00eds, a guerra lamentavelmente deve prosseguir ao longo de 2023, provocando ainda mais milhares de baixas militares e civis, impactos de toda sorte nos fluxos de abastecimento, energia e migrat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A\u00a0jovem rep\u00fablica ucraniana, dadas as condi\u00e7\u00f5es iniciais, j\u00e1 ganhou. At\u00e9 agora, ganhou estrategicamente, politicamente, inclusive militarmente. O problema \u00e9 que, mesmo perdendo consecutivamente os\u00a0rounds\u00a0e sofrendo atritos gigantescos, a\u00a0R\u00fassia\u00a0\u00e9 um\u00a0Behemot que lutou duas guerras mundiais e se armou at\u00e9 os dentes para uma terceira, com resili\u00eancia na reposi\u00e7\u00e3o das perdas e na absor\u00e7\u00e3o de sofrimentos, que n\u00e3o parece pr\u00f3xima de jogar a toalha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Fachin &#8211; Entrevista especial com Bruno Cava \u201cA verdadeira limita\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 cont\u00e1bil ou de conjuntura internacional, mas pol\u00edtico-ideol\u00f3gica\u201d, diz o pesquisador \u201cPouco agudo, mas com alguns pontos inovadores\u201d, em \u201ccontinuidade com a\u00a0Carta ao Povo Brasileiro: conciliador, apaziguador, enxerga a Pol\u00edtica, escrita com mai\u00fascula no discurso, como mesa de negocia\u00e7\u00f5es para solucionar impasses 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