{"id":18761,"date":"2023-01-13T12:24:34","date_gmt":"2023-01-13T15:24:34","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18761"},"modified":"2023-01-09T11:26:00","modified_gmt":"2023-01-09T14:26:00","slug":"florestan-fernandes-e-os-panteras-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2023\/01\/13\/florestan-fernandes-e-os-panteras-negras\/","title":{"rendered":"Florestan Fernandes e os Panteras Negras"},"content":{"rendered":"<div id=\"__reading__mode__mainbody__id\" class=\"__reading__mode__mainbody\">\n<div id=\"mainContainer\" class=\"__reading__mode__extracted__article__body\">\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p><strong>PAULO FERNANDES SILVEIRA &#8211;\u00a0<\/strong>Coment\u00e1rio sobre uma entrevista do soci\u00f3logo.<\/p>\n<p>Em julho e agosto de 1995, poucos dias antes do erro m\u00e9dico que tiraria a vida de Florestan Fernandes, o jornalista Paulo Moreira Leite fez duas instigantes entrevistas com o soci\u00f3logo. Alguns excertos foram publicados nesse mesmo ano: na revista\u00a0<em>Veja<\/em>, em 9 de agosto, e no\u00a0<em>Jornal da Tarde<\/em>, em 19 de agosto. Anos depois, Leite revisitou esses trabalhos no ensaio \u201cO mestre que veio de baixo\u201d.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/p>\n<p>Entre os temas analisados por Florestan Fernandes nessas entrevistas est\u00e1 a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e policial que os Panteras Negras sofreram nos anos 1960 e 1970. O excerto que trata dos Panteras Negras n\u00e3o foi incorporado nas publica\u00e7\u00f5es de Leite, raz\u00e3o pela qual decidimos public\u00e1-lo a partir do arquivo com as transcri\u00e7\u00f5es originais das entrevistas.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/p>\n<p>O Partido Panteras Negras para Autodefesa foi criado em outubro de 1966,<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>\u00a0ap\u00f3s um longo per\u00edodo de protestos pac\u00edficos nos Estados Unidos contra a segrega\u00e7\u00e3o racial e em defesa dos direitos civis.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>\u00a0Em diversas ocasi\u00f5es, os grupos supremacistas brancos reagiram com viol\u00eancia. Em resposta \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es organizadas por jovens secundaristas e universit\u00e1rios, como as\u00a0<em>sit-ins<\/em>\u00a0e as\u00a0<em>freedom rides<\/em>, pessoas associadas \u00e0 Ku Klux Kan promoveram atentados e assassinados.<\/p>\n<p>Como destacam Kwame Ture (Stokely Carmichael) e Charles Hamilton, autores do livro\u00a0<em>Black power: a pol\u00edtica de liberta\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos<\/em>, a pol\u00edcia tamb\u00e9m coibiu os protestos pac\u00edficos com extrema viol\u00eancia.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>\u00a0Num discurso com o t\u00edtulo \u201cO voto ou a bala\u201d, realizado em abril de 1964, Malcolm X\u00a0<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>\u00a0questionou a efic\u00e1cia das estrat\u00e9gias pac\u00edficas de protesto contra a segrega\u00e7\u00e3o racial. Alguns meses depois, ele foi assassinado.<\/p>\n<p>Inspirados nos discursos de Malcolm X, mas tamb\u00e9m nos livros de Fantz Fanon, negras e negros dos Panteras Negras, em sua maioria, jovens estudantes universit\u00e1rios, vislumbram outras alternativas de resist\u00eancia. Tratava-se de defender o poder negro! Num tom de desabafo, afirma Kwame Ture: \u201cde uma vez por todas, as pessoas negras v\u00e3o usar as palavras que quiserem e n\u00e3o as palavras que os brancos querem ouvir\u201d.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>\u00a0Em seu programa, os Panteras Negras exigem o fim imediato da brutalidade policial e dos assassinatos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>\u00a0Pautados pela Segunda Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, os Panteras Negras justificam o uso da viol\u00eancia como forma de autodefesa, ou melhor, eles advogam pela contraviol\u00eancia.<\/p>\n<p>No primeiro cap\u00edtulo de\u00a0<em>Os Condenados da terra<\/em>, Frantz Fanon faz uma reflex\u00e3o cuidadosa sobre a viol\u00eancia dos opressores e a contraviol\u00eancia dos oprimidos nas lutas hist\u00f3ricas pela descoloniza\u00e7\u00e3o.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>\u00a0Na mesma perspectiva, Huey Newton, militante e te\u00f3rico dos Panteras Negras, aponta para a rela\u00e7\u00e3o entre a brutalidade policial e o fervor revolucion\u00e1rio da comunidade negra: \u201cquando as coisas apertam, as pessoas oprimidas sentem a necessidade da resist\u00eancia e da revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>\u00a0Justamente por serem os mais afetados pela opress\u00e3o, tanto para Fanon quanto para os Panteras Negras, os miser\u00e1veis, aqueles que Karl Marx afirma fazer parte do\u00a0<em>lumpenproletariat<\/em>, podem se tornar sujeitos fundamentais num processo revolucion\u00e1rio.\u00a0<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>\u00a0Em maio de 1971, quando ainda se encontrava presa numa cadeia da Calif\u00f3rnia, a pantera negra Angela Davis enfatiza: \u201cJ\u00e1 existe nas comunidades negras e pardas, o\u00a0<em>lumpenproletariat<\/em>\u00a0inclu\u00eddo, uma longa tradi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia coletiva \u00e0 opress\u00e3o nacional\u201d.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a><\/p>\n<p>Desde cedo os trabalhos acad\u00eamicos de Florestan Fernandes aproximaram-se dos grupos organizados do movimento negro. Em 1950, Florestan fez parte da comitiva paulista que participou, no Rio de Janeiro, do 1\u00ba Col\u00f3quio do Negro Brasileiro, coordenado pelo Teatro Experimental do Negro (TEN).<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a>\u00a0No in\u00edcio dos anos 1950, Roger Bastide e Florestan foram encarregados de dirigir a pesquisa UNESCO sobre as rela\u00e7\u00f5es raciais na cidade de S\u00e3o Paulo. Essa pesquisa contou com a contribui\u00e7\u00e3o de diversos militantes do movimento negro.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a><\/p>\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o do Caderno de Cultura da Associa\u00e7\u00e3o Cultural do Negro (ACN), publicado em 1958, registra um agradecimento a Florestan por uma confer\u00eancia sua realizada na associa\u00e7\u00e3o.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a>\u00a0Al\u00e9m de orientar as pesquisas de doutorado de alguns dos seus principais alunos sobre a quest\u00e3o racial no Brasil,<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>\u00a0Florestan Fernandes divulgou e analisou no meio acad\u00eamico e na grande imprensa as demandas e as produ\u00e7\u00f5es de intelectuais ligados ao movimento negro.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a><\/p>\n<p>No final dos anos 1970, ao voltar do ex\u00edlio nos Estados Unidos e no Canad\u00e1, Florestan participou de encontros com jovens universit\u00e1rios ligados ao efervescente movimento negro socialista que come\u00e7ava e despontar naquele momento no Brasil.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a>\u00a0Entre outros esc\u00e2ndalos de racismo e de viol\u00eancia policial, a tortura e assassinato do comerciante negro Robson Silveira da Luz, retratada num artigo do jornalista e militante Hamilton Cardoso,<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a>\u00a0motivaria uma enorme manifesta\u00e7\u00e3o de protesto, no dia 7 de julho de 1978, em frente ao Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo. Com a presen\u00e7a de lideran\u00e7as negras de diversas gera\u00e7\u00f5es, essa manifesta\u00e7\u00e3o foi um passo importante para a cria\u00e7\u00e3o do Movimento Negro Unificado (MNU).<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que as posi\u00e7\u00f5es defendidas pelos militantes dos Panteras Negras tenham moldado a leitura e a incorpora\u00e7\u00e3o que Florestan Fernandes faz dos livros de Fanon. Coordenador da Cole\u00e7\u00e3o Grandes Cientistas Sociais, publicada pela editora \u00c1tica, Florestan chegou a pedir, no final dos anos 1970, para Renato Ortiz elaborar um volume especial sobre Fanon.\u00a0<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a>\u00a0Em 1980, por reinvindica\u00e7\u00e3o dos alunos, Florestan Fernandes ministrou uma aula com o t\u00edtulo: \u201cNos marcos da viol\u00eancia\u201d. No final da sua explana\u00e7\u00e3o, Florestan argumenta que o papel do soci\u00f3logo militante \u00e9 ajudar o oper\u00e1rio a compreender que: \u201cluta de classes \u00e9 viol\u00eancia rec\u00edproca e que as classes trabalhadoras s\u00f3 podem liberar-se, em qualquer sentido e em qualquer dire\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do emprego maduro de sua capacidade pol\u00edtica de usar construtivamente a viol\u00eancia revolucion\u00e1ria\u201d.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn21\" name=\"_ednref21\">[xxi]<\/a><\/p>\n<p>No ano seguinte, Florestan publica\u00a0<em>O que \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. Nesse livro, Florestan sugere \u00e0s pessoas revolucion\u00e1rias que leiam e releiam o\u00a0<em>Manifesto comunista<\/em>, de Marx, mas n\u00e3o como se fosse um catecismo, uma vez que, \u201co mundo hist\u00f3rico para o qual ele foi calibrado n\u00e3o existe mais.\u201d\u00a0<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn22\" name=\"_ednref22\">[xxii]<\/a>\u00a0Ao ser questionado sobre as condi\u00e7\u00f5es de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista no Brasil atual, Florestan cita Fanon: \u201cEsse \u00e9 o grande dilema do cientista social: hoje voc\u00ea n\u00e3o tem como identificar uma classe que pare\u00e7a vinculada \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da ordem. Eu acredito que na periferia o problema \u00e9 mais simples. S\u00e3o os trabalhadores e principalmente os exclu\u00eddos, os que Frantz Fanon chamou de \u2018condenados da terra\u2019. Eles cont\u00eam a radicaliza\u00e7\u00e3o maior, aquela que exige que a ordem existente seja virada de cabe\u00e7a para baixo\u201d.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn23\" name=\"_ednref23\">[xxiii]<\/a><\/p>\n<p><strong>Excerto da entrevista de Florestan Fernandes a Paulo Moreira Leite, dia 2 de agosto de 1995.<\/strong><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn24\" name=\"_ednref24\">[xxiv]<\/a><\/p>\n<p>\u201cFlorestan Fernandes \u2013 Num pa\u00eds como os Estados Unidos, a severidade com que operam as for\u00e7as da ordem \u00e9 esmagadora. Eu estava no Canad\u00e1 quando os Panteras Negras foram perseguidos, pude acompanhar o que de fato estava acontecendo atrav\u00e9s dos jornais do Canad\u00e1 e dos Estados Unidos, atrav\u00e9s de fontes pessoais e nas minhas idas aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os Panteras usavam aquela arma como s\u00edmbolo de autodetermina\u00e7\u00e3o, quer dizer, aquela era a marca de que eles se defenderiam e poderiam tamb\u00e9m atacar na defesa de certos princ\u00edpios. Mas aqueles eram s\u00edmbolos, na verdade, a atividade pr\u00e1tica deles era muito mais assistencial, por exemplo, no Harlem.\u00a0<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn25\" name=\"_ednref25\">[xxv]<\/a><\/p>\n<p>Paulo Moreira Leite \u2013 Eles faziam trabalho assistencial no Harlem?<\/p>\n<p>Florestan Fernandes \u2013 Em v\u00e1rias regi\u00f5es. Eles tinham consci\u00eancia de que constitu\u00edam um grupo pequeno e que n\u00e3o poderiam propor uma solu\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria efetiva e imediata.<\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o do pensamento deles era complexa, porque fazia uma s\u00edntese entre conhecimentos da \u00c1frica e conhecimentos ocidentais. Em longo prazo, eles eram revolucion\u00e1rios, porque diziam que a alternativa do negro era atingir a igualdade que n\u00e3o estava na mudan\u00e7a gradual, mas em transforma\u00e7\u00f5es profundas da ordem existente. Uma coisa \u00e9 o que se pensa com rela\u00e7\u00e3o a um futuro que \u00e9 remoto e que pode definir princ\u00edpios gerais de uma filosofia pol\u00edtica, e outra coisa \u00e9 p\u00f4r isso em pr\u00e1tica com a ideia de estabelecer uma ponte entre o presente e o futuro de uma forma funcional, de modo que atingisse a popula\u00e7\u00e3o branca.<\/p>\n<p>O que veio em seguida? Veio a insubordina\u00e7\u00e3o dos Panteras, que n\u00e3o aceitavam de uma forma passiva a domina\u00e7\u00e3o racial, eles acabaram sendo definidos como inimigos da ordem que deveriam ser destru\u00eddos. Ent\u00e3o, o racioc\u00ednio b\u00e1sico era: o bom Pantera \u00e9 o Pantera morto.<\/p>\n<p>Paulo Moreira Leite \u2013 Eles mataram muitos.<\/p>\n<p>Florestan Fernandes \u2013 A pol\u00edcia era chamada e sobre isso tem muito material na imprensa norte-americana e canadense, nas revistas e agora tamb\u00e9m em an\u00e1lises.<\/p>\n<p>Paulo Moreira Leite \u2013 Uma vez esteve um Pantera Negra na casa do senhor?<\/p>\n<p>Florestan Fernandes \u2013 Eu omito.<\/p>\n<p>Com essa ideia macabra de que o bom Pantera \u00e9 um Pantera morto, quando os Panteras se reuniam em um local, em pr\u00e9dios de apartamentos, por exemplo, a pol\u00edcia j\u00e1 era avisada e surgia ali para prender e levar para a cadeia, submeter a processo jur\u00eddico. Surgia atirando para exterminar\u201d.<a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_edn26\" name=\"_ednref26\">[xxvi]<\/a><\/p>\n<p><strong>*Paulo Fernandes Silveira<\/strong>\u00a0<em>\u00e9 professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP e pesquisador no Grupo de Direitos Humanos do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a>\u00a0LEITE, Paulo Moreira. O mestre que veio de baixo. In. LEITE, P.\u00a0<em>A mulher que era o general da casa: hist\u00f3rias da resist\u00eancia civil \u00e0 ditadura<\/em>. Porto Alegre: Arquip\u00e9lago Editorial, 2012, p. 76-91.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a>\u00a0A transcri\u00e7\u00e3o das entrevistas est\u00e1 acess\u00edvel para consulta na Biblioteca Comunit\u00e1ria da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos. A c\u00f3pia digitalizada desse arquivo me foi presenteada pelo meu amigo Diogo Valen\u00e7a de Azevedo Costa, professor e pesquisador da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB).<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a>\u00a0Seu nome original era Black Panther Party for Self-Defense. Sobre a hist\u00f3ria do movimento Black Power, conferir o livro: OGBAR, Jeffrey.\u00a0<em>Black power<\/em>: radical politics and african american identity. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2019.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a>\u00a0Conferir sobre o tema dos protestos n\u00e3o-violentos: SILVEIRA, Paulo. Lutas e can\u00e7\u00f5es contra a segrega\u00e7\u00e3o racial nos Estados Unidos,\u00a0<em>Jornal GGN<\/em>, 19\/02\/2022. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/eua-canada\/lutas-e-cancoes-contra-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos-por-paulo-fernandes-silveira\/\">https:\/\/jornalggn.com.br\/eua-canada\/lutas-e-cancoes-contra-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos-por-paulo-fernandes-silveira\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a>\u00a0TURE, Kwame (Stokely Carmichael); HAMILTON, Charles.\u00a0<em>Black Power<\/em>: a pol\u00edtica de liberta\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos. S\u00e3o Paulo: Janda\u00edra, 2021.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a>\u00a0 X, Malcolm. O voto ou a bala. In: X, Malcolm.\u00a0<em>Fala<\/em>. S\u00e3o Paulo: UBU editora, 2021, p. 44-85.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a>\u00a0TURE, Kwame (Stokely Carmichael). Que queremos,\u00a0<em>Cuadernos de Marcha<\/em>, (edi\u00e7\u00e3o especial sobre \u201cEl poder Negro\u201d), n. 12, 119-125, abril de 1968. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/anaforas.fic.edu.uy\/jspui\/handle\/123456789\/38806\">https:\/\/anaforas.fic.edu.uy\/jspui\/handle\/123456789\/38806<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a>\u00a0NEWTON, Huey.\u00a0<em>To die for the people. The writings of Huey P. Newton<\/em>. New York: Vintage Books, 1972, p. 4.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a>\u00a0FANON, Frantz.\u00a0<em>Os condenados da terra<\/em>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1968. Sobre a contraviol\u00eancia em Fanon, conferir o texto: BUTLER, Judith. Violencia, no viol\u00eancia. Sartre en torno a Fanon. In. FANON, Frantz.\u00a0<em>Piel negra, m\u00e1scaras blancas<\/em>. Madrid: Ediciones Akal, 2009, p. 193-216.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a>\u00a0NEWTON, Huey.\u00a0<em>To die for the people.\u00a0<\/em><em>The writings of Huey P. Newton<\/em>. New York: Vintage Books, 1972, p. 18. Sobre a influ\u00eancia de Fanon nas posi\u00e7\u00f5es de Huey Newton, conferir o livro: SEALE, Bobby.\u00a0<em>Agarrar el tiempo.<\/em>\u00a0<em>La historia del Black Panther Party y Huey P. Newton<\/em>. Madrid: Postmetropolis Editorial; Euro-Mediterranean University Institute, 2018, p. 39-49.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a>\u00a0Segundo Marx, nas insurrei\u00e7\u00f5es de 1848, pessoas do\u00a0<em>lumpemproletariado<\/em>\u00a0lutaram por dinheiro contra oper\u00e1rios franceses: \u201cCom essa finalidade o governo provis\u00f3rio instituiu os 24 batalh\u00f5es da\u00a0<em>Guarda M\u00f3vel<\/em>, cada um composto de mil homens recrutados entre os jovens de quinze a vinte anos oriundos, em grande parte, do\u00a0<em>lumpemproletariado<\/em>, que, em todas as grandes cidades, compunha uma massa que se distinguia claramente do proletariado industrial e na qual eram recrutados ladr\u00f5es e criminosos de todo tipo, que viviam das sobras da sociedade, gente sem trabalho fixo, vadios (\u2026), capazes dos maiores hero\u00edsmos e da mais exaltada abnega\u00e7\u00e3o, bem como do mais ordin\u00e1rio banditismo e da mais nojenta venalidade.\u201d MARX, Karl.\u00a0<em>As lutas de classes na Fran\u00e7a<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2012, p. 55.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a>\u00a0DAVIS, Angela. (Ed.).\u00a0<em>If they come in the morning: voices of resistance<\/em>. London; New York: Verso, 2016, p. 36. Tradu\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo citado dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/revistageni.org\/11\/prisioneirxs-politicxs-prisoes-e-libertacao-negra\/?fbclid=IwAR2m6qHT1MtIdArJ-joeSis3OLcRfN3GGBoEhh6ah5i4vm2RUySP4SCTQ0E\">https:\/\/revistageni.org\/11\/prisioneirxs-politicxs-prisoes-e-libertacao-negra\/?fbclid=IwAR2m6qHT1MtIdArJ-joeSis3OLcRfN3GGBoEhh6ah5i4vm2RUySP4SCTQ0E<\/a>\u00a0Os Panteras Negras pretendiam ser representantes da massa prolet\u00e1ria (<em>lumpemproletariat<\/em>): TURE, Kwame (Stokely Carmichael).\u00a0<em>Stokely fala<\/em>.\u00a0<em>Do poder preto ao pan-africanismo<\/em>. Di\u00e1spora Africana: Editora Filhos da \u00c1frica, 2017, p. 219. Sobre o poder revolucion\u00e1rio do\u00a0<em>lumpremproletariat\u00a0<\/em>para os Panteras Negras, conferir o texto: CLEAVER, Eldridge.\u00a0<em>On the ideology of the Black Panther. Part 1<\/em>. S\u00e3o Francisco: Ministry of Information Black Panther Party, 1967. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.freedomarchives.org\/Documents\/Finder\/Black%20Liberation%20Disk\/Black%20Power%21\/SugahData\/Books\/Cleaver.S.pdf\">http:\/\/www.freedomarchives.org\/Documents\/Finder\/Black%20Liberation%20Disk\/Black%20Power%21\/SugahData\/Books\/Cleaver.S.pdf<\/a>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/traduagindo.com\/2019\/05\/26\/sobre-a-ideologia-do-partido-dos-panteras-negras\/\">https:\/\/traduagindo.com\/2019\/05\/26\/sobre-a-ideologia-do-partido-dos-panteras-negras\/<\/a><\/p>\n<p>Os Panteras Negras chegaram a ter uma banda de soul com o nome\u00a0<em>The Lumpen<\/em>, conferir o livro: VINCENT, Rickey.\u00a0<em>Party music<\/em>: the inside story of the Black Panthers\u2019 band and how black power\u00a0transformed soul music. Chicago: Chicago Review Press, 2013. Entre 1970 e 1972, em apoio aos Panteras Negras, universit\u00e1rios alem\u00e3es editaram o peri\u00f3dico\u00a0<em>Voice of the Lumpen<\/em>. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/content.wisconsinhistory.org\/digital\/collection\/p15932coll8\/id\/35459\">https:\/\/content.wisconsinhistory.org\/digital\/collection\/p15932coll8\/id\/35459<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a>\u00a0Conferir reportagem: \u201c1\u00ba Col\u00f3quio do Negro Brasileiro\u201d,\u00a0<em>Jornal Quilombo<\/em>, ano II, n.10, 3, jun-jul 1950. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/ipeafro.org.br\/acervo-digital\/leituras\/ten-publicacoes\/jornal-quilombo-no-10\/\">https:\/\/ipeafro.org.br\/acervo-digital\/leituras\/ten-publicacoes\/jornal-quilombo-no-10\/<\/a>\u00a0Nessa edi\u00e7\u00e3o, o nome de Florestan Fernandes est\u00e1 registrado como: Florestino Fernandes.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a>\u00a0Conferir o livro: BASTIDE, Roger; FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Rela\u00e7\u00f5es raciais entre negros e brancos em S\u00e3o Paulo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Anhembi, 1955.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a>\u00a0Conferir o texto assinado pela Diretoria executiva da Associa\u00e7\u00e3o Cultural do Negro: \u201cO ano 70 da Aboli\u00e7\u00e3o\u201d,\u00a0<em>Cadernos de Cultura da ACN<\/em>, n. 1, 4, 1958. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/lemad.fflch.usp.br\/node\/43\">https:\/\/lemad.fflch.usp.br\/node\/43<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a>\u00a0Entre os doutorados orientados por Florestan sobre o tema destacam-se: CARDOSO, Fernando Henrique.\u00a0<em>Capitalismo e escravid\u00e3o no Brasil Meridional<\/em>: o negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2003; IANNI, Oct\u00e1vio.\u00a0<em>As metaformoses do escravo<\/em>: apogeo e crise da escravatura no Brasil Meridional. S\u00e3o Paulo: Difus\u00e3o Europ\u00e9ia do Livro, 1962.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a>\u00a0Alguns desses textos de Florestan encontram-se nas colet\u00e2neas: FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>O negro no mundo dos brancos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Divis\u00e3o Europeia do Livro, 1972; FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Significado do protesto negro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez; Autores Associados, 1989.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a>\u00a0Sobre esses encontros de Florestan com o movimento negro, conferir a entrevista de Milton Barbosa (Milt\u00e3o): DALLE, Isa\u00edas. Milt\u00e3o, do Movimento Negro Unificado: \u201cCom certeza, vamos avan\u00e7ar\u201d,\u00a0<em>Periferias. Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo<\/em>, 29\/12\/2020. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/2020\/12\/29\/miltao-do-movimento-negro-unificado-com-certeza-vamos-avancar\/\">https:\/\/fpabramo.org.br\/2020\/12\/29\/miltao-do-movimento-negro-unificado-com-certeza-vamos-avancar\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a>\u00a0CARDOSO, Hamilton. Cerim\u00f4nias para o assassinato de um negro,\u00a0<em>Jornal Versus<\/em>, n. 22, 38-39, jun-jul 1978. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.marcosfaerman.jor.br\/Versus22.html?vis=facsimile\">http:\/\/www.marcosfaerman.jor.br\/Versus22.html?vis=facsimile<\/a>\u00a0Sobre os trabalhos e a milit\u00e2ncia de Hamilton Cardoso, conferir o artigo: OLIVEIRA, F\u00e1bio;\u00a0RIOS, Fl\u00e1via. Consci\u00eancia Negra e Socialismo: a trajet\u00f3ria de Hamilton Cardoso (1953-1999),\u00a0<em>Contempor\u00e2nea \u2013 Revista de Sociologia da UFSCar<\/em>, v. 4, n. 2, 507-530, 2014. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.contemporanea.ufscar.br\/index.php\/contemporanea\/article\/view\/249\">https:\/\/www.contemporanea.ufscar.br\/index.php\/contemporanea\/article\/view\/249<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a>\u00a0Conferir sobre esse tema: ORTIZ, Renato. Frantz Fanon: um itiner\u00e1rio pol\u00edtico e intelectual,\u00a0<em>Contempor\u00e2nea \u2013 Revista de Sociologia da UFSCar<\/em><strong>,<\/strong>\u00a0v. 4, n. 2, 425-442, 2014. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.contemporanea.ufscar.br\/index.php\/contemporanea\/article\/view\/241\">https:\/\/www.contemporanea.ufscar.br\/index.php\/contemporanea\/article\/view\/241<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan. Nos marcos da viol\u00eancia. In. FERNANDES, F.\u00a0<em>A ditadura em quest\u00e3o<\/em>, S\u00e3o Paulo: T. A. Queiroz, 1982, p. 162. Sobre a contraviol\u00eancia em Fanon e Florestan, conferir o texto: SILVEIRA, Paulo. A contraviol\u00eancia em Fanon e Florestan,\u00a0<em>Psicanalistas pela democracia<\/em>, janeiro de 2019. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/psicanalisedemocracia.com.br\/2019\/01\/a-contraviolencia-em-fanon-e-florestan-por-paulo-henrique-fernandes-siqueira\/\">https:\/\/psicanalisedemocracia.com.br\/2019\/01\/a-contraviolencia-em-fanon-e-florestan-por-paulo-henrique-fernandes-siqueira\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref22\" name=\"_edn22\">[xxii]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>O que \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2018, p. 50.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref23\" name=\"_edn23\">[xxiii]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan. Florestan Fernandes por Paulo de Tarso Venceslau. In: AZEVEDO, R.; MAU\u00c9S, F. (Orgs.).\u00a0<em>Remem\u00f3ria: entrevistas sobre o Brasil do s\u00e9culo XX<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 1997, p. 23. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/publicacoes\/estante\/rememoria-entrevistas-sobre-o-brasil-do-seculo-xx\/\">https:\/\/fpabramo.org.br\/publicacoes\/estante\/rememoria-entrevistas-sobre-o-brasil-do-seculo-xx\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref24\" name=\"_edn24\">[xxiv]<\/a>\u00a0LEITE, Paulo Moreira.\u00a0<em>Entrevista: Florestan Fernandes [19950802]<\/em>. S\u00e3o Carlos: Fundo Florestan Fernandes (FFF). Biblioteca Comunit\u00e1ria da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, 1995, p. 13-15.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref25\" name=\"_edn25\">[xxv]<\/a>\u00a0Entre os programas sociais desenvolvidos pelos Panteras Negras est\u00e3o as refei\u00e7\u00f5es gratuitas para jovens estudantes carentes e os atendimentos m\u00e9dicos comunit\u00e1rios. Sobre esse tema, conferir o livro: HILLIARD, David (Ed.).\u00a0<em>The Black Panther Party: service to the people programs<\/em>. Albuquerque: University of New Mexico Press, 2008. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/caringlabor.wordpress.com\/\">https:\/\/caringlabor.wordpress.com\/<\/a>\u00a0Influenciados pelos Panteras Negras, Steve Biko e o movimento da Consci\u00eancia Negra tamb\u00e9m desenvolveram programas sociais na \u00c1frica do Sul: HADFIELD, Leslie.\u00a0<em>Restoring human dignity and building self-reliance<\/em>: youth, woman, and churches and Black consciousness community development, South Africa, 1969-1977. Tese de Doutorado, Michigan State University, 2010. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/d.lib.msu.edu\/etd\/10269\">https:\/\/d.lib.msu.edu\/etd\/10269<\/a>. Conferir tamb\u00e9m: SILVEIRA, Paulo. Paulo Freire e Steve Biko,\u00a0<em>A Terra \u00e9 Redonda<\/em>, 19\/12\/2021. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/paulo-freire-e-steve-biko\/\">https:\/\/aterraeredonda.com.br\/paulo-freire-e-steve-biko\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_aterraeredonda.com.br\/?url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-e-os-panteras-negras%2F%3Futm_source%3Dsendinblue%26utm_campaign%3D220%2520-%2520A%2520cara%2520do%2520novo%2520Brasil%26utm_medium%3Demail#_ednref26\" name=\"_edn26\">[xxvi]<\/a>\u00a0Na edi\u00e7\u00e3o de 13 de dezembro de 1969 da revista\u00a0<em>The Black Panther<\/em>, as principais lideran\u00e7as dos Panteras Negras prestam homenagens aos militantes Fred Hampton e Mark Clark, assassinados em seus apartamentos por agentes da pol\u00edcia. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/history\/usa\/pubs\/black-panther\/04%20no%202%201-20%20dec%2013%201969.pdf\">https:\/\/www.marxists.org\/history\/usa\/pubs\/black-panther\/04%20no%202%201-20%20dec%2013%201969.pdf<\/a>\u00a0\u00a0Nesse mesmo ano, Hannah Arendt publicou um ensaio a partir dos seus artigos redigidos para a grande imprensa em que analisa a viol\u00eancia estudantil nas universidades americanas: \u201cA viol\u00eancia s\u00e9ria tomou conta da cena apenas com a apari\u00e7\u00e3o do movimento\u00a0<em>Black Power<\/em>\u00a0nos\u00a0<em>campi<\/em>. Estudantes negros, a maioria dos quais admitida sem qualifica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, conceberam-se e organizaram-se\u00a0 como grupo de interesse, os representantes da comunidade negra.\u201d ARENDT, Hannah.\u00a0<em>Sobre a viol\u00eancia<\/em>. Rio de Janeiro: Relume Dumar\u00e1, 1994, p. 22. Na sequ\u00eancia do ensaio, Arendt critica a leitura que Fanon e os estudantes fizeram dos textos de Marx e Engels, pelo fato de tomarem o\u00a0<em>lumpenproletariat<\/em> como uma classe social revolucion\u00e1ria e, mesmo assim, se afirmarem marxistas.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Florestan Fernandes e os Panteras Negras &#8211; A TERRA \u00c9 REDONDA &#8211; https:\/\/aterraeredonda.com.br\/florestan-fernandes-e-os-panteras-negras\/?utm_source=sendinblue&amp;utm_campaign=220%20-%20A%20cara%20do%20novo%20Brasil&amp;utm_medium=email<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULO FERNANDES SILVEIRA &#8211;\u00a0Coment\u00e1rio sobre uma entrevista do soci\u00f3logo. Em julho e agosto de 1995, poucos dias antes do erro m\u00e9dico que tiraria a vida de Florestan Fernandes, o jornalista Paulo Moreira Leite fez duas instigantes entrevistas com o soci\u00f3logo. 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