{"id":18558,"date":"2022-11-26T12:04:22","date_gmt":"2022-11-26T15:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18558"},"modified":"2022-11-21T14:19:21","modified_gmt":"2022-11-21T17:19:21","slug":"seguranca-cidadania-reflexoes-sobre-a-guerra-oculta-brasileira-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/11\/26\/seguranca-cidadania-reflexoes-sobre-a-guerra-oculta-brasileira-1\/","title":{"rendered":"SEGURAN\u00c7A &#038; CIDADANIA: reflex\u00f5es sobre a guerra oculta brasileira.[1]"},"content":{"rendered":"<p><strong>Francisco Carlos Teixeira da Silva<\/strong> &#8211; Sob impacto direto da mais cruel Pandemia e sua gest\u00e3o,\u00a0\u00a0 no Brasil \u2013 e agora sabemos de forma a atender interesses de bandos rivais de predadores do Estado \u2013\u00a0 bem como os massacres e brutais e crimes ocorridos em 2022, somos obrigados pensar com urg\u00eancia a chamada \u201cQuest\u00e3o Seguran\u00e7a e Cidadania\u201d no pa\u00eds, buscando ir\u00a0 al\u00e9m das antinomias comumente colocadas [ Direitos Humanos versus Seguran\u00e7a P\u00fablica, Bem-Estar Social versus Criminalidade, Meios e Equipamentos e versus Abandono do Setor de Seguran\u00e7a P\u00fablica] e, buscando escapar dos lugares comuns e armadilhas postos pelos pretensos diagn\u00f3sticos da Direita , agora, acentuando pela ascens\u00e3o do fascismo no Brasil, produzir uma agenda pro-ativa, cidad\u00e3 e garantista de Seguran\u00e7a P\u00fablica para o Brasil<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A escravid\u00e3o permanecer\u00e1 por muito tempo como a caracter\u00edstica nacional do Brasil\u201d<\/p>\n<p>Joaquim Nabuco<\/p><\/blockquote>\n<p>Para Alba Zaluar.<\/p>\n<p>Muitas vezes temos sucumbido, rotineiramente, a assertiva que o tema \u201cSeguran\u00e7a\u201d \u00e9 um apan\u00e1gio das \u201cDireitas\u201d pol\u00edticas ou mesmo uma forma de amedrontar e calar os partidos, associa\u00e7\u00f5es, e entidades da sociedade civil, quase sempre de perfil progressista, \u00a0preocupados com as tremendas quest\u00f5es diuturnas de viola\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos na nossa sociedade. De fato, as tem\u00e1ticas em torno da \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica\u201d ( ou cidad\u00e3, institucional) foram capturadas, ante a in\u00e9rcia e espanto das for\u00e7as progressistas, pela Direita e hoje transformadas em tema eleitoral pela Extrema-Direita, quase sem resposta.\u00a0 Historicamente, tanto em 1922 na It\u00e1lia e, 1933, na Alemanha, os fascismos hist\u00f3ricos recorreram a mesma tem\u00e1tica da viol\u00eancia criminal e do medo ao banditismo para amedrontar as classes m\u00e9dias e oferecer \u201cseguran\u00e7a e ordem\u201d, em especial na It\u00e1lia onde os fascistas levaram \u00e0 frente uma furiosa luta contra a m\u00e1fia<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Neste sentido, devemos ter claro dois pontos que (1) as camadas subalternas da sociedade brasileira, e latino-americana, sofrem, elas muito mais que quaisquer outros setores sociais,\u00a0 diuturnamente com a viol\u00eancia decorrente de assaltos, roubos, assassinatos,\u00a0 e variadas formas de agress\u00e3o de alteridade de g\u00eanero, religi\u00e3o e etnia, sem qualquer forma de prote\u00e7\u00e3o do Estado, a viol\u00eancia de grupos \u00e0 margem da lei; (ii) n\u00e3o existe de forma clara, direta e eficaz recursos dispon\u00edveis de apoio para a maioria da popula\u00e7\u00e3o para a supera\u00e7\u00e3o dos maus-tratos e malfeitos que a popula\u00e7\u00e3o subalterna e perif\u00e9rica sofre no seu dia a dia. Da\u00ed, a emerg\u00eancia de \u201cpoderes paralelos\u201d \u2013\u00a0 e n\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o para esse ponto,\u00a0 de um \u201cEstado Paralelo\u201d \u2013 para gerir tais malfeitos, expulsando o Estado de Direito Democr\u00e1tico de amplas \u00e1reas do territ\u00f3rio nacional, negando condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de servi\u00e7os do Estado \u2013 em especial na Seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m na Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Limpeza P\u00fablica &#8211; que passam \u00e0s m\u00e3os de \u201cmilicias\u201d\u00a0 com a atua\u00e7\u00e3o de justiceiros e seus \u201ctribunais do crime\u201d.<\/p>\n<p>Vemos, assim,\u00a0 uma \u201cCondi\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia\u201d na formula\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de um novo encontro entre o Estado de Direito Democr\u00e1tico e as popula\u00e7\u00f5es subalternas e perif\u00e9ricas brasileiras em torno de garantias substantivas de Direitos B\u00e1sicos de Seguran\u00e7a \u00e0 Vida, \u00e0 Inviolabilidade do Lar e do Direito de Ir e Vir que se estende, inclusive, ao Direito ao livre exerc\u00edcio do Voto \u2013 impedido e involucrado em grande parte pelos pr\u00f3prios setores milicianos. Estes s\u00e3o elementos b\u00e1sicos que na periferia da maioria das grandes cidades brasileiras hoje n\u00e3o s\u00e3o minimente garantidos em face da presen\u00e7a de milicias que substituem, na forma de \u201cPoder Paralelo\u201d, o Estado de Direito Democr\u00e1tico<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Tal situa\u00e7\u00e3o caracteriza o Estado de Direito no Brasil hoje como uma \u201cDemocracia feia\u201d.\u00a0 Caracterizamos como uma \u201cdemocracia feia\u201d um regime constitucional de t\u00e3o m\u00e1 qualidade que a maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se identifica com seus valores e n\u00e3o se engaja na sua defesa.\u00a0 Coube a\u00a0 Anthony Pereira, um pesquisador e historiador bastante conhecido do <em>King &#8216;s College,<\/em> na Inglaterra, em trabalho recente e muito perspicaz, a denominar a democracia da Nova Rep\u00fablica, depois de 1988, como uma &#8220;democracia feia&#8221;,\u00a0 &#8220;<em>ugly democracy<\/em>&#8220;. Ora, exatamente porque vivemos em uma &#8220;democracia feia&#8221;? Basta constatarmos dois pontos: em primeiro lugar, embora a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 tenha colocado uma importante declara\u00e7\u00e3o de Direitos Civis como primeiro cap\u00edtulo da Constitui\u00e7\u00e3o, tal declara\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas isso, uma declara\u00e7\u00e3o &#8211; e o que faz com que ela seja n\u00e3o vivida pela maioria do povo brasileiro? O Brasil ostenta \u00edndices de homic\u00eddio superiores a maior parte das guerras travadas hoje no planeta \u2013 Congo, Ucr\u00e2nia, I\u00eamen &#8211; , algo em torno de 44.000 mortes em 2021, variando em torno de mais de 55 mil mortes violentas por ano, conforme o \u201cMonitor da Viol\u00eancia no Brasil\u201d \u2013 e sublinhe-se a maioria das mortes s\u00e3o de pessoas pretas e pardas, confirmando a estrutura social, \u00e9tnica e de g\u00eanero historicamente desigual no Brasil. Devemos destacar, ainda, que o n\u00famero de policiais mortos em servi\u00e7o, quase duzentos no \u00faltimo ano com dados dispon\u00edveis completos ( 196, em 2020 ) tamb\u00e9m avan\u00e7ava, A pol\u00edtica armamentista do Governo Bolsonaro \u2013 cerca de 400 autoriza\u00e7\u00f5es por dia amea\u00e7a duramente paz social e a seguran\u00e7a institucional, al\u00e9m do trabalho das pr\u00f3prias pol\u00edcias.\u00a0 Tudo isso caracteriza o que denominamos a \u201dGuerra civil oculta brasileira\u201d; em segundo lugar, qual \u00e9 a validade da Constitui\u00e7\u00e3o e dos institutos muito importantes que temos nela, e pelos quais n\u00f3s temos que lutar para serem implementados, se a maioria da popula\u00e7\u00e3o, em especial as vastas camadas subalternas da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem acesso aos direitos fundamentais, como alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, transporte e trabalho? Hoje, 33 milh\u00f5es pessoas passam fome no Brasil, a terceira pot\u00eancia agr\u00edcola do planeta.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de direitos c\u00edvicos na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 esgotam em si a cidadania? Essa \u00e9 a quest\u00e3o fundamental colocada e que, para n\u00f3s, caracteriza exatamente essa &#8220;democracia feia&#8221;. A maior parte dos especialistas em Direito e Cidadania repete a Declara\u00e7\u00e3o de Direitos, mas n\u00e3o atenta ao fato de que um trabalhador que fica quatro horas, em ida e volta, em um \u00f4nibus ou trem, que vive com sal\u00e1rios miser\u00e1veis, que mora em condi\u00e7\u00f5es indignas no pa\u00eds, \u00e9 imune \u00e0s declara\u00e7\u00f5es grandiloquentes que est\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o.\u00a0 Ainda agora, na situa\u00e7\u00e3o de pandemia e p\u00f3s-pandemia &#8211; mesmo antes, bastava observar o PIB oferecido \u00e0 na\u00e7\u00e3o pelo primeiro ano de governo Bolsonaro &#8211; e o modo miser\u00e1vel como foi enfrentada, as condi\u00e7\u00f5es sociais v\u00e3o ao desastre total, com a ressurg\u00eancia em massa da fome.\u00a0 O caminho aberto por Josu\u00e9 de Castro, ao lado de Maria Yedda Linhares, na pesquisa das crises de fome e de abastecimento no Brasil revelam uma estrutura c\u00edclica da fome no Brasil. Vemos, com tristeza, o retorno da fome, que abarca 19 milh\u00f5es de brasileiros em 2019, e salta, hoje, em 2022, para 33 milh\u00f5es pessoas.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a ent\u00e3o chamada \u201cAbertura\u201d, foi, em primeiro lugar, a transi\u00e7\u00e3o mais longa da hist\u00f3ria; ela foi anunciada no governo Geisel entre 1974 e 1979, foi balizada em 1979 pelo decreto da Anistia, e a Constitui\u00e7\u00e3o foi promulgada em 1988. Al\u00e9m de ter sido a mais longa, a transi\u00e7\u00e3o foi balizada exatamente pelos homens da ditadura, do antigo regime, Figueiredo e Sarney, sa\u00eddos da ditadura militar, respons\u00e1veis por essa transi\u00e7\u00e3o pactuada e, sabemos agora, falhada.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve \u201cTransi\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cAbertura\u201d em importantes institui\u00e7\u00f5es como as pol\u00edcias, que permaneceram com suas estruturas dos tempos da ditadura civil-militar intactas. E, mais ainda, com sua \u201ccultura\u201d no trato com a popula\u00e7\u00e3o, em especial com as camadas subalternas da popula\u00e7\u00e3o brasileira, em especial quando essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre, preta e\/ou parda.<\/p>\n<p>A mais importante interface do Estado Democr\u00e1tico de Direito e as popula\u00e7\u00f5es subalternas se d\u00e1 atrav\u00e9s de agente p\u00fablico e seu contato com a popula\u00e7\u00e3o, principalmente nas \u00e1reas de Seguran\u00e7a, Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade. O Policial, o professor, o m\u00e9dico do Posto P\u00fablico\/UPP s\u00e3o a face do Estado brasileiro perante os setores subalternos da popula\u00e7\u00e3o brasileira. No caso da Seguran\u00e7a \u00e9 sempre uma cadeia de agentes formada pelo policial militar, civil, escriv\u00e3o, delegado que devem garantir a integridade do cidad\u00e3o, do seu Lar e de seus bens. Se, esse agente \u00e9 brutal, violento e corrupto, amea\u00e7a sua integridade f\u00edsica e viola sua moradia,\u00a0 o Estado se mostrar\u00e1 \u00e0 popula\u00e7\u00e3o como brutal, violento e corrupto desacreditado perante a cidadania a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de cidadania.<\/p>\n<p>In\u00fameros servi\u00e7os b\u00e1sicos hoje \u2013 dos correios, Internet at\u00e9 a entrega do g\u00e1s e a garantia a livre propaganda eleitoral e, consequentemente a qualidade da Democracia\u00a0 \u2013 est\u00e3o restritos ou mesmo impedidos em vastas \u00e1reas de regi\u00f5es perif\u00e9ricas de grandes cidades pela aus\u00eancia de garantias m\u00ednimas de seguran\u00e7a em territ\u00f3rios sob controle do crime organizado e de milicias. Tais servi\u00e7os s\u00e3o apropriados pelas milicias e se transformam em \u201crolos\u201d lucrativos, capazes de sustentar redes criminosas que expulsam as empresas de territ\u00f3rios populosos e, em seguida, expulsam as autoridades p\u00fablicas, ou exigem acordos de coopera\u00e7\u00e3o\/autoriza\u00e7\u00e3o, por exemplo, com correios, g\u00e1s, limpeza urbana. Outros setores simplesmente se ausentam, como a Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n<p>No quadro geral, entidades p\u00fablicas, estatais e paraestatais, h\u00e1 um claro processo repressivo no interior no qual se constr\u00f3i\u00a0 o \u201coutro conveniente\u201d, o diferente \u00fatil, a perfeita escolha do \u201cbandido\u201d, etnicamente diferenciado. Escolas, academias e cursos, constitu\u00eddos por policiais e afins, onde predomina um vis\u00e3o racista, como pr\u00e1tica de ensino\/reprodu\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas num espa\u00e7o institucional da pr\u00f3pria Rep\u00fablica, confirma a exclus\u00e3o de vastas camadas sociais da cidadania republicana.<\/p>\n<p>Tal situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o impede, contudo, encontros violentos entre policiais e narcotraficantes\/milicianos, induzidos por redivis\u00f5es de territ\u00f3rios e pagamentos de mesadas, no decurso de opera\u00e7\u00f5es sob ordens\/ou n\u00e3o da Justi\u00e7a e, sobretudo, da promiscuidade quase obrigat\u00f3ria existente entre for\u00e7as do Estado e o crime organizado resultando em chacinas envolvendo a popula\u00e7\u00e3o civil.\u00a0 Tais \u201cencontros fatais\u201d possuem um perfil perverso de classe, etnia e g\u00eanero, que acompanha as condi\u00e7\u00f5es de moradia, escolaridade e trabalho gerando eventos como o massacre de Jacarezinho, de 2021, ou da Penha, em 2022, ambos no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o fascistizada em tais escolas e cursos, por sua vez, permite, como vemos, os eventos o brutais do assassinato de Genivaldo Jesus dos Santos, em Sergipe, ainda em 2022, onde a caracteriza\u00e7\u00e3o do preto\/pardo pobre \u00e9 fenotipado como o n\u00e3o-cidad\u00e3o, o bandido natural, o sem-direitos.\u00a0 Pobre, preto, em condi\u00e7\u00e3o excepcional de sa\u00fade, \u00e9 tratado com m\u00e9todos que nada devem \u00e0s mais brutais setores dos estados fascistas. Talvez com a diferen\u00e7a que o Terceiro Reich tinha o pudor de criar um o encobrimento e uma nomenclatura evasiva de seus crimes.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o, organizada pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, destaca que a popula\u00e7\u00e3o negra\/parda foi a maior v\u00edtima de viol\u00eancia policial \u2014 correspondem a 78,9% das 6.416 pessoas mortas por policiais no ano passado: \u201co n\u00famero de mortos por agentes de seguran\u00e7a aumentou em 18 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o, revelando um espraiamento da viol\u00eancia policial em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds&#8230; \u201c<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-18559\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mortes.jpg?resize=450%2C436&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mortes.jpg?w=450&amp;ssl=1 450w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mortes.jpg?resize=300%2C291&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mortes.jpg?resize=12%2C12&amp;ssl=1 12w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Um reconhecimento elementar decorre da constata\u00e7\u00e3o de que, entre Janeiro e Mar\u00e7o\u00a0 deste ano (2021), 453 pessoas morreram em a\u00e7\u00f5es policiais no Estado do Rio de Janeiro, 4% a mais do que as 435 v\u00edtimas no mesmo per\u00edodo do ano passado, quando ainda n\u00e3o estava em vigor a determina\u00e7\u00e3o do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu as opera\u00e7\u00f5es em favelas fluminenses \u2013 sem qualquer efetividade &#8211; e que em S\u00e3o Paulo o n\u00famero de policiais mortos em conflitos aumentou 44% &#8211; mesmo com a redu\u00e7\u00e3o brutal das atividades devido a quarentena da covid-19 \u2013 explicitam o extremo padr\u00e3o da viol\u00eancia na sociedade brasileira<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. A amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de armas de fogo na sociedade brasileira \u00e9, por outro lado, um claro risco para os policiais brasileiros, que, como vimos, tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas da viol\u00eancia massiva e cotidiana. Ainda devemos destacar, depois dos eventos de 7 de setembro de 2021 \u2013 a amea\u00e7a de golpe de Estado &#8211;\u00a0 se tal distribui\u00e7\u00e3o e facilita\u00e7\u00e3o de armas por amplos setores da sociedade, quebrando um dos preceitos b\u00e1sicos do Estado Moderno, conforme posto por Max Weber, a saber o imp\u00e9rio do monop\u00f3lio legal da viol\u00eancia por parte do Estado, n\u00e3o atenderia a outros interesses<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Devemos destacar ainda que, apesar de serem 56,3% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, os negros s\u00e3o v\u00edtimas de 78,9% das mortes cometidas por policiais no pa\u00eds: \u201c&#8230; em sentido oposto, os brancos \u2014que totalizam 42,7% da popula\u00e7\u00e3o \u2014 foram v\u00edtimas de 20,9% das mortes\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-18560\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rev-piaui.jpg?resize=640%2C441&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rev-piaui.jpg?w=1299&amp;ssl=1 1299w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rev-piaui.jpg?resize=300%2C207&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rev-piaui.jpg?resize=1024%2C706&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rev-piaui.jpg?resize=768%2C529&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rev-piaui.jpg?resize=18%2C12&amp;ssl=1 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: Revista Piau\u00ed, 26\/08\/2019.<\/p>\n<p>Devemos, pois, destacar o car\u00e1ter estrutural da viol\u00eancia no Brasil, permanente, constitutivo da pr\u00f3pria hist\u00f3ria da Na\u00e7\u00e3o, cuja marca central foi a escravid\u00e3o dos \u00edndios\/genoc\u00eddio e a escravid\u00e3o das pessoas negras. \u00c9 importante destacar, e entender, o sentido de \u201cestrutural\u201d, o estruturante, o que significa um base organizacional sem a qual a sociedade e a economia \u2013 o escravismo de tipo colonial mantido atrav\u00e9s do trip\u00e9 latif\u00fandio, mercado externo e trabalho compuls\u00f3rio \u2013 primeiro utilizou-se do \u00edndio, e ap\u00f3s sua quase extin\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em torno de 1620\/1640, implicou a conquista de feitorias, enclaves e a subsequente ocupa\u00e7\u00e3o do litoral africano \u2013 Guin\u00e9, Angola, Mo\u00e7ambique e postos em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, para manuten\u00e7\u00e3o de um fluxo constante de pessoas escravizadas, embora os primeiros escravizados africanos tenham chegado ao Brasil j\u00e1 em 1580. Calculamos hoje que\u00a0 cerca de 4,8\/4,9\u00a0 milh\u00f5es de pessoas escravizadas provenientes da \u00c1frica chegaram nos \u201ctumbeiros\u201d aos portos da Col\u00f4nia brasileira, de um total de 11\/12 milh\u00f5es de africanos capturados<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do \u201cneg\u00f3cio\u201d que se transformou o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de pessoas foi tamanha que alguns historiadores da import\u00e2ncia de Fernando Novais, da USP, afirmam que o \u201ctr\u00e1fico\u201d criou a Escravid\u00e3o e n\u00e3o o inverso<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a cessa\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de pessoas, em 1850, em raz\u00e3o da Lei Eus\u00e9bio de Queiroz, com\u00a0 o aumento vertiginoso do pre\u00e7o dos escravizados \u2013 em grande parte em raz\u00e3o do avan\u00e7o da cultura cafeeira no Sudeste \u2013 as Prov\u00edncias do Nordeste come\u00e7aram o tr\u00e1fico interno, vendendo seus escravos para o \u201csul\u201d.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da Escravid\u00e3o \u2013 o trabalho como uma imposi\u00e7\u00e3o violenta de rela\u00e7\u00f5es sociais entre mestre e escravizados -, de 1580 at\u00e9 1888,\u00a0 generalizando-se entre 1620 e 1640, \u00e9 um elemento estruturador da sociedade brasileira. Neste sentido, o Racismo \u00e9 uma decorr\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas na subordina\u00e7\u00e3o real e legal de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o, majorit\u00e1ria, que deveria trabalhar sem remunera\u00e7\u00e3o, garantias sociais, nem mesmo a garantia b\u00e1sica sobre a integridade de sua fam\u00edlia e onde o crescimento familiar era uma expectativa de bons neg\u00f3cios do Senhor. A Pol\u00edcia e a Justi\u00e7a eram concentradas nas m\u00e3os do mesmo Senhor que literalmente \u201cpossui\u201d o trabalhador, considerado um \u201cres vocale\u201d no Direito vigente<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o \u201cnegro\u201d+escravo+trabalhador+descal\u00e7o, j\u00e1 explicitado por Gilberto Freire, em contraste ao Senhor, branco de m\u00e3os e p\u00e9s finos e cal\u00e7ados, antinomia registrada por Portinari nos seus quadros e murais onde trabalhadores s\u00e3o representados com m\u00e3os e p\u00e9s imensos e calejados, indica\u00e7\u00e3o de uma vida voltada para\u00a0 o trabalho, e que o poeta Cassiano Ricardo, descreve om sua poesia \u201crude\/r\u00fastica\u201d,\u00a0 como lavradores de m\u00e3os gigantescas que lavram a terra<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, devemos insistir que a escraviza\u00e7\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as e seu trabalho compuls\u00f3rio \u00e9 base sobre a qual se molda e conforma o Brasil, sua cultura, riqueza e mentalidade. A escravid\u00e3o forma o Brasil, inclusive o racismo, que dela resulta, em especial pelo trabalhador\/a serem negros africanos. N\u00e3o \u00e9 o racismo que molda o Brasil. \u00c9 a escravid\u00e3o comercial e sua empresa africana \u2013 o tr\u00e1fico &#8211; que moldam o racismo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-18561\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-21-at-14.16.55.jpeg?resize=630%2C774&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"774\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-21-at-14.16.55.jpeg?w=630&amp;ssl=1 630w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-21-at-14.16.55.jpeg?resize=244%2C300&amp;ssl=1 244w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-21-at-14.16.55.jpeg?resize=10%2C12&amp;ssl=1 10w\" sizes=\"auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><\/p>\n<p><em>O Lavrador de Caf\u00e9, C\u00e2ndido Portinari, 1934.<\/em><\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia heran\u00e7a hist\u00f3rica:<\/strong><\/p>\n<p>Tais elementos s\u00e3o uma heran\u00e7a\u00a0 hist\u00f3rica que, para al\u00e9m de atingir os grupos fragilizados \u2013 sob risco imediato, como ind\u00edgenas, popula\u00e7\u00f5es Sem-teto, popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica\u00a0 sem qualquer assist\u00eancia \u2013 instituem\u00a0 a viol\u00eancia como regra cotidiana no conjunto da Na\u00e7\u00e3o atingindo cidad\u00e3os em qualquer situa\u00e7\u00e3o nas suas rela\u00e7\u00f5es interpessoais: no trabalho, nas escolas, no transporte, nas ruas.<\/p>\n<p>Todos os brasileiros j\u00e1 se encontraram em situa\u00e7\u00f5es de amea\u00e7a a sua integridade f\u00edsica e\/ou amea\u00e7a ao seu lar ou a sua propriedade ou numa situa\u00e7\u00e3o de agress\u00e3o pessoal onde a amea\u00e7a de resolu\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a de uma pequena contenda poderia escalar para a agress\u00e3o violenta. Em caso de ser uma pessoa preta\/parda, a interven\u00e7\u00e3o policial pode fortemente\u00a0 redundar em viol\u00eancia ou desconhecimento dos fatos, mesmo sendo ofensa\/inj\u00faria de natureza racial. Somente 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira se sente segura para andar em nossas cidades \u00e0 noite, contra uma m\u00e9dia de 67% em pa\u00edses da OCDE e cerca de 8% relatam casos de assaltos, inj\u00farias e maltratos. As pol\u00edcias \u2013 civis e militares \u2013 s\u00e3o consideradas ou corruptas ou inadequadamente preparadas para suas fun\u00e7\u00f5es, mesmo que em sua maioria sejam constitu\u00eddas de pessoal preto ou pardo, agem contra pretos e pardos, na maioria das vezes, de forma brutal.\u00a0 S\u00f3 um poeta consegue descrever com clareza, e uma certa dor, a natureza de tais rela\u00e7\u00f5es s\u00f3cio raciais, no Brasil:<\/p>\n<p><em>\u201cQuando voc\u00ea for convidado pra subir no adro da funda\u00e7\u00e3o<\/em><em><br \/>\nCasa de Jorge Amado<br \/>\nPra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos<br \/>\nDando porrada na nuca de malandros pretos<br \/>\nDe ladr\u00f5es mulatos e outros quase brancos<br \/>\nTratados como pretos<br \/>\nS\u00f3 pra mostrar aos outros quase pretos<br \/>\n(E s\u00e3o quase todos pretos)<br \/>\nComo \u00e9 que pretos, pobres e mulatos<br \/>\nE quase brancos, quase pretos de t\u00e3o pobres s\u00e3o tratados&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>(Caetano Veloso\/Gilberto Gil, Haiti)<\/em><\/p>\n<p>No conjunto da popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 o sentimento reducionista, simplista, de \u201cmais \u00e9 melhor\u201d, muitas vezes apoiado e promovido por pol\u00edticos, como se a satura\u00e7\u00e3o das ruas de policiais \u2013 ou talvez Fuzileiros Navais, Paraquedistas, armados para a guerra em plena Avenida Atl\u00e2ntica! &#8211; e armas\u00a0 liberadas para todos fosse resolver a quest\u00e3o da seguran\u00e7a. Tal vis\u00e3o \u201carmamentista\u201d da Seguran\u00e7a ter\u00e1 sua express\u00e3o m\u00e1xima no Governo Bolsonaro quando foram publicados ao menos 15 decretos e 30 Atos Normativos que alteraram o \u201cEstatuto do Desarmamento\u201d, sem passar pelo Congresso Nacional, usurpando direitos b\u00e1sicos da representa\u00e7\u00e3o popular (a maioria encontra-se <em>sub judice<\/em> no STF). Hoje h\u00e1 no pa\u00eds aproximadamente 01 (uma) arma para cada 100 (cem) brasileiros. Podemos adiantar, como fizemos acima, que essa farta distribui\u00e7\u00e3o de armas, longe do poder normativo das For\u00e7as Armadas \u2013 tamb\u00e9m revogado no Governo Bolsonaro -, para al\u00e9m de atender seus eleitores vise \u2013 numa repeti\u00e7\u00e3o dos eventos de 7 de setembro de 2021 \u2013 num levante\/sedi\u00e7\u00e3o contra a Ordem Constitucional.<\/p>\n<p>Somente muito tardiamente, na segunda metade de 2021, o Supremo Tribunal Federal\/STF come\u00e7ou a aprecia\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o armamentista do Governo Bolsonaro, a poss\u00edvel ofensa ao \u201cEstatuto do Desarmamento\u201d e ao Direito Constitucional \u00e0 Seguran\u00e7a Cidad\u00e3.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que a chamada \u201cQuest\u00e3o da Seguran\u00e7a P\u00fablica\u201d \u00e9 capturada como pauta \u201cda Direita\u201d, desmoralizando o \u201cDebate sobre os Direitos Humanos\u201d e permite o surgimento esp\u00fario de vers\u00f5es de uso desclassificat\u00f3rio do debate atrav\u00e9s da interven\u00e7\u00e3o de neologias duvidosas como \u201cDireitos Humanos das V\u00edtimas\u201d ou mesmo o velho bord\u00e3o \u201cBandido bom \u00e9 Bandido Morto!\u201d. Por outro lado, v\u00e1rias vezes, o campo progressista reduz a quest\u00e3o da seguran\u00e7a ao debate dos Direitos Humanos e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es sociais dos grupos subalternos, o que faz com que amplas camadas sociais, em especial as camadas m\u00e9dias da sociedade, claramente atingidas pela viol\u00eancia cotidiana considerem os partidos progressista como \u201cprotetores de bandidos\u201d.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de respostas imediatas, de efeitos de pronta resposta, n\u00e3o s\u00f3 deixam de atender os setores subalternos v\u00edtimas da viol\u00eancia criminal, do fogo cruzado e da viol\u00eancia policial, e do sentimento de \u201cabandono\u201d das camadas m\u00e9dias, convencidas que a agenda centrada nos Direitos Humanos n\u00e3o corresponde aos seus interesses e se coloca ao lado \u201cdos bandidos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mil\u00edcias e Neg\u00f3cios<\/strong>.<\/p>\n<p>Devemos ainda destacar que as \u00e1reas ocupados pelas Mil\u00edcias desenvolveram uma rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica com os \u201cocupantes\u201d e a vis\u00e3o de \u201cv\u00edtima-malfeitores\u201d n\u00e3o s\u00e3o, de todo, verdadeira. Enquanto a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora sofria\/sofre as consequ\u00eancias da \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d, em amplas \u00e1reas \u201cocupadas\u201d do Rio de Janeiro desenvolveu-se uma rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre as Mil\u00edcias e um \u201clumpen-capitalismo\u201d de \u201cpequenos empreendedores\u201d (para al\u00e9m do narcotr\u00e1fico). Assim, construtores, imobili\u00e1rias, lojas de material de constru\u00e7\u00e3o, venda de g\u00e1s, incorporadores, restaura\u00e7\u00e3o\/bares, hot\u00e9is\/mot\u00e9is, mec\u00e2nicas\/ret\u00edficas de autom\u00f3veis, locadoras etc. todos tinham la\u00e7os de financiamento e participa\u00e7\u00e3o das milicias.\u00a0 Todo um universo desse \u201clumpen-capitalismo\u201d, fora da capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o e da legalidade do Estado de Direito, floresce sob a prote\u00e7\u00e3o miliciana, muitas vezes resultando, na \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o civil, em desastres com grande n\u00famero de v\u00edtimas, al\u00e9m\u00a0 da destrui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de reserva ambiental<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma Pol\u00edtica Cidad\u00e3 de Seguran\u00e7a P\u00fablica e Institucional, em conjunto com as popula\u00e7\u00f5es-alvo, ouvidos os grupos-alvo, seja atrav\u00e9s dos entes existentes ou atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de entes que possam organizar e dar voz aos grupos hoje mudos perante o Estado ou capturados por mil\u00edcias e pelo narcotr\u00e1fico, \u00e9 fundamental para a amplia\u00e7\u00e3o do \u201cdemos\u201d \u2013 da parte politicamente ativa da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 de suma urg\u00eancia a tomada de consci\u00eancia, e a\u00e7\u00e3o, de decis\u00f5es fundamentais, para um governo de perfil democr\u00e1tico e popular. Sem um \u201cdemos\u201d ampliado n\u00e3o podemos falar em Seguran\u00e7a Cidad\u00e3. Neste processo devemos levar em conta o seguinte:<\/p>\n<ul>\n<li>Direitos Humanos s\u00e3o uma pauta geral de todas as agendas de um Governo Democr\u00e1tico, de forma transversal e de forma mandat\u00f3ria, sendo inscritos em cada a\u00e7\u00e3o governamental, seja qual for sua natureza;<\/li>\n<li>N\u00e3o cabe, de forma alguma, circunscrever a agenda de Direitos Humanos a uma \u201cQuest\u00e3o de Seguran\u00e7a\u201d e, t\u00e3o pouco a Seguran\u00e7a Cidad\u00e3 a uma Quest\u00e3o de Direitos Humanos de uma secretaria\/minist\u00e9rio espec\u00edfica;<\/li>\n<li>Mas, \u00e9 fundante a constru\u00e7\u00e3o de uma nova agenda de Seguran\u00e7a e Cidadania que garanta \u00e0 Popula\u00e7\u00e3o que o Estado retorne e retome suas fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas em face ao cidad\u00e3o e ao conjunto do territ\u00f3rio nacional.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A urg\u00eancia da discuss\u00e3o da \u201cQuest\u00e3o da Seguran\u00e7a\u201d, que se quer cidad\u00e3, nas suas diversas dimens\u00f5es, para al\u00e9m do conceito autorit\u00e1rio de \u201cSeguran\u00e7a Nacional\u201d, vigente durante o per\u00edodo da Guerra Fria e da Ditadura Civil-Militar, e mesmo depois, na maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, tornou-se central, e mesmo definidora, para o relacionamento entre o conjunto da popula\u00e7\u00e3o, em especial os vastos grupos subalternos e desatendidos e os entes p\u00fablicos dotadas, por lei, do monop\u00f3lio legal da viol\u00eancia<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Quem precisa de \u201cSeguran\u00e7a\u201d s\u00e3o os indiv\u00edduos e n\u00e3o o Estado. Neste sentido, devemos ter claro que o Estado Democr\u00e1tico de Direito buscar\u00e1 a reforma e utiliza\u00e7\u00e3o plena de seus mecanismos institucionais de gerir e administrar os institutos de seguran\u00e7a via a cidadania:<\/p>\n<ol>\n<li>Assim o Instituto de GLO \u2013 Garantia de Lei e da Ordem, como previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, em seu artigo 142, e pela Lei Complementar de 1999, e pelo Decreto 3897, de 2001, que concedem provisoriamente aos militares a faculdade de atuar com poder de pol\u00edcia at\u00e9 o restabelecimento da normalidade em \u00e1reas e setores pr\u00e9-estabelecidos conforme solicitado previamente pelo Ministro da Justi\u00e7a e autorizado pelo Presidente da Rep\u00fablica e s\u00f3 em tais condi\u00e7\u00f5es, N\u00c3O devem mais fazer parte do arsenal banalizado pela autoridade p\u00fablica em fun\u00e7\u00e3o do combate \u00e0 criminalidade e ao crime organizado no pa\u00eds;<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>NOTA<\/strong>: destacamos aqui que, ao contr\u00e1rio do que se proclama, \u00e0 Esquerda e \u00e0 Direita do espectro pol\u00edtico. n\u00e3o h\u00e1 possibilidade constitucional das For\u00e7as Armadas evocarem o Artigo 142 da Constitui\u00e7\u00e3o \u2013 ou mesmo o Presidente \u2013 para realizar um \u201cGolpe Militar Constitucional\u201d. A Legisla\u00e7\u00e3o complementar em vigor, que vem aperfei\u00e7oar a reda\u00e7\u00e3o e o sentido do mesmo instituto,\u00a0 acima citada, corrige e complementa o mesmo instituto da Constitui\u00e7\u00e3o, impedindo sua evoca\u00e7\u00e3o direta pelo Ministro da Defesa, e <em>a fortiori <\/em>qualquer comandante militar,\u00a0 e\/ou qualquer um dos comandantes militares das Tr\u00eas For\u00e7as.<\/p>\n<ol>\n<li>E, claramente, definir como incompat\u00edveis os dom\u00ednios de DEFESA e os dom\u00ednios de SEGURAN\u00c7A, deixando de vez o envolvimento das For\u00e7as Armadas nos assuntos de seguran\u00e7a cidad\u00e3 e abandonado a chamada \u201cS\u00edndrome do Haiti\u201d, experi\u00eancia que n\u00e3o serviu ao esperado \u201cState Building\u201d naquele pa\u00eds e\u00a0 redundou em amplo fracasso e vexame no caso do Afeganist\u00e3o e mesmo no Haiti, e, no entanto, criou uma m\u00edtica de \u201ccontrole de multid\u00f5es\u201d e de efic\u00e1cia militar que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade, em especial entre v\u00e1rios\u00a0 generais brasileiros.\u00a0 No entanto, continua pautando os cursos superiores nas Escolas Militares e academias brasileiras como um caso de sucesso.\u00a0 A ideia de \u201cState Building\u201d deve sofrer uma revis\u00e3o severa enquanto fun\u00e7\u00e3o e ensinamento das FFAA, como a realidade do Haiti e o Afeganist\u00e3o demonstram<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15].<\/sup><\/a><\/li>\n<li>Definir o papel urgente de uma \u201cFor\u00e7a de Terceiro Tipo\u201d, civil, permanente, provida de meios de r\u00e1pido deslocamento \u2013 helic\u00f3pteros, carros, meios de fedesa n\u00e3o-letais e letais sempre dispon\u00edveis e com aquartelamento pr\u00f3prio e digno para seus membros. A atual \u201cFor\u00e7a Nacional\u201d \u00e9 um arranjo tempor\u00e1rio, feito a partir de tropas das PMs estaduais e j\u00e1 contaminadas com a \u201cideologia do bandido morte\u201d. A composi\u00e7\u00e3o e alistamento da \u201cFor\u00e7a de Terceiro Tipo\u201d \u2013 menos poder que as FFAAs e mais meios e capacidades que as policiais estaduais, civil e militar, deveria ser feita junto aos jovens, homens e mulheres, que completem seu servi\u00e7o militar \u2013 de forma id\u00eantica ao processo hoje em curso na Alemanha \u2013 com uma bom\/\u00f3timo aproveitamento, com conhecimento de t\u00e1ticas de enfrentamento que possam ser utilizadas no combate ao crime organizado nacional\/internacional. Tal for\u00e7a deve ficar sob o controle do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e da Seguran\u00e7a P\u00fablica, que por raz\u00f5es t\u00e9cnicas de Direito e de Institucionalidade, n\u00e3o deve ser desmembrado;<\/li>\n<li>E por fim, o PL 1595\/19, de proposi\u00e7\u00e3o do Deputado Victor Hugo (PSL-GO) de uma nova \u201cLei Antiterrorista\u201d, deve ser rejeitado, pois embora de natureza estrita, viria se juntar a pan\u00f3plia legal na repress\u00e3o \u00e0 cidadania e n\u00e3o \u00e0s garantias de seguran\u00e7a p\u00fablica e exerc\u00edcio da livre manifesta\u00e7\u00e3o das ideias e dos sentimentos pol\u00edticos, constituindo-se em um instrumento de repress\u00e3o e espionagem de cidad\u00e3os e partidos pol\u00edticos n\u00e3o necess\u00e1rios neste momento, complicando o cen\u00e1rio de combate ao crime organizado. Na verdade o PL 1595\/19 deveria ser revisto \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o da \u201cHome Security\u201d americana como instrumento de combate aos fluxos financeiros ilegais e aos crimes cibern\u00e9ticos, o que em muito ajudaria no combate ao narcotr\u00e1fico, verdadeiro arcabou\u00e7o da viol\u00eancia no Brasil.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Abertura e inclus\u00e3o de amplos setores populares na vida p\u00fablica \u2013 o que chamamos de amplia\u00e7\u00e3o do \u201cdemos\u201d &#8211; mesmo que ainda N\u00c3O seja, de fato, uma \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d plena do Estado \u2013 implica na necess\u00e1ria diminui\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o, revers\u00e3o dos brutais \u00edndices de homic\u00eddios registrados no pa\u00eds que, ainda, variam, nos anos de 2015 -2019 entre 40 at\u00e9 60 mil mortos\/ano\u00a0 ( houve 43.892 assassinatos em\u00a0<strong>2020<\/strong>, o que significa 2.162 mortes a mais que em 2019.), a maioria homens, jovens, pretos ou pardos ao lado da urgente melhoria das condi\u00e7\u00f5es sociais do pa\u00eds, a revers\u00e3o da chamada \u201cdemocracia feia\u201d.<\/p>\n<p>As flutua\u00e7\u00f5es anuais n\u00e3o devem, de forma alguma, enganar os administradores p\u00fablicos sobre o grau de viol\u00eancia presentes na sociedade<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Varia\u00e7\u00f5es n\u00e3o alteram as causas estruturais da viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Barb\u00e1rie e Viol\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p>Devemos destacar a barb\u00e1rie que atinge os grupos vulner\u00e1veis e subalternos, mesmo que majorit\u00e1rios em seus n\u00fameros, s\u00e3o minorit\u00e1rios em suas condi\u00e7\u00f5es de empoderamento e emancipa\u00e7\u00e3o social, da\u00ed continuarem estruturalmente subalternos, como negros, pardos ou mulheres \u201ctrans\u201d, e todo o Grupo LGBTQI+ , como ainda, crian\u00e7as e,\u00a0 sempre, mulheres.\u00a0 Neste caso, o feminic\u00eddio \u00e9 vertical, demonstrando que a viol\u00eancia no Brasil soma no seu percurso uma trajet\u00f3ria de classe, etnia e g\u00eanero, muitas vezes invisibilizado, como nos mostra Hebe Castro em \u201cDas Cores do Sil\u00eancio\u201d, de 1995<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A Quest\u00e3o central reside nos limites, ao mesmo tempo, estrutural e institucional, e na resist\u00eancia, da amplia\u00e7\u00e3o por via do voto do \u201cdemos\u201d. Nos Estados Unidos, entre 1954 e 1968, a luta contra o \u201capartheid\u201d, na \u00c1frica do Sul, at\u00e9 1990, no Brasil o processo de democratiza\u00e7\u00e3o \u2013 o mais longo da hist\u00f3ria, como assinalamos\u00a0 \u2013 entre 1977 e 1988 \u2013 apresentaram limites, recuos e mesmo falhas. No caso do Brasil, \u00e9 not\u00e1vel que os aparelhos de repress\u00e3o, tanto na transi\u00e7\u00e3o de 1945\/1946 \u2013 a tem\u00edvel \u201cPol\u00edcia Especial\u201d \u2013 e na Transi\u00e7\u00e3o da Ditadura Militar \u2013 n\u00e3o tenham sido tocados. As pol\u00edcias, civil e militar, \u00f3rg\u00e3os especiais \u2013 tais como os Deops\/Dops, n\u00e3o foram alvos de exame e as anistias, desde 1946 at\u00e9 1979, cobriram as a\u00e7\u00f5es de torturadores, sequestradores, ocultadores de cad\u00e1veres, incendi\u00e1rios etc. <a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O grande conflito se d\u00e1 em torno da amplia\u00e7\u00e3o aos novos grupos em ascens\u00e3o tais como negros, mulheres, em especial mulheres negras, camponesas, oper\u00e1rias, \u00edndios e outros. Tais conflitos podem resultar na pr\u00f3pria crise do \u201cdemos\u201d pactuado atrav\u00e9s da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Neste sentido, a rela\u00e7\u00e3o \u201cpol\u00edtica\u201d entre as altas taxas de homic\u00eddios de pessoas dos grupos subalternos\/minorit\u00e1rios e a resist\u00eancia na amplia\u00e7\u00e3o do \u201cdemos\u201d,\u00a0 direta e imediata, \u00e9 o fulcro das tens\u00f5es republicanas atuais. Tal rela\u00e7\u00e3o compreende uma press\u00e3o \u201cselvagem\u201d em manter o status quo ou mesmo num brutal recuo e destrui\u00e7\u00e3o das conquistas democr\u00e1ticas. A abund\u00e2ncia brutal de mortes na sociedade brasileira \u00e9 a face mais expl\u00edcita da manuten\u00e7\u00e3o da estrutura social de privil\u00e9gios e de exclus\u00e3o. O jornal \u201cO DIA\u201d, citando um relat\u00f3rio da pol\u00edcia do Rio de Janeiro, noticiava no dia 26\/11\/2021: \u201cPol\u00edcia prende mil milicianos em um ano\u201d <a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>.\u00a0 Trata-se sem d\u00favida de uma not\u00edcia banal de uma guerra em curso. Da\u00ed a no\u00e7\u00e3o de \u201cGuerra Civil Oculta\u201d do Brasil.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros absurdos de homic\u00eddios e desaparecimentos \u2013 certa de 100 mil por ano em seu conjunto\u00a0 &#8211; com sua composi\u00e7\u00e3o classista, transversal, de negros, pardos, jovens do sexo masculino e com um componente de feminic\u00eddio que transpassa a sociedade de forma vertical \u2013 explicita a persist\u00eancia das caracter\u00edsticas patriarcais, mis\u00f3ginas e falocratas que comp\u00f5em historicamente a sociedade brasileira, tendo como base formativa a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u201cmapa\u2019 de mortes no Brasil\u00a0 n\u00e3o se constitui numa rela\u00e7\u00e3o prostitu\u00edda ou casual da baixa pol\u00edtica local do Rio de Janeiro ou do Par\u00e1 ou da \u201cArco do Fogo\u201d do desmatamento amaz\u00f4nico do crime organizado. Na verdade, constitui-se uma forma contumaz e hist\u00f3rico \u2013 Genoc\u00eddio, Escravid\u00e3o, Canudos, Contestado, Ditaduras<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> \u2013 e rotineira na hist\u00f3ria do Brasil em conten\u00e7\u00e3o e configura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais, desmentindo a chamada tese da \u201cternura brasileira\u201d, mas, de certa forma, confirmando a no\u00e7\u00e3o mais dura da \u201ccordialidade brasileira\u201d, confirmando o pa\u00eds descrito por Sergio Buarque de Holanda.<\/p>\n<p>Os homic\u00eddios em massa s\u00e3o parte de uma vasto processo de manuten\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o, de classe\/g\u00eanero\/etnia, de velhos contra jovens, no Brasil.\u00a0 O debate sobre o car\u00e1ter da domina\u00e7\u00e3o de classe que se explicita em formas de segrega\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e transversalmente de g\u00eanero e <strong><em>minoriza maiorias<\/em><\/strong> \u2013 negros, pardos, mulheres \u2013 pelo processo de nega\u00e7\u00e3o de direitos e remunera\u00e7\u00f5es \u00e9 bastante evidente e sua express\u00e3o sob a forma de viol\u00eancia privada e p\u00fablica se torna cada vez mais vis\u00edvel. Tal visibilidade tornou-se mais frequente \u2013 como no \u201cCaso Carrefour\u201d (2020), na Chacina de Acari (1990), da Candel\u00e1ria (1993), de Vig\u00e1rio Geral (1993) ou Varginha e Jacarezinho (2021) e Vila Cruzeiro (2022)\u00a0 \u2013 seja pela tomada de consci\u00eancia e exist\u00eancia de ongs \u2013 que inclusive precificam os danos materiais e o valor da vida \u2013 seja pela exist\u00eancia e difus\u00e3o de telefones capazes de filmar ou pela massifica\u00e7\u00e3o do n\u00famero de v\u00edtimas e sua repeti\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o de tropas do Estado<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>. E que agora, para espanto e choque, se configura no retorno do fen\u00f4meno da fome em massa que atinge multid\u00f5es da terceira pot\u00eancia agr\u00edcola do planeta.<\/p>\n<p>A fome \u00e9 uma forma de controle social<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Por fim, o debate, ainda restrito, sobre o peso estrutural da rela\u00e7\u00e3o escravid\u00e3o-racismo-resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7as remete claramente ao debate historiogr\u00e1fico sobre a natureza do fascismo\/nazismo no Terceiro Reich entre os historiadores defensores do \u201cFuncionalismo\u201d (n\u00e3o confundir com os funcionalistas de Bronislaw Malinowski e Talcott Parsons) e \u201cIntencionalistas\u201d, durante a \u201cHistorikerstreit\u201d (a \u201cQuerela dos Historiadores\u201d) na Alemanha, com considera\u00e7\u00f5es que a viol\u00eancia \u00e9 uma \u201cestrutura\u201d da sociedade brasileira, aut\u00f4noma e auto estruturante, independente da a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, levados de rold\u00e3o pela for\u00e7a de uma hist\u00f3ria que n\u00e3o muda (\u201cum passado que n\u00e3o quer passar&#8230;\u201d) e de um passado que n\u00e3o passa<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que o passado sequestrou o futuro.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia no Brasil:\u00a0 classe\/etnia\/g\u00eanero.<\/strong><\/p>\n<p>Esse processo de domina\u00e7\u00e3o, de longa dura\u00e7\u00e3o, estruturante da sociedade brasileira, uma hipoteca sobre o futuro, que tanto enfeia a democracia, \u00e9 claramente um processo de classe, grupo e fra\u00e7\u00f5es de classe, envolvendo uma vis\u00e3o social, uma mentalidade \u2013 em seu sentido mais amplo de <em>mentalit\u00e9<\/em> -. traz a experi\u00eancia da escraviza\u00e7\u00e3o das pessoas pretas, a sele\u00e7\u00e3o de g\u00eanero (uma raz\u00e3o masculina mais elevada), que se une a uma tradi\u00e7\u00e3o ib\u00e9rica de \u201climpeza de sangue\u201d, estabelecida desde a Col\u00f4nia quando se exigia provas de \u201csangue limpo\u201d ( sem cont\u00e1gio negro, mouro ou judeu). Ainda avan\u00e7ado o s\u00e9culo XIX, em 1820, os \u201ctribunais de limpeza de sangue\u201d funcionavam no Brasil para estabelecer \u201c&#8230;.a quem faltar a\u00a0pureza de sangue \u00a0com ra\u00e7a de\u00a0judeu\u00a0mouro, e de\u00a0mulato, por igual modo que qualquer outra infame de fato e de direito\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>.\u00a0Evidentemente, \u201cnegro\u2019 ou \u201cpreto\u201d n\u00e3o \u00e9 sequer nomeado no alvar\u00e1 por absurdo que seria a pretens\u00e3o de algum negro\/pardo se aventura a ser \u201chomem bom\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Muitos cientistas sociais no Brasil hoje, mesmo sem saber, acabam assumindo uma postura \u201cfuncionalista\u201d, por analogia ao \u201cHistorkerstreit\u201d alem\u00e3o e ao debate sobre a natureza do Terceiro Reich, onde a for\u00e7a de tais estruturas, sempre se reproduzindo autonomamente, moldando a hist\u00f3ria, explicam, o presente e amea\u00e7am o futuro \u2013 da\u00ed o \u201cpassado que n\u00e3o passa\u201d, tudo \u201cfunciona\u201d como uma gigantesca m\u00e1quina an\u00f4nima, autom\u00e1ticas e cega. Assim, os homens e suas a\u00e7\u00f5es, e sua responsabilidade, e a no\u00e7\u00e3o de \u201cIntencionalistas\u201d, n\u00e3o possuem qualquer papel na hist\u00f3ria, perante for\u00e7as t\u00e3o poderosas, na contram\u00e3o da hist\u00f3ria de historiadores como Fran\u00e7ois B\u00e9darida e de Hans Mommsen, centrados na \u201cinten\u00e7\u00e3o\u201d e responsabilidade dos atores,\u00a0 quando analisam os fascismos.<\/p>\n<p>O alto grau de viol\u00eancia na sociedade brasileira e da sua desigualdade estrutural como fator gen\u00e9tico n\u00e3o s\u00e3o,\u00a0 contudo, componentes de uma \u201cm\u00e1quina do destino\u201d. Cabe reconhecer um \u201cestado de guerra larval e cont\u00ednuo\u201d no qual vastos grupos sociais s\u00e3o explorados e oprimidos em favor de uma minoria.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis de homic\u00eddios \u2013 acompanhados de altos n\u00edveis de mortes violentas e de envolvimento\/mortes\/perpetra\u00e7\u00e3o por parte agentes policiais, em especial de policiais militares em tais crimes \u2013 supera em muito o n\u00famero dos conflitos internacionais em curso no momento, como na S\u00edria \u2013 500 mil mortes entre 2011 e 2020 -, L\u00edbano, Nig\u00e9ria ou mesmo Afeganist\u00e3o,\u00a0 constituindo-se numa verdadeira \u201cguerra civil oculta\u201d travada, por vezes, nas grandes cidades do Brasil.\u00a0 Os n\u00fameros de homic\u00eddios no pa\u00eds, como vimos, entre 2017 e 2020, flutuam entre \u00a063.880\u00a0 e 41.730, e em 2019,\u00a0 voltam a alta, em\u00a02020,\u00a0subindo para 43.892 homic\u00eddios<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>.\u00a0 \u00c9 isso que denominas de \u201cGuerra Civil Oculta!\u201d<\/p>\n<p><strong>A Guerra Civil do Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 comum, para a explica\u00e7\u00e3o dessa \u201c<em>guerra civil oculta<\/em>\u201d, trazer a quest\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas para o centro da viol\u00eancia no Brasil. O dom\u00ednio de narcotraficantes, historicamente no Rio de Janeiro e algumas \u00e1reas perif\u00e9ricas de S\u00e3o Paulo e grupos de assaltantes no Paran\u00e1, Goi\u00e1s e Minas Gerais denominados de forma claramente racista e preconceituosa como o \u201c<strong><em>novo canga\u00e7o<\/em>\u201d<\/strong>, bem como em ampl\u00edssimas \u00e1reas da Amaz\u00f4nia, foi erguido como elemento a justificar os conflitos entre policiais e \u201ccriminosos\u201d, dos quais decorriam \u201cbalas perdidas\u201d que encontrariam corpos entrepostos ao conflito. No entanto, os homic\u00eddios n\u00e3o s\u00e3o apenas de \u201cbalas perdidas\u201d. Ao lado do narcotr\u00e1fico emergem um sem n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es criminosas: do jogo do bicho, a tradicional organiza\u00e7\u00e3o criminosa urbana ao crime ambiental de destrui\u00e7\u00e3o da floresta, de contrabando de madeiras, armas, ouro, pedras preciosas, animais silvestres, de crian\u00e7as, de \u00f3rg\u00e3os humanos, e todo tipo de il\u00edcitos que transbordam sobre um territ\u00f3rio que o Estado n\u00e3o controla permitindo, in loco, a converg\u00eancia criminosa de todo tipo.<\/p>\n<p>Um n\u00famero crescente de atos de selvageria e barb\u00e1rie \u2013 em crescimento no Brasil\u00a0 &#8211; mostram, ainda, outras causas da viol\u00eancia estrutural no Brasil, para al\u00e9m das (1) guerras entre gangues para o controle de tais fluxos de il\u00edcitos\u00a0 ou (2) conflitos entre policiais e criminosos na participa\u00e7\u00e3o em tais fluxos il\u00edcitos.<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia conservadora no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Entre janeiro e junho de 2021, 80 (oitenta) pessoas \u201ctrans\u201d foram mortas no Brasil, segunda a associa\u00e7\u00e3o ANTRA<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> (sendo que em 2020 foram mortas 175 pessoas nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, transformando o Brasil o pa\u00eds que mais mata\u00a0 \u201cpessoas trans\u201d em todo o mundo;\u00a0 da mesma forma, desde o in\u00edcio da pandemia ocorreram 4 (quatro) feminic\u00eddios por dia no Brasil, com um aumento brutal do n\u00famero de mulheres mortas, chegando a um total\u00a0 1.338 um mulheres at\u00e9 o momento<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as s\u00e3o outro grande alvo da viol\u00eancia, incluindo a viol\u00eancia dom\u00e9stica, de todo tipo, como a agress\u00e3o sexual, descuido, abandono e formas variadas de ass\u00e9dio violento e neglig\u00eancia. A m\u00e1xima da educa\u00e7\u00e3o \u201cantiga\u201d\u00a0 &#8211; \u201c&#8230; n\u00e3o fale com estranhos!\u201d &#8211;\u00a0 \u00e9 ineficaz no Brasil: a maior parte das agress\u00f5es contra menores \u00e9 cometida por conhecidos e familiares!<\/p>\n<p>O fechamento das escolas e as atuais tentativas de reabertura intermitente\u00a0 s\u00e3o outra forma de agress\u00e3o: durante os quase 18 meses de recesso escolar nada foi feito para preparar, de forma segura, a escola para receber as crian\u00e7as e adolescentes, que est\u00e3o, assim como professores e todos os demais profissionais de ensino, expostos, antes\/depois da vacina\u00e7\u00e3o efetiva e garantida de 70% da popula\u00e7\u00e3o,\u00a0 \u00e0s variantes e novas\/diversas cepas de covid-19.<\/p>\n<p>O \u201cCaso dos Meninos de Belford Roxo\u201d &#8211; Lucas da Silva, de 9 anos, Alexandre da Silva e Fernando Henrique Soares, de 11 anos, os meninos do passarinho\u00a0 -, desaparecidos desde 27\/12\/2020, \u00e9 parte desse imenso descaso e brutal viol\u00eancia\u00a0 contra as crian\u00e7as do Brasil, ora nas m\u00e3os do Estado, ora na m\u00e3os de traficantes.<\/p>\n<p>Embora haja de fato um n\u00famero assombroso de v\u00edtimas decorrentes da \u201cguerra de bandos narcotraficantes\u201d, com ou sem a interveni\u00eancia das policias, devemos ter claro, que h\u00e1 uma viol\u00eancia brutal, estrutural, contra grupos sociais diversos\u00a0 &#8211; como o \u201cCaso Roberta\u201d,\u00a0 \u2013 a mulher \u201ctrans\u201d queimada viva em Pernambuco, como os meninos passarinheiros de Belford Roxo e contra as mulheres em geral por companheiros, que n\u00e3o merecem nenhuma ou quase nenhuma aten\u00e7\u00e3o por parte da administra\u00e7\u00e3o policial, sem inqu\u00e9ritos efetivos e sem que resultem em puni\u00e7\u00f5es efetivas que inibam sua repeti\u00e7\u00e3o. Em verdade o chamado \u201cIndicador Nacional\u201d que aponta 44% de resolu\u00e7\u00e3o de casos\/inqu\u00e9ritos criminais, o que deixa o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0abaixo da m\u00e9dia mundial, na resolu\u00e7\u00e3o,\u00a0 \u00e9 de cerca de 63%, segundo dados reunidos em 72 pa\u00edses<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Soma-se, desta forma, \u00e0 viol\u00eancia estrutural presente na sociedade brasileira onde grupos sociais colonizam institui\u00e7\u00f5es do Estado como \u201cprivi-legios\u201d naturais de classe, uma postura institucional de descaso e descuido que, em verdade, revela a face racista e sua origem classista, da viol\u00eancia institucional. Ambas as formas de viol\u00eancia \u2013 estrutural e institucional \u2013 se unem para perpetuar um <em>habitus<\/em> de impunidade presente na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Nesse ponto diferenciam-se duas formas de viol\u00eancia e da sua organiza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>A viol\u00eancia estrutural, organizativa e parte fundante da sociedade brasileira, de car\u00e1ter classista, \u00e9tnica, resultando num racismo persistente, que \u00e9 invisibilizada no <em>habitus<\/em>;<\/li>\n<li>A viol\u00eancia que organizada atrav\u00e9s de cart\u00e9is e novos meios empresariais do narcotr\u00e1fico, com largos ramos e enlaces internacionais financeiros voltados para sua diversidade, como armas, finan\u00e7as, meios de transporte, cambio etc.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na sua pr\u00e1tica di\u00e1ria ambas as formas recorrem \u00e0 m\u00e9todos brutais e perversos, reafirmam as pr\u00e1ticas de diferen\u00e7as de classe, g\u00eanero e etnia, corrompem menores e atuam na prostitui\u00e7\u00e3o, contudo seus objetivos, forma de organiza\u00e7\u00e3o e m\u00e9todo de agir s\u00e3o bastante distintos e, principalmente, sua a\u00e7\u00e3o na putrefa\u00e7\u00e3o do Estado de Direito Democr\u00e1tico e na promo\u00e7\u00e3o da \u201cliberta\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios\u201d possuem interesses diversos. Neste sentido, o combate contra ambas as formas, deve ser claramente distinto.<\/p>\n<p><strong>A nova face da \u201cGuerra do Tr\u00e1fico\u201d:<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a queda das redes do tr\u00e1fico configuradas com as Farc e os seus nexos no Rio e S\u00e3o Paulo, deu-se uma reorganiza\u00e7\u00e3o das rotas de fornecimento, via a chamada \u201cRota do Solim\u00f5es\u201d, transferindo para a Amazonia a violenta luta entre os carteis. Para o seu pleno funcionamento buscou-se o controle das penitenciarias de Manaus, Fortaleza e Natal, de onde se arregimentava o \u201cpessoal\u201d\u00a0 &#8211; soldados\u201d, \u201cavi\u00f5es\u201d e demais servi\u00e7os \u2013 e mesmo a organiza\u00e7\u00e3o de um novo comando, \u201cA Fam\u00edlia do Norte\u201d, que deveria fazer a intermedia\u00e7\u00e3o com os \u201ccomandos\u201d do Sul. A \u2018guerra\u201d nos pres\u00eddios, com as cenas b\u00e1rbaras de morte por decapita\u00e7\u00e3o, foram parte da guerra pelo controle da \u201cRota do Solim\u00f5es\u201d e da\u00ed as penitenci\u00e1rias e os aeroportos de Natal e Fortaleza para a Europa.<\/p>\n<ul>\n<li>Natal e Fortaleza \u2013 na jun\u00e7\u00e3o das \u201cduas viol\u00eancias\u201d tornaram-se as capitais federais mais violentas do pa\u00eds, enquanto o Rio de Janeiro n\u00e3o aparece na mesma lista em situa\u00e7\u00e3o de destaque e entre os munic\u00edpios mais violentos temos: Altamira (PA), Lauro de Freitas (BA) e Nossa Senhora do Socorro (SE)<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A \u201cRota do Solim\u00f5es\u201d:\u00a0 a necessidade de revis\u00e3o do papel do Comando Militar da Amaz\u00f4nia.\u00a0 O controle de aeroportos, de equipamento moderno de voo, de monitoramento e de \u201cC4\u201d est\u00e1 dispon\u00edvel em setores militares e deve ser passado para civis e constituir-se numa \u00e1rea de Intelig\u00eancia aut\u00f4noma. \u00c1rea de controle do 8\u00ba. Batalh\u00e3o de Infantaria de Selva (com um destacamento de Batalh\u00e3o de Engenharia e um excelente Hospital, com obstetr\u00edcia).<\/p>\n<p>Devemos ter claro um debate conceitual: de qual seguran\u00e7a e garantias estamos falando? Seguran\u00e7a para quem? Garantia de Direitos de quem ? Qual a extens\u00e3o de tais Direitos?<\/p>\n<p>Aqui importa desenvolver duas vertentes fundamentais para um futuro e eficaz\u00a0 conceito de Seguran\u00e7a, que deixe de ser uma \u201cSeguran\u00e7a Nacional\u201d, de Estado ou de uma elite que se identifique com o Estado. A \u201cSeguran\u00e7a\u201d deve ser voltada para a maioria que precisa de prote\u00e7\u00e3o contra grupos que agem \u00e0 margem do Estado de Direito Democr\u00e1tico, inclusive sobre prote\u00e7\u00e3o do Estado e de poderes paralelos que desviem de suas fun\u00e7\u00f5es prec\u00edpuas \u201cde Estado\u201d. Neste sentido, como j\u00e1 afirmamos, n\u00e3o h\u00e1 um \u201cEstado Paralelo\u201d \u2013 e n\u00e3o devemos usar tal express\u00e3o &#8211;\u00a0 mas, t\u00e3o somente, homens, fun\u00e7\u00f5es, parcelas e entes criminosos que se apropriam \u201cde fun\u00e7\u00f5es de Estado\u201d, por vezes em exerc\u00edcios de microfascismos, para em proveito pr\u00f3prio, de grupo e de decorr\u00eancia de putrefa\u00e7\u00e3o do Estado de Direito, usurpar as fun\u00e7\u00f5es, principalmente da viol\u00eancia legal do Estado<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, toda Seguran\u00e7a deve ser Cidad\u00e3 e Institucional, o que tem sido ignorado, na sua formula\u00e7\u00e3o e na sua implementa\u00e7\u00e3o, tanto por segmentos progressistas, quanto pelas chamadas \u201cFor\u00e7as da Ordem\u201d, visando as garantias da INTEGRIDADE F\u00cdSICA DOS GRUPOS SUBALTERNOS, SUA POSTUALA\u00c7\u00c3O DE DIREITOS PERANTE AS AUTORIADES E SEU DIRTEITO DE INTIMIDADE E PRIVACIDADE NO INTERIOR DO SEU LAR.<\/p>\n<p>Cabe rejeitar:<\/p>\n<ul>\n<li>a brutalidade, no imenso n\u00famero de casos de alto teor racistas, na repress\u00e3o dos il\u00edcitos, sempre junto \u00e0s comunidades e grupos subalternos, como parte constante das a\u00e7\u00f5es da REPRESS\u00c3O HIST\u00d3RICA DO PROCESSO SOCIAL BRASILEIRO;<\/li>\n<li>A CULPABILIZA\u00c7\u00c3O EM, MASSA DAPOPULA\u00c7\u00c3O, hoje j\u00e1 inscrita em apps eletr\u00f4nicos e instrumentos de reconhecimento facial, sem trabalhos pr\u00e9vios de Intelig\u00eancia, Comando, Controle e Comunica\u00e7\u00e3o por parte do Estado, optando pelo uso da for\u00e7a bruta, e o fuzil, deixando uma rastro de v\u00edtimas inocentes \u2013 as chacinas, massacres e no imprevis\u00f5es como a \u201cc\u00e2mara de g\u00e1s de Aracaju\u201d o \u201cCaso da Bicicleta El\u00e9trica\u201d do Leblon, no Rio de Janeiro &#8211; , onde e quando um biotipo \u00e9 sempre identificado previamente como criminoso;<\/li>\n<li>E, de forma reincidente na PR\u00d3PRIA PR\u00c1TICA DA JUSTI\u00c7A como na EXPEDI\u00c7\u00c3O DE MANDADOS COLETIVOS DE BUSCA ABRAGENDO RUAS E MESMOS BAIRROS INTEIROS em comunidades, sem discrimina\u00e7\u00e3o de endere\u00e7os ou nomeando indiv\u00edduos, o que criminaliza toda a comunidade como \u201cperigosa\u201d ou \u201csuspeita\u201d pela simples raz\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de moradia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Embora a \u201cfala\u201d , e muitas vezes a prepara\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es concretas sejam sempre b\u00e9licas \u2013 \u201cGuerra ao Tr\u00e1fico\u201d, \u201cGuerra ao Crime Organizado\u201d, \u201cGuerra \u00e0s Drogas\u201d,\u00a0 etc&#8230; , os meios utilizados no combate ao\u00a0 narcotr\u00e1fico s\u00e3o prim\u00e1rios, n\u00e3o s\u00f3 mantidos num patamar do senso comum, de alta precariedade e alta emo\u00e7\u00e3o \u201cna tropa\u201d, como ainda, travados como \u201ctroca de tiros com bandidos\u201d. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es vemos que ap\u00f3s \u201copera\u00e7\u00f5es\u201d mal planejadas ou \u201cselvagens\u201d\u00a0 &#8211; sem preparo ou autoriza\u00e7\u00e3o judicial &#8211; por parte dos corpos policiais, ocorrem baixas no enfrentamento com o narcotr\u00e1fico, resultado\u00a0 e ent\u00e3o incurs\u00f5es \u201cpunitivas\u201d \u2013 \u201cvingan\u00e7as\u201d &#8211; contra a popula\u00e7\u00e3o envolvente, resultando em tragedias brutais entra civis \u2013 como no caso da Vila Cruzeiro, em 2022.\u00a0 Escolas, blocos habitacionais, \u00e1reas de recrea\u00e7\u00e3o e moradias s\u00e3o usadas como escudos ou ignoradas por ambas as partes, muitas vezes a partir de crit\u00e9rios de constru\u00e7\u00e3o de perfis\u00a0 racistas\/coletivistas. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a realiza\u00e7\u00e3o de tais \u201copera\u00e7\u00f5es\u201d, na maioria das vezes trata-se de \u201ccumprir\u201d mandados de \u201cbusca\u201d e \u201capreens\u00e3o\u201d, com base em informa\u00e7\u00f5es\/intelig\u00eancia humanas prec\u00e1rias e sem qualquer confirma\u00e7\u00e3o, resultando em invas\u00f5es, viol\u00eancia f\u00edsica e brutalidade.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o\/organiza\u00e7\u00e3o de modernos meios de Intelig\u00eancia Humana, T\u00e9cnica e Cibern\u00e9tica e o \u201cTrabalho Interag\u00eancias\u201d \u00e9 raro ou mesmo ignorado.\u00a0 Fala-se em \u201cC2\u201d \u2013 \u201cComando e Controle\u201d, algumas vezes em \u201cC3\u201d,\u00a0 ou seja em empregar-se-ia meios de \u201cComando, Controle e Comunica\u00e7\u00e3o\u201d como forma de desorganiza\u00e7\u00e3o das redes do narcotr\u00e1fico, sem perceber as novas e avan\u00e7adas tecnologias j\u00e1 dispon\u00edveis para uso em n\u00edvel muito mais complexo como <strong>C<sup>4<\/sup>ISTAR<\/strong>\u00a0\/<em>Command, Control, Communications, Computer, Intelligence, Surveillance, Target Acquisition, <\/em><em>Reconnaissance. <\/em>Tais meios, s\u00e3o ainda ignorados, &#8211; em especial a correta e espec\u00edfica defini\u00e7\u00e3o de <em>\u201cTarget Acquisition\u201d<\/em>\u00a0 &#8211; embora sejam a forma mais completa de acompanhamento de redes complexas, como o tr\u00e1fico, terrorismo, contrabando e demais formas de crime transfronteiri\u00e7o. Toda uma moderna tecnologia que poderia identificar as redes de fluxo financeiro e computacionais capaz de \u201csecar\u201d as rotas que irrigam o tr\u00e1fico s\u00e3o deixadas de lado em favor do confronto f\u00edsico, tiros ao l\u00e9u e invas\u00f5es coletivas de \u00e1reas residenciais, com ou sem mandados, resultando em matan\u00e7as como no Jacarezinho, Rio de Janeiro, em 06\/05\/2021, em vez de minimizar os efeitos do uso do fuzil contra as comunidades perif\u00e9ricas<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 urgente uma reformula\u00e7\u00e3o total de todo o tratamento da Quest\u00e3o de Seguran\u00e7a Cidad\u00e3, e consequentemente sua dimens\u00e3o Institucional, a saber:<\/p>\n<ol>\n<li>O reconhecimento que a Quest\u00e3o dos Direitos Humanos \u00e9 uma Quest\u00e3o Nacional e n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o somente contida na Quest\u00e3o de Seguran\u00e7a Cidad\u00e3 e seu desdobramento Institucional, perpassando todas as a\u00e7\u00f5es do Estado;<\/li>\n<li>A Quest\u00e3o do Racismo Estrutural permeia toda a Quest\u00e3o de Seguran\u00e7a. No entanto, a urg\u00eancia da conten\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia brutal no pa\u00eds praticada n\u00e3o s\u00f3 pelas pol\u00edcias, como tamb\u00e9m por elementos civis \u2013 como contra a popula\u00e7\u00e3o \u201ctrans\u201d, contra mulheres e crian\u00e7as necessitam de uma abordagem de conjunto por parte do Estado;<\/li>\n<li>Estabelecer as Organiza\u00e7\u00f5es Narcotraficantes como alvos da a\u00e7\u00e3o repressora \u2013 \u201c<em>Target Acqusition<\/em>\u201d \u2013 e n\u00e3o os pequenos e eventuais traficantes, \u201cavi\u00f5es\u201d , \u201colheiros\u201d, \u201cfogueteiros\u201d, etc&#8230; retirando do embate f\u00edsico \u2013 as chamadas <em>opera\u00e7\u00f5es;<\/em><\/li>\n<li>a prioridade imediata para redu\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es \u201cselvagens\u201d, visando a diminui\u00e7\u00e3o imediata de v\u00edtimas de \u201cbalas perdidas\u201d e de \u201cbaixas colaterais\u201d;<\/li>\n<li>Aplicar os meios de Guerra Cibern\u00e9ticas \u2013 <em>C4I<\/em> \u2013 para o desmantelamento das organiza\u00e7\u00f5es narcotraficantes, buscando atingir sua organiza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u2013 apenas \u2013 os indiv\u00edduos na <em>ponta da opera\u00e7\u00e3o<\/em>;<\/li>\n<li>Sendo um crime \u201ctransfronteiri\u00e7o\u201d nacional e internacional,\u00a0 e pontos de uso de m\u00faltiplo acesso como aeroportos, portos, penitenciarias federais (por vezes \u201cescrit\u00f3rios do crime\u201d), o combate ao narcotr\u00e1fico deve, necessariamente federalizar o combate contra tais redes, criando uma ag\u00eancia civil com meios cibern\u00e9ticos de combate e de a\u00e7\u00e3o interag\u00eancias (hoje essa ag\u00eancia se encontra no \u00e2mbito do Ex\u00e9rcito, que deve ser um <em>partner<\/em> e n\u00e3o um agente em tal tarefa);<\/li>\n<li>Devemos reconhecer o car\u00e1ter internacional do tr\u00e1fico e a necessidade da coopera\u00e7\u00e3o internacional no seu combate via acordos internacionais, concentrando as pol\u00edcias estaduais nas garantias de cidadania cotidiana;<\/li>\n<li>A reeduca\u00e7\u00e3o permanente das pol\u00edcias, em especial da pol\u00edcia militar, num sentido antirracista e popular e dos Direitos Humanos, para reconstruir o perfil do traficante e do que \u00e9 o \u201cil\u00edcito\u201d e do tipo de il\u00edcito que realmente ofende o Bem Comum atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o com secretarias especializadas e do mundo acad\u00eamico, sem buscar criar ou substituir os entes j\u00e1 existentes e capazes na sua fun\u00e7\u00e3o prec\u00edpua;<\/li>\n<li>Estabelecer protocolos r\u00edgidos para o uso de armas de fogo, para opera\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de risco e a proibi\u00e7\u00e3o de \u201cblitz\u201d selvagens, tendo claro que o \u201cfogo real\u201d n\u00e3o \u00e9 justific\u00e1vel em \u00e1reas abertas e em situa\u00e7\u00e3o de risco da popula\u00e7\u00e3o civil;<\/li>\n<li>\u00a0Suprimir a demanda de \u201cmandatos coletivos de busca de casa em casa\u201d e n\u00e3o nomeados como amea\u00e7a aos Direitos Civis;<\/li>\n<li>\u00a0A obrigatoriedade do uso de c\u00e2maras em viaturas e nos uniformes em todos os casos de opera\u00e7\u00f5es policiais sob controle externo;<\/li>\n<li>Garantir o acesso da popula\u00e7\u00e3o a juizados de den\u00fancias sobre viol\u00eancias praticadas por agentes do Estado e eliminar os julgamentos intra-corpore.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Trata-se de formular um Programa Emergencial capaz de impactar, de imediato, as rela\u00e7\u00f5es do \u201cdemo\u201d ampliado com o Estado buscando a confian\u00e7a e o di\u00e1logo com as popula\u00e7\u00f5es das comunidades e restabelecendo, o que \u00e9 fundamental, os la\u00e7os de entendimento e do que \u00e9 poss\u00edvel de esperar do Estado.<\/p>\n<p>No entanto, apenas a presen\u00e7a do Estado, a longo prazo, como provedor das necessidades b\u00e1sicas das popula\u00e7\u00f5es historicamente abandonadas, em grande parte \u201cadotadas\u201d pelo pr\u00f3prio narcotr\u00e1fico, pelas mil\u00edcias,\u00a0 como par\u00f3dia de Estado, como um poder paralelo, jamais um Estado paralelo, poder\u00e1 criar condi\u00e7\u00f5es de restabelecer as condi\u00e7\u00f5es republicanas de seguran\u00e7a cidad\u00e3 e seus desdobramentos institucionais.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Esse trabalho decorre de quase tr\u00eas anos de entrevistas e contato direto com pessoas e institui\u00e7\u00f5es diretamente envolvidas na Quest\u00e3o da Seguran\u00e7a Cidad\u00e3 e Institucional no \u00e2mbito do Projeto SOS Brasil Soberano apoiado pelo Senge\/Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro e o CNPq e das pesquisas sobre as formas ditatoriais na Hist\u00f3ria do Brasil. Ver Teixeira Da Silva, Francisco C. e Schurster, Karl. Os Passageiros da Tempestade, Recife\/Rio de Janeiro, CEPE Editorial, 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Aqui nos referimos desde os lugares comuns de \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d at\u00e9 uma certa conformidade existente nas Esquerdas quer o tema de \u201cSeguran\u00e7a\u201d foi definitivamente capturado pela Direita e Extrema-Direita e a confus\u00e3o cl\u00e1ssica entre um programa de seguran\u00e7a e a obrigatoriedade em respeitar e promover os Direitos Humanos. Trabalhamos aqui com as no\u00e7\u00f5es de \u201cDireita\u201d e \u201cEsquerda\u201d conforme uma topol\u00f3gica, como foi proposto por Norberto Bobbio, em \u201cEsquerda e Direita, raz\u00f5es e significados de uma distin\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d. Petr\u00f3polis, Paz e Terra, 1994 e como procuramos estabelecer em \u201cDicion\u00e1rio Cr\u00edtico do Pensamento de Direita\u201d ( Teixeira da Silva, Francisco Carlos et alii, Rio de Janeiro, Mauad, 2000).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0 Ver Tannenbaum, Edward. La Experiencia Fascista. Madrid, Alianza Editorial, 1975, p. 159 e ss.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Destacamos aqui a no\u00e7\u00e3o de \u201cPoder Paralelo\u201d em oposi\u00e7\u00e3o a \u201cEstado Paralelo\u201d no sentido de que n\u00e3o h\u00e1 quaisquer legitimidade democr\u00e1tica, legal ou doutrinal no(s) poder(es) erguidos pelas milicias, em especialmente no Rio de Janeiro, impossibilitando assim, falar em \u201cEstado\u201d, guardando tal no\u00e7\u00e3o exclusivamente para o Estado Nacional, emana\u00e7\u00e3o legal e democr\u00e1tica da Na\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2021\/07\/15\/letalidade-policial-e-a-mais-alta-da-historia-negros-sao-78-dos-mortos.htm\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2021\/07\/15\/letalidade-policial-e-a-mais-alta-da-historia-negros-sao-78-dos-mortos.htm<\/a>, 15\/07\/2021, consultado em 20\/08\/2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> CNN BRASIL. Entre Janeiro e Marco deste ano, 453 pessoas morreram em a\u00e7\u00f5es policiais no Estado do Rio de Janeiro, 4% a mais do que as 435 v\u00edtimas no mesmo per\u00edodo do ano passado, quando ainda n\u00e3o estava em vigor a determina\u00e7\u00e3o do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu as opera\u00e7\u00f5es em favelas fluminenses.\u00a0IN: <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=n%C3%BAmero+de+vitimas+em+confrontos+com+policiais+no+ano+de+2021%3F&amp;rlz=1C1SQJL_pt-BRBR920BR920&amp;oq=n%C3%BAmero+de+vitimas+em+confrontos+com+policiais+no+ano+de+2021%3F&amp;aqs=chrome..69i57.18923j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\">https:\/\/www.google.com\/search?q=n%C3%BAmero+de+vitimas+em+confrontos+com+policiais+no+ano+de+2021%3F&amp;rlz=1C1SQJL_pt-BRBR920BR920&amp;oq=n%C3%BAmero+de+vitimas+em+confrontos+com+policiais+no+ano+de+2021%3F&amp;aqs=chrome..69i57.18923j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> D\u00b4Orsi, Angelo. La Polizia. Mil\u00e3o, Feltrinelli, 1976.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2021\/07\/15\/letalidade-policial-e-a-mais-alta-da-historia-negros-sao-78-dos-mortos.htm\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2021\/07\/15\/letalidade-policial-e-a-mais-alta-da-historia-negros-sao-78-dos-mortos.htm<\/a>, 18\/07\/2021, consultado em 10\/07\/2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> \u00a0FERREIRA, Romualdo. \u00c1frica durante o com\u00e9rcio negreiro. In.: SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Fl\u00e1vio (org..). Dicion\u00e1rio da escravid\u00e3o e liberdade. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 55.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Novais, Fernando Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial. S\u00e3o Paulo, Hucitec, 1995.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Novais, Fernando, Op. Cit,, p. 19 e ss. Ver para o debate sobre racismo: Poliakov, Leon. O Mito Ariano. S\u00e3o Perspectiva, 1971.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Linhares, Maria Yedda e Teixeira da Silva, Francisco C. Terra Prometida. S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> G1. Pr\u00e9dios desabam na Muzema, Rio. <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/ao-vivo\/predios-desabam-na-muzema-rio.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/ao-vivo\/predios-desabam-na-muzema-rio.ghtml<\/a>, 13\/04\/2021. Consultado, 21\/08\/2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Schurster, Karl e Teixeira da Silva, Francisco C. Militares e bolsonarismo: um caso da transi\u00e7\u00e3o falhada e democracia inacabada. In: Revista Relaciones Internacionales https:\/\/revistas.unlp.edu.ar\/RRII-IRI Vol 30 &#8211; n\u00ba 60\/202, file:\/\/\/C:\/Users\/55219\/Downloads\/12155-Texto%20del%20art%C3%ADculo-41773-1-10-20210713.pdf.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ver Vianna, Natalia. Dano Colateral. Rio de Janeiro, Objetiva, 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/monitor-da-violencia\/noticia\/2021\/02\/12\/brasil-tem-aumento-de-5percent-nos-assassinatos-em-2020-ano-marcado-pela-pandemia-do-novo-coronavirus-alta-e-puxada-pela-regiao-nordeste.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/monitor-da-violencia\/noticia\/2021\/02\/12\/brasil-tem-aumento-de-5percent-nos-assassinatos-em-2020-ano-marcado-pela-pandemia-do-novo-coronavirus-alta-e-puxada-pela-regiao-nordeste.ghtml<\/a>, 12\/02\/2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Castro, Hebe. <em>Das Cores do Sil\u00eancio. Os significados da liberdade no sudeste escravista (Brasil, s\u00e9c. XIX)<\/em>, Rio de Janeiro, Arquivo Nacional,\u00a0 1995.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Assis, Denise. Claudio Guerra: Matar, queimar. Rio de Janeiro, Kotter, 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> O Dia, 26\/11\/2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Ver Carneiro, Glauco. Hist\u00f3ria das Revolu\u00e7\u00f5es Brasileiras. Rio de Janeiro, Editora \u201cO Cruzeiro\u201d, 1963.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Muitas vezes\u00a0 o que mais preocupa \u00e9 a possibilidade que a precifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de racial e de g\u00eanero haja no sentido contr\u00e1rio ao endurecimento da legisla\u00e7\u00e3o existente.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Linhares, Maria Yedda e Teixeira da Silva, Francisco C. Hist\u00f3ria Pol\u00edtica do Abastecimento. Bras\u00edlia. Binagri, 1984.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Buchheim, Hans et ali. Anatomie des SS-Staates. Munique, Deutscher Taschenbuchverlag, 1999.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a>http:\/\/historialuso.arquivonacional.gov.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4950:pureza-de-sangue&amp;catid=196&amp;Itemid=215<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Rodrigues, Aldair Carlos. Honra e estatutos de limpeza de sangue no Brasil colonial. In: file:\/\/\/C:\/Users\/55219\/Downloads\/31841-124109-1-PB%20(1).pdf. Consultado em 12\/07\/2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2021\/07\/07\/80-pessoas-transexuais-foram-mortas-no-brasil-no-1o-semestre-deste-ano-aponta-associacao.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2021\/07\/07\/80-pessoas-transexuais-foram-mortas-no-brasil-no-1o-semestre-deste-ano-aponta-associacao.ghtml<\/a>..<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2021\/07\/07\/80-pessoas-transexuais-foram-mortas-no-brasil-no-1o-semestre-deste-ano-aponta-associacao.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2021\/07\/07\/80-pessoas-transexuais-foram-mortas-no-brasil-no-1o-semestre-deste-ano-aponta-associacao.ghtml<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> https:\/\/pt.org.br\/brasil-registra-mortes-de-1-338-mulheres-por-violencia-na-pandemia\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a><a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=inqueritos+n%C3%A3o+resolvidos+no+brasil&amp;oq=inqueritos+n%C3%A3o+resolvidos+no+brasil&amp;aqs=chrome..69i57.15565j0j4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\">https:\/\/www.google.com\/search?q=inqueritos+n%C3%A3o+resolvidos+no+brasil&amp;oq=inqueritos+n%C3%A3o+resolvidos+no+brasil&amp;aqs=chrome..69i57.15565j0j4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica\/IPEA, 2015\/2015. In: <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/as-30-cidades-mais-violentas-do-brasil-segundo-o-ipea\/\">https:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/as-30-cidades-mais-violentas-do-brasil-segundo-o-ipea\/<\/a> e\u00a0 https:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/capitais-mais-violentas-do-brasil\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Souza Alves, Jos\u00e9 Claudio. Dos Bar\u00f5es Ao Exterm\u00ednio Uma Hist\u00f3ria Da Viol\u00eancia Na Baixada Fluminense.\u00a0 Rio de Janeiro, Editora Consequ\u00eancia, 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Rovner, Joshua. WARFIGHTING IN CYBERSPACE.\u00a0 in: <a href=\"https:\/\/warontherocks.com\/2021\/03\/warfighting-in-cyberspace\/\">https:\/\/warontherocks.com\/2021\/03\/warfighting-in-cyberspace\/<\/a>, 2021.<\/p>\n<p>Enviado pelo autor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Carlos Teixeira da Silva &#8211; Sob impacto direto da mais cruel Pandemia e sua gest\u00e3o,\u00a0\u00a0 no Brasil \u2013 e agora sabemos de forma a atender interesses de bandos rivais de predadores do Estado \u2013\u00a0 bem como os massacres e brutais e crimes ocorridos em 2022, somos obrigados pensar com urg\u00eancia a chamada \u201cQuest\u00e3o Seguran\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18396,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[22],"class_list":["post-18558","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-violencia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>SEGURAN\u00c7A &amp; 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