{"id":18470,"date":"2022-11-02T12:37:23","date_gmt":"2022-11-02T15:37:23","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18470"},"modified":"2022-10-31T20:42:50","modified_gmt":"2022-10-31T23:42:50","slug":"deepfakes-o-novo-estagio-tecnologico-da-desinformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/11\/02\/deepfakes-o-novo-estagio-tecnologico-da-desinformacao\/","title":{"rendered":"Deepfakes, o novo est\u00e1gio tecnol\u00f3gico da desinforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sarah Schmidt<\/strong> &#8211; Algoritmo detecta imagens e v\u00eddeos alterados com intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<blockquote><p>Rostos podem ser alterados digitalmente em v\u00eddeos nos quais aquilo que se v\u00ea n\u00e3o \u00e9 necessariamente real<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"post-content\">\n<p>Em setembro, um v\u00eddeo adulterado do\u00a0<em>Jornal Nacional<\/em>, principal notici\u00e1rio da rede Globo de televis\u00e3o, ganhou as redes sociais. Nele, os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos mostravam os resultados de uma pesquisa de inten\u00e7\u00e3o de votos para a Presid\u00eancia, mas os dados estavam invertidos sobre quem era o candidato favorito, tanto nos gr\u00e1ficos quanto nas falas dos apresentadores. No dia seguinte, o telejornal fez\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2022\/09\/19\/deepfake-conteudo-do-jornal-nacional-e-adulterado-para-desinformar-os-eleitores.ghtml\" rel=\"noopener\">um esclarecimento<\/a>\u00a0alertando que o v\u00eddeo estava sendo usado para desinformar a popula\u00e7\u00e3o e afirmando que se tratava de\u00a0<em>deepfake,\u00a0<\/em>t\u00e9cnica que usa intelig\u00eancia artificial para fazer edi\u00e7\u00f5es profundas no conte\u00fado. Com ela, \u00e9 poss\u00edvel, por exemplo, trocar digitalmente o rosto de uma pessoa ou simular sua voz, fazendo com que ela fa\u00e7a o que n\u00e3o fez ou diga o que n\u00e3o disse.<\/p>\n<p>Em agosto, outro v\u00eddeo do telejornal com edi\u00e7\u00e3o semelhante, que tamb\u00e9m invertia os resultados de uma pesquisa para a Presid\u00eancia, foi postado na rede social de v\u00eddeos TikTok, onde alcan\u00e7ou 2,5 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/projetocomprova.com.br\/\" rel=\"noopener\">Projeto Comprova<\/a>, iniciativa que re\u00fane jornalistas de 43 ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para checar desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPode ser que tenha sido usada alguma t\u00e9cnica de\u00a0<em>deepfake\u00a0<\/em>nesses v\u00eddeos<em>,\u00a0<\/em>mas \u00e9 preciso uma an\u00e1lise mais detalhada. Para n\u00f3s, o importante \u00e9 saber que s\u00e3o falsos\u201d, observa o cientista da computa\u00e7\u00e3o Anderson Rocha, diretor do Instituto de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde coordena o Laborat\u00f3rio de Intelig\u00eancia Artificial (Recod.ai). O pesquisador tem estudado maneiras de detectar adultera\u00e7\u00f5es maliciosas em fotos e v\u00eddeos, inclusive em\u00a0<em>deepfakes<\/em>, tamb\u00e9m chamadas de m\u00eddia sint\u00e9tica.<\/p>\n<p>Ainda em mar\u00e7o deste ano, logo ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi v\u00edtima de\u00a0<em>deepfake<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=X17yrEV5sl4\" rel=\"noopener\">Um v\u00eddeo<\/a>\u00a0em que ele parecia pedir aos ucranianos que largassem as armas e voltassem para suas casas, como se o pa\u00eds estivesse se rendendo, circulou nas redes sociais, obrigando o Facebook e o YouTube a remov\u00ea-lo assim que se constatou que era falso. Nas imagens, o rosto do presidente aparecia em um corpo que quase n\u00e3o se mexia, vestido com uma camiseta verde.<\/p>\n<div id=\"attachment_456680\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-456680 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-2-1140.jpg?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-2-1140.jpg 1200w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-2-1140-250x63.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-2-1140-700x175.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-2-1140-120x30.jpg 120w, \" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Em v\u00eddeo falsificado, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pedia que seus compatriotas largassem as armas<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Em alguns casos, como nos v\u00eddeos do\u00a0<em>Jornal Nacional<\/em>, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil perceber que foram alterados de alguma forma, porque as not\u00edcias originais est\u00e3o facilmente dispon\u00edveis para verifica\u00e7\u00e3o. Mas nem sempre \u00e9 o caso. Diante das m\u00eddias sint\u00e9ticas, o ditado \u201cver para crer\u201d vai perdendo sentido, e a pr\u00f3pria intelig\u00eancia artificial pode ser uma aliada.<\/p>\n<p>\u201cGeralmente os v\u00eddeos sint\u00e9ticos s\u00e3o feitos em duas etapas: primeiro, com o uso de uma plataforma de\u00a0<em>deepfake<\/em>, para trocar os rostos ou fazer a sincronia da boca, e depois \u00e9 feita uma edi\u00e7\u00e3o em programas editores de v\u00eddeo\u201d, explica Rocha. Quem sabe o que procurar costuma detectar alguma falha do programa usado para produzir a farsa, como um jogo de luzes diferentes, um contraste entre o v\u00eddeo original e a nova face que foi inserida.<\/p>\n<p>\u00c9 como recortar um rosto de uma foto e colocar sobre outra: a incid\u00eancia de luz e a forma como a c\u00e2mera captou as duas imagens s\u00e3o diferentes. Esses vest\u00edgios s\u00e3o pistas que ficam pelo caminho, identificadas pelas t\u00e9cnicas de computa\u00e7\u00e3o forense, \u00e1rea de pesquisa que tem crescido nos \u00faltimos anos e da qual Rocha faz parte.<\/p>\n<p>Com colegas da Universidade de Hong Kong, o pesquisador desenvolveu um algoritmo que ajuda a detectar, de forma simult\u00e2nea nos v\u00eddeos, se houve manipula\u00e7\u00e3o de rostos e, em caso positivo, a localizar quais regi\u00f5es foram mudadas. Pode, por exemplo, ter sido a face inteira ou apenas a boca, a regi\u00e3o dos olhos ou o cabelo. \u201cA m\u00e9dia de acertos foi de 88% para v\u00eddeos de baixa resolu\u00e7\u00e3o e de 95% para v\u00eddeos com resolu\u00e7\u00e3o maior\u201d, explica Rocha, sobre um universo de 112 mil faces testadas: metade verdadeira, metade manipulada e gerada por quatro programas de\u00a0<em>deepfake<\/em>. O m\u00e9todo tamb\u00e9m indica se a imagem foi criada do zero, ou seja, sem ter como base uma fotografia existente. Os resultados foram publicados em abril de 2022 na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/ieeexplore.ieee.org\/abstract\/document\/9764682\" rel=\"noopener\"><em>Transactions on Information Forensics and Security.<\/em><\/a><\/p>\n<p>Segundo o cientista da computa\u00e7\u00e3o, outros algoritmos desenvolvidos conseguem detectar tra\u00e7os de altera\u00e7\u00e3o nos v\u00eddeos de\u00a0<em>deepfake<\/em>, mas, em sua maioria, trabalham com base nas pistas deixadas por programas de manipula\u00e7\u00e3o mais conhecidos, basicamente divididos em duas categorias: os que permitem a troca dos rostos e aqueles que possibilitam a edi\u00e7\u00e3o das express\u00f5es faciais. Um desses softwares \u00e9 conhecido por deixar sempre alguma imperfei\u00e7\u00e3o na sincroniza\u00e7\u00e3o da boca \u2013 o algoritmo detector, ent\u00e3o, \u00e9 programado para buscar esse erro espec\u00edfico. \u201cH\u00e1 um problema nisso: se n\u00e3o conhecermos o software de\u00a0<em>deepfake<\/em>, fica mais dif\u00edcil identificar esses tra\u00e7os. E sempre surgem aplicativos novos\u201d, observa Rocha.<\/p>\n<p>Por isso, ele e seus colegas treinaram o algoritmo que desenvolveram para que detectasse pistas sem pressupor conhecimento do aplicativo gerador de\u00a0<em>deepfake<\/em>. \u201cTrabalhamos com a ideia de que, independentemente do programa, ele vai deixar um ru\u00eddo, algo que n\u00e3o \u00e9 coerente com o resto da imagem.\u201d O m\u00e9todo atua em duas frentes: procura por assinaturas de ru\u00eddo, ou seja, mudan\u00e7as sutis na borda do rosto, por exemplo, e mapeia a chamada assinatura sem\u00e2ntica, que pode ser uma falha de cor, de textura ou de forma.<\/p>\n<p>\u201cO algoritmo automatiza o processo que um especialista humano faz, que \u00e9 procurar incoer\u00eancias, como os contrastes de luz\u201d, diz ele. \u201cO pr\u00f3ximo passo \u00e9 test\u00e1-lo com v\u00eddeos falsos gerados por um n\u00famero maior de programas, para confirmar esse potencial.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pornografia e o auge das<em>\u00a0fake news<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Esse tipo de algoritmo detector pode ser usado para diversos fins que envolvam o combate ao uso mal-intencionado de <em>deepfakes<\/em>. Rocha integra um projeto internacional, chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/engineering.purdue.edu\/SEMAFOR\/\" rel=\"noopener\"><em>Semantic Forensics<\/em><\/a>, ao lado de pesquisadores das universidades de Siena e Polit\u00e9cnica de Mil\u00e3o, na It\u00e1lia, e de Notre Dame, nos Estados Unidos, que conta com o apoio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O objetivo \u00e9 desenvolver ferramentas automatizadas que detectem essas manipula\u00e7\u00f5es. \u201cJ\u00e1 vimos casos de v\u00eddeos alterados de exerc\u00edcios militares de outros pa\u00edses, que multiplicam o n\u00famero de m\u00edsseis para mostrar um poder b\u00e9lico maior\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>Esses algoritmos tamb\u00e9m podem ajudar nos casos de\u00a0<em>deepfakes<\/em>\u00a0pol\u00edticas, como no epis\u00f3dio do presidente ucraniano, ou mesmo os pornogr\u00e1ficos. Foi usando os filmes de sexo que a t\u00e9cnica ganhou fama, no final de 2017. Na \u00e9poca, alguns usu\u00e1rios da internet passaram a inserir o rosto de celebridades do cinema em cenas de filmes com conte\u00fado sexual. Em setembro de 2019, segundo um\u00a0<a href=\"https:\/\/regmedia.co.uk\/2019\/10\/08\/deepfake_report.pdf\">levantamento<\/a>\u00a0do\u00a0<em>DeepTrace Labs<\/em>, uma companhia holandesa de ciberseguran\u00e7a, 96% dos v\u00eddeos de\u00a0<em>deepfake<\/em>\u00a0mapeadas na rede eram de pornografia n\u00e3o consensual. As principais v\u00edtimas eram mulheres, sobretudo atrizes, mas havia tamb\u00e9m registros de casos com pessoas que n\u00e3o eram famosas. Em julho deste ano, a cantora Anitta tamb\u00e9m foi v\u00edtima de uma\u00a0<em>deepfake\u00a0<\/em>porn\u00f4. O v\u00eddeo original j\u00e1 havia sido usado para produzir m\u00eddias falsas com o rosto da atriz Angelina Jolie.<\/p>\n<p>Segundo a jornalista Cristina Tard\u00e1guila, diretora de programas do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) e fundadora da Ag\u00eancia Lupa, especializada em checagem de fatos, o Brasil j\u00e1 tem lidado com\u00a0<em>deepfakes<\/em>\u00a0que precisam ser desmentidas. Por isso, programas que ajudem a detectar m\u00eddia sint\u00e9tica podem ser aliados dos jornalistas e checadores de fatos, que trabalham contra o tempo. \u201cAo lidar com desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ser r\u00e1pido. Por isso, \u00e9 importante investir em intelig\u00eancia artificial, em ferramentas que possam ajudar a detectar e mapear esse tipo de conte\u00fado falso de forma mais veloz. Assim, conseguimos encurtar o tempo entre a propaga\u00e7\u00e3o do conte\u00fado falso e a entrega da checagem\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cAs\u00a0<em>deepfakes<\/em>\u00a0s\u00e3o o auge das\u00a0<em>fake news<\/em>. Elas t\u00eam o potencial de enganar mais facilmente, porque, se \u00e9 um v\u00eddeo, a pessoa est\u00e1 vendo aquela cena\u201d, observa a jornalista Magaly Prado, que faz est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEA-USP). \u201cO \u00e1udio, inclusive, tamb\u00e9m pode ser gerado de forma sint\u00e9tica\u201d, diz ela, autora do livro\u00a0<em>Fake news e intelig\u00eancia artificial: O poder dos algoritmos na guerra da desinforma\u00e7\u00e3o,\u00a0<\/em>lan\u00e7ado em julho pela Edi\u00e7\u00f5es 70<em>.<\/em><\/p>\n<p>Ela avalia que, apesar de serem menos lembradas e menos comuns, as\u00a0<em>deepfakes<\/em>\u00a0exclusivamente em formato de \u00e1udio t\u00eam potencial para se espalhar por plataformas como o WhatsApp, m\u00eddia muito usada pelos brasileiros. Eles seguem l\u00f3gica parecida com a dos v\u00eddeos: com aplicativos acess\u00edveis que ficam cada vez melhores, \u00e9 poss\u00edvel simular a voz de algu\u00e9m. As v\u00edtimas mais f\u00e1ceis s\u00e3o figuras p\u00fablicas, cuja voz est\u00e1 amplamente dispon\u00edvel na rede. A t\u00e9cnica pode ser usada tamb\u00e9m para golpes financeiros. \u201cJ\u00e1 houve casos como o de um funcion\u00e1rio de empresa de tecnologia que recebeu mensagem de voz de um alto executivo pedindo uma transfer\u00eancia em dinheiro. Ele desconfiou, o caso foi analisado por uma empresa de seguran\u00e7a e verificou-se que era uma mensagem constru\u00edda com intelig\u00eancia artificial\u201d, conta.<\/p>\n<p>O jornalista Bruno Sartori, diretor da empresa\u00a0<em>FaceFactory<\/em>, explica que produzir\u00a0<em>deepfakes\u00a0<\/em>bem-feitas, tanto de \u00e1udio quanto de v\u00eddeo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples \u2013 ainda. \u00c9 o que ele faz, profissionalmente: sua empresa cria m\u00eddia sint\u00e9tica para uso comercial e fornece conte\u00fado para programas de humor dos canais de televis\u00e3o Globo e SBT.<\/p>\n<div id=\"attachment_456676\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-456676 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-1-1140.jpg?w=640&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-1-1140.jpg 1200w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-1-1140-250x63.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-1-1140-700x175.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/SITE_DeepFake-1-1140-120x30.jpg 120w, \" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Em comercial para a Samsung usando\u00a0deepfake, a apresentadora Ma\u00edsa interage consigo mesma quando crian\u00e7a<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Em 2021, ele trabalhou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CWbDJ6fINA0\/\" rel=\"noopener\">em um comercial<\/a>\u00a0para a Samsung em que a apresentadora Ma\u00edsa, j\u00e1 adulta, interagia com sua vers\u00e3o crian\u00e7a. Esta \u00faltima, criada com t\u00e9cnicas de\u00a0<em>deepfake<\/em>. A menininha virtual dan\u00e7a, brinca e joga um notebook para cima. Em outra ocasi\u00e3o, ele precisou inserir o rosto de um ator em um dubl\u00ea. \u201cPara treinar bem a intelig\u00eancia artificial, \u00e9 importante ter um bom banco de imagens e de \u00e1udio da pessoa que se quer imitar. Os bons programas que fazem processamento de alta qualidade tamb\u00e9m precisam ter configura\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas. Caso contr\u00e1rio, pode haver falhas vis\u00edveis no rosto ou, no caso do \u00e1udio, uma voz robotizada\u201d, explica.<\/p>\n<p>Em sua avalia\u00e7\u00e3o, os v\u00eddeos manipulados do\u00a0<em>Jornal Nacional<\/em>\u00a0que trocam os dados da pesquisa n\u00e3o chegaram a ser alterados com uso de intelig\u00eancia artificial. \u201cNa minha an\u00e1lise, eles passaram por uma edi\u00e7\u00e3o comum, com o corte e a invers\u00e3o da ordem dos \u00e1udios. S\u00e3o o que chamamos de\u00a0<em>shallowfake<\/em>. Mas, como est\u00e1 bem-feita, o potencial de enganar as pessoas \u00e9 o mesmo\u201d, avalia Sartori. Para ele, daqui a poucos anos esses programas estar\u00e3o mais leves, mais inteligentes e mais acess\u00edveis.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns caminhos para se proteger da desinforma\u00e7\u00e3o criada com o aux\u00edlio da tecnologia. Um deles \u00e9 ficar atento \u00e0s licen\u00e7as de uso e privacidade dos mais diversos aplicativos gratuitos usados no dia a dia \u2013 desde aqueles que pedem acesso \u00e0s fotos do usu\u00e1rio para gerarem efeitos divertidos, passando pelos que podem armazenar a voz. Segundo Rocha, da Unicamp, muitos deles guardam uma quantidade grande de dados que podem ser compartilhados para outros fins, como treinar programas de\u00a0<em>deepfake<\/em>.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. \u201cPor mais que existam softwares que nos ajudem a apontar o que \u00e9 falso, o primeiro passo \u00e9 desconfiar daquilo que se recebe nas redes sociais. E conferir as fontes de informa\u00e7\u00e3o, pesquisar sobre elas\u201d, conclui.<\/p>\n<p class=\"bibliografia separador-bibliografia\"><strong>Projeto<br \/>\n<\/strong>D\u00e9j\u00e0 vu: Coer\u00eancia temporal, espacial e de caracteriza\u00e7\u00e3o de dados heterog\u00eaneos para an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o de integridade (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/98398\/deja-vu-coerencia-temporal-espacial-e-de-caracterizacao-de-dados-heterogeneos-para-analise-e-interpr\/\" rel=\"noopener\">n\u00ba 17\/12646-3<\/a>)<strong>; Modalidade\u00a0<\/strong>Projeto Tem\u00e1tico<strong>; Pesquisador respons\u00e1vel\u00a0<\/strong>Anderson Rocha<strong>; Investimento\u00a0<\/strong>R$ 1.912.168,25.<\/p>\n<p class=\"bibliografia\"><strong>Artigo cient\u00edfico<br \/>\n<\/strong>KONG, C.\u00a0<em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/ieeexplore.ieee.org\/abstract\/document\/9764682\" rel=\"noopener\">Detect and locate: Exposing face manipulation by semantic- and noise-level telltales<\/a>.\u00a0<strong>Transactions on Information Forensics and Security<\/strong>. v. 17. abr. 2022.<\/p>\n<p class=\"bibliografia\"><strong>Livro<br \/>\n<\/strong>PRADO, M.\u00a0<strong>Fake news e intelig\u00eancia artificial: O poder dos algoritmos na guerra da desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2022.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Deepfakes, o novo est\u00e1gio tecnol\u00f3gico da desinforma\u00e7\u00e3o : Revista Pesquisa Fapesp &#8211; https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/deepfakes-o-novo-estagio-tecnologico-das-noticias-falsas\/<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sarah Schmidt &#8211; Algoritmo detecta imagens e v\u00eddeos alterados com intelig\u00eancia artificial. Rostos podem ser alterados digitalmente em v\u00eddeos nos quais aquilo que se v\u00ea n\u00e3o \u00e9 necessariamente real Em setembro, um v\u00eddeo adulterado do\u00a0Jornal Nacional, principal notici\u00e1rio da rede Globo de televis\u00e3o, ganhou as redes sociais. 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