{"id":18334,"date":"2022-09-27T12:50:21","date_gmt":"2022-09-27T15:50:21","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18334"},"modified":"2022-09-21T18:56:18","modified_gmt":"2022-09-21T21:56:18","slug":"dowbor-ve-o-ocaso-do-capitalismo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/09\/27\/dowbor-ve-o-ocaso-do-capitalismo-3\/","title":{"rendered":"Dowbor v\u00ea o ocaso do capitalismo (3)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Antonio Martins <\/strong>&#8211; Para concentrar riquezas, o tecno-rentismo instala catracas e impede a pot\u00eancia produtiva da sociedade. Mas a\u00ed est\u00e1 tamb\u00e9m sua fraqueza. A economia arrasta-se, as crises financeiras sucedem-se e a pol\u00edtica vive inst\u00e1vel permanente<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>III.<br \/>\n<\/strong><strong>A maldi\u00e7\u00e3o de Marx:<br \/>\nquanto mais desigualdade, mais crises<\/strong><\/p>\n<p>No tempo do capitalismo industrial, um tema que fascinou de modo permanente os estudiosos do sistema foram suas crises. Karl Marx foi pioneiro tamb\u00e9m em explic\u00e1-las, ao apontar que elas originavam-se de uma contradi\u00e7\u00e3o fundamental. A <em>produ\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>de riquezas era cada vez mais\u00a0<em>socializada,\u00a0<\/em>\u00e0 medida que a industrializa\u00e7\u00e3o espraiava-se pelo mundo e incorporava novos contingentes de trabalhadores. Mas a\u00a0<em>apropria\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0dos bens produzidos mantinha-se\u00a0<em>privada\u00a0<\/em>e cada vez mais\u00a0<em>concentrada.\u00a0<\/em>Por isso, abria-se aos poucos um fosso entre o imenso volume de mercadorias produzidas e a incapacidade das sociedades para consumi-las. Em certo ponto, eclodia uma\u00a0<em>crise de superprodu\u00e7\u00e3o<\/em>. As f\u00e1bricas e seu maquin\u00e1rio tornavam-se in\u00fateis. Era preciso\u00a0<em>destruir<\/em> o capital existente \u2013 ou, fisicamente, por meio de guerras, ou com o advento de novas tecnologias, que exigissem o descarte e renova\u00e7\u00e3o das estruturas de produ\u00e7\u00e3o anteriores.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>Resgatar a fun\u00e7\u00e3o social da economia,\u00a0<\/em>Ladislau Dowbor mostra que tamb\u00e9m esta din\u00e2mica mudou, na era do tecno-rentismo contempor\u00e2neo. As crises de superprodu\u00e7\u00e3o persistem \u2013 como demonstra a \u201cGrande Recess\u00e3o\u201d iniciada em 2008. Mas a elas sobrep\u00f5e-se um novo fen\u00f4meno, que o livro analisa em detalhes: o\u00a0<em>desperd\u00edcio das estruturas de produ\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>existentes. \u00c9 algo que resulta da pr\u00f3pria natureza do novo sistema. Agora, como se viu, os lucros derivam em grande parte da\u00a0<em>cria\u00e7\u00e3o artificial de escassez.\u00a0<\/em>Ou seja: para que uma minoria cada vez mais \u00ednfima continue a concentrar riquezas, \u00e9 preciso instalar catracas por toda a parte e\u00a0<em>impedir\u00a0<\/em>que a pot\u00eancia produtiva da sociedade se realize. As novas tecnologias permitem que o conhecimento mais avan\u00e7ado esteja dispon\u00edvel para todos. Mas o caso de\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/aaron-swartz-guerrilheiro-da-internet-livre\/\">Aaron Swartz<\/a>\u00a0\u2013 um g\u00eanio precoce da programa\u00e7\u00e3o e do ativismo digital \u2013 \u00e9 emblem\u00e1tico. Ao programar um computador p\u00fablico do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Instituto_de_Tecnologia_de_Massachusetts\">MIT<\/a>, uma das principais universidades dos EUA, para baixar milh\u00f5es de artigos cient\u00edficos mantidos pela empresa JSTOR, que cobra pelo acesso, ele foi preso, implicado num processo que poderia resultar em 35 aos de c\u00e1rcere e levado ao suic\u00eddio, aos 26 anos.<\/p>\n<p>A obsess\u00e3o do novo sistema em\u00a0<em>restringir o desenvolvimento do Comum<\/em> tamb\u00e9m pode ser observada em outros fen\u00f4menos, menos pontuais, mas igualmente grotescos. No Brasil, a Emenda Constitucional 95 proibiu o Estado de ampliar os investimentos sociais por duas d\u00e9cadas \u2013 ignorando a prem\u00eancia do combate \u00e0 pobreza, a relev\u00e2ncia dos servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o crescimento vegetativo da popula\u00e7\u00e3o. Alegou-se \u201cdisciplina fiscal\u201d. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum limite ao desperd\u00edcio de dinheiro p\u00fablico com o pagamento, pelo Estado, de juros (os mais altos do mundo) \u00e0 oligarquia financeira.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tamb\u00e9m aqui n\u00e3o se trata de uma jabuticaba brasileira. O bloqueio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de vacinas contra a covid, em meio a uma pandemia, \u00e9 ultrajante e exemplar. A partir de 2020, \u00c1frica do Sul, \u00cdndia e movimentos ligados \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica em todo o mundo tentaram obter, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), licen\u00e7a provis\u00f3ria para produzir os imunizantes enquanto durasse a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria. Em janeiro de 2022, um estudo demonstrou que havia\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasaude\/disseminacao-acelerada-da-omicron-acirra-a-luta-das-patentes\/\">mais de cem laborat\u00f3rios<\/a>\u00a0na \u00c1sia, Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica preparados para produzir as vacinas \u2013 num momento em que, no Sul global, 92% da popula\u00e7\u00e3o estava desprotegida. Mas o que teria sido uma oportunidade, na \u00e9poca do capitalismo industrial, foi visto como amea\u00e7a. A OMC mant\u00e9m at\u00e9 hoje a proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo III de\u00a0<em>Resgatar a fun\u00e7\u00e3o social da economia,\u00a0<\/em>Dowbor lan\u00e7a um olhar sobre o imenso desaproveitamento de capacidades produtivas que caracteriza o novo modo de captura da riqueza coletiva. O mais dram\u00e1tico \u00e9 o do trabalho. \u201cUm sistema cuja principal forma de se apropriar do excedente social se d\u00e1 por meio de rentismo improdutivo precisa cada vez menos de for\u00e7a de trabalho para ter quem explorar\u201d, resume o autor. E aponta como exemplo o Brasil. Das 106 milh\u00f5es de pessoas que comp\u00f5em a popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar, apenas 44 milh\u00f5es (42%) t\u00eam emprego formal na iniciativa privada (33 milh\u00f5es) ou no setor p\u00fablico (11 milh\u00f5es). Enquanto isso, h\u00e1 15 milh\u00f5es de desempregados e 40 milh\u00f5es que \u201cse viram\u201d em ocupa\u00e7\u00f5es informais, na maioria das vezes prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de percentuais. A era em que o conhecimento tornou-se o principal fator de produ\u00e7\u00e3o deveria ser a do trabalho mais qualificado, menos penoso e realizado em jornadas mais leves. Mas a ultraconcentra\u00e7\u00e3o da riqueza social nas m\u00e3os de uma oligarquia m\u00ednima produz o efeito oposto. Multiplicam-se os trabalhos exaustivos e degradantes, as jornadas que se prolongam ap\u00f3s o expediente, a obriga\u00e7\u00e3o de estar permanentemente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da empresa (e do algoritmo), a aus\u00eancia de direitos e garantias.<\/p>\n<p>Num livro publicado este ano (<a href=\"https:\/\/www.sup.org\/books\/title\/?id=34899\"><em>Automation is a Myth<\/em><\/a>), o soci\u00f3logo neozeland\u00eas Luke Munn\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/futuro-do-trabalho-e-a-servidao-as-maquinas\/\">ajuda a desvendar<\/a>\u00a0como a plataformiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 transformando para muito pior o mundo do trabalho. Por tr\u00e1s dos processos dos \u201csistemas automatizados\u201d, diz ele, h\u00e1 um contingente cada vez maior de trabalhadores prec\u00e1rios. N\u00e3o s\u00e3o apenas os motoristas ou empregadores de aplicativos \u2013 mas tamb\u00e9m os dezenas milh\u00f5es que atuam na captura (quase sempre sub-rept\u00edcia), de dados pessoais, no tratamento e uniformiza\u00e7\u00e3o destas informa\u00e7\u00f5es (que em seguida alimentar\u00e3o m\u00e1quinas e sistemas), na modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados das redes sociais ou em atividades mais antigas e banais, como os servi\u00e7os de assist\u00eancia ao cliente. A automa\u00e7\u00e3o n\u00e3o remove o trabalho humano, diz Munn, mas elimina \u201co trabalhador pleno, com pagamento integral, com plenos direitos\u201d. O sistema n\u00e3o almeja o \u201cfim do trabalho\u201d, e sim \u201csubmiss\u00e3o total dos assalariados \u00e0s plataformas e \u00e0 intelig\u00eancia artificial\u201d. Por isso, \u201ca precariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mero acidente\u201d.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se desperdi\u00e7a apenas trabalho. A inibi\u00e7\u00e3o da capacidade de produzir, por um sistema que ganha instalando catracas e criando escassez, atinge tamb\u00e9m a\u00a0<em>terra\u00a0<\/em>(urbana e rural), as pol\u00edticas p\u00fablicas, o potencial cient\u00edfico e\u2026 o pr\u00f3prio capital. Dowbor examina cada um desses processos.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>\u00e1rea agricult\u00e1vel\u00a0<\/strong>n\u00e3o pode estar dispon\u00edvel para todos, ou os poucos que a controlam perder\u00e3o seus privil\u00e9gios, mostra o livro. Por isso, resiste-se tanto \u00e0 reforma agr\u00e1ria num pa\u00eds como o Brasil, em que h\u00e1 225 milh\u00f5es de hectares dispon\u00edveis (j\u00e1 exclu\u00eddas as florestas, os demais biomas protegidos e as \u00e1reas onde n\u00e3o h\u00e1 solos adequados ou \u00e1gua suficiente) e apenas\u00a0<em>63 milh\u00f5es\u00a0<\/em>(26%) s\u00e3o usados para lavouras. O restante (160 milh\u00f5es de hectares, ou\u00a0<em>cinco It\u00e1lias<\/em>) est\u00e1 reservado para especula\u00e7\u00e3o ou destinado \u00e0 pecu\u00e1ria extensiva. Aqui, as l\u00f3gicas pr\u00e9-capitalistas (o privil\u00e9gio de posse da terra, como forma rentista arcaica) entrela\u00e7am-se com o rentismo contempor\u00e2neo, uma alian\u00e7a vis\u00edvel na articula\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio com o desmatamento, a grilagem de terras p\u00fablica e os grandes\u00a0<em>traders\u00a0<\/em>internacionais de\u00a0<em>commodities.<\/em><\/p>\n<p>As\u00a0<strong>pol\u00edticas p\u00fablicas\u00a0<\/strong>e o\u00a0<strong>investimento do Estado,\u00a0<\/strong>que seriam cruciais pra renovar a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, construir cidades humanizadas e para todos ou oferecer infraestrutura moderna, est\u00e3o constrangidas pela ideologia da disciplina fiscal. Em consequ\u00eancia, imp\u00f5em-se as l\u00f3gicas da mercantiliza\u00e7\u00e3o e do privil\u00e9gio: os servi\u00e7os de qualidade s\u00e3o oferecidos apenas aos que pagam, precisamente para que gerem lucros. Embora seu alvo principal sejam as maiorias, esta restri\u00e7\u00e3o acaba atingindo tamb\u00e9m as classes m\u00e9dias.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os p\u00fablicos e a renova\u00e7\u00e3o da infraestrutura poderiam oferecer ocupa\u00e7\u00f5es dignas e estimulante para gera\u00e7\u00f5es de profissionais de forma\u00e7\u00e3o superior hoje \u00e0 margem. De engenheiros e economistas a assistentes sociais; de psic\u00f3loga a planejadores e ambientalistas; de soci\u00f3logos a bi\u00f3logos e ge\u00f3logos. Mas o estreitamento destas possibilidades leva ao desperd\u00edcio do potencial cient\u00edfico e obriga um enorme contingente de pessoas bem formadas a aceitar ocupa\u00e7\u00f5es muito abaixo das habilidades que poderiam exercer, e quase sempre inseguras e prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>desaproveitamento do capital\u00a0<\/strong>\u00e9 a dimens\u00e3o mais surpreendente reportada por Dowbor. Mesmo nas condi\u00e7\u00f5es de desigualdade extrema existentes no Brasil, seria poss\u00edvel direcionar a riqueza acumulada pelas elites econ\u00f4micas para atividades produtivas. Mas as din\u00e2micas atuais conduzem ao contr\u00e1rio: os \u201cinvestimentos\u201d mais rent\u00e1veis para o dinheiro sobrante s\u00e3o os que o conduzem \u00e0\u00a0<em>especula\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>rentista. \u201cO grande dinheiro se divorciou em grande parte dos processos produtivos. E o capital vai para onde rende mais\u201d, lembra Dowbor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\">* * *<\/p>\n<p>Esta din\u00e2mica de degrada\u00e7\u00e3o do trabalho e da natureza em favor de uma oligarquia cada vez mais reduzida multiplica fortunas \u2013 mas tem meios para se reproduzir?\u00a0<em>Resgatar a fun\u00e7\u00e3o social da economia\u00a0<\/em>sugere que n\u00e3o. As pr\u00f3prias taxas de evolu\u00e7\u00e3o do PIB, mostra o livro, s\u00e3o agora med\u00edocres. Parece inacredit\u00e1vel, mas o imenso avan\u00e7o tecnol\u00f3gico das \u00faltimas d\u00e9cadas n\u00e3o foi capaz sequer de garantir o crescimento das economias. \u00c9 como se, um s\u00e9culo e meio depois, a maldi\u00e7\u00e3o de Marx se impusesse: enquanto n\u00e3o resolverem o n\u00f3 da desigualdade, as sociedades viver\u00e3o sob o fantasma das crises.<\/p>\n<p>Quando vir\u00e1 o pr\u00f3ximo colapso dos mercados financeiros? Esta pergunta perturba todos os dias as novas oligarquias. Benefici\u00e1rias de uma transfer\u00eancia maci\u00e7a de recursos p\u00fablicos, elas intuem que, em algum momento, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel mais sustentar a captura do trabalho social. Nesse ponto, a pir\u00e2mide desabar\u00e1.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\">* * *<\/p>\n<p>Um de seus flancos fr\u00e1geis \u00e9 o da pol\u00edtica. O velho centro liberal, que dava estabilidade \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e mantinha as sociedades coesas em torno da velha ordem capitalista, est\u00e1 amea\u00e7ado. Cresce o descr\u00e9dito da democracia, vista por muitos, entre as maiorias, como mero teatro para maquiar as desigualdades e ocultar os bastidores do poder, onde as elites fazem seus neg\u00f3cios. Surgem, em especial nas antigas classe m\u00e9dias deca\u00eddas, o ressentimento e o desejo de fazer tudo voar pelos ares.<\/p>\n<p>Mas o decl\u00ednio dos partidos que defendem as velhas l\u00f3gicas de domina\u00e7\u00e3o seria necessariamente m\u00e1 not\u00edcia? O \u00faltimo cap\u00edtulo do livro de Ladislau sugere que n\u00e3o. O autor j\u00e1 n\u00e3o se contenta em afirmar que surgiram bases materiais para sociedades baseadas na colabora\u00e7\u00e3o. Ele aponta eixos para as mudan\u00e7as pol\u00edticas que poder\u00e3o abrir a transi\u00e7\u00e3o para uma nova ordem social. \u00c9 o que veremos no \u00faltimo texto desta s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Dowbor v\u00ea o ocaso do capitalismo (3) &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/dowbor-ve-o-ocaso-do-capitalismo-3\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Martins &#8211; Para concentrar riquezas, o tecno-rentismo instala catracas e impede a pot\u00eancia produtiva da sociedade. Mas a\u00ed est\u00e1 tamb\u00e9m sua fraqueza. A economia arrasta-se, as crises financeiras sucedem-se e a pol\u00edtica vive inst\u00e1vel permanente III. 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