{"id":18332,"date":"2022-09-26T12:48:09","date_gmt":"2022-09-26T15:48:09","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18332"},"modified":"2022-09-21T18:56:59","modified_gmt":"2022-09-21T21:56:59","slug":"dowbor-ve-o-ocaso-do-capitalismo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/09\/26\/dowbor-ve-o-ocaso-do-capitalismo-2\/","title":{"rendered":"Dowbor v\u00ea o ocaso do capitalismo (2)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Antonio Martins<\/strong> &#8211; O conhecimento substituiu a f\u00e1brica, como motor principal da produ\u00e7\u00e3o de riquezas, afirma o economista. Mas mudan\u00e7a est\u00e1 permitindo a uma pequena elite apropriar-se do trabalho coletivo. Que mecanismos permitem faz\u00ea-lo?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>II.<\/strong><br \/>\n<strong>As novas formas de extra\u00e7\u00e3o<br \/>\nda riqueza social<\/strong><\/p>\n<p>Entre as dez empresas ocidentais de maior valor de mercado em 2022, apenas duas \u2013 Toyota e Samsung \u2013 s\u00e3o industriais, segundo a <a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/lists\/global2000\/?sh=7beec2525ac0\">revista\u00a0<em>Forbes<\/em><\/a>. Dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.forbespt.com\/estes-sao-os-10-homens-mais-ricos-do-planeta\/\">dez bilion\u00e1rios<\/a>\u00a0com maior riqueza acumulada, somente dois \u2013 Elon Musk e Bernard Arnaut \u2013 concentram parte de seus recursos na atividade produtiva, por sinal produzindo bens de luxo. E no topo da pir\u00e2mide do novo sistema est\u00e3o tr\u00eas fundos gigantes de intermedia\u00e7\u00e3o financeira. BlackRock, Vanguard e State Street t\u00eam, somados, ativos equivalentes ao PIB dos EUA (US$ 21,5 trilh\u00f5es) e quatro vezes superiores ao or\u00e7amento federal norte-americano. Sozinho, o Black Rock tem poder de investimento cinco vezes superior ao PIB do Brasil.<\/p>\n<p>Os dados bastam para sugerir o quanto migraram \u2013 da ind\u00fastria para as finan\u00e7as \u2013 os mecanismos de captura e concentra\u00e7\u00e3o da riqueza global. Mas em <em>Resgatar a fun\u00e7\u00e3o social da economia,\u00a0<\/em>Ladislau Dowbor n\u00e3o se limita a enunciar f\u00f3rmulas gen\u00e9ricas. Ele faz quest\u00e3o de descrever, um a um, os processos que substitu\u00edram a produ\u00e7\u00e3o industrial e agora drenam o trabalho e os conhecimentos de toda a sociedade para uma pequena minoria. O exame atento confirmar\u00e1 que se trata de cria\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Os processos eram residuais ou subalternos ao capitalismo industrial, antes da era neoliberal. Tornaram-se dominantes num contexto em que uma pequena elite sentiu necessidade de substiuir a antiga forma de extra\u00e7\u00e3o do mais-valor pelo apoderamento improdutivo da riqueza. Eis alguns destes mecanismos, descritos em mais detalhes em\u00a0<em>Resgatar a fun\u00e7\u00e3o social da economia.<\/em><\/p>\n<p><strong>Endividamento generalizado:<\/strong><br \/>\n77% das fam\u00edlias brasileiras\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2022\/05\/02\/endividamento-e-inadimplencia-das-familias-batem-novo-recorde-em-abril.ghtml\">estavam endividadas<\/a>\u00a0em julho de 2022. No mesmo m\u00eas, a inadimpl\u00eancia quebrou um\u00a0<a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/opiniao\/noticia\/2022\/08\/30\/inadimplencia-cresce-e-e-motivo-de-apreensao.ghtml\">recorde hist\u00f3rico<\/a>: 66,8 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o foram capazes de se manter em dia com seus d\u00e9bitos. O n\u00famero de\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-da-globo\/noticia\/2022\/06\/04\/mais-de-5-milhoes-de-pequenas-empresas-se-endividaram-na-pandemia-e-estao-inadimplentes-aponta-serasa.ghtml\">empresas inadimplentes<\/a>\u00a0chegou a 6 milh\u00f5es. \u201cGrande parte da humanidade trabalha para alimentar intermedi\u00e1rios financeiros\u201d, afirma Ladislau, citando dados do Brasil sobre a pun\u00e7\u00e3o da riqueza coletiva que isso representa. J\u00e1 em 2016, R$ 1 trilh\u00e3o, ou 16% do PIB brasileiro de ent\u00e3o, foram transferidos aos bancos, a t\u00edtulo de juros. Somados aos 6% do PIB pagos pelo Estado brasileiro aos detentores da d\u00edvida p\u00fablica, perfaziam uma captura, pela oligarquia financeira, equivalente a\u00a0<em>mais de 1\/5\u00a0<\/em>das riquezas produzidas no pa\u00eds.<\/p>\n<div id=\"outra-2039008346\" class=\"outra-meio-do-texto\">\n<div id=\"outra-338714116\">Esta apropria\u00e7\u00e3o foi maximizada pelas pol\u00edticas neoliberais. Elas reduziram a capacidade dos Estados de emitir moeda para fazer investimentos produtivos mas ampliaram, ao mesmo tempo o poder de emiss\u00e3o <em>dos bancos privados.\u00a0<\/em>\u201cOs bancos hoje emitem dinheiro. O papel-moeda impresso pelos governos representa, como ordem de grandeza, 3% da liquidez. Os 97% constituem apenas anota\u00e7\u00f5es nos computadores, dinheiro virtual emitido pelos bancos\u201d, frisa o livro, ecoando, entre outros,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bankofengland.co.uk\/quarterly-bulletin\/2014\/q1\/money-creation-in-the-modern-economy\">um estudo<\/a>\u00a0do Bank of England.<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Dividendos, ganhos financeiros e especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria:<\/strong><br \/>\nAo longo de 2021, a Petrobras \u2013 uma empresa estatal que, em teoria, deveria agir em favor dos interesses nacionais \u2013 transferiu a seus acionistas\u00a0<em>R$ 101 bilh\u00f5es,<\/em>\u00a0na forma de dividendos. Hoje, 63,4% do capital est\u00e1 em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.investidorpetrobras.com.br\/visao-geral\/composicao-acionaria\/\">m\u00e3os privadas<\/a>\u00a0e, desta parte,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.investidorpetrobras.com.br\/visao-geral\/composicao-acionaria\/\">70% pertence a estrangeiros<\/a>\u00a0(em geral megafundos como o BlackRock). Os lucros da empresa foram obtidos, essencialmente, extraindo do subsolo o abundante petr\u00f3leo brasileiro e vendendo-o com margem descomunal aos consumidores. Enquanto premiava este tipo de acionistas, a Petrobras reduziu seus pr\u00f3prios investimentos, em 2021, a US$ 8,7 bilh\u00f5es \u2013 menos de 1\/5 do que haviam sido em 2013. As pol\u00edticas neoliberais a transformaram numa \u201cvaca leiteira dos mercados\u201d.<\/p>\n<p>E esta m\u00e1quina de capturar a riqueza comum e transferi-la a uma aristocracia financeira \u00e9 alimentada com dinheiro p\u00fablico, sempre que para de girar. Tanto na crise de 2008 quanto na de 2019, os bancos centrais emitiram,\u00a0<em>a partir do nada,\u00a0<\/em>cerca de\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/grao-de-areia-na-engrenagem-do-sistema\/\"><em>30 trilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/em><\/a>, para evitar que os cassinos globais secassem. Eram recursos negados \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 infraestrutura, sob pretexto de preservar a \u201cdisciplina fiscal\u201d. E a folia n\u00e3o cessou, quando os riscos de colapso financeiro passaram. Os bancos centrais mant\u00eam, at\u00e9 hoje, as pol\u00edticas de\u00a0<em>quantitative easing,\u00a0<\/em>por meio das quais seguem produzindo montanhas de dinheiro e despejando nos mercados, supostamente para \u201cestimular as economias\u201d. Como se ver\u00e1 adiante, o objetivo nunca \u00e9 alcan\u00e7ado \u2013 inclusive porque os muito ricos entesouram o dinheiro que ganham, ao inv\u00e9s de faz\u00ea-lo circular. Mas a minoria beneficiada agradece \u2013 e, entre outras \u201caplica\u00e7\u00f5es\u201d, utiliza os recursos recebidos para alimentar a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria global, que torna o custo dos im\u00f3veis e alugu\u00e9is cada vez mais proibitivo\u2026<\/p>\n<p><strong>Plataformiza\u00e7\u00e3o das economias e do trabalho:<\/strong><br \/>\nA intermedia\u00e7\u00e3o do dinheiro, da comunica\u00e7\u00e3o, do conhecimento e da informa\u00e7\u00e3o pessoal transformou-se numa fonte de ganhos bilion\u00e1rios \u00e0s custas do conjunto das sociedades, prossegue Ladislau. Ele refere-se a plataformas como as que gerenciam motoristas, entregadores e um\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/viagem-ao-inferno-do-trabalho-em-plataformas\/\">conjunto cada vez maior<\/a>\u00a0de atividades profissionais. Mas tamb\u00e9m ao oligop\u00f3lio que controla os pagamentos com cart\u00f5es de cr\u00e9dito e d\u00e9bito e drena entre 2,5% e 5% de\u00a0<em>cada opera\u00e7\u00e3o comercial.\u00a0<\/em>E, em especial, a gigantes que passaram a controlar a internet como Alphabet (Google) e Meta (Facebook) \u2013 e a mercantilizar via publicidade o conte\u00fado produzido por bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Em todos estes casos e em muitos outros, o car\u00e1ter de pun\u00e7\u00e3o social \u00e9 evidente e as somas envolvidas, cada vez mais astron\u00f4micas. As corpora\u00e7\u00f5es envolvidas nada produzem. Apenas empregam seu poder econ\u00f4mico gigantesco para criar servi\u00e7os que se tornam obrigat\u00f3rios, por constitu\u00edrem o chamado \u201cmonop\u00f3lio de demanda\u201d: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comunicar-se efetivamente sem recorrer a eles. E s\u00f3 podem faz\u00ea-lo porque a pr\u00f3pria internet tem sido convertida em territ\u00f3rio de mercantiliza\u00e7\u00e3o intensa \u2013 o oposto exato da rede para livre circula\u00e7\u00e3o de conhecimento com que sonharam seus criadores.<\/p>\n<p><strong>Mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida e das redes de infraestrutura:<\/strong><br \/>\nUm dos movimentos cruciais do neoliberalismo foi o desmonte do estado de bem-estar social. Ele abriu espa\u00e7o, em todo o mundo, para que proliferassem corpora\u00e7\u00f5es que transformam o que antes foi direito de todos em mercadoria. \u00c9 a pen\u00faria da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica que permite a grupos internacionais como Kroton, Laureat e Pearson, ou brasileiros como Eleva (de Jo\u00e3o Paulo Lemann) e Est\u00e1cio obter enormes lucros com o ensino-mercadoria que oferecem. \u00c9 o subfinancimento do SUS que leva dezenas de milh\u00f5es de pessoas a contratarem planos de sa\u00fade de conglomerados como Amil (United Health), Interm\u00e9dica-Notre Dame (Bain Capital), ou Qualicorp e Prevent Senior. E \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o das empresas telef\u00f4nicas, das distribuidoras de energia el\u00e9trica e da Eletrobras, das empresas de g\u00e1s canalizado; ou a venda planejada dos Correios e das companhias estaduais e municipais de saneamento que cria monop\u00f3lios privados incontorn\u00e1veis. Em todos os casos, servi\u00e7os que deveriam ser oferecidos pelo Estado, sem objetivo de lucro, s\u00e3o convertidos em instrumentos de pun\u00e7\u00e3o da riqueza social.<\/p>\n<p><strong>Patentes e \u201cPropriedade intelectual\u201d:<\/strong><br \/>\nAlguns milh\u00f5es de pessoas morreram de covid-19 desnecessariamente, entre 2020 e 2022, porque as vacinas demoraram a chegar aos que mais necessitavam \u2013 e ainda hoje faltam para 40% do popula\u00e7\u00e3o do planeta. Embora mais silenciosa (por se concentrar agora em pa\u00edses pobres), a AIDS continua matando\u00a0<a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/hiv-aids#almost-1-million-people-die-from-hiv-aids-each-year-in-some-countries-it-s-the-leading-cause-of-death\">850 mil ao ano<\/a>, quando j\u00e1 h\u00e1 medicamentos capazes de impedir os \u00f3bitos ou reduzi-los dramaticamente. Tais mortes n\u00e3o s\u00e3o uma fatalidade \u2013 mas um evento necess\u00e1rio para que um punhado de empresas farmac\u00eauticas possa lucrar muito com a restri\u00e7\u00e3o artificial \u00e0 circula\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>S\u00e3o tamb\u00e9m o resultado de decis\u00f5es pol\u00edticas. Nas d\u00e9cadas posteriores \u00e0 II Guerra Mundial, as patentes farmac\u00eauticas foram banidas por motivos humanit\u00e1rios evidentes. Sua reintrodu\u00e7\u00e3o deu-se ao longo da d\u00e9cada de 1990, como parte do processo de \u201cliberaliza\u00e7\u00e3o\u201d que culminou com a cria\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. Em\u00a0<em>Resgatar a fun\u00e7\u00e3o social da economia,\u00a0<\/em>Ladislau sustenta que as patentes e a prote\u00e7\u00e3o da \u201cpropriedade intelectual\u201d tornaram-se \u2013 em todos os setores \u2013 um entrave, uma forma de gerar feudos tecnol\u00f3gicos e multiplicar lucros para muito poucos, fabricando escassez para as multid\u00f5es. Ele cita Mariana Mazzucato, que demonstrou, em\u00a0<em>O Estado Empreendedor,<\/em>\u00a0o papel central que a pesquisa p\u00fablica desempenhou no desenvolvimento de inven\u00e7\u00f5es das quais mais tarde as empresas privadas se apropriaram. A lista vai das vacinas contra a covid aos microchips; dos HDs e mem\u00f3rias dos computadores \u00e0s telas\u00a0<em>touch\u00a0<\/em>hoje presentes em cada celular.<\/p>\n<p><strong>Evas\u00e3o de impostos e para\u00edsos fiscais:<\/strong><br \/>\nO sistema tribut\u00e1rio brasileiro \u00e9 t\u00e3o injusto e comporta absurdos t\u00e3o flagrantes (como a inexist\u00eancia de impostos sobre dividendos), que muitas vezes parece ser um \u201cjabuticaba\u201d, presente apenas no pa\u00eds. Ladislau demonstra que n\u00e3o. Uma das caracter\u00edsticas das pol\u00edticas fiscais adotadas em todo o Ocidente, nas d\u00e9cadas do neoliberalismo, foi a redu\u00e7\u00e3o generalizada dos impostos pagos pelos mais ricos e pelas corpora\u00e7\u00f5es, a pretexto de \u201cestimular os investimentos\u201d. Nos EUA, por exemplo, toda a valoriza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis e outros ativos \u00e9 isenta, at\u00e9 o momento em que s\u00e3o vendidos. Esta norma permitiu ao bilion\u00e1rio Warren Buffett \u2013 um dos dez homens mais ricos do mundo \u2013 aumentar sua riqueza em US$ 24 bilh\u00f5es, entre 2014 e 2018 e pagar apenas US$ 23,7 milh\u00f5es em impostos, no mesmo per\u00edodo. \u201cUma al\u00edquota efetiva de 0,1%\u2026\u201d, destaca o livro.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de impostos \u00e9, na pr\u00e1tica, a permiss\u00e3o para que os mais ricos apropriem-se de uma vasta parte da riqueza coletiva. E \u00e9 agravada pela prolifera\u00e7\u00e3o dos para\u00edsos fiscais, outra marca da globaliza\u00e7\u00e3o comandada pelo capital. Para reduzir a quase nada os tributos que paga em todo o mundo, a Microsoft \u201ctransfere\u201d seus lucros, por meio de artif\u00edcios cont\u00e1beis, para a Irlanda, onde uma de suas subsidi\u00e1rias permaneceu isenta em 2020, mesmo lucrando US$ 314,7 bilh\u00f5es. E um estudo da revista\u00a0<em>The Economist\u00a0<\/em>avaliou que em torno de 40% dos lucros das multinacionais s\u00e3o \u201ctransferidos\u201d para pa\u00edses de impostos baixos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\">* * *<\/p>\n<p>Em lugar da mais-valia extra\u00edda nas f\u00e1bricas, uma nova classe dominante \u2013 ainda mais minorit\u00e1ria que a velha burguesia industrial \u2013 criou mecanismos financeiros para capturar o suor de toda a sociedade. Mas este rentismo contempor\u00e2neo, t\u00e3o capaz de concentrar riquezas, seria ao mesmo tempo est\u00e1vel? No pr\u00f3ximo texto, veremos que n\u00e3o \u2013 e por qu\u00ea.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>[continua]<\/em><\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Dowbor v\u00ea o ocaso do capitalismo (2) &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/dowbor-ve-o-ocaso-do-capitalismo-2\/<\/p>\n<div id=\"__reading__mode__content_end_mark_container_id\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Martins &#8211; O conhecimento substituiu a f\u00e1brica, como motor principal da produ\u00e7\u00e3o de riquezas, afirma o economista. Mas mudan\u00e7a est\u00e1 permitindo a uma pequena elite apropriar-se do trabalho coletivo. Que mecanismos permitem faz\u00ea-lo? II. 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