{"id":18293,"date":"2022-09-14T12:23:37","date_gmt":"2022-09-14T15:23:37","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18293"},"modified":"2022-09-12T12:04:27","modified_gmt":"2022-09-12T15:04:27","slug":"da-geofisica-a-sociofisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/09\/14\/da-geofisica-a-sociofisica\/","title":{"rendered":"Da geof\u00edsica \u00e0 sociof\u00edsica"},"content":{"rendered":"<p><strong>LUIZ MARQUES<\/strong> &#8211; Em 2017, apenas cinco anos atr\u00e1s, viv\u00edamos em outro planeta. Um planeta no qual um trabalho publicado por Richard J. Millar, da Universidade de Exeter, e nove coautores na revista\u00a0<em style=\"font-size: 16px;\">Nature Geoscience\u00a0<\/em><span style=\"font-size: 16px;\">podia ainda se intitular: \u201cOr\u00e7amentos de carbono e trajet\u00f3rias consistentes com limitar o aquecimento em 1,5 oC\u201d.<\/span><a style=\"font-size: 16px;\" href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn1\">[1]<\/a><span style=\"font-size: 16px;\">\u00a0Seus autores sugeriam ent\u00e3o que a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, vale dizer, limitar o aquecimento da temperatura m\u00e9dia global terrestre e mar\u00edtima combinadas a 1,5 oC acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial (1850-1900), n\u00e3o era ainda \u201cuma impossibilidade geof\u00edsica\u201d:<\/span><a style=\"font-size: 16px;\" href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn2\">[2]<\/a><\/p>\n<blockquote><p>Supondo que as emiss\u00f5es atinjam o pico e diminuam abaixo dos n\u00edveis atuais [2015] at\u00e9 2030, e continuem a partir de ent\u00e3o em um decl\u00ednio muito mais acentuado, o que seria historicamente sem precedentes, mas consistente com um cen\u00e1rio de mitiga\u00e7\u00e3o ambicioso padr\u00e3o (RCP2.6), tal suposi\u00e7\u00e3o resulta em uma faixa prov\u00e1vel de aquecimento com pico de 1,2\u00b0C a 2\u2009\u00b0C acima de meados do s\u00e9culo XIX. Se as emiss\u00f5es de CO2 forem continuamente ajustadas ao longo do tempo para limitar o aquecimento em 2100 a 1,5\u00b0C, com ambiciosa mitiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o-CO2, \u00e9 improv\u00e1vel que as emiss\u00f5es l\u00edquidas cumulativas futuras de CO2 sejam inferiores a 250\u2009GtC e superiores a 540\u2009GtC. Portanto, limitar o aquecimento a 1,5\u2009\u00b0C ainda n\u00e3o \u00e9 uma impossibilidade geof\u00edsica, mas provavelmente exigir\u00e1 o cumprimento de promessas refor\u00e7adas para 2030, seguidas de uma mitiga\u00e7\u00e3o desafiadoramente profunda e r\u00e1pida. O fortalecimento das redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es de curto prazo seria um escudo contra uma alta resposta clim\u00e1tica ou contra taxas de redu\u00e7\u00e3o subsequentes economicamente, tecnicamente ou politicamente invi\u00e1veis.<\/p><\/blockquote>\n<p>Richard Millar e colegas afirmavam, em suma, que redu\u00e7\u00f5es radicais das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) ofereceriam uma probabilidade de 66% de manter o aquecimento a menos de 0,6 oC acima das temperaturas m\u00e9dias de 2015. Lembremos que em 2012 o\u00a0aquecimento m\u00e9dio global girava em torno de 0,85oC (0,65 &#8211; 1,06 oC) acima de 1880, conforme apontado em 2013 pelo quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC (Painel Intergovernamental sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas).<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn3\">[3]<\/a>\u00a0Segundo dados do Goddard Institute for Space Studies (GISS\/NASA), esse aquecimento viria a\u00a0atingir 1oC em 2014 em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo de refer\u00eancia 1880-1920. Os resultados da pesquisa de Millar e colegas\u00a0pareciam, portanto, trazer \u00f3timas not\u00edcias e n\u00e3o surpreende sua grande repercuss\u00e3o\u00a0na imprensa.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a comunidade cient\u00edfica recebeu o trabalho de Millar e colegas com retic\u00eancias, que procurei registrar em dois artigos tamb\u00e9m de 2017,<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn5\">[5]<\/a>\u00a0baseando-me sobretudo numa revis\u00e3o de Jeff Tollefson,<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn6\">[6]<\/a>\u00a0um articulista da\u00a0<em>Nature<\/em>. Em todo o caso, a proposta do trabalho era alentadora: se as emiss\u00f5es de GEE diminu\u00edssem ao longo do terceiro dec\u00eanio do s\u00e9culo abaixo de seu n\u00edvel de 2015 e continuassem a decrescer vigorosamente ap\u00f3s 2030, nada nas leis da f\u00edsica exclu\u00eda ainda a possibilidade de se conter o aquecimento m\u00e9dio global em 1,5 oC acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial (1850-1900). Em 2019, cinco dos dez autores do artigo de 2017 voltaram \u00e0 carga em outro trabalho, cujo primeiro autor era Christopher Smith, da University of Leeds.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn7\">[7]<\/a>\u00a0Publicado na revista\u00a0<em>Nature Communications<\/em>, o artigo se intitulava: \u201cA atual infraestrutura dos combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o nos condena ainda a um aquecimento de 1,5 oC\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn8\">[8]<\/a>\u00a0Sua tese principal refor\u00e7ava a ideia de que o limite de aquecimento de 1,5 oC ainda estava ao nosso alcance:<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn9\">[9]<\/a><\/p>\n<blockquote><p>Focamos no aquecimento comprometido a partir dos atuais ativos de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Aqui mostramos que, se a infraestrutura com uso intensivo de carbono for descontinuada no final de sua vida \u00fatil a partir do final de 2018, h\u00e1 uma chance de 64% de que o pico de aumento da temperatura m\u00e9dia global permane\u00e7a abaixo de 1,5 \u00b0C. Atrasar a mitiga\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030 reduz consideravelmente a probabilidade de conter o aquecimento em 1,5 \u00b0C, mesmo que a taxa de diminui\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis seja acelerada. Embora os desafios estabelecidos pelo Acordo de Paris sejam assustadores, indicamos que 1,5 \u00b0C permanece poss\u00edvel e \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel com redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es ambiciosa e imediata em todos os setores.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1. A segunda fase da acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento ap\u00f3s 2015<\/strong><\/p>\n<p>Por controversa que fosse, a tese de que um aquecimento m\u00e9dio global limitado a 1,5 oC estava ainda no rol das possibilidades geof\u00edsicas era talvez sustent\u00e1vel at\u00e9 2019. Continuar sustentando essa tese em 2022 seria totalmente descabido. Como dito acima, vivemos hoje em outro planeta.\u00a0Secas, enchentes, picos de calor, inc\u00eandios, crises sanit\u00e1rias e polui\u00e7\u00e3o, resultando em aumento da inseguran\u00e7a alimentar, inclusive nos pa\u00edses ricos, tornam-se agora fen\u00f4menos cuja magnitude n\u00e3o tem precedentes nos registros hist\u00f3ricos. Tais cat\u00e1strofes tornam-se dia a dia mais intensas, mais frequentes e potencialmente mais letais, a exemplo do que ocorreu no ver\u00e3o de 2021 e no ver\u00e3o atual, no hemisf\u00e9rio norte. Seus impactos ocorrem agora em quase todas as latitudes do planeta, matando, ocasionando sofrimento inaudito e destruindo infraestrutura de modo generalizado.\u00a0Esses\u00a0impactos est\u00e3o agora em uma curva muito mais agressiva de acelera\u00e7\u00e3o, e \u00e9 important\u00edssimo atentar para o fato de que a agressividade dessa curva n\u00e3o foi prevista pelos modelos. N\u00e3o foi suficientemente destacada a afirma\u00e7\u00e3o do Sexto Relat\u00f3rio do IPCC:\u00a0<em>\u201cA extens\u00e3o e a magnitude dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o maiores do que as estimadas em avalia\u00e7\u00f5es anteriores (alta confiabilidade)\u201d<\/em>.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn10\">[10]<\/a>\u00a0De fato, ningu\u00e9m previa que em 2021 o Canad\u00e1 conheceria uma temperatura de 49,6 oC. N\u00e3o se previa tampouco que em 2022 grandes rios perenes como o P\u00f3, o Reno, o Loire, o R\u00f3dano, o Dan\u00fabio, o T\u00e2misa,<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn11\">[11]<\/a>\u00a0o Yang-Ts\u00e9 na China (o maior rio da \u00c1sia) e o Colorado nos EUA, entre muitos outros grandes rios, chegassem a n\u00edveis t\u00e3o baixos ou viessem mesmo a secar completamente em longos trechos, comprometendo a navega\u00e7\u00e3o, o resfriamento dos reatores nucleares e o abastecimento de \u00e1gua. Ningu\u00e9m previu, enfim, que os inc\u00eandios nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia em 2022 devastariam mais de 700 mil hectares at\u00e9 19 de agosto,<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn12\">[12]<\/a>\u00a0com progn\u00f3sticos de 1 milh\u00e3o de hectares queimados at\u00e9 o final do ano. A \u00e1rea queimada nesses pa\u00edses at\u00e9 meados de agosto \u00e9 o dobro da \u00e1rea queimada na m\u00e9dia do per\u00edodo 2006-2021, como mostra a Figura 1.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"c008\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/ju-artigos-lm_geofisica--sociofisica_20220831_1.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico.\" \/><\/p>\n<figure class=\"caption caption-img\" role=\"group\"><figcaption class=\"c007\">Figura 1 &#8211; \u00c1rea queimada (ha) nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia at\u00e9 meados de agosto de 2022 (vermelho), m\u00e9dia e \u00e1reas m\u00ednimas e m\u00e1ximas queimadas do per\u00edodo 2006-2021 (Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/effis.jrc.ec.europa.eu\/apps\/effis.statistics\/seasonaltrend?utm_source=POLITICO.EU&amp;utm_campaign=94014bfbbd-EMAIL_CAMPAIGN_2022_08_15_03_07&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_10959edeb5-94014bfbbd-189498069\">European Forest Fire Information System (EFFIS)<\/a>, 15\/VIII\/2022)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na R\u00fassia, a situa\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios piora ano a ano. Segundo dados oficiais, entre 1\u00ba de janeiro e 31 de julho de 2022, ao menos 3,2 milh\u00f5es de hectares de florestas foram consumidos pelo fogo e o governo russo decretou estado de emerg\u00eancia em sete regi\u00f5es do pa\u00eds.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Uma das causas principais desse agravamento generalizado dos desequil\u00edbrios clim\u00e1ticos radica no fato de que desde 2016 evidencia-se uma segunda fase de acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento, estampada na Figura 2.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/ju-artigos-lm_geofisica--sociofisica_20220831_2.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico de linhas.\" \/><\/p>\n<figure class=\"caption caption-img\" role=\"group\"><figcaption class=\"c007\">Figura 2 &#8211; Temperaturas m\u00e9dias superficiais, terrestres e mar\u00edtimas combinadas, em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo de base 1880-1920, baseadas nos dados do GISTEMP.<strong>\u00a0<\/strong>M\u00e9dias anuais: curvas com quadrados pretos (azul); curvas m\u00e9dias a cada 11 anos (vermelho) e melhor tend\u00eancia linear entre 1970 e 2015 (verde), com aquecimento m\u00e9dio de 0,18oC por d\u00e9cada. As flechas assinalam os efeitos dos 2 \u201cSuper El Ni\u00f1os\u201d de 1998 e 2016 (Fonte: James Hansen, Makiko Sato &amp; Reto Ruedy, \u201c<a href=\"http:\/\/www.columbia.edu\/~jeh1\/mailings\/2022\/Temperature2021.13January2022.pdf\">Global Temperature in 2021<\/a>\u201d, 13\/I\/2021. Climate Science, Awareness and Solutions Program. Earth Institute, Columbia University)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na primeira fase da acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento, este evoluiu de uma taxa de 0,07oC por d\u00e9cada (1880-2018) para 0,18oC por d\u00e9cada (1970-2015). A segunda fase dessa acelera\u00e7\u00e3o mostra um salto para a taxa atual de 0,32oC por d\u00e9cada, com tend\u00eancia para uma taxa m\u00e9dia de 0,36oC por d\u00e9cada entre 2016 e 2040. A Tabela 1 resume essas duas fases da acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento:<\/p>\n<p><strong>Tabela 1 &#8211; Taxas de aquecimento por d\u00e9cada em tr\u00eas per\u00edodos (1880-2040), segundo a\u00a0<\/strong><strong><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e o Earth Institute (EI)<\/span><\/strong><\/p>\n<div class=\"__reading_mode_table_and_collapse_button_container\">\n<table class=\"__reading_mode_data_table_class\" border=\"1\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Per\u00edodos<\/strong><\/td>\n<td><strong>1880 &#8211; 2018<\/strong><\/td>\n<td><strong>1970 \u2013 2015<\/strong><\/td>\n<td><strong>2016 &#8211; 2040<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Aquecimento \/d\u00e9cada<\/strong><\/td>\n<td>0,07\u00b0C (NOAA)<\/td>\n<td>0,18\u00b0C (NOAA\/EI)<\/td>\n<td>0,36\u00b0C (EI)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Fontes:\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\"><a href=\"https:\/\/www.ncdc.noaa.gov\/sotc\/global\/201913\">Global Climate Report 2019<\/a>, NOAA<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">; James\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Hansen &amp; Makiko Sato, \u201c<a href=\"http:\/\/www.columbia.edu\/~jeh1\/mailings\/2020\/20201214_GlobalWarmingAcceleration.pdf\">Global Warming Acceleration<\/a>\u201d. Earth Institute, Columbia University, 14\/XII\/2020;\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">James Hansen &amp; Makiko Sato,\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">July Temperature Update: Faustian Payment Comes Due\u201d. 13\/VIII\/2021<\/span><\/p>\n<p>O planeta que suscitou os trabalhos de Millar, Smith e colegas passava por\u00a0um per\u00edodo lento de aquecimento \u2013 entre 1999 e 2014 \u2013, per\u00edodo este chamado por vezes de \u201chiato\u201d no aquecimento global.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn14\">[14]<\/a>\u00a0Hoje, a realidade \u00e9 outra. Como afirmam James Hansen e Makiko Sato:\u00a0\u201cNossa expectativa \u00e9 que a taxa de aquecimento global para o quarto de s\u00e9culo 2015-2040 seja cerca do dobro da taxa de aquecimento de 0,18oC por d\u00e9cada durante o per\u00edodo 1970-2015, a menos que se tomem medidas apropriadas\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn15\">[15]<\/a>\u00a0Isso significa que conter o aquecimento em 1,5 oC, tal como se propunham em 2015 os signat\u00e1rios do Acordo de Paris, n\u00e3o apenas se tornou imposs\u00edvel; significa tamb\u00e9m que esse limite deve ser rompido muito antes do previsto, ou seja, ainda neste terceiro dec\u00eanio do s\u00e9culo e talvez mesmo j\u00e1 no pr\u00f3ximo El Ni\u00f1o. Em fevereiro de 2022, Nafeez Ahmed publicou um artigo intitulado: \u201cAs promessas da COP26 ter\u00e3o consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas, diz o ex-diretor da ci\u00eancia clim\u00e1tica da NASA\u201d. Nele, Ahmed resume bem essa nova realidade, expressa em quatro declara\u00e7\u00f5es de James Hansen, segundo as quais n\u00e3o apenas ultrapassaremos o limiar de aquecimento de 1,5 oC em algum momento deste dec\u00eanio, como j\u00e1 estamos\u00a0<em>geofisicamente<\/em>\u00a0condenados a um aquecimento de ao menos 2 oC:<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn16\">[16]<\/a><\/p>\n<p>1. \u201cN\u00e3o h\u00e1 chance de manter o aquecimento global abaixo de 1,5 oC\u201d.<br \/>\n(\u201cThere is now no chance whatever of keeping global warming below 1.5 \u00b0C\u201d)<\/p>\n<p>2. \u201cO teto de 1,5 oC no aquecimento global ser\u00e1 rompido nesta d\u00e9cada\u201d.<br \/>\n(\u201cThe 1.5 \u00b0C global warming ceiling will be breached this decade\u201d)<\/p>\n<p>3. \u201cUm aquecimento global de ao menos 2 \u00b0C est\u00e1 agora incorporado ao futuro da Terra\u201d<br \/>\n(\u201cGlobal warming of at least 2 \u00b0C is now baked into Earth\u2019s future\u201d)<\/p>\n<p>4. \u201cEste n\u00edvel de aquecimento ocorrer\u00e1 at\u00e9 meados do s\u00e9culo\u201d<br \/>\n(\u201cThat level of warmth will occur by mid-century.\u201d)<\/p>\n<p><strong>2. 2020, a data perdida<\/strong><\/p>\n<p>Para se manter uma chance qualquer de evitar um aquecimento m\u00e9dio global superior a 1,5 oC teria sido necess\u00e1rio iniciar o processo de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de GEE\u00a0<em>at\u00e9<\/em>\u00a02020. Essa data emerge de um consenso cient\u00edfico consolidado em 2017 num artigo firmado por Christiana Figueres e por cientistas do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK) e do Climate Tracker Initiative, entre outros, que o intitularam \u201cTr\u00eas anos para salvaguardar nosso clima\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn17\">[17]<\/a>\u00a0Cientes dessa data limite, Christiana Figueres e outras lideran\u00e7as clim\u00e1ticas criaram j\u00e1 em 2016 a \u201cMiss\u00e3o 2020\u201d, cujo objetivo era generalizar a percep\u00e7\u00e3o de que o ano de 2020 era, de fato, a data limite para o pico das emiss\u00f5es de GEE: \u201cSe a proposta \u00e9 atingir a neutralidade carbono at\u00e9 2050, ent\u00e3o precisamos virar o jogo at\u00e9 2020\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn18\">[18]<\/a>\u00a0No mesmo site da \u201cMiss\u00e3o 2020\u201d, Thomas Stocker, co-diretor do IPCC (2008-2015) refor\u00e7ava o mesmo veredito:<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn19\">[19]<\/a><\/p>\n<blockquote><p>Mitiga\u00e7\u00e3o retardada e insuficiente impossibilita limitar o aquecimento global permanentemente. O ano de 2020 \u00e9 crucial para a defini\u00e7\u00e3o das ambi\u00e7\u00f5es globais sobre a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Se as emiss\u00f5es de CO2 continuarem a aumentar al\u00e9m dessa data, as metas mais ambiciosas de mitiga\u00e7\u00e3o tornar-se-\u00e3o inating\u00edveis.<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 em 2017, Jean Jouzel, ex-vice-presidente do IPCC, repisava a data limite de 2020 em uma entrevista: \u201cPara manter alguma chance de permanecer abaixo dos 2 oC \u00e9 necess\u00e1rio que o pico das emiss\u00f5es seja atingido no mais tardar em 2020\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn20\">[20]<\/a>\u00a0Em meados de 2019, Hans Joachim Schellnhuber, fundador e diretor em\u00e9rito do\u00a0Potsdam\u00a0Institute for Climate Impact Research, voltava ao mesmo ponto: \u201cA matem\u00e1tica do clima \u00e9 brutalmente clara: se \u00e9 certo que o clima n\u00e3o pode ser curado em alguns poucos anos, ele pode ser fatalmente ferido por neglig\u00eancia at\u00e9 2020\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn21\">[21]<\/a>\u00a0Finalmente, em uma declara\u00e7\u00e3o de abertura da COP25, em dezembro de 2019, Hoesung Lee, diretor do IPCC, alertava os delegados: \u201cPermitam-me lembr\u00e1-los que nossas avalia\u00e7\u00f5es mostram que a estabiliza\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas requer que as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa atinjam seu pico no pr\u00f3ximo ano\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn22\">[22]<\/a><\/p>\n<p>Justamente em 2020, a pandemia derrubou as emiss\u00f5es globais de CO2 relacionadas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia em 5,2%, segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE)<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn23\">[23]<\/a>, e, de forma geral, em 6,4%.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn24\">[24]<\/a>\u00a0Essa queda das emiss\u00f5es era sem precedentes e suscitou esperan\u00e7as de que as emiss\u00f5es houvessem atingido um pico.\u00a0Esperan\u00e7as totalmente infundadas, porque o aumento das emiss\u00f5es de GEE \u00e9 inevit\u00e1vel em um sistema econ\u00f4mico cuja raz\u00e3o de ser \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o do capital, de modo que qualquer desest\u00edmulo externo, seja ele uma crise econ\u00f4mica, uma guerra ou uma pandemia, age de modo apenas ef\u00eamero sobre esse sistema.\u00a0Assim sendo, em 2021 as emiss\u00f5es de GEE deram o maior salto ap\u00f3s o de 2010, chegando quase aos n\u00edveis de 2019, e as emiss\u00f5es de 2022 podem j\u00e1 ultrapassar as de 2019.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn25\">[25]<\/a>\u00a0No que se refere \u00e0s emiss\u00f5es de CO2 associadas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia, elas alcan\u00e7aram, segundo a AIE, \u201cseu mais alto n\u00edvel na hist\u00f3ria em 2021\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn26\">[26]<\/a><\/p>\n<p><strong>3. A sociof\u00edsica do aquecimento global<\/strong><\/p>\n<p>Seria interessante saber se Richard Millar, Chris Smith e colegas, ap\u00f3s cinco anos e quase 300 GtCO2-eq emitidas desde 2018, ainda mant\u00eam sua hip\u00f3tese de que um aquecimento m\u00e9dio planet\u00e1rio limitado a 1,5 oC n\u00e3o \u00e9 ainda uma \u201cimpossibilidade geof\u00edsica\u201d. N\u00e3o parece prov\u00e1vel que a mantenham, mas, a bem da verdade, sua resposta importa pouco porque a quest\u00e3o da possibilidade ou impossibilidade geof\u00edsica de conter o aquecimento global em certo patamar, seja ele 1,5 oC ou 2 oC, nunca foi a quest\u00e3o central.\u00a0A quest\u00e3o central, quando se fala em n\u00edveis de aquecimento ainda evit\u00e1veis ou j\u00e1 inevit\u00e1veis, n\u00e3o \u00e9 tanto entender as leis da f\u00edsica, mas entender as intera\u00e7\u00f5es entre a f\u00edsica, o sistema econ\u00f4mico e a ordem jur\u00eddica que garante a perman\u00eancia desse sistema. O Brasil \u00e9 um caso exemplar de intera\u00e7\u00e3o entre f\u00edsica e sociedade.<\/p>\n<p>Aqui, a destrui\u00e7\u00e3o de todos os biomas por inc\u00eandios reflete claramente a crise clim\u00e1tica, dada as secas que assolam recorrentemente o pa\u00eds, mas essa destrui\u00e7\u00e3o resulta sobretudo da atividade criminosa do agroneg\u00f3cio, que de h\u00e1 muito controla o Congresso Nacional e se tornou o maior motor da ru\u00edna do pa\u00eds.\u00a0Segundo o MapBiomas,\u00a0apenas nos primeiros sete meses do ano de 2022, quase 3 milh\u00f5es de hectares (2.932.972 ha) foram consumidos por queimadas. \u201cNa Amaz\u00f4nia, o fogo atingiu uma \u00e1rea de 1.479.739 hectares, enquanto que no Pampa foram 28.610 hectares queimados entre janeiro e julho de 2022. Nesse per\u00edodo, foi registrado um aumento de 7% (ou mais de 107 mil hectares) na Amaz\u00f4nia e de 3372% no Pampa (27.780 ha)\u201d.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn27\">[27]<\/a>\u00a0Apenas para dar uma ideia da magnitude da trag\u00e9dia clim\u00e1tica e dos crimes impunes do agroneg\u00f3cio, a \u00e1rea queimada no Brasil entre janeiro e julho de 2022 \u00e9 maior que a \u00e1rea do estado de Alagoas (27,8 mil km2). Nessa intera\u00e7\u00e3o entre f\u00edsica e sociedade, o lado socioecon\u00f4mico e pol\u00edtico sempre foi mais decisivo do que o lado geof\u00edsico e tal \u00e9 a raz\u00e3o por que a resposta \u00e0 quest\u00e3o do aquecimento inevit\u00e1vel em cada momento hist\u00f3rico deve emergir de um di\u00e1logo entre saberes.\u00a0Para fazer avan\u00e7ar esse novo e imprescind\u00edvel di\u00e1logo, os economistas devem entender que suas f\u00f3rmulas de crescimento econ\u00f4mico \u201csustent\u00e1vel\u201d s\u00f3 servem para agravar o problema, pois ainda muito raros s\u00e3o os que admitem que a economia \u00e9 apenas um subsistema da biosfera e, em geral, do sistema Terra, o qual de h\u00e1 muito lhe dita, mas em v\u00e3o, seus limites.\u00a0Os soci\u00f3logos e polit\u00f3logos, por sua vez, devem sair de suas zonas de conforto e se alfabetizar em ci\u00eancias do sistema Terra, pois nenhum programa pol\u00edtico pode mais ignorar essas ci\u00eancias. N\u00e3o faz sentido, por exemplo, lutar por uma reforma agr\u00e1ria democr\u00e1tica, ignorando que o sistema clim\u00e1tico est\u00e1 muito rapidamente inviabilizando a agricultura.\u00a0Por isso, todo programa pol\u00edtico digno desse nome deve hoje ser um programa sociof\u00edsico, vale dizer, um programa que associe acelera\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a social e desacelera\u00e7\u00e3o igualmente dr\u00e1stica da mudan\u00e7a do clima, da perda de biodiversidade e da polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De seu lado, os cientistas precisam entender o absurdo de preconizar a mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de GEE nos quadros de uma civiliza\u00e7\u00e3o termo-f\u00f3ssil, destruidora e poluidora de habitats e dos organismos. E entender esse absurdo implica, para eles, assumir posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas radicalmente anticapitalistas. Pois o funcionamento elementar do capitalismo globalizado implica a disjuntiva crescimento-ou-crise, e ambas as situa\u00e7\u00f5es s\u00f3 fazem aumentar as press\u00f5es antr\u00f3picas sobre o sistema Terra. A recente \u201cCarta aberta a todos os cientistas do clima\u201d escrita por um eminente cientista como Bill McGuire, exortando-os a assumir suas responsabilidades pol\u00edticas e a dizer as coisas como eles sabem que elas de fato s\u00e3o, \u00e9 apenas o \u00faltimo exemplo de uma mudan\u00e7a de atitude que precisa se generalizar:<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn28\">[28]<\/a><\/p>\n<blockquote><p>Enquanto nosso mundo est\u00e1 indo aos poucos para o inferno, muitos de voc\u00eas, estudando e registrando sua morte, nada tiveram a dizer sobre o assunto e permaneceram nas sombras, quando era necess\u00e1rio que monopolizassem os holofotes. A justificativa comum \u00e9 sempre a mesma: desculpas murmuradas sobre a necessidade de objetividade, sobre como n\u00e3o devem se envolver em pol\u00edtica, sobre como s\u00e3o apenas fieis registradores de fatos; uma mentalidade de silo que os protege de ter que tomar decis\u00f5es dif\u00edceis ou se envolver com outras pessoas fora de sua zona de conforto.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>4. O fracasso do Acordo de Paris<\/strong><\/p>\n<p>A sociof\u00edsica \u00e9 a ci\u00eancia \u2013 capaz de combinar pensamento quantitativo e pensamento cr\u00edtico \u2013 requerida pelo novo planeta em que vivemos. \u00c9 a ci\u00eancia, em suma, do Antropoceno. \u00c0 luz da sociof\u00edsica, a quest\u00e3o de saber quando\u00a0a meta do Acordo de Paris foi definitivamente perdida revela-se uma falsa quest\u00e3o, pois essa meta nasceu inalcan\u00e7\u00e1vel.\u00a0N\u00e3o porque em 2015 a ci\u00eancia do clima a desautorizasse. Ao contr\u00e1rio, nada na ci\u00eancia implicava ent\u00e3o a inviabilidade intr\u00ednseca das metas do Acordo de Paris. Mas de que serve esse Acordo e toda a ci\u00eancia do clima numa sociedade em que, apenas para dar um exemplo, os bancos privados podem canalizar trilh\u00f5es de d\u00f3lares para a ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis ap\u00f3s o Acordo de Paris, em flagrante esc\u00e1rnio das evid\u00eancias cient\u00edficas e em aberto desprezo pelas condi\u00e7\u00f5es de possibilidade de sobreviv\u00eancia das sociedades? Falamos aqui de recursos financeiros da ordem de 4,6 trilh\u00f5es de d\u00f3lares apenas entre 2016 e 2021, como mostra o \u201cBanking Climate Chaos\u201d:<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn29\">[29]<\/a><\/p>\n<blockquote><p>Nos seis anos desde a ado\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris, os 60 maiores bancos privados do mundo financiaram combust\u00edveis f\u00f3sseis com US$ 4,6 trilh\u00f5es, sendo US$ 742 bilh\u00f5es somente em 2021. O financiamento dos combust\u00edveis f\u00f3sseis em 2021 permaneceu acima dos n\u00edveis de 2016, quando o Acordo de Paris foi assinado. De particular import\u00e2ncia \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de que os 60 bancos descritos no relat\u00f3rio canalizaram US$ 185,5 bilh\u00f5es apenas no ano passado para as 100 empresas que mais fizeram para expandir o setor de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p><\/blockquote>\n<p>O Acordo de Paris nasceu morto porque sempre careceu das condi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas para ser exitoso. Portanto, a quest\u00e3o decisiva nunca foi o texto do Acordo de Paris. A quest\u00e3o decisiva, o que se decide hoje, \u00e9 a capacidade de mudarmos radicalmente a sociedade, de modo a frearmos o aquecimento global e a perda de biodiversidade em n\u00edveis ainda compat\u00edveis com a adapta\u00e7\u00e3o humana e de outras milh\u00f5es de esp\u00e9cies. O que n\u00e3o se pode perder de vista resume-se, enfim, a esta premissa: o Acordo de Paris ou qualquer outro Acordo n\u00e3o impedir\u00e1 o sistema clim\u00e1tico de se aquecer al\u00e9m de nossa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. Ele continuar\u00e1 se aquecendo enquanto o capitalismo continuar a existir, e isso por duas raz\u00f5es:<\/p>\n<p>(1) n\u00e3o houve, n\u00e3o h\u00e1 e n\u00e3o haver\u00e1 num futuro discern\u00edvel, no \u00e2mbito do sistema capitalista, transi\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a uma matriz energ\u00e9tica descarbonizada. Em 2000, os combust\u00edveis f\u00f3sseis satisfaziam 86,1% da demanda global de energia prim\u00e1ria. Em 2020, essa porcentagem caiu para 84,3% e em 2040, segundo proje\u00e7\u00f5es do World Economic Forum, os combust\u00edveis f\u00f3sseis ainda satisfar\u00e3o 77% dessa demanda. \u00c9 desnecess\u00e1rio lembrar que, em n\u00fameros absolutos (e o sistema clim\u00e1tico infelizmente s\u00f3 se interessa por n\u00fameros absolutos), o volume de combust\u00edveis f\u00f3sseis queimados era muito maior em 2020 do que em 2000, e ser\u00e1 ainda maior em 2040. Mesmo que prov\u00e1veis novas pandemias e novas crises econ\u00f4micas derrubem mais uma vez esse consumo, algu\u00e9m ainda acredita, ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o desse consumo j\u00e1 em 2021, que as emiss\u00f5es de CO2 cair\u00e3o pela metade em 2030, em rela\u00e7\u00e3o a 2010, 2017 ou a qualquer data do g\u00eanero, tal como fingem se empenhar os signat\u00e1rios do Acordo de Paris? A guerra da Ucr\u00e2nia foi o \u00faltimo pretexto para jogar pelos ares o que restava desse Acordo e o recente \u201cInflation Reduction Act\u201d de Joe Biden nos EUA foi celebrado pela ind\u00fastria f\u00f3ssil.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn30\">[30]<\/a><\/p>\n<p>(2) Mesmo se uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica viesse a ocorrer, ela requereria aumento moment\u00e2neo do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis para a minera\u00e7\u00e3o dos metais necess\u00e1rios \u00e0 constru\u00e7\u00e3o em escala de torres e\u00f3licas e placas fotovoltaicas, mantidos os atuais patamares de consumo energ\u00e9tico. Portanto, a \u00fanica forma de nos desviarmos da trajet\u00f3ria de colapso em que avan\u00e7amos com sempre maior velocidade \u00e9 diminuir drasticamente o atual n\u00edvel de consumo energ\u00e9tico global da ordem de 580 milh\u00f5es de Terajoules (0,58 Zettajoules), ou cerca de 13,8 bilh\u00f5es de toneladas de petr\u00f3leo equivalente por ano.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn31\">[31]<\/a>\u00a0E isso sup\u00f5e, \u00e9 claro, outra organiza\u00e7\u00e3o social, na qual os mais ricos diminuam drasticamente sua pegada carbono para que os mais pobres possam ter satisfeitas suas necessidades b\u00e1sicas. Os ricos ter\u00e3o sempre dificuldade em aceitar isso, mas devem entender que essa diminui\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica e \u00faltima t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas de sua riqueza, mas de suas vidas.<\/p>\n<p><strong>5. O que realmente importa<\/strong><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre a data em que o aquecimento global superar\u00e1, moment\u00e2nea e\/ou irreversivelmente, as metas do Acordo de Paris (1,5oC &#8211; 2oC) pode ser interessante do ponto de vista cient\u00edfico, mas, para as sociedades, o que realmente importa s\u00e3o tr\u00eas fatos centrais:<\/p>\n<p>1. Para a humanidade e demais esp\u00e9cies \u00e9 de m\u00ednima relev\u00e2ncia saber se sofrer\u00e3o os impactos brutais de aquecimentos iguais ou superiores a 1,5oC at\u00e9 2030 ou, na melhor das hip\u00f3teses, alguns anos depois. Ao inv\u00e9s de tentar determinar a que velocidade estamos nos aproximando do caos, o que realmente importa \u00e9 entender a necessidade imperiosa de mudar de trajet\u00f3ria, de modo a sofrer o menor aquecimento ainda poss\u00edvel em termos geof\u00edsicos.<\/p>\n<p>2. Para deter e reverter a acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento em tempo h\u00e1bil, \u00e9 necess\u00e1rio romper com o sistema capitalista, consubstanciado nos sistemas energ\u00e9tico e alimentar vigentes, ambos globalizados e agindo em sinergia. Ser\u00e1 preciso, em suma, desglobalizar a economia e globalizar a pol\u00edtica nos marcos de uma nova democracia dos territ\u00f3rios e de um novo cuidado com o patrim\u00f4nio natural do planeta.<\/p>\n<p>3. Aos que afirmam, enfim, n\u00e3o ser realista consumar essa ruptura civilizacional neste dec\u00eanio, \u00e9 preciso responder que \u00e9 o realismo que nos trouxe a esta encruzilhada final. Irrealistas s\u00e3o os profissionais do gradualismo. Desde 1990, sucederam-se 9 Relat\u00f3rios do IPCC e 26 Confer\u00eancias das Partes da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro da ONU sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC). E malgrado esses Relat\u00f3rios e Confer\u00eancias, as emiss\u00f5es de GEE e suas concentra\u00e7\u00f5es na atmosfera n\u00e3o cessaram de aumentar. Entre 2012 e 2019, elas aumentaram \u00e0 taxa m\u00e9dia de 1,1% ao ano, e isso sem contar as emiss\u00f5es decorrentes da mudan\u00e7a de uso de solo, sobretudo desmatamento! Em 2019, elas estavam cerca de 59% mais altas do que em 1990 e 44% mais altas do que em 2000.<a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_edn32\">[32]<\/a>\u00a0Se o capitalismo inviabilizou desde sempre o Acordo de Paris, o realismo acobertou e retardou ao m\u00e1ximo a admiss\u00e3o de seu fracasso cong\u00eanito. As \u00faltimas duas COPs tiveram por agenda central estabelecer o\u00a0<em>Rulebook<\/em>\u00a0do Artigo 6 do Acordo de Paris e a agenda da COP 27 no Egito ser\u00e1 implementar os mercados de carbono, a receita m\u00e1gica para transformar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica em oportunidades de neg\u00f3cios. As sociedades est\u00e3o hoje exaustivamente alertadas pela ci\u00eancia sobre o que os pr\u00f3ximos anos deste dec\u00eanio e do pr\u00f3ximo lhes reservam. Evitar o ainda evit\u00e1vel requer, doravante, que elas tomem em m\u00e3os a governan\u00e7a do planeta, deixando de lado os nacionalismos militaristas. Continuar a subestimar as amea\u00e7as existenciais que pesam sobre todas as sociedades, ricas e pobres sem distin\u00e7\u00e3o, equivale a se condenar ao suic\u00eddio.\u00a0Numa palavra, sobreviver neste novo planeta sup\u00f5e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade ecodemocr\u00e1tica, na qual os direitos humanos sejam enfim compreendidos como uma dimens\u00e3o dependente e indissoci\u00e1vel dos direitos da natureza. Todo o resto, por importante que possa parecer, \u00e9 ilus\u00e3o. \u00c9 apenas mais um avatar do \u201crealismo\u201d.<\/p>\n<p>*Este texto serviu de base a uma apresenta\u00e7\u00e3o no F\u00f3rum Permanente da Unicamp,\u00a0<em>A necess\u00e1ria aproxima\u00e7\u00e3o da Engenharia com as Ci\u00eancias Humanas<\/em>, realizado em 18 e 19 de agosto de 2022.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><em>Notas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>[1]\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Richard J. Millar\u00a0<em>et al.<\/em>,<em>\u00a0<\/em>\u201c<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Emission budgets and pathways consistent with limiting warming to 1.5\u2009\u00b0C\u201d.\u00a0<em>Nature Geoscience<\/em>,\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">18\/IX\/2017.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref2\">[2]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf.\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Millar\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2017): \u201cAssuming emissions peak and decline to below current levels by 2030, and continue thereafter on a much steeper decline, which would be historically unprecedented but consistent with a standard ambitious mitigation scenario (RCP2.6), results in a likely range of peak warming of 1.2\u20132.0\u2009\u00b0C above the mid-nineteenth century. If CO2 emissions are continuously adjusted over time to limit 2100 warming to 1.5\u2009\u00b0C, with ambitious non-CO2 mitigation, net future cumulative CO2 emissions are unlikely to prove less than 250\u2009GtC and unlikely greater than 540\u2009GtC. Hence, limiting warming to 1.5\u2009\u00b0C is not yet a geophysical impossibility, but is likely to require delivery on strengthened pledges for 2030 followed by challengingly deep and rapid mitigation. Strengthening near-term emissions reductions would hedge against a high climate response or subsequent reduction rates proving economically, technically or politically unfeasible\u201d.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref3\">[3]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. IPCC, Fifth Assessment Report Climate Change 2013. The Physical Science Basis, Summary for Policymakers, p. v: \u201cOs dados da temperatura m\u00e9dia global da superf\u00edcie da terra e do mar, tal como calculados por uma tend\u00eancia linear, mostram um aquecimento de 0,85oC (0,65oC a 1,06oC) C ao longo do per\u00edodo 1880-2012\u201d (\u201c<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">The globally averaged combined land and ocean surface temperature data as calculated by a linear trend, show a warming of 0.85 [0.65 to 1.06] \u00b0C, over the period 1880 to 2012\u201d).<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref4\">[4]<\/a>\u00a0Veja-se, por exemplo,\u00a0\u201cChance de 1,5 oC \u00e9 maior do que se imaginava (mas ainda bem pequena)\u201d.\u00a0<em><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Observat\u00f3rio do Clima<\/span><\/em><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">, 19\/IX\/2017;\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Damian Carrington, \u201cAmbitious 1.5C Paris climate target is still possible, new analysis shows\u201d.\u00a0<\/span><em><span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">The Guardian<\/span><\/em><span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">, 18\/IX\/2017; \u201cLimiter le r\u00e9chauffement climatique \u00e0 +1,5 oC est encore possible, si\u2026\u201d.\u00a0<\/span><em>L\u2019Express<\/em>, 19\/IX\/2017.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref5\">[5]<\/a>\u00a0Cf. L. Marques, \u201cEsperan\u00e7as cient\u00edficas e fatos pol\u00edticos b\u00e1sicos sobre o Acordo de Paris\u201d.\u00a0<em>Jornal da Unicamp<\/em>, 25\/IX\/2017; Idem, \u201cTarde demais para 3oC?\u201d,\u00a0<em>Jornal da Unicamp<\/em>, 21\/XI\/2017.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref6\">[6]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf.\u00a0Jeff Tollefson, \u201cLimiting global warming to 1.5 oC may still be possible\u201d.\u00a0<em>Nature<\/em>, 18\/IX\/2017: \u201csome researchers are already questioning the conclusions\u201d.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref7\">[7]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Os cinco autores em comum nos dois trabalhos s\u00e3o: Richard J. Millar, Piers Forster, Myles Allen, Jan Flugestvedt e Joeri Rogelj.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref8\">[8]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Christopher J. Smith\u00a0<em>et al.<\/em>,<em>\u00a0<\/em>\u201cCurrent fossil fuel infrastructure does not yet commit us to 1.5 \u00b0C warming\u201d.\u00a0<em>Nature Communications<\/em>, Janeiro de 2019.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref9\">[9]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Chris Smith\u00a0<em>et al.<\/em>, cit. (2019): \u201cWe focus on the committed warming from present-day fossil fuel assets. Here we show that if carbon-intensive infrastructure is phased out at the end of its design lifetime from the end of 2018, there is a 64% chance that peak global mean temperature rise remains below 1.5 \u00b0C. Delaying mitigation until 2030 considerably reduces the likelihood that 1.5 \u00b0C would be attainable even if the rate of fossil fuel retirement was accelerated. Although the challenges laid out by the Paris Agreement are daunting, we indicate 1.5 \u00b0C remains possible and is attainable with ambitious and immediate emission reduction across all sectors.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref10\">[10]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. IPCC, Sixth Assessment Report, Working Group II, Impacts, Adaptation and Vulnerability, Summary for Policymakers, 2022, p. 8: \u201cThe extent and magnitude of climate change impacts are larger than estimated in previous assessments (high confidence)\u201d.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref11\">[11]<\/a>\u00a0Cf. \u201cSeca intensifica crise energ\u00e9tica na Europa\u201d.\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">ClimaInfo, 15\/VIII\/2022<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref12\">[12]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. \u201cForest fires have burned a record 700,000 hectares in the EU this year\u201d.\u00a0<em>Euronews<\/em>, 19\/VIII\/2022.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref13\">[13]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. \u201cSiberian Wildfires Burn 3 Mln Hectares of Forest Since January \u2013 State Watchdog\u201d.\u00a0<em>The Moscow Times<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref14\">[14]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Jeff Tollefson, \u201cGlobal warming \u2018hiatus\u2019 debate flares up again\u201d.\u00a0<em>Nature<\/em>, 24\/II\/2016.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref15\">[15]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. James Hansen &amp; Makiko Sato,\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">July Temperature Update: Faustian Payment Comes Due\u201d. 13\/VIII\/2021: \u201c<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">We should expect the global warming rate for the quarter of a century 2015-2040 to be about double the 0.18\u00b0C\/decade rate during 1970-2015, unless appropriate countermeasures are taken.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&lt;<\/span><a href=\"http:\/\/www.columbia.edu\/~mhs119\/Temperature\/Emails\/July2021.pdf\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">http:\/\/www.columbia.edu\/~mhs119\/Temperature\/Emails\/July2021.pdf<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref16\">[16]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Nafeez Ahmed, \u201c<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">COP26 Pledges will have Catastrophic Consequences, Says Ex-NASA Climate Chief\u201d.\u00a0<em>Byline Times<\/em>, 16\/II\/2022.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref17\">[17]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Christiana Figueres, Hans Joachim Schellnhuber, Gail Whiteman, Johan Rockstr\u00f6m, Anthony Hobley\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&amp; Stefan Rahmstorf, \u201cThree years to safeguard our climate\u201d.\u00a0<em>Nature,\u00a0<\/em>29\/VI\/2017<em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref18\">[18]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Veja-se o site da\u00a0<em>Mission 2020<\/em>:\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u201cIf we are to reach net zero emissions by 2050, we must turn the corner by 2020\u201d. &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/mission2020.global\/about\/\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">https:\/\/mission2020.global\/about\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref19\">[19]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0\u201cBoth delay and insufficient mitigation efforts shut the door on limiting global mean warming permanently. The year 2020 is crucial for the definition of global ambitions on emissions reduction. If CO2 emissions continue to rise beyond that date, the most ambitious mitigation goals will become unachievable.\u201d<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref20\">[20]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. Pierre Le Hir,<\/span><span lang=\"FR\" xml:lang=\"FR\">\u00a0\u201cR\u00e9chauffement climatique: la bataille des 2C est presque perdue\u201d.\u00a0<em>Le Monde<\/em>, 31\/XII\/2017.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref21\">[21]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf.\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Matt McGrath, \u201cClimate change: 12 years to save the planet? Make that 18 months\u201d.\u00a0<em>BBC<\/em>, 24\/VII\/2019: &#8220;The climate math is brutally clear: While the world can&#8217;t be healed within the next few years, it may be fatally wounded by negligence until 2020\u201d.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref22\">[22]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Statement by IPCC Chair Hoesung Lee, \u201cLet me start by reminding you that our assessments show that climate stabilization implies that greenhouse gas emissions must start to peak from next year\u201d.\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/site\/assets\/uploads\/2019\/12\/IPCC-Chair-opening-COP25.pdf\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">https:\/\/www.ipcc.ch\/site\/assets\/uploads\/2019\/12\/IPCC-Chair-opening-COP25.pdf<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref23\">[23]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. \u201cGlobal Energy Review: CO2 Emissions in 2021. Global emissions rebound sharply to highest ever level\u201d, mar\u00e7o de 2022.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref24\">[24]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Jeff Tollefson, \u201cCovid curbed 2020 carbon emissions, but not by much\u201d.\u00a0<em>Nature<\/em>, 21\/I\/2021.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref25\">[25]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Fiona Harvey, \u201cCarbon emissions to soar in 2021 by second highest rate in history\u201d.\u00a0<em>The Guardian<\/em>, 20\/IV\/2021.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref26\">[26]<\/a>\u00a0<span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">Cf. IEA, \u201cGlobal CO2 emissions rebounded to their highest level in history in 2021\u201d. 8\/III\/2022.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.iea.org\/news\/global-co2-emissions-rebounded-to-their-highest-level-in-history-in-2021\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">https:\/\/www.iea.org\/news\/global-co2-emissions-rebounded-to-their-highest-level-in-history-in-2021<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref27\">[27]<\/a>\u00a0Cf. MapBiomas, \u201cAmaz\u00f4nia e Pampa lideram queimadas de Janeiro a Julho de 2022\u201d.<\/p>\n<p>&lt;<a href=\"https:\/\/mapbiomas.org\/amazonia-e-pampa-lideram-queimadas-de-janeiro-a-julho-de-2022\">https:\/\/mapbiomas.org\/amazonia-e-pampa-lideram-queimadas-de-janeiro-a-julho-de-2022<\/a>&gt;.<\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref28\">[28]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Bill McGuire, \u201cAn open letter to all climate scientists\u201d.\u00a0<em>Brave New Europe<\/em>, 25\/VII\/2021: \u201cWhile our world has been going to hell in a handcart, many of you studying and recording its demise have had nothing to say on the subject and have remained deep in the shadows, when what has been needed is for you to hog the limelight. The common justification you have used is always the same, muttered excuses about the need for objectivity, about how you shouldn\u2019t become involved in politics, about how you are merely faithful recorders of facts; a silo mentality that shields you from having to make difficult decisions or engage with others outside your comfort zones\u201d.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref29\">[29]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. \u201cBanking on Climate Chaos Report 2022\u201d, produzido por Rainforest Action Network, BankTrack, Indigenous Environmental Network, Oil Change International, Reclaim Finance, Sierra Club e Urgewald:<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u201cThe report documents that in the six years since the Paris Agreement was adopted, the world\u2019s 60 largest private banks financed fossil fuels with USD $4.6 trillion, with $742 billion in 2021 alone. 2021 fossil fuel financing numbers remained above 2016 levels, when the Paris Agreement was signed. Of particular significance is the revelation that the 60 banks profiled in the report funneled $185.5 billion just last year into the 100 companies doing the most to expand the fossil fuel sector\u201d.\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&lt;<\/span><a href=\"https:\/\/reclaimfinance.org\/site\/en\/2022\/03\/30\/banking-on-climate-chaos-report-2022\/\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">https:\/\/reclaimfinance.org\/site\/en\/2022\/03\/30\/banking-on-climate-chaos-report-2022\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref30\">[30]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. Matthew Brown &amp; Michael Phillis, &#8220;Climate change? The Inflation Reduction Act&#8217;s surprise winner, the US oil and gas industry&#8221;.\u00a0<em>USA Today,\u00a0<\/em>18\/VIII\/2022.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref31\">[31]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Veja-se: \u201cTerajoules of energy used globally this year\u201d. The World Counts<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.theworldcounts.com\/challenges\/climate-change\/energy\/global-energy-consumption\/story\"><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">https:\/\/www.theworldcounts.com\/challenges\/climate-change\/energy\/global-energy-consumption\/story<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"read:\/\/https_www.unicamp.br\/?url=https%3A%2F%2Fwww.unicamp.br%2Funicamp%2Fju%2Fartigos%2Fluiz-marques%2Fda-geofisica-sociofisica#_ednref32\">[32]<\/a><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u00a0Cf. J.G.J. Olivier &amp; J.A.H.W. Peters, \u201cTrends in Global CO2 and Total Greenhouse Gas Emissions 2020 Report\u201d. PBL Netherlands Environmental Assessment Agency, 20\/XII\/2020<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">: \u201c<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">In 2019, the growth in total global greenhouse gas (GHG) emissions (excluding those from land-use change) continued at a rate of 1.1% (\u00b11%). (\u2026)\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">\u201cGlobal greenhouse gas (GHG) emissions have increased, on average, by 1.1% per year, from 2012 to 2019. (\u2026)\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\" xml:lang=\"EN-US\">The 2019 global GHG emissions excluding those from land-use change were about 59% higher than in 1990 and 44% higher than in 2000\u201d.<\/span><\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Da geof\u00edsica \u00e0 sociof\u00edsica | Unicamp &#8211; https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/da-geofisica-sociofisica<\/p>\n<div id=\"__reading__mode__content_end_mark_container_id\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LUIZ MARQUES &#8211; Em 2017, apenas cinco anos atr\u00e1s, viv\u00edamos em outro planeta. Um planeta no qual um trabalho publicado por Richard J. 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