{"id":18217,"date":"2022-08-20T16:26:06","date_gmt":"2022-08-20T19:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18217"},"modified":"2022-08-20T16:26:06","modified_gmt":"2022-08-20T19:26:06","slug":"o-mundo-depois-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/08\/20\/o-mundo-depois-da-ucrania\/","title":{"rendered":"O mundo depois da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/strong> &#8211; Conflito reconfigura a ordem mundial. Incapazes de \u201cdisciplinar\u201d Moscou, EUA perdem condi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. G7 declina, sob press\u00e3o de um BRICS ampliado. E alian\u00e7a geopol\u00edtica entre China e R\u00fassia p\u00f5e em xeque s\u00e9culos de eurocentrismo.<\/p>\n<blockquote><p><em>Desde a d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo XX est\u00e1 em curso uma grande \u201cexplos\u00e3o expansiva\u201d do sistema mundial. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que o aumento da \u201cpress\u00e3o competitiva\u201d dentro do sistema foi provocado pelo expansionismo imperial dos Estados Unidos, pela multiplica\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos Estados soberanos dentro do sistema, e pelo crescimento vertiginoso do poder e da riqueza dos Estados asi\u00e1ticos, e da China em particular. O tamanho dessa \u201cpress\u00e3o competitiva\u201d permite prever, neste in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, uma nova \u201ccorrida imperialista\u201d entre as<\/em>\u00a0<em>grandes pot\u00eancias.<\/em><br \/>\n<strong>Fiori, J. L. O sistema interestatal capitalista no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Ap\u00f3s 140 dias do in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel identificar fatos, decis\u00f5es e consequ\u00eancias estrat\u00e9gicas, econ\u00f4micas e geopol\u00edticas que s\u00e3o irrevers\u00edveis, e que podem ser considerados como as portas de entrada da \u201cnova ordem mundial\u201d de que tanto falam os analistas internacionais. Neste momento, do ponto de vista estritamente militar, ningu\u00e9m mais acredita na possibilidade de vit\u00f3ria da Ucr\u00e2nia, e muito menos na retirada das for\u00e7as russas dos territ\u00f3rios que j\u00e1 conquistaram. O mais prov\u00e1vel, inclusive, \u00e9 que os russos sigam avan\u00e7ando sobre o territ\u00f3rio ucraniano mesmo depois da conquista de Donbass, pelo menos at\u00e9 o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es de paz que envolvam a participa\u00e7\u00e3o direta dos Estados Unidos em torno da proposta apresentada pela R\u00fassia em 15 de dezembro de 2021, e que foi ent\u00e3o rejeitada pelos norte-americanos.<\/p>\n<p>Mesmo assim, n\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel que as tropas ucranianas se retirem para uma posi\u00e7\u00e3o defensiva e se proponham a levar \u00e0 frente uma guerra de atrito prolongada atrav\u00e9s de ataques e reconquistas pontuais. Neste caso, o conflito pode se estender por meses ou anos, mas s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se os norte-americanos e europeus mantiverem seu apoio financeiro e militar ao governo da Ucr\u00e2nia, que rigorosamente n\u00e3o disp\u00f5e da capacidade de sustentar sozinho um conflito dessa natureza. E ter\u00e1 cada vez menos capacidade, na medida em que sua economia nacional vem se deteriorando aceleradamente, e j\u00e1 se encontra \u00e0 beira do caos. Esta guerra contudo est\u00e1 sendo travada, de fato, entre os Estados Unidos e a R\u00fassia, e \u00e9 a\u00ed que se encontra o n\u00facleo duro do problema da paz. Ou seja, s\u00e3o duas guerras sobrepostas, mas a chave da paz se encontra \u2013 nos dois casos \u2013 nas m\u00e3os dos Estados Unidos, o \u00fanico pa\u00eds que pode tomar o caminho diplom\u00e1tico de uma negocia\u00e7\u00e3o de paz, uma vez que a R\u00fassia j\u00e1 fez a sua proposta e entrou em guerra exatamente porque ela foi rejeitada ou simplesmente desconhecida pelos americanos, pela OTAN e pelos europeus. E \u00e9 aqui que se encontra o impasse atual: os russos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam como aceitar uma derrota; e para os norte-americanos, qualquer negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como um sinal inaceit\u00e1vel de fraqueza, sobretudo depois de sua desastrosa \u201cretirada do Afeganist\u00e3o\u201d. Por isso mesmo, a posi\u00e7\u00e3o oficial do governo americano \u00e9 prolongar a guerra indefinidamente, por meses ou anos, at\u00e9 exaurir a capacidade econ\u00f4mica russa de sustentar sua posi\u00e7\u00e3o atual na Ucr\u00e2nia, e mais \u00e0 frente, de iniciar novas guerras.<\/p>\n<p>Apesar disso, existe uma brecha para a paz que est\u00e1 se consolidando com o avan\u00e7o da crise econ\u00f4mica e social dos principais pa\u00edses que apoiam a resist\u00eancia militar do governo ucraniano. Com algumas repercuss\u00f5es pol\u00edticas imediatas, em alguns casos, como a queda abrupta da popularidade do presidente Biden, nos Estados Unidos; as derrotas eleitorais de Macron, na Fran\u00e7a, e de Draghi, na It\u00e1lia; a queda de Boris Johnson na Inglaterra; e a fragilidade not\u00f3ria do governo de coaliz\u00e3o de Sholz, na Alemanha \u2013 alguns dos principais pa\u00edses que desencadearam uma verdadeira guerra econ\u00f4mica contra a R\u00fassia, propondo-se a asfixiar sua economia no curto prazo, excluindo-a do sistema financeiro mundial, e aleij\u00e1-la no longo prazo, com o banimento do petr\u00f3leo e do g\u00e1s russos dos mercados ocidentais.<\/p>\n<p>Esse ataque econ\u00f4mico fracassou nos seus objetivos imediatos e, pior do que isto, vem provocando uma crise econ\u00f4mica de grandes propor\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses que lideraram as san\u00e7\u00f5es contra a economia russa, em particular nos pa\u00edses europeus. E o que \u00e9 mais importante, os Estados Unidos e seus aliados n\u00e3o conseguiram isolar e excluir a R\u00fassia do sistema econ\u00f4mico e pol\u00edtico internacional. Apenas 21% dos pa\u00edses-membros da ONU apoiaram as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas impostas \u00e0 R\u00fassia, e nestes quatro meses de guerra, a R\u00fassia conseguiu manter e ampliar seus neg\u00f3cios com a China, a \u00cdndia e com a maioria dos pa\u00edses da \u00c1sia, do Oriente M\u00e9dio (incluindo Israel), da \u00c1frica e da Am\u00e9rica Latina (incluindo o Brasil).<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro meses de guerra, os super\u00e1vits comerciais russos alcan\u00e7aram sucessivos recordes, e suas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s do \u00faltimo m\u00eas de maio foram superiores ao per\u00edodo anterior \u00e0 guerra (U$ 70,1 bilh\u00f5es no primeiro trimestre, e U$ 138,5 bilh\u00f5es no primeiro semestre de 2022, o maior superavit comercial russo desde 1994). O mesmo acontecendo, surpreendentemente, no caso das exporta\u00e7\u00f5es russas para os pa\u00edses europeus e para o mercado norte-americano, que cresceram neste per\u00edodo, apesar do banimento oficial imposto pelo G7 e seus aliados mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>A expectativa inicial do mercado financeiro era que o PIB russo ca\u00edsse 30%, a infla\u00e7\u00e3o chegasse \u00e0 casa do 50% e que a moeda russa, o rublo, se desvalorizasse algo em torno dos 100%. Depois de quatro meses de guerra, a previs\u00e3o \u00e9 que o PIB russo caia uns 10%, a infla\u00e7\u00e3o foi contida um pouco acima do n\u00edvel em que estava antes da guerra, e o rublo foi a moeda que mais se valorizou no mundo nesse per\u00edodo. Enquanto isso, do outro lado desta nova \u201ccortina financeira\u201d, a economia europeia vem sofrendo uma queda acentuada e pode entrar num per\u00edodo prolongado de estagfla\u00e7\u00e3o: nesses quatro meses de guerra e de san\u00e7\u00f5es, o euro se desvalorizou em 12%, e a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do continente est\u00e1 em torno de 8,5%, alcan\u00e7ando cerca de 20% em alguns pa\u00edses b\u00e1lticos; e a pr\u00f3pria balan\u00e7a comercial da Alemanha, maior economia exportadora da Europa, teve um saldo negativo no \u00faltimo m\u00eas de maio, no valor de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares. Tudo indica, portanto, que as \u201cpot\u00eancias ocidentais\u201d possam ter calculado mal a capacidade de resist\u00eancia de um pa\u00eds que, al\u00e9m de ser o mais extenso, \u00e9 tamb\u00e9m uma pot\u00eancia energ\u00e9tica, mineral e alimentar, sendo tamb\u00e9m a maior pot\u00eancia at\u00f4mica mundial. Um fracasso das previs\u00f5es econ\u00f4micas, do ponto de vista \u201cocidental\u201d, que vem repercutindo tamb\u00e9m no plano diplom\u00e1tico, onde a deteriora\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a americana vem ficando cada vez mais vis\u00edvel, como se pode observar na viagem improvisada de Biden \u00e0 \u00c1sia, no insucesso da \u201cC\u00fapula da Democracia\u201d e na \u201cC\u00fapula das Am\u00e9ricas\u201d, na baixa receptividade das posi\u00e7\u00f5es americanas e ucranianas entre os pa\u00edses \u00e1rabes e africanos, no fracasso americano na sua tentativa de exclus\u00e3o dos russos da reuni\u00e3o do G20, em Bali, e na mais recente e desconfort\u00e1vel visita do presidente americano \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita e ao seu principal desafeto da Casa de Saud, o pr\u00edncipe Mohammad bin Salman, que \u00e9 acusado pelos pr\u00f3prios americanos de haver matado e esquartejado um jornalista que lhe fazia oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando se olha para estes fatos e n\u00fameros, consegue-se tamb\u00e9m visualizar algumas das caracter\u00edsticas da nova ordem mundial que est\u00e1 nascendo \u00e0 sombra dessa nova guerra europeia, como j\u00e1 aconteceu no caso da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais.<\/p>\n<p>i) Pelo \u201clado oriental\u201d, caso a R\u00fassia n\u00e3o seja derrotada, e o mais prov\u00e1vel \u00e9 que n\u00e3o o seja, seu simples ato de insubordina\u00e7\u00e3o contra a ordem imposta na Europa pelos EUA e pela OTAN, depois de 1991, por si s\u00f3 j\u00e1 inaugura uma nova ordena\u00e7\u00e3o internacional, com o surgimento de uma pot\u00eancia com capacidade e disposi\u00e7\u00e3o de rivalizar com o \u201cocidente\u201d e sustentar, com suas pr\u00f3prias armas, seus interesses estrat\u00e9gicos com suas \u201clinhas vermelhas\u201d e seu pr\u00f3prio sistema de valores. Uma nova pot\u00eancia capitalista que rompe o monop\u00f3lio da \u201cordem internacional pautada pelas regras\u201d definidas h\u00e1 pelo menos tr\u00eas s\u00e9culos pelos canh\u00f5es e canhoneiras euro-americanas, e sobretudo por seus povos de l\u00edngua inglesa. A R\u00fassia rompe assim, definitivamente, qualquer tipo de aproxima\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia, e em particular com os pa\u00edses do G7, optando por uma alian\u00e7a geopol\u00edtica e uma integra\u00e7\u00e3o de largo f\u00f4lego com a China e a \u00cdndia. E contribui, desta forma, para que a China assuma a lideran\u00e7a e redefina radicalmente os objetivos do grupo do BRICS+, que era um bloco econ\u00f4mico e agora est\u00e1 sendo transformado num verdadeiro bloco alternativo ao G7, depois da prov\u00e1vel inclus\u00e3o de Argentina, Ir\u00e3, Egito, Turquia e a pr\u00f3pria Ar\u00e1bia Saudita. Com cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o mundial e um PIB quase igual ao do G7, j\u00e1 \u00e9 hoje uma refer\u00eancia mundial em franco processo de expans\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o global do seu poder.<\/p>\n<p>ii) Pelo \u201clado ocidental\u201d, por sua vez, o fato mais importante \u2013 caso se confirme \u2013 ser\u00e1 a derrota econ\u00f4mica das \u201cpot\u00eancias econ\u00f4micas ocidentais\u201d que n\u00e3o ter\u00e3o conseguido em conjunto asfixiar nem destruir a economia russa. O uso militar das \u201csan\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas\u201d ser\u00e1 desmoralizado, e as armas voltar\u00e3o a prevalecer na Europa. Primeiro, com a ascend\u00eancia da OTAN, que substituir\u00e1, no curto prazo, o governo dividido e fragilizado da Uni\u00e3o Europeia, transformando a Europa num \u201cacampamento militar\u201d \u2013 com 300 mil soldados sob a bandeira da OTAN \u2013 sob o comando real dos Estados Unidos. No m\u00e9dio prazo, entretanto, essa nova configura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica deve aprofundar as divis\u00f5es internas da Uni\u00e3o Europeia, incentivando uma nova corrida armamentista entre seus Estados-membros, liderada provavelmente pela Alemanha, que ap\u00f3s 70 anos de tutela militar americana, retoma seu caminho militarista tradicional. E assim, a Europa volta ao seu velho \u201cmodelo westfaliano\u201d de competi\u00e7\u00e3o b\u00e9lica, (falta algo \u2013 e com isso\u2026) liquida sua utopia da unifica\u00e7\u00e3o, se desfaz definitivamente de seu modelo econ\u00f4mico de sucesso puxado pelas exporta\u00e7\u00f5es e sustentado pela energia barata fornecida pela R\u00fassia.<\/p>\n<p>iii) Por fim, pelo lado do \u201cimp\u00e9rio americano\u201d, a grande novidade e mudan\u00e7a foi a passagem dos norte-americanos e seus aliados mais pr\u00f3ximos para uma posi\u00e7\u00e3o defensiva e reativa. E esta foi ao mesmo tempo a sua principal derrota nesta guerra: a perda de iniciativa estrat\u00e9gica, que passou, no campo militar, para as m\u00e3os da R\u00fassia, no caso da Ucr\u00e2nia e no campo econ\u00f4mico, para as m\u00e3os da China no caso da\u00a0<em>Belt and Road<\/em>. As \u201cpot\u00eancias ocidentais\u201d parecem ocupadas em \u201ctapar buracos\u201d e \u201crefazer conex\u00f5es\u201d perdidas ao redor do mundo, enquanto o pr\u00f3prio conflito vai explicitando a perda da lideran\u00e7a ocidental no sistema internacional, com o r\u00e1pido encolhimento da hegemonia secular dos valores europeus e da supremacia militar global dos povos anglo-sax\u00f4nicos. Nesta crise ficou claro, mais do que nunca, o verdadeiro tamanho do G7, que costuma falar em nome de uma \u201ccomunidade internacional\u201d que n\u00e3o existe mais ou que foi sempre uma fic\u00e7\u00e3o ou \u201cnarrativa\u201d dos sete pa\u00edses que j\u00e1 foram os mais ricos e poderosos do mundo. Mais do que isto, o pr\u00f3prio poder do \u201ccapital financeiro\u201d desregulado e globalizado est\u00e1 sendo posto em xeque, com a explicita\u00e7\u00e3o da face parcial e b\u00e9lica da \u201cmoeda internacional\u201d e o desnudamento da estrutura de poder estatal que se esconde por tr\u00e1s de dois sistemas internacionais de troca de informa\u00e7\u00f5es financeira se pagamentos, o SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), que tem sua sede em Bruxelas, mas que que \u00e9 controlado, de fato, pelos Bancos Centrais de 10 Estados apenas, os mesmos do G7 e mais Su\u00e9cia, Su\u00ed\u00e7a e Pa\u00edses Baixos. Ou seja, o mesmo grupo de Estados e bancos nacionais que controlaram o sistema pol\u00edtico e econ\u00f4mico internacional nos \u00faltimos 300 anos e que agora est\u00e3o sendo questionados por esta \u201crebeli\u00e3o eurasiana\u201d, Afinal, um \u201csegredo de Polichinelo\u201d que foi guardado por muito tempo e com muita cautela: o \u201ccapital financeiro globalizado\u201d tem dono, obedece a ordens e pertence \u00e0 categoria das \u201ctecnologias duais\u201d: pode ser usado para acumular riqueza, mas tamb\u00e9m pode ser usado como arma de guerra.<\/p>\n<p>Resumindo: a nova ordem mundial est\u00e1 cada vez mais parecida com seu modelo original criado pela Paz de Westf\u00e1lia de 1648. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que agora esse sistema incorporou definitivamente a China, a R\u00fassia, a \u00cdndia e mais outros 180 pa\u00edses, e n\u00e3o ter\u00e1 mais uma pot\u00eancia ou regi\u00e3o do mundo que seja hegem\u00f4nica e defina unilateralmente suas regras. Em poucos anos, o sistema interestatal se universalizou, a hegemonia dos valores europeus est\u00e1 acabando, o imp\u00e9rio americano encolheu, e o mundo est\u00e1 passando de um \u201cunilateralismo quase absoluto\u201d para um \u201cmultilateralismo olig\u00e1rquico agressivo\u201d, em tr\u00e2nsito na dire\u00e7\u00e3o de um mundo que viver\u00e1 por um tempo sem uma pot\u00eancia hegem\u00f4nica.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Fiori: O mundo depois da Ucr\u00e2nia &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/fiori-omundo-depois-da-ucrania\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211; Conflito reconfigura a ordem mundial. Incapazes de \u201cdisciplinar\u201d Moscou, EUA perdem condi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. G7 declina, sob press\u00e3o de um BRICS ampliado. E alian\u00e7a geopol\u00edtica entre China e R\u00fassia p\u00f5e em xeque s\u00e9culos de eurocentrismo. 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