{"id":18110,"date":"2022-08-02T12:11:02","date_gmt":"2022-08-02T15:11:02","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18110"},"modified":"2022-07-24T18:18:25","modified_gmt":"2022-07-24T21:18:25","slug":"o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/","title":{"rendered":"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ant\u00f4nio Sales Rios Neto<\/strong> &#8211; Pandemia na inf\u00e2ncia; guerras na adolesc\u00eancia e cat\u00e1strofe clim\u00e1tica na vida adulta \u2013 esse \u00e9 o destino das futuras gera\u00e7\u00f5es? Superar cultura patriarcal, que nos empurra ao abismo, exigir\u00e1 apostar no Comum e numa democracia radical.<\/p>\n<p>Este artigo, cujo t\u00edtulo original \u00e9\u00a0<em><strong>Modus vivendi e\u00a0hiperdemocracia, vias para um resgate do humano<\/strong><\/em>, \u00e9 s\u00e9timo e \u00faltimo de uma s\u00e9rie que se prop\u00f5e a investigar as ra\u00edzes das dificuldades enfrentadas pelas tentativas de governan\u00e7a democr\u00e1tica pela humanidade at\u00e9 hoje e, ao mesmo tempo, buscar uma compreens\u00e3o ampliada acerca do acelerado e preocupante decl\u00ednio dos regimes democr\u00e1ticos na contemporaneidade e dos poss\u00edveis desdobramentos da onda autorit\u00e1ria num futuro pr\u00f3ximo.<br \/>\nLeia o\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/a-nova-democracia-e-a-abolicao-do-patriarcado\/\">primeiro<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/a-crise-planetaria-e-o-resgate-da-democracia\/\">segundo<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/a-democracia-e-a-nossa-grande-bifurcacao-cultural\/\">terceiro<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/como-o-patriarcado-engole-a-democracia\/\">quarto<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/capitalismo-de-vigilancia-e-o-novo-ser-patriarcal\/\">quinto<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/podera-a-tecnica-salvar-o-patriarcado\/\">sexto<\/a>\u00a0artigos da s\u00e9rie<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>N\u00e3o se vai sair para a solu\u00e7\u00e3o do mundo partindo do macrocosmo.<\/em>\u00a0<em>Precisamos partir do microcosmo, sem d\u00favida nenhuma.<\/em>\u00a0<em>(\u2026) O homem tem de se convencer que o mais<\/em>\u00a0<em>importante de tudo \u00e9 o dia a dia. O homem vive \u00e9 todo dia.\u201d<\/em> (Mill\u00f4r Fernandes)<\/p>\n<p>\u201c<em>Do mesmo modo que \u00e9 preciso proteger a diversidade<\/em>\u00a0<em>das esp\u00e9cies para salvaguardar a biosfera,<\/em>\u00a0<em>\u00e9 preciso proteger a diversidade de ideias e opini\u00f5es,<\/em>\u00a0<em>bem como a diversidade de fontes de informa\u00e7\u00e3o e de meios<\/em>\u00a0<em>de informa\u00e7\u00e3o, para salvaguardar a vida democr\u00e1tica.\u201d<\/em>\u00a0(Edgar Morin)<\/p><\/blockquote>\n<p>Depois que o patriarcado se instalou por volta de sete mil anos atr\u00e1s, o mundo humano e o que conhecemos por civiliza\u00e7\u00e3o passaram a ser um palco de guerras, massacres e destrui\u00e7\u00f5es. A viol\u00eancia tornou-se n\u00e3o s\u00f3 um\u00a0<em>continuum<\/em>\u00a0na hist\u00f3ria como tamb\u00e9m foi normalizada, tornando-se algo inerente ao processo hist\u00f3rico. Da\u00ed o impasse oriundo do nosso grande bloqueio cognitivo, que Maturana traduz nos seguintes termos: \u201cPara os membros da comunidade que a vivem, uma cultura \u00e9 um \u00e2mbito de verdades evidentes. Elas n\u00e3o requerem justifica\u00e7\u00e3o e seu fundamento n\u00e3o se v\u00ea nem se investiga, a menos que no futuro dessa comunidade surja um conflito cultural que leve a tal reflex\u00e3o. Esta \u00faltima \u00e9 a nossa situa\u00e7\u00e3o atual.\u201d Enquanto a cultura patriarcal prevalecer, o mundo humano nunca deixar\u00e1 de ser socialmente conflituoso, politicamente inst\u00e1vel e ambientalmente mortal, um mundo em permanente estado sofrimento e mal-estar, como j\u00e1 havia constatado\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/a-humanidade-desenraizada-em-agonia-civilizatoria\/\">Sigmund Freud<\/a>\u00a0(1856-1939), o pai da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, uma das melhores compreens\u00f5es do que veio a ser a hist\u00f3ria talvez n\u00e3o esteja na interpreta\u00e7\u00e3o de Hegel de que a realidade \u00e9 conduzida por uma dial\u00e9tica progressiva em dire\u00e7\u00e3o a uma civiliza\u00e7\u00e3o cada vez mais aprimorada, na qual se possa imaginar um \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d, que ele parece ter vislumbrado no surgimento do Estado prussiano de sua \u00e9poca. O mesmo \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d que Fukuyama viu no \u201c\u00faltimo homem\u201d da democracia liberal estadunidense, que muitos agora veem na vida algoritmizada pelo inebriante novo mundo\u00a0<em>high tech\u00a0<\/em>\u2013 como parece ser o caso do<em>\u00a0Homo deus\u00a0<\/em>imaginado pelo historiador israelense Yuval Harari\u00a0<em>\u2013,<\/em>\u00a0enquanto a civiliza\u00e7\u00e3o desliza para a escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao que parece, Schopenhauer, ao observar o homem com sua \u201cvontade cega e irracional\u201d, parecia estar bem mais pr\u00f3ximo da compreens\u00e3o do processo hist\u00f3rico \u2013 forjado na conflituosa cultura patriarcal \u2013 do que Hegel com a sua \u201cast\u00facia da raz\u00e3o\u201d. \u00c9 por isso que, para tentarmos compreender melhor a condi\u00e7\u00e3o humana e a grav\u00edssima agonia planet\u00e1ria atual, precisamos seguir recomenda\u00e7\u00f5es como a do te\u00f3logo e fil\u00f3sofo espanhol Raimon Panikkar: \u201cver, por um lado, se o projeto humano realizado durante seis mil\u00eanios pelo\u00a0<em>Homo historicus<\/em>\u00a0\u00e9 o \u00fanico poss\u00edvel e, por outro lado, ver se n\u00e3o seria necess\u00e1rio, hoje, fazer outra coisa\u201d.<\/p>\n<p>A atual crise civilizat\u00f3ria que assola a humanidade n\u00e3o se iniciou na contemporaneidade, com a vis\u00e3o mercadol\u00f3gica de mundo imposta pelo liberalismo econ\u00f4mico, hoje globalizada, que canalizou os desejos humanos, por meio do fetiche da mercadoria, para as ilus\u00f5es do individualismo, do consumo e da acumula\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 apenas o reflexo de uma longa crise que cont\u00e9m elementos que podem sugerir que est\u00e1 chegando tanto ao seu \u00e1pice quanto ao seu esgotamento neste s\u00e9culo XXI. A cultura patriarcal milenar tem no estado de crise permanente a sua condi\u00e7\u00e3o natural. Como bem afirmou Hobsbawm, \u201ca hist\u00f3ria \u00e9 o registro dos crimes e loucuras da humanidade\u201d, uma hist\u00f3ria orientada pelo desejo de controle e de domina\u00e7\u00e3o cujo poder de destrui\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o s\u00f3 entre os humanos, mas sobretudo do ambiente \u2013, potencializou-se e amplificou-se na mesma propor\u00e7\u00e3o das ferramentas criadas pelo homem.<\/p>\n<p>Para vislumbrarmos a possibilidade de um resgate neomatr\u00edstico, no qual a democracia possa enfim estar representada na coexist\u00eancia de diversos modos de vida, que interrompa, ao mesmo tempo, a din\u00e2mica patriarcal milenar e a nossa atual rota civilizat\u00f3ria ecocida, precisar\u00edamos perceber a realidade sob novas lentes e ampliar nossa capacidade de imagina\u00e7\u00e3o para novas conforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, uma vez que o motor da hist\u00f3ria tem sido a liberdade da pol\u00edtica e do mercado \u2013 desde quando os primeiros esbo\u00e7os de mercado surgiram nas cercanias do Mediterr\u00e2neo, h\u00e1 cerca de doze s\u00e9culos antes de Cristo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, liberdade e seguran\u00e7a s\u00e3o dois conceitos conflitantes derivados da din\u00e2mica patriarcal. A no\u00e7\u00e3o de liberdade parece ter surgido junto com a sua perda, proporcionada pelo aparecimento da cultura de domina\u00e7\u00e3o patriarcal. Forjou-se, assim, a necessidade de seguran\u00e7a, que por sua vez limita a liberdade retroalimentando novamente a seguran\u00e7a, gerando um comportamento patol\u00f3gico recursivo: o homem aprisionado num eterno conflito consigo mesmo.<\/p>\n<p>Nas culturas matr\u00edsticas pr\u00e9-patriarcais europeias, que ainda podem ser observadas no modo de viver dos povos origin\u00e1rios, das tradi\u00e7\u00f5es africanas e de muitas viv\u00eancias comunit\u00e1rias remanescentes, espalhadas pelo mundo, talvez n\u00e3o fa\u00e7a muito sentido falar em liberdade porque ela constitui uma condi\u00e7\u00e3o natural do modo de vida. Nesses casos, vigoram rela\u00e7\u00f5es de consenso e compreens\u00e3o, e n\u00e3o de apropria\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o. Vive-se imerso em uma cultura em que a seguran\u00e7a est\u00e1 implicitamente garantida pela integra\u00e7\u00e3o do homem \u00e0s suas circunst\u00e2ncias. H\u00e1 um acoplamento natural entre o homem e o seu meio ambiente. Este n\u00e3o \u00e9 hostil ao homem como o \u00e9 no padr\u00e3o de pensamento da cultura patriarcal.<\/p>\n<p>Com a perda gradual desse acoplamento, seguran\u00e7a e liberdade tornaram-se, ao mesmo tempo, uma necessidade humana crescente e um conflito insol\u00favel. Se continuarmos presos nessa din\u00e2mica, o nosso horizonte civilizat\u00f3rio vai se tornando cada vez mais insustent\u00e1vel e o colapso ambiental e social uma possibilidade real, j\u00e1 para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. O que poderia, ent\u00e3o, nos desviar dessa perspectiva crescente de autodestrui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>J\u00e1 que \u00e9 a pol\u00edtica entrela\u00e7ada ao mercado que t\u00eam guiado a hist\u00f3ria h\u00e1 tanto tempo, a partir dessa premissa podemos levantar as seguintes reflex\u00f5es para se pensar as poss\u00edveis sa\u00eddas do atual\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/tres-impasses-para-o-futuro-da-civilizacao\/\">impasse civilizat\u00f3rio<\/a>: qual filosofia pol\u00edtica e qual sistema econ\u00f4mico poderiam comportar uma virada de din\u00e2mica civilizacional t\u00e3o radical? Em quais circunst\u00e2ncias a sociabilidade democr\u00e1tica pode passar a prevalecer sobre a imperialista? Enfim, como uma nova vis\u00e3o de mundo, ao mesmo tempo, aberta, plural, inclusiva e integrada \u00e0 complexidade da teia da vida na Terra, poderia emergir?<\/p>\n<p>Dois respeitados autores contempor\u00e2neos parecem ter desenvolvido uma contribui\u00e7\u00e3o relevante nessa dire\u00e7\u00e3o, que converge com a possibilidade de um resgaste neomatr\u00edstico. Um \u00e9 o fil\u00f3sofo pol\u00edtico brit\u00e2nico John Gray e o outro \u00e9 o economista franc\u00eas Jacques Attali. Cada um deles, atuando em campos distintos das ci\u00eancias sociais, percebeu como o modo de viver da cultura patriarcal, identificado por Maturana a partir da biologia da cogni\u00e7\u00e3o, forjou todo o processo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Attali e Gray conseguiram, cada um a seu modo e de forma convergente, compreender e explicar os padr\u00f5es de sociabilidade que arrastam a humanidade para o abismo atual. Vale ressaltar que nenhum dos dois fazem refer\u00eancias entre si em seus muitos ensaios e formula\u00e7\u00f5es, nem se debru\u00e7aram sobre o estudo da cultura patriarcal como Maturana o faz. No entanto, o pensamento deles e de Maturana guardam uma grande converg\u00eancia na compreens\u00e3o que t\u00eam acerca da imbrica\u00e7\u00e3o entre as din\u00e2micas econ\u00f4mica, pol\u00edtica, filos\u00f3fica e biol\u00f3gica que movem a a\u00e7\u00e3o humana e que forjou todo o processo civilizat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Gray \u00e9 ex-professor de pensamento europeu da London School of Economics, ex-aliado de Margaret Thatcher e um dos mais conceituados especialistas em filosofia pol\u00edtica na Europa. Logo depois que se sucederam eventos de grande impacto geopol\u00edtico como o Consenso de Washington (1989) e a Guerra do Golfo (1990-1991), apoiados pela\u00a0<em>New Right<\/em>\u00a0da era Reagan e Thatcher, nos anos 1980, Gray percebeu que o\u00a0<em>lassez-faire<\/em>\u00a0global desregulamentado e a deteriora\u00e7\u00e3o da coes\u00e3o social caminham juntos, e que \u201ca pol\u00edtica \u00e9 arte de inventar rem\u00e9dios tempor\u00e1rios para males recorrentes \u2013 uma s\u00e9rie de expedientes, n\u00e3o um projeto de salva\u00e7\u00e3o. Thatcher foi um desses expedientes.\u201d Assim, ele chegou ao entendimento de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa sustent\u00e1vel para as institui\u00e7\u00f5es do capitalismo liberal, ainda que reformadas\u201d.<\/p>\n<p>Mais tarde, no in\u00edcio dos anos 2000, ap\u00f3s ampliar ainda mais suas percep\u00e7\u00f5es sobre a din\u00e2mica que move o processo hist\u00f3rico e que nos arrastou para o atual impasse civilizat\u00f3rio de \u00e2mbito planet\u00e1rio, Gray vai mais a fundo nas ra\u00edzes dos nossos males e chega a conclus\u00f5es como a de que \u201cse os seres humanos s\u00e3o diferentes dos outros animais, \u00e9 principalmente por serem governados por mitos, que n\u00e3o s\u00e3o criaturas da vontade, mas criaturas da imagina\u00e7\u00e3o. Emergindo sem ser convidadas de regi\u00f5es subterr\u00e2neas, estas criaturas governam as vidas daqueles que empolgam. Muitos dos piores crimes do \u00faltimo s\u00e9culo foram cometidas por pessoas empolgadas pelo que elas acreditavam ser a raz\u00e3o.\u201d Todo o pensamento de Gray \u00e9 permeado por essa compreens\u00e3o em torno do animal humano, que ele entende mais apropriado chamar de\u00a0<em>Homo Rapiens<\/em>: \u201cuma esp\u00e9cie altamente inventiva que tamb\u00e9m \u00e9 uma das mais predadoras e destrutivas\u201d. Dentre os muitos ensaios que ele j\u00e1 escreveu, o livro\u00a0<em>Cachorros de palha<\/em>\u00a0(Record, 2006) \u00e9 uma das melhores s\u00ednteses do seu pensamento, e um leg\u00edtimo tratado sobre como opera a cultura patriarcal na contemporaneidade.<\/p>\n<p>Para John Gray, h\u00e1 dois principais mitos que governam e alimentam o conflito humano \u2013 cujo cerne encontra-se na religi\u00e3o, em especial na f\u00e9 crist\u00e3 que moldou toda a Idade M\u00e9dia \u2013 e que sustentam a pol\u00edtica moderna at\u00e9 os dias atuais. Um \u00e9 a cren\u00e7a no progresso da humanidade e o outro, atrelado ao primeiro, \u00e9 a ideia de que a hist\u00f3ria caminha inexoravelmente para uma civiliza\u00e7\u00e3o universal, um modo de vida \u00fanico. Em suma, para Gray, \u201ccom o enfraquecimento do cristianismo, a intoler\u00e2ncia por ele legada ao mundo tornou-se ainda mais destrutiva. Seja no imperialismo, no comunismo ou nas incessantes guerras para defender a democracia e os direitos humanos, os mais b\u00e1rbaros modos de viol\u00eancia t\u00eam sido promovidos em nome de uma civiliza\u00e7\u00e3o mais elevada.\u201d<\/p>\n<p>Esses dois mitos constituem at\u00e9 hoje os principais fundamentos do projeto civilizat\u00f3rio fracassado da democracia liberal estadunidense. S\u00e3o eles que alimentam a fantasia humana de tentar moldar o mundo segundo a sua imagem e, desse modo, salv\u00e1-lo de um suposto mal (que inclui aqueles que n\u00e3o seguem a cartilha do Ocidente) a ser exterminado. Gray n\u00e3o acredita que possamos algum dia sair dessa din\u00e2mica manique\u00edsta \u2013 herdada dos mesmos ideais greco-judaicos que forjaram o cristianismo e moldaram toda a hist\u00f3ria do Ocidente \u2013, muito menos que o animal humano consiga retornar ao seu estado primordial. Uma vez experimentado o fruto do conhecimento, n\u00e3o haveria mais volta. No m\u00e1ximo, Gray vislumbra que o sofrimento humano possa ser atenuado, caso haja um esfor\u00e7o de remodelagem do projeto liberal para o que ele chama de \u201c<em>modus vivendi\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>O Estado liberal \u00e9 resultado de um longo experimento iniciado na Europa do s\u00e9culo XVI que, apesar de muitos desvios, parecia estar (pelo menos do ponto de vista filos\u00f3fico) imbu\u00eddo do prop\u00f3sito de uma conviv\u00eancia humana mais tolerante e plural. No entanto, as for\u00e7as da\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/terraeantropoceno\/agonia-de-uma-civilizacao-forjada-no-patriarcado\/\">cultura patriarcal<\/a>\u00a0milenar, que a partir da modernidade ancoraram-se na raz\u00e3o, no progresso e no individualismo, com muito mais for\u00e7a do que no passado guiado pelos dogmas da f\u00e9 crist\u00e3, inviabilizaram tal direcionamento. Desse modo, nos arrastaram para a converg\u00eancia das m\u00faltiplas crises imbricadas que enfrentamos hoje, principalmente a pol\u00edtica, a social, a econ\u00f4mica e a ambiental. Esta \u00faltima, a mais perturbadora de todas, est\u00e1 cada dia mais pr\u00f3xima de se tornar insol\u00favel e irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Por isso Gray entende que \u201cprecisamos de um ideal que n\u00e3o esteja baseado em um consenso racional sobre o melhor modo de vida, nem num razo\u00e1vel desacordo sobre esse melhor modo de vida, mas antes no fato de que os seres humanos sempre ter\u00e3o raz\u00f5es para viver diferenciadamente. O\u00a0<em>modus vivendi<\/em>\u00a0\u00e9 tal ideal.\u201d Para alcan\u00e7\u00e1-lo, Gray tamb\u00e9m entende que \u201cn\u00e3o precisamos de valores comuns para vivermos juntos e em paz. Precisamos de institui\u00e7\u00f5es comuns, nas quais muitas formas de vida possam coexistir.\u201d A possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de uma democracia desapropriada do patriarcado, como sugere Maturana, talvez possa emergir se o projeto liberal for capaz de reformular-se e abrir-se a esse\u00a0<em>modus vivendi<\/em>\u00a0(as formula\u00e7\u00f5es de John Gray acerca da possibilidade do\u00a0<em>modus vivendi<\/em>\u00a0est\u00e3o reunidas no primeiro cap\u00edtulo do seu livro\u00a0<em>A anatomia de Gray,\u00a0<\/em>Record, 2011).<\/p>\n<p>Por outro lado, o\u00a0<em>modus vivendi<\/em>\u00a0proposto por Gray tem muita similaridade com a possibilidade de alcan\u00e7armos uma \u201chiperdemocracia\u201d daqui a aproximadamente 40 anos, conforme vislumbrado por Jacques Attali. O porqu\u00ea desse longo interst\u00edcio de quatro d\u00e9cadas \u00e9 que, segundo Attali, a humanidade ainda dever\u00e1 experimentar duas \u201condas do futuro\u201d, o \u201chiperimp\u00e9rio\u201d e o \u201chiperconflito\u201d, inclusive como uma esp\u00e9cie de pr\u00e9-requisitos para que a hiperdemocracia possa aflorar.<\/p>\n<p>Sabemos, conforme abordamos no texto anterior, que o hiperimp\u00e9rio (mercado planet\u00e1rio, sem Estado) e o hiperconflito (ap\u00f3s a viol\u00eancia do dinheiro, a viol\u00eancia das armas) est\u00e3o se desenhando com muita clareza no horizonte. Essas duas perspectivas regressivas est\u00e3o condensadas no seu livro\u00a0<em>Uma breve Hist\u00f3ria do Futuro<\/em>\u00a0(Novo S\u00e9culo, 2006), que oferece uma leitura de mundo que, apesar de amb\u00edgua, parece bem realista a respeito do que poder\u00e1 nos aguardar num futuro pr\u00f3ximo. Attali tem uma vis\u00e3o apocal\u00edptica e ao mesmo tempo esperan\u00e7osa sobre o futuro, convergente com os versos de H\u00f6lderlin citados pelo fil\u00f3sofo Martin Heidegger: \u201cOra, onde mora o perigo \/ \u00e9 l\u00e1 que tamb\u00e9m cresce \/ o que salva\u201d.<\/p>\n<p>Attali \u00e9 um dos pensadores contempor\u00e2neos que merece bastante aten\u00e7\u00e3o. Oriundo de uma fam\u00edlia judia argelina, ele fundou, com apoio de Muhammad Yunus e Arnaud Ventura, a ONG\u00a0<a href=\"https:\/\/www.positiveplanet.ngo\/\">Positive Planet<\/a>\u00a0que, em 23 anos, j\u00e1 apoiou mais de 11 milh\u00f5es de microempres\u00e1rios na cria\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios positivos, nos bairros carentes da Fran\u00e7a, \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio. \u00c9 autor de mais de oitenta livros, vendidos em 9 milh\u00f5es de c\u00f3pias e traduzidos para 22 idiomas. Ele foi conselheiro e assessor do governo de Fran\u00e7ois Mitterrand (1981-1995), portanto, vivenciou e conhece bem a din\u00e2mica por tr\u00e1s da\u00a0<em>Realpolitik,<\/em>\u00a0e \u00e9 um dos poucos economistas que parece ter a intui\u00e7\u00e3o de que precisamos aceitar nossa fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o natural e, assim, v\u00ea alguma luz no fim do t\u00fanel.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, Attali vem se dedicando a disseminar a ideia de que humanidade precisa urgentemente substituir a economia de mercado por uma \u201ceconomia da vida\u201d, proposta defendida no seu mais recente livro\u00a0<em>La econom\u00eda de la vida: Prepararse para lo que viene<\/em>\u00a0(Spanish Edition, 2021), em que a democracia, com todos os conflitos que lhe s\u00e3o inerentes, \u00e9 o regime imprescind\u00edvel \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dessa nova din\u00e2mica civilizacional. Nessa obra ele defende \u201cuma proposta para pouparmos nossas crian\u00e7as de uma pandemia aos 10 anos, uma ditadura aos 20 e uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica aos 30\u201d, alertando que chegou a hora de fazermos urgentemente a travessia da atual economia da sobreviv\u00eancia para uma economia da vida.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>Uma breve Hist\u00f3ria do Futuro<\/em>, publicado em 2006, Attali nos fornece um vislumbre bem plaus\u00edvel sobre o que pode estar reservado para a humanidade nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Nessa obra, ele analisa a longa hist\u00f3ria do capitalismo e a partir da\u00ed, faz algumas proje\u00e7\u00f5es de quais seriam seus prov\u00e1veis desdobramentos ainda nesta primeira metade do s\u00e9culo XXI. Com base nos diversos padr\u00f5es, regras ou leis que ele identifica na evolu\u00e7\u00e3o da longu\u00edssima hist\u00f3ria da democracia de mercado, ele entende que a \u201ccara mais veross\u00edmil do futuro\u201d ser\u00e1 a de que, at\u00e9 2060, rebentar\u00e3o, uma ap\u00f3s a outra, tr\u00eas ondas do futuro:<\/p>\n<p>1) o hiperimp\u00e9rio (entre 2035 e 2050), no qual o Estado-na\u00e7\u00e3o ser\u00e1 gradualmente absorvido pelas for\u00e7as do mercado, representadas pelas corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, e substitu\u00eddo pela Vigil\u00e2ncia proporcionada com o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica iniciada nos anos 1980;<\/p>\n<p>2) o hiperconflito (entre 2050 e 2060), como desdobramento das instabilidades geradas pelo hiperimp\u00e9rio que n\u00e3o disp\u00f5e mais das conten\u00e7\u00f5es do Estado para regul\u00e1-lo, em que profundas convuls\u00f5es, impulsionadas por \u201cambi\u00e7\u00f5es regionais\u201d, \u201cex\u00e9rcitos piratas e cors\u00e1rios\u201d e a \u201cc\u00f3lera dos laicos e dos crentes\u201d, desencadear\u00e3o guerras de toda ordem, em escala mundial; e<\/p>\n<p>3) como resposta \u00e0 perspectiva de uma autodestrui\u00e7\u00e3o da humanidade, abre-se a possibilidade de uma hiperdemocracia planet\u00e1ria, por volta de 2060, assumindo os rumos de uma civiliza\u00e7\u00e3o devastada pelas duas ondas precedentes.<\/p>\n<p>Esse progn\u00f3stico realmente tem muitas correspond\u00eancias com os padr\u00f5es da hist\u00f3ria. Mas essa antevis\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m inspirada por um grande esfor\u00e7o de otimismo para evitar o inferno que Attali teme que o futuro pode vir a se tornar. Obviamente que ele tamb\u00e9m considera o quanto o futuro \u00e9 determinado por eventos inesperados que podem alterar sua trajet\u00f3ria, mas sem desviar-se, no entanto, de um fundamento que, segundo ele, permeou toda a hist\u00f3ria: \u201cde s\u00e9culo em s\u00e9culo, a humanidade imp\u00f5e o primado da liberdade individual sobre qualquer outro valor\u201d. A pandemia da covid-19, assim como a guerra na Ucr\u00e2nia, por exemplo, representa esses eventos de escala planet\u00e1ria que podem fazer avan\u00e7ar (ou retardar) e alterar significativamente o fluxo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A partir dessa premissa de que h\u00e1 um impulso libert\u00e1rio que move a humanidade, Attali assim expressa seu otimismo tr\u00e1gico:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cAproximadamente em 2060, ou mais cedo \u2014 a menos que a humanidade desapare\u00e7a sob um dil\u00favio de bombas \u2014, nem o Imp\u00e9rio Norte-Americano, nem o hiperconflito ser\u00e3o toler\u00e1veis. Novas for\u00e7as, altru\u00edstas e universalistas, j\u00e1 atuantes hoje, tomar\u00e3o o poder mundialmente, devido a uma prem\u00eancia ecol\u00f3gica, \u00e9tica, econ\u00f4mica, cultural e pol\u00edtica. Elas se rebelar\u00e3o contra as exig\u00eancias da Vigil\u00e2ncia, do narcisismo e das normas. Conduzir\u00e3o, progressivamente, a um novo equil\u00edbrio, dessa vez planet\u00e1rio, entre o mercado e a democracia: a hiperdemocracia. (\u2026) Uma nova economia, chamada relacional, que produz servi\u00e7os sem procurar tirar lucros deles, se desenvolver\u00e1 em concorr\u00eancia com o mercado antes de neste p\u00f4r um fim, assim como o mercado p\u00f4s um termo, h\u00e1 alguns s\u00e9culos, no feudalismo.<\/p>\n<p>\u201cNesses tempos vindouros, menos long\u00ednquos do que se cr\u00ea, o mercado e a democracia, no sentido em que n\u00f3s o entendemos hoje, se tornar\u00e3o conceitos ultrapassados, lembran\u00e7as vagas, t\u00e3o dif\u00edceis de compreender como o s\u00e3o hoje o canibalismo ou os sacrif\u00edcios humanos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A irrup\u00e7\u00e3o da hiperdemocracia imaginada por Attali, como resposta \u00e0s convuls\u00f5es das duas ondas precedentes, comporta, pelo menos, tr\u00eas principais fen\u00f4menos emergentes entrela\u00e7ados:<\/p>\n<p>1) Ascens\u00e3o do\u00a0<strong>altru\u00edsmo social<\/strong>, em que a alteridade e a coopera\u00e7\u00e3o substituir\u00e3o, nas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, o individualismo e a competi\u00e7\u00e3o. Novos atores sociais e pol\u00edticos exercer\u00e3o um tipo de lideran\u00e7a na qual, segundo Attali, \u201cn\u00e3o se acreditar\u00e3o os propriet\u00e1rios do mundo, admitir\u00e3o que s\u00f3 t\u00eam o seu usufruto\u201d;<\/p>\n<p>2) Uma nova\u00a0<strong>economia relacional<\/strong>\u00a0emergir\u00e1 afastando-se da atual l\u00f3gica predat\u00f3ria de mercado. Ela \u201cn\u00e3o obedecer\u00e1 \u00e0s leis da raridade\u201d e \u201cpermitir\u00e1 produzir e trocar servi\u00e7os realmente gratuitos \u2013 de entretenimento, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es etc \u2013, que cada um julgar\u00e1 bom que se ofere\u00e7a ao outro\u201d. Uma economia em que \u201ca gratuidade se estender\u00e1 a todos os dom\u00ednios essenciais \u00e0 vida\u201d;<\/p>\n<p>3) O desenvolvimento do\u00a0<strong>bem comum<\/strong>, dentre eles a intelig\u00eancia universal, como resultado coletivo da hiperdemocracia. \u201cO bem comum da humanidade n\u00e3o ser\u00e1 a grandeza, a riqueza ou mesmo a felicidade, mas a prote\u00e7\u00e3o do conjunto dos elementos que tornam a vida poss\u00edvel e digna: clima, ar, \u00e1gua, liberdade, democracia, culturas, l\u00ednguas, saberes\u2026\u201d.<\/p>\n<p>Essa presci\u00eancia de Attali, assim como o\u00a0<em>modus vivendi<\/em>\u00a0recomendado por Gray, embora aparentem ser demasiadamente ut\u00f3picos, ela tem alguns fundamentos na realidade atual. O chamado terceiro setor da economia, composto por in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, que hoje ainda \u00e9 muito embrion\u00e1rio diante das estruturas hegem\u00f4nicas do Estado (primeiro setor da economia, o p\u00fablico) e do mercado (segundo setor, o privado), guarda muitas equival\u00eancias com o que poder\u00e1 vir a ser uma hiperdemocracia no futuro. Esse movimento do terceiro setor tem muito a ver com o potencial regenerativo da revolu\u00e7\u00e3o sociocultural que est\u00e1 emergindo, desde os anos 1960, tendente a influenciar cada vez mais o \u00e2mbito pol\u00edtico-econ\u00f4mico de muitas sociedades, em busca de outro mundo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Todos esses organismos seguem a l\u00f3gica da sociabilidade democr\u00e1tica n\u00e3o apropriada pelo patriarcado, especialmente pelo impulso matr\u00edstico do voluntarismo dos que se engajam nessa atividade, caracter\u00edstica inexistente no atual Estado-Corpora\u00e7\u00e3o produzido pelo neoliberalismo (resultante da absor\u00e7\u00e3o dos antigos Estados nacionais pelo mercado financeiro transnacional). Esse terceiro setor talvez represente, no futuro, a principal for\u00e7a emergente de resist\u00eancia ao atual\u00a0<em>establishment<\/em>\u00a0global que apostou todas as fichas no\u00a0<em>laissez-faire<\/em>\u00a0(des)orientado pelos algoritmos, o qual s\u00f3 tem amplificado a degrada\u00e7\u00e3o das democracias e a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo predat\u00f3rio, aumentado cada vez mais a nossa vulnerabilidade pol\u00edtica e ambiental.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que o mercado vem absorvendo o Estado, assim como este sufocou o cristianismo, e tendente a assumir, com o aux\u00edlio dos algoritmos, a posi\u00e7\u00e3o de novo vigilante do mundo, apontando para um cen\u00e1rio geopol\u00edtico cada vez mais beligerante, ecocida e autodestrutivo. Entretanto, \u00e0 margem dessa estupidez, come\u00e7a a surgir uma terceira for\u00e7a global que \u00e9 aquela integrada por iniciativas supranacionais como a Anistia Internacional, a Conven\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, o Acordo de Paris, dentre outras, e por milhares de organismos n\u00e3o governamentais, que avan\u00e7am silenciosamente com seus atributos mais pr\u00f3ximos de uma vis\u00e3o relacional de mundo, amparadas em coopera\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o, pluralidade, di\u00e1logo, toler\u00e2ncia, cuidado, alteridade, flexibilidade e respeito \u00e0 natureza. S\u00e3o esses novos atores que, colocando o ego no seu devido lugar, podem protagonizar, num futuro pr\u00f3ximo, a constru\u00e7\u00e3o de um mundo reconhec\u00edvel, superando nossos condicionamentos patriarcais milenares.<\/p>\n<p>Infelizmente, conviveremos com a tirania da\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/capitalismo-de-vigilancia-caminho-ao-abismo\/\">Vigil\u00e2ncia<\/a>\u00a0por um bom tempo, raz\u00e3o pela qual provavelmente ainda deveremos ver o cen\u00e1rio global se degradar ainda mais do que ele j\u00e1 se apresenta hoje, como prev\u00ea Attali. De um lado, a efervesc\u00eancia das insubordina\u00e7\u00f5es, observada com mais frequ\u00eancia nos regimes liberais ocidentais, em que a nostalgia matr\u00edstica se faz presente com maior intensidade, poder\u00e1 at\u00e9 mesmo arrefecer, dificultando a emerg\u00eancia de um\u00a0<em>modus vivendi<\/em>\u00a0ou de uma hiperdemocracia. Por outro lado, nos atuais regimes iliberais, para onde vem se deslocando o eixo geopol\u00edtico, embora eles n\u00e3o demonstrem hoje querer impor a todas as sociedades apenas um \u00fanico modo de vida, como sempre desejou o eurocentrismo do Ocidente, a manuten\u00e7\u00e3o das rebeldias e de vis\u00f5es cr\u00edticas tentando mudar as realidades ir\u00e3o se deparar com muitos obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>Nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, estaremos cada vez mais imersos numa arena cibern\u00e9tica de disputa de hegemonia que oferecer\u00e1 pouqu\u00edssimo espa\u00e7o para um resgate neomatr\u00edstico, como desejava Maturana. Por\u00e9m, talvez esteja exatamente nessa nova conjuntura an\u00e1rquica global o pren\u00fancio de uma grande transforma\u00e7\u00e3o cultural. \u00c9 na cat\u00e1strofe patrocinada pela Vigil\u00e2ncia que poder\u00e3o surgir as condi\u00e7\u00f5es para irromper uma hiperdemocracia. Trata-se da esperan\u00e7a na metamorfose, tal como imaginada por\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/terraeantropoceno\/cem-anos-morin-filosofo-da-complexidade\/\">Edgar Morin<\/a>: \u201cquanto mais nos aproximamos da cat\u00e1strofe, mais a metamorfose \u00e9 poss\u00edvel. Ent\u00e3o, a esperan\u00e7a pode vir do desespero\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, ao que o crescente aprofundamento da instabilidade geopol\u00edtica e da crise ambiental indicam, o destino da humanidade neste sombrio s\u00e9culo XXI ficar\u00e1 cada vez mais condicionado a duas premissas. A primeira \u00e9 a de que \u201co homem n\u00e3o suporta muita realidade\u201d, como dito pelo poeta ingl\u00eas Thomas Eliot, haja visto o mundo intrat\u00e1vel e dist\u00f3pico que nos aguarda. A segunda est\u00e1 no fato, conforme nos leva a crer as irrefut\u00e1veis evid\u00eancias cient\u00edficas levantadas pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/616536-ipcc-explica-como-o-aquecimento-global-afeta-nossas-vidas-efeitos-irreversiveis-se-nao-agirmos-logo\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/a>, de que a toler\u00e2ncia de Gaia para com a preda\u00e7\u00e3o patriarcal ainda n\u00e3o tenha sido ultrapassada.<\/p>\n<p>No entanto, tais premissas s\u00f3 poder\u00e3o ser validadas\u00a0<em>a posteriori<\/em>, se tentarmos e realizarmos a op\u00e7\u00e3o pela radicalidade de uma democracia vivida, que possa viabilizar um retorno \u00e0 vitalidade da complexidade do antigo viver matr\u00edstico, para escaparmos de uma sociabilidade insuport\u00e1vel numa Terra inabit\u00e1vel e da perspectiva de uma autodestrui\u00e7\u00e3o precoce impingida pela nossa perman\u00eancia na insensatez do patriarcado. De agora em diante, o devir humano repousar\u00e1 sob tais press\u00e1gios.<\/p>\n<p>Muitas pessoas, que hoje s\u00f3 encontram sentido para as suas vidas estando alienadas e absorvidas pelas distra\u00e7\u00f5es do mercado e da tecnologia, e condicionadas \u00e0 servid\u00e3o volunt\u00e1ria da arena patriarcal, provavelmente diriam que as ideias aqui expostas est\u00e3o ideologizadas por um pensamento demasiadamente otimista e ut\u00f3pico sobre a natureza humana. Teriam at\u00e9 mesmo dificuldade de compreend\u00ea-las por estarem fechadas cognitivamente em sua percep\u00e7\u00e3o patriarcal de mundo. Preferem continuar aprisionadas em seus conflitos internos, sujeitas a todo tipo de patologias mentais e mergulhadas no autoengano, diante de uma realidade que est\u00e1 arrastando, aceleradamente, a humanidade em dire\u00e7\u00e3o ao precip\u00edcio.<\/p>\n<p>J\u00e1 aquelas poucas pessoas que ainda n\u00e3o perderam sua inf\u00e2ncia matr\u00edstica, e conseguem manter uma dist\u00e2ncia segura do modo de viver doentio imposto pelo atual\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0patriarcal do tecnomercado, estar\u00e3o bem mais pr\u00f3ximas do sentimento de alteridade \u2013 \u00fanico meio de alcan\u00e7armos a seguran\u00e7a e a liberdade que n\u00e3o encontramos no viver patriarcal e que s\u00f3 podem ser obtidas na aceita\u00e7\u00e3o e na conviv\u00eancia com o outro. N\u00e3o sentem a necessidade de defender qualquer democracia, sobretudo as que est\u00e3o apropriadas pelo mercado (e pelos algoritmos) e alimentam tantas tiranias devastadoras pelo mundo. Preferem viver a democracia em seu dia a dia, naturalmente, sem muito esfor\u00e7o, e, assim, podem usufruir o pouco de conviv\u00eancia e de natureza de que ainda dispomos, nesses tempos de tanta agonia e desesperan\u00e7a. Podem, desse modo, desfrutar da indescrit\u00edvel d\u00e1diva de conviver e de amar.<\/p>\n<p>Se as emo\u00e7\u00f5es e as conversa\u00e7\u00f5es constituem o fundamento do viver humano, e requerem uma democracia vivida (e n\u00e3o defendida), para resgatarmos uma cultura neomatr\u00edstica em que os humanos possam se reconciliar com a complexidade do mundo real, tal como percebeu Humberto Maturana e outros, que prevale\u00e7a a hiperdemocracia nessa imponder\u00e1vel transi\u00e7\u00e3o de \u00e9poca!<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ATTALI, Jacques. Uma breve hist\u00f3ria do futuro. S\u00e3o Paulo: Novo S\u00e9culo Editora, 2008.<\/p>\n<p>CHAU\u00cd, Marilena. Breve hist\u00f3ria da democracia. In: Semin\u00e1rio Internacional Democracia em Colapso? Curso \u201cA democracia pode ser assim: hist\u00f3ria, formas e possibilidades\u201d. S\u00e3o Paulo: Boitempo e SESC, 2019.<\/p>\n<p>CHAU\u00cd, Marilena. Neoliberalismo: nova forma de totalitarismo. A terra \u00e9 redonda, em 6\/10\/2019. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/neoliberalismo-a-nova-forma-do-totalitarismo\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>GRAY, John. A anatomia de Gray. Rio de Janeiro: Record, 2011.<\/p>\n<p>GRAY, John. Cachorros de palha: reflex\u00f5es sobre humanos e outros animais. Rio de Janeiro: Record, 2006.<\/p>\n<p>GRAY, John. Jogos finais: quest\u00f5es do pensamento pol\u00edtico moderno tardio. S\u00e3o Paulo: Editora UNESP, 2008.<\/p>\n<p>GRAY, John. O sil\u00eancio dos animais: sobre o progresso e outros mitos modernos. Rio de Janeiro: Record, 2019.<\/p>\n<p>GRAY, John. Por que esta crise \u00e9 um ponto de virada na hist\u00f3ria. Newstatesman, em 1\/4\/2020. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.newstatesman.com\/international\/2020\/04\/why-crisis-turning-point-history\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX: 1914-1991. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995.<\/p>\n<p>IDEA \u2013 Instituto Internacional para a Democracia e Assist\u00eancia Eleitoral. Relat\u00f3rio Global do Estado da Democracia 2021. Estocolmo, Su\u00e9cia: IDEA, 2022. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.idea.int\/gsod\/global-report#chapter-2-democracy-health-check:-an-overview-of-global-trends\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>HOCK, Dee. Nascimento da era ca\u00f3rdica. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2000.<\/p>\n<p>LA BO\u00c9TIE, \u00c9tienne. Discurso Sobre a Servid\u00e3o Volunt\u00e1ria (1549). L.C.C. Publica\u00e7\u00f5es Eletr\u00f4nicas, 2006. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ebooksbrasil.org\/eLibris\/boetie.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>LEVITSKY, Steven &amp; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.<\/p>\n<p>MARIOTTI, Humberto. As paix\u00f5es do ego: complexidade, pol\u00edtica e solidariedade. S\u00e3o Paulo: Palas Athena, 2000.<\/p>\n<p>MATURANA, Humberto R. Conversa\u00e7\u00f5es matr\u00edsticas e patriarcais. In: ______; VERDEN-Z\u00d6LLER, G. Amar e brincar: fundamentos esquecidos do humano. S\u00e3o Paulo: Palas Athena, 2004.<\/p>\n<p>MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A \u00e1rvore do conhecimento: as bases biol\u00f3gicas da compreens\u00e3o humana. S\u00e3o Paulo: Palas Athena, 2010.<\/p>\n<p>M\u00c9SZ\u00c1ROS, Istv\u00e1n. Entrevista \u00e0 Boitempo Editorial, em 22\/4\/2015. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2015\/04\/22\/meszaros-a-disputa-pelo-estado\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>MORAES, Roberto. Commoditifica\u00e7\u00e3o de dados, concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e controle pol\u00edtico como elementos da autofagia do capitalismo de plataforma. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/commoditificacao-de-dados-concentracao-economica-e-controle-politico-como-elementos-da-autofagia-do-capitalismo-de-plataforma\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>MORIN, Edgar. O m\u00e9todo 6: \u00e9tica. Porto Alegre: Sulina, 2007.<\/p>\n<p>MORIN, Edgar. Os sete saberes necess\u00e1rios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do futuro. S\u00e3o Paulo, Brasil: Cortez \u2013 UNESCO\/ONU Brasil, 2000.<\/p>\n<p>MORIN, Edgar. Rumo ao abismo? Ensaio sobre o destino da humanidade. Rio de Janeiro, Brasil: Bertrand Brasil, 2010.<\/p>\n<p>PRIGOGINE, Ilya. O fim das certezas: tempo, caos e as leis da natureza. S\u00e3o Paulo: Editora da UNESP, 1996.<\/p>\n<p>SESCSP \u2013 SERVI\u00c7O SOCIAL DO COM\u00c9RCIO DE S\u00c3O PAULO. S\u00edtio eletr\u00f4nico contendo o acervo sobre a vida e a obra de Edgar Morin. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/edgarmorin.sescsp.org.br\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>SOUZA SILVA, Jos\u00e9 de. A mudan\u00e7a de \u00e9poca e o contexto global cambiante: implica\u00e7\u00f5es para a mudan\u00e7a institucional em organiza\u00e7\u00f5es de desenvolvimento. In: LIMA, Suzana Maria Valle, et all. Mudan\u00e7a Organizacional: teoria e gest\u00e3o. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.<\/p>\n<p>V-Dem Institute \u2013 Relat\u00f3rio de Democracia 2022: Autocratiza\u00e7\u00e3o mudando a natureza?. Gotemburgo, Su\u00e9cia: V-Dem, 2022. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.v-dem.net\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>ZUBOFF, Shoshana. Entrevista por John Naughton, publicada por The Guardian, em 20\/1\/2019. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/technology\/2019\/jan\/20\/shoshana-zuboff-age-of-surveillance-capitalism-google-facebook\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>ZUBOFF, Shoshana. Entrevista por Noah Kulwin, publicada por New York, em 24\/2\/2019. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/nymag.com\/intelligencer\/2019\/02\/shoshana-zuboff-q-and-a-the-age-of-surveillance-capital.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>WALLERSTEIN, Immanuel. O tempo em que podemos mudar o mundo. Outras Palavras, 14\/10\/2011. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/sem-categoria\/o-tempo-em-que-podemos-mudar-o-mundo\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>World Economic Forum. Relat\u00f3rio de Riscos Globais 2022. 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Davos, Su\u00ed\u00e7a: FEM, 2022. Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/reports\/global-risks-report-2022\/digest\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Sales Rios Neto &#8211; Pandemia na inf\u00e2ncia; guerras na adolesc\u00eancia e cat\u00e1strofe clim\u00e1tica na vida adulta \u2013 esse \u00e9 o destino das futuras gera\u00e7\u00f5es? Superar cultura patriarcal, que nos empurra ao abismo, exigir\u00e1 apostar no Comum e numa democracia radical. Este artigo, cujo t\u00edtulo original \u00e9\u00a0Modus vivendi e\u00a0hiperdemocracia, vias para um resgate do humano, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18111,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,8],"tags":[74],"class_list":["post-18110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","category-sociedade","tag-socialismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ant\u00f4nio Sales Rios Neto &#8211; Pandemia na inf\u00e2ncia; guerras na adolesc\u00eancia e cat\u00e1strofe clim\u00e1tica na vida adulta \u2013 esse \u00e9 o destino das futuras gera\u00e7\u00f5es? Superar cultura patriarcal, que nos empurra ao abismo, exigir\u00e1 apostar no Comum e numa democracia radical. Este artigo, cujo t\u00edtulo original \u00e9\u00a0Modus vivendi e\u00a0hiperdemocracia, vias para um resgate do humano, [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2022-08-02T15:11:02+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/mulheres.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"640\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"27 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano\",\"datePublished\":\"2022-08-02T15:11:02+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/\"},\"wordCount\":5337,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1\",\"keywords\":[\"Socialismo\"],\"articleSection\":[\"Pol\u00edtica\",\"Sociedade\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/\",\"name\":\"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1\",\"datePublished\":\"2022-08-02T15:11:02+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1\",\"width\":1024,\"height\":640},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/08\\\/02\\\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano - Controversia","og_description":"Ant\u00f4nio Sales Rios Neto &#8211; Pandemia na inf\u00e2ncia; guerras na adolesc\u00eancia e cat\u00e1strofe clim\u00e1tica na vida adulta \u2013 esse \u00e9 o destino das futuras gera\u00e7\u00f5es? Superar cultura patriarcal, que nos empurra ao abismo, exigir\u00e1 apostar no Comum e numa democracia radical. Este artigo, cujo t\u00edtulo original \u00e9\u00a0Modus vivendi e\u00a0hiperdemocracia, vias para um resgate do humano, [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2022-08-02T15:11:02+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":640,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/mulheres.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"27 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano","datePublished":"2022-08-02T15:11:02+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/"},"wordCount":5337,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1","keywords":["Socialismo"],"articleSection":["Pol\u00edtica","Sociedade"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/","name":"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1","datePublished":"2022-08-02T15:11:02+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1","width":1024,"height":640},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/08\/02\/o-mundo-entre-o-apocalipse-e-o-resgate-do-humano\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O mundo entre o apocalipse e o resgate do humano"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/mulheres.jpg?fit=1024%2C640&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18110"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18112,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18110\/revisions\/18112"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18111"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}