{"id":18069,"date":"2022-07-18T12:11:38","date_gmt":"2022-07-18T15:11:38","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=18069"},"modified":"2022-07-14T18:29:36","modified_gmt":"2022-07-14T21:29:36","slug":"boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/","title":{"rendered":"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema"},"content":{"rendered":"<p><strong>Boaventura de Sousa Santos<\/strong> &#8211;\u00a0Div\u00f3rcio entre Capitalismo e Democracia produziu a enorme instabilidade pol\u00edtica que marca o Ocidente. Muitos atacam o establishment. Mas quem vencer\u00e1: os que j\u00e1 n\u00e3o suportam as l\u00f3gicas do capital, ou os que nunca admitiram a democracia?<\/p>\n<p>O crescimento global da extrema-direita voltou a dar uma nova import\u00e2ncia ao conceito de antissistema em pol\u00edtica. Para entender o que se est\u00e1 a passar \u00e9 necess\u00e1rio recuar algumas d\u00e9cadas. Num texto deste tipo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dar conta de toda a riqueza pol\u00edtica deste per\u00edodo. As generaliza\u00e7\u00f5es ser\u00e3o certamente arriscadas e n\u00e3o faltar\u00e3o omiss\u00f5es. Mesmo assim, o exerc\u00edcio imp\u00f5e-se pela urg\u00eancia de dar algum sentido ao que, por vezes, parece n\u00e3o ter sentido nenhum.<\/p>\n<p>O binarismo sistema-antissistema est\u00e1 presente nas mais diferentes disciplinas, das ci\u00eancias naturais \u00e0s ci\u00eancias humanas e sociais, da biologia \u00e0 f\u00edsica, da epistemologia \u00e0 psicologia. O corpo, o mundo, a cidade ou o clima podem ser concebidos como sistemas. H\u00e1 mesmo uma disciplina dedicada ao estudo dos sistemas \u2013 a teoria dos sistemas. O sistema \u00e9, em geral, definido como uma entidade composta de diferentes partes que interagem de modo a comporem um todo unificado ou coerente. O sistema \u00e9 assim algo limitado, e o que est\u00e1 fora dele tanto o pode rodear e influenciar (o seu meio-ambiente) como lhe pode ser hostil e pretender destruir (antissistema). Nas ci\u00eancias sociais, ainda que algumas correntes rejeitem a ideia de sistema, s\u00e3o muitas as formula\u00e7\u00f5es do binarismo sistema\/antissistema. Distingo duas formula\u00e7\u00f5es particularmente influentes. A teoria do sistema-mundo proposta por Immanuel Wallerstein defende que, historicamente, existiram dois tipos de sistema-mundo: o imp\u00e9rio-mundo e a economia-mundo. O primeiro \u00e9 caracterizado por um centro pol\u00edtico com amplas estruturas burocr\u00e1ticas e m\u00faltiplas culturas hierarquizadas; o segundo \u00e9 caracterizado por uma s\u00f3 divis\u00e3o do trabalho, m\u00faltiplos centros pol\u00edticos e m\u00faltiplas culturas igualmente hierarquizadas. Desde o s\u00e9culo XVI, existe o sistema-mundo moderno assente na economia-mundo do capitalismo, um sistema din\u00e2mico, conflitual, com diferentes ritmos temporais que dividiu os diferentes pa\u00edses\/regi\u00f5es em tr\u00eas categorias \u2013 o centro, a periferia e a semiperiferia \u2013 definidas em fun\u00e7\u00e3o do modo como se apropriam (ou s\u00e3o expropriadas) das mais valias da produ\u00e7\u00e3o capitalista e colonialista global. O sistema permite transfer\u00eancias de valor dos pa\u00edses perif\u00e9ricos para os pa\u00edses centrais, enquanto os pa\u00edses semi-perif\u00e9ricos atuam como correias de transmiss\u00e3o do valor criado da periferia para o centro (como foi o caso de Portugal durante s\u00e9culos).<\/p>\n<p>A outra concep\u00e7\u00e3o de sistema (e de antissistema) tem sido desenvolvida sobretudo na ci\u00eancia pol\u00edtica e nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. O sistema \u00e9 aqui concebido como um conjunto coerente de princ\u00edpios, normas, institui\u00e7\u00f5es, conceitos, cren\u00e7as e valores que definem os limites do que \u00e9 convencional e legitimam as atua\u00e7\u00f5es dos agentes dentro desses limites. A unidade do sistema tanto pode ser local como regional, nacional ou internacional. Podemos dizer que, depois da Segunda Guerra Mundial, foram dois os sistemas nacionais dominantes: o sistema pol\u00edtico de partido \u00fanico ao servi\u00e7o do socialismo (o mundo sino-sovi\u00e9tico) e um sistema democr\u00e1tico liberal ao servi\u00e7o do capitalismo (o mundo liberal). As rela\u00e7\u00f5es internacionais entre os dois sistemas configuraram um terceiro sistema, a Guerra Fria, um sistema regulado de conflito e conten\u00e7\u00e3o. A Guerra Fria condicionou o modo como foram avaliados os dois sistemas nacionais\/regionais: para o mundo liberal, o mundo sino-sovi\u00e9tico era uma ditadura ao servi\u00e7o de uma casta burocr\u00e1tica; para o mundo sino-sovi\u00e9tico, o mundo liberal era uma democracia burguesa ao servi\u00e7o da acumula\u00e7\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Com a queda do Muro de Berlim (1989), este sistema feito de tr\u00eas sistemas entrou em crise. A n\u00edvel nacional passou a reconhecer-se um s\u00f3 sistema leg\u00edtimo, o sistema liberal. A crise do sistema internacional da Guerra Fria atingiu o paroxismo com a presid\u00eancia de Donald Trump. Vistas da longa dura\u00e7\u00e3o do sistema-mundo moderno, estas transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, apesar do seu dramatismo, s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es epocais dentro do mesmo sistema, as quais, quando muito, podem estar a sinalizar uma crise mais profunda do pr\u00f3prio sistema-mundo.<\/p>\n<p>S\u00e3o antissist\u00eamicos os movimentos que se op\u00f5em radicalmente ao sistema dominante. Ao longo do s\u00e9culo XX, foram antissist\u00eamicos os movimentos que se opunham ao capitalismo e ao colonialismo (anti-sistema-mundo) e os que se opunham \u00e0 democracia liberal (anti-mundo liberal). Alguns movimentos foram contra o capitalismo\/colonialismo mas n\u00e3o contra a democracia liberal, caso dos partidos socialistas e a maioria dos sindicatos das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX (socialismo democr\u00e1tico). Outros foram contra o capitalismo\/colonialismo e a democracia liberal, caso dos movimentos revolucion\u00e1rios \u2013 comunistas, anarquistas \u2013 e muitos dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o anticolonial, com ado\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da luta armada. Por fim, outros foram contra a democracia liberal, mas n\u00e3o contra o capitalismo\/colonialismo. Foram os movimentos reacion\u00e1rios, nazistas, fascistas, populistas de direita que, ou n\u00e3o aceitavam sequer os tr\u00eas princ\u00edpios da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (liberdade, igualdade, fraternidade), ou viam na evolu\u00e7\u00e3o da democracia liberal (alargamento do sufr\u00e1gio, multiplica\u00e7\u00e3o dos direitos sociais e econ\u00f4micos) e no crescimento do movimento comunista depois da Revolu\u00e7\u00e3o Russa uma perigosa deriva que acabaria por p\u00f4r em causa o capitalismo. Estes movimentos propuseram um capitalismo tutelado pelo Estado autorit\u00e1rio (fascismo e nazismo).<\/p>\n<p>Foi sempre importante distinguir entre esquerda e direita, entre movimentos revolucion\u00e1rios e contra-revolucion\u00e1rios. Os primeiros, quando lutaram contra o capitalismo\/colonialismo, fizeram-no em nome de um sistema social mais justo, mais diverso e mais igual e, quando lutaram contra a democracia liberal, foi em nome de uma democracia mais radical, mesmo que o resultado acabasse por ser a ditadura, como aconteceu com St\u00e1lin. Pelo contr\u00e1rio, os movimentos contra-revolucion\u00e1rios lutaram sempre contra as for\u00e7as anticapitalistas e anticolonialistas, muitas vezes com o preconceito de estas serem protagonizadas por classes inferiores ou perigosas e, pelas mesmas raz\u00f5es, dispuseram-se a optar pela ditadura sempre que a democracia liberal significasse alguma amea\u00e7a para o capitalismo.<\/p>\n<p><strong>1945-1989<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1945 e 1989 a dial\u00e9tica entre o sistema e o antissistema foi muito din\u00e2mica. Nos pa\u00edses centrais do sistema-mundo, o que chamamos hoje Norte Global, o fascismo e o nazismo foram derrotados e apenas sobreviveram em dois pa\u00edses semi-perif\u00e9ricos da Europa, Portugal e Espanha. Na R\u00fassia (e pa\u00edses sat\u00e9lites), a outra semi-periferia europeia, e na China, consolidou-se o sistema sino-sovi\u00e9tico. Nos pa\u00edses europeus centrais a democracia liberal passou a ser o \u00fanico regime pol\u00edtico leg\u00edtimo. Os partidos socialistas abandonaram a luta anticapitalista (em 1959, o SPD alem\u00e3o dissociou-se do marxismo) e passaram a gerir a tens\u00e3o entre democracia liberal (fundada na ideia de soberania popular) e capitalismo (fundado na ideia de acumula\u00e7\u00e3o infinita de riqueza), segundo a nova f\u00f3rmula dada a um velho conceito: a social-democracia. Por sua vez, os partidos comunistas e outros partidos \u00e0 esquerda dos partidos socialistas integraram-se no sistema democr\u00e1tico. Ali\u00e1s durante a noite fascista e nazista, os militantes destes partidos (sobretudo os comunistas) foram quem mais dedicadamente lutou pela democracia, tendo pago um alto pre\u00e7o por isso. \u00c9 bom recordar, a t\u00edtulo de exemplo, que \u00c1lvaro Cunhal, secret\u00e1rio-geral do PCP, esteve preso durante 15 anos, 8 dos quais em regime solit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na periferia e na semi-periferia do sistema-mundo os movimentos anti-capitalistas e antidemocracia liberal assumiram o poder na China, Cuba, Coreia do Norte e Vietnam, e noutros pa\u00edses alimentaram durante muitos anos a luta antissist\u00eamica, por vezes com recurso \u00e0 luta armada, casos da Col\u00f4mbia, Filipinas, Turquia, Sri Lanka, \u00cdndia, Uruguai, Nicar\u00e1gua, El Salvador, Guatemala. O caso mais significativo de movimento anticapitalista mas n\u00e3o antidemocracia liberal foi o liderado por Salvador Allende no Chile (1970-1973), neutralizado por um golpe brutal planejado pela CIA.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica e na \u00c1sia, os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o anticoloniais conferiram uma nova complexidade aos movimentos antissist\u00eamicos. Inspirados pela Confer\u00eancia de Bandung de 1955, que reuniu 29 pa\u00edses asi\u00e1ticos e africanos e conferiu for\u00e7a pol\u00edtica ao conceito de Terceiro Mundo (o Movimento dos N\u00e3o-alinhados), propunham-se fazer uma dupla ruptura na l\u00f3gica sist\u00eamica. Por um lado, rejeitavam tanto o capitalismo liberal como o socialismo sovi\u00e9tico e dispunham-se a lutar por alternativas que combinavam o pensamento pol\u00edtico europeu e v\u00e1rias estirpes de pensamento africano. Por outro lado, procuravam construir um regime pol\u00edtico democr\u00e1tico de tipo novo assente no protagonismo dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o. Grande parte desta experimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica colapsou durante a d\u00e9cada de 1980 por erros internos e pelo cerco do capitalismo global.<\/p>\n<p><strong>1989 at\u00e9 hoje<\/strong><\/p>\n<p>No per\u00edodo mais recente os tra\u00e7os mais significativos da pol\u00edtica antissist\u00eamica s\u00e3o os seguintes. Com o colapso da URSS pareceu que o mundo da democracia liberal tinha vencido a competi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre sistemas e de maneira irrevers\u00edvel (\u201co fim da hist\u00f3ria\u201d). Mas quem venceu? Como vimos, os dois pilares da luta antissist\u00eamica foram nos \u00faltimos 150 anos o capitalismo\/colonialismo e a democracia liberal. Em 1989 venceram o capitalismo e a democracia conjuntamente? Ou a democracia \u00e0 custa do capitalismo? Ou, ainda, o capitalismo \u00e0 custa da democracia? Para responder a estas perguntas \u00e9 necess\u00e1rio examinar o que se passou no per\u00edodo anterior com os dois pilares e as mudan\u00e7as convergentes que ocorreram neles.<\/p>\n<p>Tenhamos em mente que antes de 1945 o fascismo e o nazismo foram, em grande medida, uma resposta ao crescimento da milit\u00e2ncia das classes trabalhadoras (\u201ca amea\u00e7a comunista\u201d) combinado com altos n\u00edveis de desemprego e de infla\u00e7\u00e3o e o empobrecimento das grandes maiorias. Por sua vez, os limites da democracia liberal (limites do sufr\u00e1gio, controle total das elites, aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas universais) n\u00e3o permitiam nem gerir a conflitualidade social nem dar aos movimentos socialistas a oportunidade de consolidar alternativas. Era feroz o confronto entre dois tipos de alternativa: o reformismo e a revolu\u00e7\u00e3o. Depois de 1945, e como resposta \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do mundo sino-sovi\u00e9tico, o mundo liberal dos pa\u00edses centrais procurou baixar a tens\u00e3o entre democracia e capitalismo. Para isso, as classes capitalistas que o dominavam tiveram de fazer concess\u00f5es inimagin\u00e1veis no per\u00edodo anterior: impostos muito elevados, sectores estrat\u00e9gicos nacionalizados, co-gest\u00e3o entre trabalho e capital nas grandes empresas (caso da ent\u00e3o Alemanha Ocidental), direitos do trabalho robustos, pol\u00edticas sociais universais (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, sistema de pens\u00f5es, transportes). Com isto surgiram amplas classes m\u00e9dias e foi com base nelas que o reformismo se consolidou. Na Europa Ocidental a compatibilidade entre democracia liberal e capitalismo ocorria por via da combina\u00e7\u00e3o de altos n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o social com altos n\u00edveis de produtividade. Nos EUA, o reformismo assumiu formas muito mais t\u00eanues. Ainda envolveu uma resposta \u00e0 imaginada amea\u00e7a comunista (o macartismo), que aflorou na Alemanha Ocidental sob a forma de\u00a0<em>Berufsverbot\u00a0<\/em>(desqualifica\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de certos cargos por parte dos comunistas e \u201cextremistas radicais\u201d). Mas a nova posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica dos EUA, a milit\u00e2ncia sindical e a pujan\u00e7a dos \u201ctrinta anos gloriosos\u201d (1945-1975) garantiram a emerg\u00eancia de fortes classes m\u00e9dias.<\/p>\n<p>Este compromisso entre democracia e capitalismo, combinado com a desintegra\u00e7\u00e3o da URSS, foi o que garantiu a queda, nos pa\u00edses centrais, dos movimentos antissist\u00eamicos, tanto de esquerda como de direita. Este compromisso entrou em crise a partir de meados da d\u00e9cada de 1970 com a primeira crise do petr\u00f3leo e a cr\u00edtica dos conservadores ao \u201cexcesso de direitos\u201d da democracia (direitos laborais, econ\u00f4micos e sociais). A crise aprofundou-se dramaticamente depois de 1989. Em retrospecto pode dizer-se que em 1989 os derrotados foram tanto o comunismo sovi\u00e9tico como a social democracia. Quem venceu foi o capitalismo \u00e0 custa da democracia. Essa vit\u00f3ria traduziu-se na emerg\u00eancia de uma nova vers\u00e3o do capitalismo, o neoliberalismo assente na desregula\u00e7\u00e3o da economia, na demoniza\u00e7\u00e3o do Estado e dos direitos laborais, econ\u00f4micos e sociais, na privatiza\u00e7\u00e3o total da atividade econ\u00f4mica e na convers\u00e3o dos mercados em regulador privilegiado tanto da vida econ\u00f4mica como da vida social. O neoliberalismo come\u00e7ou por ser violentamente ensaiado no Chile e noutros pa\u00edses do Sul Global, presidiu \u00e0s transi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas no sul da Europa na d\u00e9cada de 1970 e na Am\u00e9rica Latina na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o o Estado democr\u00e1tico ou social de direito era a express\u00e3o da compatibilidade poss\u00edvel entre democracia e capitalismo. A partir de 1989, a democracia passou a estar subordinada ao capitalismo e a ser defendida apenas na medida em que defendesse os interesses do capitalismo, a chamada \u201cmarket friendly democracy\u201d. A ela se contrap\u00f4s a social democracia que von Hayek caracterizara como \u201cdemocracia totalit\u00e1ria\u201d. Como o objetivo principal \u00e9 a defesa do capitalismo, sempre que a burguesia nacional\/internacional o considera em perigo a democracia deve ser sacrificada, um sacrif\u00edcio que, segundo as circunst\u00e2ncias, tanto pode ser total (ditaduras militares ou civis) como parcial (It\u00e1lia do p\u00f3s-guerra, golpes jur\u00eddico-parlamentares dos nossos dias). A diplomacia e a contra-insurg\u00eancia norte-americanas t\u00eam sido os grandes promotores globais desta ideologia.<\/p>\n<p><strong>Os movimentos anti<\/strong><strong>s<\/strong><strong>sist<\/strong><strong>\u00ea<\/strong><strong>micos<\/strong><\/p>\n<p>E os movimentos antissist\u00eamicos neste \u00faltimo per\u00edodo? \u00c9 de novo necess\u00e1rio distinguir entre movimentos de esquerda e de direita. Quanto aos movimentos de esquerda, os antigos movimentos revolucion\u00e1rios converteram-se em partidos democr\u00e1ticos e reformistas. A luta anticapitalista converteu-se na luta por amplos direitos econ\u00f4micos, sociais e culturais, e a luta antidemocracia liberal converteu-se na luta pela radicaliza\u00e7\u00e3o da democracia: a luta contra a degrada\u00e7\u00e3o da democracia liberal, a articula\u00e7\u00e3o entre democracia representativa e democracia participativa, a defesa da diversidade cultural, a luta conta o racismo, o sexismo e o novo\/velho colonialismo. Estes partidos deixaram, pois, de ser antissist\u00eamicos e passaram a lutar pelas transforma\u00e7\u00f5es progressistas do sistema democr\u00e1tico liberal.<\/p>\n<p>Os movimentos antissist\u00eamicos de esquerda continuaram a existir mas, por defini\u00e7\u00e3o, fora do sistema partid\u00e1rio. E pode mesmo dizer-se que se ampliaram, dado o mal-estar social crescente causado pela subordina\u00e7\u00e3o incondicional da democracia ao capitalismo, traduzido em repugnante desigualdade social, discrimina\u00e7\u00e3o racial e sexual, cat\u00e1strofe ecol\u00f3gica iminente, corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, guerras irregulares, e ainda pela incapacidade dos partidos de esquerda de frearem esse estado de coisas. Aos antigos movimentos revolucion\u00e1rios e sindicais sucederam os novos movimentos sociais a n\u00edvel local, nacional e mesmo global (Via Campesina, Marcha Mundial das Mulheres, e v\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es globais surgidas dentro e fora do F\u00f3rum Social Mundial que se reuniu pela primeira vez em 2001 no Brasil). Novos acores sociais emergiram, nomeadamente os movimentos feministas, ind\u00edgenas, ecol\u00f3gicos, LGBTIQ, de economia popular, de afro-descendentes. Muitos destes movimentos t\u00eam objetivos anticapitalistas e visam formas de democracia radical. Alguns deles t\u00eam conseguido realizar estes objetivos a n\u00edvel local, transformando-se, assim, em utopias realistas. At\u00e9 agora n\u00e3o lograram ter uma influ\u00eancia pol\u00edtica mais consistente nem a n\u00edvel nacional nem global por dificuldades nas articula\u00e7\u00f5es translocais e pelo fato de o sistema pol\u00edtico democr\u00e1tico liberal estar monopolizado pelos partidos. S\u00e3o movimentos pac\u00edficos, guiados pela ideia de democracia de base intercultural, e pela valoriza\u00e7\u00e3o das economias populares e dos saberes ancestrais das comunidades camponesas, ind\u00edgenas e, no contexto americano, afro-descendentes.<\/p>\n<p>Por sua vez, os movimentos antissist\u00eamicos de direita (a extrema-direita) ganharam igualmente um novo \u00edmpeto no \u00faltimo per\u00edodo. A derrota do nazismo e do fascismo (em Portugal e Espanha, s\u00f3 entre 1974-1976) foi avassaladora. Quando sobreviveram foi de forma muito atenuada, como no caso do peronismo na Argentina e do varguismo no Brasil, sem ditadura nem glorifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia pol\u00edtica nem \u00f3dio racial. Foi este sistema h\u00edbrido que se designou originalmente por populismo. Depois de 1989, assistimos \u00e0 emerg\u00eancia ou crescente visibilidade de grupos de extrema-direita, quase sempre envolvidos em ret\u00f3rica e a\u00e7\u00f5es de \u00f3dio e viol\u00eancia racial. Em 2020, segundo um relat\u00f3rio da plataforma Antifa Internacional, houve 810 ataques provocados por \u201cfan\u00e1ticos, fascistas e viol\u00eancia de extrema-direita\u201d de que resultaram 325 mortes. Muitos destes movimentos mantiveram-se na ilegalidade ou exploraram zonas cinzentas ou h\u00edbridas que tenho designado por alegalidade. Nos \u00faltimos vinte anos estes grupos assumiram nova agressividade, procuraram a legalidade e a pr\u00f3pria convers\u00e3o sist\u00eamica ao converterem-se em partidos, que conseguiram legalizar com artif\u00edcios de linguagem e com a cumplicidade dos tribunais. Quando isto aconteceu, mantiveram estruturas clandestinas formalmente separadas da estrutura partid\u00e1ria, mas organicamente articuladas como fontes da mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que os partidos por si n\u00e3o t\u00eam capacidade de garantir. Com a chegada de Donald Trump ao poder os movimentos de extrema-direita ganharam um novo f\u00f4lego e diversificaram-se internamente. Os grupos de extrema-direita e as mil\u00edcias norte-americanas tinham, entretanto, aumentado, sobretudo depois que Barak Obama chegou ao poder. O respeitado\u00a0<em>Southern Poverty Law Center<\/em>\u00a0identificou, em 2018, 1.020 \u201cgrupos de \u00f3dio\u201d. Alguns s\u00e3o n\u00e1zis, est\u00e3o fortemente armados e reivindicam-se da heran\u00e7a dos movimentos de linchamento racial do s\u00e9culo XIX (o Ku Klux Klan). Fora dos EUA, grupos paramilitares e mil\u00edcias na Col\u00f4mbia, Brasil, Indon\u00e9sia e \u00cdndia chegam perto do poder institucional. Por outro lado, assumiram uma dimens\u00e3o global que antes n\u00e3o existia ou n\u00e3o era vis\u00edvel. O agente mais vis\u00edvel desta promo\u00e7\u00e3o, na Europa e nas Am\u00e9ricas, \u00e9 Steve Bannon, uma figura sinistra e criminosa que tem sido bajulada pela comunica\u00e7\u00e3o social ing\u00eanua ou c\u00famplice.<\/p>\n<p>Estes movimentos conquistam espa\u00e7o social, n\u00e3o gra\u00e7as \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos n\u00e1zis (a que tamb\u00e9m recorrem), mas por meio da explora\u00e7\u00e3o do mal-estar social que a subordina\u00e7\u00e3o crescente da democracia ao capitalismo provoca. Ou seja, exploram as mesmas condi\u00e7\u00f5es sociais que mobilizam os movimentos antissist\u00eamicos de esquerda. Mas, enquanto para estes o mal-estar social decorre precisamente da sujei\u00e7\u00e3o da democracia \u00e0s exig\u00eancias do capitalismo, exig\u00eancias cada vez mais incompat\u00edveis com o jogo democr\u00e1tico, para os movimentos de extrema-direita o mal-estar decorre da democracia e n\u00e3o do capitalismo. \u00c9, por isso, que, tal como na d\u00e9cada de 1930, a extrema-direita \u00e9 acarinhada, protegida e financiada por setores do capital, sobretudo pelo capital financeiro, o mais antissocial de todos.<\/p>\n<p>Duas perguntas surgem neste contexto. Primeira: por que \u00e9 que reemerge agora a extrema-direita se, ao contr\u00e1rio dos anos 1920-1930, n\u00e3o h\u00e1 amea\u00e7a comunista nem grande milit\u00e2ncia sindical? Esta amea\u00e7a era uma das respostas \u00e0 grave crise social e econ\u00f4mica que se vivia ent\u00e3o. Hoje essa resposta n\u00e3o existe, mas a crise dos pr\u00f3ximos anos amea\u00e7a ser t\u00e3o grave quanto a daqueles anos. Os\u00a0<em>think tanks<\/em>\u00a0capitalistas globais (incluindo os chineses) t\u00eam vindo a assinalar o perigo de desestabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica decorrente da iminente crise social e econ\u00f4mica, agora agravada com pandemia. Sabem que a aus\u00eancia de alternativas anticapitalistas ou p\u00f3s-capitalistas n\u00e3o \u00e9 definitiva. A longo prazo, podem surgir e \u00e9 melhor prevenir do que remediar. A resposta tem v\u00e1rios n\u00edveis. O mais profundo \u00e9 o aperfei\u00e7oamento do capitalismo de vigil\u00e2ncia que, com a quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial (intelig\u00eancia artificial), torna poss\u00edvel desenvolver controles eficazes da popula\u00e7\u00e3o. A n\u00edvel mais superficial, promove-se a ideologia intimidat\u00f3ria, antidemocr\u00e1tica, racista e sexista. A linguagem do passado \u00e9, neste caso, mais eficaz que a do presente e, por isso, a ret\u00f3rica de extrema-direita fala do novo perigo comunista, que tanto v\u00ea nos governos democr\u00e1ticos como no Vaticano do Papa Francisco. Nos EUA, o Partido Democr\u00e1tico, de centro-direita, \u00e9 invectivado como esquerda radical, confusamente ligada ao grande capital e \u00e0s tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o. No Brasil, a extrema-direita instalada no poder federal fala do perigo do \u201cmarxismo cultural\u201d, um slogan n\u00e1zi para demonizar os intelectuais judeus. O que se pretende \u00e9 maximizar a coincid\u00eancia da democracia com o capitalismo atrav\u00e9s do esvaziamento do conte\u00fado social da democracia, fraca em prote\u00e7\u00e3o e forte em repress\u00e3o. Os\u00a0<em>think tanks<\/em>\u00a0sabem que todos estes planos s\u00e3o contingentes e que os movimentos antissist\u00eamicos podem lan\u00e7\u00e1-los no lixo da hist\u00f3ria. Da\u00ed que mais valha prevenir que remediar.<\/p>\n<p>Segunda pergunta: a extrema-direita tem ou n\u00e3o uma voca\u00e7\u00e3o fascista? A extrema-direita n\u00e3o \u00e9 monol\u00edtica nem se pode avaliar exclusivamente pela sua face legal. Da\u00ed a complexidade do julgamento. A hist\u00f3ria ensina-nos duas coisas. A democracia liberal n\u00e3o sabe defender-se dos antidemocratas e, ali\u00e1s, desde 1945, nunca como hoje se viu com tanta frequ\u00eancia antidemocratas serem eleitos para altos cargos. S\u00e3o antidemocratas porque, em vez de servirem a democracia, servem-se dela para chegar ao poder (tal como Hitler) e, uma vez no poder, nem o exercem democraticamente nem o abandonam pacificamente se perderem as elei\u00e7\u00f5es. Contam inicialmente com o apoio das m\u00eddias convencionais e, a partir de certo momento, com os seguidores nas redes sociais, intoxicados pela l\u00f3gica da p\u00f3s-verdade e dos \u201cfatos alternativos\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo antes de qualquer desenlace ditatorial, a extrema-direita de hoje tem dois dos componentes fundamentais do n\u00e1zi-fascismo: a glorifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia pol\u00edtica e o discurso do \u00f3dio racial contra as minorias. Falta apenas a ditadura, mas alguns elogiam a tortura (Jair Bolsonaro no Brasil) e promovem as execu\u00e7\u00f5es extra-judiciais (Rodrigo Duterte nas Filipinas). O perigo destes dois componentes pode ser maximizado por tr\u00eas fatores. Primeiro, a cumplicidade dos tribunais com um entendimento equivocado (ou pior) da liberdade de express\u00e3o. Segundo, o deslumbramento das m\u00eddias com a ret\u00f3rica \u201cpouco convencional\u201d dos proto-fascistas e o protagonismo dos ide\u00f3logos de direita que separam artificialmente a mensagem pol\u00edtica, que aprovam, do que consideram ser excessos descart\u00e1veis (pris\u00e3o perp\u00e9tua, esteriliza\u00e7\u00e3o de ped\u00f3filos, deporta\u00e7\u00e3o de imigrantes, segrega\u00e7\u00e3o das minorias), silenciando que s\u00e3o precisamente estes \u201cexcessos\u201d que atraem parte dos seguidores. Terceiro, a legitima\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 dada por pol\u00edticos de direita moderada, transformando-os em parceiros de governo na esperan\u00e7a de poder moderar tais excessos. Na Alemanha pr\u00e9-n\u00e1zi ficou tristemente famoso Franz von Pappen que, em 1933, teve um papel crucial em vencer a resist\u00eancia do Presidente Paul von Hindenburg em nomear Hitler para o cargo de chefe do governo e, tendo ele pr\u00f3prio integrado esse governo, se mostrou totalmente incapaz de controlar o \u201cdinamismo\u201d golpista n\u00e1zi.<\/p>\n<p><strong>A defesa da democracia<\/strong><\/p>\n<p>A defesa de democracia contra a extrema-direita passa por muitas estrat\u00e9gias, umas de curto prazo, outras de m\u00e9dio prazo. A curto prazo, ilegaliza\u00e7\u00e3o, sempre que a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 violada, isolamento pol\u00edtico e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o nas for\u00e7as policiais, no ex\u00e9rcito e nas m\u00eddias. A m\u00e9dio prazo, reformas pol\u00edticas que reenergizem a democracia, pol\u00edticas sociais robustas que tornem efetiva a ret\u00f3rica de \u201cn\u00e3o deixar para tr\u00e1s\u201d nem ningu\u00e9m nem nenhuma regi\u00e3o do pa\u00eds; num pa\u00eds como Portugal, fazer o julgamento pol\u00edtico dos crimes do fascismo e do colonialismo para, com isso, descolonizar a hist\u00f3ria e a educa\u00e7\u00e3o, promover novas formas de cidadania cultural e respeitar a diversidade que dela decorre. Acossada pela ideologia global da extrema-direita, a democracia morrer\u00e1 facilmente no espa\u00e7o p\u00fablico se n\u00e3o se traduzir no bem-estar material das fam\u00edlias e das comunidades. S\u00f3 assim a democracia impedir\u00e1 que o respeito d\u00ea lugar ao \u00f3dio e \u00e0 viol\u00eancia, e a dignidade d\u00ea lugar \u00e0 indignidade e \u00e0 indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Boaventura: a grande disputa pelo antissistema &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/boaventura-grande-disputa-pelo-antissistema\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boaventura de Sousa Santos &#8211;\u00a0Div\u00f3rcio entre Capitalismo e Democracia produziu a enorme instabilidade pol\u00edtica que marca o Ocidente. Muitos atacam o establishment. Mas quem vencer\u00e1: os que j\u00e1 n\u00e3o suportam as l\u00f3gicas do capital, ou os que nunca admitiram a democracia? O crescimento global da extrema-direita voltou a dar uma nova import\u00e2ncia ao conceito de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18070,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[57],"class_list":["post-18069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","tag-capitalismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Boaventura: a grande disputa pelo antissistema - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Boaventura de Sousa Santos &#8211;\u00a0Div\u00f3rcio entre Capitalismo e Democracia produziu a enorme instabilidade pol\u00edtica que marca o Ocidente. Muitos atacam o establishment. Mas quem vencer\u00e1: os que j\u00e1 n\u00e3o suportam as l\u00f3gicas do capital, ou os que nunca admitiram a democracia? O crescimento global da extrema-direita voltou a dar uma nova import\u00e2ncia ao conceito de [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2022-07-18T15:11:38+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/conflito-sistema.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"749\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"414\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema\",\"datePublished\":\"2022-07-18T15:11:38+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/\"},\"wordCount\":4063,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1\",\"keywords\":[\"Capitalismo\"],\"articleSection\":[\"Pol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/\",\"name\":\"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1\",\"datePublished\":\"2022-07-18T15:11:38+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/07\\\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1\",\"width\":749,\"height\":414},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/07\\\/18\\\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema - Controversia","og_description":"Boaventura de Sousa Santos &#8211;\u00a0Div\u00f3rcio entre Capitalismo e Democracia produziu a enorme instabilidade pol\u00edtica que marca o Ocidente. Muitos atacam o establishment. Mas quem vencer\u00e1: os que j\u00e1 n\u00e3o suportam as l\u00f3gicas do capital, ou os que nunca admitiram a democracia? O crescimento global da extrema-direita voltou a dar uma nova import\u00e2ncia ao conceito de [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2022-07-18T15:11:38+00:00","og_image":[{"width":749,"height":414,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/conflito-sistema.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"21 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema","datePublished":"2022-07-18T15:11:38+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/"},"wordCount":4063,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1","keywords":["Capitalismo"],"articleSection":["Pol\u00edtica"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/","name":"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1","datePublished":"2022-07-18T15:11:38+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1","width":749,"height":414},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/07\/18\/boaventura-a-grande-disputa-pelo-antissistema\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Boaventura: a grande disputa pelo antissistema"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/conflito-sistema.jpg?fit=749%2C414&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18071,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18069\/revisions\/18071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}