{"id":17901,"date":"2022-06-03T12:59:59","date_gmt":"2022-06-03T15:59:59","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=17901"},"modified":"2022-05-30T13:04:36","modified_gmt":"2022-05-30T16:04:36","slug":"tatica-e-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/06\/03\/tatica-e-etica\/","title":{"rendered":"T\u00e1tica e \u00c9tica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs<\/strong><\/p>\n<p><em>Texto: T\u00e1tica e \u00c9tica<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> (TAKTIK UND ETHIK).<\/em><\/p>\n<p><em>Autor: Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.\u00a0Ano: 1919.\u00a0Texto escrito originalmente em alem\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, notas e acr\u00e9scimos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>: Caique de Oliveira Sobreira Cruz<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> e Manass\u00e9s de Jesus Santos J\u00fanior<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a posi\u00e7\u00e3o e o significado da t\u00e1tica diferem muito, em todos os partidos e classes, de acordo com a estrutura e o papel hist\u00f3rico-filos\u00f3fico particular desses partidos e classes: se definirmos a t\u00e1tica como um meio para a realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos escolhidos pelos grupos atuantes, como um elo entre o fim \u00faltimo (<em>Endzweck<\/em>)<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> e a realidade, produzem-se diferen\u00e7as fundamentais, dependendo de o fim se encontrar categorizado como um momento que est\u00e1 dentro da realidade social dada ou al\u00e9m dela (que a transcende)<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. A iman\u00eancia ou a transcend\u00eancia do fim \u00faltimo cont\u00e9m, em seu interior, principalmente, a seguinte diferen\u00e7a: no primeiro caso (iman\u00eancia)<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, a ordem legal existente \u00e9 dada como um princ\u00edpio que determina, necess\u00e1ria e normativamente, o escopo t\u00e1tico da a\u00e7\u00e3o; por outro lado, no caso de um objetivo \u201csocial-transcendente\u201d (<em>gesellschaftlich-transzendenten<\/em>), essa ordem se apresenta como sociedade pura, como poder real, e o fato de contar com ele, como tal, pode ter, no m\u00e1ximo, um sentido utilit\u00e1rio. Salientamos que se trata de um sentindo utilit\u00e1rio na melhor das hip\u00f3teses (<em>besten Fall<\/em>)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, uma vez que um objetivo tal como, por exemplo, o da restaura\u00e7\u00e3o \u201clegitimista\u201d francesa \u2013 a saber: o reconhecimento, de qualquer modo, da ordem legal da revolu\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 era equivalente a um compromisso. No entanto, este exemplo mostra tamb\u00e9m que os v\u00e1rios objetivos transcendentes \u2013 no \u00e2mbito de uma sociologia totalmente abstrata e desprovida de quaisquer valores \u2013 devem ser colocados no mesmo n\u00edvel. Se, porventura, a ordem social estabelecida como fim \u00faltimo j\u00e1 existiu no passado, se se tratava somente de restaurar um est\u00e1gio de desenvolvimento j\u00e1 superado. Logo, o desconhecimento da ordem legal vigente \u00e9 apenas uma aparente supera\u00e7\u00e3o dos limites das ordens legais dadas, ent\u00e3o uma ordem legal real se confronta com outra ordem legal real. A continuidade do desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 rigorosamente contestada; o fim mais extremo consiste, ent\u00e3o, apenas em anular um est\u00e1gio intermedi\u00e1rio (<em>Zwischenstation<\/em>). Noutra perspectiva, todo \u201cobjetivo\u201d essencialmente revolucion\u00e1rio nega a raz\u00e3o de ser moral e a atualidade (ou seja, nega a legitimidade)<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> hist\u00f3rico-filos\u00f3fica tanto das ordens legais vigentes quanto das passadas; para o referido \u201cobjetivo\u201d, torna-se, portanto, exclusivamente t\u00e1tica a pergunta se essas ordens legais dever\u00e3o ser levadas em considera\u00e7\u00e3o e, em caso de resposta afirmativa, em que medida haver\u00e1 de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Mas, tendo em vista que a t\u00e1tica se liberta, dessa forma, das limita\u00e7\u00f5es normativas da ordem legal, \u00e9 preciso encontrar algum par\u00e2metro novo capaz de regular a tomada de posi\u00e7\u00e3o t\u00e1tica. Uma vez que o conceito de conveni\u00eancia (<em>Zweckdienlichkeit<\/em>) \u00e9 amb\u00edguo, \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar, nesse sentido, se tal conceito compreende um objetivo atual, concreto, ou um fim \u00faltimo ainda mais afastado do terreno da realidade.<\/p>\n<p>Para aquelas classes e partidos, cujo fim \u00faltimo j\u00e1 foi na realidade alcan\u00e7ado, a t\u00e1tica \u00e9 regida, necessariamente, de acordo com a viabilidade dos objetivos atuais e concretos; para eles, aquele abismo que separa o objetivo atual do fim \u00faltimo, aqueles conflitos que surgem dessa dualidade, simplesmente n\u00e3o existem. Aqui a t\u00e1tica se manifesta sob a forma de <em>Realpolitik<\/em> legal, e n\u00e3o \u00e9 nenhuma coincid\u00eancia que, em tais casos (excepcionais)<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> em que se apresenta um conflito desse g\u00eanero, como, por exemplo, em contexto de guerra, essas classes e partidos sigam a mais trivial e catastr\u00f3fica <em>Realpolitik<\/em>; n\u00e3o podem proceder de outro modo, visto que o seu fim \u00faltimo atual s\u00f3 admite semelhante <em>Realpolitik<\/em>.<\/p>\n<p>Este contraste \u00e9 muito apropriado para ilustrar a t\u00e1tica das classes e dos partidos revolucion\u00e1rios; para eles, a t\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 regulada de acordo com vantagens moment\u00e2neas, pratic\u00e1veis no presente, inclusive, devem rejeitar algumas vantagens dessa natureza, j\u00e1 que estas poderiam p\u00f4r em perigo o que \u00e9 verdadeiramente importante, o fim \u00faltimo (o prop\u00f3sito final)<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. No entanto, posto que o fim \u00faltimo n\u00e3o \u00e9 categorizado como utopia, mas, sim, como realidade que deve ser alcan\u00e7ada, a postula\u00e7\u00e3o do fim \u00faltimo n\u00e3o pode significar nenhuma abstra\u00e7\u00e3o da realidade, nenhuma tentativa de impor sobre ela certas ideias, mas, sim, o conhecimento e a transforma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica daquelas for\u00e7as que atuam no seio da realidade social; daquelas for\u00e7as, pois, que conduzem \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do fim \u00faltimo. Sem esse conhecimento, a t\u00e1tica de qualquer classe ou partido revolucion\u00e1rio oscila sem orienta\u00e7\u00e3o entre uma <em>Realpolitik<\/em> desprovida de ideias e uma ideologia sem conte\u00fado real. Esse conhecimento esteve ausente na luta revolucion\u00e1ria da classe burguesa. Tamb\u00e9m existiu ali, por certo, uma ideologia orientada para um fim \u00faltimo, por\u00e9m, essa ideologia n\u00e3o p\u00f4de inserir-se organicamente na regula\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o concreta; em vez disso, desenvolveu-se em grande parte no sentido da atualidade<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, criou institui\u00e7\u00f5es que logo se converteram em fins em si mesmas (<em>Selbstzweck<\/em>), e, por isso, turvaram (<em>Vernebelteen<\/em>) o pr\u00f3prio fim \u00faltimo e se rebaixaram ao n\u00edvel de uma ideologia pura e ineficaz (<em>Ermiedrigten<\/em>). O significado sociol\u00f3gico singular do socialismo reside precisamente em ter encontrado uma solu\u00e7\u00e3o para este problema, pois o fim \u00faltimo do socialismo \u00e9 ut\u00f3pico na mesma medida em que, concomitantemente, ultrapassa as estruturas econ\u00f4micas, legais e sociais da sociedade atual, e s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o dessa sociedade; no entanto, n\u00e3o \u00e9 ut\u00f3pico na medida em que o caminho para esse fim \u00faltimo implica uma realiza\u00e7\u00e3o (<em>Absorbierung<\/em>) de ideias que se aproximam e pairam, hesitantemente, al\u00e9m dos limites da sociedade ou acima dela. A teoria marxista da luta de classes, que, neste aspecto, segue inteiramente (<em>vollkommen<\/em>) a obra conceitual Hegeliana, converte o objetivo transcendente em imanente; a luta de classes do proletariado \u00e9 o pr\u00f3prio objetivo e, ao mesmo tempo, a sua realiza\u00e7\u00e3o. Esse processo n\u00e3o \u00e9 um meio cujo sentido e valor possam ser medidos seguindo o par\u00e2metro de um fim que o excede, em verdade, representa uma nova forma de elucida\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> (<em>Klarstellung<\/em>) da sociedade ut\u00f3pica, passo a passo, salto a salto, de acordo com a l\u00f3gica da hist\u00f3ria. Isso significa uma imers\u00e3o na realidade social atual. Esse \u201cmeio\u201d n\u00e3o \u00e9 alheio ao \u201cfim\u201d (como foi o caso na realiza\u00e7\u00e3o da ideologia burguesa), mas uma aproxima\u00e7\u00e3o do \u201cfim\u201d \u00e0 autorrealiza\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> (<em>Selbstverwirklichung<\/em>). Isso significa que entre os meios t\u00e1ticos e o fim \u00faltimo existem transi\u00e7\u00f5es conceitualmente indetermin\u00e1veis; jamais \u00e9 poss\u00edvel saber, de antem\u00e3o, qual passo t\u00e1tico j\u00e1 haver\u00e1 de tornar realidade o pr\u00f3prio fim \u00faltimo em si.<\/p>\n<p>Isso nos leva ao par\u00e2metro decisivo das t\u00e1ticas socialistas: <em>a<\/em> <em>filosofia da hist\u00f3ria<\/em> (<em>Geschichtsphilosophie<\/em>). O fato da luta de classes nada mais \u00e9 do que uma descri\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica e uma eleva\u00e7\u00e3o dos acontecimentos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de legalidade<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> que ocorre na realidade social; no entanto, a inten\u00e7\u00e3o da luta de classes do proletariado ultrapassa esse fato. Ali\u00e1s, esta inten\u00e7\u00e3o \u00e9, em ess\u00eancia, indissoci\u00e1vel deste fato, embora tenha em vista o surgimento de uma ordem social diferente de qualquer outra que tenha existido at\u00e9 o presente, e na qual j\u00e1 n\u00e3o se reconhecem a exist\u00eancia de opressores e nem de oprimidos; com a finalidade de cessar a era da depend\u00eancia econ\u00f4mica, que humilha a dignidade humana, \u00e9 necess\u00e1rio \u2013 como disse Marx \u2013 quebrar o poder cego das for\u00e7as econ\u00f4micas, substituindo-o por um poder mais elevado, adequado e correspondente \u00e0 dignidade do ser humano<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Dessa forma, a pondera\u00e7\u00e3o e o reconhecimento das atuais conjunturas econ\u00f4micas e sociais, do real equil\u00edbrio de poder<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>, nada mais s\u00e3o do que pr\u00e9-requisito, e n\u00e3o o crit\u00e9rio do proceder correto<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>, da t\u00e1tica correta, de acordo com os princ\u00edpios do socialismo. O verdadeiro par\u00e2metro s\u00f3 pode ser o modo como a a\u00e7\u00e3o serve, em determinado caso, para a realiza\u00e7\u00e3o desse fim, na perspectiva do movimento socialista; e, na verdade \u2013 uma vez que para esse fim n\u00e3o servem meios qualitativamente diferentes, os pr\u00f3prios meios em si j\u00e1 significam a aproxima\u00e7\u00e3o ao fim \u00faltimo \u2013 devem ser bons todos os meios pelos quais este processo, no plano da <em>filosofia da hist\u00f3ria<\/em>, \u00e9 despertado \u00e0 consci\u00eancia e \u00e0 realidade; devem ser maus (<em>schlecht<\/em>) todos os meios que dificultam (<em>vernebeln<\/em>) esta consci\u00eancia como, por exemplo, aqueles que ofuscam a consci\u00eancia da ordem legal e da continuidade do desenvolvimento \u201chist\u00f3rico\u201d, ou mesmo dos interesses moment\u00e2neos do proletariado. Se existe um movimento hist\u00f3rico para o qual a <em>Realpolitik<\/em> \u00e9 nefasta e sinistra, esse movimento \u00e9 o socialismo.<\/p>\n<p>Isto significa, concretamente, que qualquer solidariedade com a ordem social vigente oculta a possibilidade de um perigo semelhante. Embora enfatizemos em v\u00e3o, com aut\u00eantica convic\u00e7\u00e3o interior, que qualquer solidariedade \u00e9 apenas uma comunidade de interesses, moment\u00e2nea, atual, que nada mais \u00e9 do que uma alian\u00e7a provis\u00f3ria para a obten\u00e7\u00e3o de um fim concreto. \u00c9, no entanto, inevit\u00e1vel o perigo de que o sentimento de solidariedade se instale naquela consci\u00eancia cuja necessidade esconde (<em>verfinstert<\/em>) a consci\u00eancia universal, o despertar para a autoconsci\u00eancia da humanidade. A luta de classes do proletariado n\u00e3o \u00e9 uma mera luta de classes (se se limitasse a isso, s\u00f3 seria regulada pela <em>Realpolitik<\/em>), mas, em verdade, ela \u00e9 um meio para a liberta\u00e7\u00e3o da humanidade, um meio para o verdadeiro come\u00e7o da hist\u00f3ria humana. Cada compromisso (solidariedade)<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> oculta (<em>verdunkelt<\/em>) precisamente esse aspecto da luta e, por isso \u2013 apesar de todas as suas vantagens eventuais, moment\u00e2neas, mas, sobretudo extremamente problem\u00e1ticas \u2013 resulta em fatalidade em rela\u00e7\u00e3o ao aut\u00eantico fim \u00faltimo. Portanto, enquanto a ordem social vigente existir, as classes dominantes se encontram em situa\u00e7\u00e3o de compensar, aberta ou veladamente, a vantagem econ\u00f4mica ou pol\u00edtica obtida dessa forma; e, ap\u00f3s essa \u201ccompensa\u00e7\u00e3o\u201d, a luta s\u00f3 prosseguir\u00e1 em circunst\u00e2ncias desfavor\u00e1veis, j\u00e1 que, obviamente, o compromisso<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> enfraquece o \u00e2nimo de luta. Por isso, o significado dos desvios t\u00e1ticos tem um efeito mais profundo no socialismo do que em outros movimentos hist\u00f3ricos; o sentido da hist\u00f3ria universal \u00e9 aqui o par\u00e2metro t\u00e1tico; e, levando-se em conta as considera\u00e7\u00f5es de fins \u00faltimos \u00fateis, aquele que se desvia do caminho da conduta correta prescrita pela <em>filosofia da hist\u00f3ria<\/em> \u2013 um caminho que \u00e9 estreito e \u00edngreme, mas que \u00e9 o \u00fanico que conduz \u00e0 meta \u2013, assume perante a hist\u00f3ria uma responsabilidade por todos os seus atos.<\/p>\n<p>Pareceria que, com isso, tamb\u00e9m, estar-se-ia fornecendo uma resposta ao problema \u00e9tico; como se seguir a t\u00e1tica correta j\u00e1 fosse \u00e9tico em si. No entanto, chegamos ao ponto em que se tornam vis\u00edveis as facetas perigosas do legado hegeliano presentes no marxismo. O sistema de Hegel n\u00e3o tem \u00e9tica alguma; nele, a \u00e9tica \u00e9 substitu\u00edda por aquele sistema de bens materiais, espirituais<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> (<em>geistigen<\/em>) e sociais em que culmina a sua filosofia social. Esta forma de \u00e9tica foi assumida, no essencial, pelo marxismo (como vemos, por exemplo, no livro de Kautsky<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>), s\u00f3 que este apenas estabeleceu outros \u201cvalores\u201d (<em>Werte<\/em>) em vez dos hegelianos, sem formular a pergunta se a busca dos \u201cvalores\u201d socialmente corretos, dos fins socialmente corretos \u2013 independentemente das for\u00e7as motrizes internas da a\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 \u00e9 intrinsicamente \u00e9tica, embora seja \u00f3bvio que uma quest\u00e3o \u00e9tica s\u00f3 pode ter o seu ponto de partida nesses fins socialmente corretos. Quem nega o desdobramento que aqui se produz das quest\u00f5es \u00e9ticas, nega, tamb\u00e9m, a sua possibilidade \u00e9tica e entra em contradi\u00e7\u00e3o com os fatos intelectivos (<em>seelischen<\/em>) mais primitivos e mais gerais: a certeza subjetiva da consci\u00eancia (<em>Gewissen<\/em>) e o senso de responsabilidade (<em>Verantwortungsbewu\u00dftsein<\/em>). Todos estes n\u00e3o visam a analisar, primeiramente, o que fez ou quis fazer o ser humano (isso \u00e9 regulado pelas normas da a\u00e7\u00e3o social e da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica), mas indagam se era objetivamente correto ou incorreto o que fez ou quis fazer o ser humano, e por que ele fez ou quis fazer. Mas essa pergunta do porqu\u00ea s\u00f3 pode surgir em casos individuais; s\u00f3 tem sentido em rela\u00e7\u00e3o ao indiv\u00edduo, em n\u00edtido contraste com a quest\u00e3o t\u00e1tica da corre\u00e7\u00e3o objetiva (<em>objektiven Richtigkeit<\/em>), que s\u00f3 pode encontrar uma solu\u00e7\u00e3o un\u00edvoca na a\u00e7\u00e3o coletiva de grupos humanos. Portanto, a quest\u00e3o diante de n\u00f3s \u00e9: como se comportam a certeza subjetiva da consci\u00eancia (<em>Gewissen<\/em>) e o senso de responsabilidade (<em>Verantwortungsbewu\u00dftsein<\/em>) do indiv\u00edduo face ao problema da a\u00e7\u00e3o coletiva taticamente correta?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, deve-se estabelecer aqui uma depend\u00eancia m\u00fatua, justamente porque os dois tipos de a\u00e7\u00e3o reunidos e postos em rela\u00e7\u00e3o, s\u00e3o, no essencial, independentes entre si. Por um lado, a quest\u00e3o de saber se uma determinada decis\u00e3o t\u00e1tica \u00e9 correta ou incorreta, independe da quest\u00e3o de constatar se a decis\u00e3o daqueles que atuam com esse intuito foi determinada por motivos morais; por outro lado, um ato derivado da fonte \u00e9tica mais pura pode ser totalmente equivocado do ponto de vista t\u00e1tico. Essa independ\u00eancia m\u00fatua, no entanto, \u00e9 apenas aparente. Pois, se a a\u00e7\u00e3o individual determinada \u2013 como veremos a seguir \u2013 por motivos puramente \u00e9ticos entra no \u00e2mbito da pol\u00edtica, sua corre\u00e7\u00e3o ou incorre\u00e7\u00e3o (hist\u00f3rico-filos\u00f3fica) objetiva n\u00e3o pode ser indiferente nem mesmo eticamente. E em virtude da orienta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-filos\u00f3fica da t\u00e1tica socialista, deve ocorrer naquela vontade individual \u2013 ap\u00f3s a sua associa\u00e7\u00e3o com outras vontades \u2013 uma a\u00e7\u00e3o coletiva, e a consci\u00eancia hist\u00f3rico-filos\u00f3fica reguladora deve expressar-se, especialmente porque sem isso seria imposs\u00edvel a necess\u00e1ria rejei\u00e7\u00e3o da vantagem presente em fun\u00e7\u00e3o do fim \u00faltimo. O problema pode agora ser formulado nos seguintes termos: quais considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas produzem no indiv\u00edduo a decis\u00e3o para que a consci\u00eancia hist\u00f3rico-filos\u00f3fica necess\u00e1ria se torne nele a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica correta, isto \u00e9, um elemento de uma vontade coletiva, desperte e tamb\u00e9m possa determinar essa a\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Salientamos novamente: a \u00e9tica orienta-se para o sujeito e, como necess\u00e1ria consequ\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o, apresenta-se diante da consci\u00eancia e do senso de responsabilidade do indiv\u00edduo o postulado segundo o qual ele deve agir como se a mudan\u00e7a do destino do mundo dependesse da sua a\u00e7\u00e3o ou ina\u00e7\u00e3o, e a busca pela realiza\u00e7\u00e3o desse destino deve encorajar ou desencorajar as t\u00e1ticas atuais adotadas. (Pois na \u00e9tica n\u00e3o h\u00e1 neutralidade e nem imparcialidade<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>; mesmo quem n\u00e3o quer agir, deve tamb\u00e9m ser capaz de responder \u00e0 sua consci\u00eancia por sua ina\u00e7\u00e3o). Todo aquele que, atualmente, se decidir pelo comunismo est\u00e1, portanto, comprometido a assumir a mesma responsabilidade <em>individual<\/em> por cada vida humana que morre lutando por ele, como se ele mesmo a tivesse matado. Mas todos aqueles que aderem ao outro lado \u2013 a defesa do capitalismo \u2013 devem arcar com a mesma responsabilidade individual pela destrui\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 produzida nas novas guerras imperialistas que, certamente, h\u00e3o de ser geradas em repres\u00e1lia (contrapondo \u00e0s lutas comunistas)<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>, bem como pela futura opress\u00e3o de na\u00e7\u00f5es e classes. Do ponto de vista \u00e9tico, ningu\u00e9m pode fugir da responsabilidade alegando ser meramente um indiv\u00edduo, do qual o destino do mundo n\u00e3o depende. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o podemos saber isto objetivamente com certeza \u2013 pois sempre \u00e9 poss\u00edvel que tal destino dependa precisamente desse indiv\u00edduo \u2013, mas, tamb\u00e9m, a ess\u00eancia mais \u00edntima da \u00e9tica, a consci\u00eancia e o senso de responsabilidade, torna imposs\u00edvel um pensamento semelhante; quem n\u00e3o toma uma decis\u00e3o com base nessas considera\u00e7\u00f5es \u2013 ainda que nos demais aspectos se mostre como um ser muito elevado \u2013 encontra-se, do ponto de vista da \u00e9tica, ao n\u00edvel de um instinto primitivo, de uma vida pulsional inconsciente.<\/p>\n<p>No entanto, essa defini\u00e7\u00e3o puramente \u00e9tico-formal da a\u00e7\u00e3o individual n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> a rela\u00e7\u00e3o entre t\u00e1tica e \u00e9tica. Pelo fato de seguir ou rejeitar uma \u00e9tica qualquer, o indiv\u00edduo que toma uma decis\u00e3o \u00e9tica dentro de si mesmo passa para um n\u00edvel especial de a\u00e7\u00e3o \u2013 a saber, o da pol\u00edtica \u2013, e essa particularidade de sua a\u00e7\u00e3o acarreta, do ponto de vista da \u00e9tica pura, a consequ\u00eancia de dever saber como e em quais circunst\u00e2ncias ele atua.<\/p>\n<p>No entanto, o conceito de \u201cconhecimento\u201d, que se introduz com isto, requer uma explica\u00e7\u00e3o mais detalhada. Por um lado, o \u201cconhecimento\u201d n\u00e3o implica de forma alguma um entendimento perfeito e completo da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atual e de todas as consequ\u00eancias poss\u00edveis; por outro lado, tal \u201cconhecimento\u201d n\u00e3o pode ser considerado como o resultado de reflex\u00f5es puramente subjetivas, segundo as quais o indiv\u00edduo envolvido atua de acordo com o \u201cmelhor de seu conhecimento e de sua consci\u00eancia\u201d. No primeiro caso, toda a\u00e7\u00e3o humana seria de antem\u00e3o imposs\u00edvel; no outro caso, se encontraria aberto o caminho para a maior leveza e frivolidade, e qualquer par\u00e2metro moral se tornaria ilus\u00f3rio. Todavia, visto que a seriedade e o senso de responsabilidade do indiv\u00edduo configuram um par\u00e2metro moral para cada a\u00e7\u00e3o, segundo o qual o indiv\u00edduo em quest\u00e3o poderia saber a consequ\u00eancia dos seus atos, surge a pergunta se ele, na medida em que conhece essa consequ\u00eancia, poderia responder por ela perante a sua consci\u00eancia. Essa possibilidade objetiva varia, certamente, de acordo com o indiv\u00edduo e de caso em caso, mas, no essencial, sempre pode ser determinada para cada indiv\u00edduo e em cada caso. Mesmo agora, para cada socialista, o conte\u00fado da possibilidade objetiva de que se realize o ideal do socialismo e o fazer-se poss\u00edvel dos crit\u00e9rios de possibilidade, est\u00e3o determinados pela atualidade hist\u00f3rico-filos\u00f3fica desse ideal. Portanto, para todo socialista, a a\u00e7\u00e3o moralmente correta encontra-se dependente do conhecimento correto da situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-filos\u00f3fica dada; e a via para a obten\u00e7\u00e3o desse conhecimento s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada quando cada indiv\u00edduo se empenha para fazer essa autoconsci\u00eancia, consciente para si mesmo. O primeiro e inevit\u00e1vel pressuposto para isso \u00e9 o desenvolvimento da consci\u00eancia de classe. Para que a a\u00e7\u00e3o correta se torne um regulador verdadeiro e correto, a consci\u00eancia de classe deve elevar-se acima de sua exist\u00eancia meramente dada e ajustar-se \u00e0 sua miss\u00e3o hist\u00f3rico-universal (<em>welthistorische<\/em>), pois o interesse de classe, cuja realiza\u00e7\u00e3o constitui o conte\u00fado da a\u00e7\u00e3o efetuada com consci\u00eancia de classe, n\u00e3o coincide nem com a totalidade dos interesses pessoais dos indiv\u00edduos que pertencem \u00e0 classe, nem com os interesses atuais e moment\u00e2neos da classe como uma unidade coletiva. Os interesses de classe, que tornam o socialismo uma realidade e a consci\u00eancia de classe que concede express\u00e3o a esses interesses, significam uma miss\u00e3o hist\u00f3rico-universal; e, dessa forma, a possibilidade objetiva mencionada acima sugere a quest\u00e3o de saber se j\u00e1 chegou o momento hist\u00f3rico que deve conduzir \u2013 por meio de um salto \u2013 do est\u00e1gio da aproxima\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao da aut\u00eantica realiza\u00e7\u00e3o (<em>echten Verwirklichung<\/em>).<\/p>\n<p>Cada indiv\u00edduo deve, por\u00e9m, estar ciente de que aqui, de acordo com a ess\u00eancia da coisa, s\u00f3 pode haver uma possibilidade. N\u00e3o se pode conceber uma ci\u00eancia humana que, com a mesma precis\u00e3o e certeza com que a astronomia estabelece a apari\u00e7\u00e3o de um cometa, possa dizer para a sociedade: chegou agora o momento em que devem realizar-se os princ\u00edpios do socialismo. Tampouco pode haver uma ci\u00eancia capaz de afirmar que o momento ainda n\u00e3o chegou hoje, mas que chegar\u00e1 amanh\u00e3, ou apenas daqui a dois anos. A ci\u00eancia, o conhecimento, s\u00f3 pode mostrar possibilidades; e uma a\u00e7\u00e3o moral, carregada de responsabilidade, uma verdadeira a\u00e7\u00e3o humana se encontra somente no campo do poss\u00edvel. Todavia, para o indiv\u00edduo que percebe e compreende essa possibilidade, n\u00e3o existe, se ele \u00e9 um socialista, nenhuma op\u00e7\u00e3o ou hesita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso, no entanto, n\u00e3o pode de forma alguma significar que a a\u00e7\u00e3o assim constitu\u00edda j\u00e1 deva ser necessariamente, do ponto de vista moral, impec\u00e1vel ou irrepreens\u00edvel. Nenhuma \u00e9tica pode ter como fim encontrar ou inventar receitas para a a\u00e7\u00e3o correta, suavizar e negar os conflitos insuper\u00e1veis, tr\u00e1gicos do destino humano. Ao contr\u00e1rio: o autoconhecimento \u00e9tico evidencia, precisamente, que existem situa\u00e7\u00f5es \u2013 situa\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas \u2013 nas quais \u00e9 imposs\u00edvel agir sem assumir a culpa; mas, ao mesmo tempo, nos ensina, tamb\u00e9m, que, mesmo se tiv\u00e9ssemos que escolher entre duas formas de incorrer em culpa, haveria um par\u00e2metro para a a\u00e7\u00e3o correta e a a\u00e7\u00e3o incorreta. Esse par\u00e2metro \u00e9 chamado de sacrif\u00edcio. E assim como o indiv\u00edduo que escolhe entre dois tipos de culpa, finalmente, encontra a escolha correta quando sacrifica o seu eu inferior no altar das ideias mais elevadas, assim tamb\u00e9m h\u00e1 certa for\u00e7a em afirmar esse sacrif\u00edcio em fun\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o coletiva; aqui, no entanto, a ideia se corporifica como um imperativo da situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-mundial, como uma miss\u00e3o hist\u00f3rico-filos\u00f3fica. Ropschin (Boris Savinkov)<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>, o l\u00edder do grupo terrorista durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1904-1906, formulou, em um dos seus romances<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>, o problema do terror individual, nos seguintes termos: o assassinato n\u00e3o \u00e9 permitido; \u00e9 uma culpa absoluta e imperdo\u00e1vel; certamente n\u00e3o \u201cpode\u201d, mas, mesmo assim, \u201cdeve\u201d ser feito. Em outra passagem do mesmo livro encontra, n\u00e3o a justificativa \u2013 pois ela \u00e9 imposs\u00edvel \u2013, mas a raiz moral \u00faltima da a\u00e7\u00e3o do terrorista, em que este n\u00e3o s\u00f3 sacrifica a sua vida por seus irm\u00e3os e irm\u00e3s, mas, tamb\u00e9m, a sua pureza, a sua moral e a sua alma. Em outras palavras: somente o crime cometido pelo homem que sabe com firmeza e sem sombra de d\u00favida que o assassinato n\u00e3o pode ser cometido ou permitido em nenhuma circunst\u00e2ncia, pode ser, ainda assim, \u2013 tragicamente \u2013 de natureza moral. Para expressar esse pensamento da mais profunda trag\u00e9dia humana, nas palavras inimitavelmente belas de \u201cJudith\u201d de Hebbel: \u201cE se Deus tiver colocado o pecado entre mim e a miss\u00e3o que me foi designada, quem sou eu para escapar disso?\u201d<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Para realizar a tradu\u00e7\u00e3o deste texto de Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs, baseamo-nos, principalmente, na vers\u00e3o original em alem\u00e3o, intitulada \u201cTAKTIK UND ETHIK\u201d, disponibilizada em 1977 pela \u201cHermann Luchterhand Verlag GmbH &amp; Co KG Darmstandt und Neuwied\u201d, com produ\u00e7\u00e3o geral da \u201cDruck &#8211; und Verlags-Gesellschaft mbH, Darmstadt\u201d e edi\u00e7\u00e3o do saudoso e brilhante professor Frank Benseler. Mantivemos toda a estrutura formal do original, desde as composi\u00e7\u00f5es dos par\u00e1grafos at\u00e9 as pontua\u00e7\u00f5es pouco usuais ao PT-BR, visando a manter uma fidelidade, na medida do poss\u00edvel, ao rascunho original de Luk\u00e1cs. Entretanto, para servir de aux\u00edlio paralelo na empreitada desta tradu\u00e7\u00e3o, utilizamos, tamb\u00e9m, mais tr\u00eas vers\u00f5es do texto (em franc\u00eas, ingl\u00eas e espanhol), com o intuito de ter um suporte na inclus\u00e3o de notas de rodap\u00e9s que ajudam a compreender melhor o escrito e, <em>pari passu<\/em>, resgatamos algumas terminologias dessas outras tradu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o transliteradas para o portugu\u00eas com maior precis\u00e3o do que os termos que est\u00e3o sendo expostos por Luk\u00e1cs em alem\u00e3o. A vers\u00e3o francesa que utilizamos, \u201cTACTIQUE ET \u00c9THIQUE\u201d, foi traduzida por Robert Legros e Guy Haarscher e publicada pela \u201cRevue internationale de Philosophie\u201d. A vers\u00e3o inglesa \u201cGeorg Luk\u00e1cs Tactics and Ethics 1919-1929. The Questions of Parliamentarianism and Other Essays\u201d foi publicada, em 2014, pela \u201cVerso\u201d em New York, com tradu\u00e7\u00e3o de Michael McColgan e introdu\u00e7\u00e3o de Rodney Livingstone, replicada da primeira vers\u00e3o em ingl\u00eas, de 1972, da New Left Books. Por fim, utilizamos a vers\u00e3o em espanhol \u201cT\u00e1ctica y \u00e9tica. Escritos tempranos (1919-1929)\u201d, que foi publicada, em 2014, pela \u201cEdiciones Herramienta\u201d de Buenos Aires-Argentina, traduzida por Miguel Vedda e com introdu\u00e7\u00e3o de Antonino lnfranca e Miguel Vedda.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs (1885-1971), foi um fil\u00f3sofo marxista, nascido em Budapeste, na Hungria.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Utilizamos \u201cN.T\u201d, em notas de rodap\u00e9, com o significado de \u201cNota dos Tradutores\u201d, informando e interpretando quest\u00f5es do texto, visando a auxiliar os leitores. Noutro giro, utilizamos \u201cA.T\u201d, em notas de rodap\u00e9, para avisar aos leitores sobre os termos que inclu\u00edmos dentro do texto original de Luk\u00e1cs para facilitar a compreens\u00e3o, mesmo n\u00e3o estando na vers\u00e3o original em alem\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Graduado em Direito pela Universidade Cat\u00f3lica do Salvador (2018). Especialista em Sociologia pela Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1 (2021). Mestrando em Pol\u00edticas Sociais e Cidadania pela Universidade Cat\u00f3lica do Salvador. Pesquisador Interdisciplinar da FAPESB. Educador popular em Sociologia pelo pr\u00e9-vestibular da ADEP-UERJ. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: caique_sobreira@hotmail.com<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Graduado em Desenho Industrial pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Graduado em Direito pelo Centro Universit\u00e1rio Maur\u00edcio de Nassau (Uninassau). Cursando MBA em BI, Marketing Digital e Estrat\u00e9gia Data Driven pela PUCRS. E-mail: manassesjsantos@gmail.com<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Literalmente: o \u201cprop\u00f3sito final\u201d ou o \u201cobjetivo final\u201d. Aqui trazemos como \u201cfim \u00faltimo\u201d, tal qual foi feito na vers\u00e3o em espanhol de Miguel Vedda (2014), por acharmos mais compat\u00edvel com o entendimento em portugu\u00eas brasileiro. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> (A.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> (A.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Literalmente: no melhor dos casos. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> (A.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> (A.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> (A.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Atualidade no sentido do que j\u00e1 estava posto na concreticidade social, ou seja, a \u201cideologia\u201d burguesa desenvolveu o que estava dado mais do que efetuou uma suplanta\u00e7\u00e3o geral dessa realidade. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Neste caso, optamos n\u00e3o pela tradu\u00e7\u00e3o literal \u201cesclarecimento\u201d (<em>Klarstellung<\/em>), utilizamos \u201celucida\u00e7\u00e3o\u201d, para evitar a reprodu\u00e7\u00e3o de termos com poss\u00edveis cargas sem\u00e2nticas racialistas como \u00e9 o caso de \u201cesclarecimento\u201d. Em alguns momentos, evidentemente, este tipo de termo ter\u00e1 de ser reproduzido, quando n\u00e3o houver possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o de sin\u00f4nimos que possam expressar a mesma ideia contida no texto original (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Uma esp\u00e9cie de redu\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia entre o objetivo final e a sua autorrealiza\u00e7\u00e3o. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Legalidade, neste ponto, n\u00e3o no sentido jur\u00eddico, mas de lei\/tend\u00eancia social concreta. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Formula\u00e7\u00e3o que Luk\u00e1cs retirou de \u201cO Capital\u201d, volume III, de Karl Marx. Encontra-se correspondente no Brasil, na seguinte edi\u00e7\u00e3o: (MARX, Karl. O capital [recurso eletr\u00f4nico]:cr\u00edtica da economia pol\u00edtica: livro III: o processo global da produ\u00e7\u00e3o capitalista \/edi\u00e7\u00e3o de Friedrich Engels; tradu\u00e7\u00e3o Rubens Enderle. &#8211; 1. ed. &#8211; S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017, p.1079). (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> No sentido que compreendemos contemporaneamente como \u201ccorrela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as\u201d. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Proceder enquanto sin\u00f4nimo de a\u00e7\u00e3o. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> (A.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Luk\u00e1cs se refere aqui ao \u201ccompromisso\u201d ou a \u201csolidariedade\u201d com a ordem social vigente, mesmo em termos t\u00e1ticos. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> O termo \u201cespirituais\u201d \u00e9 utilizado por Luk\u00e1cs no sentido de mental e intelectual, de pensamento. N\u00e3o \u00e9 em car\u00e1ter metaf\u00edsico e, por isso, em algumas ocasi\u00f5es, traduziremos o literal \u201cespiritual\u201d como \u201cintelectual\u201d em portugu\u00eas. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Luk\u00e1cs est\u00e1 se referindo, nesta passagem, ao livro do fil\u00f3sofo tcheco-austr\u00edaco, Karl Kautsky (1854- 1938), intitulado \u201cEthik und materialistische Geschichtsauffassung\u201d (em nossa tradu\u00e7\u00e3o: \u00c9tica e concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria), 1\u00ba edi\u00e7\u00e3o, Stuttgart, 1906. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Nos termos de Luk\u00e1cs: dentro do horizonte da \u00e9tica n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de se utilizar do \u201cParteilosigkeit\u201d (apartidarismo). (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> (A.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Luk\u00e1cs utilizou outro termo: \u201c<em>Kl\u00e4rung<\/em>\u201d, que em portugu\u00eas, nos remeteria a j\u00e1 mencionada possibilidade de uma gram\u00e1tica racialista. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Boris Viktorovich Savinkov (1879-1925) foi um te\u00f3rico e literato russo, al\u00e9m de ter sido um revolucion\u00e1rio. Ele militou pelo \u201cPartido Socialista Revolucion\u00e1rio\u201d, sendo uma de suas principais lideran\u00e7as. (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Conforme Vedda (2014, p.38), o romance de Boris Savinkov, mencionado por Luk\u00e1cs, teria sido o \u201cComo si no hubiera ocurrido\u201d (t\u00edtulo da vers\u00e3o em espanhol. Infelizmente, n\u00e3o encontramos o texto publicado em portugu\u00eas). O livro de Savinkov foi publicado em 1913, em alem\u00e3o, pela \u201cFrankfurt a. M.: Literarische Anstalt R\u00fctten &amp; Loening\u201d, sendo escrito e produzido por Boris Savinkov sob o pseud\u00f4nimo de \u201cW. Ropschin\u201d, provavelmente entre 1911-1913, com o seguinte t\u00edtulo: \u201cAls w\u00e4r es nie gewesen: Roman aus der russischen Revolution\u201d (Em portugu\u00eas, seria aproximadamente: Como se nunca tivesse acontecido: um romance da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Noutra possibilidade, seria: Como se n\u00e3o tivesse acontecido nada: um romance sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa). (N.T).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Segundo Miguel Vedda (2014, p.38), a frase correta dita por \u201cJudith\u201d, na obra de Christian Friedrich Hebbel (1813-1863, teria sido um pouco diferente da cita\u00e7\u00e3o realizada por Luk\u00e1cs. Portanto, na tradu\u00e7\u00e3o em Espanhol, Vedda (2014, p.38) apresenta a frase da seguinte forma: \u201cSi T\u00fa [Dios] colocas um pecado entre m\u00ed y el acto que debo hacer, iqui\u00e9n soy yo para discutir contigo sobre ello y para escapar de ti!\u201d (Judith, 111). (N.T).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs Texto: T\u00e1tica e \u00c9tica[1] (TAKTIK UND ETHIK). Autor: Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs[2].\u00a0Ano: 1919.\u00a0Texto escrito originalmente em alem\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, notas e acr\u00e9scimos[3]: Caique de Oliveira Sobreira Cruz[4] e Manass\u00e9s de Jesus Santos J\u00fanior[5]. 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