{"id":17762,"date":"2022-04-20T12:35:25","date_gmt":"2022-04-20T15:35:25","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=17762"},"modified":"2022-04-16T09:38:16","modified_gmt":"2022-04-16T12:38:16","slug":"a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/","title":{"rendered":"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ruben Bauer Naveira<\/strong> &#8211; \u201cA crise consiste precisamente no fato de que o velho est\u00e1 morrendo e o novo ainda n\u00e3o pode nascer; neste interregno, uma grande variedade de sintomas m\u00f3rbidos aparece\u201d (Antonio Gramsci)<\/p>\n<p><em>Sintoma m\u00f3rbido 1<\/em>. As pessoas j\u00e1 det\u00eam toda a informa\u00e7\u00e3o e o conhecimento de que necessitam para saber que o clima do planeta est\u00e1 sendo arruinado e os seus recursos naturais consumidos a um ritmo insustent\u00e1vel para a conserva\u00e7\u00e3o da vida; n\u00e3o obstante, a devasta\u00e7\u00e3o ambiental prossegue, acelerando em vez de arrefecer.<\/p>\n<p><em>Sintoma m\u00f3rbido 2.<\/em>\u00a0Por mais que as sociedades e os governos saibam que o empobrecimento generalizado \u00e9 socialmente insustent\u00e1vel, com os conflitos decorrentes somente podendo ser administrados, ao inv\u00e9s de mitigados, por meio de maiores repress\u00e3o e brutalidade policial, a concentra\u00e7\u00e3o de renda nas m\u00e3os daqueles j\u00e1 demasiadamente ricos continua a aumentar.<\/p>\n<p><em>Sintoma m\u00f3rbido 3<\/em>. A cren\u00e7a na democracia representativa se exaure, e as sociedades deixam de v\u00ea-la como caminho para constru\u00e7\u00e3o do futuro; os parlamentos s\u00e3o crescentemente aparelhados para servir aos interesses do grande capital, e para bloqueio das mudan\u00e7as.<\/p>\n<p><em>Sintoma m\u00f3rbido 4.<\/em>\u00a0O esquema fundador do Estado-na\u00e7\u00e3o moderno, de subdivis\u00e3o em tr\u00eas poderes independentes e separados, \u00e9 degradado na medida em que um desses poderes, o judici\u00e1rio, justamente aquele mais imune a controle externo (de modo a que haja isen\u00e7\u00e3o nos julgamentos), vai em diversos pa\u00edses se tornando colonizado (aparelhado) pelas institui\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds dominante, os Estados Unidos, a pretexto de se \u201ccombater a corrup\u00e7\u00e3o\u201d; o exemplo mais acabado \u00e9 a Ucr\u00e2nia, que instituiu leis atribuindo aos EUA o poder de nomear diretamente v\u00e1rias dentre suas altas autoridades judici\u00e1rias \u2013 coisa que, n\u00e3o obstante, n\u00e3o evitou que o pa\u00eds assumisse a pecha de \u201cmais corrupto do mundo\u201d.<\/p>\n<p><em>Sintoma m\u00f3rbido 5.<\/em>\u00a0O direito \u00e0 livre manifesta\u00e7\u00e3o vigora apenas em sentido formal, o Estado lhe imp\u00f5e limites de acordo com as suas conveni\u00eancias (vide como o Estado franc\u00eas liquidou com o movimento dos\u00a0<em>gilets jaunes<\/em>, ou, mais recentemente, como o Estado canadense liquidou com o movimento dos\u00a0<em>freedom convoys<\/em>).<\/p>\n<p><em>Sintoma m\u00f3rbido 6.\u00a0<\/em>Pessoas est\u00e3o indignadas e enfurecidas contra a R\u00fassia, por esta ter iniciado uma guerra contra um pa\u00eds vizinho, e chocadas com as cenas de crian\u00e7as mortas, mutiladas, \u00f3rf\u00e3s, refugiadas e traumatizadas para o resto das suas vidas, sem atentar para que, neste exato dia de hoje, crian\u00e7as est\u00e3o tamb\u00e9m sendo mortas, mutiladas, ficando \u00f3rf\u00e3s, refugiadas e traumatizadas em outros quatro pa\u00edses, por guerras nas quais os Estados Unidos t\u00eam responsabilidade: I\u00eamen (j\u00e1 faz sete anos), S\u00edria (dez anos), L\u00edbia (onze anos) e Som\u00e1lia (trinta anos);<\/p>\n<p><em>Sintoma m\u00f3rbido 7.<\/em>\u00a0Praticamente tudo a que se possa chamar imprensa no mundo ocidental (mais de 1.500 jornais, mais de 1.100 revistas, mais de 9 mil esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e mais de 1.500 canais de televis\u00e3o) s\u00e3o controlados por somente seis conglomerados globais de m\u00eddia os quais operam de forma absolutamente coordenada, al\u00e7ando aquilo que n\u00e3o passa de narrativas de interesse do assim chamado \u201c1%\u201d (na verdade 0,01%) \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de verdade absoluta \u2013 a demoniza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia presentemente em curso como o exemplo maior.<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>Essa lista poderia ser estendida, mas os casos acima bastam para afirmar que sintomas m\u00f3rbidos v\u00e3o deixando de ser pontuais para se tornarem norma.<\/p>\n<p>A um mundo em que sintomas m\u00f3rbidos cada vez mais se alastram e agravam se poderia dar o nome de distopia. N\u00e3o se pode afirmar que j\u00e1 vivamos em um mundo dist\u00f3pico porque ainda desfrutamos de espa\u00e7os de \u201cnormalidade\u201d estabelecidos pelo processo civilizat\u00f3rio dos \u00faltimos trezentos anos \u2013 mas se pode sim afirmar que a distopia avan\u00e7a a passos largos, invadindo e ocupando cada vez mais esses espa\u00e7os.<\/p>\n<p>No c\u00e9lebre postulado de Gramsci, esse \u201cinterregno dist\u00f3pico\u201d somente poder\u00e1 ser superado quando o \u201cvelho\u201d tiver finalmente morrido e o \u201cnovo\u201d finalmente nascido. Para todos aqueles que almejem essa morte do velho com o nascimento de algo novo, \u00e9 a distopia em si (e n\u00e3o a nostalgia do velho que agoniza) o que se imp\u00f5e, na pr\u00e1tica, como quadro de refer\u00eancia. Assim, medir as a\u00e7\u00f5es militares da R\u00fassia pela r\u00e9gua moral daquele que julga, em termos absolutos, que \u201cguerra \u00e9 errado, ponto\u201d traduz um apego a um quadro de refer\u00eancia que na pr\u00e1tica j\u00e1 n\u00e3o opera mais (no caso, o direito internacional \u2013 como se, por exemplo, a invas\u00e3o americana do Iraque j\u00e1 n\u00e3o tivesse se dado contrariamente ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU).<\/p>\n<p>Expresso de forma mais crua, nos termos da dualidade civiliza\u00e7\u00e3o\/barb\u00e1rie: uma vez que a morbidez e a distopia s\u00e3o a barb\u00e1rie em si, voc\u00ea, por mais civilizado que procure ser, tem que saber quando do outro lado est\u00e1 a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que guerra \u00e9 errado (e sempre ser\u00e1). \u00c9 claro que crian\u00e7as serem mortas, mutiladas, tornadas \u00f3rf\u00e3s, refugiadas e traumatizadas \u00e9 errado, odioso e repugnante, e sempre ser\u00e1. Mas, deveria ent\u00e3o a R\u00fassia, j\u00e1 depois de ter esgotado as negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas para que a OTAN n\u00e3o viesse a instalar novos m\u00edsseis de ataque junto \u00e0s suas fronteiras bem como removesse aqueles j\u00e1 instalados (nas bases militares de Deveselu na Rom\u00eania e Redzikowo na Pol\u00f4nia), simplesmente aguardar at\u00e9 ser aniquilada por um ataque de surpresa de m\u00edsseis capazes de atingir Moscou em apenas tr\u00eas minutos? Deveria a R\u00fassia, ap\u00f3s assistir ao longo de oito anos a toda uma popula\u00e7\u00e3o de russos \u00e9tnicos do outro lado da sua fronteira ser alvo de persegui\u00e7\u00f5es, discrimina\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e at\u00e9 assassinatos, aguardar passivamente at\u00e9 que a Ucr\u00e2nia invadisse as rep\u00fablicas separatistas de Donetsk e Lugansk para reintegr\u00e1-las \u00e0 for\u00e7a e massacrar as suas popula\u00e7\u00f5es, sendo que os russos dispunham de informa\u00e7\u00f5es de que essa invas\u00e3o estava para ser deslanchada? Deveria a R\u00fassia, sabedora de que os americanos vinham desenvolvendo armas biol\u00f3gicas sob medida para o povo russo em uma rede de laborat\u00f3rios clandestinos na Ucr\u00e2nia, fechar os seus olhos a isso? Deveria a R\u00fassia, ap\u00f3s Zelensky declarar que a Ucr\u00e2nia devesse buscar desenvolver armas nucleares, permitir que isso viesse a ocorrer? Em suma, deveria ela aguardar passivamente at\u00e9 que crian\u00e7as russas viessem a ser mortas, mutiladas, tornadas \u00f3rf\u00e3s, refugiadas e traumatizadas?<\/p>\n<p>Para que se possa julgar de forma minimamente adequada as a\u00e7\u00f5es da R\u00fassia se deve ter em mente que a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia \u00e9 secund\u00e1ria (no sentido de derivada, subsidi\u00e1ria) relativamente a uma guerra maior, a guerra (at\u00e9 o momento informacional, econ\u00f4mica e apenas indiretamente militar) entre de um lado os Estados Unidos e de outro a R\u00fassia mais a China.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode alcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o dessa guerra em curso entre Estados Unidos e R\u00fassia sem entender como ela come\u00e7ou (desde o final dos anos 1990) e, principalmente, sem entender porque ela \u00e9 at\u00e9 hoje apenas indiretamente militar (travada em lugares como o Kosovo, a S\u00edria, o Donbass e, agora, a Ucr\u00e2nia toda).<\/p>\n<p>H\u00e1 duas d\u00e9cadas essa guerra vem sendo apenas indiretamente militar porque tanto americanos como russos sabem que, a partir do momento em que entrarem numa confronta\u00e7\u00e3o direta, ela rapidamente escalar\u00e1 para guerra nuclear. E ambos sabem que guerra nuclear n\u00e3o tem vencedores, ambos acabar\u00e3o destru\u00eddos.<\/p>\n<p>Dito de modo mais direto, a \u00fanica forma de se evitar a guerra nuclear \u00e9 nunca haver guerra direta entre Estados Unidos e R\u00fassia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, estarem travando americanos e russos uma guerra n\u00e3o-declarada j\u00e1 por duas d\u00e9cadas \u00e9 sem d\u00favida um sintoma m\u00f3rbido que poderia ser chamado o sintoma m\u00f3rbido pen\u00faltimo, pelos riscos que implica em se converter em guerra direta e, na sequ\u00eancia, em guerra nuclear (esta, o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo, porque erradica abruptamente o velho dando lugar a um tipo de novo absolutamente insond\u00e1vel).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de duas d\u00e9cadas de escalada gradual (expans\u00e3o da OTAN, incita\u00e7\u00e3o ao separatismo checheno, guerra do Kosovo, guerra da Ge\u00f3rgia, revolu\u00e7\u00e3o colorida de Maidan, anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia, imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, descumprimento dos acordos de Minsk, a\u00e7\u00f5es nas redes sociais para influir nas elei\u00e7\u00f5es dos EUA, guerra da S\u00edria, abandono unilateral pelos americanos do tratado de proibi\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis de alcance intermedi\u00e1rio, incita\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o colorida na Bielor\u00fassia, gasoduto Nord Stream 2, ultimato russo \u00e0 OTAN, incita\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o colorida no Cazaquist\u00e3o, ataques cibern\u00e9ticos de parte a parte, expuls\u00e3o de diplomatas de parte a parte etc.) atingimos agora um ponto de escalada militar vertiginosa, n\u00e3o apenas pela a\u00e7\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia como pela rea\u00e7\u00e3o americana a ela, com o envio de armas aos ucranianos e com o aumento da presen\u00e7a militar da OTAN em pa\u00edses como a Pol\u00f4nia e os pa\u00edses b\u00e1lticos \u2013 a despeito de os russos j\u00e1 terem anunciado que n\u00e3o tolerar\u00e3o nem uma coisa nem outra, e que retaliar\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa escalada ruma para uma guerra direta entre americanos e russos, em apenas uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p>Os americanos n\u00e3o podem recuar, porque est\u00e3o presos a uma armadilha que eles mesmos criaram, a da necessidade de perpetuar a sua hegemonia sobre o resto do mundo. Os americanos s\u00e3o o \u00fanico pa\u00eds no mundo (e na Hist\u00f3ria) que pode se dar ao luxo de ter um d\u00e9ficit p\u00fablico tendente ao infinito, porque podem simplesmente imprimir mais dinheiro (d\u00f3lares) para refinanci\u00e1-lo. Para tanto, precisam que o restante do mundo necessite adquirir d\u00f3lares, o que por sua vez requer que praticamente a totalidade do com\u00e9rcio entre os pa\u00edses seja feito em d\u00f3lar. Para garantir que ningu\u00e9m questione esse estado de coisas os Estados Unidos precisam ter for\u00e7as armadas que sejam temidas pelo restante do mundo (chegam a mil as bases militares dos EUA no exterior, espalhadas por todo o planeta). Os gastos militares do governo americano respondem por mais da metade do gasto p\u00fablico total (tanto quanto a ind\u00fastria de armamentos carrega nas costas o PIB dos EUA), e \u00e9 por isso que o d\u00e9ficit p\u00fablico \u00e9 cada vez mais estratosf\u00e9rico, com o que o c\u00edrculo se fecha.<\/p>\n<p>A essa altura, os americanos simplesmente n\u00e3o t\u00eam como \u201cceder aos russos, em nome da paz mundial\u201d. O ponto de n\u00e3o-retorno j\u00e1 foi ultrapassado h\u00e1 d\u00e9cadas, abrir m\u00e3o hoje da hegemonia mundial significaria para os EUA um colapso econ\u00f4mico, com empobrecimento profundo e abrupto da popula\u00e7\u00e3o americana o que levaria ao fim das atuais institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, sen\u00e3o ao fim do pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>Est\u00e1 \u00e0 vista de todos que esse colapso acabar\u00e1 por suceder, mais cedo ou mais tarde, por\u00e9m as elites americanas est\u00e3o dispostas a lutar at\u00e9 o fim para tentar evit\u00e1-lo (por isso essa guerra n\u00e3o-declarada de mais de duas d\u00e9cadas contra a R\u00fassia). O colapso vir\u00e1 porque a hegemonia americana apoia-se em dois pilares, o d\u00f3lar como reserva universal de valor e o poderio militar inconteste, e ambos est\u00e3o ruindo, e de forma associada (uma eventual humilha\u00e7\u00e3o militar dos americanos perante o mundo poderia lhes ser desmoralizante a ponto de fazer disparar o processo de abandono do d\u00f3lar).<\/p>\n<p>Um pa\u00eds que se pretenda hegem\u00f4nico n\u00e3o tem como tolerar a soberania de terceiros, e, ao buscarem caminhos pr\u00f3prios e independentes, tanto a R\u00fassia quanto a China (al\u00e9m de mais alguns, como o Ir\u00e3) colocaram-se em rota de colis\u00e3o com os EUA. Assim, a OTAN come\u00e7ou a expandir-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s fronteiras da R\u00fassia ainda na d\u00e9cada de 1990 de modo a buscar subjug\u00e1-la. No ano de 2007 (j\u00e1 faz quinze anos, portanto) em um discurso em uma confer\u00eancia em Munique, Vladimir Putin alertou ao mundo que aquela expans\u00e3o da OTAN em desconsidera\u00e7\u00e3o aos requisitos de seguran\u00e7a nacional da R\u00fassia iria levar \u00e0 crise atual \u2013 mas ningu\u00e9m lhe deu ouvidos.<\/p>\n<p>Enfim, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o destino da humanidade. Est\u00e3o em disputa dois modelos civilizat\u00f3rios (em termos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais e culturais) distintos e em muitos aspectos antag\u00f4nicos, o modelo ocidental (predominante at\u00e9 aqui) e o modelo chin\u00eas-russo, o qual vem rapidamente abarcando outras na\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas (o Ir\u00e3 j\u00e1 estava alinhado faz tempo, mas agora aliados dos Estados Unidos at\u00e9 recentemente como a \u00cdndia e mesmo a Ar\u00e1bia Saudita come\u00e7am a trocar de barco). Apenas um dos dois modelos poder\u00e1 sobreviver a essa disputa (claro, se n\u00e3o sobrevier a guerra nuclear).<\/p>\n<p>Par\u00eantesis: que n\u00e3o haja ilus\u00f5es, uma eventual suplanta\u00e7\u00e3o do modelo ocidental pelo russo-chin\u00eas n\u00e3o significaria uma supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, e sim uma substitui\u00e7\u00e3o do atual turbocapitalismo financeirizado e absolutamente desumano por um capitalismo de vi\u00e9s produtivo \u201cmenos desumano\u201d (e com muito mais conservadorismo nos costumes).<\/p>\n<p>Para que consigam vencer sem que haja guerra direta (nuclear), a estrat\u00e9gia dos americanos \u00e9 levar \u00e0 queda do governo russo, com a instaura\u00e7\u00e3o de um novo governo subserviente, ou ao menos mais cordato, ao Ocidente. Por isso as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas terr\u00edveis (que j\u00e1 est\u00e3o prejudicando as economias ocidentais tanto quanto, ou mais, que a economia russa), por isso os oligarcas russos t\u00eam sido pessoalmente atingidos (para que se rebelem contra Putin), por isso a demoniza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica sem paralelo e sem precedentes, e por isso o esfor\u00e7o para fazer com que a guerra na Ucr\u00e2nia se prolongue o mais poss\u00edvel, buscando desgastar Putin \u2013 quando todos j\u00e1 sabem que n\u00e3o h\u00e1 mais qualquer chance de a Ucr\u00e2nia vir a derrotar militarmente a R\u00fassia; a Ucr\u00e2nia no entanto acata a press\u00e3o dos americanos para que n\u00e3o se renda apenas de modo a estender o desgaste russo, assumindo assim o papel deplor\u00e1vel de bucha de canh\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia americana at\u00e9 funcionou bem nos primeiros dias da guerra, em que a popula\u00e7\u00e3o russa titubeou frente \u00e0s perspectivas de empobrecimento em fun\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas impostas pelo Ocidente. Mas a m\u00eddia ocidental n\u00e3o soube dosar o veneno, e a russofobia que se seguiu (com atletas, artistas e at\u00e9 estudantes russos passando a alvo de \u201ccancelamentos\u201d e constrangimentos, quando n\u00e3o ass\u00e9dio, nos pa\u00edses ocidentais), juntamente com a glorifica\u00e7\u00e3o de neonazistas ucranianos na qualidade de \u201cheroicos defensores do Ocidente\u201d, acabaram por levar a popula\u00e7\u00e3o russa a cerrar fileiras em torno de Putin.<\/p>\n<p>Uma vez dado esse resultado da disputa pelos cora\u00e7\u00f5es e mentes na R\u00fassia, o Ocidente j\u00e1 n\u00e3o se at\u00e9m mais a quaisquer limites para impregna\u00e7\u00e3o de \u00f3dio \u00e0 R\u00fassia e aos russos nos cora\u00e7\u00f5es e mentes dos seus povos, requisito a um\u00a0<em>delenda est<\/em>. O mais novo cap\u00edtulo nessa estrat\u00e9gia \u00e9 o cometimento de atrocidades contra civis ucranianos, atribu\u00eddas aos russos a despeito de quaisquer evid\u00eancias (<em>false flags<\/em>), em magnitude crescente que tende a chegar a est\u00e1gios qu\u00edmicos ou radioativos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a estrat\u00e9gia dos russos \u00e9 ir empurrando o perigo (os m\u00edsseis da OTAN apontados para Moscou) para longe das suas fronteiras (todas elas; os russos n\u00e3o ir\u00e3o parar na Ucr\u00e2nia), enquanto prestam a sua contribui\u00e7\u00e3o (g\u00e1s por rublos, por exemplo) para acelerar o colapso americano, na esperan\u00e7a de que aconte\u00e7a antes de uma guerra direta. Nesse contexto, Putin n\u00e3o repetir\u00e1 o erro cometido por Saddam Hussein, que assistiu passivamente por meses a fio \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de bases e contingentes militares americanos \u201cde natureza puramente defensiva\u201d do outro lado da sua fronteira, at\u00e9 que a denomina\u00e7\u00e3o \u201cOpera\u00e7\u00e3o Escudo do Deserto\u201d fosse reciclada para \u201cOpera\u00e7\u00e3o Tempestade no Deserto\u201d \u2013 quando j\u00e1 era tarde demais. Se os americanos passarem a mover for\u00e7as maci\u00e7amente para junto das fronteiras russas elas ser\u00e3o atacadas preventivamente, que n\u00e3o reste a menor d\u00favida quanto a isso.<\/p>\n<p>A R\u00fassia tomou a iniciativa militar de forma reativa, porque se viu obrigada a faz\u00ea-lo, para frustrar a invas\u00e3o iminente pela Ucr\u00e2nia das rep\u00fablicas separatistas de Donetsk e Lugansk. Por\u00e9m, a R\u00fassia tomou a decis\u00e3o de enfrentar militarmente a OTAN (por entender que do contr\u00e1rio acabaria subjugada) h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, e vem desde ent\u00e3o se preparando diligentemente para isto.<\/p>\n<p>A essa altura, vai ficando claro que as chances de n\u00e3o haver guerra nuclear n\u00e3o s\u00e3o boas \u2013 mesmo que, pelas \u00f3bvias raz\u00f5es do risco absurdo envolvido, isso possa ainda vir a demorar.<\/p>\n<p>\u00c0queles que ainda apostam na racionalidade dos tomadores de decis\u00f5es, cabe voltar ao alerta de Gramsci quanto \u00e0 morbidez. Ademais, a guerra jamais foi um assunto racional entre os homens. A irracionalidade sempre se fez presente tanto ao n\u00edvel macro dos governos e estados-maiores (para tomarmos apenas as duas guerras mundiais havidas, a primeira se paralisou na matan\u00e7a militarmente in\u00fatil das trincheiras, enquanto que a segunda elevou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de substantivos para o horror nomes de lugares como Auschwitz e Hiroshima) quanto ao n\u00edvel micro das atrocidades e covardias invariavelmente cometidas por indiv\u00edduos contra civis e contra prisioneiros de guerra.<\/p>\n<p>Enfim, mesmo contra todas as evid\u00eancias, que a raz\u00e3o prevale\u00e7a, e que jamais haja guerra nuclear.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ruben Bauer Naveira &#8211; \u201cA crise consiste precisamente no fato de que o velho est\u00e1 morrendo e o novo ainda n\u00e3o pode nascer; neste interregno, uma grande variedade de sintomas m\u00f3rbidos aparece\u201d (Antonio Gramsci) Sintoma m\u00f3rbido 1. As pessoas j\u00e1 det\u00eam toda a informa\u00e7\u00e3o e o conhecimento de que necessitam para saber que o clima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[49],"class_list":["post-17762","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","tag-conjuntura"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ruben Bauer Naveira &#8211; \u201cA crise consiste precisamente no fato de que o velho est\u00e1 morrendo e o novo ainda n\u00e3o pode nascer; neste interregno, uma grande variedade de sintomas m\u00f3rbidos aparece\u201d (Antonio Gramsci) Sintoma m\u00f3rbido 1. As pessoas j\u00e1 det\u00eam toda a informa\u00e7\u00e3o e o conhecimento de que necessitam para saber que o clima [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2022-04-20T15:35:25+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/crise-sociedade-ambiente.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"961\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo\",\"datePublished\":\"2022-04-20T15:35:25+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/\"},\"wordCount\":3038,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/04\\\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1\",\"keywords\":[\"Conjuntura\"],\"articleSection\":[\"Pol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/\",\"name\":\"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/04\\\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1\",\"datePublished\":\"2022-04-20T15:35:25+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/04\\\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2022\\\/04\\\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1\",\"width\":1024,\"height\":961},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2022\\\/04\\\/20\\\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo - Controversia","og_description":"Ruben Bauer Naveira &#8211; \u201cA crise consiste precisamente no fato de que o velho est\u00e1 morrendo e o novo ainda n\u00e3o pode nascer; neste interregno, uma grande variedade de sintomas m\u00f3rbidos aparece\u201d (Antonio Gramsci) Sintoma m\u00f3rbido 1. As pessoas j\u00e1 det\u00eam toda a informa\u00e7\u00e3o e o conhecimento de que necessitam para saber que o clima [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2022-04-20T15:35:25+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":961,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/crise-sociedade-ambiente.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"15 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo","datePublished":"2022-04-20T15:35:25+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/"},"wordCount":3038,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1","keywords":["Conjuntura"],"articleSection":["Pol\u00edtica"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/","name":"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1","datePublished":"2022-04-20T15:35:25+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1","width":1024,"height":961},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2022\/04\/20\/a-guerra-nuclear-como-o-sintoma-morbido-ultimo\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A guerra nuclear como o sintoma m\u00f3rbido \u00faltimo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/crise-sociedade-ambiente.jpg?fit=1024%2C961&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17762"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17764,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17762\/revisions\/17764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17763"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}