{"id":17722,"date":"2022-04-07T12:41:39","date_gmt":"2022-04-07T15:41:39","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=17722"},"modified":"2022-04-07T11:52:14","modified_gmt":"2022-04-07T14:52:14","slug":"um-tsunami-alimentar-no-horizonte-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/04\/07\/um-tsunami-alimentar-no-horizonte-brasileiro\/","title":{"rendered":"Um tsunami alimentar no horizonte brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jean Marc von der Weid<\/strong> &#8211; \u00c9 crucial um programa de \u201csalva\u00e7\u00e3o nacional\u201d para a quest\u00e3o da crise alimentar que, silenciosamente, vem assolando o povo de forma crescente, desde 2015 \u2013 e que o esbo\u00e7arei, em uma s\u00e9rie de artigos em\u00a0<em>Outras Palavras<\/em>. Este artigo poderia se intitular \u201cuma tempestade perfeita\u201d, pois a situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era dram\u00e1tica, vai ficar desesperadora a partir dos efeitos da guerra da Ucr\u00e2nia \u2013 ou melhor, da guerra russo\/americana.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, R\u00fassia e Ucr\u00e2nia s\u00e3o grandes produtores de trigo, milho e outros cereais ditos \u201cmenores\u201d e \u00f3leo de girassol. S\u00e3o tamb\u00e9m grandes produtores de adubos qu\u00edmicos. Al\u00e9m de grandes produtores, s\u00e3o tamb\u00e9m grandes exportadores de todos os produtos citados. N\u00e3o se pode esquecer que a R\u00fassia \u00e9 tamb\u00e9m um dos maiores produtores e exportadores de petr\u00f3leo e de g\u00e1s natural. O efeito imediato das rea\u00e7\u00f5es do chamado \u201cmundo livre\u201d (estamos voltando a uma linguagem de Guerra Fria, totalmente anacr\u00f4nica) \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia foi o aumento dos pre\u00e7os do trigo, que acabou arrastando os pre\u00e7os das outras commodities agr\u00edcolas. Este aumento tem a ver com a expectativa de desabastecimento de trigo a n\u00edvel mundial e vai afetar todas as compras realizadas. J\u00e1 est\u00e1 ocorrendo uma corrida dos pa\u00edses importadores da R\u00fassia e da Ucr\u00e2nia, buscando fornecedores alternativos. Ocorre que as reservas mundiais s\u00e3o razo\u00e1veis para condi\u00e7\u00f5es normais, mas n\u00e3o para um choque desta natureza e vai faltar produto. Por outro lado, a seca em algumas regi\u00f5es produtoras, como no Brasil e na Argentina (nosso maior fornecedor de trigo), diminui a disponibilidade interna (o Brasil produz em m\u00e9dia 30% a 40% da demanda nacional) e a disponibilidade dos nossos vizinhos e fornecedores. A Argentina est\u00e1 controlando as exporta\u00e7\u00f5es de trigo e outros produtos agr\u00edcolas, buscando garantir o abastecimento interno, isto mesmo antes da crise ucraniana acirrar a disputa de mercado. Haver\u00e1 trigo na Argentina para suprir o nosso d\u00e9ficit da produ\u00e7\u00e3o nacional? A que pre\u00e7os? Os pre\u00e7os internacionais do trigo j\u00e1 vinham subindo nos mercados internacionais de commodities, chegando a 12% de aumento em 2021. A expectativa inicial \u00e9 que os impactos provocados pela guerra elevem os pre\u00e7os entre 18 e 24% este ano.<\/p>\n<p>Para completar esta parte das m\u00e1s not\u00edcias, o Brasil tem outro choque de pre\u00e7os com a permanente instabilidade do d\u00f3lar, que est\u00e1 dando um refresco nas \u00faltimas semanas, mas que tende a manter a trajet\u00f3ria de ascenso verificada ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Ainda sobre os pre\u00e7os dos alimentos, temos que incluir na conta o aumento do custo dos transportes, provocado pelo bloqueio das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s da R\u00fassia. O valor do barril j\u00e1 chegou a 140 USD h\u00e1 duas semanas e caiu para patamares pr\u00f3ximos dos 120 nos \u00faltimos dias. As oscila\u00e7\u00f5es s\u00e3o esperadas em fun\u00e7\u00e3o da conjuntura pol\u00edtica e militar mundial, mas antecipa-se uma tend\u00eancia de subida. De toda forma, os valores presentes do barril de petr\u00f3leo j\u00e1 impactam toda a economia mundial. Inclusive os custos do transporte de trigo, ou de adubos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>A guerra provocou uma parte dos problemas que estamos vivendo, mas uma outra tem origem na crise do aquecimento global. As secas intensas e extensas em v\u00e1rias partes do mundo se alternam com inunda\u00e7\u00f5es cada vez mais destruidoras (o Brasil tem in\u00fameros exemplos recentes), com friagens intensas e prolongadas, furac\u00f5es, ciclones etc. O clima est\u00e1 em guerra com a humanidade (respondendo aos ataques da humanidade contra o meio ambiente). Tudo isso j\u00e1 vem sendo antecipado pelos cientistas de todo o mundo reunidos no IPCC (International Pannel on Climate Change), que acaba de lan\u00e7ar um novo relat\u00f3rio, no qual anuncia que, se nada for feito r\u00e1pida e radicalmente, o primeiro dos chamados \u201cpontos de n\u00e3o retorno\u201d, o aumento de 1,5 graus Celsius na temperatura m\u00e9dia mundial em compara\u00e7\u00e3o com os valores do s\u00e9culo 18, ser\u00e1 alcan\u00e7ado at\u00e9 o fim desta d\u00e9cada, dentro de nove anos. A previs\u00e3o anterior \u00e9 que este ponto de virada se daria em 2050, mas a expans\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa acelerou o processo.<\/p>\n<p>O ponto de n\u00e3o retorno significa uma situa\u00e7\u00e3o a partir da qual a possibilidade de revers\u00e3o da tend\u00eancia ao aquecimento continuado e acelerado se torna muito dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel. Isto se explica pela eclos\u00e3o de uma s\u00e9rie de efeitos que se retroalimentam para ampliar seus impactos e acelerar a marcha para novos patamares de aquecimento, os 3 graus Celsius e os 6 graus Celsius que poderiam ser alcan\u00e7ados antes dos anos 50 e 100 deste s\u00e9culo, respectivamente. Segundo as mais moderadas avalia\u00e7\u00f5es, no caso extremo o mundo seria inabit\u00e1vel na maior parte da sua \u00e1rea e a vida na parte habit\u00e1vel seria muito desagrad\u00e1vel. Tudo isto sem falar que os processos gerados pelo aquecimento levariam ao caos social em todo o mundo, ao que se chamou de guerras clim\u00e1ticas e gigantescas migra\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias das regi\u00f5es mais afetadas. O mundo tal como o conhecemos vai desaparecer de forma muito dolorosa e essa \u00e9 a heran\u00e7a que estamos deixando para os nossos filhos e netos.<\/p>\n<p>Para agravar os problemas provocados pelo aquecimento global e pela guerra na Ucr\u00e2nia, temos, no Brasil, problemas de pol\u00edtica p\u00fablica que v\u00eam de longe, mas que foram intensificados neste governo, como ocorreu com tantos outros temas. Para come\u00e7ar, o governo n\u00e3o reconhece que existam problemas de abastecimento, muito embora os estoques de produtos agr\u00edcolas nas m\u00e3os do Estado estejam praticamente zerados. H\u00e1 alguns estoques nas m\u00e3os de empreendimentos privados, embora de pequeno volume. Mas n\u00e3o se pode contar com estes estoques para regularizar o mercado e fazer cair os pre\u00e7os, pois justamente o sentido dos a\u00e7ambarcadores privados \u00e9 jogar no desabastecimento para fazer subir os pre\u00e7os e aumentar os seus lucros.<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro acha que resolveu o problema da fome com o aux\u00edlio emergencial de 400 reais, com prazo de validade at\u00e9 31\/12\/2022. Al\u00e9m de trocar o nome do programa social conhecido inicialmente como Bolsa Escola, nos tempos de Fernando Henrique, e Bolsa Fam\u00edlia nos tempos de Lula e de Dilma, o governo diminuiu a taxa de cobertura social e aumentou os valores sem procurar identificar as diferen\u00e7as de necessidade entre os mais pobres e os menos pobres. Para a categoria dos miser\u00e1veis, os que vivem com menos de R$ 100 de renda familiar per capita, os 400,00 reais deixam as fam\u00edlias muito longe da capacidade de se alimentar adequadamente. O pior, entretanto, \u00e9 que este valor est\u00e1 sendo corro\u00eddo dia a dia pelo conjunto de crises que afeta o acesso e o custo dos alimentos.<\/p>\n<p>Alguns podem achar que o trigo n\u00e3o tem tanta import\u00e2ncia assim para os mais pobres, mas a realidade trist\u00edssima do perfil nutricional dos brasileiros aponta para uma ingest\u00e3o cada vez maior de derivados do trigo, como p\u00e3es, biscoitos e massas, assim como um crescente consumo de produtos ultraprocessados (\u201cenlatados\u201d), com baixa qualidade nutricional e um uso pesado de aditivos qu\u00edmicos, sal, a\u00e7\u00facar e gorduras trans. Por outro lado, o consumo de feij\u00e3o e arroz, bem como o consumo de hortali\u00e7as e frutas e de carnes est\u00e1 em queda livre h\u00e1 seis anos. O \u201cprato nacional\u201d entre os pobres (para al\u00e9m dos que garimpam restos nos lix\u00f5es) \u00e9 miojo com salsicha. Pois bem, o aumento do pre\u00e7o do trigo vai bater direto neste modelo perverso de consumo e derrubar ainda mais a ingest\u00e3o alimentar dos pobres em quantidade e qualidade. Vai piorar, e muito, a fome expl\u00edcita que afeta 20 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras, a fome oculta que afeta 57 milh\u00f5es de outros e outras, comendo menos do que seria necess\u00e1rio e comendo produtos de pior qualidade nutricional, e a mal nutri\u00e7\u00e3o que afeta 40 milh\u00f5es que \u201cenchem barriga\u201d com dietas totalmente desequilibradas do ponto de vista nutricional.<\/p>\n<p>Um outro fator de encarecimento dos alimentos \u00e9 o custo dos adubos qu\u00edmicos. Este n\u00e3o tem efeito imediato, pois a safra que ser\u00e1 afetada ainda vai ser plantada e s\u00f3 ser\u00e1 colhida no fim do ano e in\u00edcio do ano que vem. Mas \u00e9 toda a agricultura brasileira que vai ser atingida. Vai ser muito dif\u00edcil achar adubo qu\u00edmico para importar com a disputa internacional pelo produto. E por que vai pesar tanto a perda da produ\u00e7\u00e3o de adubo russo? A verdade \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de adubos qu\u00edmicos depende de alguns insumos, sobretudo minerais como f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio e de petr\u00f3leo e g\u00e1s. J\u00e1 se sabe que o petr\u00f3leo vem sofrendo aumentos regulares de pre\u00e7o h\u00e1 anos, devido \u00e0 exaust\u00e3o dos superpo\u00e7os do Oriente M\u00e9dio e ao custo cada vez maior de se extrair o produto seja do pr\u00e9-sal brasileiro, dos po\u00e7os do Mar do Norte ou das areias betuminosas dos Estados Unidos e Canad\u00e1. Tamb\u00e9m j\u00e1 comentamos do aumento recente da cota\u00e7\u00e3o do barril devido \u00e0 guerra. Tudo isto vai fazer com que a produ\u00e7\u00e3o dos adubos nitrogenados fique mais cara. Lamentavelmente, este \u00e9 um adubo qu\u00edmico em que poder\u00edamos ser autossuficientes, mas Temer e Bolsonaro acabaram tanto com a produ\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s como com os planos de expans\u00e3o do produto nacional. Quanto aos outros dois adubos, os fosfatados e os de pot\u00e1ssio, dependemos de uns poucos pa\u00edses produtores destes min\u00e9rios. As reservas mundiais de f\u00f3sforo j\u00e1 est\u00e3o sendo consideradas em decl\u00ednio e n\u00e3o tem dado resultado os enormes investimentos na pesquisa de novas jazidas. As de pot\u00e1ssio s\u00e3o mais volumosas, mas as avalia\u00e7\u00f5es para sua durabilidade n\u00e3o ultrapassam a metade do s\u00e9culo. Em ambos os produtos, o Brasil depende de importa\u00e7\u00f5es, inclusive da R\u00fassia. Apesar do maci\u00e7o cerco dos pa\u00edses \u201cocidentais\u201d \u00e0 R\u00fassia, o governo Bolsonaro ainda n\u00e3o disse se vai aderir ao boicote ou se vai manter as importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es. Mas pode ser indiferente a decis\u00e3o do presidente que foi se abra\u00e7ar com Putin e declarar solidariedade \u00e0s v\u00e9speras da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. O fato \u00e9 que a exclus\u00e3o da R\u00fassia dos sistemas de financiamento em n\u00edvel mundial, bem como a sua exclus\u00e3o dos sistemas de seguros, vai tornar o com\u00e9rcio de e para a R\u00fassia invi\u00e1vel. Sim, vamos precisar achar outros fornecedores de adubos qu\u00edmicos. E n\u00e3o vai ser f\u00e1cil. N\u00e3o h\u00e1 estoques mundiais destes produtos nem de longe suficientes para suprir o v\u00e1cuo deixado pela R\u00fassia. Ampliar as produ\u00e7\u00f5es dos principais exportadores tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 coisa que se materialize de pronto. Para piorar, o governo est\u00e1 dizendo que n\u00e3o vai faltar adubo e n\u00e3o parece estar tomando alguma medida para enfrentar o problema \u2013 a n\u00e3o ser o projeto de lei abrindo a explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, em geral em terras ind\u00edgenas. Este projeto n\u00e3o \u00e9 mais do que o aproveitamento oportunista da car\u00eancia de pot\u00e1ssio no Brasil, para fazer o que Bolsonaro sempre pretendeu, acabar com as reservas ind\u00edgenas. As jazidas de pot\u00e1ssio em terras ind\u00edgenas s\u00e3o de pequena monta e explora\u00e7\u00e3o tecnicamente dif\u00edcil e provavelmente nem encontrar\u00e3o investidores interessados, mas a porta do projeto abre-se para explorar qualquer coisa.<\/p>\n<p>Na falta de adubos qu\u00edmicos, o que vai acontecer? A produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro (e do mundial) est\u00e1 baseado no sistema de sementes melhoradas pelas empresas, adubos qu\u00edmicos, agrot\u00f3xicos e maquin\u00e1rio pesado, inclusive avi\u00f5es. S\u00e3o grandes monoculturas homog\u00eaneas que agridem em muitas formas o meio ambiente, mas para funcionar precisam que as sementes recebam a quantidade recomendada pelas pesquisas em termos de adubos. Se esta quantidade for menor que a indicada haver\u00e1 um impacto no rendimento das plantas. Acredito que o impacto ser\u00e1 generalizado em todas as culturas, mas algumas sofrer\u00e3o mais do que outras, sobretudo as voltadas para o mercado interno sofrer\u00e3o mais do que as voltadas para exporta\u00e7\u00e3o. Por qu\u00ea? Porque os empres\u00e1rios agroexportadores t\u00eam mais bala na agulha do que os outros. Podem pagar mais e isto vai ser o divisor de \u00e1guas como \u00e9 normal em um sistema capitalista. \u00c9 de se prever, portanto, que os empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio (ou do\u00a0<em>agronegocinho<\/em>) respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de trigo, arroz, feij\u00e3o, mandioca, milho (o de consumo humano, n\u00e3o o de ra\u00e7\u00e3o animal), frutas (fora a laranja, que \u00e9 exportada) e hortali\u00e7as v\u00e3o ter quebras de safra devido ao uso insuficiente de adubos. Resultado: menos produtos e pre\u00e7os mais altos. Mas isto vai ser para o ano que vem.<\/p>\n<p>Quem vai nadar de bra\u00e7ada neste caos s\u00e3o os produtores org\u00e2nicos e agroecol\u00f3gicos, que n\u00e3o usam adubos qu\u00edmicos nem agrot\u00f3xicos. Eles s\u00e3o agentes sinalizadores do futuro da agricultura, mas no curto prazo s\u00e3o muito poucos para compensar as imensas perdas da produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Pensando no futuro, um governo com um m\u00ednimo de bom senso deveria procurar a paulatina substitui\u00e7\u00e3o dos produtos qu\u00edmicos na agricultura, primeiro trocando insumos industriais como adubos e agrot\u00f3xicos por equivalentes org\u00e2nicos. H\u00e1 um enorme potencial de produ\u00e7\u00e3o de adubos que se combina com investimentos em sanidade. A FINEP financiou estudos sobre a compostagem de lodo de esgoto e lixo urbanos e tem planos bem preparados para promover o tratamento maci\u00e7o destes poluentes. Investimentos desta natureza poderiam e deveriam ser estendidos para setores da ind\u00fastria, cujos restos poderiam ser aproveitados ao inv\u00e9s de irem poluir o meio ambiente. Somente este esfor\u00e7o de saneamento, que teria impactos enormes na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, permitiria uma tremenda economia no uso de adubos por parte do agroneg\u00f3cio, mesmo sem mexer nos seus sistemas produtivos de monoculturas homog\u00eaneas.<\/p>\n<p>Produzir alimentos para a popula\u00e7\u00e3o brasileira vai cobrar um esfor\u00e7o governamental de apoio \u00e0 agricultura familiar que ainda est\u00e1 pouco contaminada pela commoditiza\u00e7\u00e3o do agro. Para que isto d\u00ea certo vai ser preciso financiar investimentos nas propriedades, apoio t\u00e9cnico em agroecologia e garantia de pre\u00e7os compensadores e de compras governamentais que abaste\u00e7am tanto os servi\u00e7os como a alimenta\u00e7\u00e3o escolar como os programas sociais. N\u00e3o vai ser tudo resolvido do dia para noite pois estes processos s\u00e3o complexos e delicados, mas \u00e9 o \u00fanico caminho vi\u00e1vel a seguir. Por outro lado, tamb\u00e9m vai ser preciso atrair o agroneg\u00f3cio para a produ\u00e7\u00e3o alimentar nacional, al\u00e9m de fazer um esfor\u00e7o sistem\u00e1tico de importa\u00e7\u00f5es, enquanto n\u00e3o for equilibrada a oferta de alimentos de acordo com as necessidades b\u00e1sicas de todos os brasileiros e brasileiras.<\/p>\n<p>Um tsunami alimentar no horizonte brasileiro &#8211; Outras Palavras<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"4AXZRkWmtW\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/um-tsunami-alimentar-no-horizonte-brasileiro\/\">Um tsunami alimentar no horizonte brasileiro<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Um tsunami alimentar no horizonte brasileiro&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/um-tsunami-alimentar-no-horizonte-brasileiro\/embed\/#?secret=ric0uVBFug#?secret=4AXZRkWmtW\" data-secret=\"4AXZRkWmtW\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jean Marc von der Weid &#8211; \u00c9 crucial um programa de \u201csalva\u00e7\u00e3o nacional\u201d para a quest\u00e3o da crise alimentar que, silenciosamente, vem assolando o povo de forma crescente, desde 2015 \u2013 e que o esbo\u00e7arei, em uma s\u00e9rie de artigos em\u00a0Outras Palavras. 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