{"id":17603,"date":"2022-03-28T12:21:07","date_gmt":"2022-03-28T15:21:07","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=17603"},"modified":"2022-03-27T20:24:22","modified_gmt":"2022-03-27T23:24:22","slug":"guerra-da-ucrania-a-conjuntura-e-o-sistema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/03\/28\/guerra-da-ucrania-a-conjuntura-e-o-sistema\/","title":{"rendered":"Guerra da Ucr\u00e2nia: a conjuntura e o sistema"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/strong> &#8211; \u00c9 muito comum falar da acelera\u00e7\u00e3o do tempo hist\u00f3rico, apesar de que ningu\u00e9m saiba exatamente o que isto significa, ou por que isto acontece. Todos reconhecem, no entanto, que s\u00e3o momentos em que fatos e decis\u00f5es importantes se concentram e se precipitam, alterando significativamente o rumo da Hist\u00f3ria. E hoje existe um grande consenso de que aconteceu algo desse tipo na virada dos anos 90, provocando uma mudan\u00e7a radical no panorama geopol\u00edtico mundial na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<blockquote><p><em>Atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, duas coisas foram ficando mais claras: em primeiro lugar, as guerras aumentam os la\u00e7os de integra\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia entre os grandes poderes territoriais deste sistema que nasceu na Europa a partir do s\u00e9culos XIII e XIV; em segundo lugar, os poderes expansivos no \u201cjogo das guerras\u201d n\u00e3o podem destruir seus concorrentes\/advers\u00e1rios, ou ent\u00e3o s\u00e3o obrigados a recri\u00e1los\u2026 E este talvez seja o maior segredo deste sistema: o pr\u00f3prio \u201cpoder expansivo\u201d \u00e9 quem cria ou inventa \u2013 em \u00faltima instancia \u2013 os seus competidores e advers\u00e1rios, indispens\u00e1veis para a sua pr\u00f3pria<\/em><br \/>\nacumula\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>J. L. Fiori. \u201cForma\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o e limites do poder global\u201d, in IDEM (Org), O Poder Americano, Editora Vozes, Petr\u00f3polis, 2004<\/p><\/blockquote>\n<p>Tudo come\u00e7ou de forma surpreendente, na madrugada de 9 para 10 de novembro de 1989, quando foram abertos os port\u00f5es e derrubado o muro que dividia a cidade de Berlim, separando o \u201cOcidente liberal\u201d do \u201cLeste comunista\u201d. O mais importante, entretanto, ocorreu logo depois, com o processo em cadeia de mudan\u00e7a dos regimes socialistas da Europa Central e Oriental, que levou \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o do Pacto de Vars\u00f3via e \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha, no dia 3 de novembro de 1990, culminando com a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o fim da Guerra Fria, em 1991. Naquele momento, muitos comemoraram a vit\u00f3ria definitiva (que depois n\u00e3o se confirmou) da \u201cliberal-democracia\u201d e da \u201ceconomia de mercado\u201d contra seus grandes advers\u00e1rios e concorrentes do s\u00e9culo XX: o \u201cnacionalismo\u201d, o \u201cfascismo\u201d e, finalmente, o \u201ccomunismo\u201d. No entanto, o que de fato se concretizou naquela virada da Hist\u00f3ria foi um velho sonho ou projeto quase ut\u00f3pico dos fil\u00f3sofos e juristas dos s\u00e9culos XVIII e XIX, e dos te\u00f3ricos internacionais do s\u00e9culo XX: o aparecimento de um poder pol\u00edtico global, quase monop\u00f3lico, que fosse capaz de impor e tutelar uma ordem mundial pac\u00edfica e orientada pelos valores da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ocidental\u201d. Uma tese que p\u00f4de finalmente ser testada depois da vit\u00f3ria avassaladora dos Estados Unidos na Guerra do Golfo, em 1991.<\/p>\n<p>Trinta anos depois, entretanto, o panorama mundial mudou radicalmente. Em primeiro lugar, os Estados e as \u201cgrandes pot\u00eancias\u201d, com suas fronteiras e interesses nacionais, voltaram ao epicentro do sistema mundial, e a velha \u201cgeopol\u00edtica das na\u00e7\u00f5es\u201d voltou a funcionar como b\u00fassola do sistema interestatal; o \u201cprotecionismo econ\u00f4mico\u201d voltou a ser praticado pelas grandes pot\u00eancias; e os grandes \u201cobjetivos humanit\u00e1rios\u201d dos anos 90, e o pr\u00f3prio ideal da globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, foram relegados a um segundo plano da agenda internacional. Mais do que isto, o fantasma do \u201cnacionalismo de direita\u201d e do \u201cfascismo\u201d voltou a assombrar o mundo, e o que \u00e9 mais surpreendente, penetrou a sociedade e o sistema pol\u00edtico norte-americano, culminando com a vit\u00f3ria da extrema-direita nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais americanas de 2017. Nesses trinta anos, o mundo assistiu \u00e0 vertiginosa ascens\u00e3o econ\u00f4mica da China, \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o do poder militar da R\u00fassia e ao decl\u00ednio do poder global da Uni\u00e3o Europeia (UE). Mas o mais surpreendente talvez tenha sido a forma como os pr\u00f3prios Estados Unidos passaram a desconhecer, atacar ou destruir as institui\u00e7\u00f5es globais respons\u00e1veis pela gest\u00e3o da ordem liberal internacional instaurada nos anos 90, sob sua pr\u00f3pria tutela, desde o momento em que declararam guerra contra o Afeganist\u00e3o, em 2001, e contra o Iraque, em 2003, \u00e0 margem \u2013 ou explicitamente contra \u2013 da posi\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, e talvez o mais intrigante, \u00e9 que a pot\u00eancia unipolar desse novo sistema, que seria teoricamente a respons\u00e1vel pela tutela da paz mundial, esteve em guerra durante quase todas as tr\u00eas d\u00e9cadas posteriores ao fim da Guerra Fria. Come\u00e7ando imediatamente pela Guerra do Golfo, em 1991, quando as For\u00e7as Armadas americanas apresentaram ao mundo suas novas tecnologias b\u00e9licas e sua \u201cnova forma de fazer guerra\u201d, com o uso intensivo de armamentos operados \u00e0 dist\u00e2ncia, o que lhes permitiu uma vit\u00f3ria imediata e arrasadora, com um m\u00ednimo de perdas e um m\u00e1ximo de destrui\u00e7\u00e3o de seus advers\u00e1rios. Foram 42 dias de ataques a\u00e9reos cont\u00ednuos, seguidos por uma invas\u00e3o terrestre r\u00e1pida e contundente, com cerca de 4 mil baixas americanas e cerca de 650 mil mortos iraquianos. Uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a que deixou claro ao mundo a diferen\u00e7a de for\u00e7as que havia dentro do sistema internacional depois do fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Depois disso, os Estados Unidos fizeram 48 interven\u00e7\u00f5es militares na d\u00e9cada de 90 e se envolveram em v\u00e1rias guerras \u201csem fim\u201d, de forma cont\u00ednua, durante as duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI. Nesse per\u00edodo, os norte-americanos fizeram 24 interven\u00e7\u00f5es militares ao redor do mundo e realizaram 100 mil bombardeios a\u00e9reos, e s\u00f3 no ano de 2016, ainda durante o governo de Barack Obama, lan\u00e7aram 26.171 bombas sobre sete pa\u00edses, simultaneamente. (1) Encerrou-se assim, definitivamente, a expectativa dos s\u00e9culos XVIII, XIX e XX, de que um \u201csuperestado\u201d ou uma \u201cpot\u00eancia hegem\u00f4nica\u201d conseguiria finalmente assegurar uma paz duradoura dentro do sistema interestatal criado pela Paz de Westf\u00e1lia de 1648. Ou seja, no per\u00edodo em que a humanidade teria estado mais pr\u00f3xima de uma \u201cpaz perp\u00e9tua\u201d, tutelada por uma \u00fanica \u201cpot\u00eancia global\u201d, o que se assistiu foi uma sucess\u00e3o quase cont\u00ednua de guerras envolvendo a pr\u00f3pria pot\u00eancia dominante (Fiori, 2008).<\/p>\n<p>S\u00e3o n\u00fameros que n\u00e3o deixam d\u00favidas com rela\u00e7\u00e3o ao fato de que o projeto cosmopolita, pacifista e humanit\u00e1rio da d\u00e9cada de 90 foi atropelado pelo pr\u00f3prio poder americano. Uma constata\u00e7\u00e3o extraordinariamente intrigante, em particular se tivermos em conta que n\u00e3o se tratou de um acidente de percurso, ou apenas de uma rea\u00e7\u00e3o defensiva datada. Pelo contr\u00e1rio, tudo aponta para o desdobramento de uma tend\u00eancia central que foi se desvelando atrav\u00e9s de uma sucess\u00e3o de guerras, fossem elas defensivas, humanit\u00e1rias, de combate ao terrorismo, ou simplesmente de preserva\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es de poder das grandes pot\u00eancias dentro do sistema internacional.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dessas guerras que precederam e explicam em parte a atual Guerra da Ucr\u00e2nia, somadas \u00e0s guerras do s\u00e9culo XX, permite-nos extrair algumas conclus\u00f5es ou hip\u00f3teses que transcendem esta conjuntura, projetando-se sobre a hist\u00f3ria de longo prazo da guerra e da paz atrav\u00e9s da evolu\u00e7\u00e3o das sociedades humanas. Em primeiro lugar, a grande maioria das guerras n\u00e3o tem como objetivo a obten\u00e7\u00e3o da paz ou da justi\u00e7a, nem leva necessariamente \u00e0 paz. Elas buscam sobretudo a vit\u00f3ria e submiss\u00e3o ou \u201cconvers\u00e3o\u201d dos advers\u00e1rios, e a expans\u00e3o do poder dos vitoriosos.<\/p>\n<p>A \u201cpaz\u201d n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de \u201cordem\u201d, e a exist\u00eancia de uma \u201cordem internacional\u201d n\u00e3o assegura a paz. Basta ver o que aconteceu nos \u00faltimos 30 anos, com a \u201cordem liberal-cosmopolita\u201d que foi tutelada pelos Estados Unidos depois do fim da Guerra Fria, e que se transformou num dos per\u00edodos mais violentos da hist\u00f3ria norte-americana. Como j\u00e1 havia acontecido, tamb\u00e9m, com a \u201cordem internacional\u201d que nasceu depois da Paz de Westf\u00e1lia, per\u00edodo em que a Gr\u00e3-Bretanha, sozinha, iniciou uma nova guerra a cada tr\u00eas anos, entre 1652 e 1919, mesma periodicidade que teriam as guerras norte-americanas, entre 1783 e 1945 (Holmes, 2001).<\/p>\n<p>Dentro do sistema interestatal, a \u201cpot\u00eancia dominante\u201d, mesmo depois de conquistar a condi\u00e7\u00e3o de um \u201csuperestado\u201d, segue se expandindo e fazendo guerras, e necessita faz\u00ea-lo para poder preservar sua posi\u00e7\u00e3o monop\u00f3lica j\u00e1 adquirida. O envolvimento dos EUA, por isso mesmo, a \u201cpot\u00eancia dominante\u201d, n\u00e3o tem compromisso obrigat\u00f3rio com o\u00a0<em>status quo\u00a0<\/em>que eles tutelam e ajudaram a criar. E, muitas vezes, eles s\u00e3o obrigados a modificar ou destruir esse\u00a0<em>status quo<\/em>, uma vez que suas regras e institui\u00e7\u00f5es comecem a obstruir o caminho de expans\u00e3o do seu poder (Fiori, 2008).<\/p>\n<p>A paz \u00e9 quase sempre um per\u00edodo de \u201ctr\u00e9gua\u201d (2) que dura o tempo imposto pela \u201ccompuls\u00e3o expansiva\u201d dos ganhadores, e pela necessidade de \u201crevanche\u201d dos derrotados. Esse tempo pode ser mais ou menos longo, mas n\u00e3o interrompe o processo de prepara\u00e7\u00e3o de novas guerras, seja da parte dos vitoriosos (3) seja da parte dos derrotados. (4) Por isso se pode dizer, metaforicamente, que toda paz est\u00e1 sempre \u201cgr\u00e1vida\u201d de uma nova guerra.<\/p>\n<p>Em todo tempo e lugar, a guerra aparece associada de forma indisfar\u00e7\u00e1vel com a exist\u00eancia de hierarquias e desigualdades, ou mais exatamente, com a exist\u00eancia do \u201cpoder\u201d e da \u201cluta pelo poder\u201d.<\/p>\n<p>Se essas hip\u00f3teses n\u00e3o forem refutadas, poder\u00edamos concluir que o projeto kantiano da \u201cpaz perp\u00e9tua\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas uma grande utopia; \u00e9 de fato um \u201cc\u00edrculo quadrado\u201d, ou seja, uma impossibilidade absoluta. Apesar disso, a \u201cpaz\u201d se mant\u00e9m como um desejo de todos os homens, e aparece no plano da sua consci\u00eancia individual e social, como uma obriga\u00e7\u00e3o moral, um imperativo pol\u00edtico e uma utopia \u00e9tica quase universal. Nesse plano, a guerra e a paz devem ser vistas e analisadas como dimens\u00f5es insepar\u00e1veis de um mesmo processo contradit\u00f3rio, perene e ag\u00f4nico de anseio e busca dos homens por uma transcend\u00eancia moral muito dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Este artigo re\u00fane excertos extra\u00eddos do pref\u00e1cio do livro organizado por J. L. Fiori, Sobre a Paz, publicado pela Editora Vozes em 2021. Seu t\u00edtulo original \u00e9 \u201cO paradoxo de Kant e a leveza da paz\u201d.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>(1) Segundo dados apresentados por Micah Zenko, especialista em pol\u00edtica externa norte-americana, publicados no site oficial do Council of Foreign Relations (www.cfr.org).<\/p>\n<p>(2) \u201c[\u2026] a paz \u00e9 apenas uma longa tr\u00e9gua, obtida por meio de um estado de crescente, persistente e progressiva tens\u00e3o\u201d (Bobbio, 2002, p. 73).<\/p>\n<p>(3) \u201cPorque tal como a natureza do mau tempo n\u00e3o consiste em dois ou tr\u00eas chuviscos, mas numa tend\u00eancia para chover que dura v\u00e1rios dias seguidos, assim tamb\u00e9m a natureza da guerra n\u00e3o consiste na luta real, mas na conhecida disposi\u00e7\u00e3o para tal, durante todo o tempo em que n\u00e3o h\u00e1 garantia do contr\u00e1rio. Todo o tempo restante \u00e9 de paz\u201d (Hobbes, 1983, p. 76).<\/p>\n<p>(4) \u201cO desejo de se ressarcir de um preju\u00edzo que se cr\u00ea haver sofrido, de vingar-se mediante repres\u00e1lias, de tomar ou retomar o que se considera sua propriedade, a inveja do poder, ou da reputa\u00e7\u00e3o, o desejo de mortificar e rebaixar um vizinho de quem se pensa haver causa para detestar: eis a\u00ed tantas fontes de querelas que nascem nos cora\u00e7\u00f5es dos homens e que somente podem produzir incessantes embates, seja com raz\u00e3o e com pretexto, seja sem raz\u00e3o e sem pretexto\u201d (Abb\u00e9 de Saint Pierre, 2003, p. 18).<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>ABB\u00c9 DE SAINT PIERRE.\u00a0<em>Projeto para tornar perp\u00e9tua a paz na Europa.\u00a0<\/em>Bras\u00edlia: Editora UnB, 2003.<\/p>\n<p>BOBBIO, N.\u00a0<em>O problema da guerra e das vias da paz<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, 2002.<\/p>\n<p>FIORI, J. L. O sistema interestatal capitalista na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. In: FIORI, J. L. et al.\u00a0<em>O mito do colapso do poder americano<\/em>. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008.<\/p>\n<p>HOBBES, T.\u00a0<em>Leviat\u00e3 ou mat\u00e9ria, forma e poder de um Estado eclesi\u00e1stico e civil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Victor Civita, 1983 (Cole\u00e7\u00e3o Pensadores). HOLMES, R. (Edit)\u00a0<em>The Oxford companion to military history,\u00a0<\/em>Oxford University Press, 2001<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Guerra da Ucr\u00e2nia: a conjuntura e o sistema &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/guerra-da-ucrania-a-conjuntura-e-o-sistema\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211; \u00c9 muito comum falar da acelera\u00e7\u00e3o do tempo hist\u00f3rico, apesar de que ningu\u00e9m saiba exatamente o que isto significa, ou por que isto acontece. 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